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	<title>Arquivos Adriana M. Meneguelli &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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		<title>Rapunzel pós-moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2016 20:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adriana M. Meneguelli]]></category>
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		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Espectros de mulheres escapam-me da mente — estranhos seres de signos imaginários. Eu as recebo na minha torre sem janela, da qual sou prisioneiro e onde cabem minha loucura e minha solidão. Com essas palavras inicia-se o livro de contos eróticos e fantásticos de Luiz Guilherme Santos Neves: A torre do delírio. E nesse pequeno [&#8230;]</p>
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<table border="0" cellpadding="10" style="width: 100%px;">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="40%"></td>
<td valign="top" width="60%">
<div style="font-size: 80%; padding: 10px;">
Espectros de mulheres escapam-me da mente — estranhos seres de signos imaginários. Eu as recebo na minha torre sem janela, da qual sou prisioneiro e onde cabem minha loucura e minha solidão.
</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Com essas palavras inicia-se o livro de contos eróticos e fantásticos de Luiz Guilherme Santos Neves: A torre do delírio. E nesse pequeno excerto podem ser percebidos alguns tópicos que conduzem a um percurso cujo sentido está imerso na estética pós-moderna.</p>
<p>O signo torre remete à história de Rapunzel, a donzela que, aprisionada na torre, é resgatada por um príncipe, quando se concretiza o amor de ambos. Em A torre do delírio há uma torre, mas não é mais a donzela fragilizada; é o homem fragilizado que não concretiza o encontro com o outro, nem mesmo na imaginação, que é o que ele tem em mãos, e estando com todos os desejos aprisionados, surge o erotismo, tão marcante nas imagens. Afinal, nem mesmo janelas tem a torre, restando ao voyeur apenas os olhos da mente.</p>
<p>A torre é a própria situação do homem atual, assim como loucura e solidão são estados de um homem fadado ao isolamento. &#8220;É uma torre ensimesmada, recolhida na própria sombra&#8221;, continua na mesma página o narrador.</p>
<p>Ora, no homem pós-moderno há a tentativa de afirmação da identidade, só que é uma tentativa frustrada, e o homem sabe disso, ou mesmo já espera tal desfecho. Essa &#8220;torre ensimesmada&#8221; é o homem ensimesmado que perde na pós-modernidade até mesmo a noção de sujeito. É aí que entra o delírio, que acaba sendo o que resta.</p>
<p>O narrador recebe em sua torre mulheres, estranhos seres de signos imaginários que escapam de sua mente. São apenas fantasmas, seres oníricos que entram e saem, deixando marcas ou não, mas sempre efêmeras. Vale também ressaltar que, apesar de todas essas personagens que entram na torre serem personagens eróticas, praticamente não há a concretização do ato, restando apenas a frustração e, ainda, o delírio.</p>
<p>Não há no homem pós-moderno a identificação com o outro; não é à toa que a questão da alteridade tem sido amplamente debatida. Repensá-la acaba por conduzir ao problema da própria identidade. E o interessante nesse processo é que o outro, que no livro são pessoas imaginárias, traz o erotismo impregnado. Ora, é o próprio narrador então que o tem inundando a sua mente.</p>
<p>Tal percepção acaba por recair na ausência do outro no que diz respeito à questão do amor a dois. Não há o par. Isso é comprovado no decorrer de cada conto que se refere a cada uma das visitantes. Diria Jean Baudrillard que &#8220;o outro é o hóspede&#8221;. Ora, no livro em questão não há hóspedes, não há quem permaneça. Há, então, relações incompletas e não concretizadas. Tal é o erotismo presente no livro, aquele que se dá de forma imagética simplesmente, da mesma forma que quase não há na atual sociedade o amor; fala-se muito em paixão. Não é à toa que os jovens atuais só falam em ficar com alguém, isto é, momentos fugazes de relação a dois: a própria efemeridade.</p>
<p>Só que, como é a efemeridade que dita as normas, não basta Ter percorrido o ciclo — o zodíaco é o próprio ciclo — e além disso outros mitos, ou intersignos, ou simplesmente outros nomes. O &#8220;eterno retorno&#8221; não se dá nessa vertigem que em determinado momento acaba, juntamente com a narrativa, quando o autor admite: &#8220;hora de tocar um réquiem para um sonhador&#8221;.</p>
<p>É nesse ponto que deverá então o narrador chegar ao cimo da escada em caracol, e atingir, quem sabe, o infinito? O que equivale a concluir também, a partir da afirmativa de Baudrillard, que a repetição ao infinito é a ausência do outro, que seria então a ausência da própria identidade.</p>
<p>Cabe então questionar: seria isso a morte do homem atual?</p>
<p>[In Revista <i>Você </i>n. 12, de junho de 1993. Reprodução autorizada pelo autor.]</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001 </span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Adrianna M. Meneguelli </b>possui graduação em Letras-Português pela Universidade Federal do Espírito Santo (1989), graduação em Gastronomia pela Universidade Vila Velha (2013), mestrado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (2003) e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008). Atualmente é professora do Instituto Federal do Espírito Santo. Tem experiência na área de Letras com ênfase em Literaturas Brasileira e Comparada, atuando principalmente nos seguintes temas: tradução, literatura contemporânea, literaturas de língua portuguesa, produção textual e ensino, estudos culturais, antropologia e gastronomia (informações coletadas do Lattes em 28/11/2015).</p></blockquote>
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