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	<title>Arquivos Carlos Heitor Cony &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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		<title>Prefácio de Carlos Heitor Cony</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 20:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carlos Heitor Cony]]></category>
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		<category><![CDATA[José Caldas da Costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A saga do grupo de dissidentes da Marinha, Exército e Aeronáutica que, entre 1966 e 67, tentou estabelecer um foco de guerrilha na crista do maciço do Caparaó (onde está o Pico da Bandeira, considerado até então ponto culminante do Brasil) daria filme e romance de ação. A aventura tem todos os elementos para entusiasmar [&#8230;]</p>
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A saga do grupo de dissidentes da Marinha, Exército e Aeronáutica que, entre 1966 e 67, tentou estabelecer um foco de guerrilha na crista do maciço do Caparaó (onde está o Pico da Bandeira, considerado até então ponto culminante do Brasil) daria filme e romance de ação. A aventura tem todos os elementos para entusiasmar espectadores e leitores: cenário magnífico e hostil, idealismo ardente, amor e separações, intriga internacional, divergências internas.</p>
<p>Os guerrilheiros se faziam passar por criadores de cabras e carvoeiros que trocavam seus produtos por feijão, charque e farinha nas pequenas cidades e povoações da divisão do Espírito Santo com Minas Gerais, aninhadas nos contrafortes da serra.</p>
<p>Sua história poderia até inspirar imagens literárias do tipo &#8220;os pastores de rebanhos tresmalhados&#8221; ou &#8220;os carbonários que queimavam a mata, mas não conseguiam incendiar o Brasil&#8221;. Na visão do grupo, um incêndio purificador que iluminaria o país mergulhado em trevas desde o golpe militar de 1964.</p>
<p>José Caldas da Costa, autor da pesquisa que, 36 anos depois, revela o pouco conhecido episódio do primeiro movimento armado contra o arbítrio, preferiu dar ao relato forma de reportagem investigativa. Fez bem. Entrevistando os remanescentes do grupo, num périplo exaustivo para localizá-los onde agora vivem, em cidades do Nordeste, Sudeste e Sul, produziu este documento denso sobre os fatos que foram escamoteados pelos governos da ditadura, expurgados dos livros escolares e, na época que ocorreram, não tiveram maior repercussão na imprensa amordaçada.</p>
<p>José Caldas acrescenta informações paralelas e revela inconfidências que modificam, em alguns aspectos, o perfil de personagens estratificados na dicotomia bons e maus.</p>
<p>Paulo Schilling, por exemplo, tão esquecido até pelas esquerdas, surge na sua verdadeira e grandiosa dimensão política e humana; o general Mourão Filho, que se auto-intitulava uma &#8220;vaca fardada&#8221;, diz frases que mostra que não era assim tão pouco esclarecido.</p>
<p>Entram em cena, entre outros, Brizola conspirando no exílio uruguaio; Che Guevara às vésperas da imolação na selva boliviana e à espera das conexões com a guerrilha brasileira; fala-se de outras conexões internacionais, inclusive do controvertido &#8220;ouro de Moscou&#8221;, que chegaria via Havana.</p>
<p>Mas, no proscênio, estão sempre os guerrilheiros, na maioria marujos com o espírito rebelde de João Cândido — o &#8220;Almirante Negro&#8221;, líder da revolta contra os castigos corporais na Marinha. Cada um dos depoentes conta a luta cotidiana para sobreviver — despreparados, mal equipados, famintos e preocupados, a um só tempo, com a Pátria e a família deixada para trás, quase sempre sem recursos e sem segurança.</p>
<p>A derrota previsível pela falta de condições materiais, pela nenhuma receptividade junto à população local o abandono naqueles ermos a quase 3 mil metros de altitude, veio mais cedo através de um agente inesperado: os ratos que infestavam o barracão de mantimentos e transmitiam a peste bubônica.</p>
<p>O que não deixa de ter algum simbolismo. Como também pode-se considerar emblemático o nome dado ao segundo pontos mais alto do território nacional. Medições da Aeronáutica haviam constatado que o Pico da Bandeira tinha menos cem metros que dois pontões na fronteira do Brasil com a Venezuela. Um já era conhecido como Pico da Neblina. O outro a ditadura batizou, orgulhosamente, 31 de março (data oficial para o golpe de 1º de abril). Com isso, o governo militar reconhecida a guerrilha do Caparaó como movimento ideológico e dissidente, quando sempre quis lançar sobre os combatentes a pecha de bandoleiros, apenas ladrões de gado numa região remota. Não se sabe até que ponto, provocativamente, os donos do poder quiseram com o 31 de Março mostrar que sua &#8220;revolução&#8221; estava acima da &#8220;subversão&#8221; de subalternos.</p>
<p>Há precedente histórico nesta questão de batismos oficiais. Floriano Peixoto, depois de arrasar Desterro, capital de Santa Catarina, onde os farroupilhas estabeleceram sua base naval, impôs à cidade o próprio nome: Florianópolis.</p>
<p>O povo, no entanto, reagiu à humilhação. Passou a associar o topônimo a flores. Florianópolis, cidade das flores. E, hoje, o marechal deve estar se retorcendo no túmulo quando jovens chamam a capital catarinense, na qual ele queria perpetuar sua glória, carinhosamente de Floripa.</p>
<p>O 31 de Março pode ser, para quem lutou contra aqueles que sufocaram as liberdades durante duas décadas, o Pico da Bandeira da Democracia.</p>
<p>[COSTA, José Caldas da. <i>Cabras e Ratos — Por que lutaram militares da Marinha, Exército e Aeronáutica na Guerrilha do Caparaó, primeira tentativa de reação armada ao regime de 1964</i>. Textos introdutórios a um livro ainda inédito, baseado em depoimentos e entrevistas, com prefácio de Carlos Heitor Cony. Reprodução autorizada pelo autor.]</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
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