<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Conto &#8902; Estação Capixaba</title>
	<atom:link href="https://estacaocapixaba.com.br/category/conto/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/conto/</link>
	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Sep 2021 17:38:24 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2019/01/favEC-150x150.png</url>
	<title>Arquivos Conto &#8902; Estação Capixaba</title>
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/conto/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Sereia</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/sereia/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/sereia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Mar 2001 20:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro José Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Nunes]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>A minha prima tem um diário cor-de-rosa, enfeitado de florzinhas. Eu sei porque a ouvi dizendo à outra prima. E lá devem existir muitos segredos, porque elas cochichavam e riam. Eu vou até a janela que dá no seu quarto. Está aberta. Será que ela vai gritar se eu olhar lá dentro? Resolvo, me aproximo [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/sereia/">Sereia</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>
A minha prima tem um diário cor-de-rosa, enfeitado de florzinhas. Eu sei porque a ouvi dizendo à outra prima. E lá devem existir muitos segredos, porque elas cochichavam e riam. Eu vou até a janela que dá no seu quarto. Está aberta. Será que ela vai gritar se eu olhar lá dentro? Resolvo, me aproximo da janela e não vejo ninguém. Seria até bom se ela estivesse nuazinha, deitadinha de bruços na cama, a bundinha arrebitadinha de cabelinhos pardos&#8230; Pulo a janela e começo a bisbilhotar e numa das gavetas, debaixo das roupas, bem escondido acho o diário! Abro-o afoito e onde batem os olhos já vou lendo &#8220;quando o Paulinho me põe as mãos debaixo da saia e me afaga, ai, eu não sei o que fazer, ele pede eu digo não, só um pouquinho eu digo não, ai, que vontade de dizer sim, a vista escura de tanta vontade&#8221;. Assusto-me com minha prima entrando quarto adentro, no princípio assustada, depois correndo em minha direção, nervosa.</p>
<p>— Dá isso aqui, Edu! Se você não der eu grito!</p>
<p>— Grite, grite que eu dou o diário pra titia! Você quer que ela saiba dos seus sarrinhos com seu namorado, hein?</p>
<p>Ela cora de vergonha, mas eu sei bem que vergonha, eu sei que já a vi, louco de desejo, se esfregando no banheiro.</p>
<p>— Depois que eu ler, resolvo o que fazer&#8230;</p>
<p>— Ah, não, Edu&#8230; Eu&#8230;</p>
<p>Ai meu coração!</p>
<p>— O que é que você&#8230;? — balbucio.</p>
<p>— Dá isso, dá&#8230;</p>
<p>— Só se você me der um beijo bem molhado&#8230;</p>
<p>— Só um beijo? — a voz macia de gata.</p>
<p>— Só estamos nós aqui&#8230; Feche a porta&#8230; A gente bem que podia&#8230;</p>
<p>Ela vem se aproximando de mim, de repente pula, só que eu já pulei a janela e me embrenhei no pomar. Agora tenho um trunfo pra usar contra ela. De hoje não passa. A mim pouco importa que eu seja bem mais novo que ela, moça já feita. Deve ter os peitinhos durinhos, gostosos de lamber&#8230; Ponho-me a ler o diário e nossa! Como minha prima é safadinha. &#8220;Hoje Paulinho pediu insistentemente que eu botasse a mão, como eu não me decidisse, ele abriu a calça e ficou esfregando aquilo em mim, duro&#8230; Ai, eu não quero, mas é tão bom, ou melhor, quero, já não sei até quando vou aguentar.&#8221; Mais à frente &#8220;Hoje aconteceu uma coisa que eu não devia escrever, mas é que me agrada tanto escrever essas coisas. Eu sei do perigo de mamãe pegar isso e descobrir tudo, mas é que é tão gostoso ficar lembrando&#8230; Quando é que eu vou ter coragem de deixar? Hoje eu e Paulinho estávamos debaixo das árvores, estava escuro, ele pediu que eu virasse de costas para ele, aí me levantou a saia e ficou esfregando a mão, que foi tirando devagarinho a minha calcinha, deixando-me seminua e zonza. Depois eu senti aquela carne dura fazendo cosquinhas nas nádegas, deixando na minha pele um molhadinho bom&#8221;.</p>
<p>Neste ponto eu sinto alguém agarrar-me fortemente pelos ombros e dou um pulo, diário na mão. É minha prima, tem cara de choro.</p>
<p>— Dá o diário, Edu&#8230; Isso não lhe interessa&#8230; — pede com a voz quase chorando.</p>
<p>— Eu não — digo, com um nó na garganta. — Estou até gostando&#8230;</p>
<p>Eu me lembro dela passando o sabonete na bundinha quando tomava banho, eu atrás da porta. Ela gostava de enfiá-lo entre as nádegas&#8230; Ai, priminha, que vontade de alisá-la também&#8230;</p>
<p>— Eu dou, mas com uma condição&#8230;</p>
<p>— Qual? Qual?</p>
<p>— Se você deixar um pouquinho&#8230; — digo hesitante. — Ninguém vai ver, e além disso, é uma vez só&#8230;</p>
<p>— Não&#8230;</p>
<p>— Então eu mostro pra titia e pros meninos&#8230;</p>
<p>— Não&#8230;</p>
<p>— Deixa, vai&#8230;</p>
<p>— Não&#8230;</p>
<p>— Ah, priminha&#8230;</p>
<p>— Ah, está bem, eu deixo&#8230;</p>
<p>— Então tira a calcinha&#8230;</p>
<p>— Você me promete que vai dar o diário&#8230;</p>
<p>— Pro&#8230; prometo&#8230;</p>
<p>Ela se deitou no chão, puxou a saia, ai, o resto não conto&#8230;</p>
<div style="text-align: center;">
*******</div>
<p>
[O conto &#8220;Sereia&#8221; foi publicado na antologia da Editora Brasiliense <i>Jovens contos eróticos</i>, em 1987. O concurso literário que deu origem ao livro contou com quase 2000 escritores inscritos em todo o país. Destes, vinte foram selecionados para participar da antologia, entre eles Pedro Nunes. Embora o autor reconheça a baixa qualidade do texto, escrito em uma manhã em suas pobres duas versões, o rascunho e o texto definitivo, ele o projetou como virtual escritor. Com esse maior e talvez único mérito, aqui vai para matar a curiosidade de um e de outro que se aventure no desejo de conhecê-lo.]</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>Textos com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<div>
</div>
<p>
<b>Pedro José Nunes</b>, escritor,&nbsp;nasceu em Ibitirama, ES, em 1962. Nesse mesmo ano, sua família retornou a São José do Calçado, e lá ele residiu até os 19 anos, quando se mudou definitivamente para Vitória. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo. Criador e responsável pela manutenção do site Terlúlia, dedicado à literatura produzida no Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/pedro-jose-nunes-repertorio-literario/" target="_blank" rel="noopener"><b>clique aqui</b></a>.)</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/sereia/">Sereia</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/sereia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A ratazana e o ocaso</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-ratazana-e-o-ocaso/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/a-ratazana-e-o-ocaso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Mar 2001 20:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro José Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Nunes]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Nos jornais daquela manhã o povo leu sobre o morte do autor estampada nos jornais em belas letras negras. O rumor encheu o dia. A alguns, morte tão trágica consternou. Outros sorriram seus oblíquos risos. E houve mesmo quem se sentisse ligeiramente aliviado. * * * &#8220;[&#8230;] O corpo foi encontrado na varanda do apartamento. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-ratazana-e-o-ocaso/">A ratazana e o ocaso</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos jornais daquela manhã o povo leu sobre o morte do autor estampada nos jornais em belas letras negras. O rumor encheu o dia. A alguns, morte tão trágica consternou. Outros sorriram seus oblíquos risos. E houve mesmo quem se sentisse ligeiramente aliviado.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
&#8220;[&#8230;] O corpo foi encontrado na varanda do apartamento. Ao lado do cadáver havia uma caixa de barbitúricos e várias garrafas de cerveja vazias. Como não havia marcas de violência [&#8230;] presume-se que tenha cometido auto-extermínio.&#8221; (O CLARIM)</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
O perito criminal observou em suas anotações que o extinto trazia no rosto um riso enigmático.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Os psicanalistas se reuniram em seu clube fechado e após longa conferência regada a apartes distintos e rostos severos escreveram sua nota meio científica, meio literária, e, protestando pesar, fizeram-na publicar nos jornais ao lado de uma fotografia do defunto.</p>
<p>A notícia, os protestantes a utilizaram em contra-propaganda.</p>
<p>As assembleias do povo se fizeram ao pé dos postes, onde murmuraram-se conjecturas diversas.</p>
<p>O santo clero preferiu não se manifestar. Algumas missas de réquiem se realizaram aqui e ali em intenção da alma do morto. Com o recolhimento dos emolumentos, é claro.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Após uma dessas cerimônias, um sacristão, vazio o templo, acariciou apressadamente as frias pernas de metal de São Sebastião. Depois de apagar as luzes, adentrou a sacristia.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
&#8220;[&#8230;] natureza panfletária, elegância escassa. A literatura de Fulano, julga ele mesmo, é feita para o povo. Turba ordinária, Fulano pensa que ainda a escandaliza com seus folhetins, ignorando que não o entende o povo, esse organismo incapaz de congregar-se em torno de [&#8230;]&#8221; (Publicado dias antes da morte do autor no caderno b dO CLARIM)</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
&#8220;Que mal haveria em aproximar-se do sentimento do povo e acariciá-lo? [&#8230;] não se pode ignorar que [&#8230;] aproximou-se da materialização desse sentimento e o cristalizou definitivamente. [&#8230;] É lamentável que autor desse porte, [&#8230;] tenha cometido o auto-extermínio. Privou o país não só, etc. (Dia seguinte, nO CLARIM)</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
De início um gracejo, o riso de alguns encheu a noite que precedeu o sepultamento, transformando-se em medonha gargalhada.</p>
<p>Em um canto obscuro e úmido da cidade, alguém lia: &#8220;é mister que venham escândalos&#8221;.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Em meio a poucas homenagens, o corpo desceu ao túmulo. Compareceram os poucos parentes e amigos, alguns discípulos, dois ou três leitores e um crítico. Este jogou sobre o esquife três montinhos de terra e saiu abanando as mãos.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
P.S.: Alguns trechos deste espetáculo foram extraídos dos melhores jornais da &#8220;Capital do Absurdo&#8221;(expressão do falecido autor que, segundo o crítico literário dO CLARIM, &#8220;é de literariedade obscura e, se possui ironia, é extremamente grosseira&#8221;).</p>
<p>
[In <i>Palavras da Cidade</i>, volume 2, Prefeitura Municipal de Vitória, 1991. Reprodução autorizada pelo autor.]</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
<div>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>Textos com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<div>
</div>
<p>
<b>Pedro José Nunes</b>, escritor,&nbsp;nasceu em Ibitirama, ES, em 1962. Nesse mesmo ano, sua família retornou a São José do Calçado, e lá ele residiu até os 19 anos, quando se mudou definitivamente para Vitória. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo. Criador e responsável pela manutenção do site Terlúlia, dedicado à literatura produzida no Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/pedro-jose-nunes-repertorio-literario/" target="_blank" rel="noopener"><b>clique aqui</b></a>.)</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-ratazana-e-o-ocaso/">A ratazana e o ocaso</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/a-ratazana-e-o-ocaso/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
