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	<title>Arquivos Discurso &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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		<title>Discurso proferido pelo senhor Governador Jones dos Santos Neves, na solenidade de instalação da Universidade do Espírito Santo, a 26 de maio de 1954.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 17:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criação e Instalação Ufes]]></category>
		<category><![CDATA[Discurso]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
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		<category><![CDATA[Universidade Federal do Espírito Santo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Compreendereis certamente, e em vossa grande generosidade e tolerância haveis de me relevar, sem dúvida, a profunda emoção com que me levanto agora para declarar solenemente instalada a Universidade do Espírito Santo. É este, em verdade, um momento estelar da nossa história. Temos o privilégio de vivê-lo, e, mais do que isto, reservou-nos a Providência [&#8230;]</p>
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Compreendereis certamente, e em vossa grande generosidade e tolerância haveis de me relevar, sem dúvida, a profunda emoção com que me levanto agora para declarar solenemente instalada a Universidade do Espírito Santo.</p>
<p>É este, em verdade, um momento estelar da nossa história. Temos o privilégio de vivê-lo, e, mais do que isto, reservou-nos a Providência Divina, em seus secretos e invioláveis desígnios, a nobre e excelsa missão de partilharmos, como artífice, deste capítulo excepcional dos nossos destinos culturais.</p>
<p>Como diria o Apóstolo: <i>infirma mundi elegit Deus ut confundat fortia</i> — Deus escolhe as pequenas coisas para confundir as grandes. É a explicação que encontro, na humildade do meu espírito, para justificar a minha obscura presença na madrugada de luz que representa, em nossa história, a fundação deste Instituto.</p>
<p>Na realidade, porém, se pesquisarmos mais fundo as circunstâncias fortuitas que permitiram e facilitaram a cristalização dessa ideia, quase utópica, há três anos passados, constataremos a evidência de que, pelo seu extraordinário surto de progresso econômico, já soara, para o Espírito Santo, o instante propício ao soerguimento das colunas eternas de seu futuro Panteon Cultural.</p>
<p>Somos um Estado pequeno que se agiganta no conceito da Federação. E deixamos definitivamente para trás os dias de vacilação e incertezas, de esmorecimentos e desânimos que nos entibiavam os passos. Resolvemos ser grande e estamos levando de vencida todos os obstáculos que se contraponham às nossas vontades. Precisávamos crescer, e vamos dilatando as nossas fronteiras internas, vencendo a selva e conquistando novos espaços sociais nos vazios geográficos do norte. Tínhamos necessidade de ampliar os horizontes urbanos da nossa Capital, e fizemos recuar o oceano, soterrando os marnéis e criando novas e extensas áreas de construção. Pretendíamos ampliar o nosso aparelhamento portuário e já somos hoje o primeiro porto do Brasil em tonelagem exportada. Vivíamos em crise de energia, e subjugamos a natureza construindo Rio Bonito, a grande Central Elétrica que comandará a plena valorização econômica do Estado. Quase não possuíamos escolas superiores, e. hoje temos uma Universidade. Estamos assim presentes ao encontro que tínhamos marcado com o destino para a conquista do nosso apogeu econômico. E aqui, como em toda parte do mundo, nos dias que correm, é a expansão econômica que dirige e norteia os ressurgimentos culturais.</p>
<p>Já vão longe os tempos em que as Universidades da idade média surgiam à sombra das catedrais, como represália ao jugo tirânico das aristocracias.</p>
<p>Hoje, no conceito lapidar de Anísio Teixeira, elas se abrem para &#8220;socializar a cultura, socializando os meios de adquiri-la&#8221;.</p>
<p>&#8220;A Universidade é, pois, na sociedade moderna, uma das instituições características e indispensáveis, sem a qual não chega a existir um povo.&#8221; &#8220;Trata-se de manter uma atmosfera de saber pelo saber, para se preparar o homem que o serve e o desenvolve. Trata-se de conservar o saber vivo e não morto, nos livros ou no empirismo das práticas não intelectualizadas. Trata-se de difundir a cultura humana, mas de fazê-lo com inspiração, enriquecendo e vitalizando o saber do passado com a sedução, a atração e o ímpeto do presente.&#8221;</p>
<p>É, enfim, a &#8220;Educação para a Democracia&#8221;. Essa a finalidade excelsa que vaticinamos para a nossa Universidade. Tal deve ser o seu lema e o seu objetivo. Pelo seu pórtico monumental, que hoje estamos a erigir, desfilarão gerações e gerações de moços, sôfregos de saber e de cultura, formando falanges, sucessivas, irmanadas pelo espírito universitário e pelas lições de liberdade e democracia, que lhes permitam cumprir, com dignidade e civismo, a sua nobre e eterna missão de assegurar e proteger a sagrada perpetuidade da Pátria.</p>
<p>Ás efusões de justificada alegria com que devemos todos nos congratular pela magnitude da solenidade, quisestes ainda acrescer outras emoções, cumulando-me de imerecidas homenagens que valem somente para avivar os brasões da vossa generosidade. Guardarei indelével na recordação, por todos os anos de minha existência, o carinho desses estímulos e a espontaneidade dos vossos generosos conceitos e gestos, que constituirão sempre os mais nobres pergaminhos da minha vida pública.</p>
<p>Dentre essas homenagens, devo destacar, no entanto, pela nobreza que encerra e pela emoção com que a recebo, o precioso depoimento da vibrante juventude universitária do nosso Estado.</p>
<p>Não sei, não posso saber, como poderia externar-lhe o meu reconhecimento senão repetindo o que sempre afirmei: a criação da Universidade do Espírito Santo é, sobretudo, um ato de fé na mocidade de minha terra.</p>
<p>Ou pedindo emprestado, ao gênio da raça, as palavras que têm sido um catecismo em minha vida pública: &#8220;as águias, para estenderem seus longos vôos, procuram os píncaros, donde descortinam, entre a terra e o céu, o oceano transparente dos espaços. Assim, parece que as grandes ideias, quando tentam a conquista do mundo, procuram a alma da mocidade, para dali desferirem, entre o passado e o futuro, o voo de sua dominação. Aos problemas que nos assaltam, oponhamos a alma da mocidade, para quem o direito não se fez do aço das espadas, mas do ouro da justiça, para quem a Pátria, grande, feliz e próspera, é a suprema aspiração de todos.&#8221;</p>
<p>Meus senhores e minhas senhoras:</p>
<p>Está instalada a Universidade do Espírito Santo. Ela pertence aos moços e sob a sua inspiração foi criada. Seu destino será, assim a Glória e a Eternidade da Pátria.</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 1954 </span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Jones dos Santos Neves</b> graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach &amp; Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito &nbsp;governador do estado.&nbsp;(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, <a href="https://estacaocapixaba.com.br/jones-dos-santos-neves-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p></p>
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