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	<title>Arquivos Economia &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<title>Arquivos Economia &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>Economia colonial capixaba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 15:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[João Eurípedes Franklin Leal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O estudo da economia brasileira. na fase colonial, ainda se apresenta deficiente em várias áreas. No que tange à economia colonial do Espírito Santo o problema também é semelhante tendo em vista que seu estudo sofre as mesmas conseqüências de que é vítima a Historiografia brasileira: a falta de pesquisa e documentação. O Espírito Santo [&#8230;]</p>
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<p>O estudo da economia brasileira. na fase colonial, ainda se apresenta deficiente em várias áreas. No que tange à economia colonial do Espírito Santo o problema também é semelhante tendo em vista que seu estudo sofre as mesmas conseqüências de que é vítima a Historiografia brasileira: a falta de pesquisa e documentação.</p>
<p>O Espírito Santo é visto constantemente na historiografia nacional como uma capitania que nunca se mostrou relevante no aspecto econômico e, às vezes, é apresentada quase como um desastre na já difícil economia da Colônia. Entretanto, estes demonstrativos, por vezes, não correspondem à verdade histórica, porquanto se em alguns períodos realmente o Espírito Santo enfrentou sérios problemas econômicos, em certas fases apresentou-se de forma mesmo brilhante, se comparado com outras regiões brasileiras.</p>
<p>A Capitania do Espírito Santo não teve as facilidades iniciais de colonização como São Vicente, Bahia ou Pernambuco. Aqui o elemento colonizador encontrou a natureza completamente virgem, nenhum precursor, ninguém que servisse de ponta-lança da colonização.</p>
<p>Do trabalho de implantação colonial, realizado por Vasco Fernandes Coutinho, que para aqui trouxe todos seus haveres, temos a primeira informação sobre o progresso da terra, em setembro de 1545, quando o encarregado de arrecadar os dízimos reais, Ambrósio de Meira. reportou que o dízimo do açúcar, até janeiro de 1546, deveria atingir a quantia de 300 arrobas e que o imposto sobre a pesca fora arrendado por 43.500 réis, pelo prazo de um ano ou seja, entre junho de 1545 e junho de 1546.</p>
<p>Ambrósio de Meira, em seu longo relatório ao Rei, informou que havia no Espírito Santo cinco engenhos movidos a água e dois por cavalos, mas apenas quatro destes funcionavam, porquanto os outros três só iniciariam seu trabalho no ano seguinte de 1546. Esta atividade, na produção do açúcar, colocou o Espírito Santo numa posição de quase privilégio se compararmos com o que acontecia em quase todas as capitanias brasileiras. A afirmativa tem como base a informação do mesmo Ambrósio de Meira, que calculava a produção do açúcar para o ano de 1546, cerca de mil arrobas, solicitando para tanto a construção de uma casa de Feitoria. Este encarregado ainda informou que o primeiro carregamento de açúcar para a Metrópole partiu da capitania, através de um barco de Brás Teles, rico comerciante e produtor de açúcar do Espírito Santo. O interessante é que esta carta de Ambrósio de Meira ao Rei, foi levada neste mesmo carregamento em 1545.</p>
<p>A potencialidade de riqueza na capitania é bem retratada por expressões da época quando Vasco Fernandes Coutinho chamou o Espírito Santo de &#8220;meu vilão farto&#8221; e o jesuíta Afonso Brás em carta a seus superiores qualificou a terra como &#8220;a melhor e mais fértil do todo o Brasil&#8221;.</p>
<p>Muito significativa para a avaliação do desenvolvimento capixaba, nos primórdios da colonização, foi o estabelecimento do comércio direto, em 1550, entre Vitória, Portugal e Angola assim como a criação da Alfândega da capitania. Entretanto, após este rápido florescimento econômico, a capitania entrou em decadência, no início da metade do século XVI, motivada pelos freqüentes ataques indígenas, prejudicando principalmente a agricultura, as discórdias entre os colonos e o irregular funcionamento do governo. A situação se agravou a tal ponto que houve uma paralisação do comércio, muito bem retratada na carta de padre Brás Lourenço a seus superiores em 1652, informando haver já dois anos que não passava barco algum para comerciar na capitania e que todos os engenhos produtores de açúcar estavam sem funcionar. Ainda informou o padre Brás Lourenço que até vinho faltava para celebração da missa, demonstrando assim o nível de penúria em que se achava o Espírito Santo. Os desmandos e o desgoverno, aliados a causas já citadas, além da pouca atenção da Coroa Portuguesa, principalmente do governador-geral Mem de Sá, após a morte do seu filho predileto, no combate a indígenas junto ao rio Cricaré, contribuíram para o caos da capitania. É bom lembrar que o governador-geral, Mem de Sá, culpava o Governo do Espírito Santo pelo desastre que vitimou seu filho, acusando-o de não lhe dar assistência necessária na luta contra a sublevação indígena. Mas passada esta fase de tormentas a Capitania do Espírito Santo revigorou-se com Vasco Fernandes Coutinho Filho, que assumiu o Governo em agosto de 1573. Suas medidas de repressão ao jogo, pacificação dos indígenas conquistando-lhes a amizade, e promoção da agricultura, deram em resultado um novo florescimento da economia com o funcionamento de seis engenhos-de-açúcar, boa produção de algodão e bastante gado. Este razoável desenvolvimento manteve-se por algumas décadas e no final do século XVI a capitania produzia com seus seis engenhos, cerca de seis mil toneladas de açúcar. Quanto à população indígena, já incorporada à civilização, havia cerca de onze mil, distribuídos principalmente nos aldeamentos de São João (Carapina), Nossa Senhora da Assunção (Reritiba), Nossa Senhora da Conceição (Serra) e Reis Magos (Nova Almeida). Viviam ainda no Espírito Santo cerca de 180 colonos. Esta quantidade pode nos parecer irrisória, mas era bastante superior à do Rio de Janeiro e Santos, com 150 e 100 colonos respectivamente. Este ritmo de desenvolvimento foi mantido, mas de forma atenuada, no início do século XVII, apesar das turbulências políticas e da falta de interesse da Metrópole no processo de colonização, e é bom lembrar que nesta fase a Espanha dominava Portugal (1580-1640).</p>
<p>O século XVII manteve-se economicamente positivo para o Espírito Santo durante cerca de duas décadas. Neste período, João Lúcio de Azevedo, em &#8220;Épocas de Portugal Econômico&#8221;, fornece um levantamento onde aponta o Brasil com 118 engenhos, sendo 66 em Pernambuco, 36 na Bahia, seis no Espírito Santo, três em Ilhéus, três em Itamaracá e um na Paraíba. Estávamos em terceiro lugar na produção do açúcar, com cerca de 1.500 arrobas anuais, apesar de já havermos produzido no passado, quatro vezes mais. Da mesma fonte temos a informação de que a terra era bem cultivada produzindo além da cana-de-açúcar, bálsamo e mandioca, de onde se fabricava a farinha. Havia a criação de gado, e chegava a mais de 500 o número de colonos. Sonhava-se com regiões vizinhas onde diziam haver uma serra de esmeraldas, ouro, prata e ferro.</p>
<p>Em 1627, quando da morte do donatário Francisco de Aguiar Coutinho, é significativa a posição da receita da Capitania do Espírito Santo, que atingia o nono lugar em relação às outras partes do Brasil, com cerca de 694.040 réis, superando as receitas de Ilhéus, Porto Seguro, São Vicente, Sergipe e Itamaracá, colocadas em ordem decrescente. Mas esta fase de relativo Progresso terminou.</p>
<p>Após 1630 o Espírito Santo entrou em total decadência econômica, e a principal causa foi a ausência de donatários para reger seu destino. Nenhum membro da família Coutinho se aventurou a vir à capitania, que passou a ser governada por seus propostos capitães-mor até sua venda a Francisco Gil de Araújo em 1674. Este período foi talvez o de maior decadência econômica em toda a história do Espírito Santo. Além da ausência de donatários na capitania, a própria situação política, econômica e administrativa do Brasil e Portugal não estavam bem. Mesmo após a restauração da independência portuguesa, em 1640, a Metrópole teve que lutar contra a Espanha para manutenção de sua liberdade e ainda enfrentar o trabalho de reconstrução nacional da economia e administração.</p>
<p>O capitão-mor Simião de Carvalho escreveu ao Conselho Ultramarino, em 1653, que a situação da capitania era tão precária que o comércio simplesmente deixara de existir devido à falta de barcos para comunicação, e com a população retraída para cerca de 400 colonos.</p>
<p>A gravidade da economia capixaba pode ser bem retratada quando em 1661 o Brasil contraiu o débito de pagar a anuidade de 120 mil cruzados pela paz com a Holanda, e 20 mil cruzados para o dote da infanta D. Catarina, futura rainha da Inglaterra. Mas como era notória a crise econômica e financeira do Espírito Santo, Porto Seguro e Ilhéus, foram facilitados seus débitos evitando o pesado encargo, insuportável para suas limitações.</p>
<p>A crise econômica e financeira atingiu o ponto culminante em 1664, quando a receita dos dízimos atingiu apenas 400 mil réis, enquanto que a despesa era de dois mil cruzados.</p>
<p>O último donatário da família Coutinho, Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho, era pessoa ligada à Corte Portuguesa, inclusive tornou-se mais tarde governador-geral do Brasil e vice-rei da Índia, além de prestar outros serviços significativos a Portugal. Seu desinteresse pela manutenção da donataria foi motivado pela impossibilidade de administrar diretamente o Espírito Santo. Como homem influente na Corte, não desejava, nem podia se deslocar para a capitania devido a seus afazeres e interesses. Foi sua alegação principal ao Rei, que o Espírito Santo não chegava a lhe render mil réis ao ano, e pediu autorização para vendê-lo, conforme traslado no livro 13 da Chancelaria de Afonso VI. Concedida a ordem, Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho negociou seus direitos na capitania a Francisco Gil de Araújo, rico proprietário na Bahia, com confirmação real, pela Carta Régia de 18 de março de 1675, no valor de 4º mil cruzados.</p>
<p>Francisco Gil de Araújo, dispondo dos recursos necessários, promoveu o soerguimento econômico do Espírito Santo, incentivando a agricultura, trazendo novos colonos e pagando os débitos da capitania referentes à paz com a Holanda, ao dote de D. Catarina e à Misericórdia de Lisboa. Novamente a região passou a produzir açúcar e o próprio donatário fixou residência em Vitória. Foram realizadas às suas expensas, 14 entradas, através do rio Doce, visando à descoberta de riquezas minerais, principalmente esmeraldas, tendo gasto um total de 14 mil cruzados.</p>
<p>A administração direta empreendida por Francisco Gil de Araújo deu novo impulso à capitania, e obras de certo vulto foram realizadas, como a construção da Casa da Câmara da Vila de Vitória, do Pelourinho e da Casa de Misericórdia em Vila Velha, e a elevação da aldeia de Guarapari à condição de vila, a 1° de janeiro de 1679, tendo sido tomadas todas as providências para o seu bom funcionamento.</p>
<p>Infelizmente os sucessores de Francisco Gil de Araújo não se interessaram pela manutenção do desenvolvimento na capitania que, após 1685, quando da sua morte, voltou a uma nova fase de empobrecimento e abandono, sendo governada novamente por capitães-mor indicados pelos donatários. Neste período chegou a escassear alimento para a população residente, o que inclusive motivou o capitão-mor Francisco Ribeiro, em 1701, a proibir a exportação de cereais, como também a obrigar os agricultores das proximidades de Vitória a trazer, aos sábados, farinha de mandioca e outros produtos agrícolas para vender à população. Quanto ao pescado ele estipulou que só poderia ser vendido no cais de Vitória, para assegurar o pagamento do dízimo real. Mas foi no início do século XVIII que outra medida transtornou mais ainda o Espírito Santo. Com a descoberta das minas de ouro em Minas Gerais a Coroa Portuguesa achou por bem, por ser o Espírito Santo uma defesa natural contra a possível cobiça estrangeira das novas riquezas encontradas, proibir qualquer abertura para o interior da capitania. O Espírito Santo passou a funcionar exclusivamente como uma trincheira de defesa do interior mineiro, evitando qualquer medida ou ação progressiva que atraísse a cobiça estrangeira que prejudicasse a mineração nas Minas Gerais ou que facilitasse o contrabando do ouro. Proibiu qualquer entrada ou penetração para o interior assim como toda e qualquer ação colonizadora e fixação de habitantes em terras além do litoral, chegando-se ao cúmulo de embargar o uso do canal construído pelos jesuítas ligando a baía de Vitória a Araçatiba.</p>
<p>Realmente a área da capitania do Espírito Santo representava perigo, por ser pouco povoada e fortificada além de ser bastante próxima à região de mineração, o que, por razões óbvias, preocupava a Metrópole.</p>
<p>Em 1711, com o falecimento do donatário Manoel Garcia Pimentel, o rei ordenou a 19 de maio, ao governador do Brasil seqüestrar a capitania e incorporá-la à Coroa. Estas medidas foram tomadas, mas o herdeiro Cosme Rolim de Moura levantou questão que lhe foi favorável na Relação da Bahia, mantendo-o na posse do Espírito Santo até que, a 6 de abril de 1718, foi realizada a venda da capitania à Coroa Portuguesa, pelo valor de 40 mil Cruzados, pagos em quatro parcelas anuais e iguais. Esta compra da Capitania do Espírito Santo estava dentro da política portuguesa de manter o Espírito Santo como a &#8220;defesa natural das Minas Gerais&#8221;, fortificando principalmente Vitória e proibindo a abertura do interior, deixando que a própria natureza selvagem servisse de trincheira, contra um possível ataque estrangeiro visando ao ouro, assim como evitando o seu contrabando. Também dentro desta política o Governo proibiu constantemente a mineração na serra do Castelo, iniciada em 1703 com Pedro Bueno Cacunda e outros mineradores.</p>
<p>O capitão-mor Dionísio Carvalho de Abreu, que iniciou seu governo em 1724, viu logo a importância da posição geográfica do Espírito Santo, entre Bahia e Rio de Janeiro, tendo como divisa a oeste Minas Gerais, e providenciou a reformulação da defesa reconstruindo e reaparelhando as fortalezas de São Francisco Xavier, São João, Nossa Senhora da Vitória, Nossa Senhora do Carmo e do fortim de São Tiago. Estas medidas desviaram a atenção dos governantes para com o desenvolvimento econômico, e o Espírito Santo passou a ser encarado apenas como defesa militar provocando a decadência da capitania, porquanto não havia interesse em progresso na região. Nas primeiras décadas do século XVIII permaneceu esta política portuguesa em relação ao Espírito Santo.</p>
<p>A Vila de Vitória, principal povoação do território, possuía, em torno de 1730, cerca de cinco mil habitantes e 700 casas, com o dízimo totalizando apenas 2.500$000 réis. Documentos oficiais da época qualificaram-na como pobre e sem comércio. A situação decadente acentuou-se ainda mais, chegando a apresentar como rendimento anual de dízimos, em 1749, a ínfima quantia de 933$330 réis, enquanto que só as despesas com eclesiásticos, seculares e oficiais da fazenda atingiam 1.004$840 réis, conforme certidão da Câmara da Vila de Vitória. Mas foi a própria Câmara de Vitória quem pediu providências ao rei, pois faltava até cadeia e casa da Câmara na vila, tal a decadência e falta de recursos disponíveis. Entretanto fabricava-se em Vitória panos de algodão, com qualidade igual aos do Maranhão, mas o governo proibiu sua exportação dentro daquela política de conter o desenvolvimento da capitania. Em várias oportunidades a Câmara de Vitória solicitou licença para exportar o produto, mas persistiu a negativa.</p>
<p>A situação econômica do Espírito Santo sofreu ainda influência negativa com a lei assinada a 3 de setembro de 1759 por D. José, orientado pelo Marquês de Pombal, expulsando os jesuítas dos domínios portugueses. As conseqüências foram rapidamente sentidas, porquanto os indígenas, já incorporados à vida da capitania, voltaram em sua grande maioria à vida selvagem, prejudicando a agricultura que eles praticavam. O ensino também desapareceu, e as três grandes fazendas jesuíticas de Muribeca, Araçatiba e Itapoca, que eram as mais organizadas e produtivas do Espírito Santo, caíram em completo abandono. Um novo período, entretanto, se aproximava para a economia capixaba, que a partir de 1770, foi revigorada pelo florescimento comercial, através de ligação marítima com o Rio de Janeiro, Bahia e outros portos menores, exportando madeira, açúcar e panos de algodão, finalmente liberados para a venda fora da capitania.</p>
<p>A incipiente exploração aurífera na serra do Castelo foi definitivamente interrompida em 1771, com um fulminante ataque dos puris, liquidando as ilusões dos mineiros, que se refugiaram no baixo Itapemirim.</p>
<p>As duas últimas décadas do século XVIII foram animadoras para a economia capixaba, com a exportação dos produtos já tradicionais, além de sacas de algodão para Lisboa.</p>
<p>A população atingiu em 1780, cerca de 15.600 habitantes, e durante o governo do capitão-mor Inácio João Monjardim foi incentivada a cultura do linho e do cânhamo com distribuição de sementes aos agricultores.</p>
<p>Grande fonte de informação histórica foi o levantamento realizado pelo mesmo capitão-mor e enviado ao rei em 1790, informando sobre assuntos gerais da capitania. Esse levantamento informou que a população havia atingido 22.493 habitantes, assim distribuídos:</p>
<p><b>Vitória</b>: 2.327 homem livres e 4.898 escravos;<br />
<b>Nova Almeida</b>: 2.712 homens livres e 42 escravos;<br />
<b>Vila do Espírito Santo</b>: 814 homens livres e 1.064 escravos;<br />
<b>Guarapari</b>: 1.789 homens livres e 728 escravos; e<br />
<b>Benevente</b>: 3.017 homens livres e 102 escravos.</p>
<p>Quanto à produção e economia, obtivemos as seguintes informações:</p>
<p><b>Vila de Vitória</b>: exportava algodão, açúcar, milho e arroz, num total de 45.648$489 réis, enquanto que importava sal, Vinho, azeite, linhos e sedas no valor de 18.113$920 réis.<br />
<b>Nova Almeida</b>: exporta: exportava apenas taboado, sendo os outros produtos consumidos no próprio local.<br />
<b>Vila do Espírito Santo</b>: seu movimento comercial está incluído no da Vila de Vitória, mas foi apresentado como muito pobre e seus habitantes pouco ligados ao trabalho.<br />
<b>Guarapari</b>: sua exportação estava na base de 30 caixas de açúcar por ano.<br />
<b>Benevente</b>: exportava taboados, além de produzir, como Guarapari, o essencial para a vida da comunidade, que não era exportado.</p>
<p>Sem grandes alterações econômicas, manteve-se o Espírito Santo, até o inicio do século XIX, quando governava Antônio Pires da Silva Pontes, que procurou novas fontes econômicas, sendo atraído pela região do rio Doce, que foi aberta à navegação e comércio com implantação de quartéis para proteger a área. Entretanto a medida não surtiu o efeito desejado, apesar de ter tomado medidas junto às firmas comerciais visando à efetivação de sua política colonizadora.</p>
<p>Por informações do governador Pires Pontes ao vice-rei, continuava a exportação para a Bahia e Rio de Janeiro de algodão, açúcar e milho, possuindo a região da Vila de Vitória cerca de 13 mil habitantes, enquanto que, na área da Vila de Guarapari havia em torno de cinco mil. A região de Itapemirim foi apresentada como possuidora de muitos proprietários ricos.</p>
<p>A produção de açúcar foi revigorada, e com ela a economia capixaba, que estava em condições de exportar, além deste produto, o algodão, a farinha de mandioca, o milho, o arroz e aguardente que, segundo Manoel Vieira da Silva Tovar e Albuquerque, em 1805, dariam para lotar de dez a doze barcos. Coube a este governador promover a agricultura do anil e do café.</p>
<p>Um produto agrícola que nessa fase passou a pesar nas exportações foi o arroz. Só em 1806, 10.125 arrobas foram levadas para o Rio de Janeiro.</p>
<p>A presença de governantes capazes foi a causa principal dessa fase de razoável progresso econômico que se manteve, sem grandes alterações, até as vésperas da independência brasileira.</p>
<p>A primeira notícia sobre o café, que no final do século XIX iria modificar a economia capixaba, aconteceu em 1812 com uma pequena produção advinda da região do rio Doce.</p>
<p>A abertura de estradas e os incentivos à colonização e ao comércio, promovidos pelo governador Francisco Alberto Rubim, apresentam-se na história como medidas que levaram a curto e médio prazos à manutenção e criação de novas fontes para a economia, principalmente na região do baixo Itapemirim, onde a construção do quartel da Barca, que deu origem a Cachoeiro de Itapemirim, ligado ao litoral por duas estradas que atingiam Piúma e Muribeca, sempre patrulhadas em forma circular, protegia uma área triangular e dava condições ao florescimento de grandes propriedades agrícolas. Estas e outras medidas, como a criação da colônia de Viana, influenciaram o desenvolvimento do Espírito Santo, ora de forma imediata, ora de forma mediata, mas não alteraram ou modificaram profundamente a economia capixaba que mantinha ainda como seu principal produto o açúcar, produzido por 76 engenhos e 68 engenhocas, conforme informação de Rubim em suas memórias. Ainda um último acontecimento histórico pôde ser relacionado com a economia capixaba anteriormente à independência. Foi a expedição de Manoel José Esteves de Lima, em 1820, à região do vale do rio Itapemirim originando um série de fazendas que a médio e longo prazo transformaram economicamente a área dando origem a várias vilas e cidades atuais.</p>
<p>Esses acontecimentos, apesar de possuírem caráter eminentemente histórico, estão profundamente ligados ao desenvolvimento econômico do Espírito Santo em décadas posteriores.</p>
<p>Os dois anos que precederam a independência brasileira foram marcados por agitação política e desatenção administrativa, principalmente por parte da Junta Provisória que governava o Espírito Santo, e procurava apenas se salvar politicamente, pois sem prestígio, poder, e meios de governar, abandonou a parte administrativa provocando conseqüentemente a queda do comércio, agricultura, rendas, bem como a ruína das estradas, pontes e quartéis. Novamente o caos econômico e financeiro dominou o Espírito Santo. A situação foi descrita pelo próprio presidente da província, Inácio Acióli de Vasconcelos, o primeiro a governar o Espírito Santo após a independência, como sendo &#8220;&#8230;a mais miserável província do Império&#8221;. O Espírito Santo estava com uma renda anual de 15 contos de réis, enquanto que só as despesas com a tropa atingiam mais de 40.</p>
<p>
Fontes históricas</p>
<p>DAEMON, Basílio Carvalho. <i>A Província do Espírito Santo</i>.<br />
OLIVEIRA, José Teixeira de. <i>História do Estado do Espírito Santo</i>.<br />
NOVAES, Maria Stella de. <i>História do Espírito Santo</i>.<br />
AZEVEDO, João Lúcio de. <i>Épocas de Portugal Econômico.</i><br />
<i>Caravelle</i>, n. 5, 1965. Université de Toulouse, França.<br />
<i>Relação das Capitanias</i>, 52/IX/25, fls. 132, Biblioteca Real da Ajuda, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>de Francisco Gil de Araújo, 6 de julho de 1675, cx. N. 1 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Informações </i>do Provedor da Fazenda do Rio de Janeiro, doc. n. 7.606 a 7.613, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Certidão </i>dos Rendimentos e Defesas da Capitania do Espírito Santo, em 5 de fevereiro de 1749, doc. n. 14.631, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>do advogado José da Silva Lisboa, de 18 de outubro de 1781, doc. n. 10.907, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>do Governo-geral, gaveta 15, m. 8, n. 8, Torre do Tombo, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>de Luiz da Grã, de 24 de abril de 1555, Cartas Avulsas.<br />
<i>Carta </i>de Afonso Brás, 1551, Cartas Avulsas.<br />
<i>Carta </i>de Brás Lourenço, 1562, Cartas Avulsas.<br />
<i>Instrumentos </i>dos Serviços de Mem de Sá, n. 132, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Cota </i>51/IX/25, fls 132 -Biblioteca Real da Ajuda, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>de Simião de Carvalho, de 19 de setembro de 1653, cx. n. 1 (ES),Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Chancelaria </i>de Afonso VI, Liv. 13, p.192v, Torre do Tombo, Lisboa.<br />
<i>Chancelaria </i>de D. Pedro II, Liv. 2, p. 88, Torre do Tombo, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>de 11 de março de 1711, cx. n.1 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Arquivo </i>Real, gav. 3, m. 1, n. 20, Torre do Tombo, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>de Dionísio Carvalho Abreu, de 4 de setembro de 1724, cx. n.1 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Documentos </i>n. 7.606 a 7.613, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Documentos </i>n. 14.628 e 14.629, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>da Câmara da Vila de Vitória, de 12 de julho de 1747, cx. N. 1 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>de Inácio João Monjardim, de 11 de julho de 1790, Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>ao Conde de Linhares, cx. n. 2 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>ao vice-rei, em 1803, cx. n. 3 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.<br />
<i>Carta </i>ao vice-rei, em 1805, cx. n. 3 (ES), Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.</p>
<p>[Ensaio publicado na Revista <i>Cuca</i> Cultura Capixaba, Vitória, ES, n. 0, fev. 1977. Reprodução autorizada pelo autor.]</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2004&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>João Eurípedes Franklin Leal</b> é natural de Cachoeiro de Itapemirim, ES, historiador, pesquisador e professor livre-docente de paleografia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Uni-Rio.</p></blockquote>
<p></p>
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