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	<title>Arquivos Ernst Wagemann &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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	<title>Arquivos Ernst Wagemann &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Sumário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2016 22:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.] SUMÁRIO PREFÁCIO INTRODUÇÃO&#160;&#8211; Posição atual do problema de aclimatação PRIMEIRA PARTE – A TERRA E A GENTE CAPÍTULO I &#8211; O Espírito Santo O Espírito Santo: A terra; [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Sumário</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/-1sqi0ZzRBng/Vp_8d_sfGTI/AAAAAAAAAa4/elsVuQj82HE/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img fetchpriority="high" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107.jpg" class="wp-image-5518" title="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
<b>SUMÁRIO</b></p>
<p>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">PREFÁCIO</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_16/" target="_blank" rel="noopener">INTRODUÇÃO</a>&nbsp;&#8211; Posição atual do problema de aclimatação</p>
<p><b><br />
PRIMEIRA PARTE – A TERRA E A GENTE</b></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/colonizacao/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO I &#8211; O Espírito Santo</a><br />
O Espírito Santo: A terra; o povoamento; produção e comércio; política e finanças; generalidades.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO II &#8211; As colônias alemães</a><br />
As colônias de alemães: O território; o clima da região; o clima da região baixa; a fundação da colônia de Santa Isabel; a fundação da colônia de Santa Leopoldina; a expansão do povoamento; a formação das comunidades; a topografia das áreas onde se situam as comunidades; lugarejos e sítios.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO III &#8211; Número de colonos; crescimento demográfico</a><br />
Número de colonos; crescimento demográfico: Número de colonos alemães; nascimentos e óbitos (números absolutos e números relativos).</p>
<p><b>SEGUNDA PARTE – O TRABALHO</b></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO IV&nbsp;&#8211;&nbsp;</a><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/" target="_blank" rel="noopener">Os métodos de produção dos sitiantes alemães</a><br />
Os métodos de produção dos sitiantes alemães: superfície, em média, cultivada; a derrubada; o café: plantação, trato cultural e colheita; o beneficiamento do café; o milho e a abóbora; os tubérculos; as outras culturas; a criação; a construção; o ano agrícola.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_0/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO V – O labor agrícola e seus aspectos gerais</a><br />
O labor agrícola e seus aspectos gerais: A cultura exaustiva; a monocultura; a pequena empresa; o mutirão; a capacidade de trabalho; a divisão de trabalho entre o homem e a mulher; o Comitê Econômico.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO VI &#8211; A circulação</a><br />
A circulação: Generalidades; venda e preços da terra; dívidas; a venda e o vendeiro; o comércio ambulante; a tropa; as casas comerciais de Vitória e Porto do Cachoeiro; o comércio do café; os artesãos; observações finais.</p>
<p><b><br />
TERCEIRA PARTE – O MODO DE VIDA</b></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_20/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO VII &#8211; O nível de vida</a><br />
O nível de vida: Orçamento doméstico; moradia; o vestuário; a alimentação; a boda; o enterro.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO VIII &#8211; A salubridade</a><br />
A salubridade: a situação sanitária, outrora e atualmente; a mortalidade segundo períodos de vida; as doenças; a higiene; a influência do clima; sexualidade e casamento.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO IX &#8211; Educação e caráter</a><br />
Educação e caráter: Generalidades; a igreja; a escola; o linguajar dos colonos; o inventário; a índole étnica, sua aclimatação.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_59/" style="font-weight: bold;" target="_blank" rel="noopener">BIBLIOGRAFIA</a></p>
<p><span style="font-size: 80%;"><br /></span><br />
<span style="font-size: 80%;">[Do original alemão <i>Die deutschen kolonisten im brasilianischen staate Espírito Santo</i>, Verlag von Duncker &amp; Humblot — München und Leipzig, 1915. Tradução de Reginaldo Sant&#8217;Ana publicada em Separata dos nºs 68-70 do <i>Boletim Geográfico</i>, IBGE, correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 1948 e janeiro de 1949, Rio de Janeiro, Serviço Gráfico do IBGE, 1949.]</span><br />
<span style="font-size: 80%;"><br /></span><br />
<span style="font-size: 80%;"><br /></span><br />
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia autorização&nbsp;</b>representa desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<span style="font-size: 80%;"></span><br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações, <a href="https://estacaocapixaba.com.br/Ernest%20Wagemann" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<p><b><br />
<br />
</b></p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Sumário</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Bibliografia</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_59/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_59/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2016 19:33:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Annuaire du Brésil économique. 1913, págs. 666 e segs. ARANHA, Graça. Canaã. 3. edição. Bibliothèque coloniale internationale. Compte rendu de 1909, 1911, 1912. Institut Colonial International. Bruxelas. Balanços do Banco Hipotecário e Agrícola do Estado do Espírito Santo. BOLLE, Karl. Beitrag zum Thema der Akklimatisation in Tropenländern. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://4.bp.blogspot.com/-0nmbH0c3mSE/Vp_yvvCwbTI/AAAAAAAAAak/tDX8dMjHYVU/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá, in Wernicke, Hugo. Viagem pelas colônias alemães do Espírito Santo (tradução Erlon José Paschoal). Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107." border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-1.jpg" class="wp-image-5581" title="Santa Maria de Jetibá, in Wernicke, Hugo. Viagem pelas colônias alemães do Espírito Santo (tradução Erlon José Paschoal). Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107." width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p>
<i>Annuaire du Brésil économique</i>. 1913, págs. 666 e segs.</p>
<p>ARANHA, Graça. <i>Canaã</i>. 3. edição.</p>
<p>Bibliothèque coloniale internationale. <i>Compte rendu de 1909,<br />
 1911, 1912</i>. Institut Colonial International. Bruxelas.</p>
<p><i>Balanços </i>do Banco Hipotecário e Agrícola do Estado do Espírito<br />
 Santo.</p>
<p>BOLLE, Karl. <i>Beitrag zum Thema der Akklimatisation</i><br />
<i> in Tropenländern</i>. Deutsche Kolonialzeitung. 3° volume,<br />
 Berlim, 1886, págs. 620 e segs.</p>
<p><i>Mensagens </i>e Relatórios dos presidentes do Espírito Santo:<br />
 especialmente de 1847, 1848, 1861, 1863, 1865, 1896,<br />
 1900, 1904, 1908, 1912, 1913.</p>
<p><i>Constituição Política do Estado do Espírito Santo</i>. Reforma<br />
 promulgada aos 13 de maio de 1913. Vitória, 1913.</p>
<p><i>Dicionário prático ilustrado</i>. Novo dicionário enciclopédico<br />
 luso-brasileiro. Rio de Janeiro.</p>
<p>FESCA, Max. <i>Der Pflanzenbau in den Tropen und</i><br />
<i> Subtropen</i>. 2 volumes. Berlim, 1904 e 1907.</p>
<p>EHRENREICH. <i>Land und Leute am Rio Doce (Brasilien)</i>. Verh.<br />
 d. Ges. für Erdkunde zu Berlin. Volume 13, Berlim, 1886,<br />
 págs. 94 a 105.</p>
<p>FISCHER, Ansätze zur Bildung einer Pfarrkonferenz und<br />
 eines Gemeindeverbandes in Espírito Santo in Mittel-<br />
 Brasilien. <i>Deutsch-Evangelisch im Auslande</i>. Ano X:<br />
 caderno 8°.</p>
<p>GRIMM, H. Deutsche Tüchtigkeit und Not in Espírito Santo.<br />
 <i>Süd-und Mittelamerika</i>. Ano VI, n° 18 e 19, setembro e<br />
 outubro de 1913.</p>
<p>___. Zur Geschichte der Pommerngemeinde Santa<br />
 Leopoldina II, Jequitibá in Espírito Santo. <i>Deutsch-</i><br />
<i> Evangelisch im Auslande</i>. Ano XII, 1° caderno. 1912.<br />
 Págs. 1 e segs.</p>
<p>HANDELMANN, Heinrich. <i>Geschichte von Brasilien</i>. Berlim,<br />
 1860. Págs. 441 e segs.</p>
<p>HEMPEL. Artigo no jornal teuto-brasileiro <i>Germânia</i>.</p>
<p>KAERGER, Karl. <i>Brasilianische Wirtschaftsbilder</i>. 2. edição,<br />
 Berlim, 1892.</p>
<p>LAMBERG, Moritz. <i>Brasilien, Land und Leute</i>. Leipzig, 1899.<br />
Págs. 213 a 232: Der Staate Espírito Santo.</p>
<p>MARQUES, César Augusto. <i>Dicionário histórico, geográfico e</i><br />
<i> estatístico da província do Espírito Santo</i>. Rio de Janeiro,<br />
 1873.</p>
<p><i>Mapa Topográfico da Província do Espírito Santo</i>, organizado<br />
 na Inspetoria Geral de Terras e Colonização&#8230; precedido<br />
 de uma breve notícia sobre a mesma província, Rio de<br />
 Janeiro, 1878.</p>
<p>MONTEIRO, Jerônimo. <i>Exposição sobre os negócios do</i><br />
<i> Estado no quatriênio de 1909 a 1912</i>. Vitória, 1913.</p>
<p>PLASS, E. L. Die deutschen Kolonisten im tropischen<br />
 Brasilien, <i>Gartenlaube</i>, n° 34, 1912.</p>
<p><i>Regulamento </i>para a cobrança dos impostos municipais.<br />
 Santa Isabel, Vitória, 1905.</p>
<p><i>Relatório </i>da Diretoria Central de Terras e Colonização do<br />
 Estado do Espírito Santo, de 1892 a 1896. Rio de Janeiro,<br />
 1897.</p>
<p>RIZZETTO, R. Lo Stato di Espírito Santo. <i>Bollettino del Ministero degli Affari Esteri</i>. N° geral 289, abril, 1904.</p>
<p>SIEVERS, Wilhelm. <i>Süd- und Mittelamerika</i>. 3. edição, Leipzig e Viena, 1914.</p>
<p>TSCHUDI, J. J. von. <i>Reisen durch Südamerika</i>. Leipzig, 1867,<br />
 3. volume, págs. 1 a 82.</p>
<p>URBAN. Santa Isabel, die erste deutsche evangelische Gemeinde<br />
 im Staate Espirito Santo, Brasilien. <i>Gut Deutsch und</i><br />
<i> Evangelisch allewege</i>, caderno 1.</p>
<p><i>Verhandlungen des Deutschen Kolonialkongresses 1910</i>. Berlim,<br />
 1910.</p>
<p>WALLE, Paul. <i>Au Brésil</i>. Du Rio São Francisco à l&#8217;Amazone. Págs.<br />
 1 a 44.</p>
<p>WANDERJAHRE. Briefe eines Urwaldpfarrers. <i>Bote für die</i><br />
<i> christliche Frauenwelt</i>. n° 28 a 35.</p>
<p>WAPPÄUS, J. C. <i>Handbuch der Geographie und Statistik des</i><br />
<i> Kaiserreichs Brasilien</i>. Leipzig, 1871. Págs. 1711 e segs.</p>
<p>WELLMANN. Aller Anfang ist schwer. Erinnerungen aus der<br />
 ersten Zeit meines Urwaldlebens. <i>Gut Deutsch und</i><br />
<i> Evangelisch allewege</i>, caderno 11.</p>
<p>WERNICKE, Hugo. <i>Deutsch-evangelisches Volkstum in Espirito</i><br />
<i> Santo</i>. Eine Reise zu deutschen Kaffeebauern in einem<br />
 tropischen Staate Brasiliens. Potsdam, 1910.</p>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
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			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Primeira parte: a terra e a gente (I)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/colonizacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2016 15:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
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		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
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		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo I – O Espírito Santo 1. A terra[ 1 ] O Espírito Santo é um dos menores estados brasileiros não só quanto à população, mas também quanto à superfície. Situado como está entre os grandes estados da Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, parece dever [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-1sqi0ZzRBng/Vp_8d_sfGTI/AAAAAAAAAa4/elsVuQj82HE/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-2.jpg" class="wp-image-5634" title="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p></p>
<h3>
Capítulo I – O Espírito Santo</h3>
<p></p>
<h4>
1. A <span id="ACO_RP1V">terra</span><sup><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP1" title="Mapa Topográfico da Província do Espírito Santo — Marques, págs. 59 e segs. — Annuaire du Brèsil, págs. 653 e segs. — Sievers, págs. 207 e segs. — Walle, págs. 1 e segs.">[ 1 ]</a></sup></h4>
<p>
O Espírito Santo é um dos menores estados brasileiros não só quanto à população, mas também quanto à superfície. Situado como está entre os grandes estados da Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, parece dever a existência mais a um capricho da história do que ao imperativo de uma necessidade.</p>
<p>Seu território tem 400 quilômetros de comprimento e pouco mais de 100 quilômetros de largura, formando uma faixa que se estende de 18º, 5&#8242; a 21º, 28&#8242; de latitude sul na borda oriental do grande planalto brasileiro, passando pelas encostas da serra dos Aimorés e de suas ramificações meridionais, pelas das serras do Espigão e da Chibata.</p>
<p>É uma região predominantemente montanhosa, cortada por numerosos cursos d&#8217;água, com florestas espessas. Ao norte, vai declinando, com certa regularidade, em direção à costa; e ao sul enruga-se em algumas serras que se alteiam até 1.400 metros. Só a orla marítima apresenta características acentuadas de uma planície que, entretanto, pouco se distende. Mas, acima de 20º, a planura se expande, penetrando mais no interior, especialmente no curso inferior do rio Doce, onde se espraia, coberta de lagos e pântanos.</p>
<p>O rio Doce se origina em Minas, irrompe, em cataratas, através da serra dos Aimorés, corta o Espírito Santo mais ou menos ao meio, sendo o maior rio desse estado. É navegável, embora com dificuldade, até as imediações da fronteira de Minas. São navegáveis, no curso inferior, por pequenas embarcações, o Santa Maria e o Itapemirim, que fluem ao sul, em direção à costa. A hidrografia é, assim, pouco favorável ao transporte.</p>
<p>A conformação da costa, ao contrário, favorece muito a navegação. O porto de Vitória, na baía do Espírito Santo, apesar da entrada um pouco difícil, é um dos melhores do Brasil.</p>
<p>No que diz respeito às condições pedológicas, existem duas zonas principais de cultura: uma formada pelas terras baixas, com aspecto tropical; outra, pelas terras altas, onde predomina o aspecto subtropical. A zona baixa que, estendendo-se ao longo da costa, ora se alarga e ora se encurta, avançando pelos vales dos afluentes do rio Doce presta-se bem para o cultivo do algodão, da cana de açúcar e da maior parte dos produtos tropicais. Na região alta, podem ser cultivados quase todos os produtos subtropicais e muitos da zona temperada. Em geral, a terra é muito fértil. As florestas contêm grandes reservas de madeiras de lei. Especial menção merece a riqueza em jacarandá, uma espécie de palissandro, e em peroba, madeira excelente para a feitura de móveis. Tanto quanto se sabe até hoje, não possui o Espírito Santo riquezas minerais em quantidades apreciáveis. A respeito nada se pode citar além da areia monazítica da costa.</p>
<p>Qualquer que seja, a situação com referência às riquezas naturais do estado, a extensão do território limita as perspectivas de desenvolvimento econômico. A superfície do Espírito Santo não vai além de 45.000 km²; é bem menor que a da Baviera e não muito maior que a de Hannover ou Silésia.</p>
<p>É de se levar em conta, entretanto, o estado vizinho de Minas Gerais, de subsolo muito rico. Está sendo concluída a construção do porto de Vitória, por onde se escoará o minério, a ser trazido pela Estrada de Ferro Vitória-Diamantina.</p>
<h4>
2. O povoamento</h4>
<p>
Os primeiros europeus que pisaram o Espírito Santo foram os portugueses, em 1535. Começaram a colonização fundando a cidadezinha de Espírito Santo — a atual Vila Velha. Só pouco mais tarde erigiram defronte, na ilha da baía do Espírito Santo, a atual capital do estado, Vitória.</p>
<p>A colonização progrediu <span id="ACO_RP2V">pouco;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP2" title="Handelmann, pág. 441."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> era dificultada, principalmente, pela animosidade dos íncolas que, apesar de todas as represálias, irrompiam, destruidores, dos esconderijos seguros da floresta, sobre as colônias dos brancos. Graças ao zelo evangelizador dos jesuítas, a civilização européia foi levada, pelo menos, a parte dos índios. Foram aldeados para a <span id="ACO_RP3V">catequese,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP3" title="Itapemirim, hoje a praça comercial mais importante do sul, originou-se desse aldeamento."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> e punha-se em prática um regime semelhante ao do Estado Jesuíta do Paraguai, mas sem o comunismo de lá. Os brancos eram, tanto quanto possível, afastados das aldeias da Companhia de Jesus. Os índios foram amoldados ao sedentarismo, foram-lhes ensinados artes e ofícios e agricultura. Os que se civilizavam, tornavam-se aliados na luta contra as tribos do interior. Com a expulsão dos jesuítas em 1758, perderam-se todos esses frutos. Os índios entregues a si mesmos, foram, em pouco, empurrados para as florestas, exterminados ou absorvidos pela população das colônias. Em 1750, contavam-se 40.000 índios civilizados, em 1856, somente 6.000.</p>
<p>A colonização lusitana, apesar do apoio nas aldeias jesuíticas, permaneceu, como se iniciara, na orla marítima, onde o terreno se prestava excelentemente ao cultivo da cana de açúcar e do algodão e onde era possível desenvolver-se a exploração agrícola baseada no trabalho escravo, como em Pernambuco. Já em 1662, chegavam ao Espírito Santo os primeiros <span id="ACO_RP4V">negros.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP4" title="Marques, pág. 58."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> Quanto às atividades açucareiras, as informações existentes permitem que se deduza ter havido 76 engenhos grandes e 68 <span id="ACO_RP5V">menores.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP5" title="Marques, pág. 83."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> Conforme censo da <span id="ACO_RP6V">época,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP6" title="Marques, pág. 83."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> o Espírito Santo possuía, em 1856, uma população de 49.000 almas, das quais 12.000 escravos e 37.000 livres. Todos os escravos eram, naturalmente, negros ou mestiços de negro. A população livre se distribuía, segundo a raça, como segue:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Brancos &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">14.314</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Índios</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">6.051</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Mestiços</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">13.825</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Pretos</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">2.626</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Total</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">36.816</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></div>
<p>Na conformidade desses dados, 39% da população era branca; é provável, porém, que a porcentagem fosse menor, uma vez que, de acordo com a experiência dos recenseamentos, muitos mestiços procuram passar por brancos.</p>
<p>Das pessoas livres em atividade, eram:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Fazendeiros</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">9.759</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Comerciantes</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">364</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Artífices</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">889</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Funcionários públicos &nbsp; &nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">161</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Sacerdotes</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">22</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></div>
<p>Quase não existia, portanto, a divisão profissional do trabalho. Em 1854 e 1855, havia, apenas, 226 empresas comerciais e industriais. Predominava, assim, uma estrutura econômica fechada, que produzia algo para exportação.</p>
<p>Em 1859, Handelmann escrevia: &#8220;O Espírito Santo, juntamente com a região meridional da Bahia, forma aquela faixa costeira que ficou mais atrasada, após 300 anos de <span id="ACO_RP7V">colonização&#8221;.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP7" title="Handelmann, pág. 441."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> Bem pouco se tinha alcançado até então. Mas, segundo parece, pôs em risco esse pouco, a libertação dos escravos, iniciada em 1831 com a proibição do tráfico negreiro, e concluída em 1889. Lançou por terra a antiga organização do trabalho, muitas explorações agrícolas decaíram. Os libertos, em sua maioria, abandonaram as fazendas, espalharam-se pelas florestas e passaram a viver na forma mais rudimentar de economia fechada.</p>
<p>Mas nova vida já ia despontando sobre as ruínas do velho sistema. Os imigrantes teutos que começaram a chegar na década dos 40, engrossando o número na dos 70, e os italianos que afluíram nos anos de 1877 a <span id="ACO_RP8V">1895,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP8" title="Rizzelto, pág. 86."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> lançaram-se, vigorosamente, à colonização das florestas serranas.</p>
<p>A população atual do Espírito Santo é, provavelmente, de 300.000 <span id="ACO_RP9V">almas.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP9" title="Annuaire du Brésil, pág. 667, dá 383.569. Não sabemos como foi possível chegar-se a esse número, sem o devido recenseamento."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> Toda a região ao norte do rio Doce, metade mais ou menos, do território do estado, é escassamente povoada. Aí, onde ainda vagueiam selvagens — os aimorés ou botocudos — há à margem do São Mateus, apenas, algumas povoações pequenas de aborígenes, hoje, na maioria, miscigenados. São poucos os negros ou índios, sem mestiçagem, que se encontram entre eles; e, pondo de lado os colonos alemães e <span id="ACO_RP10V">italianos,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP10" title="O cônsul italiano em Vitória estimou em 35 a 45 mil o número de italianos no Espírito Santo, em 1903. Rizzelto, pág. 89."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> é também muito reduzido o número de brancos puros.</p>
<p>A maior parte da população vive dispersa em unidades familiares ou aldeias minúsculas. Segundo dados oficiais, há no Espírito Santo mais de 200 localidades, entre as quais 12 <span id="ACO_RP11V">cidades.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP11" title="Annuaire du Brésil, pág. 667."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> A maior delas, porém, a capital do estado, Vitória, tem pouco mais de 25.000 habitantes. É a maior praça comercial do estado e a sede de algumas casas de negócio importantes. Está sendo modernizada; foi dotada de luz elétrica e de bondes e, conforme mencionamos, grandes instalações portuárias estão em construção. Cachoeiro do Itapemirim, situada à margem do Itapemirim, é a segunda cidade em importância. É o centro comercial do sul. A seguir, vem a cidade de Porto do Cachoeiro de Santa Leopoldina, com 1.200 habitantes; é banhada pelo Santa Maria, que desemboca na baía do Espírito Santo.</p>
<h4>
<br />3. Produção e comércio</h4>
<p>
Com a supressão do tráfico negreiro e da escravatura a cultura da cana de açúcar e a do algodão foram sendo suplantadas pela exploração cafeeira.</p>
<p>Em 1863, o relatório do presidente Costa Pereira Júnior dá, sobre o retrocesso da produção açucareira, os seguintes <span id="ACO_RP12V">números:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP12" title="Págs. 43 e segs."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a></p>
<div style="text-align: center;">
<i>Exportação de açúcar</i></div>
<p></p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1844 &nbsp; &nbsp; &nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">324.000 arrobas (15 quilos)</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1845</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">226.000 arrobas (15 quilos)</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1852</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">117.000 arrobas (15 quilos)</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1861</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">22.000 arrobas (15 quilos)</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></div>
<p>
Mas a plantação de café fez grandes progressos. Aliás, essa cultura desenvolveu-se muito noutras regiões brasileiras, no decênio de 1840. Seguem, abaixo, dados sobre a exportação cafeeira do Espírito Santo:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1845 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">32.000 arrobas</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1852</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">95.000 arrobas </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1861</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">224.000 arrobas </span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Esse fato parece confirmar a observação — assim se diz no relatório citado — que mais de um viajante fez na América, a de que a cultura do açúcar é, de todos os ramos da economia agrícola, aquela que melhor se ajusta ao trabalho escravo. Sua decadência, a partir da década de 1840, se explica, segundo o relatório, pela proibição, estabelecida anteriormente, do comércio de escravos, que, no momento, passara a ser reprimido com severa vigilância. São, também, apontados como causas a praga de lagarta, que os produtores de açúcar tiveram de enfrentar, e os preços correntes.</p>
<p>Com o povoamento da região alta pelos imigrantes alemães e italianos, a cultura do café passou a ter absoluto predomínio. Ficou demonstrado, nas terras altas, ser o produto de exportação mais lucrativo. Foram exportadas, do Espírito <span id="ACO_RP13V">Santo,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP13" title="Mensagem, de 1895, do presidente Moniz Freire, pág. 8."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> em 1894, 1 milhão e 400 mil arrobas de café, ou seja 21 milhões de quilos; em 1912, 3 milhões de arrobas, isto é, 45 milhões de <span id="ACO_RP14V">quilos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP14" title="Segundo estimativa de fonte competente."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a> (só de Vitória, 1 milhão e 900 mil arrobas — 28 milhões de quilos). Uma quantidade minúscula em face da produção total do Brasil de mais de 10 milhões de sacos (600 milhões de quilos)! É de pouco valor a exportação espírito-santense de outros produtos; limita-se à madeira, areia monazítica etc.</p>
<p>Desenvolveu-se, assim, a monocultura, perigosa para o estado, os comerciantes e os grandes produtores, mas não tanto para os colonos, como veremos adiante.</p>
<p>Excetuados alguns reveses isolados, o comércio progrediu muito. Durante o ano de 1863, quando o mil réis valia 27 pence, a situação era a seguinte:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 70%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><span style="color: black; font-family: &quot;verdana&quot; , &quot;arial&quot;; font-size: xx-small;"> &nbsp; </span></td>
<td align="center" valign="middle"><span style="color: black;"><span style="font-family: &quot;verdana&quot; , &quot;arial&quot;; font-size: xx-small; font-weight: bold;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; </span><span style="font-family: inherit;"><b>&nbsp;</b><i>Exterior </i></span></span></td>
<td align="center" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><i>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Cabotagem</i></span></td>
<td align="center" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><i>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Soma (mil réis)</i></span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Exportação</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">&nbsp; &nbsp;87.000</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">&nbsp; &nbsp;431.000</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">518.000</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">2.000</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; 694.000</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">696.000</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1.214.000</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
A soma da exportação com a importação, levantadas pela estatística, não alcançava, ainda, 3 milhões de marcos; todo o movimento comercial montaria, dificilmente, a mais de 5 milhões.</p>
<p>Segundo o levantamento estatístico de 1911, quando o câmbio estava a 16 pence, o intercâmbio com o exterior se apresentava assim:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Exportação &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">24,7 milhões de mil réis</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Importação</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">4,8 milhões de mil réis</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Se for acrescentada a exportação para os estados vizinhos, a saída total de mercadorias ultrapassará 25 milhões de mil réis. Admitindo-se que a importação, em virtude de remessas de juros para o exterior etc., oscile entre 20 e 25 milhões de mil réis, poderemos estimar o atual comércio exterior em cerca de 50 milhões de mil réis, ou seja 65 a 70 milhões de marcos, o que representa, para a população, 200 a 250 marcos per capita.</p>
<p>Só no setor de exportação se observa a monocultura; ao lado da exploração cafeeira, há uma extensa produção para satisfazer o consumo interno. Os produtos mais importantes são: tubérculos, feijão, milho, carne, toucinho, queijo e manteiga. A bem dizer, não possuem mercado interno. São produzidos domesticamente. São consumidos pela mesma comunidade minúscula que os produz.</p>
<p>O Espírito Santo, portanto, ainda apresenta estrutura econômica idêntica à dos países novos; isto é, a produção doméstica se liga, estreitamente, àquela destinada à exportação, a economia familiar se entrelaça com a mundial. Observa-se a falta, quase absoluta, do estágio intermediário — a produção para o mercado local e, por conseguinte, do circuito econômico interno.</p>
<p>É o que se revela nos meios de transporte. Uma navegação fluvial e costeira inexpressiva, os muares e os carros de boi são os meios de transporte dentro do estado. Entretanto, o navio de vapor e a linha férrea põem-se em contato com o tráfico internacional. Desde 1910, a cidade de Vitória está ligada, por estrada de ferro, a Niterói, e, por intermédio desta ao Rio de Janeiro. A viagem leva 21 a 22 <span id="ACO_RP15V">horas.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP15" title="Partida pela manhã, de Vitória, às 10 h 15, chegada a Niterói na manhã seguinte, às 7 h 25; ida e volta, três vezes por semana."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a> A estrada pertence a uma companhia inglesa, a Leopoldina Railway Co. Há pouco tempo, concluindo-se a via férrea que vai de Vitória a Diamantina, vinculando-se, assim, a capital com a rede ferroviária de Minas. O estado possui, ao todo, 550 quilômetros de trilhos. Os navios do Lóide Brasileiro, que navegam, regularmente, entre os portos brasileiros mais importantes, transportam passageiros de Vitória ao Rio, em 24 horas. Vitória, por sua vez, tem contato direto com empórios ultramarinos.</p>
<p>A organização do comércio corresponde a essas condições. Na capital existem apenas algumas casas comerciais importantes, em cujas mãos quase que se concentram exportação e importação; só os comerciantes de Porto do Cachoeiro e de Itapemirim fazem-lhe concorrência. No interior encontram-se inúmeros pequenos comerciantes, os vendeiros, que obtêm os artigos das firmas importadoras, para distribuí-los à população; além disso, compram dos seus fregueses pequenas partidas de café, para entregá-las, posteriormente, a essas firmas. Nota-se, ainda, um comércio ambulante, em decadência, oriundo de Minas, o qual provê o estado, principalmente, de gado, artigos de montaria e fumo.</p>
<p>O crédito desenvolveu-se pouco. Há em Vitória, uma filial do London and River Plate Bank, fundada em 1910. Seus depósitos elevaram-se a mais de 1 milhão de mil réis. Os juros cobrados oscilam entre 9 e 10%, em casos de risco maior, entre 13 e 14. Em 1911, surgiu o Banco Hipotecário e Agrícola <span id="ACO_RP16V">Francês.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP16" title="Annuaire du Brésil, pág. 672."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a> Do seu capital, cujo valor nominal é de 10 milhões de francos, só foi coberta a décima parte, um milhão, apesar de o estado se ter obrigado a uma garantia de juros de 5%. O Banco colocou em França obrigações de 5%, tipo 81 por 40 milhões de francos. Seus empréstimos se têm destinado, principalmente, a hipotecas e empreendimentos <span id="ACO_RP17V">industriais.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP17" title="Balanços do Banco."><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a></p>
<p>Parece, porém, não ter chegado, ainda, o momento propício ao desenvolvimento industrial, que o estado procura incentivar com isenção de Impostos, doação de terrenos etc. Necessariamente, uma indústria terá sempre de lutar contra os maiores obstáculos, numa economia como a do Espírito Santo, em que é quase nulo o mercado interno, seja de mercadorias ou de trabalho.</p>
<h4>
4. Política e finanças</h4>
<p>
O Espírito Santo foi incorporado ao império colonial português como feudo, como <span id="ACO_RP18V">capitania.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP18" title="Wappäus, pág. 1.711."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a> Foi vendido, várias vezes, pelos respectivos donos, sendo, por fim, comprado pelo próprio rei, em 1718. Este colocou o território sob a direção de funcionários (capitães-mores), subordinados ao governador geral da Bahia. Em 1803, esses funcionários foram substituídos por governadores que, de 1809 em diante, não mais se subordinavam à direção da Bahia de modo que o Espírito Santo se tornou província autônoma. Com a reforma administrativa do Império, foi dotado de ampla autonomia administrativa. Após a queda da monarquia, em 1889, o Brasil, seguindo o modelo estadunidense, transformou-se em federação. O Espírito Santo passou, assim, a ser um estado. É representado, no Congresso Federal, por três senadores e quatro deputados.</p>
<p>A organização do estado é a <span id="ACO_RP19V">seguinte:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP19" title="Constituição Política do Estado do Espírito Santo, Vitória, 1913."><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a> À frente está o presidente, eleito por um período de 4 anos, por voto direto. Tem extensos poderes. O direito de veto embora não seja absoluto, é bastante amplo. Incumbe-lhe, exclusivamente, a nomeação de funcionários públicos, e pertence-lhe o direito de veto. O presidente pode prorrogar a lei orçamentária, quando o Congresso, por qualquer motivo, não se tenha pronunciado sobre a matéria. O órgão legislativo é o Congresso, formado de uma só câmara; é constituído por 25 deputados; não há senado. O estado é dividido em municípios cujos negócios são geridos por uma câmara municipal, presidida pelo prefeito eleito por escrutínio direto.</p>
<p>No Espírito Santo, apesar de todos os princípios democráticos, governa-se oligarquicamente, como é regra na América do Sul. No fim, apenas algumas famílias dominam o estado. É significativo que os três irmãos do ex-presidente do estado, Jerônimo Monteiro, presidente atual do Congresso, exerçam as seguintes funções: um é o bispo do estado, outro, diretor fiscal do Banco Francês, e o terceiro, senador federal no Rio.</p>
<p>A vida pública não se diferencia do padrão vigorante na América do Sul. A Justiça é influenciável e insegura. Entretanto, se muitos crimes não se punem, uma das causas reside nas péssimas condições de transporte, que limitam, bastante, o poder das autoridades.</p>
<p>Não parece haver muito escrúpulo relativamente às finanças públicas. Lembrarei, a propósito, um trecho do relatório do presidente <span id="ACO_RP20V">Monteiro,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP20" title="Monteiro, pág. 22."><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a> em que se acusa o antecessor de ter apresentado, ao passar o governo, como valor da dívida pública, 426.000 mil réis, quando o montante real era de 1.170.000 mil mil réis. É interessante o que se diz no relatório sobre o hábito da gestão passada, de efetuar os pagamentos, com o máximo de impontualidade. Agora, acabou-se com esse sistema odioso e execrando, de submeter funcionários e empreiteiros de obras públicas ao arbítrio de mandantes, que ora os forçavam a deduzir de seus recebimentos, quantias apreciáveis, a favor de intermediários e ora os faziam esperar, indefinidamente, por pagamento, coagindo-os, assim, a se tornarem correligionários políticos ou tirando vinganças <span id="ACO_RP21V">abomináveis.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP21" title="Monteiro, pág. 497."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a></p>
<p>Quase toda a receita do estado decorre da exportação de café, como se verifica da proposta orçamentária de 1913.</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 60%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Imposto de exportação</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; 3,2 milhões de mil réis</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Imposto de selo</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">0,6 milhões de mil réis</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Toda colheita malograda e toda queda dos preços do café significam prejuízo imediato para o fisco. Quando o preço do café de 13 a 20 mil réis, em 1896, baixou a 6 a 10, em 1900, e a 5 a 7, em 1904, as receitas do estado diminuíram da seguinte <span id="ACO_RP22V">maneira:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP22" title="Annuaire du Brésil, pág. 669."><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a></p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 40%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1896 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">5,4 milhões de mil réis</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1900</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">2,9 milhões de mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1904</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">2,3 milhões de mil réis </span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O Tesouro que, em 1894, contraíra dívidas volumosas, ficou em aperturas. Esteve sob ameaça de bancarrota. O crédito do estado evaporou-se. Todavia, um acordo com os credores complacentes evitou a catástrofe. A situação melhorou e as receitas ordinárias elevaram-se, conforme o quadro <span id="ACO_RP23V">abaixo:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP23" title="Apud um relatório não publicado do Banco Hipotecário e Agrícola."><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a></p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1908 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">2,7 milhões de mil réis</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1909</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">2,6 milhões de mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1910</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">3,1 milhões de mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1911</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">4,8 milhões de mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">1912</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">5,3 milhões de mil réis </span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
As dívidas não diminuíram. Em 23 de maio de 1912 importavam em 39,2 milhões de francos, distribuindo-se da seguinte <span id="ACO_RP24V">maneira:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP24" title="Annuaire du Brésil, pág. 672."><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a></p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 60%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Dívida externa</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">29,5 milhões de francos</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Dívida interna</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">9,4 milhões de francos </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Dívida flutuante, etc &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">0,3 milhões de francos </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Total</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">39,2 milhões de francos </span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Além das rendas estaduais, devem ser levadas em conta as receitas municipais, que decorrem, principalmente, do imposto de indústria e profissões, cuja incidência mais importante é sobre as casas <span id="ACO_RP25V">comerciais.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP25" title="Regulamento para a cobrança dos impostos municipais. Santa Isabel, Vitória."><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a> Em 1911, receitas dos municípios de maior destaque eram:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 60%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Vitória</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">257.000 mil réis</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Cachoeiro do Itapemirim &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">90.000 mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Santa Leopoldina</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">47.000 mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Santa Teresa</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">28.000 mil réis </span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Santa Isabel</span></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">21.000 mil réis </span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p></p>
<h4>
5. Generalidades</h4>
<p>
As condições políticas e sociais do Espírito Santo parecem demonstrar, em seu conjunto, a ação debilitante do clima tropical. Observa-se, por certo, pujante desenvolvimento em muitos setores da vida econômica. A grande massa da população nativa vive, como dantes, indolentemente, em meio às condições mais rudimentares. Produz pouco para o mercado e contenta-se com um nível de vida baixo; vegeta na anarquia quase completa, vítima da ignorância crassa, prisioneira de superstições infantis e afastada do circulo de influência das forças civilizadoras e, em particular, da autoridade política. Esta, dominada pela incúria e por todas as formas imagináveis de corrupção, embora revestida da pomposa aparência republicana, leva uma existência fantasmagórica e parasitária.</p>
<p>Este triste estado de cousas prefigura o sombrio destino que aguarda os imigrantes alemães, fortes e operosos? A exposição que se segue pretende responder à pergunta.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="ACO_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;<i>Mapa Topográfico da Província do Espírito Santo</i> — Marques, págs. 59 e segs. — <i>Annuaire du Brèsil</i>, págs. 653 e segs. — Sievers, págs. 207 e segs. — Walle, págs. 1 e segs.</div>
<div id="ACO_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Handelmann, pág. 441.</div>
<div id="ACO_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp; Itapemirim, hoje a praça comercial mais importante do sul, originou-se desse aldeamento.</div>
<div id="ACO_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Marques, pág. 58.</div>
<div id="ACO_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Marques, pág. 83.</div>
<div id="ACO_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp; Marques, pág. 83.</div>
<div id="ACO_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp; Handelmann, pág. 441.</div>
<div id="ACO_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp; Rizzelto, pág. 86.</div>
<div id="ACO_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Annuaire du Brésil</i>, pág. 667, dá 383.569. Não sabemos como foi possível chegar-se a esse número, sem o devido recenseamento.</div>
<div id="ACO_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp; O cônsul italiano em Vitória estimou em 35 a 45 mil o número de italianos no Espírito Santo, em 1903. Rizzelto, pág. 89.</div>
<div id="ACO_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> <i>Annuaire du Brésil</i>, pág. 667.</div>
<div id="ACO_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp; Págs. 43 e segs.</div>
<div id="ACO_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;<i>Mensagem</i>, de 1895, do presidente Moniz Freire, pág. 8.</div>
<div id="ACO_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp; Segundo estimativa de fonte competente.</div>
<div id="ACO_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp; Partida pela manhã, de Vitória, às 10 h 15, chegada a Niterói na manhã seguinte, às 7 h 25; ida e volta, três vezes por semana.</div>
<div id="ACO_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Annuaire du Brésil</i>, pág. 672.</div>
<div id="ACO_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp; Balanços do Banco.</div>
<div id="ACO_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp; Wappäus, pág. 1.711.</div>
<div id="ACO_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Constituição</i> Política do Estado do Espírito Santo, Vitória, 1913.</div>
<div id="ACO_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&nbsp; Monteiro, pág. 22.</div>
<div id="ACO_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp; Monteiro, pág. 497.</div>
<div id="ACO_RP22">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP22V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Annuaire du Brésil</i>, pág. 669.</div>
<div id="ACO_RP23">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP23V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Apud</i> um relatório não publicado do Banco Hipotecário e Agrícola.</div>
<div id="ACO_RP24">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP24V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Annuaire du Brésil</i>, pág. 672.</div>
<div id="ACO_RP25">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br.br/2016/01/colonizacao/#ACO_RP25V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a>&nbsp; <i>Regulamento</i> para a cobrança dos impostos municipais. Santa Isabel, Vitória.</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/colonizacao/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Primeira parte: a terra e a gente (I)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Segunda parte: O trabalho (VI)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 22:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo VI — A circulação 1. Generalidades A vida econômica proporcionada pela exploração de sítios não permite considerável desenvolvimento da circulação. O movimento, entre eles, de mão de obra e de mercadorias é muito pequeno. Conforme já se comprovou, o colono trabalha sem assalariados. O mutirão é [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Segunda parte: O trabalho (VI)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-0nmbH0c3mSE/Vp_yvvCwbTI/AAAAAAAAAao/Az1nl4vJwn8/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-3.jpg" class="wp-image-5640" title="Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p></p>
<h3>
Capítulo VI — A circulação</h3>
<div>
</div>
<h4>
1. Generalidades</h4>
<p>
A vida econômica proporcionada pela exploração de sítios não permite considerável desenvolvimento da circulação.</p>
<p>O movimento, entre eles, de mão de obra e de mercadorias é muito pequeno. Conforme já se comprovou, o colono trabalha sem assalariados. O mutirão é quase o único meio pelo qual recebe mão de obra externa. Mesmo pagando-se bem, é difícil conseguir empregados domésticos: a queixa permanente das senhoras dos pastores.</p>
<p>Na planície, a economia monetária progrediu pouco mais que na região alta.</p>
<p>1) A casa é avaliada em 400 a 600 mil réis;<br />
2) o cafezal é estimado de acordo com o preço do café no mercado;<br />
3) por uma quadra (100 x 100 braças = 220 x 220 metros = 4,84 ha) desbravada, dão-se 250 a 300 mil réis. Pasto velho, terra velha, de milho, tem menos valor;<br />
4) por fim, avalia-se a mata disponível e a criação existente. Pode-se, com aproximação, apreçar um sítio normal de 25 ha, com todas as instalações (casa, monjolo, etc.), em 2.500 mil réis, na planície, e em 8.000 mil réis, na região alta.</p>
<p>A título ilustrativo, apresento, abaixo, alguns casos, que chegaram ao meu conhecimento, de venda de terra na comunidade de Santa Joana, na zona baixa, portanto.</p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Ano</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Tamanho do sítio (ha)</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Colheita anual do café em arrobas</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Preço (mil réis)</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Particularidades</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
<td align="right" valign="middle">300</td>
<td align="right" valign="middle">5.000</td>
<td align="center" valign="middle">—</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
<td align="right" valign="middle">30</td>
<td align="right" valign="middle">5.600</td>
<td align="justify" valign="middle">Boa mata, bom pasto, cultura de arroz e cana de açúcar.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">100</td>
<td align="right" valign="middle">250</td>
<td align="right" valign="middle">16.000</td>
<td align="justify" valign="middle">Com 40 cabeças de gado e 40 porcos.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">100</td>
<td align="right" valign="middle">pequena</td>
<td align="right" valign="middle">4.400</td>
<td align="justify" valign="middle">Com construções insuficientes, porém mata muito boa.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1913</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
<td align="right" valign="middle">70</td>
<td align="right" valign="middle">3.800</td>
<td align="center" valign="middle">—</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h4>
3. Dívidas</h4>
<p>
A compra da terra é a principal causa das dívidas. A maioria das que foram contraídas pela atual geração vem da última alta do café, que estimulou muito o comércio imobiliário. O vício da embriaguez e inventários têm também sido fatores de endividamento.</p>
<p>Os credores, em regra, são os parentes, os vizinhos, ou outros bons amigos, que fazem o empréstimo por mero favor, sendo raros os casos em que se exige garantia hipotecária. Costuma-se emitir, simplesmente, um título de dívida. Como conseqüência, é freqüente perder o credor o seu dinheiro, sobretudo quando o mutuário morre. Cobram-se juros de 5 a 6% embora sejam habituais, no Brasil, os de 8 a 12. Estipular quaisquer juros considera-se, quase, uma espécie de agiotagem.</p>
<p>Mais comerciais ou, se se quer usar a expressão, mais capitalistas, são as relações com os negociantes, os vendeiros, que naturalmente contam os juros consuetudinários no país. Eles tornam-se credores, em virtude de adiantamentos e, mais freqüentemente, por causa dos fiados, que ano parece terem levado o colono à sujeição, como no <span id="ACO5_RP1V">Sul.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/#ACO5_RP1" title="Lacmann, págs. 71 e seguintes."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> Os bancos de Vitória não têm nenhum contato com os sitiantes alemães.</p>
<p>Não me é possível dizer com aproximação o total das dívidas dos colonos teutos. Esse montante é, sem dúvida, pequeno. É raro que uma pessoa deva mais de alguns milhares de mil réis; a quantia maior que chegou ao meu conhecimento, foi de 16.000 mil réis.</p>
<p></p>
<h4>
4. A venda e o vendeiro</h4>
<p>
A venda domina quase todo o comércio na região das colônias. &#8220;Die Vende&#8221; (do português a venda), como dizem os colonos, é a casa de negócios, onde eles se provêm de todos os bens que o sítio não lhes pode fornecer, e onde eles entregam seus produtos, ou seja o café. As casas comerciais, do mesmo modo que os sítios, estão esparsas, instaladas em encruzilhadas ou caminhos de maior movimento, freqüentemente na proximidade de uma igreja ou capela.</p>
<p>O intercâmbio entre o vendeiro e o colono assume aspectos de troca em espécie: Em regra, o vendeiro não recebe pagamento à vista pela mercadoria que fornece, mas leva-a à conta do colono, que saldará o débito com o café de sua colheita. Mas, nem sempre a contraprestação do colono é bastante, de modo que ele se endivida, o que sucede quando a colheita é má ou os preços do café caem. Esse sistema de fiados é perigoso não só para o colono (vide a seção anterior), mas também para o vendeiro, que assume o risco de o sitiante não lhe trazer produção nenhuma, o qual pode vendê-la noutra parte, embolsando o dinheiro apurado. Dizem que meeiros italianos e brasileiros têm enganado desse modo a negociantes alemães.</p>
<p>Não raro, o vendeiro adianta dinheiro ao freguês, ou serve-lhe de intermediário num pagamento. Assim, torna-se o banqueiro dos colonos. Esporadicamente, colonos têm participado com capital nesse negócio de venda, havendo, nalguns casos, perdido o dinheiro empregado.</p>
<p>Os negociantes mais fortes organizam seu próprio transporte: dispõem de tropas de muares que mantêm, entre as praças, o transporte de mercadorias, sejam elas próprias ou de outros. O dono da venda faz também às vezes de taverneiro; a venda costuma ser o centro social de toda a vizinhança. É também utilizada como estalagem. O vendeiro é a pessoa com quem o colono se aconselha, quando está em dificuldades e apuros. Conforme o caso, tem de desempenhar o papel de intérprete, de conselheiro jurídico e econômico, ou de médico; tem de batizar os filhos dos fregueses e de assumir a tutela, quando morrem os pais. As decisões da comunidade dependem do que se assentou previamente na venda e, muitas vezes, o vendeiro exerce, então, influência decisiva. É freqüente valer sua palavra mais do que a do pastor, que, nas comunidades, corporifica a autoridade mais alta. Às vezes, a paz da comunidade se perturba por haver rivalidade entre os dois.</p>
<p>As vendas, em geral, são empresas minúsculas. O círculo de fregueses de um negociante atingirá, em média, 30 famílias. Já significa muito ter 40 fregueses ou &#8220;Fregesen&#8221;, como dizem os colonos, germanizando a palavra. Mais porém, já conseguiram um pecúlio de 100.000 mil réis ou mais.</p>
<p>Os negociantes menores não têm empregados; além de darem contra de todo o trabalho da vinda, exercem, ainda, certa atividade agrícola; os maiores têm um a três caixeiros, o pessoal da tropa e alguns mensageiros.</p>
<p>As funções que ao vendeiro cabem explicam que se encontrem entre eles diversos alemães do Reich com boa instrução.</p>
<p></p>
<h4>
5. O comércio ambulante</h4>
<p>
Depois dos vendeiros, vêm os negociantes ambulantes, oriundos do estado vizinho, de Minas Gerais, os mineiros. Uns trazem de lá gado de corte, outros, muares e cavalos; muitas vezes, são os próprios fazendeiros que se dedicam a esse negócio. Há os que oferecem fumo, ou selas e arreios, e, nesses casos, é comum ser o próprio produtor que faz o papel de negociante: conduz sua mercadoria em animais de carga, expondo-a e vendendo-a nos lugares de maior movimento.</p>
<p>Esse comércio ambulante, um resquício da antiga vida brasileira, lembra os tempos primitivos do tráfico. Decresce e irá desaparecendo à medida em que forem melhorando as condições de transporte, especialmente com a penetração do trem de ferro.</p>
<p></p>
<h4>
6. A tropa</h4>
<p>
Por ora, é o muar o meio de transporte mais importante no território das colônias de alemães.</p>
<p>As caravanas ou comboios de bestas carregam as mercadorias. Os colonos chamam essa espécie de caravana de Truppe ou Troppe (do português &#8220;tropa&#8221;). Ela consiste de vários lotes (Lotts, na língua dos colonos&#8221;, cada um com um guia, o tropeiro, e dez animais. O chefe de todo o comboio, o arrieiro, tem, entre as suas obrigações, a de ferrar as bestas. Em regra, também faz parte do pessoal um rapazola encarregado da cozinha.</p>
<p>Além das cangalhas e do saco de rações etc., o animal suporta 8 arrobas ou sejam 120 quilos, e em determinados casos, quando não se receia maior peso, 180 quilos, isto é, dois sacos de farinha, de 6 arrobas cada um.</p>
<p>A tropa desloca-se durante 4 a 5 horas por dia, no ritmo de um pedestre andando comodamente, dessa maneira percorrendo, no máximo, 15 a 20 quilômetros. As péssimas estradas e a região montanhosa dificultam a marcha. Com efeito, cada colono é obrigado a manter em ordem o trecho do caminho que passa por sua área. As chuvas copiosas, entretanto, impedem que ele sempre dê conta da tarefa. Indescritível é o estado dos caminhos sob os cuidados de brasileiros. Outro obstáculo ao movimento rápido são as cancelas, destinadas a separar os pastos, que têm de ser, sempre que passa a tropa, abertas e fechadas.</p>
<p>Os tropeiros desencilham as bestas quando chegam a um rancho, uma cobertura sustentada por quatro mourões, um telheiro, cercado por várias estacas onde se amarram os animais. Os ranchos são mantidos, naqueles pontos mais movimentados, por vendeiros ou colonos que os alugam juntamente com um pasto.</p>
<p>Depois de cuidar dos animais, isto é, de desatar as cobertas de couro, deitá-las abaixo, expô-las ao sol, de tirar as cangalhas e de pensar as feridas, o pessoal faz a refeição que um garoto prepara, no rancho, numa panela pendurada de uma armação, feita de improviso, com alguns paus.</p>
<p>Através de um exemplo concreto, podemos ver qual é o custo do transporte por muares:</p>
<p>Uma tropa gasta 9 a 10 dias no percurso de ida e volta entre Figueira à margem do Santa Joana e Porto Cachoeiro; sendo a distância entre os dois lugares, incluindo as voltas, de 80 quilômetros, a tropa faz por mês 6 x 80 quilômetros. Sua manutenção mensal importa nas seguintes despesas:</p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 55%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ordenado do arrieiro</td>
<td align="right" valign="middle">80 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ordenado dos três tropeiros</td>
<td align="right" valign="middle">200 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ordenado do cozinheiro</td>
<td align="right" valign="middle">20 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Alimentação do pessoal</td>
<td align="right" valign="middle">150 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Milho para os muares</td>
<td align="right" valign="middle">500 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Aluguel de pastos</td>
<td align="right" valign="middle">150 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ferraduras</td>
<td align="right" valign="middle">100 mil réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">1.200 mil réis</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Deve-se considerar, ainda, que:</p>
<p>1. Geralmente, a remuneração mensal do arrieiro oscila entre 60 e 100 mil réis, a do tropeiro entre 60 a 70, e a do cozinheiro entre 20 e 30.<br />
2. Um muar bem tratado recebe, quotidianamente, 6 a 8 litros de milho. Custando 7 a 10 mil réis um saco de 80 litros desse cereal, não é exagero calcular o consumo diário de milho, de 30 animais, em 16 a 17 mil réis.<br />
3. 1 mil réis de despesa para a alimentação diária de um homem é uma avaliação baixa.<br />
4. Em regra, o aluguel do pasto custa mais de 200 réis por dia e por animal. Por isso, 5 mil réis é pouco para as despesas diárias com esse item.</p>
<p>Vemos, assim, que 1.200 mil réis é o mínimo que uma tropa pode gastar mensalmente. Há, ainda, a amortização e os juros do que se despendeu com a aquisição dos 30 muares e dos respectivos arreios. Essa aquisição importa, pelo menos, em 10.000 mil réis, daí resultando um valor a ser computado mensalmente, de mais de 150 mil réis.</p>
<p>A capacidade de carga de um muar, como já vimos, é de 8 arrobas (120 quilos). As 30 bestas agüentam, por conseguinte, 240 arrobas (3.600 quilos). De acordo com os dados acima apresentados, gastar-se-iam, pelo menos, 1.350 mil réis, com a tropa que fizesse 6 vezes o percurso de 80 quilômetros. Portanto, o transporte de 1.000 quilos a uma distância de 480 quilômetros custaria 375 mil réis, e a uma distância de 1 quilômetro, 0,8 mil réis, ou sejam 1 a 1,5 marcos. A título comparativo, lembremos o que Schmoller (Grundriss II, págs. 13-4) diz sobre o custo de transporte terrestre, por tonelada e quilômetro: &#8220;Em 1780 a 1750, podemos avaliá-lo, para as estradas de ferro da Europa Central, em 20 a 80 pfennings. Foville calcula o frete médio das vias férreas francesas, em 1831, em 12,8 pfennings; em 1865, 4,8; em 1877, 4,7. Segundo Engel, o frete médio, na Alemanha, seria, em 1844, 15 pfennings, e em 1860, 7,3; e conforme Cohn, 5,9 pfennings, em 1872, e 4,9 em 1877. Presentemente (1898-1900), na Europa Ocidental, o valor médio está entre 3,6 e 2,4, e, para transporte de grandes quantidades, longas distâncias, com tarifas excepcionais, entre 2,2 a 1,2 pfennings.&#8221;</p>
<p>Para o transporte de Figueira a Porto do Cachoeiro costuma-se pagar 1 mil réis por arroba (6 2/3 mil réis por quintal <span id="ACO5_RP2V">métrico).</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/#ACO5_RP2" title="O frete de 8 arrobas (a carga de um burro), de Santa Teresa a Porto do Cachoeiro (20 quilômetros), é de 4 a 6 mil réis; o frete de volta é mais barato. Calculam-se, com freqüência, 3 mil réis por dia e por burro, pelo menos em viagens mais curtas."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> Com o pleno emprego da tropa conseguir-se-ia uma receita bruta de 240 x 6, isto é, 1.440 mil réis por mês. É difícil atingir esse total, porque, na volta, em geral, é menor a importância que se apura com a carga. Pode-se, portanto afirmar, esposando um princípio assentado na experiência dos vendeiros: a tropa não paga a pena. Só se aufere um ganho maior, em virtude de serem menores as despesas, quando o transporte é uma atividade independente, quando, por conseguinte, o arrieiro é, ao mesmo tempo, o empresário (o que sucede multas vezes, sendo, na maioria, mineiros os que se dedicam a esse negócio).</p>
<p></p>
<h4>
7. As casas comerciais de Vitória e Porto do Cachoeiro</h4>
<p>
É raro que se estabeleçam relações diretas entre vendeiros e o mercado internacional, e quando tal sucede, esse contato é de importância limitada. Em regra, adquirem suas mercadorias de uma firma que as recebe do estrangeiro ou de outra casa comercial importadora. Os vendeiros também não colocam diretamente no mercado externo o café exportado.</p>
<p>Vitória e Porto do Cachoeiro são os pórticos, através dos quais o território das colônias de alemães põe-se em contato com o tráfico mundial.</p>
<p>As casas comerciais importantes de Vitória são as seguintes:</p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Nome</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Nacionalidade</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Exportação de café em 1912<br />
(saco de 60 quilos)</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Companhia Comercial</td>
<td align="center" valign="middle">belgo-alemã</td>
<td align="right" valign="middle">117.726</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Hard Rand &amp; Cia.</td>
<td align="center" valign="middle">americana</td>
<td align="right" valign="middle">116.925</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Arbuckle &amp; Cia.</td>
<td align="center" valign="middle">americana</td>
<td align="right" valign="middle">20.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cruz Duarte &amp; Cia.</td>
<td align="center" valign="middle">luso-brasileira</td>
<td align="right" valign="middle">152.189</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">A. Prado &amp; Cia.</td>
<td align="center" valign="middle">brasileira</td>
<td align="right" valign="middle">28.060</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cooperativas</td>
<td align="center" valign="middle">atualmente em quebra</td>
<td align="right" valign="middle">33.459</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="center" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">468.859</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Está concentrado em mãos dessas firmas todo o comércio de café da região setentrional do Estado, de modo que elas também dominam toda a exportação do café produzido pelos colonos teutos. Elas se ocupam, simultaneamente, de todos os ramos da importação. Relacionam-se, diretamente, com alguns dos vendeiros mais fortes do interior, mas, na maioria dos casos, utilizam como intermediários os comerciantes de Porto do Cachoeiro. Estes são, por assim dizer, comerciantes de segunda classe, embora haja, entre eles, violações a essa categoria com freqüentes importações diretas do estrangeiro. Alguns deles operam com um capital de várias centenas de contos. Na maior parte, são de origem alemã. Com os seus negócios, estão colocados entre a venda e a casa comercial de primeira classe, exercendo intenso varejo e mantendo tropas para o transporte no interior.</p>
<p>O rio Santa Maria, exclusivamente, leva as mercadorias a Vitória; está fora de cogitações a estrada de ferro que percorre, apenas, metade do caminho. O transporte de um saco de 60 quilos, de Porto do Cachoeiro a Vitória, custa:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 40%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Frete</td>
<td align="right" valign="middle">800 réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Tributo</td>
<td align="right" valign="middle">100 réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Pequenas despesas</td>
<td align="right" valign="middle">100 réis</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">1.000 réis</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Se o frete de 60 quilos importa em 800 réis, o de uma tonelada é de 13 ½ mil réis. Sendo de, aproximadamente, 30 quilômetros, a distância coberta pelo frete, deduziremos para a tonelada-quilômetro, a tarifa de 444 réis, pouco mais de meio marco, portanto.</p>
<p></p>
<h4>
8. O comércio de café</h4>
<p>
O café segue de Vitória, sem passar pelo Rio de Janeiro, diretamente para os grandes empórios internacionais. As 469.000 sacas de café, embarcadas em 1912, em Vitória, vão discriminadas, abaixo, segundo o porto de destino:</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 40%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Nova Orleans</td>
<td align="right" valign="middle">301.725</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Nova York</td>
<td align="right" valign="middle">102.589</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Hamburgo</td>
<td align="right" valign="middle">12.176</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Trieste</td>
<td align="right" valign="middle">8.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Antuérpia</td>
<td align="right" valign="middle">5.150</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Rio de Janeiro</td>
<td align="right" valign="middle">35.659</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O lugar influencia a cotação do café. Assim, em 6 de outubro de 1913, para quinze quilos, verificou-se, em Vitória, o preço de 7s 6d; no Rio de Janeiro, 8s 8d. A diferença vai, portanto, a mais de 1s.</p>
<p>Geralmente, o preço da arroba, em Porto do Cachoeiro, é 300 réis menos do que em Vitória; essa divergência corresponde ao frete, que, como já verificamos, é cerca de 250 réis, por arroba. O preço do café, no sítio, desce, em média, 500 réis mais.</p>
<p>No mercado mundial, o café de Santos alcança, em geral, maiores preços que o de Vitória: aproximadamente, 5% mais, nos Estados Unidos, e 10%, em Hamburgo, o que se explica, facilmente, por ser o café, no Espírito Santo, explorado em pequenas empresas, e beneficiado por processos primitivos, enquanto em São Paulo domina a grande empresa, tecnicamente melhor aparelhada, de modo que lá se obtém um produto mais uniforme.</p>
<p>O café em Vitória é classificado em claro e escuro. O claro usufrui preços um pouco mais altos, em virtude do sabor agradável e suave.</p>
<p>Como já vimos, recai na exportação do café um imposto <i>ad valorem</i> (vide &#8220;Introdução&#8221;). Semanalmente, determina-se, no Rio de Janeiro, a importância do tributo a pagar, e telegrafa-se para Vitória, informando o valor.</p>
<h4>
<br />9. Os preços das mercadorias importadas e das produzidas no Estado</h4>
<p>
Os preços dos artigos importados do estrangeiro e dos estados meridionais do Brasil são muito altos, em virtude das condições desfavoráveis de transporte e da organização primitiva do comércio; também atuam, nesse sentido, os elevados direitos de importação e o sistema monetário. As mercadorias produzidas no Espírito Santo e em Minas Gerais, para o mercado interno, não são tão baratas, quanto se podia esperar numa região de economia predominantemente fechada.</p>
<p>Uma causa desse fenômeno me parece ser o fato de o dinheiro servir, essencialmente, para comprar bens de importação, de ter, como papel principal, o de funcionar como uma ordem de pagamento a mercadorias de fora; uma vez que os preços dessas são muito altos, que o poder aquisitivo da moeda é bem reduzido relativamente aos produtos importados, explica-se, de um ângulo puramente psicológico, é claro, que o poder de compra da moeda seja também pequeno para as mercadorias produzidas na região.</p>
<p>A tabela, abaixo, apresenta uma relação dos preços mais importantes que se verificaram, em 1913:</p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" rowspan="2"><b>Víveres</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Quantum</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Porto do Cachoeiro</b></td>
<td align="center" colspan="2"><b>Preços em mil réis</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Campinho</b></td>
<td align="center"><b>Jequitibá</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="5" valign="middle"><i>Artigos de importação</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Carne seca</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">1,2</td>
<td align="right" valign="middle">1,3</td>
<td align="right" valign="middle">1,4</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Farinha de trigo</td>
<td align="right" valign="middle">45 kg</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">13,5</td>
<td align="right" valign="middle">14-14,5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Arroz</td>
<td align="right" valign="middle">10 l</td>
<td align="right" valign="middle">4</td>
<td align="right" valign="middle">4,5</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Açúcar refinado</td>
<td align="right" valign="middle">1 arroba</td>
<td align="right" valign="middle">9</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">11,050</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Sal grosso</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">0,1</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cevadinha</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">2,5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Sagu</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">1,8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cerveja</td>
<td align="right" valign="middle">1 garrafa</td>
<td align="right" valign="middle">43</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">47</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Vinho (vinho tinto português)</td>
<td align="right" valign="middle">50 l</td>
<td align="right" valign="middle">43</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">47</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="5" valign="middle"><i>Produtos do Estado</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ovos</td>
<td align="right" valign="middle">2 dúzias</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">1</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Manteiga</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">2,5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Banha</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">1,2</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Feijão</td>
<td align="right" valign="middle">10 l</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">3</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Batatas</td>
<td align="right" valign="middle">1 arroba</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Carne de vaca</td>
<td align="right" valign="middle">1 arroba</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Carne de porco</td>
<td align="right" valign="middle">1 arroba</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Milho</td>
<td align="right" valign="middle">80 l</td>
<td align="right" valign="middle">7-9</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">8-10</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="2"><b>Outras mercadorias importadas</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Quantum</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Porto do Cachoeiro</b></td>
<td align="center" colspan="2"><b>Preços em mil réis</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Campinho</b></td>
<td align="center"><b>Jequitibá</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Querosene</td>
<td align="right" valign="middle">40 l</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">2,1</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fósforos</td>
<td align="right" valign="middle">10 caixas</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">0,6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Sabão</td>
<td align="right" valign="middle">1 kg</td>
<td align="right" valign="middle">0,7</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Morim</td>
<td align="right" valign="middle">20 m</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Chita</td>
<td align="right" valign="middle">1 m</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">0,9</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1 cafeteira simples</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1 balde pequeno, branco esmaltado</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1 candeeiro de cozinha</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ferraduras</td>
<td align="right" valign="middle">60</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">6 cadeiras simples</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">75</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cimento</td>
<td align="right" valign="middle">60 kg</td>
<td align="right" valign="middle">8,5</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1 enxada</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">2-3</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
<td align="right" valign="middle">—</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p></p>
<h4>
10. Os artesãos</h4>
<p>
A atividade dos artífices representa uma violação à economia fechada, os quais, entretanto, exploram, simultaneamente, um sítio, daí obtendo algo para suas necessidades vitais. São poucos os ofícios exercidos.</p>
<p>Em primeiro lugar vem a selaria, de especial importância numa região onde o mais pobre agricultor tem o seu cavalo e se fazem todas as viagens no lombo dos animais. A profissão de sapateiro se associa, geralmente, à do seleiro; a necessidade de calçados é pequena, porque os garotos andam descalços, e os adultos não se calçam para trabalhar, usando calçados, apenas, nas festas, ou quando muito, ainda, para cavalgar. As outras profissões exercidas são as de ferreiro e funileiro.</p>
<p>Procurar-se-iam, inutilmente, o alfaiate, o padeiro, o carniceiro e o moleiro. A farinha é importada, e as atividades de açougueiro, padeiro e alfaiate pertencem à economia doméstica. O marceneiro é dispensável, pois os móveis são feitos em casa ou importados. Há alguns marceneiros, assalariados, isto é, que trabalham em casa dos fregueses.</p>
<p>Cabe aqui lembrar as indústrias de cervejaria e de aguardente. Naturalmente, trata-se de empresas minúsculas. Na zona baixa, encontram-se mesmo farmácias, o que se explica pela necessidade de remédios, da população nativa, altamente acessível às superstições e curanderias.</p>
<p></p>
<h4>
11. Observações finais</h4>
<p>
A circulação das riquezas, no Espírito Santo, está tão pouco desenvolvida que só de leve toca a vida dos colonos.</p>
<p>Uma queda dos preços do café que pode ser funesta para o estado e para a população citadina, tem, como já se assinalou, pouca repercussão sobre o colono. No máximo, obrigá-lo-ia a restringir a satisfação do que para ele representa luxo.</p>
<p>Uma parte, e só uma pequena parte, dos mantimentos que adquire fora pode ser considerada imprescindível. A roupa exige pequenas despesas, embora os preços das fazendas compradas para a sua confecção sejam proporcionalmente altos. É o que nos mostra o orçamento doméstico, que passaremos a examinar.</p>
<p>
_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="ACO5_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/#ACO5_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Lacmann, págs. 71 e seguintes.</div>
<div id="ACO5_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/#ACO5_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;O frete de 8 arrobas (a carga de um burro), de Santa Teresa a Porto do Cachoeiro (20 quilômetros), é de 4 a 6 mil réis; o frete de volta é mais barato. Calculam-se, com freqüência, 3 mil réis por dia e por burro, pelo menos em viagens mais curtas.</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
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		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Segunda parte: O trabalho (V)</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 21:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo V – O labor agrícola e seus aspectos gerais 1. A cultura exaustiva Acoima-se de cultura exaustiva o sistema de exploração agrícola dos colonos teutos. Julgado por um critério europeu, é um sistema condenável. Não se aduba o terreno, que se exaure, em virtude da lavoura [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-0nmbH0c3mSE/Vp_yvvCwbTI/AAAAAAAAAao/Az1nl4vJwn8/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-4.jpg" class="wp-image-5661" title="Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
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<p></p>
<h3>
Capítulo V – O labor agrícola e seus aspectos gerais</h3>
<p></p>
<h4>
1. A cultura exaustiva</h4>
<p>
Acoima-se de cultura exaustiva o sistema de exploração agrícola dos colonos teutos. Julgado por um critério europeu, é um sistema condenável. Não se aduba o terreno, que se exaure, em virtude da lavoura de longos anos, dos elementos nutritivos; as colheitas diminuem, e chega o momento em que não vale mais a pena cultivá-lo. É o que sucede, depois de decorrer um período que oscila entre 15 a 40 anos, dependendo da natureza do terreno e dos processos de cultura. Chegando ao termo da fecundidade útil da terra, o colono é obrigado a abandonar a casa e o sítio, indo estabelecer-se noutro lugar.</p>
<p>Na Europa, o valor do terreno forçaria o investimento de mais capital (adubos etc.) e maior emprego de mão de obra. No Espírito Santo, porém, encontram-se áreas para a lavoura, em quantidade quase ilimitada, e o desbravamento será, talvez, mais rendoso que o amanho intensivo de velho sítio. De qualquer modo, é um simples problema aritmético, verificar, em cada caso, se é e quando é conveniente abandonar uma velha roça e organizar uma nova. Naturalmente, o colono nem sempre estará habilitado a agir de acordo com o princípio hedonístico. A escassez de capital, a falta de conhecimento e de formação técnica dificultam-lhe passar a uma cultura intensiva, mesmo na hipótese de esta convir.</p>
<p>O sistema de cultura exaustiva corresponde, de modo geral, às condições atuais da circulação, da técnica e do crédito. Justifica-se em face do axioma que afirma não existir emprego de capital e de trabalho onde se oferecem gratuitamente os recursos naturais; esse princípio, cuja evidência dispensa demonstração, fundamenta, do ângulo puramente econômico, esse processo de exploração agrícola. Mas tal processo reduz o colono a semi-nômade, condenando-o a um nível de vida primitivo e à retrogradação cultural.</p>
<p>O mais grave é a influência desagregadora que exerce sobre a vida interna da comunidade, que assenta sobre uma base territorial. Em Santa Leopoldina, os efeitos já se mostraram claros. Há trinta anos, tinha Santa Leopoldina 300 famílias; desde então, foi perdendo tantos membros, por emigrarem, que, atualmente só possui 150, apesar do intenso crescimento natural da população. Que perdas em valores culturais significa a decadência de um organismo social, morrendo aos poucos, cuja criação custou várias décadas de trabalho! Com a dissolução de uma comunidade, não se destroem, apenas, inumeráveis valores sentimentais; também valores sociais, os mais tangíveis, como o ensino, são prejudicados.</p>
<p>A gravidade dessas perdas amplia-se com o deslocamento crescente dos novos sítios para a zona baixa, dotada de bons terrenos, é verdade, mas onde o clima é menos favorável e se faz sentir mais poderosa a influência brasileira.</p>
<p>Estabelece-se, assim, uma cadeia inexorável: A cultura exaustiva leva à emigração, à dissolvência das velhas comunidades, ao enfraquecimento do espirito germânico e, talvez, ao declínio cultural e econômico do colono.</p>
<p></p>
<h4>
2. A monocultura</h4>
<p>
Além da cultura exaustiva, há outra peculiaridade da economia agrícola dos colonos, que pesa desfavoravelmente — a monocultura, aliás, como já vimos, fator marcante de toda a estrutura econômica do estado. O Espírito Santo quase só exporta café e a produção para o mercado interno se limita a poucas mercadorias; daí podermos falar em monocultura, mas sem tomar a palavra em seu sentido exato. Essa situação geral não cria muitos embaraços ao colono, cujas atividades se desenrolam numa economia predominantemente fechada. Quando minguam os resultados da cultura do café em virtude de más colheitas ou de queda de preços, ele tem, apenas, de reduzir a satisfação do que para ele representa superfluidades. Compreende-se que não se tenha esforçado em achar outras culturas de exportação; demais, a cultura do café é um ramo de produção muito cômodo. Com efeito, a plantação de um cafezal requer trabalho árduo e cuidados, mas o trato cultural posterior, a colheita e o beneficiamento exigem pouco labor. Não há dúvida de que essa unilateralidade paralisa o progresso econômico e aprisiona o colono no círculo de uma economia doméstica, submetendo-o a condições de pobre, embora com bem-estar. É ainda questão a discutir, saber quais as culturas que deveriam ser desenvolvidas no Espírito Santo. De qualquer modo, elevar a produção para o consumo interno poderia ser o primeiro passo; fumo, arroz, gado, etc. não precisava serem importados. Mas, o principal seria achar novos produtos para exportação.</p>
<p>Parece existirem, no Espírito Santo, vários lugares que oferecem condições favoráveis ao desenvolvimento do cacau. Fazendeiros brasileiros já tentaram introduzi-lo. Entretanto, não houve, até o momento, resultados comerciais apreciáveis. Os únicos mercados, atualmente, são Bahia e Rio de Janeiro; os custos de transporte para ambas as praças são postos na conta do produtor, mesmo que o cacau seja despachado em Vitória para a Europa.</p>
<p>No Espírito Santo, talvez que à cultura de fibras esteja reservado um futuro promissor. A agave medra, excelentemente, na floresta; o algodoeiro desenvolve-se otimamente, aparecendo em terrenos rochosos, onde quase nada germina. Outra fibra, o carrapicho, cresce espontaneamente em qualquer pasto.</p>
<p></p>
<h4>
3. A pequena empresa</h4>
<p>
As explorações rurais dos colonos teutos realizam-se sob a forma de pequenas empresas. O colono é um sitiante que tem de executar todos os trabalhos, contando, apenas, com o auxílio das pessoas da família; quando esta não pode levar a cabo a tarefa, recorre ele à ajuda dos vizinhos. Quase nunca lança mão de braços assalariados.</p>
<p>É de admirar que predomine a pequena empresa nas colônias de alemães, quando o café, cultivado em grandes estabelecimentos agrícolas, proporcionalmente, rende, pelo menos, tanto quanto nos pequenos, e aqueles, na fase de beneficiamento, dão rendimentos bem maiores. Em São Paulo, a cultura do café se faz em grandes propriedades, as fazendas.</p>
<p>Compreende-se que os imigrantes alemães tenham começado como sitiantes, pois em sua pátria nada mais eram do que chacareiros ou jornaleiros. De inicio, faltam-lhes os meios materiais e as forças espirituais para se abalançarem a organizar e dirigir empreendimentos de monta. Entretanto, que é que os mantém aferrados à exploração agrícola modesta?</p>
<p>Na resposta, alinham-se, em primeiro lugar, os motivos psicológicos. Em virtude de seus medíocres conhecimentos, o colono alemão, ainda hoje, não está bastante preparado para ir além dos empreendimentos de costume, e dificilmente se tornaria um fazendeiro. Por outro lado, não achará jornaleiros entre os compatriotas, porque nenhum deles tem necessidade de prestar serviços, e todos são muito ciosos de sua independência. Até hoje, muitos pomeranos se lembram, com horror, do tempo em que eram jornaleiros, na terra natal, submetidos à dura jeira. Só se poderiam arranjar assalariados entre os nativos, os brasileiros. Entre esses, porém, poucos estariam dispostos a se obrigar por longo prazo. E, mesmo que conseguisse os braços nativos necessários, o colono, em virtude de seus parcos conhecimentos da língua portuguesa, dificilmente se aviria com eles.</p>
<p>Outro fator que o prende à pequena empresa, é a sua fraca disposição de conquistar algo melhor. Sente-se muito bem nas condições que o sítio lhe proporciona, as quais lhe permitem uma vida, sem fausto, mas cômoda. Com maiores receitas não saberia bem como gastá-las. Ao contrário do português e do italiano, não tem grande necessidade de dinheiro. O italiano, a fim de voltar à terra natal, emprega seu afã em juntar dinheiro; os portugueses e brasileiros, quando atingem a determinado nível cultural, lutam por conseguir recursos que lhes permitam levar uma vida agradável na cidade. O alemão, porém, ama a gleba onde se fixou, e não deseja abandoná-la. Esse traço de caráter, além de outros, afasta-o de tendências capitalistas que o levariam à grande empresa.</p>
<p>A topografia também favorece à pequena empresa. A região das colônias, no Espírito Santo, é muito acidentada. Não se pode contar, nas terras altas, com extensas áreas planas. Aí, a configuração do terreno estorva supervisionar extensões consideráveis e alcançar pontos mais afastados. Assim, seria difícil a uma exploração agrícola de grande porte, proteger a colheita contra furtos, o milharal e o mandiocal contra a invasão dos porcos do mato e dos macacos, impedir o roubo de gado e o rompimento da cerca pelos animais, e controlar os <span id="ACO4_RP1V">trabalhadores.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_0/#ACO4_RP1" title="Nas terras altas, as atividades se superpõem, o que representa outro obstáculo à grande empresa."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></p>
<p>Em meio à região por onde se espraiam as colônias teutas, há algumas grandes propriedades rurais, como a Fazenda Milagres, que pertence a um brasileiro e produz, anualmente, 16.000 arrobas de café; a Botelho, de um português, com uma produção de 6.000 arrobas, e a do italiano Venturini, com 5.000 a 8.000. Em todos os casos, porém, a maior parte da fazenda é cultivada por meeiros, fracionariamente. Esses recebem uma área e uma moradia, com a obrigação de fornecer a metade da colheita. Dispõem livremente da outra metade, que, em regra, vendem ao próprio fazendeiro. Este se encarrega do beneficiamento, entregando o café, posteriormente, ao mercado. Entrega-se, ainda, ao meeiro, uma nesga de terra, onde poderá realizar outras culturas, cujos frutos lhe pertencerão. Os meeiros são brasileiros e italianos; às vezes, encontram-se alemães cujos recursos não bastam para explorar um sitio próprio. O sistema de meação se originou, principalmente, da dificuldade, que apareceu com a libertação dos escravos, de conseguir mão de obra, estando generalizado na região alta e na planície.</p>
<p>No Espírito Santo, por conseguinte, não existe a exploração agrícola em larga escala. A grande empresa só funciona com relação ao beneficiamento dos produtos, especialmente do café. Essa atividade, na zona baixa, tende a se concentrar, em virtude das condições hidrográficas. Aí rareiam os regatos. Encontram-se maiores volumes d&#8217;água, de cuja utilização o fazendeiro se assegura. Quando não existe a hulha branca, são indispensáveis máquinas custosas para a produção de força motriz, empregando-se, principalmente o motor a gás Deutz. O sitiante não dispõe de recursos para adquirir máquinas desse tipo. Por isso, o vendeiro, na zona baixa, é, muitas vezes, o proprietário das máquinas destinadas ao beneficiamento de café, e o colono lhe vende a colheita bruta. Há, ainda, as empresas que se dedicam exclusivamente ao beneficiamento.</p>
<p>Por ora, outros obstáculos importantes à grande empresa são os precários meios de transporte, as condições insatisfatórias para a venda da produção e o escasso abastecimento de mercadorias.</p>
<p></p>
<h4>
4. O mutirão (ajuntamento)</h4>
<p>
O mutirão é o complemento necessário à produção agrícola em economia fechada, num sítio. Na linguagem dos colonos, é chamado de Juntament, palavra derivada de ajuntamento, que, de modo geral, significa reunião, agrupamento ou multidão de pessoas (Vereinigung, Zusammenkunft, Versammlung) e, particularmente, denomina o que Buecher designa de Bittarbeit, vocábulo que empregou tendo em vista a expressão usada pelos eslavos meridionais para nomear diversas atividades em grupo. (Die Entstehung der Volkswirtschaft. 9.a edição, página 278). Buecher inclui a Bittarbeit entre as formas de comunidade de trabalho, classificando-a como aglomeração de braços.</p>
<div align="right">
<table border="0" style="width: 620px;">
<tbody>
<tr>
<td>
<div style="font-size: 85%;">
Sob aglomeração de braços compreendemos o emprego de mão de obra da mesma natureza para realizar uma tarefa única por exemplo, para transportar uma pesada carga, para puxar vigas, foiçar, perseguir a caça. Há vantagem de congregar muitos trabalhadores, desde que não seja possível, individualmente, realizar o trabalho no tempo devido, não sendo necessário que a tarefa a executar seja superior às forças de cada um. Estão nesse caso as atividades ligadas às estações do ano ou que dependem de condições meteorológicas. Também razões de ordem social podem determinar o apressamento de certos trabalhos.</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O ajuntamento, no Espírito Santo, corresponde exatamente ao que Buecher nomeia de <i>Bittarbeit</i> (mutirão):</p>
<div align="right">
<table border="0" style="width: 620px;">
<tbody>
<tr>
<td>
<div style="font-size: 85%;">
Todas as vezes que se tem de realizar uma tarefa que não possa ser levada a cabo pela mão de obra doméstica, pede-se a ajuda dos vizinhos. Estes concluem-na no tempo fixado, sem outra remuneração que o acolhimento proporcionado pelo dono da casa, na forma tradicional, e a esperança de, em caso de necessidade, ser socorrido do mesmo modo pelos vizinhos. Trabalham sob alegre emulação, gracejando e cantando; segue-se à noite, uma dança ou uma diversão de gênero semelhante.</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Não subsiste nenhuma dúvida de que os colonos, antes de chegarem ao Brasil, já conheciam o ajuntamento, um velho uso de sua pátria. Mas as oportunidades de aplicação variaram, em parte. Convoca-se um ajuntamento, particularmente nos seguintes casos:</p>
<p>1. Para foiçar — Vinte a trinta pessoas juntam-se para esse fim. Cada uma se responsabiliza pelo desbastamento de uma faixa de terreno de 2 a 3 metros de largura. Vão, assim, subindo a encosta, andando paralelamente. Os retardatários são chasqueados, e considera-se vergonhoso atrasar-se. O mutirão tem um efeito educativo evidente; entretanto, conduz facilmente ao trabalho apressado. Por isso, ouve-se dizer com relação a áreas mal foiçadas: &#8220;É terreno de ajuntamento&#8221;. (Juntamentsland). Quando se foiça e, ao mesmo tempo, se limpa o terreno, este trabalho fica a cargo das moças. Não se faz mutirão para a derrubada, em virtude, segundo me informaram, dos perigos ligados a essa atividade.<br />
2. Para limpar os cafezais e para colher café — Reúnem-se homens e moças.<br />
3. Para construir a casa — Só homens concorrem.<br />
4. Quando há doenças numa família.</p>
<p></p>
<h4>
5. A capacidade de trabalho</h4>
<p>
Qual a intensidade e a quantidade de trabalho realizado pelo colono? O clima tropical limita sua capacidade? A essas questões é possível dar uma resposta de ordem geral. As diferenças individuais são menores do que se poderia supor numa região em que cada um é senhor de si mesmo, e em que a fecundidade da terra e os espaços livres permitem a todos viverem colhendo e comendo bananas.</p>
<p>De início, verifica-se que todos os colonos alemães, trabalham além do que é necessário para a conquista do mínimo vital, e não se exagera, dizendo-se que o mais preguiçoso, excetuados alguns beberrões notórios, é, ainda, mais ativo e enérgico do que a média da população nativa. A capacidade de trabalho é muito grande; o colono realiza imensas tarefas, muitas vezes em pouco tempo: em trabalhos, como derrubada, construção de casa e de caminhos, abertura de picadas, não lhe iguala facilmente um camponês recém-chegado da Alemanha. Por certo, faz o colono, de vez em quando, uso amplo do direito de autodeterminação. Quando lhe dá na telha, em lugar de às 6, termina seu labor às 5 da tarde. Ou, em vez de ir para o trabalho, dirige-se à venda, onde, em virtude de uma pequena compra, permanece várias horas. Tal só acontece raramente e essas ocorrências se limitam, em geral, aos sábados.</p>
<p>O tempo de trabalho, em média, não é demasiadamente longo. O colono levanta-se quando alvorece; pelas 6, no inverno, ou pelas 5, no verão. Por volta das sete horas inicia a sua faina. Excetuada uma pequena pausa para uma refeição, trabalha-se até 11½, mais ou menos, ora enérgica, ora calmamente. Ao meio dia, almoça-se. O trabalho recomeça, na zona alta, às 2 horas; na baixa, às 3; dura até o escurecer; até às 6 da tarde, no inverno, prolongando-se um pouco mais, no verão. Às vezes, trabalha-se, ainda, à noite, à luz de candeeiros, tecendo-se cestos e peneiras, fazendo-se reparos, amontoando-se espigas de milho, etc. O colono deita-se cedo, às 8 ou 9 horas, em média. Uma vez que se levanta por volta das 5 ou 6, dorme suas boas nove horas, o que serve para conservar sua capacidade de trabalho em meio ao calor e à luminosidade exaustivos.</p>
<p>Excluídas as atividades eventuais à noite, a faina diária, no inverno, dura costumeiramente, oito horas. No verão, trabalha-se, em regra, menos, uma vez que há menos tarefas a executar; em certas ocasiões, entretanto, mais, como, por exemplo, na colheita de café, quando a labuta diária atinge a 10 ou 11 horas. Quando a pausa de meio dia é suprimida, no inverno, atinge-se a 10 ou 11 horas.</p>
<p>Temos a impressão de que os colonos, no Espírito Santo, empregam menos tempo no trabalho do que os jornaleiros na Alemanha, mas que, em compensação, labutam com mais intensidade. A verdade é que conservaram a capacidade de trabalho, se não a aumentaram.</p>
<p></p>
<h4>
6. A divisão do trabalho entre o homem e a mulher</h4>
<p>
Os trabalhos domésticos cabem, naturalmente, às mulheres. Cozinham, costuram e cortam as roupas para toda a família, inclusive as de homem. Entretanto, há muitos homens que sabem cozinhar e coser.</p>
<p>Também no sítio, as mulheres labutam muito; é-lhes vedado participar de uma derrubada, mas tomam parte em quase todos os outros trabalhos. Muitas tarefas, como a colheita de café, realizam-se mediante o concurso simultâneo de todos os membros da família.</p>
<p>Na criação dos animais, nota-se uma tendência acentuada para a divisão do trabalho. As galinhas e porcos são alimentados pelas mulheres e meninos, que também ordenham as vacas. Os homens cuidam dos eqüinos.</p>
<p>A posição da mulher, em face da economia, é, de modo geral, tão importante quanto a do homem.</p>
<h4>
<br />7. O Comitê Econômico</h4>
<p>
Como já vimos, caracterizam o sistema de exploração dos colonos, três fatores: a cultura exaustiva, a monocultura e a pequena empresa. Não seria, entretanto, acertado, descobrir nisso um sinal de inaptidão e incapacidade econômicas. Como creio ter demonstrado, essa forma de exploração é mais uma conseqüência da natureza das condições externas. A pequena empresa tem mais aspectos vantajosos que desvantajosos. Mas, a cultura exaustiva e a monocultura, especialmente esta, representam um perigo econômico e cultural.</p>
<p>Reconhecendo esse fato, os pastores das comunidades filiadas ao Consistório Evangélico, no Espírito Santo, organizaram uma entidade, o Comitê Econômico, e interessaram firmas e sociedades <span id="ACO4_RP2V">teutas,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_0/#ACO4_RP2" title="O Sindicato de Potassa alemão tem prestado grandes serviços à causa."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> no Rio e na Alemanha, pelos problemas ocorrentes. O Comitê impôs-se a tarefa de orientar os colonos para uma atividade agrícola mais racional, a fim de que as colônias se estabilizem. É um cometimento difícil e complexo, e, para ter êxito, necessita da proteção poderosa do comércio e da indústria alemães, e, enfim, dos círculos que têm interesses ultramarinos. Mas, tem de ser levado a termo, se é a medida adequada para salvar, nacional e culturalmente, os alemães, no Espírito Santo.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="ACO4_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_0/#ACO4_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Nas terras altas, as atividades se superpõem, o que representa outro obstáculo à grande empresa.</div>
<div id="ACO4_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_0/#ACO4_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;O Sindicato de Potassa alemão tem prestado grandes serviços à causa.</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
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		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Segunda parte: O trabalho (IV)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 20:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo IV – Os métodos de produção dos sitiantes alemães 1. Superfície, em média, cultivada Antigamente, o Governo distribuía lotes com mais de 50 hectares; reduziu-os, mais tarde, à metade, aproximadamente, estabelecendo, por fim, como unidade, 25 hectares. Daí designar-se de &#8220;colônia&#8221; uma superfície de 25 hectares. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-0nmbH0c3mSE/Vp_yvvCwbTI/AAAAAAAAAao/Az1nl4vJwn8/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-5.jpg" class="wp-image-5772" title="Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
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<p></p>
<h3>
Capítulo IV – Os métodos de produção dos sitiantes alemães</h3>
<h4>
1. Superfície, em média, cultivada</h4>
<p>
Antigamente, o Governo distribuía lotes com mais de 50 hectares; reduziu-os, mais tarde, à metade, aproximadamente, estabelecendo, por fim, como unidade, 25 hectares. Daí designar-se de &#8220;colônia&#8221; uma superfície de 25 hectares. Através dos mais diversos processos de transferência de propriedade, algumas famílias se assenhorearam de 20 &#8220;colônias&#8221; ou mais. A média, porém, é de 2 a 3 &#8220;colônias&#8221; ou seja 50 a 75 hectares. Uma superfície de 75 hectares é cultivada, mais ou menos, da seguinte maneira:</p>
<div align="left">
<table border="0" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1.</td>
<td align="left" valign="middle">Café</td>
<td align="right" valign="middle">1½ a 2 ha.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">2.</td>
<td align="left" valign="middle">Milho</td>
<td align="right" valign="middle">4 a 6 ha.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">3.</td>
<td align="left" valign="middle">Tubérculos</td>
<td align="right" valign="middle">1 ha.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">4.</td>
<td align="left" valign="middle">Pastos</td>
<td align="right" valign="middle">4 ha.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O que se verifica, portanto, é o cultivo de meia &#8220;colônia&#8221;, ou seja um sexto de todo o sítio. Acrescentem-se de 10 a 12 hectares (quase a metade da &#8220;colônia&#8221;) desbravados, mas sem amanho, os quais se destinam à plantação de milho e tubérculos. O resto é mata.</p>
<p>As &#8220;colônias&#8221; da planície afastam-se, não raro, desse esquema, o que sucede quando se intensifica a criação de gado, havendo necessidade de um pasto maior. Também apresentam fisionomia diversa os sítios muito novos: ai encontramos, geralmente, bem mais terra para o cultivo de mandioca e milho, que são vendidos enquanto se espera a colheita do café.</p>
<p></p>
<h4>
</h4>
<h4>
2. A derrubada</h4>
<p>
Antes de começar as plantações, o colono tem de derrubar a mata; todo ano, ele procura, na medida do possível, conquistar à floresta novas áreas para a cultura.</p>
<p>1. A derrubada — O desbravamento começa com o corte dos arbustos, para o que se utiliza o facão, que tem a forma de uma espada curta, e a foice (Faschinenmesser), uma lâmina fixa a um cabo longo, curvada, ao fim, como uma ceifeira, de modo a servir para golpear e segar. O colono chama-a deFose, e fosen (do português &#8220;foiçar&#8221;) a atividade exercida com esse instrumento.</p>
<p>Depois de consumada essa primeira operação de limpeza, passa-se, com a ajuda do machado e da serra, à derrubada das árvores. Os troncos são golpeados à altura do peito. Só quando as árvores são mais possantes, convém escolher um ponto mais alto em que o diâmetro seja menor. Levanta-se, então, um andaime em torno da árvore, derrubá-la custa, muitas vezes, mais de um dia de trabalho. As árvores menores, que são golpeadas de leve, são arrastadas pela queda dos grandes troncos. A derrubada exige muito esforço e atenção, pois não raro é difícil calcular a direção da queda. Quanto agricultor foi vítima de seu trabalho, principalmente no começo da colonização!</p>
<p>2. A queimada — 8 a 10 semanas depois da derrubada, se o tempo tiver estado seco, toca-se fogo às árvores e arbustos caídos; em caso contrário, espera-se mais algum tempo. Nem todos os troncos comburem. É desejável que o fogo não seja excessivamente forte. Do contrário, destruir-se-ia o húmus, e o terreno se endureceria como um tijolo, e o volume de cinza produzido seria tão grande que dificilmente se misturaria com a terra. Quando tal sucede, não se cogita da cultura de milho, que exige esse terreno muito fofo. A taioba, uma planta tuberculífera, cresce, então, vigorosamente, e a cultura do café não é prejudicada. Mas é melhor quando o fogo é menos intenso, e sobre uma parte apreciável de hastes e ramos, entre os quais se encontra muita madeira de lei. O terreno se conserva, então úmido, e se desenvolve melhor, depois a desejada capoeira.</p>
<p>Pior que a combustão demasiada é a queima insuficiente que pode inutilizar completamente, a roça, por um ou dois anos, pois repetir, logo, a queimada quase nunca é possível. Anteriormente, os colonos cuidadosos faziam fogueiras com os ramos e hastes que remanesciam. Mas, essa prática foi sendo afastada cada vez mais, porque tornava o terreno irregular: nos pontos atingidos por essa queima, o fogo atuava forte demais.</p>
<p>Hoje deixa-se ficar onde está a madeira remanescente, após o fogo insuficiente, plantando-se nos espaços desimpedidos, até onde for viável, e espera-se a queimada que, no ano seguinte, depois de crescer a capoeira, se torna necessária. De início, foiça-se a capoeira; 4 a 6 semanas depois, realiza-se a queimada. O terreno fica, então, melhor do que era antes, queimado com mais regularidade e livre dos destroços da mata. Planta-se novamente.</p>
<p>Após a colheita, deixa-se a terra descansar um ano. Depois foiça-se e planta-se, ao que segue novo ano de repouso para o solo. Procede-se, dessa maneira, três vezes sucessivas, sendo necessário, em seguida, proporcionar ao terreno dois anos de descanso, e, mais tarde, até três a quatro anos. Não sendo adubado, o solo esgota-se, por fim, totalmente, e produz no máximo um pasto ralo. Crescem, então, no planalto, as filifolhas. Constituem um sinal de terreno inteiramente esgotado.</p>
<p></p>
<h4>
</h4>
<h4>
3. O café: plantação, trato cultural e <span id="ACO3_RP1V">colheita</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP1" title="Vide Kaerger, págs. 288 e seguintes. Wernicke, págs. 54 e seguintes."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></h4>
<p>
O café, como produção única de exportação é a mais importante atividade econômica do colono embora não seja a maior do ponto de vista da superfície. Imprime direção a toda a economia.</p>
<p>Cultiva-se, geralmente café &#8220;bourbon&#8221; e crioulo. O &#8220;bourbon&#8221; tem a vantagem de amadurecer mais rapidamente que o outro. O crioulo, entretanto, proporciona rendimentos anuais mais regulares. O &#8220;bourbon&#8221; floresce na região alta, nos meses de outubro a janeiro, o crioulo nos meses de janeiro a março Só excepcionalmente, cultiva-se café de grão pequeno. Os colonos costumam iniciar a plantação imediatamente após a queimada. As mudas que utilizam são os arbustos de 1 a 3 anos, que crescem, espontaneamente, nos velhos cafezais ou nas proximidades. Alcançar-se-iam melhores resultados com o processo de viveiros, o que exigiria, porém, esforço e atenção especiais; daí talvez, não convir, economicamente, ao dono, que só dispõe de poucos braços.</p>
<p>As mudas são plantadas em filas, que, entre si, distam 3 metros, mais ou menos. Não correm paralelas à base da encosta, mas, perpendicularmente, o que demonstra não se usar o arado, no Espírito Santo. Na região alta, em cujos lugares elevados não se dá bem, prefere-se o lado do sol (o do norte), das encostas; na planície quente, onde a colheita facilmente estorrica, prefere-se o lado da sombra (o do sul).</p>
<p>As possíveis culturas associadas são o milho (de raízes superficiais), o cará, a taioba e a mandioca, sujas raízes, segundo Kaerger, &#8220;penetram nas partes do solo que encerram reservas nutritivas para as necessidades futuras do cafeeiro&#8221;. Acrescentem-se as batatas doces, que &#8220;se têm revelado prejudiciais, brotando, por toda parte, tubérculos, que, ao serem arrancados, podem, facilmente, danificar as raízes do cafeeiro&#8221;.</p>
<p>Os cuidados com o cafeeiro quase se restringem a limpar o terreno, com a enxada, de ervas daninhas. No Espírito Santo, essa limpeza realiza-se, em regra, duas vezes por ano (na zona baixa, com freqüência, 3 vezes; na alta, tem havido casos de uma só vez), enquanto em São Paulo se considera necessário executá-la quatro a cinco vezes. Faz parte do trato cultural afastar do cafeeiro, um parasita: a erva de passarinho, assim chamada, porque a semente atinge o cafeeiro, por intermédio dos excrementos dos pássaros.</p>
<p>O colono não conhece a poda. Nem é usual cortar ou serrar as hastes já mortas &#8220;embora cortes adequados aumentassem e assegurassem, por mais tempo, a frutificação e prolongassem a existência das <span id="ACO3_RP2V">árvores&#8221;.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP2" title="Fesca, pág. 220."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a></p>
<p>A aradura, como já vimos, é desconhecida. Só excepcionalmente, aduba-se. Recentemente, incentivaram-se experiências de adubação artificial.</p>
<p>Há cafeeiros que já no terceiro ano (em São Paulo no 4º e 5º) começam a frutificar. É o tempo em que na zona baixa, começa, imediatamente, a colheita, que se inicia na região alta, mais tardiamente, no 5º ou 6º ano. O cafeeiro carrega mais entre o 7º e o 20º, havendo, não raro, casos de boa colheita até os trinta anos. Daí em diante, o cafeeiro, vai-se rapidamente, tornando improdutivo.</p>
<p>Não é possível colher o café de uma só vez, pois os grãos não amadurecem a um só tempo. Quanto mais alto for o local da plantação, mais tardia e irregularmente sazonam os grãos, e mais amiudadas vezes tem o colono de se ocupar com a colheita. Assim, a colheita na zona alta dura muitos meses, particularmente os de setembro a janeiro; na baixa, os de maio, junho e julho.</p>
<p>Os colonos derriçam os grãos das hastes, deixando-os cair em peneiras e evitando que os grãos verdes as atravessem. (A colheita se faz muito cedo, enquanto os arbustos estão orvalhados, o que facilita tirar os grãos dos galhos. Naturalmente que esse trabalho em contato com a umidade não é dos mais cômodos). Varrem-se e juntam-se os grãos já caídos, na maioria pretos. São postos em peneiras e abanados, a fim de se livrarem, tanto quanto possível, de corpos estranhos.</p>
<p>Depois, ensaca-se o café, que é carregado, encosta abaixo, até o caminho e daí para casa. O colono traz a carga sobre os próprios ombros e às vezes, utiliza mulas.</p>
<p>O café dá mais frutos nas altitudes medianas. Consideram-se cem arrobas (1.500 quilogramas) de café não descascados, por 100 pés, como excelente colheita. O arbusto isolado fornece, não raras vezes, três a quatro quilos, mas uma plantação nunca atinge, em média, tal resultado. O maior rendimento médio que se alcança é de 2 quilos por pé. Não há colheita dessa importância, em Santa Joana, nem às margens do rio Lamego e do rio Claro. Em Santa Joana, têm-se por boa colheita 1.200 quilos por 1.000 cafeeiros.</p>
<p>Só podem passar com uma colheita de 30 a 50 arrobas, iniciantes ou colonos mais velhos, que não têm mais filhos para cuidar. Produzindo menos, o que excepcionalmente acontece, tem o colono de procurar, possivelmente com a venda do milho, o necessário ganho adicional. Uma colheita de 100 a 150 arrobas constitui a média. Quem colhe 250 a 300, passa por abastado, e rico quem apanha 500 a 600. Um verdadeiro nababo é o que chega a produzir 1.000 arrobas. Quando se ouve falar de um felizardo cujos cafezais forneceriam, anualmente, 2.000 a 3.000 arrobas, trata-se indubitavelmente, de mera fantasia. Uma colheita desse porte não se pode realizar na pequena empresa, mas exigiria o auxílio de forças de trabalho mais numerosas, vindas de fora.</p>
<p>Uma pessoa isolada será capaz de colher, no máximo, duas e meia arrobas por dia, mas assim mesmo, se os cafeeiros carregarem abundantemente. Uma arroba por homem-dia já é uma boa média. Se a colheita, propriamente, não dura mais de 40 a 60 dias, e os pequenos agricultores não dispõem de mais de 6 a 8 pessoas que trabalham, é evidente que o maior rendimento é de 60 x 8 x 2,5 = 1.200 arrobas.</p>
<p>Lembramos que o café consumido, em média, por uma família, no Espírito Santo, importa, mais ou menos, em 5 arrobas por ano. Estimamos que vivam, atualmente, nesse estado 50.000 famílias. Deduz-se daí que a quantidade do consumo interno é de 250.000 arrobas. A exportação, como já vimos, é de 3.000.000. A produção total do estado atinge, portanto, a 3 ¼ milhões.</p>
<p>Relativamente à parte com que concorrem os colonos alemães para essa produção total, não se pode ir além de uma conjetura: Admitamos existir, ao lado das 2.000 famílias evangélicas, 1.000 famílias alemãs de outras seitas, suponhamos haver, por conseguinte, 3.000 sítios nos quais presumiríamos que se colhessem, em média 150 arrobas; daí inferiríamos que os alemães produzem 450.000 arrobas de café. Essa quantidade seria, mais ou menos, a sétima parte de toda a produção do estado.</p>
<p></p>
<h4>
</h4>
<h4>
4. O beneficiamento do café</h4>
<p>
O café apanhado do chão é posto em água corrente (o que não se dá com o que se colhe dos arbustos). Os corpos estranhos imergern e separam-se das bagas que bóiam, são recolhidas em peneiras e, depois, amontoadas com as não lavadas. As tulhas, assim formadas, se aquecem e as cascas dos frutos racham. O café, a seguir, é espalhado no terreiro e exposto ao sol, a fim de que os invólucros fiquem secos e quebradiços. Quando vem chuva, os colonos juntam o café com pás de madeira e o levam para um barracão.</p>
<p>É índice de progresso possuir um sítio o chamado carro de café, um vagão de secagem com pequenas rodas que deslizam sobre trilhos de maneira que vão dar num alpendre, destinado a proteger o produto contra as chuvas. Esse mecanismo é dispensável na zona baixa, pois, aí, pouco chove. Mesmo na alta, não se encontra freqüentemente.</p>
<p>Após a secagem, pila-se o café, a fim de tirar-lhe a casca. Para isso, usa-se, na maioria dos sítios, o monjolo (daí &#8220;mascholle&#8221; palavra corrente entre os colonos, originada da corrupção do vocábulo brasileiro monjolo). Assim se designa uma peça geralmente utilizada no <span id="ACO3_RP3V">Brasil,</span><a a="" altura="" ar="" at="" brasileiro="" cavidade="" com="" da="" de="" descascar.="" despeda="" do="" dura="" e="" em="" es="" executam-se="" falta="" fauler="" feita="" fogo.="" hoje="" homem="" href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP3" lar="" m="" machucador="" madeira="" metade="" monjolo="" n="" neger="" negro="" nenhum="" o="" opera="" oso="" ou="" pe="" pil="" pregui="" proveio="" que="" talhadeira="" title="Os alemães, no sul, chamam-no, ainda, de " um="" uma=""><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> a qual aproveita a força hidráulica para a atividade de pilar, e é constituída da seguinte maneira: imagine-se uma trave de balança com um braço terminando em pilão e o outro oco. Neste penetra a água forçando-o a descer, enquanto o pilão sobe. O braço oco, ao abaixar-se, perde a água, e fica mais leve; o pilão cai, então, numa grande cuba, onde está o café para descascar. O tempo do movimento de subir e descer varia com a quantidade de água e com o peso do martelo, sendo, em geral, de 10 a 20 segundos; há, portanto, relativa lentidão. Esse aparelho tem a vantagem de não precisar de fiscalização. Os grãos se libertam dos invólucros, com o pilamento, mas há os que se quebram e os que não se livram completamente da película prateada situada em baixo do pergaminho.</p>
<p>Em empresas grandes utiliza-se em lugar do monjolo, um moinho de pilar, que dispõe de vários martelos, os quais, acionados por uma roda hidráulica, sobem e caem, alternadamente.</p>
<p>Os grãos misturados com as cascas partidas, são, por fim, derramados na peneira plana de palha, a qual é sacudida, o que faz separarem-se, facilmente, dos grãos, as cascas, que são mais leves. A peneira, nas grandes explorações, é substituída por um ventilador, construído do mesmo modo que a máquina de limpar cereais, na Alemanha, diferençando-se, apenas, no traçado feito de acordo com o grão de café.</p>
<h4>
<br />5. O milho e a abóbora</h4>
<p>
O milho é cultura:</p>
<p>1. principal, a que se associa a da abóbora;<br />
2. acessória à plantação de café (1 a 2 colheitas);<br />
3. raras vezes, de terreno de pasto.</p>
<p>Inicia-se o plantio, fazendo-se buracos com a enxada, distantes um passo, mais ou menos, uns dos outros, recebendo, cada um, 4 a 5 grãos e sendo, depois, cobertos de terra.</p>
<p>É boa colheita, a multiplicação do grão por 150, e muito boa, a multiplicação por 200, Entre os holandeses, em Santa Leopoldina, onde o terreno é menos fértil, entre 50 a 100 vezes a quantidade de grãos semeados. Um colono colhe, de modo geral, 50 a 100 sacos (de 80 litros, cada um). Alguns se aproveitam para fazer pão, e os outros se destinam à alimentação dos animais. Durante os primeiros anos do sítio, enquanto os cafeeiros não frutificam, vende-se milho, que, nesse período, constitui, em regra, a mais importante fonte de receita. Mais tarde, só se cultiva para as próprias necessidades.</p>
<p>O milho, apenas debulhado, serve para a alimentação dos animais. A debulha faz-se, freqüentemente, a mão. Há colonos que simplificam o trabalho, utilizando uma debulhadeira, um aparelho agora introduzido, que se roda manualmente. Dá-se o milho cru ao gado, como a aveia, em países europeus, à qual substitui, no Espírito Santo. Cozido alimentaria melhor, segundo opina Kaerger. Eventualmente, a palha de milho é empregada para alimentar os animais. Desfiada, presta-se para encher colchões.</p>
<p>Um moinho, existente em todos os sítios, impulsionado por força hidráulica, faz o fubá de milho, utilizado na preparação do pão. A água percorre uma calha que se vai estreitando na medida em que se aproxima da turbina; esta impulsiona um eixo em posição vertical. Esse atravessa uma mó fixa, na qual fricciona outra mó, presa à extremidade superior do eixo que a move. A mó superior é perfurada, a fim de que o funil introduza os grãos que vêm de um recipiente, colocado acima.</p>
<p>Sempre se cultiva a abóbora junto com o milho. Após a apanha do milho, colhe-se a abóbora, o que se faz no inverno, quando há tempo seco conforme forem exigindo as necessidades. A utilidade principal da abóbora é alimentar os animais.</p>
<p></p>
<h4>
6. Os tubérculos</h4>
<p>
A mandioca – Distingue-se a doce da venenosa, amarga (aipim e mandioca brava). No Espírito Santo, cultivam-se ambas as espécies. Dão-se poucos cuidados a esses rizomas. O terreno não é preparado por arado, nem por enxada, nem por grades. Na zona baixa, planta-se a mandioca, sempre que possível, em terreno muito queimado: enterram-se tanchões, de 10 a 15 centímetros de comprimento, com vários olhos, a uma distância de 30 centímetros a 1 metro, uns dos outros, em buracos feitos a enxada; na região alta, planta-se, geralmente, a distância menor. A época do plantio é a segunda metade do inverno.</p>
<p>Os tratos culturais se restringem, na região baixa, a eliminar, com a enxada, a erva má; terminam depois de três a quatro meses, quando a planta sombreia bastante o campo. Na zona alta, sacha-se até que os tubérculos brotem. Mas, depois, ainda se monda. Passado um ano, decapita-se a mandioca brava, para incentivar o desenvolvimento dos tubérculos.</p>
<p>Na zona baixa, a colheita começa em fevereiro; na alta, em abril. Mas não se realiza de uma só vez; arrancam-se as raízes de acordo com as necessidades. Em Jequitibá, o aipim dá, depois de dois anos, 1 a 3 quilos de tubérculos por planta; após quatro anos, dois a quatro quilos; lugares baixos 3 a 6. A raiz da mandioca brava é, geralmente, mais pesada. Decorridos quatro anos, deve-se desarraigar o aipim; e cinco anos, a mandioca brava.</p>
<p>O aipim é um sucedâneo da batata. Como esta, cozinha-se e come-se. A mandioca brava é transformada em farinha, utilizando os colonos, um processo comum em todo o Brasil: os tubérculos são lavados, raspados, enxaguados e, a seguir, comprimidos de encontro a um ralador, em movimento giratório, que os converte em massa pastosa. Esta é levada a uma prensa de madeira, que dela extrai o suco, portador de ácido cianídrico. A prensa tomou o lugar do antigo tipiti, um traçado de palha comprido, em forma de lingüiça, ainda hoje usado por certos colonos. Estes enchem-no de pasta de mandioca e o dependuram, de modo que o suco venenoso se escoe. Depois, leva-se a massa a um tacho; ai é assada, transformando-se em farinha, que, em geral, se come com feijão. O suco escoado é passível de aproveitamento recolhendo-se a um vaso, onde, após algum tempo, se deposita uma fécula, a tapioca. No Espírito Santo, ela não tem aplicação alguma.</p>
<p>Taiá ou taioba — Há a taioba branca e a amarela. As amarelas têm hastes azuis, as folhas e a casca do tubérculo, azuladas. São chamadas de amarelas, porque o tubérculo, depois de descascado, é amarelo como a cenoura, à qual se assemelha em gosto. Prefere terreno argiloso, de vale, frouxo e areento, e exige mais umidade que o aipim. Planta-se (na região alta, em setembro; na baixa, em outubro), sempre que possível, em terreno bem queimado, à distância de cinqüenta centímetros. Os tratos culturais consistem em limpar o terreno a enxada, e, mais tarde, em mondar, de vez em quando. O mais tardar, após um ano, os tubérculos têm de ser colhidos. Mantêm-se bem conservados como a batata. É costume fazer-se a colheita depois de 7 a 9 meses.</p>
<p>O inhame só dá bem à beira d&#8217;água. Planta-se, de preferência, à margem de rios e riachos. Nos lugares baixos, quase não é cultivado. O plantio realiza-se em setembro e outubro. Seis meses depois, os tubérculos já estão maduros; durante vários anos, podem ser colhidos em qualquer ocasião. No Espírito Santo, serve, exclusivamente, para alimentar os animais.</p>
<p>A batata doce desenvolve-se em qualquer parte, sem apresentar, quase, incompatibilidade com nenhum terreno. Suporta muita chuva. Planta-se sempre que possível, em terreno queimado, à distância de 50 centímetros a um metro. Os sarmentos desempenham o papel de tanchões; a planta não provém do tubérculo. Faz-se o plantio em fevereiro, março e setembro. Três a seis meses depois, colhe-se a batata.</p>
<p>O cará requer terreno úmido e prefere a planície. Planta-se em setembro e outubro, e colhe-se seis meses depois. Sua utilidade principal é a de alimento para os animais; às vezes, substitui a batata, quando, geralmente, serve de complemento ao pão.</p>
<p>O amendoim cultiva-se na planície, em terreno arenoso. Come-se, em regra, cozido; às vezes, cru. É muito apreciado pelos italianos e brasileiros.</p>
<p>Com algum amanho, as batatas inglesas dão bem no planalto; mas, são pouco plantadas, pois o cultivo dos outros tubérculos exige menos esforço. Daí serem importadas.</p>
<p></p>
<h4>
</h4>
<h4>
7. As outras culturas</h4>
<p>
Feijão preto — Às vezes, é cultivado juntamente com o milho, o que, entretanto, não convém. Como o milho, exige terreno limpo e queimado, porém menos umidade. Associado à farinha de mandioca, constitui o prato nacional brasileiro.</p>
<p>&#8220;O crescimento dura, apenas, três meses. Por isso, em regra, basta mondar uma vez&#8221;. O plantio é rápido. Com uma enxada fazem-se buracos, trinta centímetros distantes uns dos outros, lançando-se neles quatro a cinco grãos ou, eventualmente, seis a sete, em seguida, levemente cobertos com <span id="ACO3_RP4V">terra&#8221;.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP4" title="Kaerger, p. 45."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a></p>
<p>Chuchu — Trepadeira que dá frutos, que têm uma carne semelhante à do pepino constituindo um legume.</p>
<p>Bananeira — Nos lugares baixos, é onde melhor se desenvolve; na zona alta, ainda proporciona bons resultados. O colono planta-a quando começa a organizar seu sítio. A bananeira não requer amanho e dura muito. Há as bananas que se comem cruas, as de cozinhar e as de assar. É também empregada na preparação de vinagre.</p>
<p>O fumo consumido é, na maior parte, importado. É provável que se aclimatasse bem em todas as regiões do estado, mas apenas na parte baixa é cultivado, assim mesmo em escala reduzida, para uso próprio.</p>
<p>A cana de açúcar plantada na zona alta destina-se, exclusivamente, à alimentação dos animais; a da região baixa aproveita-se, também, para a fabricação de açúcar. A plantação obedece a processos muito primitivos. Cavam-se buracos, distando, entre si, 1,20m a 1,50m; neles se metem hastes de cana, desfolhadas, com 20 a 30 centímetros de comprimento. Cada buraco recebe dois tanchões. Corta-se cana, durante muitos anos, sem nova plantação.</p>
<p>O plantio é em outubro e novembro.</p>
<p>A fabricação do açúcar, como a cultura da cana, seguem métodos muito primitivos; daí só se conseguir um produto muito grosseiro, a rapadura. Inicialmente, a cana é levada à prensa. Esta é formada, em regra, de dois ou três rolos de madeira, em posição vertical, postos em movimento por boi ou cavalo. O caldo que se escoa é coado em sacos, depois trazido para um grande tacho de ferro e aí cozido, durante três horas, mais ou menos, sendo mexido, ininterruptamente, até ficar espesso. Retira-se a espuma, mexe-se a substância pastosa até esfriar, a qual se vaza, por fim, em fôrmas. Seria conveniente fabricar o açúcar por meio de uma cooperativa. Há planos adiantados, em Vinte e Cinco. Mas, à realização se opõem grandes dificuldades. É indiscutível que a produção atual só chega para as próprias necessidades.</p>
<p>Na planície, o arroz poderia ser plantado em larga escala. O Espírito Santo importa esse produto, embora tivesse meios para cobrir plenamente o consumo interno.</p>
<p>Frutas — As principais espécies cultivadas pelos colonos são: laranja, tangerina, mamão, pêssego, ameixa, amora, melancia, goiaba, manga (especialmente nos lugares baixos) e cocos (só nos lugares baixos).</p>
<p></p>
<h4>
8. A criação</h4>
<p>
O gado bovino — É estimável em 10 cabeças a quantidade de gado, possuída, em média por cada colono; existem sítios com 2 a 3 cabeças, e outros, com 20 a 30. Há ainda, casos menos freqüentes de colonos que dispõem de maior número. Nas regiões montanhosas, a pecuária, em geral, só a muito custo, tem-se desenvolvido. Os bezerros morrem facilmente. Lavra a praga de um moscão, cuja larva ataca a pele do gado, desvalorizando o couro e molestando muito o animal.</p>
<p>O gado progride excelentemente na zona baixa onde os pastos são melhores, e se encontram áreas planas maiores. A reprodução anual é quase infalível; as vacas parem vários bezerros, de 11 em 11 meses. O gado cresce com mais rapidez e fica mais pesado que no planalto. Daí explorar-se a pecuária em escala mais larga. São freqüentes rebanhos de 40 a 60 cabeças. Há, ainda, os de 100 a 200; são raros, porque ultrapassam as restritas possibilidades de venda.</p>
<p>Tanto na zona alta como na baixa, produz-se leite, quase que exclusivamente para as necessidades caseiras. Uma boa vaca fornece cerca de 6 litros; excepcionalmente, muito mais. Consome-se leite, principalmente sob a forma de queijo e de manteiga; dá-se coalhada aos porcos. Um ou outro colono vende laticínios aos vendeiros. Recentemente, enviou-se manteiga para Vitória, mas, em pequena escala. Há a importação de manteiga e queijo, de Minas Gerais.</p>
<p>Os bovinos são pouco empregados em tração e, assim mesmo, só na região baixa. Para o corte escolhem os machos, raramente vacas.</p>
<p>Na zona alta, uma boa vaca leiteira, custa 100 a 150 mil réis; na baixa, é mais barata por unidade de peso; entretanto, atinge, muitas vezes, um valor de 200 mil réis em virtude de um peso total maior. Uma vaca, sem leite, custa, em Campinho, 70 a 80 mil réis. Tanto na região alta, como na baixa, a arroba (15 quilos) de carne é avaliada em 7 mil réis. Na zona baixa, uma arroba de animal vivo custa 5 mil réis. Por um quilo de manteiga, os colonos exigem, na planície, um a um e meio mil réis; na região alta, 2 mil réis; os vendeiros cobram um pouco mais. Não se vende carne de vitela.</p>
<p>Porcos — Cada colono tem, em média, 20 a 40 porcos. As varas são maiores na região baixa, mas, raramente, vão além de 100 cabeças.</p>
<p>No primeiro ano, dá-se-lhes forragem; há, também, os suínos que pastam livremente. Passado um ano, alguns tipos estão aptos para a ceva; outros, só após decorrerem dois anos. Cevam-se os porcos com milho, coalhada, batatas, aipim, mamão, abóbora e folhas, como forragem. O milho e a abóbora são excelentes alimentos de engorda.</p>
<p>Os porcos alcançam, em média, um peso de 10 a 15 arrobas. Pelo número de cabeças das varas deduz-se que parte delas destina-se ao mercado. Uma arroba de carne de porco com toucinho custa, em média, 9 a 10 mil réis; pelo toucinho puro cobra-se um a 2 mil réis mais. Enquanto o preço da carne de vaca não oscila, em virtude de não haver necessidade de ceva, o preço dos suínos varia muito, dependendo, principalmente, da colheita de milho. Este é mais caro na região alta. Em lugares baixos, sem comunicações, verificou-se o preço de 2 ½ mil réis por 80 litros. Desde que existe ligação férrea, o milho custa, na zona baixa, 6 a 8 mil réis, e, na alta, 8 a 10 mil réis.</p>
<p>Aves — Criam-se gansos, perus, galinhas d&#8217;angola, patos, pombos. As aves se desenvolvem muito bem. Embora não sejam freqüentes epizootias, quando ocorrem, manifestam-se violentas. Por ocasião de uma delas, um vendeiro perdeu 30 muares, em poucos dias. Desconhece-se a aftosa. Às vezes, lavra peste entre as aves, dizimando-as, mas a criação se reconstitui depois rapidamente.</p>
<p>Pastagens — Não há semeadura de capim, excetuando o de Minas. Semeia-se ou planta-se o capim, às vezes, associado à cultura do milho. Organizam-se melhor as pastagens em terreno bem queimado, que estará, assim, protegido por vários anos, contra as ervas ruins. Os velhos cafezais são aproveitáveis para se fazerem pastagens.</p>
<p>Em 1913, o município de Santa Isabel, segundo informou o prefeito, possuía:</p>
<div align="center">
<table border="0" cellpadding="10" style="width: 50%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">7.800</td>
<td align="left" valign="middle">bovinos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">3.200</td>
<td align="left" valign="middle">eqüinos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">6.100</td>
<td align="left" valign="middle">jumentos e muares</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">950</td>
<td align="left" valign="middle">ovinos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle"><span style="text-decoration: underline;">20.500</span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="text-decoration: underline;">suínos</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><i>Total</i></td>
<td align="right" valign="middle">38.550</td>
<td align="left" valign="middle">cabeças</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h4>
9. A construção</h4>
<p>
Entre as atividades do colono, está a de erigir, em seu sítio, a casa e os outros abrigos necessários à exploração agrícola. Conta com a ajuda dos vizinhos para as construções.<span id="ACO3_RP5V">construções.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP5" title="Vide mutirão, cap. V, 4."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>Vejamos como se edifica a moradia. São indispensáveis madeiras de lei, cujo cerne resista à podridão e aos insetos, como o jacarandá, a garaúna, o ipê, que se encontram na zona alta; ou como o guarabu amarelo, a peroba e a sapucaia, de que se dispõe na região baixa. Lança-se mão, em primeiro lugar, dos troncos e galhos que remanescem da queimada. Mas, essa madeira, em geral, não basta. O colono é forçado a buscar o que falta na floresta.</p>
<p>Aparelham-se as árvores onde caem, no momento da derribada. O colono, com o auxílio dos vizinhos e sem o emprego de animais, ora as carrega, ora as arrasta, até chegar ao local da construção, utilizando, como cordas, lianas, tiras de córtex, ou hastes de juçara, amolecidas ou flexibilizadas à custa de golpes. É um trabalho duro esse transporte em terreno, muitas vezes, acidentado; oferece perigos. Já lesou o tórax e o espinhaço de diversos colonos.</p>
<p>Cortam-se de madeiras leves, da floresta, as tábuas e telhas de madeira necessárias à construção. Para a feitura de tábuas, emprega-se mais, na zona alta, o cedro brasileiro e, na baixa, o jequitibá; a garaúna, a peroba etc. prestam-se para a confecção de ripas. Os colonos serram toros, com 20 a 25 polegadas de comprimento; deles, cortam telhas de madeira com 8 polegadas de largura e 1/2 de espessura. Aplainam-se as irregularidades, a machado ou a facão. Provêem-se as telhas de cavilhas. Agora, também se usam pregos, mais fáceis de cravar, com a desvantagem, porém, de enferrujar.</p>
<p>Trazida a madeira para o lugar da construção e concluídos os trabalhos de carpintaria, começa-se a edificar a habitação. A moradia tem, em média, 8 a 10 metros de comprimento, 4 a 6 de largura; os quartos, por dentro, têm uma altura de 2 ½.</p>
<p>Fincam-se 4 a 6 mourões, com a grossura de 30 a 40 centímetros por 30 a 40 centímetros, ligados em baixo (1/2 a 1 metro acima da terra) por vigas, com 0,20m a 0,30m x 0,20m a 0,30m, e, em cima, por traves, igualmente grossas. Estas vinculam-se com aquelas, por meio de paus, de 0,20m x 0,20m de grossura, de antemão providos com ferrolhos para as portas e janelas. Põem-se travessas sobre as vigas e as traves, assentando-se, depois, sobre estas, a cumeeira e o madeirame do teto.</p>
<p>Armada a casa, os colonos cobrem-na com as telhas de madeira. Pregam o soalho. Fazem o esqueleto das paredes, um engradado de juçaras e fasquias de madeira, e, a seguir, encaixam as janelas com as respectivas molduras, e as portas.</p>
<p>Entaipam as paredes. Nessa ocasião, enquanto uns preparam o barro, outros, do lado de dentro ou de fora, jogam-no, com as mãos, à parede, alisando-o. Todo esse trabalho se realiza num dia. Fica faltando o reboco; irá encobrir as fendas que resultarem da secagem do barro. Após a segunda secagem, caia-se. Constróem-se, mais tarde, a varanda, as escadas e as paredes internas, multas vezes, simples tabiques.</p>
<p>Quando se vende a terra, avalia-se uma casa dessas de 500 a 700 mil réis. As moradias dos italianos distinguem-se das dos alemães pelo estilo do telhado. Há suíços que fazem casas semelhantes às cabanas alpinas, nas encostas mais íngremes. Os pomeranos preferem local plano.</p>
<h4>
<br />10. O ano agrícola</h4>
<p>
Vejamos como os trabalhos se distribuem durante o ano. As atividades ordenam-se, mais precisamente, na zona baixa, onde a colheita se realiza num período definido e breve. Aí, há margem para as seguintes especificações:</p>
<p>1. Desbravamento (derrubada e queimada): meados de julho até fins de setembro. Duração: dois longos meses. Trabalho árduo.</p>
<p>2. Plantação: fins de setembro até meados de novembro. Duração: 5 a 6 semanas. Trabalho predominantemente leve; esse espaço de tempo tem de ser, muitas vezes, reduzido, em virtude das chuvas.</p>
<p>3. Tratos culturais, especialmente operações de limpeza: começo de novembro até meados de dezembro. Duração: 4 a 5 semanas. As tarefas são bem leves embora desagradáveis, por causa do calor, particularmente quando se cuida de milho já bastante crescido.</p>
<p>4. No período mais quente, os colonos trabalham na lavoura: meados de dezembro a fim de fevereiro. Ocupam-se de concertos em casa e no sítio; organizam currais, cercas; fazem móveis e utensílios (mesas, cadeiras, recipientes), monjolos. Não havendo construções importantes a levantar, aproveita-se o tempo para descanso.</p>
<p>5. Colheita. Segunda quinzena de fevereiro: arroz; março, abril: milho, que se apanha com a maior rapidez possível, a fim de os pássaros e outros animais não comerem os grãos. Colhe-se café em maio, junho e julho e, conforme as circunstâncias, também em agosto; o mês principal é o de junho. Entretanto, há alguns dias dedicados a outras colheitas: taioba, etc.</p>
<p>A semeadura de feijão interrompe a época da colheita. Então, é comum plantar-se um pouco de aipim. É muito freqüente, nessa ocasião, o plantio do café. Excepcionalmente, empreende o colono, em fevereiro, nova derrubada.</p>
<p>O ano agrícola do planalto diverge um pouco. Em princípio, quanto maior a altitude e mais frio o clima, mais cedo se iniciam a derrubada e a plantação e mais vagarosamente decorre a colheita.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="ACO3_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide Kaerger, págs. 288 e seguintes. Wernicke, págs. 54 e seguintes.</div>
<div id="ACO3_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/l#ACO3_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Fesca, pág. 220.</div>
<div id="ACO3_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Os alemães, no sul, chamam-no, ainda, de &#8220;negro preguiçoso&#8221; (fauler Neger). O monjolo proveio do pilão, &#8220;que, até hoje, não falta em nenhum lar brasileiro, uma peça, metade da altura de um homem, de madeira dura, com uma cavidade feita com uma talhadeira ou a fogo. Com a mão de pilão, um machucador, executam-se operações de despedaçar e descascar.</div>
<div id="ACO3_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Kaerger, p. 45.</div>
<div id="ACO3_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/#ACO3_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide mutirão, cap. V, 4.</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Segunda parte: O trabalho (IV)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Primeira parte: a terra e a gente (II)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 19:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
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		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo II – As colônias de alemães 1. O território[ 1 ] O povoamento alemão cobre uma superfície de 5.000 km², mais ou menos, o que representa a nona parte de todo o território do estado. Ao norte e a leste, toca a linha férrea que une [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-1sqi0ZzRBng/Vp_8d_sfGTI/AAAAAAAAAa4/elsVuQj82HE/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-6.jpg" class="wp-image-5844" title="Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p></p>
<h3>
Capítulo II – As colônias de alemães</h3>
<p></p>
<h4>
1. O <span id="ACO1_RP1V">território</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP1" title="Vide mapas."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></h4>
<p>
O povoamento alemão cobre uma superfície de 5.000 km², mais ou menos, o que representa a nona parte de todo o território do estado.</p>
<p>Ao norte e a leste, toca a linha férrea que une Vitória a Minas (atinge, assim, o rio Doce); a oeste, estende-se até a margem ocidental do Guandu, raiando pela fronteira de Minas; ao sul, abarca todo o vale do rio Jucu.</p>
<p>A rede dos afluentes meridionais do rio Doce — o Guandu, o Santa Joana e o Santa Maria — e a rede hidrográfica tributária do curso superior do Jucu e do Santa Maria da Vitória, que fluem para o Atlântico, banham o território onde se desenvolve, atualmente, a colonização teuta. Por muito tempo, os colonizadores ficarão contidos nessa área, pois grande parte dela, ou não está cultivada, ou é, apenas superficialmente, trabalhada pela população nativa.</p>
<p>A topografia é a típica de todo o estado. A altitude dessa região oscila, predominantemente, entre 300 e 1.000 metros, sendo cheia de enrugamentos, cortados, ao fundo, por inumeráveis torrentes. Vai declinando na direção da orla marítima, ou quando se aproxima do rio Doce. Os vales interiores do Santa Joana, do Guandu e do Santa Maria estão de 100 até 300 metros acima do nível do mar. Aí, dispõe a exploração agrícola de áreas amplas e sem acidentes, enquanto, na zona alta, escasseiam os vales que ultrapassam de muito a largura dos apertados leitos fluviais, de modo que é difícil dispor-se de uma área plana.</p>
<p>A paisagem, de modo geral, assemelha-se à de uma região da Alemanha, medianamente montanhosa, com vegetação tropical. A flora, aí, quase nunca atinge a magnificência gigantesca das florestas virgens da Amazônia, mas o sol empresta-lhe paradisíaca beleza. Graça Aranha, um dos mais destacados escritores brasileiros, no começo do seu romance Canaã, que se desenrola no Espírito Santo, descrevera com as seguintes palavras:</p>
<div align="right">
<table border="0" style="width: 620px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left">Nessa região a terra exprime uma harmonia perfeita no conjunto das coisas: nem o rio é largo e monstruoso precipitando-se com espantosa torrente, nem a serra se compõe de grandes montanhas, dessas que enterram a cabeça nas nuvens e fascinam e atraem como inspiradoras de cultos tenebrosos convidando à morte como um tentador abrigo&#8230; O Santa Maria é um pequeno filho das alturas, ligeiro em seu começo, depois embaraçado longo trecho por pedras que o encachoeiram, e das quais se livra num terrível esforço, mugindo de dor, para alcançar afinal a sua velocidade ardente e alegre. Escapa-se então por entre uma floresta sem grandeza, insinua-se no selo das colinas torneadas e brandas, que parece entregarem-se complacentes àquela risonha e úmida loucura&#8230; Elas por sua vez alteiam graciosas, vestidas de uma relva curva que suave lhes desce pelos flancos, como túnica fulva, envolvendo-as numa carícia quente e infinita.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h4>
2. O clima da região</h4>
<p>
A região povoada pelos imigrantes alemães é cortada pela linha dos 20º de latitude, já estando, por conseguinte, situada na zona dos trópicos. As condições climáticas variam extraordinariamente com as diferenças de altitude.</p>
<p>Infelizmente, são muito deficientes as informações disponíveis a respeito. Em 1912 e 1913, na sede da paróquia de Santa Leopoldina, a temperatura foi medida <span id="ACO1_RP2V">diariamente</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP2" title="Pelo pastor Fischer, que gentilmente pôs seu material à minha disposição, Lia-se, três vezes ao dia (6 a. m., 2 p. m. e 6 p. m.), um termômetro à sombra; os números apresentados são a média aritmética, os valores máximos e mínimos, verificados em cada mês através dessa observação cotidiana."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> embora com instrumentos simples. Esse lugar dista 2 horas a cavalo do Porto do Cachoeiro, e sua altitude, segundo se teria verificado, é de 520 a 530 metros. Das tabelas que se encontram no apêndice extraímos os dados abaixo:<br />
<b><br /></b><br />
</p>
<div align="center">
<b>Santa Leopoldina – Ano de 1912<br />
</b><br />
<b><br /></b><br />
</p>
<table align="center" border="1" cellpadding="10" cellspacing="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td rowspan="2"></td>
<td align="center" colspan="3"><b>Temperatura em graus centígrados</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Índice pluviométrico</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Número de&nbsp;<br />
dias chuvosos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center">Média</td>
<td align="center">Mínima</td>
<td align="center">Máxima</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Janeiro</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">251</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fevereiro</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">30</td>
<td align="right" valign="middle">17</td>
<td align="right" valign="middle">339</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Março</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">30</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">279</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Abril</td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
<td align="right" valign="middle">28</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">103</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Maio</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">85</td>
<td align="right" valign="middle">10</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Junho</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">11</td>
<td align="right" valign="middle">117</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Julho</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
<td align="right" valign="middle">11</td>
<td align="right" valign="middle">78</td>
<td align="right" valign="middle">6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Agosto</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">28</td>
<td align="right" valign="middle">11</td>
<td align="right" valign="middle">68</td>
<td align="right" valign="middle">6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Setembro</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">28</td>
<td align="right" valign="middle">8,5</td>
<td align="right" valign="middle">128</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Outubro</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">10</td>
<td align="right" valign="middle">152</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Novembro</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">32</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">96</td>
<td align="right" valign="middle">10</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Dezembro</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">32</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">214</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>A diferença entre o máximo e o mínimo no ano foi de 23º ½.</p>
<p></p>
<div align="center">
<b>Santa Leopoldina – Ano de 1913<br />
</b></p>
<table align="center" border="1" cellpadding="10" cellspacing="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td rowspan="2"></td>
<td align="center" colspan="3"><b>Temperatura em graus centígrados</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Índice<br />
pluviométrico</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Número de dias chuvosos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center">Média</td>
<td align="center">Mínima</td>
<td align="center">Máxima</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Janeiro</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
<td align="right" valign="middle">33,5</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">279</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fevereiro</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">31,5</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO1_RP3V">397</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP3" title="Não houve completa medição pluviométrica."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Março</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
<td align="right" valign="middle">32</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
<td align="right" valign="middle">3</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Abril</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">30</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO1_RP3V">118</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP3" title="Não houve completa medição pluviométrica."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">17</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Maio</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">28</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO1_RP3V">22</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP3" title=""><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Junho</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO1_RP3V">127</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP3" title="Não houve completa medição pluviométrica."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Julho</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
<td align="right" valign="middle">51</td>
<td align="right" valign="middle">8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Agosto</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">10</td>
<td align="right" valign="middle">97</td>
<td align="right" valign="middle">6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Setembro</td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">105</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Outubro</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">32,5</td>
<td align="right" valign="middle">10</td>
<td align="right" valign="middle">150</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Novembro</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">33</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">170</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Dezembro</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">32</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">331</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO1_RP3V">1.852</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP3" title="Não houve completa medição pluviométrica."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">180</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Entre o máximo e o mínimo houve uma diferença de 23º ½. Como vemos, a temperatura anual é em média de 21 a 22 graus centígrados. De acordo com as observações até agora feitas, não ultrapassa, em regra, de 33º. No período de 1910 a 1913 Inclusive, só uma vez (em fevereiro de 1910) se verificou 37º à sombra. A temperatura mínima ocorrida em 1912 e 1913 foi de 8½. Durante 4 anos, a saber, de 1910 a 1913, nunca se verificou menos de 8º. Mesmo no verão, as noites são, de ordinário, agradáveis. As seis horas da manhã, o termômetro marcou mais de 20 graus:</p>
<p></p>
<div align="center">
<table align="center" border="1" cellpadding="10" cellspacing="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle"><b>1912</b></td>
<td align="right" valign="middle"><b>1913</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Novembro</td>
<td align="right" valign="middle">8 vezes</td>
<td align="right" valign="middle">7 vezes</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Dezembro</td>
<td align="right" valign="middle">11 vezes</td>
<td align="right" valign="middle">12 vezes</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Janeiro</td>
<td align="right" valign="middle">20 vezes</td>
<td align="right" valign="middle">17 vezes</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fevereiro</td>
<td align="right" valign="middle">15 vezes</td>
<td align="right" valign="middle">9 vezes</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Março</td>
<td align="right" valign="middle">4 vezes</td>
<td align="right" valign="middle">2 vezes</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Raras vezes, a temperatura matinal subiu acima de 22º, e, assim mesmo, apenas em alguns dias de janeiro.</p>
<p>Só se experimentam noites realmente desagradáveis, opressivas, nos primeiros dias da época principal das chuvas, que se inicia com trovoadas diárias, sobrevindo, em seguida, chuvas gerais. Chove de novembro a abril, meses de verão, interrompendo-se esse período de quedas pluviais por uma estiagem quente e seca. O calor, então, não molesta, justamente por causa da secura do ar e porque do meio dia, vem do nordeste, uma viração marítima que, freqüentemente, sopra forte.</p>
<p>No inverno de maio a outubro as quedas pluviais minguam de volume. Quando sucedem, tendem a durar dias inteiros, embora sejam mais chuviscos. As chuvas da estação fria distinguem-se das da sazão quente em que as primeiras sobrevêm após os ventos meridionais e as do verão, geralmente, seguem ao vento que sopra de leste.</p>
<p>Segundo os números apresentados, o índice pluviométrico anual médio é de cerca de 2.000mm.</p>
<p>Em Califórnia, sede paroquial, a temperatura mais baixa observada foi de 6º, e a mais alta, 32º. Choveu em 172 dias, e em 63 deles, a chuva foi ininterrupta.<span id="ACO1_RP4V"></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP4" title="Segundo os apontamentos do pastor Schüler (relativos a 1905?)."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a></p>
<p>Em 1860 verificou-se no núcleo de Santa Isabel, segundo os cálculos do então diretor da colônia, uma média anual de <span id="ACO1_RP5V">18º R.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP5" title="Tschudi, pág. 8."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>Pelo que fica exposto, o clima da região alta tem, em geral, uma temperatura anual média que o situa como tropical; por outro lado as oscilações térmicas, diárias e anuais, são bem marcantes, o que faz o clima nos parecer um tanto temperado. Mas para avaliarmos quão diverso é do da Alemanha, basta considerarmos que a época mais fria dessa região corresponde ao fim da primavera teuta, quando não ao verão.</p>
<p></p>
<h4>
3.&nbsp;O clima da região baixa&nbsp;</h4>
<p>
Na região baixa predomina o clima tropical, que se acentua, particularmente, no vale inferior do Santa <span id="ACO1_RP6V">Joana.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP6" title="As informações a esse respeito me foram fornecidas pelo pastor Zylmann, que viveu 7 anos em Santa Joana."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;A temperatura, durante o dia, não se eleva excessivamente; raramente sobe a 38º C ou mais, à sombra, às 2 horas da tarde. Quase não esfria às noites. Freqüentemente tem caído, à meia noite, a 28º e 29º, e, nessas ocasiões, não desce, pela madrugada, além de 26º. No inverno prevalece uma atmosfera seca, branda e suave, mas não são raros os dias abafados. Mesmo nessa sazão, porém, só raríssimas vezes, a temperatura cai, pela madrugada, abaixo de 14º a 16. Em tempestades, diminui de 8º, mais ou menos, no breve espaço de 10 minutos, para se elevar com igual rapidez.</p>
<p>Enquanto na região alta há, com abundância, a linfa deliciosa das fontes, aqui só se encontra a água morna dos rios, que pouco refrigera. Em março de 1913, nunca se chegou a verificar, nas correntes fluviais, uma temperatura inferior a 28º. A água, nas cubas, refrescava, apenas, até 26º.</p>
<p>Quanto ao regime pluvial, não chuvisca lá como na região alta. As chuvas são torrenciais e acompanhadas de trovoadas, mesmo no inverno, quando, no planalto, quase nunca troveja.</p>
<p>O regime de chuvas durante o ano é o seguinte: nos meses de abril a setembro, chove pouco, muito menos que na região alta. Em outubro, há um período de quedas pluviais, de 7 a 14 dias. Daí até o Natal, as chuvas caem algumas vezes, curtas, acompanhadas de trovões. A época de chuvas propriamente dita, estende-se do Natal até fins de janeiro ou meados de fevereiro. Antes de começar o tempo hibernal, relativamente seco, há de 7 a 14 dias de chuvas nos meses de março a abril.</p>
<p>De vez em quando, ocorrem estiagens, absolutamente secas, que podem trazer resultados econômicos funestos. Não houve nenhuma chuva, por exemplo, do 3º dia depois do Natal de 1910 a 5 de novembro de 1911, portanto, durante mais de 10 meses.(?) Por fim, o gado faminto, só encontrava alimentos nas florestas, quase desnudas, a espaços.</p>
<p>No vale do Guandu reinam condições climáticas menos desfavoráveis, embora não seja muito maior a altitude das colônias de lá. Apresento, abaixo, os números que encontrei na direção do núcleo Afonso Pena (162 metros acima do nível do mar).</p>
<p></p>
<div align="center">
<b>Núcleo Afonso Pena – Ano de 1911<br />
</b><br />
<b><br /></b><br />
</p>
<table align="center" border="1" cellpadding="10" cellspacing="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td rowspan="2"></td>
<td align="center" colspan="3"><b>Temperatura em graus centígrados</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Umidade relativa (%)</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Índice pluviométrico (mm)</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Dias chuvosos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center">Média</td>
<td align="center">Mínima</td>
<td align="center">Máxima</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Janeiro</td>
<td align="right" valign="middle">27,4</td>
<td align="right" valign="middle">35</td>
<td align="right" valign="middle">19,5</td>
<td align="right" valign="middle">67</td>
<td align="right" valign="middle">70</td>
<td align="right" valign="middle">6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fevereiro</td>
<td align="right" valign="middle">29</td>
<td align="right" valign="middle">40,5</td>
<td align="right" valign="middle">18,5</td>
<td align="right" valign="middle">61</td>
<td align="right" valign="middle">54</td>
<td align="right" valign="middle">4</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Março</td>
<td align="right" valign="middle">28</td>
<td align="right" valign="middle">35</td>
<td align="right" valign="middle">18,5</td>
<td align="right" valign="middle">67</td>
<td align="right" valign="middle">96</td>
<td align="right" valign="middle">8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Abril</td>
<td align="right" valign="middle">20,1</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">19,7</td>
<td align="right" valign="middle">72</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Maio</td>
<td align="right" valign="middle">24,9</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">76</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
<td align="right" valign="middle">2</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Junho</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">30</td>
<td align="right" valign="middle">11</td>
<td align="right" valign="middle">64</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Julho</td>
<td align="right" valign="middle">22,5</td>
<td align="right" valign="middle">29</td>
<td align="right" valign="middle">8</td>
<td align="right" valign="middle">62</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Agosto</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">30</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">64</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
<td align="right" valign="middle">0</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Setembro</td>
<td align="right" valign="middle">24,8</td>
<td align="right" valign="middle">33</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">63</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Outubro</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
<td align="right" valign="middle">34</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">61</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Novembro</td>
<td align="right" valign="middle">29,3</td>
<td align="right" valign="middle">32,6</td>
<td align="right" valign="middle">22,3</td>
<td align="right" valign="middle">63</td>
<td align="right" valign="middle">89</td>
<td align="right" valign="middle">3</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Dezembro</td>
<td align="right" valign="middle">30,1</td>
<td align="right" valign="middle">35</td>
<td align="right" valign="middle">24,4</td>
<td align="right" valign="middle">64</td>
<td align="right" valign="middle">125</td>
<td align="right" valign="middle">9</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">25,7</td>
<td align="right" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">65</td>
<td align="right" valign="middle">491</td>
<td align="right" valign="middle">42</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<div align="center">
<p><b>Núcleo Afonso Pena – Ano de 1912<br />
</b></p>
<table align="center" border="1" cellpadding="10" cellspacing="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td rowspan="2"></td>
<td align="center" colspan="3"><b>Temperatura em graus centígrados</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Umidade relativa (%)</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Barômetro (mm)</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center">Média</td>
<td align="center">Mínima</td>
<td align="center">Máxima</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Janeiro</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">33</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">78</td>
<td align="right" valign="middle">754</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fevereiro</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">32</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">72</td>
<td align="right" valign="middle">754</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Março</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">75</td>
<td align="right" valign="middle">755</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Abril</td>
<td align="right" valign="middle">?</td>
<td align="right" valign="middle">?</td>
<td align="right" valign="middle">?</td>
<td align="right" valign="middle">?</td>
<td align="right" valign="middle">?</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Maio</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">29</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">79</td>
<td align="right" valign="middle">756</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Junho</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">29</td>
<td align="right" valign="middle">15,5</td>
<td align="right" valign="middle">81</td>
<td align="right" valign="middle">756</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Julho</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">77</td>
<td align="right" valign="middle">758</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Agosto</td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">76</td>
<td align="right" valign="middle">758</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Setembro</td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">74</td>
<td align="right" valign="middle">758</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Outubro</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">29</td>
<td align="right" valign="middle">17,5</td>
<td align="right" valign="middle">85</td>
<td align="right" valign="middle">756</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Novembro</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td align="right" valign="middle">33</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">74</td>
<td align="right" valign="middle">754</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Dezembro</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">75</td>
<td align="right" valign="middle">753</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Dessas tabelas inferimos que o índice pluviométrico de Afonso Pena é consideravelmente maior que o de Santa Leopoldina. Enquanto nessa localidade se observaram, em todos os meses, precipitações pluviais, naquela, decorreu um trimestre sem chuvas. Em Afonso Pena, a temperatura anual média, é alguns graus mais alta, e a diferença entre os extremos da temperatura média, é de 31º ½.</p>
<p>Não parece conveniente tirar outras conclusões dos dados disponíveis, pois muito pouco se sabe dos instrumentos utilizados e da exatidão científica das observações.</p>
<p>A temperatura média anual de Vitória é, segundo informação genérica, 23ºC.</p>
<h4>
<br />4.&nbsp;A fundação da colônia de Santa Isabel&nbsp;</h4>
<p>
As colônias alemãs se espraiam pelo território do estado, partindo do rio Jucu e do Santa Maria da Vitória.</p>
<p>Primeiramente se fundou, em 1847, à margem do rio Jucu, cerca de 30 quilômetros distante da costa, a colônia de Santa Isabel (Isabel era o nome da herdeira presuntiva do trono). Os primeiros imigrantes que lá chegaram, em número de 163, formando 38 famílias, eram originários do Reno, das elevações do <span id="ACO1_RP7V">Hunsruck.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP7" title="Tschudi, pág. 7."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> Mais tarde, ajuntou-se-lhes um contingente do Hesse do <span id="ACO1_RP8V">Reno.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP8" title="Urban, pág. 13."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a></p>
<p>Foram, após a chegada no Rio, transportados, por via marítima, para Vitória. Ficaram aí, algum tempo, e foram pagos para limpar e calçar a praça fronteira ao palácio presidencial. Daí foram levados a <span id="ACO1_RP9V">Viana,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP9" title="Urban, pág. 4."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;lugarejo situado a meio caminho do local onde iriam se radicar. De 1813 a 1818, formara-se aí uma colônia de famílias açorianas, a qual, após dificuldades iniciais, progrediu muito e viria a ser, para os imigrantes alemães, o povoamento mais <span id="ACO1_RP10V">próximo.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP10" title="Handelmann, pág. 443 Tschudi, pág. 6."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a></p>
<p>Finalmente, de Viana, rumaram os teutos — os homens a pé, as mulheres e crianças em canoas pelo Braço do Sul para o seu lugar de destino, onde confluem o Jucu e o Braço do Sul — &#8220;Lá encontraram, — narra o pastor <span id="ACO1_RP11V">Urban,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP11" title="Vide págs. 5 e seguintes, evidentemente de acordo com as descrições dos antigos colonos."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;— &#8220;algumas dúzias de botocudos, com mulheres, crianças e o inspetor que servia de intérprete. Os índios tinham feito um roçado na mata e construído choças&#8230; Quando os alemães, trazendo, às costas, colchões, trem de cozinha, instrumentos de trabalho e vitualhas, quiseram tomar conta dos respectivos terrenos, foram surpreendidos com a notícia de que só a metade deles fora demarcada e de que não havia nem caminho nem vereda que rompesse a espessa mata que cobria os lotes. Na demarcação das terras somente os limites extremos foram assinalados por meio de uma picada&#8230; Os colonos tinham de abrir veredas através de suas terras, até alcançar um riacho, e, ao mesmo tempo, estabelecer ligação entre os lotes&#8230; Pela picada aberta, transportavam, às costas, para a nova moradia, vitualhas e instrumentos de trabalho. Mal começaram a tornar o lugar habitável, quando receberam ordem de Vitória, de voltarem para as cabanas de emergência, de Viana, onde se tinham abrigado antes. Os índios tinham fugido para a floresta, e o governo temia que atacassem os colonos&#8230; Os soldados da polícia deviam, antes, aprisionar os índios e distribuí-los por diversos lugares&#8230; Os alemães ficaram, durante algum tempo, sob proteção armada. Os selvagens permaneceram nas proximidades das terras dos colonos e, freqüentes vezes, assustavam-nos; mas, pouco a pouco, foram-se retirando para o interior, deixando os alemães em paz&#8221;.</p>
<p>Os imigrantes eram naturais de região montanhosa e estavam acostumados, de casa, aos árduos trabalhos de lavrador e jornaleiro, o que os qualificava, excelentemente, para a tarefa colonizadora nas florestas virgens brasileiras. Demais, o clima da terra não lhes era desfavorável. Contudo, no primeiro ano, foram acometidos de graves doenças. A alimentação que lhes era estranha (em regra, não tinham outra coisa para comer além do feijão preto e farinha de mandioca, segundo fui informado), as habitações precárias, a praga de insetos, em particular, que, antes da derrubada da mata, era muito grande, tudo isso pôs de cama a maioria dos 163 imigrantes, e ceifou nove deles, conforme verifiquei nos assentamentos da igreja paroquial de Campinho. Tifo, malária e febre amarela são dados como&nbsp;<i>causa mortis</i>. Esse período de sofrimentos, porém, passou rapidamente, em virtude da ação enérgica do Governo, que lhes proporcionou assistência médica, remédios e alimentos.</p>
<p>No princípio, pelo menos, muito foi feito pelo estado, a favor dos colonos; dirigia, então, a província, um presidente que os olhava com simpatia. Cada família recebeu, no começo, um lote de 120.000 braças <span id="ACO1_RP12V">quadradas,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP12" title="Marques, pág. 209; 200 vezes 600 braças."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;ou seja mais de 50 ha. Vários receberam, &#8220;mediante pedidos, subterfúgios, heranças simuladas e outros recursos dessa espécie, 2 ou 3 lotes, dos quais, naturalmente, só parte muito reduzida podiam cultivar. Os sítios ficaram, assim, demasiadamente grandes, o que, em face das condições de transportes, não era <span id="ACO1_RP13V">desejável.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP13" title="Tschudi, pág. 9."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a></p>
<p>Reconhecendo isso, o Governo ordenou que só se outorgassem, a futuros pretendentes, lotes de 62.500 braças quadradas (25 a 30 ha), ao preço de 93¾ mil réis, cada um. O imigrante não era, entretanto, obrigado a pagar essa quantia, <span id="ACO1_RP14V">imediatamente.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP14" title="Tschudi, págs. 9, 10."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a></p>
<p>Os colonos receberam, além de terras, ajuda financeira que, inicialmente, era demasiada, &#8220;desviando-os para a vagabundagem e para a dissipação, — razão por que seu valor foi diminuído, posteriormente, no fim do decênio de 1850. Então, dava-se a cada família, conforme o número de pessoas, de 24 a 59 mil réis por mês.</p>
<p>Nos anos de 1846 a 1863, gastou o Governo, ao todo, com a colônia Santa Isabel, a importância de 261.000 mil <span id="ACO1_RP15V">réis.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP15" title="Relatório de 1863 do presidente Costa Pereira Jr., pág. 33."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a></p>
<p>Apesar disso, os colonos sofreram fome, de vez em quando. Os sérios obstáculos que se antepunham às vendas e aos aprovisionamentos, explicam o fato, parcialmente. A população católica de Viana, em virtude de inimizade confessional, ou por outro motivo, não queria vender aos colonos qualquer espécie de alimentos, nem comprar-lhes os produtos. A administração inicial, bastante falha, era, também, muito culpada dessa situação de penúria. Os negócios da colônia foram confiados a um capuchinho austríaco que não estava à altura da missão e que, ao deixar o lugar, passou-o, com o consentimento do Governo, a um <span id="ACO1_RP16V">colono,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP16" title="Tschudi, pág. 7 a 9."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;totalmente incapaz para o cargo. Talvez houvesse, no meio, prevaricações de funcionários.</p>
<p>As coisas só melhoraram, em 1858, quando Adalberto Jahn, ex-oficial prussiano, assumiu o cargo de diretor da colônia; no exercício de suas funções, desenvolveu uma atividade muito fecunda.</p>
<p>Em 1860, Tschudi achou os colonos numa situação remediada. Disse a <span id="ACO1_RP17V">respeito:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP17" title="Pág. 14."><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;&#8220;Os colonos antigos alcançaram um nível de vida confortável, em que se sentem livres de preocupações, e à maioria cabe o elogio de ativos e corretos. Formulou-se um julgamento menos favorável relativamente a uma porção dos chegados mais tarde, entre os quais havia muitos preguiçosos e beberrões&#8221;.</p>
<p>No fim de 1860, a população, em virtude de imigração e crescimento natural, elevou-se a 628 <span id="ACO1_RP18V">pessoas:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP18" title="Tschudi, pág. 11."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a></p>
<p></p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Alemães (entre os quais 174 prussianos)</td>
<td align="right" valign="middle">410</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Suíços</td>
<td align="right" valign="middle">8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Franceses</td>
<td align="right" valign="middle">2</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Sardos</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Brasileiros (filhos dos colonos nascidos no Brasil)</td>
<td align="right" valign="middle">184</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">628</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>No fim de 1862 existiam 801 pessoas, sendo 424 masculinas e 377 femininas Em 1862, foram colhidas 10.000 arrobas (150.000 kg) de <span id="ACO1_RP19V">café.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP19" title="Marques, pág. 209."><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a></p>
<p>Santa Isabel emancipou-se em 1865: deixou de se subordinar a um diretor de colônia, ficando sob administração <span id="ACO1_RP20V">municipal.</span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP20" title="Wappäus, pág. 1.721.">[ 20 ]</a></b></sup><br />
<sup><br /></sup><br />
</p>
<h4>
5.&nbsp;A fundação da colônia de Santa Leopoldina</h4>
<p>
Conforme os números, há pouco, apresentados, Santa Isabel era uma colônia quase inteiramente alemã. À margem do rio Santa Maria da Vitória, porém, estabeleceu-se uma colônia de nacionais de diversos países, à qual denominaram Santa Leopoldina (Leopoldina era o nome da segunda princesa imperial).</p>
<p>A fundação efetuou-se na década de 1850, quando o Governo brasileiro, ardorosamente, começou a incentivar a colonização. Então, criaram-se numerosos núcleos de imigrantes, nas províncias meridionais do Império. Ainda no Espírito Santo, surgiu outra colônia, à margem do rio Novo. Era constituída de famílias suíças, não havendo alemães. A respeito, algumas palavras, de passagem: Foi criada, em 1865, por uma sociedade privada, cujos atos fraudulentos levaram o Governo a tomar conta da colônia, onde se instalara a desorganização. Mais tarde, <span id="ACO1_RP21V">prosperou.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP21" title="Tschudi, págs. 61 e seguintes; Marques, pág. 37. Faltam-me pormenores sobre a situação atual dos colonos à margem do rio Novo; permaneceram protestantes, mas não falam mais alemão, tendo-se agregado a uma comunidade evangélica brasileira."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a></p>
<p>Santa Leopoldina foi fundada, exatamente um decênio depois que surgiu Santa Isabel, isto é, em 1857. A direção se sediou em Porto do Cachoeiro, à margem do Santa Maria, apesar desse lugarejo estar na periferia da colônia.</p>
<p>Em 1857, chegaram os primeiros colonizadores, 140 suíços e, no ano seguinte, 222 pessoas de diversas nacionalidades. Em outubro de 1860, viviam, em Santa Leopoldina, 232 famílias de colonos, com 1.003 indivíduos. Esse número, segundo a procedência, se compunha como se vê abaixo:</p>
<p></p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 90%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Prussianos</td>
<td align="right" valign="middle">384</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Holandeses</td>
<td align="right" valign="middle">120</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Saxônios</td>
<td align="right" valign="middle">76</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Suíços</td>
<td align="right" valign="middle">104</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Hessienses</td>
<td align="right" valign="middle">61</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Tiroleses</td>
<td align="right" valign="middle">82</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Badenses</td>
<td align="right" valign="middle">27</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Luxemburgueses</td>
<td align="right" valign="middle">70</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Holsacianos</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Belgas</td>
<td align="right" valign="middle">8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Nassauenses</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Franceses</td>
<td align="right" valign="middle">1</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Alemães de outras regiões</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td width="20%"></td>
<td align="left" valign="middle">Ingleses</td>
<td align="right" valign="middle">1</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">593</td>
<td width="20%"></td>
<td align="right" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">386</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Filhos de colonos nascidos no Brasil: 24.</p>
<p>Em 1866, a colônia contava 1.016 habitantes dos quais 542 do sexo masculino e 574 do feminino; 320 eram católicos e 696 protestantes.</p>
<p>Tschudi visitou a colônia, em 1860, encontrando-a em péssimas condições. A causa, segundo ele, estava, por um lado, no terreno ruim e estéril e, por outro, na má gestão dos funcionários brasileiros. Transcrevemos, a seguir, algumas passagens marcantes do relatório de Tschudi, vivaz e objetivo.</p>
<div align="right">
<table border="0" style="width: 620px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left">O engenheiro que devia demarcar os lotes dos colonos, em vez de seguir as instruções precisas do Governo, delimitou as parcelas a olho; não obstante, embolsou as custas apreciáveis estabelecidas para medição regular. O sucessor devia corrigir a fraude que prejudicou muitos colonos. Começou a trabalhar de acordo com as instruções, retirando de uns o terreno já cultivado para entregá-lo a outros, ficando aqueles com mata virgem, de modo que tinham de reiniciar a árdua tarefa de derrubada. Veio um terceiro, que se amancebou com a filha de um colono prussiano e, por sua vez, passou a praticar bandalheiras em beneficio de alguns favorecidos; reinavam arbítrio indiscutível e injustiça. Durante a minha permanência na colônia, três anos inteiros após a fundação, nenhum suíço chegou a possuir a parcela legal de 62.000 braças quadradas; cada um deles dispunha de muito menos, havendo alguns com seis a oito mil braças quadradas, apenas, e, assim mesmo, terreno <span id="ACO1_RP22V">ruim!</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP22" title="Pág. 22."><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a><br />
A verdade é que nenhuma família teria podido viver, se, para a alimentação, contasse apenas com os produtos de seus sítios. Colonos que, havia 4 anos, se tinham fixado lá, lavrando a terra, ativa e irrepreensivelmente, não eram ainda capazes de se sustentar e vestir com os resultados da colheita e teriam ficado em extrema penúria se não biscateassem em serviços do Governo, como o de construção de estradas, ou não ganhassem como auxiliares de agrimensores ou, finalmente, não lhes fossem proporcionados, pelo estado, subsídios diretos (diários)<span id="ACO1_RP23V">&#8230;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP23" title="Pág. 26, 7."><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Desde a origem até o começo de 1860, a direção da colônia era, a todos os respeitos, lamentável. O diretor provisório morava em Porto do Cachoeiro, onde foi construída uma hospedaria, um armazém e diversas moradias. Aí instalou-se um pessoal de raças diversas, na maioria brasileiros. Nesse meio cresceu, pouco a pouco, um paul de lascívia e de fraudes, que fazia a colônia submergir em desordem cada vez maior. Os subsídios oficiais quando não eram subtraídos pelos diretores, eram pagos a favoritos, mas sempre com a máxima impontualidade&#8230; Entrementes, aumentavam, na colônia, a fome e as doenças. Quando a fome entra pela porta, o pudor foge pela janela. Mulheres e filhas de colonos entregavam-se a brasileiros, por uma ou algumas patacas, com o fim de comprar alimentos, arrastando, mais tarde, um corpo carcomido de sífilis. Pessoas de bem, dignas de todo o crédito, relataram-me histórias de arrepiar cabelo, desse tempo da colônia. Mesmo os colonos trabalhadores e esmerados levavam penosa existência, uma vez que só obtinham uma fração dos subsídios do Governo que lhes eram tão necessários, quando não acontecia, corno era freqüente, levarem muitos meses sem nada receberem. Apenas aqueles que consumiam os restos do pequeno pecúlio trazido da Europa, conseguiram viver <span id="ACO1_RP24V">sofrivelmente.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP24" title="Pág. 27, 8."><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a></p>
<p>Tschudi não vai a ponto de desconhecer que os colonos, em muita cousa, também tinham sua parcela de culpa. Diz com relação aos holandeses:</p>
<p></p>
<div align="right">
<table style="width: 620px;">
<tbody>
<tr>
<td>Em 1859 chegaram os holandeses que foram lançados às maiores privações em parte por causa do próprio desmazelo. Na maioria, eram degenerados, indolentes, submergidos na imundície. Alimentavam-se, quase que exclusivamente, de uma papa feita de farinha de mandioca, óleo de rícino e água. A falta de limpeza em muitas dessas famílias era tão grande que nem sequer se davam ao trabalho de lavar a panela em que tinham de preparar a comida; ao resto da refeição anterior juntavam a farinha, o óleo e a água da que iam fazer, cozinhando tudo junto. É de se admirar que, com esse nojento repasto, grande parte dessas famílias exibisse lamentável <span id="ACO1_RP25V">aspecto?</span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP25" title="Pág. 35, 6.">[ 25 ]</a></b></sup><br />
<br />
<sup><br /></sup></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Como os holandeses, parece que os suíços não eram, embora Tschudi silenciasse nesse ponto, o material humano mais adequado à colonização, segundo se afirmava da parte <span id="ACO1_RP26V">brasileira.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP26" title="Marques, pág. 211."><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi não avaliou com exatidão a qualidade do terreno, que, mais tarde, se revelou melhor do que parecia inicialmente. Mas não se deve pôr em dúvida a fidedignidade do que Tschudi refere sobre a situação social e econômica dos colonos.</p>
<p>As condições, entretanto, melhoraram rapidamente. Já é diverso da descrição de Tschudi, o relatório do cônsul geral prussiano, Haupt, publicado em <span id="ACO1_R27PV">1867.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP27" title="Wappäus, pág. 1719."><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a>&nbsp;Este confessa, numa observação acrescentada ao <span id="ACO1_RP28V">fim:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP28" title="Pág. 38."><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a>&nbsp;&#8220;Não quero deixar de dizer que as informações mais recentes que recebi, relativas à colônia de Santa Leopoldina, são algo mais propícias que minha descrição acima. Aí reside, desde 1864, o pastor protestante Reuther, a cujo zelo o lugar deve muitos melhoramentos&#8221;. Parece que o botânico alemão, doutor Rudio, concorreu, no exercício do cargo de diretor da colônia, para melhorar a situação.</p>
<p>Força é convir que os pomeranos, chegados, às <span id="ACO1_RP29V">centenas,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP29" title="Infelizmente, não pudemos lançar mão dos números exatos."><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a>&nbsp;de 1870 a 1879, apesar do Rescrito de Heydt, incentivaram, com a sua energia colonizadora, o progresso posterior. É verdade que não estavam acostumados, de casa, a vencer as dificuldades de regiões montanhosas, mas tinham sido jornaleiros de tarefas pesadas e distinguiam-se pela sobriedade, força de vontade e capacidade de trabalho. Constituem, hoje, a parte principal dos povoadores protestantes alemães do Espírito Santo. De Santa Leopoldina, expandiram-se para o sul e para o oeste e, recentemente, também para o norte, penetrando em terreno acentuadamente baixo.</p>
<p>Santa Leopoldina emancipou-se em <span id="ACO1_RP30V">1882.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP30" title="Relatório da Diretoria Central de Terras, pág. 8."><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a>&nbsp;Sede do município: Porto do Cachoeiro.</p>
<p></p>
<h4>
6.&nbsp;A expansão do povoamento: as formas de aquisição da terra</h4>
<p>
Apesar de os colonos, nas últimas décadas, não terem recebido da Alemanha, nenhuma quota humana digna de menção, espalharam-se por extensões cada vez maiores, de um lado, por causa da proliferação natural, muito intensa, e, de outro, em virtude do esgotamento progressivo do solo nos lugares onde se fixaram inicialmente, do que ainda falaremos.</p>
<p>Esse povoamento se distende irregularmente; todavia, procura-se combater o apossamento das terras devolutas do <span id="ACO1_RP31V">Governo.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP31" title="Monteiro, pág. 163."><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a></p>
<p>Freqüentemente o colono adquire, para se estabelecer, um terreno que já está ocupado por um nativo, naturalmente sem nenhum título jurídico. Este, para se tornar proprietário da terra, procede de modo muito simples. Escolhe um trato de terra que lhe parece melhor, finca aí algumas estacas para determinar o limite (com essa providência está certo de que será respeitado de todos os lados). Levanta um telheiro de palmas, onde fica morando, no começo; derruba e, depois queima uma nesga da mata, onde passa a plantar tudo o que é possível: banana, café, tubérculos, feijão; cada coisa, evidentemente, na mais reduzida escala. Três a quatro meses depois quando a plantação está concluída, constrói, com paus brutos, roliços, uma choça que cobre com palmas e, em alguns casos, com tábuas. Nessas condições vive alguns anos. Às vezes amplia a derrubada e aumenta a plantação. Em regra, porém, continua com uma lavoura minúscula que pouco húmus suga da terra.</p>
<p>Essa terra já desbravada, mas ainda plenamente explorável, é, para o colono alemão, um excelente ponto de partida para uma atividade agrícola mais intensa. O homem de cor a seu turno, se desfará, de bom grado, de sua propriedade, para penetrar mais a fundo na floresta e recomeçar tudo; só negociando pode satisfazer diversas das suas necessidades e, além disso, está habituado a um nível de vida muito primitivo. Vem a ser, portanto, o pioneiro da colonização teuta. Também costuma instalar-se sobre os restos de um sítio alemão, formado de terras esgotadas e, por isso, abandonadas, desempenhando então o papel de retaguarda. esse procedimento foi inamistosamente comparado com o dos urubus.</p>
<p>O preço que se paga pela terra depende da qualidade do terreno, da abundância de águas, da situação e, principalmente, da cotação do café, embora o objeto da compra seja, em última análise, apenas o trabalho realizado. O preço freqüente de toda a propriedade oscila entre 70 e 80 mil réis, mas têm ocorrido compras de 100 a 300; mesmo 1.000 a 2.000 mil réis já foram pagos.</p>
<p>Depois de se apossar da terra, o colono alarga a derrubada e dedica-se à plantação. De início, não pode pensar em comodidade, alimentando-se e morando em condições quase idênticas às do nativo. Também não providencia logo a medição, porque os recursos não bastam para tanto. De ordinário, só trata disso após o decurso de vários anos e, como acontece freqüentemente, em virtude de exigência oficial. Não existindo uma tabela de custas de medição, o colono é, multas vezes, lesado, quando paga esse serviço. Além disso, incorre no perigo de lhe ser retirada, e substituída por um trato não cultivado, uma parte da área onde plantou, em virtude de se fazer a demarcação segundo determinados princípios que, às vezes, estão em desacordo com a escolha arbitrária do terreno. Um curso d&#8217;água, sempre que possível, é uma das divisas; duas perpendiculares a essa corrente estabelecidas com a ajuda da bússola, constituem dois outros limites, que são marcados com veredas. A ligação dos seus pontos extremos forma a quarta linha demarcativa que, às vezes, não se assinala com uma picada.</p>
<p>Assim que o colono paga as despesas de medição, recebe o título de propriedade. O preço da compra, devido ao Fisco (este era, até então, o proprietário legal do terreno), só é pago, em regra, muito mais tarde.</p>
<p>Vão rareando as terras do estado. As vistas dos colonos se voltam cada vez mais para a colonização em propriedades particulares. Um exemplo disso é o loteamento da Fazenda Palmeira, em Afonso Cláudio, à margem do Guandu superior. O fazendeiro não podia mais administrá-la, e pôs as terras à venda, exigindo 600 mil réis a um conto, por 25 ha de terreno coberto, inexplorado. Levantou uma capela e demarcou uma praça onde cada um poderia escolher, gratuitamente, uma área para construir a residência. Em Afonso Cláudio e em outros lugares há alemães trabalhando como meeiros. A meação possibilita aos desprovidos de meios a defesa contra a completa proletarização e, até, a alcançarem, com o emprego de muita energia, independência econômica.</p>
<p>Ultimamente voltou-se a uma colonização planejada e orientada oficialmente, com imigrantes alemães. Há vários anos, o estado adquiriu de alguns fazendeiros grandes superfícies à margem do Guandu inferior, aí fundando a colônia Afonso Pena, que, em 1908, foi transferido ao Governo Federal. Ela está dividida em lotes de 50 ha, cada um com uma casinha modesta, sendo vendidos ao preço de 500 mil réis, sob certas condições, com obrigação de plantar, etc.</p>
<p>Embora a colônia, segundo me convenci, esteja bem instalada e os imigrantes que lá se fixaram, tenham sido assistidos com abundantes recursos, o empreendimento teve pouco êxito ou não alcançou, por certo, o resultado que se pretendia. Talvez fossem protegidos demais, como, anteriormente, os colonos de Santa Isabel. Mas houve, principalmente, erro na escolha do material humano. Conforme se verifica no número de 1º de abril de 1911 do jornal teuto-brasileiro&nbsp;Germânia, eram &#8220;trabalhadores de fábrica ou sem atividade fixa, os quais escolhiam o lote não tendo em vista a qualidade do solo, mas as casinhas mais bonitas, astuciosamente construídas nos piores terrenos&#8230; Muitos já desapareceram, abandonando o árduo trabalho&#8221;. Contra determinações expressas, os teutos das antigas áreas de colonização de Afonso Pena vieram tomar o lugar de imigrantes recentes, e aí se firmaram, e prosperaram, de modo que hoje florescem naquela região duas novas comunidades alemãs, a saber, Guandu e Criciúma.</p>
<p></p>
<h4>
7.&nbsp;A formação das comunidades</h4>
<p>
Já vimos que os imigrantes alemães eram, em parte, católicos e, em parte, protestantes.</p>
<p>Logo de início, os católicos receberam assistência religiosa. Formaram-se as comunidades de Santa Isabel, no município do mesmo nome, e de Tirol, no município de Santa Leopoldina. A sua frente estão os religiosos alemães, enviados pela Missão de Steyl (Irmãos do Verbo Divino). Essas paróquias, cujo âmbito coincide, mais ou menos, com o território municipal que lhes corresponde, abrange também os católicos que não falam alemão. Em regra, os filhos dos nativos e os dos imigrantes freqüentam, juntos, as aulas, e põem-se à margem as distinções de nacionalidade e de raça. Uma vez que os assentamentos eclesiásticos são feitos sem essas distinções, não é possível se formular uma estatística dos católicos alemães. O seu número avalia-se em 5.000, cabendo cerca da metade a cada uma das duas comunidades.</p>
<p>No começo, os protestantes foram vivamente hostilizados pela população católica; quando construíam a capela, por exemplo, foram-lhes criadas toda sorte de dificuldades. Entretanto, graças à tolerância do Governo brasileiro que se <span id="ACO1_RP32V">opôs,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP32" title="Urban, pág. 13."><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a>&nbsp;energicamente, às contendas entre os dois grupos, — as comunidades evangélicas puderam desenvolver-se sem obstáculos.</p>
<p>Em 1857, depois de já terem estabelecido, por si mesmos, certa organização religiosa, os protestantes alemães de Santa Isabel receberam os primeiros pastores do Consistório <span id="ACO1_RP33V">Evangélico.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP33" title="Tschudi, pág. 13."><sup><b>[ 33 ]</b></sup></a>&nbsp;O nome da comunidade é Campinho, como se chama o local onde a igreja se ergue desde os sessenta do século passado, onde surgiu uma pequena aldeia de alemães.</p>
<p>Ambos os primeiros pastores, enviados à comunidade, morreram subitamente, e a suspeita — provavelmente sem base — de terem sido envenenados pelos católicos dá-nos uma idéia de quão forte era a animosidade confessional, ainda pelos fins dos cinqüenta.</p>
<p>Em 1864, por intermédio de Tschudi, Santa Leopoldina recebeu, da Casa Missionária da Basiléia, os primeiros <span id="ACO1_RP34V">religiosos.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP34" title="Tschudi, pág. 85."><sup><b>[ 34 ]</b></sup></a>&nbsp;Em 1873, formou-se a comunidade de Califórnia, com ex-membros da comunidade de Campinho e, principalmente, da de Santa Leopoldina (no caso influíram desavenças de qualquer natureza). Constituíram-se, desligando-se, igualmente, de uma matriz, as comunidades de Santa Leopoldina II, também chamada Jequitibá, em 1879, de Santa Joana em 1903 e Santa Maria, em 1904.</p>
<p>Esse fracionamento se processa mais ou menos da seguinte maneira: A comunidade cresce tanto em número de fiéis e em extensão territorial que, por fim, a parte que fica longe demais da sede da paróquia, se desagrega para viver independente, o que nem sempre sucede sem violentas lutas internas.</p>
<p>Atualmente, há, portanto, seis comunidades protestantes, das quais Campinho, Santa Leopoldina, Califórnia e Jequitibá estão ligadas ao Consistório Evangélico, e as duas restantes são assistidas por religiosos da Obra Missionária <span id="ACO1_RP35V">Luterana.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP35" title="Nota do tradutor: — Traduzimos por 'Obra Missionária Luterana' a expressão 'Lutherigcher Gotteskasten', que designa uma sociedade destinada a assistir comunidades luteranas dispersas em meio a populações de outras seitas. Essa sociedade, aliás, tornou, depois de 1933, o nome de 'Martin Luther Bund'."><sup><b>[ 35 ]</b></sup></a></p>
<p>Além das comunidades que possuem organização completa, com pastor próprio, há aquelas que, embora levem uma existência à parte, ainda não são ou deixaram de ser bastante fortes para subsistir sem apoio numa paróquia. Podemos chamá-las de comunidades filiais. Está nessa categoria a de São João de Petrópolis, também chamada Santa Cruz ou Santa Maria, cujos membros moram no vale do Santa Maria do Rio Doce. Ela teve, outrora, organização própria e, depois, perdeu para Santa Joana, uma parte dos fiéis, ficando, por isso, incapaz de se manter às suas custas. Hoje, está ligada — Santa Leopoldina, Vinte e Cinco de Julho, Guandu, Criciúma e Afonso Pena se incluem, também entre as comunidades filiais; as três últimas estão-se formando, enquanto Vinte e Cinco se encontra em situação semelhante à de Santa Cruz.</p>
<p>As comunidades evangélicas poderiam ser consideradas entidades que exercem império nas áreas por que se estendem. Em face da lei brasileira, são, naturalmente, simples sociedades privadas, além disso na área de sua jurisdição, moram muitos que não são seus fiéis; em Campinho e Santa Leopoldina encontram-se muitos católicos alemães. Mas os sítios ou colônias evangélicas que medram, a espaços, se ligam e se fecham, inteiramente, principalmente nas terras altas, como Jequitibá, onde esse fenômeno mais se patenteia, e que, por isso, pode ser olhada como o baluarte dos alemães evangélicos no Espírito Santo. É ainda mais significativo que a organização enlace e prenda os fiéis com extraordinária força coerciva. Quem está fora dela é taxado de &#8220;democrata&#8221;, palavra que usam em sentido injurioso, e é tido como proscrito.</p>
<p>Esse papel desempenhado pelas e comunidades decorre, pelo menos em parte, da fraqueza das autoridades estaduais e municipais. Já me referi à frustração completa da Justiça; descuram-se o policiamento das estradas e muitas outras cousas. Evidenciando o princípio de que o órgão que falta, ou perturbado em suas funções, é, em certa medida, substituído por outro, a comunidade religiosa se arrogou diversas tarefas próprias do estado e do município, como, por exemplo, o ensino e, até, acrescente-se, a manutenção da ordem pública.</p>
<p></p>
<h4>
8.&nbsp;A topografia das áreas onde se situam as <span id="ACO1_RP36V">comunidades</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP36" title="Vide mapas no Apêndice."><sup><b>[ 36 ]</b></sup></a></h4>
<p>
A superfície das comunidades oscila em regra, entre 300 e 1.000 quilômetros <span id="ACO1_RP37V">quadrados.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP37" title="As marcas teutas tinham 100 a 700 km2. Schmoller, Grundriss, I, pág. 261."><sup><b>[ 37 ]</b></sup></a>&nbsp;Campinho, Califórnia e Jequitibá são as maiores; abstraindo as comunidades filiais, Santa Leopoldina é a menor.</p>
<p>Infelizmente, as informações relativas à altitude são tão pouco precisas como as disponíveis sobre a extensão territorial. Os povoados de Jequitibá se espalham pela área, predominantemente, de maior altitude; a sede paroquial evangélica já se encontra a cerca de 700 metros acima do nível do mar. A sede de Califórnia está, aproximadamente, a 600 metros, e seus povoados a uma altitude de 500 a 800 metros. A sede de Santa Leopoldina situa-se pouco acima de 500 metros, e a de Campinho, a 450; a altitude dos povoados oscila, em regra, entre 300 e 500 metros. Santa Joana e as comunidades filiais de Guandu, Criciúma, São João de Petrópolis e Vinte e Cinco se encontram, apenas, numa altitude de 100 a 400 metros, portanto, em terra baixa.</p>
<p>No que diz respeito à configuração do terreno, dificilmente se distinguirão, umas das outras, as áreas das comunidades da terra alta. São formadas de elevadas montanhas, muitas vezes alcantiladas e íngremes, e de vales mais ou menos estreitos. A orografia é provavelmente menos propícia a Santa Leopoldina, onde a exploração agrícola só dispõe, em geral de apertados desfiladeiros. Os vales por onde se estendem as povoações da planície, ao contrário, são bastante amplos e as encostas das montanhas decaem menos abruptas.</p>
<p>Também a qualidade do solo é péssima em Santa Leopoldina e ótima na terra baixa; segundo se afirma, o vale do Guandu, principalmente, é muito fecundo. Mas, sobre essa matéria, faltam dados pormenorizados e exatos.</p>
<p>Com relação a transportes, as velhas colônias estão melhor servidas. Campinho, cuja sede paroquial evangélica dista cerca de 30 quilômetros da costa, alcança-se de Vitória, pela via férrea que lhe toca a periferia. O rápido gasta, até a estação de Germânia, 1 hora e 45 minutos; o trem ordinário de passageiros, 2 horas.</p>
<p>Liga Santa Leopoldina a Vitória, o rio Santa Maria, navegável até Porto do Cachoeiro. A viagem rio abaixo dura 12 horas. Para a condução de pessoas dispõe-se aqui, ainda, de estrada de ferro que, embora não atinja Porto do Cachoeiro, corta o Santa Maria abaixo dessa cidadezinha. Todo o percurso, a cavalo e a trem, dura 5 horas.</p>
<p>A via férrea só penetrou, a mais, na zona à margem do Guandu inferior: todas as outras partes do território das colônias alcançam-se, apenas, a cavalo.</p>
<p></p>
<h4>
9.&nbsp;Lugarejos e sítios&nbsp;</h4>
<p>
No Espírito Santo, a maioria dos alemães vive dispersa em sítios, ou seja, em colônias-família; somente algumas centenas se concentram em localidades, de modo que, em todo o território, não se encontram mais de três delas.</p>
<p>Em Santa Leopoldina há a cidadezinha de Porto do Cachoeiro, que, embora já existisse antes da imigração teuta, só depois adquiriu alguma importância. Aí, provê-se de mercadorias a maioria dos colonos alemães e muitos italianos. A cidadezinha é a sede de uma câmara municipal e ostenta uma igreja católica (ainda não tem uma protestante). A população pode ser estimada em 1.200 almas estando os alemães em minoria. Mas eles desempenham o papel dominante: o comércio e a indústria estão em suas mãos; quase todos são negociantes e artífices. Alguns deles conseguiram, no comércio apreciáveis recursos.</p>
<p>Em Santa Isabel, território de colonização antiga, há duas localidades bem menores: Campinho e Santa Isabel.</p>
<p>Em virtude da situação geográfica e de ser a sede da paróquia luterana, lá se erguendo a igreja protestante, Campinho tornou-se o centro comercial da comunidade do mesmo nome. Passa-lhe, próximo, a estrada de ferro, isto é, a menos de uma hora a cavalo. Tem 100 a 120 moradores, e 20 moradias. Em 1913, além do pastor e de um professor de música, estavam lá domiciliados:</p>
<p>6 negociantes (vendeiros), dos quais um era, também, padeiro, e outro, simultaneamente, hoteleiro;<br />
6 artífices (dois seleiros, um sapateiro, um latoeiro, um marceneiro e pedreiro, um ourives);<br />
2 hoteleiros, dos quais um era, ao mesmo tempo, agricultor e o outro era um brasileiro casado com uma alemã;<br />
1 estafeta que exercia, ainda, as funções de cobrador de impostos;<br />
1 jornaleiro (brasileiro);<br />
1 agricultor, morando a alguns minutos da localidade.</p>
<p>Ao contrário de Campinho, onde os habitantes, com umas duas exceções, são protestantes, Santa Isabel tem uma população constituída apenas de católicos, ao todos 200 a 300 alemães e brasileiros. É a sede da câmara municipal, da paróquia, aí se alçando a igreja matriz. A distribuição profissional nesse lugarejo é semelhante à de Campinho. Como lá, não vivem aí alemães agricultores, e a maioria absoluta dos residentes são artífices e negociantes.</p>
<p>Não podemos classificá-las de aldeias, se adotarmos o conceito de Schmoller: aldeia é &#8220;a povoação constituída de certo número de agricultores, peixeiros, jornaleiros rurais, etc., que no seu seio, tem no máximo, alguns artífices e outros elementos (religiosos, professores e vendeiros)&#8221;.</p>
<p>Todos os imigrantes alemães que se dedicam a atividades agrícolas se esparzem em sítios, isto é, cada família mora isoladamente em meio a seus pastos e plantações. O vizinho mais próximo costuma morar a uma distância de um quarto de hora a cavalo, mais ou menos.</p>
<p>Segundo Meltzen, o sistema de aldeias, e não a colonização por unidades familiares, corresponde ao caráter étnico germânico. Essa concepção, entretanto, não se harmoniza com os fatos, no Espírito Santo, os quais parecem mais concordar com a idéia antiga de constituírem as quintas isoladas o agrupamento originário e por isso, sempre encontráveis onde não ocorram circunstâncias especiais, como a necessidade de facilitar a defesa contra o inimigo externo, estabelecendo moradias juntas umas das outras. A criação do gado e o nomadismo, quando constituem a base da economia, talvez provoquem uma estruturação social em aldeias, o que, aliás, não sucede entre os colonos.</p>
<p>A região montanhosa favorece, naturalmente, a colonização por famílias isoladas. Mas nos territórios das comunidades da planície, não há nenhuma localidade. A praça de Afonso Pena, um empreendimento artificial, não é propriamente uma povoação, uma vez que daí saíram diversas famílias teutas, remanescendo, apenas algumas. Mas nessa região encontram-se diversos lugarejos não alemães.</p>
<p>Menciono somente Patrimônio de São Francisco, com três vendeiros e seis agricultores, e Figueira, com 170 a 200 habitantes, na maioria italianos, sendo 10 a 12 vendeiros, 2 padeiros, 1 alfaiate, 1 ferreiro, 1 médico, 1 farmacêutico, e uma casa de beneficiar café.</p>
<p>
_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
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<div id="ACO1_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide mapas.</div>
<div id="ACO1_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Pelo pastor Fischer, que gentilmente pôs seu material à minha disposição, Lia-se, três vezes ao dia (6 a. m., 2 p. m. e 6 p. m.), um termômetro à sombra; os números apresentados são a média aritmética, os valores máximos e mínimos, verificados em cada mês através dessa observação cotidiana.</div>
<div id="ACO1_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Não houve completa medição pluviométrica.</div>
<div id="ACO1_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Segundo os apontamentos do pastor Schüler (relativos a 1905?).</div>
<div id="ACO1_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 8.</div>
<div id="ACO1_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;As informações a esse respeito me foram fornecidas pelo pastor Zylmann, que viveu 7 anos em Santa Joana.</div>
<div id="ACO1_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 7.</div>
<div id="ACO1_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Urban, pág. 13.</div>
<div id="ACO1_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Urban, pág. 4.</div>
<div id="ACO1_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Handelmann, pág. 443 Tschudi, pág. 6.</div>
<div id="ACO1_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide págs. 5 e seguintes, evidentemente de acordo com as descrições dos antigos colonos.</div>
<div id="ACO1_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Marques, pág. 209; 200 vezes 600 braças.</div>
<div id="ACO1_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 9.</div>
<div id="ACO1_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, págs. 9, 10.</div>
<div id="ACO1_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp;Relatório de 1863 do presidente Costa Pereira Jr., pág. 33.</div>
<div id="ACO1_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 7 a 9.</div>
<div id="ACO1_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;Pág. 14.</div>
<div id="ACO1_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 11.</div>
<div id="ACO1_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp;Marques, pág. 209.</div>
<div id="ACO1_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&nbsp;Wappäus, pág. 1.721.</div>
<div id="ACO1_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, págs. 61 e seguintes; Marques, pág. 37. Faltam-me pormenores sobre a situação atual dos colonos à margem do rio Novo; permaneceram protestantes, mas não falam mais alemão, tendo-se agregado a uma comunidade evangélica brasileira.</div>
<div id="ACO1_RP22">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP22V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a>&nbsp;Pág. 22.</div>
<div id="ACO1_RP23">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP23V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a>&nbsp;Pág. 26, 7.</div>
<div id="ACO1_RP24">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP24V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a>&nbsp;Pág. 27, 8.</div>
<div id="ACO1_RP25">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP25V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a>&nbsp;Pág. 35, 6.</div>
<div id="ACO1_RP26">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP26V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a>&nbsp;Marques, pág. 211.</div>
<div id="ACO1_RP27">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP27V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a>&nbsp;Wappäus, pág. 1.719.</div>
<div id="ACO1_RP28">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP28V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a>&nbsp;Pág. 38.</div>
<div id="ACO1_RP29">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP29V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a>&nbsp;Infelizmente, não pudemos lançar mão dos números exatos.</div>
<div id="ACO1_RP30">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP30V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a>&nbsp;Relatório da Diretoria Central de Terras, pág. 8.</div>
<div id="ACO1_RP31">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP31V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a>&nbsp;Monteiro, pág. 163.</div>
<div id="ACO1_RP32">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP32V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a>&nbsp;Urban, pág. 13.</div>
<div id="ACO1_RP33">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP33V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 33 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 13.</div>
<div id="ACO1_RP34">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP34V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 34 ]</b></sup></a>&nbsp;Tschudi, pág. 85.</div>
<div id="ACO1_RP35">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP35V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 35 ]</b></sup></a>&nbsp;.Nota do tradutor: — Traduzimos por &#8220;Obra Missionária Luterana&#8221; a expressão &#8220;Lutherigcher Gotteskasten&#8221;, que designa uma sociedade destinada a assistir comunidades luteranas dispersas em meio a populações de outras seitas. Essa sociedade, aliás, tornou, depois de 1933, o nome de &#8220;Martin Luther Bund&#8221;.</div>
<div id="ACO1_RP36">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP36V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 36 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide mapas no Apêndice.</div>
<div id="ACO1_RP37">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/#ACO1_RP37V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 37 ]</b></sup></a>&nbsp;As marcas teutas tinham 100 a 700 km2. Schmoller, Grundriss, I, pág. 261.</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
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			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Terceira parte: O modo de vida (IX)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo IX — Educação e caráter 1. Generalidades Ao tráfico pouco desenvolvido na região espírito-santense, onde se radicavam os povoadores teutos, corresponde o isolamento espiritual em que eles vivem. Os seus afãs, seu pensar e sentir constituem um minúsculo mundo fechado, em que qualquer progresso é demasiadamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-0nmbH0c3mSE/Vp_yvvCwbTI/AAAAAAAAAao/Az1nl4vJwn8/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-7.jpg" class="wp-image-5979" title="Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
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<p></p>
<h3>
Capítulo IX — Educação e caráter</h3>
<p></p>
<h4>
1. Generalidades</h4>
<p>
Ao tráfico pouco desenvolvido na região espírito-santense, onde se radicavam os povoadores teutos, corresponde o isolamento espiritual em que eles vivem. Os seus afãs, seu pensar e sentir constituem um minúsculo mundo fechado, em que qualquer progresso é demasiadamente vagaroso e em que se registam retrocessos.</p>
<p>O equipamento intelectual, isto é, o do jornaleiro alemão daquela época, trazido pelos imigrantes vindos da Europa, permaneceu o mesmo, tendo, sob vários aspectos, criado ferrugem. O que os alemães tomaram emprestado ao novo meio, limita-se a cousas da vida exterior, pois a maioria ainda não aprendeu a língua portuguesa, excetuadas certas designações desse idioma, aceitas como estrangeirismos. A ligação espiritual com a pátria de origem só foi mantida na medida em que se impunha conservar vivas, velhas recordações.</p>
<p>Tão débeis como as relações espirituais externas que essa população estabelece, são as internas. O sistema de economia fechada em que vive, significa tanto isolamento econômico quanto espiritual, agravado pelo estilo de povoamento, em sítios.</p>
<p>Assim, a igreja se torna a única portadora da cultura espiritual.</p>
<p></p>
<h4>
2. A igreja</h4>
<p>
Já expusemos como se formaram e se desenvolveram, exteriormente, as comunidades católicas e protestantes na região povoada pelos <span id="AC8_RP1V">alemães.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP1" title="Vide Cap. II, 7."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> Agora trataremos de suas condições internas. Ocupar-nos-emos, principalmente, das comunidades protestantes.</p>
<p>Verificamos ser extraordinariamente rígida a organização dessas comunidades. Os que gostam de apreciar as coisas historicamente, estarão, talvez, inclinados a considerá-la comparável ao Estado Jesuíta. Entre os colonos, toda a vida do espírito é dominada pela igreja. Esta, lá, tem mais influência que no meio rural da Alemanha. As mais afastadas das comunidades camponesas da Alemanha estão sujeitas aos mais variados influxos provenientes da vida política e social multiforme de hoje. Nesse país, entre muitos outros fatores, atuam sobre os que trabalham no campo, o jornal diário, o serviço militar, as viagens à cidade, a feira anual, cousas cujo nome os colonos do Espírito Santo dificilmente saberiam.</p>
<p>Estes não se subordinam servilmente à igreja nem a seus representantes As comunidades que formam são livres; nelas, cada chefe de família tem voz e voto, e escolhe entre os companheiros, os mordomos da igreja. Segundo o estatuto da comunidade de Santa Leopoldina, por exemplo, é elegível qualquer membro, que seja íntegro, tenha 30 anos de idade completos, saiba ler e escrever.</p>
<p>À frente da comunidade e dependendo de suas resoluções, está um ministro (enviado da Alemanha). Exerce sobre ela influência decisiva. É compreensível que diversos pastores cheguem a dispor de poder autocrático; o pároco não é, apenas, o pastor de almas e o predicante, mas, também, o professor, o médico e uma espécie de prefeito; enfim, é a única pessoa que possui instrução superior na comunidade.</p>
<p>Por isso, recai sobre ele uma pesada carga de trabalho. Quantas vezes é chamado (para citar um dos seus múltiplos deveres) à cabeceira de um doente grave ou a um enterro, sendo obrigado a percorrer enormes distâncias, a cavalo, através da noite e da tempestade, pelos caminhos mais difíceis. Mesmo o que rejeita o ideal (a doutrina cristã desses homens que, abnegadamente, exercem o seu difícil mister em meio a grandes privações, na floresta tropical, durante muitos anos; os sacerdotes católicos, a vida inteira), achará, sem dúvida, que eles desempenham uma missão cultural valiosa.</p>
<p>Um ou outro ministro já teve de enfrentar duras lutas dentro da comunidade. O vendeiro ou outro membro influente organiza a oposição, e a autoridade do pastor se expõe a grave perigo. Sustenta-se, francamente, o ponto de vista de que a comunidade paga o pastor e, por isso, pode exigir dele, como &#8220;criado&#8221; que é, qualquer prestação de serviço. Ocorrem, assim, reuniões tumultuosas, com cenas violentas. Mas, são episódios raríssimos na vida tranqüila das matas. Todavia, o pastor evangélico tem de contar com uma pequena oposição secreta.</p>
<p>Mais sérias que as pequenas disputas internas são as lutas que se travam entre as comunidades. Infelizmente, surgiu impetuoso antagonismo entre as comunidades unidas, ligadas ao Consistório Evangélico, e as comunidades de observância estritamente luterana, e está se verificando a verdade do velho axioma de que a luta, no começo, desperta as forças, mas, no fim, é absolutamente infrutífera, prejudica e destrói. Essa divergência entre os protestantes é mais lamentável ainda, porque, nessa região, como já vimos, a igreja é, por ora, a única portadora da cultura.</p>
<p>A unidade das comunidades católicas, tanto externa como internamente, está melhor assegurada. A Igreja Católica atua, de certo modo, no sentido de misturar o elemento alemão e o nativo.</p>
<p>Reina, atualmente, a ventura de serem irrepreensíveis as relações entre católicos e protestantes, as quais muito deixavam a desejar no inicio da colonização; é pena que essa melhoria não se tenha introduzido noutras áreas povoadas por alemães na América do Sul. Quase não há contato entre os fiéis de ambas as religiões. Raríssimos são os casamentos entre católicos e protestantes.</p>
<p></p>
<h4>
3. A escola</h4>
<p>
Os imigrantes alemães, assim como os filhos mais velhos, possuíam instrução primária, adquirida na Alemanha, No começo da colonização, os mais jovens não tiveram oportunidades regulares de aprender a ler, escrever e contar. O ensino caseiro ministrado, por vezes, pelas mães e irmãos mais velhos, não preenchia a absoluta falta de escolas. Assim, quase toda a segunda geração de colonos cresceu sem receber instrução. Realizando um esforço admirável, uma porção deles, depois de adultos, aprendeu a deletrear mas a maioria permaneceu analfabeta.</p>
<p>Apesar disso, todos tiveram a idéia de construir escolas. Por impulso próprio, os descendentes de pobres jornaleiros pomeranos, fizeram grandes sacrifícios, a fim de proporcionar aos filhos, as noções elementares que não puderam ter. Em Santa Joana, comunidade nova, a contribuição anual, por menino, para a escola, é de 16 mil réis, mais de 20 marcos; em Campinho, 10 mil réis, e em Santa Leopoldina, 6 a 12. Soube, em Campinho, de um colono que contratou por 200 mil réis por ano, um professor a domicílio. Os saxônios e os suíços foram os que mais fizeram pela educação.</p>
<p>Ainda hoje, o ensino de que a juventude desfruta se restringe ao mais elementar.</p>
<p>O aprendizado dura pouco. Freqüenta-se a escola, durante 2 anos, três vezes semanalmente, ou no espaço de três anos, 2 vezes por semana. O dia escolar tem 4 a 5 horas.</p>
<p>O pároco ensina parte dos meninos; a maioria, porém, em virtude da distância, não pode ir à escola paroquial, e cursa uma das várias &#8220;escolas de colônias&#8221;, existentes em cada comunidade.</p>
<p>Nelas, lecionam professores que lembram os mestres-escolas de aldeia medieval. Quem ensina, ordinariamente, é um colono, que objetiva um ganho adicional, ou, o que provavelmente é raro, se interessa acentuadamente por essa atividade. Encontram-se colonos malogrados, dedicando-se à função de professor. Entre os &#8220;mestres de colônia&#8221;, acham-se, ocasionalmente, pessoas que naufragaram algures e procuram refúgio na floresta. Quase todos estão em desavença com a ortografia e a gramática, e a tal ponto que, muitas vezes, ignoram que um vocábulo se compõe de determinadas sílabas e, por isso, juntam-nas erradamente. Constitui, por certo, uma exceção, a carta abaixo, que um &#8220;mestre de colônia&#8221; dirigiu ao pároco:</p>
<p>An den Hern Pafdor&#8230;<br />
den 6 dedzemer 1909<br />
ich Habe er Halten den Brif. Von ir das Freut mir das es So gut File Grüse<br />
Von Mir Dabe G<br />
&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;H &#8230;&#8230;&#8230;. S &#8230;..<span id="AC8_RP2V">&#8230;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP2" title="É difícil imaginar uma carta com tantos erros em tão poucas linhas: a pontuação está errada; nenhum substantivo está escrito certo; o número de palavras erradas supera o das palavras ortograficamente certas. [Nota do tradutor]"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a></p>
<p>Em face disso, estamos habilitados a formular uma idéia dos resultados pedagógicos das escolas de colônia. Também as escolas paroquiais dificilmente ultrapassam as noções mais elementares, em virtude de o aprendizado ser breve. Naturalmente, falta muito ainda para que as suas atividades atinjam o nível das escolas de aldeia da Alemanha.</p>
<p>Ao fim do curso, antes da confirmação, portanto, todos os meninos são capazes de ler; a maioria, de copiar razoavelmente certo; muitos, até de descrever cousas simples. Mas, para decifrar essas produções, é necessário certo poder de adivinhação.</p>
<p>Os meninos aprendem a somar e diminuir, de 1 a 1.000, encontrando bastantes dificuldades de operar com números compostos de 3 algarismos. Praticamente não aprendem a lidar com frações. Não adquirem segurança nenhuma em multiplicar e dividir. A maioria lê as horas.</p>
<p>Os conhecimentos geográficos e históricos de que dispõem são quase nulos: Era-lhes difícil responder, com acerto, onde fica a Alemanha e como se vai para lá. Uns diziam: no lombo do burro; outros, por estrada de ferro; outros ainda, de navio. Somente alguns alunos sabem o nome do imperador alemão e o do presidente do Brasil.</p>
<p>Ensina-se, principalmente, religião. A instrução distende-se muito, relativamente, nesse <span id="AC8_RP3V">setor.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP3" title="Segundo o plano didático organizado por um predecessor do atual pastor de Jequitibá, deveriam ser aprendidos durante o ano: 48 versículos, 48 orações e 24 provérbios."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></p>
<p>Seguem abaixo vários dos melhores trabalhos, feitos numa escola paroquial (a meu pedido), no espaço de uma hora, sobre o tema: &#8220;Corno se planta o café&#8221;, familiar aos garotos. Não se lhes deu nenhuma indicação circunstanciada. A descrição devia ser precedida do nome, idade, número de irmãos e residência.</p>
<p>Parece-me que esses trabalhos ilustram, excelentemente, os resultados do ensino. Apenas deve ficar claro que estão acima do nível que lá <span id="AC8_RP4V">vigora.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP4" title="Nota do tradutor: — A idade dos alunos oscila entre 12 e 15 anos; o nível de redação deles é comparável ao que seria alcançado em português por meninos brasileiros da mesma idade, que cursassem, aplicadamente dois anos primários."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> É interessante verificar como a maneira de escrever dos garotos se diferencia da das meninas. No mesmo espaço de tempo, as moças, de modo geral, escreveram mais (aliás, os trabalhos piores que não estão reproduzidos aqui são, em regra, os mais longos) que os rapazes, mas as asserções destes são mais conseqüentes e mais exatas e contêm, às vezes, juízos apreciativos: &#8220;Wenn man den Kaffee draussen liegen lässt, das is Sünde&#8221; (É pecado deixar o café exposto ao tempo).</p>
<p>Em Vinte e Cinco de Julho, comunidade filial, o ensino está em melhores condições. Os suíços e saxônios de lá têm gasto mais com a educação dos filhos que os pomeranos. É significativo que, antes de se organizarem religiosamente, tenham fundado uma sociedade escolar.</p>
<p>Compreende-se que o ensino tenha alcançado o maior desenvolvimento na cidadezinha de Porto do Cachoeiro. Aí, a escola alemã só conta com um professor, mas, com suas aulas diárias, presta um serviço semelhante ao das escolas públicas na Alemanha.</p>
<p>Há, ainda, as escolas paroquiais católicas, onde os meninos brasileiros e alemães recebem instrução, em comum, em português e alemão.</p>
<p>Até agora, o governo brasileiro não cuidou da instrução dos colonos. O que estes, porém, têm feito, por iniciativa própria, e continuarão fazendo, constitui o penhor de que, em breve, o analfabetismo desaparecerá do meio deles. Os párocos só admitem à confirmação, os meninos que já tenham freqüentado a escola, e, desse modo, tornam o ensino praticamente obrigatório.</p>
<p>O número de assinantes das folhas dominicais religiosas nos permite formular uma idéia de quantos colonos, atualmente, são analfabetos. Em 1912, em Jequitibá, eram assinantes 95 famílias, isto é, mais de 20% dos membros da comunidade; em Santa Leopoldina, 30 famílias, também 20%; em Santa Joana, 70 famílias, ou seja mais de 25%; e em 1911, em Santa Maria, 82, quase 25% dos membros da comunidade. A grosso modo, um quarto ou um quinto dos colonos assinam uma folha dominical que, acrescente-se, é realmente lida. Uma vez que é raro os adultos lerem qualquer outra cousa impressa, deduziremos que bem mais da metade deles não se dedica a nenhuma leitura. Não se pretende dizer que não sejam de modo nenhum capazes de ler e escrever. Muitos sabem pelo menos, o bastante para ler, quase adivinhando, os versículos e textos bíblicos, que, em parte, decoraram.</p>
<p></p>
<h4>
4. O linguajar dos colonos</h4>
<p>
Os colonos alemães, pelo menos os protestantes, embora vivam na nova pátria, há três gerações, não aprenderam o linguajar do país — um português misturado com muitos brasiliarismos. Hoje, entre os católicos, já existem muitos capazes de se entenderem em português, pois os vigários teutos, que pastoreiam também a população nativa, fazem a prédica, primeiro, em português, e, depois, em alemão.</p>
<p>Os numerosos colonos que descendem de imigrantes da Pomerânia Ulterior, mantiveram seu velho dialeto. Muitos dentre eles quase não sabem falar o alto alemão. Os saxônios e os suíços conservaram os respectivos dialetos; todavia, são capazes de se exprimir, inteligivelmente, no alto alemão. Os colonos holandeses aprenderam um pouco de alemão.</p>
<p>A linguagem da terra, os alemães tomaram emprestado muitas expressões na maioria técnicas, adaptando-as a seu jeito. É possível mesmo que, em muitos casos, já tenham esquecido de que se trata de estrangeirismos. Sem a menor pretensão de oferecer uma enumeração completa desses vocábulos, tentaremos apresentá-los, a seguir.</p>
<p>Comecemos pelos termos de caráter geral e expressões coloquiais: freqüentemente, o colono diz, por exemplo, &#8220;sim&#8221; em lugar de já, &#8220;não&#8221; em vez de nein, &#8220;te loge&#8221; (até logo) em lugar de auf baldiges Wiedersehen, &#8220;muito&#8221; por viel (es gibt muito Kaffee) &#8220;kriminose&#8221; (criminoso) em lugar de verbrecherisch.</p>
<p>Relacionemos, abaixo, grupando-os, outros elementos do vocabulário adquirido pelos colonos:</p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="7" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Português</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Linguajar dos colonos</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Alemão</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">1. <i>Pessoas e profissões</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Arrieiro (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Ariehro</td>
<td align="left" valign="middle">Führer der Maultiertruppe</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Caboclo (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kabockel</td>
<td align="left" valign="middle">Einheimischer, Farbiger, Lusobrasilianer</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Camarada (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kamerad</td>
<td align="left" valign="middle">Führer, Begleiter, Diener</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Capanga (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kapanga</td>
<td align="left" valign="middle">Gedungener Morder, Bandit, Raufbold</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Capixaba (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kapischaba</td>
<td align="left" valign="middle">Spítzname fur den Espírito Santenser</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Caixeiro (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kaschero</td>
<td align="left" valign="middle">Kassierer, Ladengehilfe, Kontorist</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fazendeiro (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Fazendehro</td>
<td align="left" valign="middle">Grossgrundbesitzer</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Freguês (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Fregese</td>
<td align="left" valign="middle">Kunde</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Mineiro (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Minehro</td>
<td align="left" valign="middle">Ein aus Minas Gerais Stammender, insbes. Wanderhändler</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Tropeiro (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Tropehro</td>
<td align="left" valign="middle">Maultier, Eseltreiber</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Vendeiro (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Vendist</td>
<td align="left" valign="middle">Krämer</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">2. <i>Medidas</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Arroba (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Arrobe</td>
<td align="left" valign="middle">Enthält 32 Arrateis zu 459 Gramm, also 14,7 rund 15 kg</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Braça (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Brasse</td>
<td align="left" valign="middle">Klatter-2,2 m</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Quadra (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Quader</td>
<td align="left" valign="middle">100 x 100 Quadratklarter-4,84 ha</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Mil réis (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Milreis</td>
<td align="left" valign="middle">Die brasilianische Geldenheit. Im Jahre 1913 noch 16 pence, d.h. etwa 1 1/3 Mark</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Conto (de réis) (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Konto n</td>
<td align="left" valign="middle">1.000 Milreis</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">3. <i>Palavras relacionadas com o tráfego</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cancela (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Kanzelle</td>
<td align="left" valign="middle">Gatter</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cabresto (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kapreste</td>
<td align="left" valign="middle">Halfter</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cangalhas (f pl)</td>
<td align="left" valign="middle">Kangalje</td>
<td align="left" valign="middle">Tragkörbe, Tragsattel</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Lote (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Lott</td>
<td align="left" valign="middle">Haufen, Trupp, in der Regel: Trupp von zehn Maultieren</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Mula (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Muhle</td>
<td align="left" valign="middle">Maultier</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Rancho (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Ransche</td>
<td align="left" valign="middle">Schutzdach am Wege fur Maultiertrupps</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Tropa (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Troppe ou Truppe</td>
<td align="left" valign="middle">Maultierzug, Maultierkarawane</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Venda (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Vende</td>
<td align="left" valign="middle">Kramladen auf der Kolonie</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">4. <i>Palavras relacionadas com o trabalho agrícola</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ajuntamento (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Juntament* n</td>
<td align="left" valign="middle">Bittarbeit</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Capoeira (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Kapoehra</td>
<td align="left" valign="middle">Busch im Urbargemachten. Walde.</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Facão (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Fakong n</td>
<td align="left" valign="middle">Grosses Messer, Buschmesser</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Foice (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Fose</td>
<td align="left" valign="middle">Buschsenze, Faschinenmesser</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Foiçar</td>
<td align="left" valign="middle">Fosen</td>
<td align="left" valign="middle">Mit der Buschense niedermähen</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Monjolo (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Mascholle (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Stampfe</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Picada (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Pikade</td>
<td align="left" valign="middle">Schneise</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Roça (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Rosse</td>
<td align="left" valign="middle">Urbargemachter Wald, gerodetes Land</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">5. <i>Verduras e tubérculos</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Aipim (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Ehpi</td>
<td align="left" valign="middle">Manniok</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Batata (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Batate</td>
<td align="left" valign="middle">Süsse Kartöffel</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cará (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Kára (f)</td>
<td align="left" valign="middle"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Taiá, taioba (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Taja, Tajobe</td>
<td align="left" valign="middle">Sonstige Knollengewächse</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Inhame (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Jams</td>
<td align="left" valign="middle"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Chuchu (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Schuschú</td>
<td align="left" valign="middle">Eine Kürbisart</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">6. <i>Frutas</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Ameixa (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Amesche</td>
<td align="left" valign="middle">Brasilianische Pflaume</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Goiaba (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Goiabe</td>
<td align="left" valign="middle">Indianische Birne</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Laranja (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Larangje*</td>
<td align="left" valign="middle">Orange</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Limão (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Limong</td>
<td align="left" valign="middle">Zitrone</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Mamão (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Mamong</td>
<td align="left" valign="middle">Frucht des Rizinusbaums**</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Manga (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Manga</td>
<td align="left" valign="middle">Mangofrucht</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Tangerina (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Tanjarine***</td>
<td align="left" valign="middle">Mandarine</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">7. <i>Objetos de consumo e de comércio</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Cachaça (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Kaschass (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Zuckerbranntwein</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Carne seca (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Karnesséck (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Dörrfleisch</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Farinha (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Farin</td>
<td align="left" valign="middle">Mehl, insbesondere Manniokmehl</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fazenda (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Fasenda</td>
<td align="left" valign="middle">Stoffe, Manufakturwaren (zuweilen auch im Sinne von Landgut</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Fumo (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Fuhm</td>
<td align="left" valign="middle">Tabak</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Matabicho (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Matabisch</td>
<td align="left" valign="middle">Schnaps</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Milho (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Miljo</td>
<td align="left" valign="middle">Mais</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Rapadura (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Rapadur</td>
<td align="left" valign="middle">Brauner Rohzucker in Ziegelform</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Rosca (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Roske</td>
<td align="left" valign="middle">Ringelzwieback, Kringel</td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">8. <i>Madeiras</i></td>
</tr>
<tr>
<td colspan="3">Muitas designações da nomenclatura brasileira, nesse domínio, são conhecidas pelos colonos. Mencionaremos apenas: garaúna, ipê, jacarandá, jequitibá, peroba e cipó (representação fonética alemã da pronúncia dos colonos: zipo; significação, em alemão: (<i>Liane, Schlingpflanze</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3">9. <i>Animais</i></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Anta (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Ante</td>
<td align="left" valign="middle">Amerikanischer Tapir (Beliebt. Schimpfwort)</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Bicho (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Bisch</td>
<td align="left" valign="middle">Insekt, Wurm, insbesondere Sandfloh</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Carrapato (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Karabatte (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Zecke</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Coati (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Koati</td>
<td align="left" valign="middle">Waldhund</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Onça (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Onze</td>
<td align="left" valign="middle">Brasilianische Jaguar</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Paca (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Pack (m)</td>
<td align="left" valign="middle">Brasilianische gefleckts Halbkaninchen (vorzugl. Wildpret)</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Surucucu (f)</td>
<td align="left" valign="middle">Surukukuh</td>
<td align="left" valign="middle">Brasilianische Klapperschlange</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p><span style="font-size: 80%;">* Pronuncia-se o J como em francês.</span><br />
<span style="font-size: 80%;">** Nota do tradutor — Parece que o autor, aí, confundiu mamão e mamona, mamoeiro e mamoneiro. Aliás, notamos o mesmo engano no Novo dicionário da língua portuguesa e alemã, de H. Michaelis. Achamos, por isso, provável que o autor tenha sido induzido a erro por algum léxico.</span><br />
<span style="font-size: 80%;">*** Nota do tradutor — Vide nota na seção 3 do cap. oitavo.</span></p>
<p>Umas 100 palavras, provavelmente, foram introduzidas no alemão dos colonos; o número delas, na região baixa, é um pouco maior que na parte alta. Em regra, os colonos só tomaram de empréstimo as designações de objetos que não conheciam anteriormente.</p>
<p>Consequentemente, chamam o prato nacional brasileiro de Bohnen und Farin e não Feijão und Farinha, como, aliás, seria natural. Em lugar de Mais dizem <span id="AC8_RP5V">Miljo,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP5" title="Nota do tradutor: — Quer nos parecer que é desnecessário acentuar que os vocábulos brasileiros, incorporados ao linguajar dos colonos o aqui apresentados, estejam grifados de acordo com a ortografia e a fonética alemão excetuando-se, apenas, o acento agudo, às vezes utilizado pelo autor. Seria conveniente a representação dessas palavras, com símbolos de fonética internacional, mas a perspectiva das dificuldades tipográficas é desanimadora."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> referindo-se ao milho que só vieram a conhecer no Brasil, pelo menos, como prato ou como alimento substancioso para os animais de grande porte. Adotaram Fakong e <span id="AC8_RP6V">Fose</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP6" title="Idem."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> para significar, respectivamente, Buschmesser e Buschsense, mas utilizam as palavras, de bom alemão, Hacke e <span id="AC8_RP7V">Axt.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP7" title="Nota do tradutor: — Hacke — enxada, picareta; Axt — machado."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> Todavia, dizem <span id="AC8_RP8V">Fregese</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP8" title="Idem."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> em lugar de Kunde, <span id="AC8_RP9V">Fuhm</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP9" title="Idem."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> em lugar de Tabak, Matabisch em vez de Schnaps, Fazenda em lugar de Zeug.</p>
<p>Pondo-se à margem essas exceções, confirma-se a regra que, utilizada como método inventiva, tantos serviços tem prestado à pesquisa pré-histórica: com o objeto que um povo recebe de gente estrangeira, toma, também, a palavra estrangeira.</p>
<p>A circunstância de que praticamente todas as palavras do linguajar brasileiro, adotadas pelos colonos, se refiram à vida material, prova que a influência espiritual exercida pelo novo meio permanece igual a zero. Eles só têm contato com a gente da terra, esporadicamente; quase todos os comerciantes da região que povoam, são alemães. É muito difícil que viajem até a capital, Vitória; quando muito, vão a Porto do Cachoeiro, onde a maioria é alemã. É raro entrarem em contato com as autoridades; quando tal sucede, é o mesmo superficial, pois não existe serviço militar obrigatório para todos, ou algo semelhante. Quando há oportunidade para uma aproximação estreita, é pouco provável que esta seja aprazível, conforme nos mostra o processo de inventário (processo orfanológico), que representa uma verdadeira praga para os alemães no Espírito Santo.</p>
<p></p>
<h4>
5. O inventário</h4>
<p>
Segundo a lei brasileira, com a morte do de cujus, o espólio deve ser inventariado em juízo, antes de ser partilhado entre os herdeiros. Há uma comissão que se incumbe do inventário, remunerada mediante custas. Estas em si mesmas embora não sejam graduadas satisfatoriamente segundo o valor do espólio, não são excessivas para um sitiante. Infelizmente, porém, se adicionam, muitas vezes, grandes honorários para um advogado e para um intérprete, que tem de ser, freqüentemente, designado; e o pior, ainda, são os abusos de poder praticados.</p>
<p>Soube que mais da metade do valor total de uma &#8220;colônia&#8221; foi para os bolsos dos senhores &#8220;magistrados&#8221;. Não vamos nos ocupar com a exposição deste ovado; limitar-nos-emos a transcrever o relato magnífico e expressivo da feitura do inventário, que lemos no romance Canaã, de Graça Aranha. Nessa descrição, transparece o juízo que, freqüentemente, se faz dos alemães, na América do Sul e no estrangeiro em geral. Passamos a reproduzir essa narrativa, tendo de fazer, aqui infelizmente, cortes <span id="AC8_RP10V">substanciais:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP10" title="Nota do tradutor: Limitamo-nos a transcrever as partes do capítulo VI de Canaã, que o autor verteu para a alemão. A versão é absolutamente fiel ao original, excluídas algumas exceções, destituídas de qualquer importância, rio caso. Além disso, o texto de que dispusemos para o trabalho de confronto foi a oitava edição revista de Canaã, de 1989, o que talvez explique essas exceções."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a></p>
<p>&#8220;Uma manhã, o dono da casa ia partir para o cafezal próximo da habitação, quando um mulato, montado numa besta, se aproximou dele vagarosamente.</p>
<p>— Você se chama Franz Kraus? perguntou o mulato de cima da montaria, desdobrando uma folha de papel, que tirara do bolso.</p>
<p>O colono disse que sim.</p>
<p>— Pois, então, tome conhecimento disto. E desdenhoso entregou o papel ao outro.</p>
<p>Kraus olhou o escrito, e como, apesar de estar no Brasil havia 30 anos, não sabia ler o português, ficou embaraçado.</p>
<p>— Não posso ler&#8230; Que é ?</p>
<p>— Também vocês vivem aqui na terra a vida inteira e estão sempre na mesma, bradou o mulato. Venho por aqui furando este mundo, e de casa em casa sempre a mesma coisa: ninguém sabe a nossa língua&#8230; que raça!</p>
<p>O colono ficou aturdido com aquele tom insolente. Ia replicar meio encolerizado, quando o mulato continuou:</p>
<p>— Pois fique sabendo que isto é um mandato da Justiça. É um mandato do senhor juiz municipal para que vosmecê dê a inventário os bens de seu pai Augusto Kraus. Não era assim o nome dele? A audiência é amanhã, aqui, ao meio dia&#8230; A justiça pernoita em sua casa. Prepare do que comer&#8230; e do melhor. E os quartos&#8230; São três juizes, o escrivão e eu, que sou oficial do juízo, que também se conta.</p>
<p>O colono, ouvindo falar em Justiça, tirou o chapéu submisso, e ficou como fulminado.</p>
<p>— Ah! Prepare tudo para se arrolar. Não esconda nada, senão cadeia. Não lhe deixo contrafé, porque de nada lhe serve &#8230; Era só o que faltava&#8230; mais essa maçada.</p>
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* * *</div>
<p>
Era mais de meio-dia quando a Justiça entrou senhorialmente na colônia. Os magistrados montavam excelentes bestas, que, segundo o costume, eram emprestadas pelos negociantes ricos de Cachoeiro. O colono correu a recebê-los, de chapéu na mão, solícito em ajudá-los a apearem-se das montarias. Um dos juízes largou-lhe o animal; os outros da comitiva amarraram os seus nas árvores e todos espanaram com o chicote a poeira das botas, batendo no chão ruidosamente com os pés.</p>
<p>— Estou morto! disse o juiz municipal, espreguiçando-se.</p>
<p>— Uma estafada! Quatro horas de viagem&#8230; Ainda o senhor veio por obrigação, mas nós dois, eu o colega, que nada temos com isto, e só pelo passeio! Enfim, sempre a gente se diverte&#8230; disse o juiz de direito, procurando fitar com o monóculo o promotor.</p>
<p>— Perdão, então não terei ocasião de funcionar? perguntou vivamente o promotor, adaptando a luneta azul aos olhos.</p>
<p>— Ah! é verdade, senhor curador de órfãos&#8230;</p>
<p>— Mas aqui não há disto&#8230; Todos, meu doutor, são maiores, atalhou com um riso de escárnio um mulato velho, cor de azeitona, recordando nas linhas e na expressão inquieta, a cara de gato maracajá, como era a sua alcunha. Era o escrivão.</p>
<p>— Mas, senhores, entremos&#8230; a casa é nossa em nome da lei, disse o juiz de direito, encaminhando-se para dentro.</p>
<p>— Mas onde está esse inventariante imbecil? perguntou com arrogância o promotor.</p>
<p>&amp;mdsh; O sandeu fica todo este tempo a arranjar os animais e nos deixa aqui ao deus dará, explicou o escrivão.</p>
<p>E todos passeavam pela sala com estrépito, batendo com o chicote nos móveis, ou praguejando, ou rindo das pobres estampas nas paredes, ou farejando para dentro, de onde vinha um capitoso cheiro de comida.</p>
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</div>
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* * *</div>
<p>
Ouvindo tanto rumor, Kraus correu à sala atarantado como se tivesse cometido o primeiro delito, e pôs-se como um criado à espera das ordens.</p>
<p>— Traga parati! ordenou o escrivão. Mas que seja do bom.</p>
<p>O colono sumiu-se, para logo voltar com uma garrafa e um cálix.</p>
<p>— Não há mais copos nesta casa ? perguntou com desprezo o escrivão.</p>
<p>O colono tornou ao interior e depois reapareceu, balbucionando desculpas, e pôs em cima da mesa quatro copos.</p>
<p>— Vamos a isto, meus senhores! propôs o promotor.</p>
<p>— Este sujeito não nos dá almoço? Olhe que já é tarde&#8230; Faça o favor de ver isto, senhor escrivão.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
O escrivão entrou pela habitação a dentro, procurando o colono.</p>
<p>Quando voltou, disse:</p>
<p>— Vamos almoçar, o homem tinha tudo preparado. O melhor é deixarmos essas nossas cerimônias, tomarmos conta da casa, porque se formos esperar que esta gente se mova, estamos convidados.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Comeram com apetite as comidas da colônia, beberam cerveja em quantidade. O dono da casa e o oficial de justiça serviam a refeição.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Depois do almoço, puseram-se a fumar descansados; e quando um grande torpor ia dominando a companhia, entendeu o escrivão espertá-la, dizendo ao juiz municipal:</p>
<p>— Senhor doutor, Vossa Senhoria não manda abrir a audiência?</p>
<p>O doutor Paulo Maciel espreguiçou-se bocejando, como se o convidassem à mais enfadonha das tarefas.</p>
<p>— Pois sim. Vamos lá, seu Pantoja.</p>
<p>O &#8220;Maracajá&#8221; pôs os óculos e armou-os na testa, enquanto arranjava a mesa para o serviço. O oficial de justiça apresentou-lhe um bauzinho, de onde ele tirou utensílios para escrever e um formulário, que abriu em página marcada. Procurou a melhor luz, sentou-se e principiou, debruçado sobre o papel de margem dobrada, a lançar os termos do processo. Paulo Maciel tomou um lugar à cabeceira da mesa, e com ar fatigado e distante começou a acompanhar o serviço do escrivão.</p>
<p>— Bem; está pronto o termo&#8230;</p>
<p>— Sim senhor, então abra a audiência, ordenou o juiz municipal ao meirinho. Este, de campainha em punho, foi até à porta e começou a badalar, passeando na frente da casa, clamando com voz fanhosa: — Audiência do senhor doutor juiz municipal. Audiência do senhor doutor juiz municipal&#8230;</p>
<p>Sob a força do sol de fogo, na grande calmaria do mundo, esses gritos estridentes, avolumando-se no silêncio total, aterravam os moradores da &#8220;colônia&#8221;.</p>
<p>Depois foi apregoado o dono da casa, que entrou na sala, confuso e medroso.</p>
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* * *</div>
<p>
Ordenaram que se aproximasse, e fizeram-lhe perguntas a que respondeu com voz apagada e trêmula. Quando declarou que o pai era morto havia quatro anos, o escrivão resmungou:</p>
<p>— Vejam só&#8230; Este herói aqui na posse dos bens, desfrutando-os como já fossem dele&#8230; sem dar contas à Justiça, nem à Fazenda Nacional.</p>
<p>Paulo Maciel, desinteressado, levantou-se e disse ao escrivão:</p>
<p>— Seu Pantoja, vá tomando as declarações.</p>
<p>E passou para o quarto, onde os colegas fumavam tranqüilos e preguiçosos, estirados na cama. Tirou o paletó e deitou-se com eles.</p>
<p>Na sala, Pantoja atormentava o colono com perguntas e de vez em quando se interrompia para ameaçá-lo.</p>
<p>— Se você me ocultar qualquer coisa aqui da casa ou das terras, ou do cafezal, tem de se haver com a Justiça&#8230; Vocês são finos, mas eu sou macaco velho&#8230; são as penas da sonegação&#8230; Penas terríveis!</p>
<p>Assim envolvia as suas ameaças nas dobras de termos técnicos, com que ainda mais amedrontava o alemão.</p>
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* * *</div>
<p>
Duas horas levou o escrivão a trabalhar no inventário.</p>
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* * *</div>
<p>
Deram algumas voltas, examinando cada minúcia do sitio; e quando estavam debaixo do laranjal carregado de frutos, notou Paulo Maciel:</p>
<p>— É admirável a ordem e o asseio desta colônia. Nada falta aqui, tudo prospera, tudo nos encanta&#8230; Que diferença em viajar nas terras cultivadas por brasileiros&#8230; só desleixo, abandono, e com a relaxação a tristeza e a miséria. E ainda se fala contra a imigração!</p>
<p>— Então, pela sua teoria, interrompeu o promotor, devemos entregar, tudo aos alemães?</p>
<p>— Apoiado&#8230; comentou o escrivão. É a conseqüência do que diz o Dr. Maciel.</p>
<p>— Sim, confirmou este, para mim era indiferente que o país fosse entregue aos estrangeiros que soubessem apreciá-lo mais do que nós. Não pensa assim, doutor Itapicuru?</p>
<p>O juiz de direito tomou um ar solene:</p>
<p>— Sim e não, como se diz na velha escolástica. Não há dúvida que falta ao brasileiro o espírito de análise. E quando digo brasileiro, refiro-me a todos nós. E que se pode fazer sem análise? É o destino, da Espanha: caiu em nome da filosofia. Não podia entrar em concorrência com um povo analítico&#8230;</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
No dia seguinte, às nove da manhã, o meirinho anunciava ao toque de campainha a audiência dos inventários dos vizinhos de Kraus.</p>
<p>Na sala a juiz municipal e o escrivão estavam no seu posto, à mesa; o promotor e o juiz de direito à janela conversavam, voltados para dentro; em pé, encostados à parede, duas mulheres e um homem, rodeados de crianças, seguiam atemorizados a cena, esperando ser chamados.</p>
<p>— Senhor doutor Brederodes, Vossa Senhoria tem de funcionar como curador de órfãos nos três inventários. Há uns desvalidos que precisam da proteção legal de Vossa Senhoria, disse o escrivão, motejando.</p>
<p>O promotor teve um rizinho de satisfação e veio sentar-se à mesa.</p>
<p>— Não é possível arranjar uma fatia para mim nesta festa? perguntou o doutor Itapicuru, num sorriso idiota.</p>
<p>— Vossa Senhoria sabe que é depois, no fim do negócio, que se precisa de sua bênção. Todos comerão do bolo&#8230;</p>
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* * *</div>
<p>
— Viúva Schultz! chamou Pantoja.</p>
<p>Depois de alguma hesitação, uma camponesa alta, ainda moça, se aproximou. Há quanto tempo seu marido é morto? perguntou o escrivão, iniciando o interrogatório diante da apatia do juiz municipal.</p>
<p>— Há dois anos.</p>
<p>— Sempre o mesmo&#8230; Ninguém cumpre a lei; aqui todos herdam sem a menor cerimônia&#8230; Isto vai acabar. Juro.</p>
<p>Em seguida, passou a tomar as primeiras declarações da viúva, que triste e subjugada por aquele aparato judiciário, ia respondendo docilmente a tudo, O juiz municipal e o promotor, despreocupados da audiência, levantaram-se e foram entretidos para a janela. A mulher, a cada passo, sofria descomposturas insolentes de Pantoja, e um imenso pejo a assaltava.</p>
<p>— Quantos pés de café tem a sua colônia?</p>
<p>— Quinhentos&#8230;</p>
<p>— Só? Não minta&#8230; senão temos conversa no Cachoeiro.</p>
<p>— Mas, senhor, pode ser que tenha mais ou menos, não contei um por um, meu defunto marido avaliava em quatrocentos,&#8230; eu plantei uns cem nestes dois anos.</p>
<p>— Bem, eu arredondo a cifra.</p>
<p>E calado, sem nada dizer à interessada, que, além de tudo, não sabia ler o português, escreveu:</p>
<p>— Mil e quinhentos pés de café.</p>
<p>Continuava Pantoja a lançar os termos do inventário, segundo o seu velho processo de tudo fazer ele mesmo, aumentando descaradamente o valor dos bens para acrescer os seus lucros. Depois de algum tempo, disse à colona:</p>
<p>— Agora pode ir. Daqui a duas semanas apareça no Cachoeiro, no meu cartório, para receber os seu papéis.</p>
<p>A mulher ia se retirando, radiante de alivio.</p>
<p>— Espera lá!&#8230; Que desembaraço! Ainda não lhe disse o principal, observou com acento escarninho o &#8220;Maracajá&#8221;.</p>
<p>Num papel escreveu várias parcelas, somou-as resmungando e disse consigo afinal: — Cento e oitenta mil réis.</p>
<p>— Está direito; olhe leve consigo o dinheiro das custas. Trezentos mil réis. Ouviu?</p>
<p>— Trezentos mil réis!&#8230; Trezentos mil réis!&#8230; Meu senhor!</p>
<p>— Não tem meu senhor nem nada; aqui não se faz esmola&#8230; e dê-se por muito feliz, porque não houve demanda. Se tivesse de meter um advogado, é que havia de ser bonito&#8230; Trezentos mil réis. Nada de conversa e bico calado. Se eu souber que vosmecê andou batendo a boca pelo mundo, tem de se haver comigo.</p>
<p>A colona lançou olhos de súplica para os dois magistrados, que continuavam indiferentes a sua palestra. Sem um apoio, esmagada, saiu cabisbaixa da sala de audiência. Pantoja chamou o colono, que esperava a sua vez de ser apregoado. E depois de repetir com ele a mesma cousa, passou a se ocupar da última intimada.</p>
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* * *</div>
<p>
E o inventário foi feito como os outros, com as mesmas extorsões e violências. No fim, quando o escrivão intimou a colona a que lhe desse duzentos mil réis, esta começou a chorar.</p>
<p>— Deixemos de cenas&#8230; Querem obrigar a Justiça a trabalhar de graça&#8230; Era só o que faltava.</p>
<p>— Mas não posso arranjar tanto dinheiro.</p>
<p>— Venda a casa.</p>
<p>— Sim, meu senhor, vou vender o que tenho para pagar as dívidas de meu marido, dívidas da moléstia e depois trabalhar para outras novas.</p>
<p>— Primeiro a Justiça&#8230; Se não quiser nos pagar, não venderá a casa sem o roçado; eu prendo os papéis, e agora vamos ver.</p>
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* * *</div>
<p>
Depois do almoço, os animais estavam selados para a partida.</p>
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* * *</div>
<p>
Ainda não tive a minha conversa aqui com o amigo.</p>
<p>E batendo no ombro de Franz Kraus, que o fitou espantado da intimidade, acrescentou num gesto de irônica cortesia:</p>
<p>— Muito obrigado pela hospedagem, camarada&#8230; mas ainda falta uma cousa.</p>
<p>— Que é ? interrogou inquieto o colono.</p>
<p>— As nossas custas, meu amigo. Você pode&#8230; E por isso dê-nos logo. Está me cheirando mal o fiado&#8230; vá buscar&#8230; Quatrocentos mil réis.</p>
<p>O homem vacilou, como para cair.</p>
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* * *</div>
<p>
Vá, amigo, não se espante. Olhe que o negócio podia ser pior&#8230; Advogados, demandas, penhoras&#8230;</p>
<p>Sob aquela pressão, o colono foi caminhando automaticamente para a casa.</p>
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* * *</div>
<p>
Depois de alguma demora, que os ia impacientando, apareceu o velho Kraus. Tinha os olhos vermelhos, as faces inchadas e rubras. Chorara.</p>
<p>Pantoja recebeu o dinheiro e contou. O colono olhava-o, mudo e abatido. Muito bem. Agora tudo está em ordem. Fiquemos bons amigos. Procure os papéis no cartório, no fim do mês. E montou. A cavalgada partiu.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Em pé, no meio do terreiro, de chapéu na mão, a cabeça ao sol, o colono via com os olhos desvairados a Justiça sumir-se na estrada&#8230; E quando ela desapareceu e tudo voltou ao sossego profundo, ficou ele longo tempo com a vista pregada na mesma direção&#8230; Subitamente, numa raiva imensa e cobarde, murmurou olhando medroso para os lados:</p>
<p>— Ladrões!</p>
<h4>
<br />6. A índole étnica, sua aclimatação</h4>
<p>
As cenas precedentes (Graça Aranha, com simpatia pelos colonos, as narrou, tanto quanto posso julgar, copiando, com sua arte, a realidade da vida) interessam, ainda, porque descrevem alguns traços de caráter fundamentais do camponês alemão, habitante das matas, cujo comportamento parece lerdo, servil e limitado em face da raça mais desembaraçada. Essa aparência contribuiu bastante para que o povo alemão não desfrute de muito grande apreço, mesmo nos círculos brasileiros mais idôneos, o que, aliás, sucede em toda a América do Sul. A sobrestimação da aparência pela população nativa, impede que esta aprecie o amor à ordem, à exatidão, o temperamento grave, o senso religioso do teuto, induzindo-a a olhar essas qualidades, com ódio e desconfiança, como se elas fossem um fardo inútil e desagradável, e a explorá-las, sempre que possível.</p>
<p>Admira que tenha sido tão reduzida a influência das novas condições e do meio estranho sobre o caráter desse punhado de colonos. Os pomeranos, assim como os alemães de outras procedências, que vieram para o Espírito Santo, geralmente conservaram seu antigo modo de ser.</p>
<p>Nem o sol dos trópicos, nem o ar das matas que se espraiam pela região acidentada, modificou, sensivelmente, o temperamento deles. É difícil de dizer se a atuação da luz mais intensa os tornou mais vivazes, ou se a suavidade e a regularidade da temperatura os fez mais apáticos. Ou haverá a eliminação recíproca de ambos os fatores?</p>
<p>Enquanto o álcool não estimula e não embriaga os espíritos, as festas decorrem comedidas e calmas. Dança-se muito e continuamente, mas os pares parece moverem-se com absoluta indiferença, ao som de melodias monótonas, que lembram a música dos negros, tocadas à harmônica. Embora o clima apresse o desenvolvimento sexual, embora, talvez, aguce a sensualidade, não atiçou as paixões. Os colonos parece terem se tornado mais sérios e mais tranqüilos.</p>
<p>Permaneceu a velha calma e a circunspecção dos pomeranos; também a escrupulosidade, a fidelidade ao dever, a lealdade e a honradez. A economia predominantemente fechada e a rigidez da organização das comunidades motivam que, praticamente, não haja, entre os colonos, crimes contra a propriedade. Na estrutura econômica reinante não há lugar para a prostituição.</p>
<p>Já são mais freqüentes delitos contra a pessoa, principalmente ofensas e pancadarias. São, ordinariamente, uma conseqüência do uso do álcool. Homicídios e atos análogos de violência são, em virtude da própria pequenez da população, muito raros. Nesse domínio, os colonos praticamente só contam com suas próprias forças, pois as &#8220;considerações de ordem mercantil&#8221; são as mais ponderáveis para os encarregados da Justiça, quando eles não veneram o princípio do laisser-faire. Assim, revivesceu um pouco, a vedeta. É expressivo o caso seguinte, sucedido pouco antes de minha chegada ao Espírito Santo, e que foi o grande acontecimento do dia: Um jovem alemão, caixeiro, ofendido por um colono prostrou-o, a tiros, pelas costas. Foi posto na cadeia. Mas os amigos e parentes o &#8220;resgataram&#8221;. Quando voltou à cena, foi abatido a bala. Os autores tiveram que se haver com a Justiça, mas souberam, por sua vez, resolver o caso com dinheiro&#8230;</p>
<p>A contingência de o colono contar apenas com seus recursos, sobressai ainda mais no seu labor. Não pode, com efeito, prescindir da ajuda dos vizinhos, do ajuntamento, mas, de ordinário, dispõe somente de suas próprias <span id="AC8_RP11V">forças.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP11" title="Capítulo V, 4."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a></p>
<p>Por isso, cresceu a sua altivez. Esse sentimento não se manifesta diante das autoridades do país — uma triste herança da servidão de outrora — mas, fora isso, transparece claramente. Ele é altivo mesmo diante de outro de sua estirpe. É muito sensível a ofensas. Não conhece diferenças sociais. Qualquer pessoa, até o vendeiro, o padre e o viajante, ele cumprimenta com um aperto de mão e trata por tu. Gosta do anexim: Gleiche Brüder, gleiche <span id="AC8_RP12V">Kappen.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP12" title="Nota do tradutor: — Literalmente: Irmãos iguais, gorros iguais."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> Diferenças de riqueza não têm nenhuma importância na vida da comunidade. Não se notam ambição e afã de poder na eleição do mordomo da igreja, conforme demonstra o caso de se ter escolhido para o cargo um membro, muito dado à bebida, a fim de pô-lo no bom caminho mediante as novas obrigações assumidas. Nalguns casos já se notam indícios de transmissão por herança do lugar de mordomo. São pouco autoritários para com os filhos. Raramente batem neles. Logo que estão crescidos, os filhos se tornam independentes, o que as condições econômicas permitem. Cantam-se muitas canções cujo tema é a desobediência dos meninos.</p>
<p>A autonomia, o senso de independência, a altivez ampliaram-se no novo meio, uma conseqüência, naturalmente, não das condições climáticas, mas econômicas e sociais. A ação modeladora do ambiente diverso restringe-se, praticamente, a esse complexo de qualidade de caráter.</p>
<p>Do ponto de vista intelectual, a escassez inicial de escolas não deixou rastros visíveis, com exceção de um analfabetismo passageiro. As superstições que grassam, intensas, foram herdadas dos antepassados. Aprenderam deles a rezar animais doentes, a ver na comunhão um remédio para o organismo humano. As almas do outro mundo e os agouros de morte, pertencem às mesmas espécies de fantasmagorias que fazem suas aparições na região rural da Alemanha. Parece que não aceitaram nenhuma das superstições, ainda mais disparatadas, dos pretos.</p>
<p>É difícil verificar que a vida singular da floresta tenha estimulado a fantasia. O colono tem um modo de pensar seco e sóbrio. É o que revela, mas suas manifestações, no seu humor, do qual a seguinte amostra é expressiva: Depois das refeições não se deve esquecer de fumar. &#8220;E isto&#8221; está na Bíblia.</p>
<p>Num sentido, o poder imaginativo tem florescido extraordinariamente: lembro-me, naturalmente, dos famosos mexericos, em que são postos, com freqüência, na berlinda, o pároco e sua família. O que é possível no gênero de invenções mostra o boato que se espalhou, durante a viagem do autor destas linhas ao Espírito Santo: ele era o príncipe herdeiro alemão, que viajava incógnito, e, em breve, viria buscá-lo o imperador em pessoa.</p>
<p>Terá sido o desejo que motivou, no caso, a notícia? Não acredito muito. A estreiteza do horizonte espiritual impede que surjam e se desenvolvam idéias patrióticas. Como já se mencionou, existe um forte sentimento racial, mas a sua natureza é puramente instintiva. Se os colonos ainda se sentem alemães, depois de haver três gerações que estão radicados em terra brasileira, não expressam, por isso, nenhuma saudade pela velha pátria, ou a consciência de a ela pertencer culturalmente. Pelo contrário! Muitas vezes, ouvi dizer que se vive de maneira infinitamente mais agradável e melhor no Espírito Santo, no Brasil, do que na Alemanha.</p>
<p>Falando com franqueza, é, em grande parte, a indiferença do povo e do estado que os acolheram, no tocante à educação, que permite aos colonos se manterem fiéis à sua língua e à sua fé. A estreiteza espiritual, que impede o aparecimento de uma consciência nacional, é, entretanto, ouso dizê-lo, um firme reduto da alemanidade, no Espírito Santo.</p>
<p>Entram em jogo, ainda o fator vontade: um apego tenaz ao que vem do passado, o senso conservador do camponês germânico. Com esse espírito de continuidade, sustém-se a organização da comunidade e transmitem-se usos e costumes antiquados, como se fossem doenças crônicas e eternas.</p>
<p>Há um magnífico reverso: manteve-se vigorosa a disposição para o trabalho, persistiu inalterada a energia para as atividades econômicas. Quando muito no clima quente e úmido da região baixa, esse vigor começa a relaxar-se. Dentro da estrutura econômica dominante, não foi possível desenvolver-se o instinto de lucro, o que não significa debilitamento.</p>
<p>Em síntese: o camponês alemão, nas matas do Espírito Santo, está diante de nós como uma imagem robusta. No curso de três gerações, o clima brando não o amoleceu nem o debilitou, nem o consumiu, o penoso trabalho na floresta. Ao contrário, ele saiu retemperado da luta pela existência. Ainda continua a ter, juntamente com as pequenas fraquezas e os grandes pecados, as virtudes magníficas do germano: a constância e a tenacidade, a fidelidade e a contingência, a piedade e a sinceridade, o senso de independência e o orgulho. Lá está ele como a sentinela avançada não do domínio político da Alemanha, mas da índole alemã e da cultura alemã sem, por certo, suspeitar da grandeza e do poderio do império, da magnificência e do esplendor das criações do espírito alemão.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="AC8_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide Cap. II, 7.</div>
<div id="AC8_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;É difícil imaginar uma carta com tantos erros em tão poucas linhas: a pontuação está errada; nenhum substantivo está escrito certo; o número de palavras erradas supera o das palavras ortograficamente certas. [Nota do tradutor]</div>
<div id="AC8_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Segundo o plano didático organizado por um predecessor do atual pastor de Jequitibá, deveriam ser aprendidos durante o ano: 48 versículos, 48 orações e 24 provérbios.</div>
<div id="AC8_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do tradutor: — A idade dos alunos oscila entre 12 e 15 anos; o nível de redação deles é comparável ao que seria alcançado em português por meninos brasileiros da mesma idade, que cursassem, aplicadamente dois anos primários.</div>
<div id="AC8_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do tradutor: — Quer nos parecer que é desnecessário acentuar que os vocábulos brasileiros, incorporados ao linguajar dos colonos o aqui apresentados, estejam grifados de acordo com a ortografia e a fonética alemão excetuando-se, apenas, o acento agudo, às vezes utilizado pelo autor. Seria conveniente a representação dessas palavras, com símbolos de fonética internacional, mas a perspectiva das dificuldades tipográficas é desanimadora.</div>
<div id="AC8_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem.</div>
<div id="AC8_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do tradutor: — Hacke — enxada, picareta; Axt — machado.</div>
<div id="AC8_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem.</div>
<div id="AC8_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem.</div>
<div id="AC8_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do tradutor: Limitamo-nos a transcrever as partes do capítulo VI de Canaã, que o autor verteu para a alemão. A versão é absolutamente fiel ao original, excluídas algumas exceções, destituídas de qualquer importância, rio caso. Além disso, o texto de que dispusemos para o trabalho de confronto foi a oitava edição revista de Canaã, de 1989, o que talvez explique essas exceções.</div>
<div id="AC8_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Capítulo V, 4.</div>
<div id="AC8_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/#AC8_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do tradutor: — Literalmente: Irmãos iguais, gorros iguais.</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Terceira parte: O modo de vida (IX)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Primeira parte: a terra e a gente (III)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 17:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo III – Número de colonos; crescimento demográfico 1. Número dos colonos alemães Até agora, no Espírito Santo, não se realizou um levantamento estatístico geral do número dos colonos teutos. Em algumas comunidades isoladas, verificou-se, ocasionalmente, o número de pessoas; em 1913, em Santa Maria, contaram-se 703 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Primeira parte: a terra e a gente (III)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-1sqi0ZzRBng/Vp_8d_sfGTI/AAAAAAAAAa4/elsVuQj82HE/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-8.jpg" class="wp-image-6062" title="Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p></p>
<h3>
Capítulo III – Número de colonos; crescimento demográfico</h3>
<p></p>
<h4>
1. Número dos colonos alemães</h4>
<p>
Até agora, no Espírito Santo, não se realizou um levantamento estatístico geral do número dos colonos teutos. Em algumas comunidades isoladas, verificou-se, ocasionalmente, o número de pessoas; em 1913, em Santa Maria, contaram-se 703 confirmados e 650 não confirmados, ao todo 1.353 pessoas, distribuídas em 221 famílias. Cabem, por conseguinte, a cada família, 6,01 cabeças. (Essa contagem não incluiu as comunidades filiais).</p>
<p>Das outras paróquias protestantes só possuímos o número exato dos membros, ou seja, o dos chefes de família e, portanto, o das famílias. Não erraremos muito, se multiplicarmos esse número por seis e considerarmos o produto o número total de indivíduos da comunidade. Nas comunidades novas, das quais fazem parte muitos casais jovens, parece conveniente supor um menor número de membros de família; ai é aconselhável tomar 5 como fator. Nessa situação se enquadram Santa Joana e as comunidades filiais de Santa Cruz e Vinte e Cinco; por outro lado, será maior a quantidade de famílias numerosas nesta ou naquela das comunidades principais, mais velhas.</p>
<p>Não são raras as famílias que têm, 10, 12 ou mais filhos; mas estes, cedo, desprendem-se da casa paterna e fundam o próprio <span id="ACO2_RP1V">lar,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP1" title=""><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> de modo que o número médio de pessoas por família permanece relativamente pequeno.</p>
<div align="center">
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Nº de membros</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Nº de cabeças</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">450 x 6 =</td>
<td align="right" valign="middle">2.700</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">370 x 6 =</td>
<td align="right" valign="middle">2.200</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">319 x 6=</td>
<td align="right" valign="middle">1.914</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">318 x 6 =</td>
<td align="right" valign="middle">1.908</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">263 x 5 =</td>
<td align="right" valign="middle">1.315</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">150 x 6 =</td>
<td align="right" valign="middle">900</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Cruz</td>
<td align="right" valign="middle">60 x 5 =</td>
<td align="right" valign="middle">300</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Vinte e Cinco de Julho</td>
<td align="right" valign="middle">60 x 5 =</td>
<td align="right" valign="middle">300</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">1.990</td>
<td align="right" valign="middle">11.537</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Acrescentem-se, ainda, 500 senão de 600 a 700 sabatistas (a maioria deles habita à margem do Guandu) e 5.000 <span id="ACO2_RP2V">católicos.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP2" title=""><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> Os suíços e holandeses, em número de algumas centenas, computados na tabela acima, não devem ser excluídos, porque se uniram estreitamente ao elemento alemão, fundindo-se parcialmente com ele.</p>
<p>Inferimos, assim, que existem, atualmente, no Espírito Santo, de 17 a 18 mil alemães. Usando toda a prudência, e com receio da estimativa dos católicos de língua alemã ter sido alta demais, podemos dizer que há, no Espírito Santo, pelo menos, 16.000 alemães e que seu número dificilmente sobrepassa de 13.000. A grosso modo, o número de protestantes seria de 12.500 e o de católicos, 5.000.</p>
<p>Vive, no Espírito Santo, uma população de origem alemã tão grande quanto a que habita todas as possessões teutas.</p>
<p></p>
<h4>
2. Nascimentos e óbitos; números absolutos</h4>
<p>
Desperta mais interesse que os próprios números, a sua origem. Com efeito, não me foi possível conseguir quaisquer informações sobre o total de imigrantes. Mas, encontrei nos assentamentos das igrejas evangélicas, material precioso referente ao número de nascimentos e mortes; os registros vêm sendo escriturados, com esmero quase ininterrupto, constituindo, por isso, inestimável achado para nossos desígnios.</p>
<p>Vejamos, primeiro, o número absoluto de nascimentos (mais exatamente, de batizados, pois só estes se assentam).</p>
<p><span id="ACO2_RP3V">Nascimentos:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP3" title=""><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a></p>
<div align="center">
TABELA</p>
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Ano</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Campinho</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Leopoldina</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Jequitibá</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Califórnia</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Cruz</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Joana</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Maria</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Vinte e Cinco de Julho</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Até 1860</td>
<td align="right" valign="middle">73</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1861 a 1870</td>
<td align="right" valign="middle">218</td>
<td align="right" valign="middle">309</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1871 a 1880</td>
<td align="right" valign="middle">292</td>
<td align="right" valign="middle">1.376</td>
<td align="right" valign="middle">32</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1881 a 1890</td>
<td align="right" valign="middle">392</td>
<td align="right" valign="middle">852</td>
<td align="right" valign="middle">1.041</td>
<td align="right" valign="middle">121</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1891 a 1900</td>
<td align="right" valign="middle">459</td>
<td align="right" valign="middle">758</td>
<td align="right" valign="middle">1.497</td>
<td align="right" valign="middle">489</td>
<td align="right" valign="middle">116</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1901 a 1910</td>
<td align="right" valign="middle">731</td>
<td align="right" valign="middle">498</td>
<td align="right" valign="middle">1.343</td>
<td align="right" valign="middle">734</td>
<td align="right" valign="middle">211</td>
<td align="right" valign="middle">312</td>
<td align="right" valign="middle">450</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">82</td>
<td align="right" valign="middle">42</td>
<td align="right" valign="middle">115</td>
<td align="right" valign="middle">81</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">87</td>
<td align="right" valign="middle">95</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">67</td>
<td align="right" valign="middle">48</td>
<td align="right" valign="middle">113</td>
<td align="right" valign="middle">102</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">103</td>
<td align="right" valign="middle">94</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">2.314</td>
<td align="right" valign="middle">3.897</td>
<td align="right" valign="middle">4.141</td>
<td align="right" valign="middle">1.527</td>
<td align="right" valign="middle">364</td>
<td align="right" valign="middle">502</td>
<td align="right" valign="middle">639</td>
<td align="right" valign="middle">250</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Confrontemos esses dados com o número de óbitos (mais exatamente enterros registrados nas igrejas protestantes):</p>
<p><span id="ACO2_RP4V">Mortes:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP4" title=""><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a></p>
<div align="center">
TABELA</p>
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Ano</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Campinho</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Leopoldina</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Jequitibá</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Califórnia</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Cruz</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Joana</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Maria</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Vinte e Cinco de Julho</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Até 1860</td>
<td align="right" valign="middle">34</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1861 a 1870</td>
<td align="right" valign="middle">90</td>
<td align="right" valign="middle">74</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1871 a 1880</td>
<td align="right" valign="middle">72</td>
<td align="right" valign="middle">206</td>
<td align="right" valign="middle">2</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1881 a 1890</td>
<td align="right" valign="middle">94</td>
<td align="right" valign="middle">145</td>
<td align="right" valign="middle">208</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1891 a 1900</td>
<td align="right" valign="middle">102</td>
<td align="right" valign="middle">191</td>
<td align="right" valign="middle">251</td>
<td align="right" valign="middle">74</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1901 a 1910</td>
<td align="right" valign="middle">127</td>
<td align="right" valign="middle">83</td>
<td align="right" valign="middle">308</td>
<td align="right" valign="middle">137</td>
<td align="right" valign="middle">49</td>
<td align="right" valign="middle">64</td>
<td align="right" valign="middle">63</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">9</td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
<td align="right" valign="middle">6</td>
<td align="right" valign="middle">4</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">4</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">3</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">544</td>
<td align="right" valign="middle">708</td>
<td align="right" valign="middle">812</td>
<td align="right" valign="middle">251</td>
<td align="right" valign="middle">56</td>
<td align="right" valign="middle">101</td>
<td align="right" valign="middle">93</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Essas tabelas nos permitem supervisionar a formação e o desenvolvimento de cada comunidade.</p>
<p>A de Campinho cresceu de decênio em decênio.</p>
<p>Em Santa Leopoldina, vem minguando os nascimentos, a partir da década de 1871 a 1880, em virtude de desmembramento e de emigração. O aumento de óbito, durante os 90 do século passado, está ligado à epidemia de febre amarela que, então, grassara.</p>
<p>Os números de Jequitibá só começaram a diminuir na primeira década deste século.</p>
<p>Aumentam os números de Califórnia, o mesmo sucedendo com as comunidades novas, excetuada a de Santa Cruz, onde, nos últimos anos, se verificou uma retração.</p>
<p>Vejamos, agora, os números totais, ordenados segundo a grandeza:</p>
<div align="center">
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Nascimentos</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Óbitos</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>% de óbitos<br />
sobre nascimentos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">4.141</td>
<td align="right" valign="middle">812</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">3.897</td>
<td align="right" valign="middle">708</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">2.314</td>
<td align="right" valign="middle">544</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">1.527</td>
<td align="right" valign="middle">251</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">639</td>
<td align="right" valign="middle">93</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">502</td>
<td align="right" valign="middle">101</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Cruz</td>
<td align="right" valign="middle">364</td>
<td align="right" valign="middle">56</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Vinte e Cinco de Julho</td>
<td align="right" valign="middle">250</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle">13.634</td>
<td align="right" valign="middle">2.615</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
É perfeitamente admissível que esses assentamentos aqui utilizados, relativos ao número de nascimentos, correspondam à realidade, com forte aproximação. Contudo, far-se-á bem em elevar um pouco o total achado, pois é provável, que, na primeira fase de existência das colônias, nem todos os nascimentos tenham sido registrados. Em todo caso, é seguramente aceitável que tenha havido cerca de 14.000 nascimentos entre os alemães evangélicos, desde que estes chegaram ao Espírito Santo.</p>
<p>No princípio, os casos de morte foram, provavelmente, registrados com menos cuidado, de modo que parece mais próximo da verdade o número 3.000. Talvez que ainda deva ser elevado.</p>
<p>Desde que vive na nova pátria, a população protestante aumentou de 10.000 a 11.500 cabeças. Presumindo-se que a população atual seja de 12 a 13 mil indivíduos, a imigração, donde proveio, teria sido de 1.500 a 2.000 pessoas.</p>
<p>Aceitando-se as mesmas proporções numéricas para os 5.000 católicos, deduziremos que houve entre eles, mais ou menos, 5.500 nascimentos e 1.200 óbitos, e teriam imigrado 600 a 1.000.</p>
<p>Relativamente a todos os alemães do Espírito Santo parecem razoáveis os seguintes números:</p>
<div align="left">
<table border="0" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Nascimentos</td>
<td align="right" valign="middle">19.000</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Óbitos</td>
<td align="right" valign="middle">4.000</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Aumento da população</td>
<td align="right" valign="middle">15.000</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Imigração</td>
<td align="right" valign="middle">2.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Soma</td>
<td align="right" valign="middle">17.500</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Considerando que parte desses números repousa em conjeturas, é desaconselhável extrair deles conclusões amplas. Talvez que estejam mais próximos da verdade, os números seguintes:</p>
<div align="left">
<table border="0" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Nascimentos</td>
<td align="right" valign="middle">18.000</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Falecimentos</td>
<td align="right" valign="middle">4.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Crescimento demográfico</td>
<td align="right" valign="middle">13.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Imigração</td>
<td align="right" valign="middle">3.000</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Soma</td>
<td align="right" valign="middle">16.500</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Assim, a população, em 30 a 65 anos, ter-se-ia, por crescimento natural, mais do que quintuplicado. Como quer que seja, a configuração quantitativa de nascimentos e óbitos é extremamente favorável.</p>
<p></p>
<h4>
</h4>
<h4>
3. Nascimentos e óbitos; números relativos</h4>
<p>
Confrontemos a população com o número de óbitos e <span id="ACO2_RP5V">nacimentos:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP5" title=""><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>Nascimentos:</p>
<div align="center">
TABELA</p>
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" rowspan="2"><b>Comunidades</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Famílias</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Pessoas</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>1912</b></td>
<td align="center" colspan="5"><b>Média anual de nascimentos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>De 1911 a 1912</b></td>
<td align="center"><b>De 1908 a 1912</b></td>
<td align="center"><b>De 1901 a 1910</b></td>
<td align="center"><b>De 1891 a 1900</b></td>
<td align="center"><b>De 1881 a 1890</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">319</td>
<td align="right" valign="middle">1.914</td>
<td align="right" valign="middle">67</td>
<td align="right" valign="middle">75</td>
<td align="right" valign="middle">78</td>
<td align="right" valign="middle">73</td>
<td align="right" valign="middle">46</td>
<td align="right" valign="middle">39</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">150</td>
<td align="right" valign="middle">900</td>
<td align="right" valign="middle">48</td>
<td align="right" valign="middle">45</td>
<td align="right" valign="middle">43</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
<td align="right" valign="middle">76</td>
<td align="right" valign="middle">85</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">450</td>
<td align="right" valign="middle">2.700</td>
<td align="right" valign="middle">113</td>
<td align="right" valign="middle">114</td>
<td align="right" valign="middle">110</td>
<td align="right" valign="middle">134</td>
<td align="right" valign="middle">150</td>
<td align="right" valign="middle">104</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">318</td>
<td align="right" valign="middle">1.908</td>
<td align="right" valign="middle">102</td>
<td align="right" valign="middle">92</td>
<td align="right" valign="middle">83</td>
<td align="right" valign="middle">73</td>
<td align="right" valign="middle">49</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">370</td>
<td align="right" valign="middle">2.200</td>
<td align="right" valign="middle">94</td>
<td align="right" valign="middle">94</td>
<td align="right" valign="middle">78</td>
<td align="right" valign="middle">64</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Cruz</td>
<td align="right" valign="middle">60</td>
<td align="right" valign="middle">300</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO2_RP6V">18</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP6" title=""><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">263</td>
<td align="right" valign="middle">1.315</td>
<td align="right" valign="middle">103</td>
<td align="right" valign="middle">95</td>
<td align="right" valign="middle">70</td>
<td align="right" valign="middle">35</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">1.930</td>
<td align="right" valign="middle">11.237</td>
<td align="right" valign="middle">545</td>
<td align="right" valign="middle">553</td>
<td align="right" valign="middle">480</td>
<td align="right" valign="middle">450</td>
<td align="right" valign="middle">340</td>
<td align="right" valign="middle">243</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Óbitos:</p>
<div align="center">
TABELA</p>
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" rowspan="2"><b>Comunidades</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Famílias</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>Pessoas</b></td>
<td align="center" rowspan="2"><b>1912</b></td>
<td align="center" colspan="5"><b>Média anual de óbitos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>De 1911 a 1912</b></td>
<td align="center"><b>De 1908 a 1912</b></td>
<td align="center"><b>De 1901 a 1910</b></td>
<td align="center"><b>De 1891 a 1900</b></td>
<td align="center"><b>De 1881 a 1890</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">319</td>
<td align="right" valign="middle">1.914</td>
<td align="right" valign="middle">16</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">12</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">10</td>
<td align="right" valign="middle">9</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">150</td>
<td align="right" valign="middle">900</td>
<td align="right" valign="middle">4</td>
<td align="right" valign="middle">4</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
<td align="right" valign="middle">9</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">450</td>
<td align="right" valign="middle">2.700</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">22</td>
<td align="right" valign="middle">26</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">318</td>
<td align="right" valign="middle">1.908</td>
<td align="right" valign="middle">19</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
<td align="right" valign="middle">2</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">370</td>
<td align="right" valign="middle">2.200</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">11</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Cruz</td>
<td align="right" valign="middle">60</td>
<td align="right" valign="middle">300</td>
<td align="right" valign="middle">3</td>
<td align="right" valign="middle">3:</td>
<td align="right" valign="middle"><span id="ACO2_RP7V">3</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP7" title=""><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a></td>
<td align="right" valign="middle">5</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">263</td>
<td align="right" valign="middle">1.315</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">18</td>
<td align="right" valign="middle">15</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
<td align="right" valign="middle">–</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">1.930</td>
<td align="right" valign="middle">11.237</td>
<td align="right" valign="middle">88</td>
<td align="right" valign="middle">88</td>
<td align="right" valign="middle">92</td>
<td align="right" valign="middle">90</td>
<td align="right" valign="middle">61</td>
<td align="right" valign="middle">47</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Embora se trate de pequenos números absolutos, revelam eles bastante regularidade, mesmo quando se referem a, apenas, uma comunidade ou a determinados anos. Por isso, acreditamos que os totais de nascimentos e óbitos de 1912 prestam-se para nossos cálculos, sem recearmos operar com quantidades puramente casuais. O número de habitantes, nesse ano, é conhecido mais exatamente e, por isso, somos constrangidos a limitar-nos a ele, a fim de obtermos a porcentagem de nascimentos sobre a população.</p>
<p>Fato importante: em 1912, no Espírito Santo, entre mil alemães evangélicos, nasceram 48,5 e morreram 7,8. Em cada 3ª ou 4ª família ocorreu um nascimento e em cada 22ª, um óbito. A proporção de nascimentos para mortes é de 6:1 e a taxa de crescimento anual é de 4%.</p>
<p>São números inauditos! A gente tende a duvidar de sua exatidão; mas achamo-los confirmados, quando confrontamos o número de imigrantes, estimável em 2.500 a 3.000 almas, com, a população teuta que ascende a 17 ou 18 mil cabeças. Uma demonstração mais precisa, com uma operação aritmética: No meado da década dos oitenta, o número de colonos foi avaliado em 5 a <span id="ACO2_RP8V">6 mil.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP8" title=""><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> Com uma taxa de crescimento de 4%, em 30 anos, a população teria de se elevar a 16.217 e 19.460 almas, o que concorda com a minha <span id="ACO2_RP9V">avaliação.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP9" title=""><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> Não creio seja suscetível de acontecer, em muitos outros lugares da terra, cousa similar; pretendo, até, admitir ser esse o único caso autêntico de tão favoráveis cifras demográficas.</p>
<p>Uma taxa de nascimentos de 50 por mil e mesmo superiores não constituem raridade nenhuma. Encontram-se, por exemplo, em Java, em muitas partes da Rússia e da Índia; mas, em regra, são acompanhadas de alta mortalidade. O obituário reduz-se, normalmente, nos países de higiene pública e privada muito desenvolvida, como nos europeus ocidentais. Segundo as estatísticas mais recentes, a mortalidade é, presentemente, mais baixa, na Holanda. Aí, em 1912, importou, ainda, em 12,3 por mil; na Alemanha, em 15,6 por mil. Nesses países, o número de nascimentos costuma fixar-se em 25 e 30 por mil. Em 1912, na Alemanha, ascendeu a 28,3 por mil, de modo que se verificou um crescimento demográfico de 1,3 por mil. Uma taxa de crescimento de 2% já é para se considerar algo extraordinário. A gente tende a banir para o mundo das lendas uma taxa de 4%. E, no entanto, está fora de dúvida, repito, a exatidão do número.</p>
<p>A primeira vista parece razoável perguntar se esse forte crescimento não é apenas conseqüência de uma peculiar composição de idades, se não decorre, simplesmente, de faltarem grupos de idade mais avançada entre os imigrantes. É o que absolutamente não ocorre; há bem mais razão para supor que a estruturação por idades, 30 a 70 anos após a chegada dos colonos, não se distingue substancialmente daquela das populações secularmente radicadas. Se fosse atribuída àquele fator a configuração favorável dos números demográficos, a mortalidade deveria tornar-se maior no decurso dos anos. Sucede, porém, o contrário. A estatística, pelo menos, mostra-nos que, enquanto o número de nascimentos, desde os oitenta, ascendeu a mais do dobro, o de falecimentos, no mesmo período, não chegou a duplicar, embora as anotações no registro de óbitos provavelmente não fossem rigorosamente completas. Verifica-se, também, que a mortalidade nas comunidades antigas, em Campinho e Santa Leopoldina, é proporcionalmente pequena.<br />
<br />
No decênio 1901/10, para cem nascimentos houve em:</p>
<div align="left">
<table border="0" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">17 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">17 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">23 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">19 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">14 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Cruz</td>
<td align="right" valign="middle">23 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">21 óbitos</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Média</td>
<td align="right" valign="middle">20 óbitos</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O número de nascimentos e o de óbitos por mil pessoas, tomando-se por base a população de 1912 e a média anual de nascimentos e mortes nos anos 1911 e 1912, são os seguintes:</p>
<div align="center">
<table align="center" border="1" cellpadding="5" cellspacing="5" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td></td>
<td colspan="2"><b>Por mil</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"></td>
<td align="right" valign="middle"><b>Nascimentos</b></td>
<td align="right" valign="middle"><b>Óbitos</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">39</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">50</td>
<td align="right" valign="middle">4,5</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">42</td>
<td align="right" valign="middle">8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">48</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">43</td>
<td align="right" valign="middle">7</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Cruz</td>
<td align="right" valign="middle">60 (50)</td>
<td align="right" valign="middle">10 (8)</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">72 (60)</td>
<td align="right" valign="middle">14 (11)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Parece-me demasiadamente audacioso utilizar esses números sem reservas. Uma conclusão, porém, se evidencia: as comunidades da região baixa, Santa Joana e Santa Cruz, ostentam os números mais altos, mesmo quando consideramos a população o produto da multiplicação do número de famílias por 6 (nesse caso, a taxa de natalidade e a de mortalidade estão acrescentadas, acima, entre parênteses) em lugar de por 5. O número excessivo de nascimentos se explica, em ambos os casos, por se tratar de comunidades novas, cujos membros, só há pouco tempo, estão casados. A mais elevada taxa de mortalidade decorre, principalmente, de o clima ser mais desfavorável e de haver menor probabilidade de vida no primeiro período da existência. Adiante voltaremos ao assunto.</p>
<div align="center">
<table border="0" style="width: 50%px;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20I.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA I:</b></a> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Temperatura em 1912, em ºC, Santa Leopoldina;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20II.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA II:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Idem (conclusão);</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20III.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA III:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Temperatura em 1913, em ºC, Santa Leopoldina;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20IV.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA IV:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Idem (conclusão);</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20V.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA V:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Nascimentos;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20VI.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA VI:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Nascimentos (conclusão);</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20VII.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA VII:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Óbitos;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;"><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Textos/Imigra%C3%A7%C3%A3o/Wagemann-anexo%20Tabela%20VIII.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>TABELA VIII:</b></a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit;">Óbitos (conclusão).</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
____________________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="ACO2_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Quanto à idade em que se casam, vide Cap. VIII, 6.</div>
<div id="ACO2_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Segundo informações dos sacerdotes católicos de Santa Isabel e Tirol.</div>
<div id="ACO2_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide pormenores na Tabela V do Apêndice.</div>
<div id="ACO2_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide pormenores na Tabela VI do Apêndice.</div>
<div id="ACO2_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Não estão incluídos nos quadros abaixo, dados da comunidade filial de Vinte e Cinco, os quais por sua natureza conjetural, não seriam de utilidade.</div>
<div id="ACO2_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Não estando mais em meu poder os números correspondentes, substitui-os com os relativos ao biênio 1911-1912.</div>
<div id="ACO2_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem.</div>
<div id="ACO2_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Bolle Kolonialzeitung, 3.º vol., pág. 626.</div>
<div id="ACO2_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/#ACO2_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Aos que acharem pequena a média de pessoas por família, basta lembrar que os casamentos se realizam muito cedo e, por isso, o número de casais jovens é bem grande.</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Primeira parte: a terra e a gente (III)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Terceira parte: O modo de vida (VIII)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 17:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(para visualizar o sumário completo do texto&#160;clique aqui) Capítulo VIII — A salubridade 1. A situação sanitária, outrora e atualmente O livro de igreja de Campinho nos fornece um material que lança alguma luz sobre o estado de saúde, naquela época. Até 1860, houve 34 óbitos para 73 nascimentos, e no decênio 1901 a 1910, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Terceira parte: O modo de vida (VIII)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-0nmbH0c3mSE/Vp_yvvCwbTI/AAAAAAAAAao/Az1nl4vJwn8/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107-9.jpg" class="wp-image-6082" title="Santa Maria de Jetibá [In WERNECKE, Hugo. Viagem pelas colônias Alemãs do Espírito Santo. (tradução Erlon José Paschoal) Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107]" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p></p>
<h3>
Capítulo VIII — A salubridade</h3>
<p></p>
<h4>
1. A situação sanitária, outrora e atualmente</h4>
<p>
O livro de igreja de Campinho nos fornece um material que lança alguma luz sobre o estado de saúde, naquela época. Até 1860, houve 34 óbitos para 73 nascimentos, e no decênio 1901 a 1910, 127 para 731 <span id="ACO7_RP1V">nascimentos.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP1" title="Vide Cap. III, 2. "><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> Outrora, a malária, a febre amarela, o tifo, a disenteria e a opilação grassavam entre os colonos. Multas mulheres morriam de sobreparto. Picadas de cobra e desastre durante a derrubada ocasionavam mortes.</p>
<p>Contribuíram para modificar, favoravelmente, a proporção entre nascimentos e mortes, vários fatores: as condições econômicas melhoraram, atenuaram-se as carências, suavizou-se o trabalho, tornou-se menos úmido o clima em virtude do afastamento das matas, os mosquitos e outros transmissores foram desaparecendo progressivamente. Demais, a adaptação gradual ao clima e a outras condições terá desempenhado, no caso, um papel efetivo: os que nasceram na região, como é de supor, são menos sensíveis a certas influências prejudiciais. A propósito, basta lembrar quão difícil foi para o primeiro colono acostumar-se com o prato brasileiro, feijão e farinha de mandioca.</p>
<p>Hoje, as condições demográficas na parte montanhosa do território das colônias representam algo extraordinário. Em que parte do mundo, os nascimentos estão para os óbitos numa proporção de 6:1, como lá se verifica; em que parte do universo, a razão de óbitos não ultrapassa de 8%, quando a de nascimentos é de 48%?</p>
<h4>
<br />2. A mortalidade segundo períodos de vida</h4>
<p>
A tabela abaixo mostra-nos como se distribuem os óbitos pelas diversas classes de idade:</p>
<p></p>
<div align="center">
<b>Números <span id="ACO7_RP2V">absolutos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP2" title="Já se averiguaram, aí, 17 casos de natimortos."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> – Decênio 1901 a 1910</b></p>
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Morreram</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Campinho (pessoas)</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Leopoldina (pessoas)</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Jequitibá (pessoas)</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Califórnia (pessoas)</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Com menos de 1 ano</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">63</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Entre 1 a 10 anos</td>
<td align="right" valign="middle">13</td>
<td align="right" valign="middle">11</td>
<td align="right" valign="middle">62</td>
<td align="right" valign="middle">38</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Entre 11 e 60 anos</td>
<td align="right" valign="middle">49</td>
<td align="right" valign="middle">29</td>
<td align="right" valign="middle">104</td>
<td align="right" valign="middle">33</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Com mais de 60 anos</td>
<td align="right" valign="middle">43</td>
<td align="right" valign="middle">28</td>
<td align="right" valign="middle">77</td>
<td align="right" valign="middle">35</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Soma</td>
<td align="right" valign="middle">125</td>
<td align="right" valign="middle">82</td>
<td align="right" valign="middle">306</td>
<td align="right" valign="middle">137</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">(127)</td>
<td align="right" valign="middle">(83)</td>
<td align="right" valign="middle">(308)</td>
<td align="right" valign="middle">(137)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Os números entre parênteses, debaixo das somas, perfazem os totais de <span id="ACO7_RP3V">óbitos;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP3" title="Vide Cap. III, 2."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> os livros das igrejas não anotaram, em alguns casos, o ano de nascimento, de modo que as mortes correspondentes não puderam ser incluídas numa das classes de idade. Esses dados não são tão dignos de confiança como seria de desejar, e, desse modo, também os cálculos seguintes têm valor limitado.</p>
<p></p>
<div align="center">
<b>Números percentuais – Década 1901 a 1910</b></p>
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 80%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Em 100 falecidos, tinham</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Campinho</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Santa Leopoldina</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Jequitibá</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Califórnia</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Menos de 1 ano</td>
<td align="right" valign="middle">16,0</td>
<td align="right" valign="middle">17,1</td>
<td align="right" valign="middle">20,6</td>
<td align="right" valign="middle">22,6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">1 a 10 anos</td>
<td align="right" valign="middle">10,4</td>
<td align="right" valign="middle">13,4</td>
<td align="right" valign="middle">20,3</td>
<td align="right" valign="middle">24,1</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">11 a 60 anos</td>
<td align="right" valign="middle">39,2</td>
<td align="right" valign="middle">35,4</td>
<td align="right" valign="middle">34,0</td>
<td align="right" valign="middle">24,1</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Mais de 60 anos</td>
<td align="right" valign="middle">34,4</td>
<td align="right" valign="middle">34,1</td>
<td align="right" valign="middle">25,2</td>
<td align="right" valign="middle">25,6</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Total</td>
<td align="right" valign="middle">100,0</td>
<td align="right" valign="middle">100,0</td>
<td align="right" valign="middle">100,0</td>
<td align="right" valign="middle">100,0</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Em média, 20% de todos os falecimentos na região alta são de crianças com menos de um ano. Na Alemanha, em 1912, para citar esse ano, essa taxa foi de 27%. A comparação ressalta mais favorável ao Espírito Santo, quando se focalizam as relações quantitativas entre esses óbitos e os nascimentos.</p>
<p></p>
<div align="center">
<b>Decênio de 1901 a 1910 </b><br />
</p>
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" valign="middle"><b>Comunidade</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Óbito de crianças com menos de 1 ano</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>Nascimentos</b></td>
<td align="center" valign="middle"><b>%</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">20</td>
<td align="right" valign="middle">731</td>
<td align="right" valign="middle">2,7</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">14</td>
<td align="right" valign="middle">497</td>
<td align="right" valign="middle">2,8</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">63</td>
<td align="right" valign="middle">1.343</td>
<td align="right" valign="middle">4,7</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">31</td>
<td align="right" valign="middle">734</td>
<td align="right" valign="middle">4,2</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Na Alemanha, entre 100 nascidos vivos, falecem, no primeiro ano, 15 a 20. Imaginemos só o que representa essa diferença! Parece que estamos tratando com seres de estrutura diversa. Ou os números nos estarão enganando? Mesmo, porém, que se aceitassem, para o Espírito Santo, em lugar de 2,7 a 4,2, 5% o que já é, sem dúvida, exagerado, mesmo assim, ter-se-ia uma taxa surpreendentemente baixa.</p>
<p>Se ordenarmos as comunidades tendo em vista a mortalidade infantil, veremos que esta cresce com a altitude: na comunidade mais alta, Jequitibá, os lactentes morrem em proporção maior. A seguir, vêm, na ordem inversa da altitude e da mortalidade infantil, Califórnia, Santa Leopoldina e Campinho. Não pretendo provar com os números citados, nem mesmo dentro de certos limites, que a probabilidade de óbitos de recém-nascidos aumenta com a altitude, embora me dissessem que as fortes variações de temperatura da região alta são muito desfavoráveis à saúde dos lactentes.</p>
<p>A mortalidade das crianças entre 1 e 10 anos, no Espírito Santo, é relativamente elevada; e o período mais arriscado é o que medeia entre o segundo e o quinto ano de vida. Os meninos em idade escolar raramente morrem. Na Alemanha, a mortalidade no período de 1 a 10 anos importa, aproximadamente, em 10% da mortalidade total, ou seja, em cerca de 6% do número de nascimentos; no Espírito Santo, alcança 20% da mortalidade total, o que representa 3 a 4% da quantidade de nascimentos.</p>
<p>A composição quantitativa da mortalidade já indica que muitos colonos atingem idade avançada. Como na Alemanha, 30% dos falecidos, no Espírito Santo, chegaram a idade superior a 60 anos; isso significa que, no Espírito Santo, um número relativamente maior de pessoas alcança idade avançada, uma vez que, nesse estado brasileiro, em virtude da alta natalidade, a classe dos idosos tem, proporcionalmente, muito menos representantes que na Alemanha. Conheci um bom número de colonos, com 70 a 80 anos, bastante vigorosos.</p>
<p></p>
<h4>
3. As doenças</h4>
<p>
Faltam, lamentavelmente, sobre o assunto, informações de médicos, e, assim, temos de nos contentar com os dados fornecidos pelos <span id="ACO7_RP4V">párocos.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP4" title="As observações que se seguem, por isso, têm, apenas, valor relativo."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a></p>
<p>Nos livros das igrejas, estão registadas como as causas mais comuns da mortalidade infantil, convulsões e gastroenterite. Admira que a gastroenterite tenha ocasionado tão poucas perdas, quando há lactentes de três, quatro meses, que se alimentam não com leite, mas com feijão, macarrão e café. Ou, deveria ser essa a verdadeira dieta? Há o mau costume de ministrar aguardente às criancinhas&#8217; para <span id="ACO7_RP5V">adormecê-las,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP5" title="Pessoa idônea contestou, posteriormente, essa informação."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> o que, talvez, dê origem, nalguns casos, a convulsões. Os meninos são, freqüentemente, atacados de coqueluche. A difteria é muito rara.</p>
<p>Embora a população brasileira do Espírito Santo tenha sido, de quando em quando, vítima de terríveis <span id="ACO7_RP6V">epidemias,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP6" title="Mensagem do Presidente, de 17 de setembro de 1895, págs. 6 e seguintes."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> foram poucos os colonos alemães atingidos por elas, principalmente na região alta. Em 1894 e 1895, por exemplo, alastrou-se, em Vitória e Porto do Cachoeiro, a febre amarela. Muitos europeus que residiam nessas cidades sucumbiram à epidemia, mas os colonos, com poucas exceções, foram poupados. Pouco depois, difundia-se a cólera morbo por Cachoeiro do Itapemirim e por toda a parte meridional do estado, não se internando, porém, na zona de colonização teuta. Na mesma ocasião propagava-se a varíola, especialmente na capital; penetrou nas colônias alemãs, ceifando, todavia, poucas vidas. Não consegui saber se os párocos, então, aplicaram vacinas, como o fizeram, há alguns anos, quando reapareceu o perigo.</p>
<p>A malária e a disenteria podem ser classificadas como doenças tropicais endêmicas, no território das colônias. Aparecem, de ordinário, nos lugares baixos. Principalmente na planície, ocorrem casos de moléstias cardíacas, decorrentes de febres, ou provocadas pela extenuação a que, facilmente, leva o trabalho do campo, no clima quente e úmido. As outras causas mais freqüentes de morte, tanto na região alta como na baixa, são: tifo, câncer e febre puerperal. Por fim, cabe lembrar que não poucos óbitos foram motivados por picadas de cobra. Em virtude do grande número de serpentes venenosas, nativas, das quais a mais conhecida é a surucucu, uma cobra de <span id="ACO7_RP7V">chocalho,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP7" title="Nota do tradutor: Há, aí evidentemente, uma confusão entre a surucucu e a cascavel."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> não são raras as mordidas nos colonos, que, ordinariamente, andam descalços. Na maioria dos casos, a vítima se salva.</p>
<p>Só muito esporadicamente surgem casos de tuberculose, segundo me informaram. A insolação é desconhecida. Parece não existirem doenças sexuais.</p>
<p>No começo da colonização, ceifou muitas vidas, principalmente entre os menores, a ancilostomíase, chamada no Brasil opilação, causadora de profunda anemia. Ainda está um tanto difundida; entretanto, não é mais perigosa à vida em virtude do progresso da medicina.</p>
<p>Merecem menção as chamadas feridas do clima (<i>Klimawunden</i>), um sofrimento, sem conseqüências graves, que ataca todo recém-chegado da Europa. Primeiro, formam-se, geralmente nas pernas, pequenas pústulas que coçam muito. Inflamam, assumindo um aspecto furunculoso, e, depois, arrebentam cheias de pus. Então, constitui-se uma crosta de 1 a 5 milímetros de espessura. Pela sua orla começa a sair um líquido purulento; a crosta desprende-se, e a carne fica à mostra, tomando o local a feição de uma cratera. Essa escorrência estanca; a seguir, a orla volta a umedecer. Esse fenômeno repete-se várias vezes, e as feridas chegam ao tamanho de um marco e de um <i>taler</i>. Essa doença da pele não é perigosa, mas muito incômoda, durando, freqüentemente, vários meses. Muitos opinam que ela é provocada pelos carrapatos (na linguagem dos colonos, <i>Karabatten</i>), que se pregam à pele do próximo. A cura, segundo a idéia dominante, é sinal de completa aclimatação; daí o nome de &#8220;feridas do clima&#8221; (<i>Klimawunden</i>).</p>
<p>Além dos carrapatos, fazem parte das pequenas pragas da região, os &#8220;bichos de pé&#8221; que têm o mau hábito de se aninhar debaixo das unhas do pé, donde são retirados, muitas vezes, com dor. Representam uma dessas ninharias que, atuando conjuntamente, roubam todo o prazer à existência terrena, mesmo que as vítimas sejam colonos, de sensibilidade pouco desenvolvida.</p>
<p></p>
<h4>
4. A higiene</h4>
<p>
Nas colônias alemãs, não se encontram médicos nem parteiras. Nas cidades, em Porto do Cachoeiro e Vitória, não faltam médicos brasileiros; não viajam para as zonas rurais e só fazem exceção a essa regra mediante honorários que, nos casos mais simples, importam em 300 a 500 mil réis, e não é possível cobrar quantias menores, pois uma visita custa um ou mais dias de jornada. Essas importâncias, para o colono, são exorbitantes; além disso, seria muito provável que o médico chegasse tarde demais.</p>
<p>O papel do médico tem, assim, de ser exercido pelo pároco, ou pelo vendeiro, ou por um colono prático na matéria; todos eles só aplicam simples remédios caseiros. Uma das figuras características da colônia é o &#8220;doutor das cobras&#8221; (<i>Schlangendoktor</i>), que Wernicke pinta em traços interessantes, como segue: &#8220;Há algumas pessoas, espalhadas na colônia, que conquistaram a faina de possuir uma habilidade estranha para curar picadas de cobra. Na sua área de ação, congregam, em torno de si, uma clientela; cada cliente paga uma anuidade de 2 a 4 mil réis, pelo que se obrigam a tratar deles, em caso de necessidade, sem pagamento extra. O doutor das cobras é, por assim dizer, uma espécie de médico de caixa, social. Um ou outro deles é olhado com certo temor supersticioso, como se tivesse feito um pacto com o diabo, o senhor das cobras, inimigas do homem, e contam-se estranhas histórias de seu imaginário poder, sobre representantes vivos e mortos do reino das serpentes; o doutor da cobras, a seu turno, esforça-se, às vezes, por se cercar de um nimbo misterioso&#8221;.</p>
<p>A terapêutica racional, com a aplicação do soro anti-ofídico, preparado pelo afamado instituto ofídico de São Paulo, é quase desconhecida entre os colonos. Conforme apurei, é muito difícil obter o soro, em virtude da produção cobrir, apenas em parte, a procura existente.</p>
<p>O tratamento que se dá aos doentes viola todas as regras de higiene. Durante a enfermidade, não se muda a roupa de cama com mais freqüência que de ordinário, a qual pode, assim, permanecer a mesma, durante vários meses. O quarto do enfermo continua a servir de compartimento de dormir para outros membros da família; as janelas se conservam cuidadosamente fechadas, apesar do clima ameno. A alimentação não se altera em nada: constitui-se dos mesmos pratos pesados com que se nutre o indivíduo são. Vigora, por parte dos vizinhos, o costume irracional de cumular o enfermo de visitas, esteja ele em estado grave ou desenganado, a fim de se informarem como vai passando; nessa ocasião, conforme as circunstâncias, se fala da maneira mais natural, do próximo desenlace.</p>
<p>São péssimas as condições higiênicas. Não há latrinas. As fezes, em muitos sítios, são lançadas na água corrente, A construção de chiqueiros e tanques para patos junto aos rios facilita que se espalhem epidemias.</p>
<p>É enorme o consumo de álcool. Bebe-se, principalmente, uma aguardente extraída da cana de açúcar, a cachaça (<i>Kaschass</i>, na linguagem dos colonos).</p>
<p>Também se gasta muita cerveja; quase não se consome vinho. Todavia, a aguardente e a cerveja não se tomam, de ordinário, em casa nem durante o trabalho. O consumo de bebidas se limita, costumeiramente, a determinadas ocasiões. Estas, porém, apresentam-se numerosas; a simples visita a uma venda e o ajuntamento já legitimam plenamente uma pinga.</p>
<p>Conhecidos beberrões, dos tais que destróem o bem estar e a vida tranqüila da família, os há em toda comunidade; na de Santa Leopoldina, por exemplo, entre os seus 120 membros, uns três ou quatro; a esses teremos de acrescentar mais três ou quatro, se computarmos aqueles que, bebendo muito, insultam e armam barulho, mas não levam o lar à ruína. Os colonos reputam Santa Cruz, situada na planície, a comunidade mais &#8220;afogada&#8221;; soube que lá existem beberronas notórias.</p>
<p>Em face de tudo isso, como explicar o nível de saúde, extremamente alto, da população teuta, no Espírito Santo? O uso do álcool, em virtude do trabalho pesado e da vida simples do campo que pouco exige do sistema nervoso central, parece que não traz às funções orgânicas, prejuízos apreciáveis. E os perigos da sujeira se nos afiguram sem monta, quando pensamos no isolamento dos sítios, no ilimitado espaço de que dispõe cada família; o, que, nas cidades, seria um crime contra a saúde pública, no mato, é, a bem dizer, apenas uma ingênua violação da estética. Já é mais difícil de compreender que o tratamento precário dado aos doentes e a ausência de médicos e parteiras não tenham conseqüências. Poder-se-ia argumentar que essas condições proporcionam uma seleção sadia, e lembrar, por exemplo, que biólogos expressaram o temor de a capacidade de parir ser enfraquecida progressivamente, em virtude de um desenvolvimento desmesurado da técnica obstétrica. Mas, os alemães se radicaram no Espírito Santo, ha duas ou três gerações apenas, e, desse modo, estariam longe de se tornar perceptíveis os resultados de unia melhor seleção biológica. Em todo caso, não há dúvida de que os teutos que imigraram para o Espírito Santo eram um material humano muito sadio. Por certo, a vida simples, distante do mundo agitado, a existência uniforme, a alimentação e o sono satisfatórios, o trabalho na justa medida, só raramente excessivo, aproximam a vida do colono, em vários aspectos, do ideal de um sanatório naturista, e compensem os muitos pecados contra os preceitos de higiene. Demais, não se verificam doenças sexuais e suas conseqüências.</p>
<p>Por mais que procuremos as causas de um nível de sanidade tão alto, não conseguimos descobrir outro fator além do clima.</p>
<p></p>
<h4>
5. A influência do clima</h4>
<p>
Poucas regiões da terra serão tão propícias à saúde humana como a parte alta, coberta de matas, do Espírito Santo. Aí, o calor do dia, não é excessivamente úmido e predominam as noites amenas; no inverno, os períodos frescos de chuva atuam benfazejos, compensando as semanas abafadas do verão.</p>
<p>O aspecto dos habitantes atesta a benignidade do clima.</p>
<p>Os garotos são vivazes e bem desenvolvidos. Suas faces, talvez um pouco amorenadas e menos róseas que as dos filhos de nossos camponeses, nada têm de doentio.</p>
<p>Os homens, no porte, no tamanho e na expressão fisionômica, tendem a um abrasileiramento. Lamberg não reproduz o tipo do colono teuto, no Espírito Santo, quando fala dos ossos de mamute dos pomeranos que lá <span id="ACO7_RP8V">encontrou.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP8" title="Lamberg, pág. 219. — Nocht, Stand der Akklimatisationsfrage, Verh. des deutschen Kolonialgrasses. 1910, pág, 287. — Vide Wernicke, pág. 108."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> Os colonos são magros e esguios, talvez menores que seus pais, mas possuem formas musculosas e possantes. É duvidoso que sua eficiência seja menor que a dos antepassados. Diversas pessoas na região procuram atribuir essa modificação física ao consumo de aguardente e ao vício de fumar, difundidos entre os rapazes. Com mais razão, talvez, ver-se-ia nesse fenômeno uma decorrência da adaptação à terra, ao trabalho na floresta, à alimentação diferente.</p>
<p>As moças não adquiriram nada da graça e faceirice indolentes das brasileiras, o que me parece uma conseqüência de trabalharem, pesadamente, no campo, ao lado do homem. Permaneceram pelo menos, tão robustas e fortes quanto eram suas mães e avós. Foi difícil verificar se o clima apressa o desenvolvimento sexual. Parece ser realmente o caso. Segundo averigüei, em Campinho, a colônia mais velha, em cuja formação predominaram renanianos, a puberdade surge, ordinariamente, entre os 12 e 13 anos; entre os 13 e 14, com certa freqüência aos 15 e, esporadicamente, aos 12, nas comunidades mais novas, onde prevalece o elemento pomerano.</p>
<p>Na região alta, não se percebe a menor ação enfraquecedora do clima. Já vimos, atrás, que a capacidade de trabalho não <span id="ACO7_RP9V">diminuiu.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP9" title="Cap. V, 5."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a></p>
<p>Não se observa entre os colonos, sob nenhum aspecto, uma atuação nociva do clima sobre o sistema central nervoso. Parece que essa verificação contradiz as verificações muitas vezes feitas noutros países tropicais, as quais levaram Steudel, por exemplo, a opinar o seguinte: &#8220;É de supor que o organismo dos europeus, especialmente o sistema nervoso, sofra alteração, em virtude de permanência duradoura nas regiões altas dos trópicos, quando não na primeira, na segunda e nas seguintes <span id="ACO7_RP10V">gerações&#8221;.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP10" title="Anais do Congresso Colonial, p. 329."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> E Daeubler: &#8220;Meus estudos induziram-me a admitir que o clima tropical em si, inclusive o das montanhas, prejudica, sobretudo, o sistema nervoso central do <span id="ACO7_RP11V">branco&#8221;.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP11" title="Anais do Congresso Colonial, p. 336."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a></p>
<p>Deve-se levar em conta que o colono alemão leva uma vida pouco agitada, psicologicamente e que as sensações a que está exposto se limitam, em grande parte, a disputa entre vizinhos e parentes. Sua maneira de viver favorece o sistema nervoso, especialmente o longo sono que desfruta. Mas, justamente o fato de ele dormir tanto, parece-me um indício de o clima de lá exigir mais dos nervos que entre nós. Entre os representantes da atividade espiritual, os sacerdotes, parece ter havido casos esporádicos de neurastenia. Mas, é difícil de dizer se, para esses padecimentos nervosos, contribuiu o clima e, no caso afirmativo, até onde foi sua atuação.</p>
<p>O clima da região alta é, portanto, extraordinariamente saudável. O mesmo não se pode dizer, sem reservas, com relação à parte baixa do território por onde se estende o povoamento teuto. Na verdade, as taxas de natalidade e de mortalidade são aí, extremamente favoráveis: em Santa Cruz, por mil, há 50 a 60 nascimentos e 8 a 10 óbitos; em Santa Joana, 60 a 72 nascimentos e 11 a 14 óbitos. Demais, naquelas bandas quase que só moram famílias jovens. Mas, não é de olvidar que a malária, a disenteria e o tifo exigem um número apreciável de vítimas, o que decorre, em grande parte, das más condições hidrográficas, e é, assim, de se atribuir ao clima, até certo ponto.</p>
<p>Está fora de dúvida que o clima da região baixa exerce uma ação extenuante. Aí, não se vêem as cores vivas naturais dos meninos e dos adultos. A menstruação das jovens é, com freqüência, anormal, começando a aparecer, muitas vezes, tardiamente. As pessoas ficam bastante sensíveis ao calor e ao frio. E o que dá mais o que pensar, os colonos, na maneira de viver, revelam certa debilitação, tendem a acaboclar-se. Sua produtividade começa a decair.</p>
<p>É possível que a má alimentação seja uma das causas do fato. Na zona baixa, faltam legumes. Outras cadências, moradias más, por exemplo, farão sentir seus efeitos, uma vez que são novas as colônias de lá. Na região alta, reinavam, no começo, condições bem tristes. É de se esperar que o clima melhore na planície, com as sucessivas derrubadas.</p>
<p>O mesmo se pode dizer com relação ao trecho que se desdobra à margem do rio Doce, o qual se procurou colonizar, sem resultados. Colonos alemães se estabeleceram em Pau Gigante, atraídos pela terra excelente, mas foram expulsos pela febre.</p>
<p>A observação verificou, segundo se acredita na zona baixa, que os nascidos na região alta, descendentes dos primeiros colonos, aclimatam-se mais facilmente nos lugares baixos que os imigrantes europeus que vão diretamente para esses lugares, como os colonos do núcleo Afonso Pena.</p>
<p>Essa observação não é nenhuma novidade. Nocht afirma <span id="ACO7_RP12V">que</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP12" title="Anais do Congresso Colonial Alemão, p. 285.&lt;br /&gt;"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> o êxito do povoamento, sob os trópicos, na Queenslândia, decorre de &#8220;a colonização se ter realizado não por elementos vindos diretamente da Europa, mas do sul da Austrália, de clima subtropical; trata-se de uma aclimatação progressiva, primeiro nos subtrópicos, depois nos trópicos, na qual preponderam os descendentes dos que se adaptaram aos subtrópicos. Já na década de 1880, Hans Buchner, chamava atenção para as vantagens dessa aclimatação progressiva aos trópicos, também observada, atualmente, entre os <i>boers</i>.</p>
<p></p>
<h4>
6. Sexualidade e casamento</h4>
<p>
Já vimos que praticamente não há doenças sexuais entre os colonos. Pessoas idôneas para informar a respeito, confirmaram esse fato surpreendente que decorre de não haver, senão esporadicamente, contato sexual entre os colonos e elementos da população brasileira.</p>
<p>Entretanto, dentro das comunidades teutas, as relações ilegítimas são, provavelmente, muito numerosas. Em cada comunidade, raramente ocorre mais de 1 a 2 nascimentos bastardos, por ano; há anos em que não se verifica nenhum. Mas, são freqüentes as relações pré-matrimoniais que, no caso de provocarem a gravidez, levam ao casamento, segundo um velho costume dos camponeses.</p>
<p>A opinião pública procura, naturalmente, estigmatizá-las. O estatuto da comunidade de Jequitibá dispõe que será cobrada &#8220;a multa de 30 mil réis à noiva desonrada que se casa com grinalda e, sete meses depois da boda, dá à luz&#8221;. &#8220;A noiva desonrada&#8221; é a que &#8220;se apossa sub-reptícia e ilegitimamente&#8221; do predicado de virgem, silenciando, na ocasião das núpcias, as relações sexuais havidas anteriormente. Se a transgressão é confessada, a noiva não pode apresentar-se com grinalda, nem o cúmplice com ramalhete; além disso, ela não será chamada de donzela, nem ele de solteiro. Em Jequitibá, o batismo de uma criança legítima custa 2½ mil réis, e o de uma ilegítima, 10.</p>
<p>Os números abaixo nos esclarecem no tocante à idade média de casamento:</p>
<div align="center">
<table align="center" border="1" cellpadding="10" style="width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td rowspan="2">
<div style="text-align: center;">
<b>Comunidade</b></div>
</td>
<td rowspan="2">
<div style="text-align: center;">
<b>Ano</b></div>
</td>
<td colspan="2">
<div style="text-align: center;">
<b>Idade média de casamento</b></div>
</td>
</tr>
<tr>
<td>
<div style="text-align: center;">
<b>Mulher</b></div>
</td>
<td>
<div style="text-align: center;">
<b>Homem</b></div>
</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="3">Campinho</td>
<td align="right" valign="middle">1910</td>
<td align="right" valign="middle">20-21</td>
<td align="right" valign="middle">24-25</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">20-21</td>
<td align="right" valign="middle">25-26</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">20-21</td>
<td align="right" valign="middle">25-26</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="3">Santa Leopoldina</td>
<td align="right" valign="middle">1910</td>
<td align="right" valign="middle">20-21</td>
<td align="right" valign="middle">23-24</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">20-21</td>
<td align="right" valign="middle">25</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">20-21</td>
<td align="right" valign="middle">26-27</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="3">Jequitibá</td>
<td align="right" valign="middle">1910</td>
<td align="right" valign="middle">21-22</td>
<td align="right" valign="middle">24-25</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">21-22</td>
<td align="right" valign="middle">26-25</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">22-23</td>
<td align="right" valign="middle">25-26</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="3">Califórnia</td>
<td align="right" valign="middle">1910</td>
<td align="right" valign="middle">21</td>
<td align="right" valign="middle">25-26</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">20-22</td>
<td align="right" valign="middle">24-25</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">23</td>
<td align="right" valign="middle">24-25</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Santa Joana</td>
<td align="right" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
<td align="right" valign="middle">26-27</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1912</td>
<td align="right" valign="middle">21-22</td>
<td align="right" valign="middle">23-24</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Santa Maria</td>
<td align="right" valign="middle">1910</td>
<td align="right" valign="middle">21-22</td>
<td align="right" valign="middle">24</td>
</tr>
<tr>
<td align="right" valign="middle">1911</td>
<td align="right" valign="middle">21-22</td>
<td align="right" valign="middle">23-24</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Esses números, que não abrangem os casamentos de viúvos e viúvas, mostram-nos que a idade média de casamento da mulher oscila entre 20 e 22 anos, e a do homem, entre 24 e 26. Esporadicamente, casam-se moças, aos 15; com alguma freqüência, entre 16 e 17; muitas só contraem matrimônio, entre os 25 e os 30. De 4 a 5 moças que se casam, uma tem menos de 20 anos (em 197 casos observados: 45). A idade de casamento dos homens é relativamente baixa. Em cinco noivos, mais ou menos, encontra-se um mais jovem que a noiva (em 247 casamentos: 47). Amiúde, unem-se matrimonialmente, pessoas da mesma idade. As cifras demográficas tão favoráveis induzem-nos a perguntar se essa relação de idade entre os sexos não é um fator biologicamente propício.</p>
<p>Observei que o número dos que permanecem solteiros é quase nulo. Os motivos que prevalecem, na escolha da companheira, são de ordem econômica; as mais velhas são preferidas, porque &#8220;as mais jovens&#8221;, segundo a experiência, &#8220;nada entendem de economia caseira&#8221;.</p>
<p>A margem de eleição, para ambos os sexos, se reduz em virtude do pequeno número de colonos; a divisão confessional ainda restringe mais. Além disso, em conseqüência da dispersão dos povoadores teutos, só pequena parte dos doze a treze mil protestantes mantém relações entre si. O ajuntamento, o ofício divino, a visita à venda, os casamentos e os batizados, as relações entre vizinhos, portanto, delimitam as oportunidades de travar conhecimento. Por isso, as pessoas que se casam são quase sempre do mesmo lugar. É muito freqüente a união matrimonial entre os filhos de moradores que se avizinham mais. Parece não haver praticamente casamentos entre parentes mais próximos.</p>
<p>Paira o perigo de uniões consangüíneas, uma vez que essa população, há decênios, não recebe nenhum reforço imigratório digno de menção. Se esse perigo aumenta ou diminui com a pequena diferenciação entre os indivíduos, escuso-me de, julgar. Por ora, ele não se manifesta.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="ACO7_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide Cap. III, 2.</div>
<div id="ACO7_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Já se averiguaram, aí, 17 casos de natimortos.</div>
<div id="ACO7_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide Cap. III, 2.</div>
<div id="ACO7_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;As observações que se seguem, por isso, têm, apenas, valor relativo.</div>
<div id="ACO7_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Pessoa idônea contestou, posteriormente, essa informação.</div>
<div id="ACO7_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Mensagem do Presidente, de 17 de setembro de 1895, págs. 6 e seguintes.</div>
<div id="ACO7_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do tradutor: Há, aí evidentemente, uma confusão entre a surucucu e a cascavel.</div>
<div id="ACO7_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Lamberg, pág. 219. — Nocht, Stand der Akklimatisationsfrage, Verh. des deutschen Kolonialgrasses. 1910, pág, 287. — Vide Wernicke, pág. 108.</div>
<div id="ACO7_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Cap. V, 5.</div>
<div id="ACO7_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Anais do Congresso Colonial, p. 329.</div>
<div id="ACO7_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Anais do Congresso Colonial, p. 336.</div>
<div id="ACO7_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/#ACO7_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Anais do Congresso Colonial Alemão, p. 285.</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ernest-wagemann-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<div style="font-size: 70%; text-align: center;">
(para visualizar o sumário completo do texto&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/">A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Terceira parte: O modo de vida (VIII)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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