<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Gilson Soares &#8902; Estação Capixaba</title>
	<atom:link href="https://estacaocapixaba.com.br/category/gilson-soares/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/gilson-soares/</link>
	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
	<lastBuildDate>Mon, 22 Nov 2021 20:49:23 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2019/01/favEC-150x150.png</url>
	<title>Arquivos Gilson Soares &#8902; Estação Capixaba</title>
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/gilson-soares/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>poesia de bolso &#8211; volume 3</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/poesia-de-bolso-volume-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Clara]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 19:45:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Série Estação Capixaba]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://estacaocapixaba.com.br/?p=8880</guid>

					<description><![CDATA[<p>SOARES, Gilson.&#160;Poesia de bolso – pequenos poemas pedestres.&#160;Vitória: Estação Capixaba / Cândida Editora, 2017 [Série ESTAÇÃO CAPIXABA, vol. 3.&#160;Edição digital&#160;– ISBN 978-85-64258-08-2]&#160;– Reprodução e/ou divulgação parcial ou total autorizada pelo autor, desde que feita com o devido crédito a ele e aos editores.</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/poesia-de-bolso-volume-3/">poesia de bolso &#8211; volume 3</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://1.bp.blogspot.com/-tMcuOz4oovU/WOuVp_rVEQI/AAAAAAAAMX4/_x-xSR5en6E_tdAKEb2wAkSlgw7BPnfkACLcB/s1600/Poesia-capa-p.jpg" alt="" width="327" height="464"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://issuu.com/mariaclaramedeiros7/docs/1-poesia_de_bolso-vers__o_final" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SOARES, Gilson.&nbsp;<em>Poesia de bolso – pequenos poemas pedestres.&nbsp;</em>Vitória: Estação Capixaba / Cândida Editora, 2017 [Série ESTAÇÃO CAPIXABA, vol. 3.&nbsp;Edição digital&nbsp;– ISBN 978-85-64258-08-2]</a>&nbsp;– Reprodução e/ou divulgação parcial ou total autorizada pelo autor, desde que feita com o devido crédito a ele e aos editores.</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/poesia-de-bolso-volume-3/">poesia de bolso &#8211; volume 3</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com a Magrela na Estrada: Circuito São Francisco</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada-circuito-sao/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada-circuito-sao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Sep 2017 15:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Pedalar margeando o Velho Chico da nascente até o mar.&#160; Clique no link abaixo para saber como participar do Projeto!</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada-circuito-sao/">Com a Magrela na Estrada: Circuito São Francisco</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<h3 style="clear: both; text-align: center;">
</h3>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://2.bp.blogspot.com/-XchZ8JVDFaY/WbABzXOg83I/AAAAAAAARTc/dlt5OyhNSxIK0laURgVyAvPCCWVTxF2jQCLcBGAs/s1600/Logo%2Bcircular%2Bbranca.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img decoding="async" border="0" data-original-height="1600" data-original-width="1529" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Logo2Bcircular2Bbranca.png" class="wp-image-5090" width="380" /></a></div>
<h3 style="clear: both; text-align: center;">
Pedalar margeando o Velho Chico da nascente até o mar.&nbsp;</h3>
<h4 style="clear: both; text-align: center;">
Clique no link abaixo para saber como participar do Projeto!</h4>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<iframe frameborder="0" height="500px" scrolling="no" src="https://www.catarse.me/pt/projects/61282/embed" width="500px"></iframe></div>
<p></p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada-circuito-sao/">Com a Magrela na Estrada: Circuito São Francisco</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada-circuito-sao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A dor de São Domingos</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Foto Gilson Soares, 2014. A prazerosa manhã de chuva em nada alterou o planejamento que eu tinha feito para aquela quinta-feira, 12 de junho de 2014. Para aquele dia, eu reservara um roteiro curto e fácil. Nada mais do que um breve pedal matinal. Sairia de Barra de São Francisco com o propósito de chegar [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/">A dor de São Domingos</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-tY8pVAoPobg/WXi2fwwedUI/AAAAAAAARPI/SYW36NBGSuoBza7KV21Q-ZGZlkgSmD1-gCPcBGAYYCw/s1600/Giro%2Bpelo%2BArco%2BNorte%2B-%2Btodas%2Bas%2Bfotos%2B468-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Foto Gilson Soares, 2014." border="0" data-original-height="848" data-original-width="1200" height="452" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Giro2Bpelo2BArco2BNorte2B-2Btodas2Bas2Bfotos2B468-p.jpg" class="wp-image-5143" title="Foto Gilson Soares, 2014." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
A prazerosa manhã de chuva em nada alterou o planejamento que eu tinha feito para aquela quinta-feira, 12 de junho de 2014.</p>
<p>Para aquele dia, eu reservara um roteiro curto e fácil. </p>
<p>Nada mais do que um breve <i>pedal</i> matinal. </p>
<p>Sairia de Barra de São Francisco com o propósito de chegar a São Domingos do Norte ao meio do dia. </p>
<p>Só isso. </p>
<p>Ali, já daria por encerrada aquela jornada ciclística. </p>
<p>Depois disso eu ia relaxar e esperar o jogo de abertura da Copa do Mundo de Futebol. </p>
<p>Assim se fez. </p>
<p>No meio do percurso ainda dei uma paradinha em Águia Branca, cidade cujo topônimo, fiquei sabendo, foi recortado – com cuidado – do Brasão de Armas da Polônia e trazido de lá por um grupo de imigrantes que aqui chegou pra fundar a vila. </p>
<p>Sob chuva, entreguei um ou dois exemplares de Minério à biblioteca da EEEFM Águia Branca e, já saindo da cidade, me permiti uma pequena cerveja – uma <i>latinha</i> silenciosa e contemplativa – no já festivo bar do posto de combustível que limita ao sul aquele diminuto ajuntamento urbano. </p>
<p>Num aparelho de televisão, instalado ali, vi que já se iniciavam as transmissões preliminares da cerimônia de abertura da Copa. </p>
<p>Uma <i>galera</i> – a maioria deles, jovens – que encerrara as suas jornadas de trabalho mais cedo, jogava sinuca, bebia, comia e, principalmente, farreava, ali no barzinho do posto, onde certamente ficariam pra ver o jogo. </p>
<p>Transitando ao largo da estridente televisão e da festiva bagunça daqueles aguiabranquenses que ali digladiavam sua divertida loquacidade, fiquei por um tempo observando um canário intensamente amarelo que circulava entre os carros e motos estacionados em torno do barzinho. </p>
<p>O <i>canarinho</i> – que já foi símbolo de seleções brasileiras mais marcantes (e menos mercantes) do que aquela que se apresentaria daqui a pouco – voava de um pra outro veículo, dialogando, em melodioso trinado, com sua imagem na superfície molhada dos coloridos (e reflexivos) automóveis em que pousava (e posava). </p>
<p>Inquieto, ele se esforçava, com o seu canto solitário, pra expressar o deslumbre – e o espanto! – que aquela sucessiva ilusão visual lhe provocava. </p>
<p>Saltava então de um carro pra outro, dando bicadinhas no seu <i>sósia</i> e cantando alto pra ninguém, senão eu, escutar. </p>
<p>&#8211; Perdoem-me, pedi amistoso à águia polaca e ao canário da terra – não aos loquazes rapazes –, mas tenho que ir. </p>
<p>E fui. </p>
<p>Isso pra chegar, como cheguei, a São Domingos ainda cedo. </p>
<p>O que tinha planejado, era me hospedar, tomar um banho, acomodar a <i>magrela</i>, dar uma voltinha a pé pela cidade – pra sentir o clima – e depois, retornando ao hotelzinho, assistir, quieto e só, ao primeiro confronto daquele <i>Mundial de Futebol</i> – Brasil x Croácia – que aconteceria <i>daqui a pouco</i>. </p>
<p>Percebi, ao caminhar pelas poucas ruas de São Domingos, que não se repetia ali a alegre expectativa que eu tinha presenciado em Águia Branca.<br />
Nem rapazes loquazes, nem canários canoros encontrei passeando pela urbe <i>dominicana</i>. Isso naquela quinta-feira em que – imaginei – o Brasil inteiro exibiria um comportamento dominical. </p>
<p>Pelo que estava vendo, não seria bem assim. </p>
<p>São Domingos estava turva, vazia, úmida e silenciosa. </p>
<p>Talvez até constrangida, me pareceu. </p>
<p>O que teria se dado entre a minha festiva saída de Águia Branca e aquela chegada chué a São Domingos do Norte? </p>
<p>Foi com esta interrogação que encerrei o silencioso passeio pedestre e subi pro meu abrigo no hotelzinho. </p>
<p>Antes do jogo – enquanto eu me servia uma cerveja e buscava uma confortável acomodação – a televisão mostrava imagens e comentários da cerimônia de abertura da Copa. </p>
<p>Só aí fiquei sabendo do que tinha se dado naquele evento oficial. </p>
<p>Uma tragédia nacional.<br />
Isso, enquanto eu, desinformado, viajava sob a chuva, entre <i>úmidas</i> montanhas de granito e esbeltas cachoeiras pluviais. </p>
<p>Entendi, então, solidário, o constrangimento de São Domingos. </p>
<p>A cerveja ficou choca, diante de uma partida chocha. </p>
<p>Para uma abertura de Copa do Mundo, em casa, contra um selecionado de muito pouca expressão na história do futebol, o que se via no gramado era, com certeza, muito aquém do esperado. </p>
<p>Além disso, guardo a impressão de que pesava sobre todos nós um sentimento de vergonha (e dor). </p>
<p>Vergonha porque um grupo de brasileiros tinha transmitido para o mundo, durante a cerimônia de abertura, uma expressão, uma atitude, que não era – não é – a representação do sentimento – e do comportamento – nacional. </p>
<p>O xingamento que aquela minoria – habitantes do <i>hemisfério norte</i> do mapa social brasileiro – estava ali esganiçando aos olhos e ouvidos do mundo, não é usual no nosso convívio. </p>
<p>Nós não somos assim. </p>
<p>A maioria da população brasileira – como eu, como você civilizado leitor – não expressaria a infamante frase que a aquele grupo vociferava para espanto do mundo. </p>
<p>Por isso, assisti envergonhado àquele jogo. </p>
<p>E o que eu sentia depois da partida, andando silente pela cidade que continuava cabisbaixa, era uma sensação de angústia sem pouso, sem abrigo, sem abraço. </p>
<p>Sentia em algum lugar de mim – talvez na alma –, como também na cidade – que me parecia estupefata – uma dor sombria, intensa e extensa. </p>
<p>Uma dor imensa. </p>
<p>A dor da Pátria. </p>
<p>Envergonhada. </p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4.jpg" class="wp-image-5144" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/">A dor de São Domingos</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As cachoeiras pluviais</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014. Quando a barra do dia despontou sobre Barra de São Francisco na manhã daquela quinta-feira, trouxe estampada na lapela uma evidente – e urgente – promessa de toró. Eu – bem como a cordata magrela – transitava risonho e despreocupado, a caminho da saída da cidade, na primeira hora [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/">As cachoeiras pluviais</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-_rqPJlPepC4/WXiycYCioXI/AAAAAAAARO4/mYnqIUdJkig1G8FSMvm9wZWmEtAoGEbjwCLcBGAs/s1600/Giro%2Bpelo%2BArco%2BNorte%2B-%2Btodas%2Bas%2Bfotos%2B486-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" data-original-height="900" data-original-width="1200" height="480" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Giro2Bpelo2BArco2BNorte2B-2Btodas2Bas2Bfotos2B486-p.jpg" class="wp-image-5146" title="Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Quando a barra do dia despontou sobre Barra de São Francisco na manhã daquela quinta-feira, trouxe estampada na lapela uma evidente – e urgente – promessa de toró.</p>
<p>Eu – bem como a cordata <i>magrela</i> – transitava risonho e despreocupado, a caminho da saída da cidade, na primeira hora daquela manhã turva.</p>
<p>Mais de um motivo contribuíam para que eu – como se desdenhasse do pé-d’água que o dia anunciava – exibisse, ali, aquele semblante sereno.<br />
O primeiro é que acabara de concluir, em Barra de São Francisco, o percurso do desenho cartográfico do <i>Torreão Noroeste</i> do Espírito Santo.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-64WDZDmN3yk/WX9MerO_6-I/AAAAAAAARPg/uh86zHgBCoAq7MGWd5QETguazXKnEsmpQCLcBGAs/s1600/Mapa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="576" data-original-width="958" height="384" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa.jpg" class="wp-image-5147" width="640" /></a></div>
<p>E isso, pra minha alegria, tinha se dado com razoável proximidade do que fora previsto no meu esforçado – coitado – projeto de viagem.</p>
<p>No dia anterior, eu tinha chegado a <i>São Chico</i> – depois de romper as últimas fraldas desgrenhadas dos Aimorés – a tempo de deixar exemplares de Minério na Biblioteca Pública Municipal e na biblioteca da Escola Estadual de EEEFM João XXIII.</p>
<p>Além dessa tarefa, digamos, protocolar, tive tempo, ainda, de fazer um solitário passeio noturno por esta cidade que esconde, nos recônditos da sua conformação urbana, um remoto – pueril, mesmo – sentimento de admiração.</p>
<p>Eu, quando criança, gostava de passar por aqui e apreciar esta bela <i>catedral</i> de São Francisco de Assis, pousada num pequeno outeiro no centro da cidade.</p>
<p>Gostava também de ver a praça ajardinada que sempre exibia pequenas árvores <i>torneadas</i>, em diferentes formas geométricas, por algum jardineiro misterioso – e engenhoso – que eu nunca via em ação, nas minhas fugazes passagens pela cidade.</p>
<p>Este passeio noturno ao passado, ofertado por <i>São Chico</i> agora, brindava, então, o desfecho do contorno do <i>Torreão</i>.<br />
O arremate do passeio se deu, claro, na companhia providencial de uma silenciosa (e saborosa) cerveja num botequim francisquense.</p>
<p>Já o outro motivo para o meu cenho sorridente nesta manhã chuvosa é que eu gosto, mesmo, de chuva.</p>
<p>De chuvas.</p>
<p>E como eu já tinha, por precaução, agasalhado com impermeável segurança na garupa da <i>magrela</i> a rotunda bagagem – roupas, livros e utensílios de viagem –, estava, agora, livre para o belo banho ambulante que se me apresentava matinal e gracioso.</p>
<p>Por tudo isso eu, franciscano, ia, ali, sereno – lírico! – deixando pra trás <i>São Francisco</i>.</p>
<p>E olha que, àquela hora, nem me passava pela cabeça o que estava à minha espera: a profusão de cachoeiras altaneiras que iriam saltar aos meus olhos durante toda aquela manhã.</p>
<p>Coisa que há muito tempo eu não via.</p>
<p>Essas quedas d’água, feitas de enxurradas altas que despencam ziguezagueando dos cocurutos das montanhas de pedra, eu as conheço desde outros temporais.</p>
<p>Eram elas que ilustravam com frequência – no anfiteatro que compõe Ecoporanga – minhas sonoras e iluminadas tormentas infantis.</p>
<p>Entre estrondos e relâmpagos, as enxurradas deslizavam pelas montanhas de granito que circundam, ali, o vale do <i>rio Dois</i>.</p>
<p>E depois se jogavam por despenhadeiros escuros, feito efêmeras cachoeiras brancas e esguias.</p>
<p>Como estas que agora, pedalando pela manhã de uma quinta-feira invernosa, eu via.</p>
<p>Que dia!</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4-1.jpg" class="wp-image-5148" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/">As cachoeiras pluviais</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O dia em que o Rei pirou</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jun 2017 15:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Sampaio]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160;Não vislumbro nenhum empecilho para sonhar que um dia Roberto Carlos, o Rei, cantará em público – ou mesmo gravará em estúdio &#8211; alguma ou até, quem sabe, algumas canções do seu conterrâneo, Sérgio Sampaio. Concedo-me, ainda, o direito de sonhar que isso se dará em um show a céu aberto sob o céu de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/">O dia em que o Rei pirou</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-XhXz0-hUM9g/WU_GwTh_cfI/AAAAAAAAQ9w/3OUvuweSTU8BEfNiDOvZO_VQlfiL7K8mQCLcBGAs/s1600/19054975_509731992751287_2930120244900541296_o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Autoria: Lucius Kalinc / Produção: João Sampaio. 2017." border="0" data-original-height="458" data-original-width="329" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/06/19054975_509731992751287_2930120244900541296_o.jpg" class="wp-image-5167" title="Autoria: Lucius Kalinc / Produção: João Sampaio. 2017." width="286" /></a></div>
<p>&nbsp;Não vislumbro nenhum empecilho para sonhar que um dia Roberto Carlos, o Rei, cantará em público – ou mesmo gravará em estúdio &#8211; alguma ou até, quem sabe, algumas canções do seu conterrâneo, Sérgio Sampaio.</p>
<p>Concedo-me, ainda, o direito de sonhar que isso se dará em um show a céu aberto sob o céu de Cachoeiro.</p>
<p>E enquanto admito, sem muito esforço, sonhar com essa possibilidade, alimento também – mas lacrado com um selo de, digamos, segredo autoral – o projeto de transformar esse sonho em uma peça de ficção, talvez um conto com cintilações de realismo fantástico. </p>
<p>Isso, claro, se ele, o sonho, não se fizer, antes, realidade.</p>
<p>O nome do conto – ou novela, talvez – será o que tomei emprestado para titular este texto aqui, que deslustra, temo, o sonhado songbook do <i>velho bandido. </i></p>
<p>O conto – como o sonho – se situa na noite de 19 de abril de 2021.<br />
É que para comemorar o seu octogésimo aniversário, Roberto Carlos decidiu soberano e cônscio, fazer um show histórico – e absolutamente inusitado – na sua cidade natal.</p>
<p>Sem o costumeiro alarde publicitário, Sua Majestade convidou alguns instrumentistas, que não compõem seu <i>entourage</i>, para ensaiarem um repertório totalmente estranho ao grande público que acompanha a sua longeva, linear e – mesmo assim – gloriosa carreira.</p>
<p>O sonho não conta, em detalhes, o roteiro desse espetáculo onírico criado pelo Rei. </p>
<p>Mas a ficção permite relatar todas as minudências do show.</p>
<p>Deixemos, então, por inútil, o sonho instalado ali no espaço nenhum que ele (des)ocupa na ilha de Utopia, e entreguemo-nos à ficção, que, como está à mão, vale mais do que qualquer sonho – ainda que seja <i>real</i> – voando.</p>
<p>Aqui, já no ambiente da ficção, enquanto a tarde &#8211; de 19 de abril de 2021, lembro &#8211; projeta a sua derradeira luminosidade outonal sobre as águas do Itapemirim, podemos observar o velho Rei caminhando solitário e em silêncio pelo grande palco montado na Praça Jerônimo Monteiro, no centro de Cachoeiro, para abrigar esta noite de segunda-feira que não poderá ser senão majestosa.</p>
<p>Só ele, o Rei, sabe que daqui a pouco a cidade presenciará um episódio musical que além de inédito, será surpreendente. </p>
<p>Há quem diga, até, que inacreditável.</p>
<p>Aos músicos que compõem a banda montada exclusivamente pra este show – e, talvez, para um disco que pode nascer daí – o Rei sonegou, com a discrição que a nobreza lhe outorga, maiores informações. </p>
<p>Exaustivo, como de hábito, no afã dos ensaios, ele, no entanto, em momento algum se permitiu com os convivas mais que uma interlocução exclusivamente técnica, ainda que cordial.  </p>
<p>A emoção e um ou outro discurso confessional que por certo o assaltarão quando no palco, ele os guardou a sete chaves. </p>
<p>No fundo do seu coração.</p>
<p>Eles, os músicos – alguns ainda circulam pelo palco, neste fim de tarde outoniço, depois da passagem de som – sabem, claro, e com surpresa, do repertório que <i>Zunga</i> reservou para surpreender sua cidade natal, na data em que se completam oito décadas do seu nascimento ali.</p>
<p>Além das canções que ele nunca quis gravar e de outras que deixou de cantar já há algumas dezenas de anos, surpreenderão ainda mais o cenário e os indumentos pessoais que Sua Majestade aprovou para aquela noite. </p>
<p>Ali hoje, ver-se-á cores que vinham sendo proibidas desde que a sua roqueira e – então – transgressora juventude guardiã se findou. </p>
<p>E sabe ele – o Rei que observamos quieto e só ali naquele palco, agora quase vazio – que além de tudo isso, brotarão hoje da sua emoção alguns discursos que ele manteve emudecidos até esta altura do seu reinado vitalício.</p>
<p>Portanto – se a tanto me ajudar meu pouco engenho e minha minguada arte – esse conto (ou um curto romance, ou uma crônica histórica?), que um dia escreverei, terá muito por onde viajar, no labirinto de surpresas desta noite em que o Rei octogenário – segundo o entendimento de alguns – pirou.</p>
<p>Mas aqui, neste espaço songbookiano (que abriga alguns dos mais aguerridos integrantes da sampaiada nacional atual), vou – com o risco de deslustrar o conjunto – só adiantar uma parte – a que mais nos interessa agora – do que a ficção guarda.</p>
<p>Coisa rápida. Alguns <i>takes</i> do show.</p>
<p>Como, por exemplo, a emocionada abertura desse espetáculo improvável.<br />
Com o palco em blecaute total, o Rei, em <i>off</i> e <i>a capella</i>, desenvolve a primeira estrofe de Meu pequeno Cachoeiro diante da praça lotada e muda. Quando chega ao refrão – com o público já cantando, aplaudindo e chorando – Roberto Carlos, iluminado, aparece sustentado pela banda.</p>
<p>Ao final do hino da sua cidade, o Rei dirige-se a um lado do palco, onde está Raul Sampaio Cocco. </p>
<p>Sentado, quieto, absorto. </p>
<p>Roberto o abraça e beija enquanto todo o público, puxado pela banda, canta o refrão da canção.</p>
<p>Quando os aplausos vagarosamente vão ficando mais dispersos e as lágrimas começam a secar, um violão se projeta incisivo e inconfundível sobre o silêncio que vai dominando a praça. Um foco de luz procura a origem desse som e encontra o guitarrista Piau sozinho no centro do palco, incitando as cordas a relembrarem com segura fidelidade a clássica abertura de Cabras pastando.</p>
<p>A luz se amplia até alcançar o Rei, que entra exato, como se chegasse correndo de uma velha tarde de domingo. </p>
<p>A praça explode.</p>
<p><i>Eu tenho um dom de causar consequências<br />
Um ar de criar evidências<br />
Um sapato novo no lixo</p>
<p>Vem cá <br />
Vem me lembrar que eu venho <br />
de um bando de cabras pastando<br />
De um ninho de cobras me olhando <br />
De herói, de poeta e bandido. </i></p>
<p>&#8230;&#8230;.</p>
<p>Ao final Roberto apresenta, agradece e aplaude Piau, e, diante de um público em sua maior parte querendo saber de quem é esse rock sedutor que o Rei, jovial, acabara de interpretar e de um pequeno número de sampaiófilos boquiabertos, ele fala que Eu quero é botar meu bloco na rua, o primeiro elepê de Sérgio Sampaio, foi uma grande surpresa pra ele e pra muita gente naquele momento, 1973, em que foi lançado. Que é um disco que ele ouviu muito e do qual ainda gosta <i>pra caramba</i>. Mas que Tem que acontecer, o segundo álbum de Sérgio – onde está gravada Cabras pastando, a música que ele acabara de cantar – é um dos seus discos preferidos.</p>
<p>Conta ainda, Sua Majestade, que depois disso ele perdeu um pouco o contato com a obra genial do <i>Sampaio teimoso</i>.</p>
<p>Mas em alguns outros momentos do show, que durou um pouco mais de duas horas, Roberto voltou a falar (e cantar) coisas de Sérgio ou da família Sampaio.</p>
<p>Como quando ele falou do maestro Raul Sampaio e de quantas vezes e com que alegria ele, muito criança ainda, acompanhou a Banda 26 de Julho ali mesmo naquela Praça Jerônimo Monteiro.</p>
<p>Que também se lembra de que ouvia algumas pessoas, <i>por aí</i>, cantando Cala a boca Zebedeu e dizendo que aquela música era do maestro Raul Sampaio.</p>
<p>No que ele não acreditava. </p>
<p>Aos seus olhos infantis só cabia ao respeitável maestro compor os dobrados e hinos que a 26 de Julho executava com galhardia marcial. </p>
<p>E que ele, Roberto, ainda infante, embora não entendesse muito bem, achava muito engraçado o Zebedeu e que uma das primeiras coisas que ele aprendeu a cantar foi aquele refrão. </p>
<p>Aí, fazendo uma voz infantil e diante das gargalhadas do público e da banda que arrancava sons divertidos dos seus instrumentos, Sua Majestade cantou e repetiu algumas vezes:</p>
<p><i>Eu vou pro Rio de Janeiro<br />
ver o escrete brasileiro jogar. </i></p>
<p>Chega. </p>
<p>Mais não contarei aqui. </p>
<p>A literatura ficcional (conto, crônica, novela, romance?) que um dia vou escrever cuidará do restante. Acho.</p>
<p>Só direi ainda, por considerar indispensável, é que o Rei, depois de uma sequência de músicas que ele disse que gostaria de ter criado – a sequência se fechou com Qualquer coisa, de Caetano Veloso – falou de novo de Sérgio Sampaio. </p>
<p>Sua Alteza Real contou que acha Meu pobre blues muito divertido, criativo e atraente. Que ele tem ainda aquele compacto &#8211; <i>autografado por Sérgio! </i> &#8211; guardado com todo o carinho. </p>
<p>E disse mais o Rei. </p>
<p>Disse que ele sempre teve muita vontade de fazer o que ia fazer agora ali, naquela noite do seu aniversário, em Cachoeiro de Itapemirim.</p>
<p>Convidou Piau para ficar à frente da banda de feras que ele tinha convocado para aquela data e realizou, com realeza, para deleite do público presente e silente, o seu sonho:</p>
<p><i>Meu amigo,<br />
Um dia eu ouvi maravilhado<br />
No radinho do meu vizinho<br />
Seu rockzinho antigo<br />
Foi como se uma bomba<br />
Tivesse explodido no ar<br />
E todo o povo brasileiro<br />
Nunca mais deixou de cantar<br />
E desde aquele instante<br />
Eu nunca mais parei de tentar<br />
Mostrar meu blues<br />
Pra você cantar</i></p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p>Outra coisa que eu também não posso deixar de registrar aqui é que quase ao final do show – que se encerrou com uma interpretação, digamos, heróica do velho Rei para Quero que vá tudo pro inferno – Roberto convidou ao palco o seu amigo Erasmo Carlos – que mais de uma vez participou do espetáculo de aniversário do parceiro – para juntos cantarem uma música – <i>Um hino nacional! </i> – que cantavam vez ou outra brincando em festinhas da época, em sua casa ou mesmo na de Erasmo.</p>
<p>(Roberto)</p>
<p><i>Há quem diga que eu dormi de touca<br />
Quem eu perdi a boca<br />
Que eu fugi da briga<br />
Que caí do galho e que não vi saída<br />
Que morri de medo quando o pau quebrou</i></p>
<p>(Erasmo)</p>
<p><i>Há quem diga que eu não sou de nada<br />
Que eu não sei de nada<br />
E não peço desculpas<br />
Que eu não tenho culpa<br />
Mas que dei bobeira<br />
E que Durango Kid quase me pegou</i></p>
<p>(Roberto, Erasmo, a banda e toda a Praça Jerônimo Monteiro, uníssono)</p>
<p><i>Eu quero é botar meu bloco na rua<br />
Brincar, botar pra gemer<br />
Eu quero é botar meu bloco na rua<br />
Gingar pra dar e vender&#8230; </i></p>
<p>Enquanto todos cantavam e dançavam ali na praça e nas ruas mais próximas diante dos telões – já quase ao final daquele longo e extraordinário show histórico – Roberto pegou, sobre um banquinho a seu lado, um livro e mostrando-o ao público disse: Foi importante que chegasse às minhas mãos este Songbook de Sérgio Sampaio. Essa obra despertou a minha reaproximação com a criação musical deste grande poeta conterrâneo e contemporâneo. Agradeço à turma que há coisa de uns seis anos realizou este trabalho aqui no estado. Valeu! Só tem um texto aqui que deslustra um pouco esta publicação tão importante. Mas fazer o quê, não é? Deixa pra lá&#8230;</p>
<p>Ninguém, pra sorte minha, sabia ali a que texto o Rei se referia.</p>
<p>Eu, a um canto da praça, nada disse, nem direi.</p>
<p>Afinal, Rei é Rei.</p>
<p>E se errei, ao escrever (ou ao sonhar), ele, do alto da sua majestade, saberá me perdoar. </p>
<p>Espero.</p>
<p>[In KALINK, Lucius. <i>Songbook Sérgio Sampaio</i>. Vitória: Cousa, 2017.]</p>
<p>
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/">O dia em que o Rei pirou</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com a magrela na estrada</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2017 14:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Gilson Soares adotou a magrela como seu principal meio de transporte urbano, explorando, também com ela, o interior do Espírito Santo. Até o ano de 2016 ele realizou três viagens: à primeira delas, parte do Projeto 2013, chamou Viagem pelo litoral sul e montanhas do Espírito Santo, à segunda, do Projeto 2014, Giro pelo arco [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada/">Com a magrela na estrada</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://3.bp.blogspot.com/-9LLBFKUDhUk/V__YXj_TSgI/AAAAAAAAKb4/BhZZ2SBvYAQy9Hzm5S9g9H2ISy-ZTAXLQCLcB/s1600/vinheta%2B3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" height="434" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/vinheta2B3.jpg" class="wp-image-5193" width="640" /></a></div>
<p>
Gilson Soares adotou a magrela como seu principal meio de transporte urbano, explorando, também com ela, o interior do Espírito Santo. Até o ano de 2016 ele realizou três viagens: à primeira delas, parte do Projeto 2013, chamou <b>Viagem pelo litoral sul e montanhas do Espírito Santo</b>, à segunda, do Projeto 2014, <b>Giro pelo arco norte do Espírito Santo</b>, e à terceira, do Projeto 2016, <b>Circuito Rio Doce</b>.</p>
<p>Ele começou a produzir crônicas a partir do <b>Giro pelo Arco Norte do Espírito Santo</b> e pretende fazer o mesmo com as demais viagens.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>
<b>I &#8211; Giro pelo Arco Norte do Espírito Santo</b><br />
<b><br /></b><br />
<br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/arco-norte-capixaba-num-giro-ciclistico/" style="font-weight: normal;" target="_blank" rel="noopener"><i>Arco Norte Capixaba</i> – Num giro ciclístico</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/carregando-minerio-na-bagagem_1/" target="_blank" rel="noopener">Carregando <i>Minério </i>na bagagem</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/coqueiral-de-aracruz-e-regencia/" target="_blank" rel="noopener">Coqueiral de Aracruz e Regência</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/regentes-com-mao-na-massa/" target="_blank" rel="noopener"><i>Regentes </i>com a mão na massa</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/atravessando-o-vale-do-suruaca/" target="_blank" rel="noopener">Atravessando o Vale do Suruaca</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/hieroglifos-em-petrobres/" target="_blank" rel="noopener">Hieróglifos em <i>petrobrês</i></a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/rumo-as-dunas-de-itaunas/" target="_blank" rel="noopener">Rumo às dunas de Itaúnas</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/um-arco-em-linha-reta/" target="_blank" rel="noopener">Um <i>arco </i>em linha reta</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/espirito-ciclistico/" target="_blank" rel="noopener"><i>Espírito </i>ciclístico</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/vinha-elisa-recorde/" target="_blank" rel="noopener">Vinha, Elisa, recorde</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/canario-e-canarinhos/" target="_blank" rel="noopener">Canário e <i>canarinhos</i></a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/taquaras-e-taquarinha/" target="_blank" rel="noopener">Taquaras e Taquarinha</a></p>
<p><a href="https://www.estacaocapixaba.com.br/2015/01/dormi-mal-na-capital/" target="_blank" rel="noopener">Dormi mal na &#8220;Capital&#8221;</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/encontro-marcado/" target="_blank" rel="noopener">Encontro Marcado</a></p>
<p><i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/de-menesguei/" target="_blank" rel="noopener">De menesguei</a></i></p>
<p><i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/suite-gargalhadas/" target="_blank" rel="noopener">Suíte gargalhadas</a></i></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/torre-re/" target="_blank" rel="noopener">Torre a ré</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cidade-vazia/" target="_blank" rel="noopener">Cidade vazia</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-deusa-de-ponto-belo/" target="_blank" rel="noopener">A deusa de Ponto Belo</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-dedo-mindinho/" target="_blank" rel="noopener">O dedo mindinho</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/passando-por-cotaxe/" target="_blank" rel="noopener">Passando por Cotaxé</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/" target="_blank" rel="noopener">Ecoporanga</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/to/" target="_blank" rel="noopener">Tô</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/saudades-de-ecoporanga-cancao/" target="_blank" rel="noopener">Saudades de Ecoporanga (canção)</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-caso-do-ocaso/" target="_blank" rel="noopener">O caso do ocaso</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/na-estrada-proximo-agua-doce-do-norte/" target="_blank" rel="noopener">Homem do campo</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/" target="_blank" rel="noopener">Ariranha</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/" target="_blank" rel="noopener">As cristas dos Aimorés</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/" target="_blank" rel="noopener">As cachoeiras pluviais</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/" target="_blank" rel="noopener">A dor de São Domingos</a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/da-psicologia-canina/" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/da-psicologia-canina/" target="_blank" rel="noopener">Da psicologia canina</a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/br-101-fim/" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/br-101-fim/" target="_blank" rel="noopener">BR-101, fim</a></p>
<p>
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2016&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada/">Com a magrela na estrada</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poesia de bolso: pequenos poemas pedestres</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/blog-post/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/blog-post/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2017 17:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Clique aqui para acessar o livro online. Visite também o Repertório Literário de Gilson Soares.</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/blog-post/">Poesia de bolso: pequenos poemas pedestres</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Literatura/Gilson%20Soares/Poesia%20de%20bolso/Pequenos%20poemas-10.02.2017.pdf" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" height="432" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Folder.jpg" class="wp-image-5248" width="640" /></a></div>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
<br />
<b><a href="https://issuu.com/mariaclaramedeiros7/docs/1-poesia_de_bolso-vers__o_final" target="_blank" rel="noopener">Clique aqui para acessar o livro online.</a></b></p>
<p>Visite também o <b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/gilson-soares/" target="_blank" rel="noopener">Repertório Literário</a></b> de Gilson Soares.</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/blog-post/">Poesia de bolso: pequenos poemas pedestres</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/blog-post/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ariranha</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2017 12:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Foto Gilson Soares, 2014. Ariranha é, pra mim, uma dessas palavras muito bonitas com que nos deparamos na língua brasileira. &#8211; Outras há de igual ou superior beleza. É isso que você está afirmando, não é, lépido leitor? &#8211; Sim, sem dúvida. É o que te respondo, também de pronto. E acrescento: poderia, eu mesmo, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/">Ariranha</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-BZQrNs5VHrE/WQnXj9DR-WI/AAAAAAAAN-Q/RksGzogu-3MOOD3SXobDS4CXEe9f4efgACLcB/s1600/Arco%2B%2528um%2Bgiro%2529%2B-%2BMarco%2Bda%2Bdivisa%2BES-MG%252C%2Bentre%2BBarra%2Bde%2BS%25C3%25A3o%2BFrancisco%2Be%2BMantena-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Arco2B2528um2Bgiro25292B-2BMarco2Bda2Bdivisa2BES-MG252C2Bentre2BBarra2Bde2BS25C325A3o2BFrancisco2Be2BMantena-2.jpg" class="wp-image-5260" title="Foto Gilson Soares, 2014." width="298" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Ariranha</p>
<p>é, pra mim, uma dessas palavras muito bonitas com que nos deparamos na língua brasileira. </p>
<p>&#8211; Outras há de igual ou superior beleza. </p>
<p>É isso que você está afirmando, não é, lépido leitor? </p>
<p>&#8211; Sim, sem dúvida. É o que te respondo, também de pronto. </p>
<p>E acrescento: poderia, eu mesmo, enumerar aqui muitas dessas – belas! – palavras. </p>
<p>Mas não vou fazer isso. </p>
<p>Vou é propor uma consulta em que cada um envia aqui pra Estação Capixaba uma palavra que, pra seu gosto, esteja entre as mais bonitas da Língua. </p>
<p>Combinado?<br />
Vai ser divertido e proveitoso. </p>
<p>Pode enviar a sua palavra – só uma – ali no espaço de comentários. </p>
<p>Depois vamos divulgar o resultado da enquete. </p>
<p>Vai ser um conjunto de palavras com forte sotaque de poesia, não tenho dúvida. </p>
<p>Posso adiantar pra você, filólogo leitor, que a maioria das palavras que compõem a minha lista é proveniente das línguas nativas – e extintas – de Pindorama. </p>
<p>Acho até que essa lista pessoal – se eu fosse fazê-la. Não vou – receberia a chancela radical de Policarpo Quaresma. </p>
<p>Mas vamos aguardar as palavras que virão de você, plural leitor. </p>
<p>Enquanto isso – confirmando o que declarei na primeira linha ali em cima – repito que gosto de ariranha. </p>
<p>Primeiro, pelo raro – e agreste – prazer auditivo que esta palavra traz. </p>
<p>Depois, é que ao dar de cara com uma dessas onças-d’água, passeando e caçando no regaço de um regato como este, eu, ainda que nunca tivesse ouvido esta palavra, acho que não exclamaria outra coisa que não fosse ariranha. </p>
<p>Mais provavelmente até, ariranha! Assim, acompanhada dessa exclamação de espanto (e alegria!). </p>
<p>Por isso – e por aquilo – gosto desta palavra. </p>
<p>E tive a sorte de tê-la incorporada ao meu vocabulário ainda na infância. </p>
<p>Sim: é que os meus avós maternos moravam na vila – logo ali! – de Barra do Ariranha. </p>
<p>Ali, meus pais – ele mineiro, ela capixaba – se conheceram e – indiferentes a todas as contestações limitantes que pipocavam então – se casaram. </p>
<p>E foi ali, também, que deliciei as minhas primeiras – as primeirinhas, mesmo – férias escolares. </p>
<p>Naquele conjunto de estranhezas, surpresas e novidades que era a – pra mim – monumental casa dos meus avós, passei, com as minhas irmãs, dias amplos, abarrotados de brincadeiras vadias, banhos de rio, apresentação de ave-marias no serviço de alto-falante da vila – que era dos meus avós – e algumas pueris aventuras noturnas. </p>
<p>Tudo isso ali na Barra do Ariranha. </p>
<p>O nome da vila, informo pro leitor, relata a atraente ocorrência natural que distingue aquele lugar: o córrego Ariranha, que vem descendo miúdo e sonoro por uma das encostas da Serra dos Aimorés, entrega, ali, a sua contribuição líquida ao já meio imponente (mas não ainda indolente, como será mais abaixo) rio São Mateus. Quer dizer, a seu braço sul. </p>
<p>E, foi ali, agora, descendo por aquelas escarpas que compõem o leito acidentado do córrego Ariranha, que tive que fazer o que muito poucas vezes fiz na minha história ciclística: <i>pedi arrego</i> a uma descida. </p>
<p>Sim, nas subidas é mais ou menos comum o ciclista não dar conta da escalada e se ver flagrado empurrando – às vezes um pouco, às vezes muito – o seu veículo movido a – enquanto há – energia humana. </p>
<p>Mas pra baixo, com a proverbial contribuição gravitacional de todos os santos do calendário religioso, não existe, geralmente, dificuldade de trânsito. </p>
<p>Por isso é pouco comum um ciclista optar por empurrar seu <i>camelo</i> quando está descendo um morro. Como era o caso. </p>
<p>Mas ali não teve jeito: quando o íngreme se assemelha ao perpendicular e o chão além de movediço é retalhado por uma profusão de sulcos escavados por enxurradas, é melhor apear da bicicleta e transitar a pé. E contendo, com mão firme, a <i>magrela</i> – e a rechonchuda bagagem – na sua ânsia irracional de desembestar pelo despenhadeiro abaixo.<br />
Ali, então, pela primeira vez naquele meu giro pelo <i>Arco Norte</i>, confesso, <i>pedi arrego</i>.</p>
<p>Mas fazer o quê, né? </p>
<p>Isso acontece, num belo dia, com qualquer um. </p>
<p>Seja atleta, seja poeta.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4.jpg" class="wp-image-5261" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/">Ariranha</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As cristas dos Aimorés</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2017 11:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Água Doce do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Mapa da Província do ES, 1856 &#8211; Biblioteca Digital Luso-brasileira O que os primeiros cartógrafos a serviço da Coroa informaram – com suas linhas de fácil leitura e com seus desenhos que descrevem topografias e hidrografias evidentes – é que os cocurutos dos montes alinhados ao longo desta serrania, por onde passo, é que estabeleciam [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/">As cristas dos Aimorés</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-dzLLWmiACh0/WQnSYzNoFPI/AAAAAAAAN-A/b7Ijn3VpKh8Jy1Go7gbP26U8eHfUjFUhQCLcB/s1600/Arco%2B%2528um%2Bgiro%2Bpelo%2529%2B-%2BMapa%2Bda%2BProv%25C3%25ADncia%2Bdo%2BES%252C%2B1856%2B-%2BBiblioteca%2BDigital%2BLuso-brasileira.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Mapa da Província do ES, 1856 - Biblioteca Digital Luso-brasileira" border="0" height="574" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Arco2B2528um2Bgiro2Bpelo25292B-2BMapa2Bda2BProv25C325ADncia2Bdo2BES252C2B18562B-2BBiblioteca2BDigital2BLuso-brasileira.jpg" class="wp-image-5263" title="Mapa da Província do ES, 1856 - Biblioteca Digital Luso-brasileira" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Mapa da Província do ES, 1856 &#8211; Biblioteca Digital Luso-brasileira</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O que os primeiros cartógrafos a serviço da Coroa informaram – com suas linhas de fácil leitura e com seus desenhos que descrevem topografias e hidrografias evidentes – é que os cocurutos dos montes alinhados ao longo desta serrania, por onde passo, é que estabeleciam os limites a oeste do território do <i>Spirito Sancto</i>.</p>
<p>Isto é: a linha demarcatória da divisa entre esta província e a das <i>Minas Geraes</i> teria que ser desenhada pegando, de crista em crista, a sucessão de montanhas que compõem a Serra dos Aimorés.</p>
<p>Assim, todas as águas que vertem para leste seriam águas capixabas. Bem como as terras que compõem os seus respectivos vales, desde as cumeeiras desta cordilheira fronteiriça. </p>
<p>O desenho esfrangalhado com que o <i>Torreão Noroeste</i> é retratado agora é resultado de disputas que se resolveram, ao longo da história, ao sabor da força política nacional dos contendores e das, por algum tempo, recorrentes escaramuças locais.</p>
<p>Nosso estado que, sempre teve pouca representação no conjunto que se constituiria federativamente, foi estrepado amiúde. </p>
<p>É o caso, por exemplo, do que aconteceu quando a riqueza que era arrancada das minas gerais começou a se esgotar. Os mineiros, em <i>diáspora</i>, vieram se bandeando pra este lado de cá, até acharem anchos nacos devolutos deste <i>vilão farto</i>, na virada da Serra.</p>
<p>Aí, ali, as fronteiras se moveram.</p>
<p>Os geógrafos e historiadores – disponíveis numa superficial navegação inquiridora pela rede – acabam de ensinar pra este ciclista aprendiz que as fronteiras – econômicas, políticas, culturais – são móveis, sim.</p>
<p>E por conta do movimento delas, os limites, as divisas – geográficas – também se deslocam. </p>
<p>No realinhamento, geralmente, há tensão. </p>
<p>Neste confronto quem sai – quem saiu, aqui – perdendo é o nativo que sempre esteve ali ou o agricultor que chegou, plantou suas raízes e dali colhia o seu sustento.</p>
<p>O nativo, a sua cultura e a sua língua foram dizimados, extintos. </p>
<p>O homem do campo foi expulso pra uma nova fronteira agrícola ou pra periferia de uma grande cidade.</p>
<p>Os donos do poder se abraçaram num pomposo encontro oficial, assinaram papéis e brindaram ao final. </p>
<p>Os novos donos oficiais das terras – os de sempre, confortavelmente instalados – aplaudiram. </p>
<p>Agora era só revisar os mapas e o seu desenho informativo.</p>
<p>Ao fim das contas, incontestável leitor, o que a cartografia de agora tem para nos oferecer é este <i>Torreão</i> escalafobético.</p>
<p>Não há o que discutir.</p>
<p>Assim, obedecendo ao que está escrito ali, ao descer esta Serra margeando o Ariranha, já estamos – eu e a indiferente <i>magrela</i> – entrando, de novo, em território mineiro.</p>
<p>Depois de uma jornada ao meu passado mais remoto – e de um almoço frugal – em Barra do Ariranha, cheguei no meio da tarde a Mantena. </p>
<p>A cidade, sonora e colorida, me recebeu numa atitude festiva.</p>
<p>O que não era de se esperar.</p>
<p>Naquela tarde de quarta-feira, 11 de junho de 2014, em que eu vinha ainda buscando chão para retornar de uma visita à infância, o comportamento da fronteiriça cidade me surpreendeu.</p>
<p>Mantena, capital não só do município, mas de todo o grupo de pequenas cidades que estão no território deste visível enclave mineiro que entorta, ali, o <i>Torreão</i>, também abriga algumas das minhas lembranças infantis. </p>
<p>Mas o que me chamou mesmo a atenção e merece registro foi o brado festivo com que a cidade veio ao meu encontro.</p>
<p>Por conta das cores, do ritmo e da retumbante sonoridade com que me deparei, atribuí logo aquela ambientação à expectativa para a Copa das Copas, no Brasil, que começaria no dia seguinte, 12 de junho.</p>
<p>Por isso elegi, imediatamente, Mantena como A cidade mais Festiva daquela Copa brasileira.</p>
<p>Claro que eu tinha que considerar que chegava ali no dia que antecedia a tão esperada data de abertura dos jogos. Mas mesmo assim, aquela festa exuberante e com visível chancela oficial, superava em muito, tudo o que eu vinha vendo até então.</p>
<p>Assim, já tinha destinado a Mantena o título – e o prêmio! – pela sua distinção entre os municípios que compunham o roteiro daquele meu <i>Giro pelo Arco Norte Capixaba</i>.</p>
<p>Afinal, considerar que Mantena possa estar num terreno invadido, não podia ser motivo para negar sua superioridade no quesito alegoria pra Copa das Copas.</p>
<p>Só depois de anunciar o resultado – pra mim mesmo, o único sabedor do concurso – é que fui informado de que, embora paramentada no estilo <i>torcida organizada</i>, o que a cidade estava comemorando mesmo era o seu aniversário de fundação, que acontece no dia 13 de junho, <i>depois de amanhã</i> pra quem, como eu, passava por ali naquele dia 11. </p>
<p>Os mantenenses, deduzi então, vibravam naquela tarde de quarta-feira rotineira é com a divertida – e rara – oportunidade de antecipar a festividade natalícia da sua cidade.</p>
<p>Informado disso, retirei educadamente a medalha que acabara de lhe outorgar; fiquei por ali um pouco tentando, em vão, identificar por baixo da sua roupa festiva algum aspecto da cidade esquecida na infância; assisti, bem abrigados – eu e a <i>pretinha</i> –, à passagem de uma rápida e volumosa chuva que chegara das brumas do inusitado; e, finalmente, <i>piquei a mula</i> – quer dizer, o <i>camelo</i> para o território oficial do Espírito Santo, no caso, Barra de São Francisco.</p>
<p>É lá que eu tinha combinado com a <i>pretinha</i> que íamos, sossegados e pacíficos, dormir.</p>
<p>E foi lá que dormimos.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4-1.jpg" class="wp-image-5264" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/">As cristas dos Aimorés</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ecoporanga</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Feb 2016 22:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Ecoporanga. Foto Gilson Soares, 2014. Quando cheguei a Ecoporanga a segunda-feira já definhava. Passando por aquelas ruas que certamente guardam ainda rastros empoeirados dos meus pedais pueris, observei espantado que o dia, num derradeiro esforço de luz, murmurava seus estertores: restos resistentes de claridade se agarravam, com finos dedos dourados, a uma das laterais do [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/">Ecoporanga</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-Ja9DHZ_zc88/WKX2BflR9BI/AAAAAAAAL8A/F_9ve4DCHPE6ph0S8fdpoEEkvTD2XTvYgCLcB/s1600/Arco%2B%2528um%2Bgiro%2Bpelo%2529%2B-%2B1%2B-%2BEcoporanga%252C%2Bfoto-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Ecoporanga. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="296" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Arco2B2528um2Bgiro2Bpelo25292B-2B12B-2BEcoporanga252C2Bfoto-p.jpg" class="wp-image-5390" title="Ecoporanga. Foto Gilson Soares, 2014." width="400" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Ecoporanga. Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Quando cheguei a Ecoporanga a segunda-feira já definhava.</p>
<p>Passando por aquelas ruas que certamente guardam ainda rastros empoeirados dos meus <i>pedais </i>pueris, observei espantado que o dia, num derradeiro esforço de luz, murmurava seus estertores: restos resistentes de claridade se agarravam, com finos dedos dourados, a uma das laterais do grande cone de granito escuro – a Pedra da Igrejinha – que concede distinção ao pôr-do-sol em Ecoporanga.</p>
<p>Cheguei, portanto, a tempo de ver um espetáculo que guardo – bem guardado – na memória da infância.</p>
<p>E isso – aquele ocaso ocasional, ali – se deu, como sempre, por conta do acaso.</p>
<p>Saí da vila de Cotaxé logo depois do almoço e vim dando muito pouca atenção à pressa, que, por hábito, costuma acossar o ciclista na estrada.</p>
<p>Passei passeando por Imburana, vila que tem guardada nas suas poucas ruas e no seu casario comum uma expressão de simpatia que deixei escondida por ali, sem ninguém saber, desde os dominicais passeios infantis.</p>
<p>Para a pequena extensão de estrada que liga Imburana a Ecoporanga, eu dispensei todo o tempo que minha memória – sentimental – pediu.</p>
<p>Não dava para ficar indiferente ao grande tráfego de máquinas, caminhões e tratores que com sofreguidão removiam, mastigavam e cuspiam, num vai e vem estrondoso, grandes porções de terra, pedra, areia e vegetação por ali.</p>
<p>É que aquela era mais uma das estradas que, com muito esforço, tentava-se pavimentar a tempo de angariar votos, naquele ano eleitoral de 2014.</p>
<p>Eu entendo esses procedimentos instituídos.</p>
<p>Assim, fui pedalando sem pressa e recordando que quando por ali passava, há coisa de meia centena de anos, aquela estrada – se vista do alto – era, na maior parte do seu percurso, um estreito risco de terra nua cortando a floresta virgem.</p>
<p>Pensei, mas nem me arrisquei a falar disso para alguns daqueles muitos trabalhadores que ali estavam operando aquelas monstruosas máquinas – roedoras, mastigadoras, trituradoras.</p>
<p>Não tentei falar com eles por dois motivos. O primeiro é que eles não parariam para dar ouvidos a um ciclista vadio. O segundo é que eles não acreditariam no que eu iria lhes contar.</p>
<p>Como que em cinquenta anos se destrói uma floresta inteira?</p>
<p>Como que em tão pouco tempo se mata uma mata?</p>
<p>Perguntariam rindo – e até zombando, talvez – se eu parasse por ali, para lhes contar o que vi.</p>
<p>Assim eu, bisonho, não lhes contaria que, criança, vi – via todo dia – aquela mata inteira indo embora.</p>
<p>E nem contaria que em grandes carretas atadas a caminhões ferozes, os troncos decapitados daquelas matas, passavam em decúbito pelas ruas de Ecoporanga a caminho da mutilação fatal.</p>
<p>E não contaria ainda que eu, criança, não conseguia entender – não conseguia ver com os meus <i>olhinhos infantis</i> – que agarradas àqueles troncos trucidados, iam ali, também – silenciosas, invisíveis – as almas de rios e cachoeiras; onças, veados, quatis; beija-flores e macucos; traíras, piaus, lambaris.</p>
<p>Como contar isso numa conversa rápida, na beira daquela estrada revirada por máquinas, tratores e caminhões?</p>
<p>Não dava pra contar. Pra explicar.</p>
<p>É melhor, pensei, que eu continue pedalando calado – entre crateras e perambeiras – até chegar à minha cidade, que há mais de quinze anos eu não vejo e está logo ali.</p>
<p>O que eu não sabia – não podia prever – é que esse reencontro ia se dar, como se deu, exatamente naquela hora “tristonha e serena” – como cantava meu pai – em que a tarde cai sobre Ecoporanga “em macio e suave langor”.</p>
<div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/vinheta2B4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/vinheta2B4.jpg" class="wp-image-5391" /></a></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2016&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/">Ecoporanga</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
