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	<title>Arquivos Maurício Leal Silva &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<title>Arquivos Maurício Leal Silva &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>A Maurício Leal Silva (Vitória, 05/9/1963)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 15:04:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Jones dos Santos Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória, 5 de setembro de 1963. [&#8230;] Não sei se o Álvaro anda aí pelo Rio. É que desejo adquirir um exemplar do Código Internacional de Sinais, usado pela Marinha Mercante. São aquelas bandeiras que V. uma vez conseguiu para mim em um barco de guerra. Têm um significado especial, conforme a ordem em que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vitória, 5 de setembro de 1963.</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>Não sei se o Álvaro anda aí pelo Rio. É que desejo adquirir um exemplar do Código Internacional de Sinais, usado pela Marinha Mercante. São aquelas bandeiras que V. uma vez conseguiu para mim em um barco de guerra. Têm um significado especial, conforme a ordem em que são içadas. O livreto ou mapas estampam as bandeiras e dão o significado. Preciso disso para traduzir os sinais que vejo, nos topes dos mastros dos navios que demandam o porto. Quero aperfeiçoar a nova mania de ver navios&#8230;</p>
<p>Aguardo notícias, com um grande e agradecido abraço.</p>
<p>[In&nbsp;<i>Cartas selecionadas &#8211; Jones dos Santos Neves</i>. Vitória: Cultural-ES, 1988.]</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Jones dos Santos Neves</b>&nbsp;graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach &amp; Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito &nbsp;governador do estado.&nbsp;(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/jones-dos-santos-neves-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<item>
		<title>A Alex Neves Leal (Vitória, 19/10/1973)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 11:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alex Neves Leal]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória, 19 de outubro de 1973. Meu caro Alex, [&#8230;] Agora que o Maurício, segundo me informou o Jayme, já se encontra prestes a ficar completamente restabelecido, e porque também se aproxima o mês de novembro, ficamos todos aguardando, com alegria, a sua vinda para retomar os trabalhos de engenharia na CIEC, agora na qualidade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vitória, 19 de outubro de 1973.</p>
<p>Meu caro Alex,</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>Agora que o Maurício, segundo me informou o Jayme, já se encontra prestes a ficar completamente restabelecido, e porque também se aproxima o mês de novembro, ficamos todos aguardando, com alegria, a sua vinda para retomar os trabalhos de engenharia na CIEC, agora na qualidade de engenheiro e não estagiário, e, mais do que isto, com a visível possibilidade de galgar futuramente um posto na direção. A velhinha já está providenciando uma mesa e estante para V. no quarto da Praia da Costa, de onde, se Deus quiser, em 24 de dezembro veremos pelo telescópio do Jones [Filho] a passagem do cometa Kohoutec, que dizem será espetacular. Para mim, especialmente, essa visão marcará um recorde formidável, pois tive ensejo de ver também a passagem do Halley, no início do século! [Seu desejo não se realizou. Jones morreu no dia 20 de dezembro de 1973.]</p>
<p>Junto um recorte de O Globo que não sei se V. viu e no qual há uma descrição interessante sobre a serra do Caparaó.</p>
<p>Quanto à minha saúde, vamos regularmente. Não tenho sentido mais aqueles distúrbios de respiração e a dorzinha enjoada só de raro em raro, quando ando mais depressa ou faço algum esforço. Creio, porém, que tudo passará, quando chegar o verão e regressar à Praia da Costa, com os exercícios moderados na piscina. Enquanto isto, estou vindo diariamente à CIEC, mas trabalhando somente umas três ou quatro horas, por prescrição médica. Abraços a todos e um beijo saudoso do</p>
<div>
</div>
<div>
[In&nbsp;<i>Cartas selecionadas &#8211; Jones dos Santos Neves</i>. Vitória: Cultural-ES, 1988.]</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Jones dos Santos Neves</b>&nbsp;graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach &amp; Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito &nbsp;governador do estado.&nbsp;(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/jones-dos-santos-neves-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-alex-neves-leal-vitoria-19101973/">A Alex Neves Leal (Vitória, 19/10/1973)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<item>
		<title>A Ary Vianna (Vitória, 13/7/1970)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-ary-vianna-vitoria-1371970/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 11:13:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória, 13 de julho de 1970 Prezado Ary, Não faça mau juízo. O atraso da minha correspondência corre ou correu por conta, exclusivamente, da bruta ressaca pela conquista da Taça Jules Rimet! Lavei a alma, vendo os nossos crioulinhos dando um banho de bola naqueles lourões arianos de além-mar! Preparei-me espiritual e materialmente para assistir [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vitória, 13 de julho de 1970</p>
<p>Prezado Ary,</p>
<p>Não faça mau juízo. O atraso da minha correspondência corre ou correu por conta, exclusivamente, da bruta ressaca pela conquista da Taça Jules Rimet! Lavei a alma, vendo os nossos crioulinhos dando um banho de bola naqueles lourões arianos de além-mar! Preparei-me espiritual e materialmente para assistir às irradiações da Copa. Visitei o gordo (meu cardiologista) para saber se estava em condições físicas de assisti-las. Receitou-me umas pílulas tranquilizantes a serem tomadas uma hora antes do início dos jogos. Adquiri uma TV nova, último modelo, e um possante aparelho de rádio. E parti resoluto para a guerra. Lá pelas tantas, esqueci pílulas e tudo o mais, agarrado ao copo de uísque para vencer a Copa. E venci! Dando berros homéricos a cada gol que saía. Depois de cada partida, ficava até altas horas assistindo à repetição em VT e saboreando as partidas. Comprei um álbum com os gols, todos os nossos, esgoelados por um locutor das arábias! E, ainda hoje, vibro e sonho com o nosso feito heroico. Leio e tresleio o Nelson Rodrigues, o tal de babar na gravata, da saúde de vacas premiadas que inventou mais essa preciosidade na frase de Napoleão: &#8220;O que me faltou em Waterloo foi um Jairzinho na ponta direita!&#8221; Uma delícia! Mas tudo isto que fiz foi com um certo recato, na intimidade do lar. Ninguém viu, nem soube, que não sou de me promover a custo da Copa, nem de levantá-la sobre a cabeça como um gladiador vitorioso&#8230; Deixa pra lá! [&#8230;] Lembranças a todos e um cordial abraço do</p>
<p>[In&nbsp;<i>Cartas selecionadas &#8211; Jones dos Santos Neves</i>. Vitória: Cultural-ES, 1988.]</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Jones dos Santos Neves</b>&nbsp;graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach &amp; Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito &nbsp;governador do estado.&nbsp;(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/jones-dos-santos-neves-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-ary-vianna-vitoria-1371970/">A Ary Vianna (Vitória, 13/7/1970)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<item>
		<title>A Therezinha Santos Neves Leal (Vitória, 29/5/1964)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 11:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória, 29 de maio de 1964. Kaçuquinha, querida: Confesso que me encontro agora em plena e gostosa lua-de-mel com a nossa nova casa. Desde o dia 19 do corrente lá passamos a dormir, comer e morar, reiniciando a velhinha em sua labuta de hábil dona de casa. Para quem passou cerca de um ano fora [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vitória, 29 de maio de 1964.</p>
<p>Kaçuquinha, querida:</p>
<p>Confesso que me encontro agora em plena e gostosa lua-de-mel com a nossa nova casa. Desde o dia 19 do corrente lá passamos a dormir, comer e morar, reiniciando a velhinha em sua labuta de hábil dona de casa. Para quem passou cerca de um ano fora de seus cômodos, embora no aconchego afetivo do lar de seus filhos, isto é um prazer. E, para quem labutou durante quarenta e dois anos para só agora, no crepúsculo da velhice, morar em sua primeira e definitiva casa própria, isto também é uma alegria e um conforto, pelo qual devemos render ardentes graças aos Céus. Nem tudo está acabado e perfeito. Faltam certos retoques que, só com o tempo, poderemos terminar. Também os navios, quando deixam os estaleiros, estão com as suas obras mortas inacabadas, o que, entretanto, não os impede de navegar. Espero, para a semana, ver concluídas e colocadas nos lugares as estantes para os meus livros. Só então me sentirei, realmente, em casa. Tudo o mais parece ter ficado bem, pelo menos para o nosso gosto. Já iniciamos o gramado, à frente da casa, e vamos agora começar a ornamentá-lo. Em compensação e como imaginava, a barba cresceu muito. As contas finais começam a aparecer. Os armários e móveis ficaram mais caros do que eu imaginava, forçando-me a recorrer, novamente, ao crédito. Mas o que importa é que estamos em nosso verdadeiro lar, que, afinal, todas as contas feitas, ainda ficará por menos do que o total da venda do apartamento da Domingos Ferreira. E vale, com o terreno, muito mais. O diabo é que não estava acostumado a dever e isso me dá alguma dor de cabeça. Mas, no fim, tudo dará certo, embora me obrigue agora a dar os meus pulinhos&#8230; Também, na conjuntura atual, isso não é privilégio meu, porque muita gente boa está também dando os seus pulinhos. Até o trêfego JK, sem falar nos que já pularam&#8230;</p>
<p>Creio que foi Mark Twain quem disse que o sabor do &#8220;humor&#8221; consiste em tratar com seriedade as coisas cômicas e de modo jocoso as coisas sérias. Esta deve ser a nossa filosofia atual, usando e abusando da primeira parte do conceito, mas ferindo, com cuidado e cautela, a última parte. Pelo menos utilizei o método, quando ouvi pelo rádio a nova estrela de televisão, e me diverti bastante. Foi um dueto interessante porque o artista também se afinava pelo mesmo diapasão&#8230;</p>
<p>Enquanto isto, aqui pela velha província de Maria Ortiz, nada acontece. Como fomos sempre um Estado sem acústica, parece que a revolução não repercutiu por aqui. O nosso inefável governador continua a se divertir, fingindo que governa. E vai ficando em paz, ele que é o mais vulnerável de todos os governadores, frente às disposições de austeridade que constituem o clima apregoado pelos altos escalões da República. Há uma acomodação geral nos círculos políticos e João Calmon, que por aqui andou em seus fins de semana habituais, até discursou na Assembléia, falando em confraternização geral na política estadual, como se fosse possível se confraternizar com gente tão espúria ou, como dizia Ruy Barbosa, haver neutralidade entre a lei e o crime.</p>
<p>Muitos afetos aos queridos netos, abraços no Maurício e no Guerra e para V., filhota querida, o saudoso beijo do</p>
<p>[In&nbsp;<i>Cartas selecionadas &#8211; Jones dos Santos Neves</i>. Vitória: Cultural-ES, 1988.]</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Jones dos Santos Neves</b>&nbsp;graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach &amp; Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito &nbsp;governador do estado.&nbsp;(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/jones-dos-santos-neves-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-therezinha-santos-neves-leal-vitoria_78/">A Therezinha Santos Neves Leal (Vitória, 29/5/1964)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<item>
		<title>A Therezinha Santos Neves Leal (Vitória, 03/4/1964)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-therezinha-santos-neves-leal-vitoria_68/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 10:58:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória, 3 de abril de 1964. Kaçuquinha, querida: Agora que tudo acabou, que reina, de novo, paz em Varsóvia, aproveito este fim de tarde, calmo e sossegado aqui na CIEC, em virtude do feriado bancário, para responder sua afetuosa cartinha de 30 de março. Vejo que V., como eu, estava com as antenas ligadas, nessa [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-therezinha-santos-neves-leal-vitoria_68/">A Therezinha Santos Neves Leal (Vitória, 03/4/1964)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vitória, 3 de abril de 1964.</p>
<p>Kaçuquinha, querida:</p>
<p>Agora que tudo acabou, que reina, de novo, paz em Varsóvia, aproveito este fim de tarde, calmo e sossegado aqui na CIEC, em virtude do feriado bancário, para responder sua afetuosa cartinha de 30 de março. Vejo que V., como eu, estava com as antenas ligadas, nessa data, véspera dos funerais de um regime. Através das reticências dos jornais, de algumas notícias esparsas de rádio e de <i>otras cositas más</i>, sentia que algo de muito sério se estava preparando. Mesmo à distância dos acontecimentos e sem acesso a melhores fontes de esclarecimento, não me passavam despercebidos os negros prenúncios que raivavam no ar. Quando ouvi, estarrecido, a manifestação dos sargentos no Automóvel Clube, nos arrepios das provocações inúteis e precipitadas, pude perceber que o Jango, talvez num ato de desespero, entornava o caldo. Falou antes do tempo e quis colher uma fruta que ainda não estava madura. Como Getúlio e talvez também o Jânio, confiou demais no povo e subestimou as forças da reação. Pena que tal tenha acontecido assim melancolicamente. Porque, em tudo isso, havia, no fundo, alguns ideais de grande pureza e de sentido autenticamente nacionalista que agora se perdem no tempo e no espaço. O erro maior desse episódio foi o de terem deixado os comunistas arrebatarem a bandeira nacionalista. Feita a divisão das águas e açulado o espírito de indisciplina dos marinheiros e soldados, tornava-se inevitável a reação da ordem e da legalidade. E foi bom que tal acontecesse, pois, conforme se verificou, o presidente estava prisioneiro de um dispositivo sem lei e sem grandeza. Entregue aos comunistas, não havia mais salvação para ele. O ideal nacionalista que parecia encarnar teria de cair-lhe das mãos, como caiu, sem, nem ao menos, deixar uma mensagem de esperança e de fé, seguindo o exemplo do inesquecível presidente Vargas. Sobretudo me desgostam a capitulação e a fuga. Como discípulo de Getúlio, não poderia nunca dar no pé, fugir e se mandar, numa cópia grotesca de certos aventureiros sul-americanos. Lembro-me das palavras viris de Getúlio, após ler, com voz pausada, o Manifesto de Outubro de 1930: &#8220;Vencidos, não recorreremos ao exílio.&#8221;</p>
<p>São estas, ao correr do teclado, as palavras que desejo enviar a V. para espalhar um pouco o cineral de tantas ilusões. Espero em Deus que a lição seja aproveitada pelos políticos e pelos <i>grosbonnets </i>da situação. Que despertem para enxergar as injustiças sociais que aí estão ainda gritando, que acordem para sentir que o Brasil é grande demais para ficar manietado ao guante de qualquer imperialismo e, como astro que é, jamais será satélite de qualquer nação.</p>
<p>[&#8230;] E a casa entra em fase final de acabamentos. Já ligamos a luz, estamos em pintura e, até o dia 15, muita coisa ficará terminada. Recebemos o pano das cortinas. A velhinha foi hoje ao decorador para apressar as encomendas das cortinas. Estou quase pensando que a minha obra ficará pronta antes de suas reformas, principalmente agora que as reformas parecem ter ido por água abaixo.</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>[In&nbsp;<i>Cartas selecionadas &#8211; Jones dos Santos Neves</i>. Vitória: Cultural-ES, 1988.]</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Jones dos Santos Neves</b>&nbsp;graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach &amp; Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito &nbsp;governador do estado.&nbsp;(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/jones-dos-santos-neves-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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