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	<title>Arquivos Poesia &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<title>Arquivos Poesia &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>Dois papéis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Aug 2017 20:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lino Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“[&#8230;] a literatura, como toda e qualquer estrutura cognitiva, é um meio de dominarmos nossas angústias, não através do descarte delas, mas por força de outorgarmos uma forma precisa, cor e dimensão, ao que quer que seja que nós mais temamos.” [Harold Bloom] Espião-ator, o seu teatro é fingir de não fingidor – o inverso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-RyoUeFQ9ADA/WQDUK7uZhtI/AAAAAAAAMeA/9twyBqovBTAgGgmS3o1pJM4BEKOh9eH6ACPcBGAYYCw/s1600/Poesia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img fetchpriority="high" decoding="async" border="0" data-original-height="170" data-original-width="342" height="159" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Poesia.jpg" class="wp-image-5116" width="320" /></a></div>
<div align="right">
<table style="font-size: 80%; width: 70%;">
<tbody>
<tr>
<td>“[&#8230;] a literatura, como toda e qualquer estrutura cognitiva, é um meio de dominarmos nossas angústias, não através do descarte delas, mas por força de outorgarmos uma forma precisa, cor e dimensão, ao que quer que seja que nós mais temamos.” [Harold Bloom]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Espião-ator,<br />
o seu teatro é fingir<br />
de não fingidor<br />
– o inverso da cena<br />
do bom Terrorista,<br />
cujo ofício maior<br />
é explicitar um boom,<br />
não causa pequena:<br />
bem assim<br />
mesmo quando este não usa<br />
explodir com fúria<br />
em qualquer país<br />
ou paisagem,<br />
ousando outra coisa<br />
(talvez quatro rodas).<br />
Este ainda<br />
busca o aplauso<br />
em forma de medo<br />
de quem ande próximo,<br />
arrancando<br />
ou partindo ao menos<br />
uma perna sua.</p>
<p>Então o outro<br />
(o Ator-espião),<br />
já que oculto,<br />
será invisivelmente<br />
mais numérico no mundo<br />
do que o Terrorista<br />
– existindo como o<br />
não-a-olho-nu<br />
em orientes,<br />
europas e américas.</p>
<p>Em suma, boneca:<br />
se quiser,<br />
o Mordomo até<br />
pode aterrorizar-te,<br />
mas, sendo bom<br />
ou imprevisível<br />
em sua arte dissímula,<br />
espionar nunca.<br />
O homem-sombra<br />
não deve ser ele.<br />
O bomba é que sim,<br />
como tal<br />
fazendo boa figura.</p>
<p>Repetindo:<br />
“O espião janta conosco”.<br />
Jamais, todavia,<br />
servindo o jantar.</p>
<div style="text-align: center;">
***</div>
<p>
De Bloom vai-se ao boom<br />
com cuidado,<br />
pois aqui, ali,<br />
Bagdá<br />
ou Barcelona,<br />
há zonas múltiplas<br />
de corpos sangrando<br />
em que tropeçar.</p>
<div>
</div>
<div>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017 Lino Machado</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos reservados ao autor. A reprodução sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Lino Machado</b>&nbsp;é poeta e professor universitário. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/lino-machado-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
</div>
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		<item>
		<title>Rap: para os meus pares e eu</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/rap-para-os-meus-pares-e-eu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2017 19:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lino Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Além de mim ninguém mas ao lado – meu Deus! – mais de sete bilhões de almas muitas delas acompanhadas das suas às vezes terríveis divindades. Questão séria quando se tem que viver entre as já perigosíssimas garras deste cotidiano ateu e as de alguma guerra religiosa. A que recorrer então senão aos meus e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;">
<img decoding="async" height="158" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Poesia-1.jpg" class="wp-image-5122" width="320" /></div>
<p>
Além de mim<br />
ninguém<br />
mas ao lado – meu Deus! – mais de sete bilhões<br />
de almas<br />
muitas delas acompanhadas<br />
das suas às vezes<br />
terríveis divindades.</p>
<p>Questão séria<br />
quando se tem que viver<br />
entre as já perigosíssimas<br />
garras<br />
deste cotidiano ateu<br />
e as de alguma guerra<br />
religiosa.</p>
<p>A que recorrer então<br />
senão aos meus e aos teus<br />
nem sempre rapidíssimos<br />
pés?</p>
<p>Não sei se por tributo ou tripúdio<br />
talvez se deva imaginar<br />
alguma coisa<br />
que soe como um rap trepidante<br />
das pernas.</p>
<p>Existem já<br />
afinal<br />
quase dezesseis bilhões delas.</p>
<p>Que baixem os santos<br />
ou a inspiração do céu dos neurônios<br />
aos dentes cantantes!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017 Lino Machado</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos reservados ao autor. A reprodução sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Lino Machado</b>&nbsp;é poeta e professor universitário. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/lino-machado-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<div>
</div>
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		<item>
		<title>Comentário ao livro Sei que me dirás</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/comentario-ao-livro-sei-que-me-diras/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Aug 2017 22:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ana Cristina Costa Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Fortuna Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Leandro Barco]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A poesia abraça os sentidos. Viaja na alma poética deste livro, é sem dúvida alguma, uma dádiva. Vê-lo premiado como vencedor do Prêmio ASA é sensacional. São notas de envolvimento que nos fazem refletir sobre a profundidade da sensibilidade da autora. Ana, só temos a agradecer pela robustez e fragilidade, peso e leveza que o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-5J7HwX_lOrQ/WuTLlyhYCzI/AAAAAAAAS1M/Pb6H17DPlykXbzaSb0FxHIYCLx4-DPUXQCEwYBhgL/s1600/Sei%2Bque%2Bme%2Bdir%25C3%25A1s-capa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img decoding="async" border="0" data-original-height="1600" data-original-width="979" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Sei2Bque2Bme2Bdir25C325A1s-capa.jpg" class="wp-image-5124" width="243" /></a></div>
<p>A poesia abraça os sentidos. Viaja na alma poética deste livro, é sem dúvida alguma, uma dádiva. Vê-lo premiado como vencedor do Prêmio ASA é sensacional. São notas de envolvimento que nos fazem refletir sobre a profundidade da sensibilidade da autora. Ana, só temos a agradecer pela robustez e fragilidade, peso e leveza que o seu “Olhar Bilateral” nos apresenta neste singular conjunto poético.”</p>
<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; </p>
<div style="text-align: right;">
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Leandro Barco</div>
<div style="text-align: right;">
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Professor – Faculdade de Astorga</div>
<div style="text-align: right;">
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Diretor SAHAR</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2018&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/comentario-ao-livro-sei-que-me-diras/">Comentário ao livro Sei que me dirás</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Introdução ao livro Sei que me dirás</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/introducao-ao-livro-sei-que-me-diras/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Aug 2017 22:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ana Cristina Costa Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“As ideias têm um anverso e um reverso e é difícil averiguar qual é o lado em que está o cunho legítimo.” [Gregório Marañón] A citação de Gregório Marañón, cientista, historiador, escritor e filósofo espanhol, que abre a presente introdução, exprime lindamente a essência de Sei que me dirás de Ana Cristina Costa Siqueira, a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-5J7HwX_lOrQ/WuTLlyhYCzI/AAAAAAAAS1M/Pb6H17DPlykXbzaSb0FxHIYCLx4-DPUXQCEwYBhgL/s1600/Sei%2Bque%2Bme%2Bdir%25C3%25A1s-capa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="1600" data-original-width="979" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Sei2Bque2Bme2Bdir25C325A1s-capa-1.jpg" class="wp-image-5126" width="243" /></a></div>
<p>
“As ideias têm um anverso e um reverso e é difícil averiguar qual é o lado em que está o cunho legítimo.” [Gregório Marañón]</p>
<p>
A citação de Gregório Marañón, cientista, historiador, escritor e filósofo espanhol, que abre a presente introdução, exprime lindamente a essência de Sei que me dirás de Ana Cristina Costa Siqueira, a obra vencedora do Internacional Prêmio ASA 2017. Nesta obra, a função poética incide na estrutura da mensagem a potencialidade da linguagem, a conotação, a metáfora, o ritmo; em suma, a singela maneira artística de a autora expressar suas emoções.</p>
<p>Certas vezes, a vida nos coloca em situações complexas, desafiadoras, e aparentemente insolúveis. (&#8230;). Mas, quando buscamos literalmente encontrar soluções, proporcionando oportunidade para que o bem que vem dos olhos do coração possa enxergar a altura da barreira para transpor, nos deparamos com inusitadas conexões de “olhar e ver” a própria existência. Como algumas certezas, que fazem com que enxerguemos o todo de forma ambígua, para mais que um lado ao mesmo tempo, parecendo que é impossível, assim como transpor a grande montanha, olhar para ambos os lados; todavia, essa possibilidade nos entrega meios maiores, nos proporciona criar asas.&nbsp;</p>
<p>E, com estas asas, desenvolvidas para que a transposição da montanha seja possível, oriundas de enxergar o bem com os olhos voltados para mais que um lado ao mesmo tempo, pudemos, neste tempo, encontrar, ao mesmo tempo, textos que compuseram um olhar bilateral nesta obra, “Sei que me dirás”, e a épica forma descrita na poesia de Ana, que nos mostra o quão alto podemos voar num prêmio intitulado ASA.</p>
<p>Ana, nesta desconstrução para encontrar caminhos, e ser capaz de montar novas edificações poéticas, traz com intuito extremamente peculiar uma capacidade incrível com a sua poesia, que nos toca num primeiro instante o vale presente em nós, a nossa superfície, e ao mesmo tempo, nos eleva com súbito propulsor de emoção, até o ponto mais alto da montanha.</p>
<p>Em “Sei que me dirás”, compreendemos o que tudo isto quer dizer, o verso pelo anverso, desfeito pelo feito, e produzido pelo conjunto do antagonismo de realidade e ficção que se fundem numa construção ímpar da poesia.</p>
<p>É incrível ter poesias tão estimadas neste primeiro prêmio ASA, promovido pela A.C.I.M.A., Sahar e Alternativa, nos mostrando que sim, barreiras são transponíveis, que oceanos não nos separam, que o tempo e a distância podem ser facilmente favoráveis, quando o sonho não se sonha só, e quando os olhos do coração nos proporcionam asas que nos levam cada vez mais longe.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<p></p>
<div style="text-align: right;">
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Sonia Michelin – A.C.I.M.A. – Itália</div>
<div style="text-align: right;">
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Leandro Barco – Editora SAHAR – Brasil</div>
<div style="text-align: right;">
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Rogério Filot – Alternativa Distribuidora &#8211; Brasil</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2018&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/introducao-ao-livro-sei-que-me-diras/">Introdução ao livro Sei que me dirás</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Comentários da autora sobre o livro Poema deitado no seu peito: Um jogo de amarelinha</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/comentarios-da-autora-sobre-o-livro/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/comentarios-da-autora-sobre-o-livro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Aug 2017 21:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ana Cristina Costa Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>POEMA DEITADO NO SEU PEITO, um jogo de amarelinha, poderia flutuar para os gêneros dramático e narrativo, em sua linguagem eloquente perceptível em certos poemas, com marcas temporais importantes, enquanto salta do poema para a crônica numa recriação do cotidiano. Os poemas, organizados em coletânea de três décadas, trazem uma visão poética diferenciada, apropriando-se, cada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-kS3OqeP0hPo/WuTLxCjuI0I/AAAAAAAAS1Q/--ZvbicYwqoMETXThVjVlcpdtdMMCX3EwCEwYBhgL/s1600/CAPA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="1473" data-original-width="990" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/CAPA.jpg" class="wp-image-5128" width="268" /></a></div>
<p>POEMA DEITADO NO SEU PEITO, um jogo de amarelinha, poderia flutuar para os gêneros dramático e narrativo, em sua linguagem eloquente perceptível em certos poemas, com marcas temporais importantes, enquanto salta do poema para a crônica numa recriação do cotidiano. Os poemas, organizados em coletânea de três décadas, trazem uma visão poética diferenciada, apropriando-se, cada fase, de seu tempo e ritmo, sem muitos artifícios, e construindo um lirismo atemporal, que se mantém em todos os momentos &#8211; às vezes suave; às vezes, cortante.</p>
<p>Desse modo, podemos identificar, no cerne da obra, desde as primeiras concepções da poesia, ainda nas entrelinhas, até a confluência de suas águas com a música e o cinema – frequentemente citados na segunda e na terceira fase.</p>
<p>O subtítulo, “um jogo de amarelinha”, foi inspirado em título original da obra de Júlio Cortázar (<i>O Jogo da Amarelinha</i>), arrematando, com linha tênue, esse crescimento da poesia, suas transformações estéticas, trazendo para os versos a força poética da narrativa de Cortázar, e inspirando-se, basicamente, na condição do amor ali expresso, em sua linguagem própria e ternura, em sua florescência e rumo indeterminado.</p>
<p>POEMA DEITADO NO SEU PEITO, que é poema em prosa, divide-se em seis partes, com os subtítulos: “A outra, genuína tez” (uma celebração da vida), “Happy Hour” (enquanto choro, chove na roseira), “Poema em vários atos” (um jogo de amarelinha); “Configurações” (narrativa de ficção/conto); “Cartas que escrevi na pousada” (palavras confessas) e “Crônicas”.</p>
<p>Considerando-se a migração da poesia entre o poema e a prosa, e, ainda, que na prosa há um poema constituído, desatado, de algum modo, de sua própria estrutura estética, pode-se dizer ainda que o elo temático é mantido, enquanto referência à relação homem-natureza; ao amor em seus aspectos peculiares e universais. Caracterizam o estilo dessa poetisa tanto a linguagem imagética quanto a combinação de poema e prosa – ou o entrelaçamento de ambas em sua expressividade.</p>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2018&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
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		<title>Comentário sobre o livro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Aug 2017 21:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ana Cristina Costa Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(Amanda Aigner de Melo) “Sobre seu livro: Como começar? Na realidade, eu não sei por onde&#8230; São tantas coisas para falar! Seus poemas são bem mais que apenas poesia. Eles têm alma, eles contam uma história de alguém que toma um expresso num quarto, onde cantam os pássaros e a alma realmente vive, onde a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>(Amanda Aigner de Melo)<br />
“Sobre seu livro:</p>
<p>Como começar? Na realidade, eu não sei por onde&#8230; São tantas coisas para falar! Seus poemas são bem mais que apenas poesia. Eles têm alma, eles contam uma história de alguém que toma um expresso num quarto, onde cantam os pássaros e a alma realmente vive, onde a realidade é uma das muitas janelas no universo. Suas poesias têm coração, essência, cheiro, tudo. Seu livro é maravilhoso e me ensinou a ver a vida de outro jeito.</p>
<p>“As noites brancas”. Quando li isso eu pensei: Caramba! Que sentido é esse de ver as noites? Como uma pessoa consegue ver a noite desse jeito? É super inspirador!!! A dedicatória? Amei! Como são belas as suas palavras! De onde saem? Talvez de uma janela em que uma vez o outono surpreendeu-te. Sim, é impossível não gostar do seu livro, de suas palavras e da emoção que elas passam. “Cada ponto de vista é a vista de um ponto”, e cada pessoa que ler o seu livro terá um ponto de vista, pois cada um vê de um jeito diferente. Experimente escutar uma música com fone de ouvido. Observe ao seu redor. Qualquer música, não importa a situação em que você esteja, ou o que esteja observando. Mesmo que você não saiba o significado, ela se encaixa em qualquer situação. Pelo menos eu, acredito que com sua poesia aconteça o mesmo. É assim que penso, pois vivenciei isso lendo o seu livro. Enfim gostei muito. E uma das poesias que mais gostei foi esta:</p>
<p>
Quase ouço Camões</p>
<p>“Sentar-me-ei, sossegada,<br />
uma carta entre as mãos,<br />
quando jorrarem as horas imaginárias.</p>
<p>Ouço todas as gentes e não as vejo:<br />
Deslize de folha<br />
sobre a página<br />
(poeira fáunica, talvez),</p>
<p>gesto em que me distraio<br />
afagando um brilho de felicidade estável,<br />
urdindo meus silêncios de aquarela,</p>
<p>à sombra de cristalina tarde.”</p>
<p>(Amanda Aigner de Melo é estudante de música da FAMES. Na época, cursava o 3º Ano do Ensino Médio)</p>
<p>Observação de Ana Cristina Siqueira:</p>
<p>Fiquei muitíssimo grata a ela, e me lembrei de que “noites brancas”, expressão mencionada por ela, foi referência ao filme homônimo, baseado oi inspirado em obra de Dostoiévski.</p>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2018&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
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		<title>Oscar Gama Filho: Lirismo arrebatador</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-lirismo-arrebatador/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Aug 2017 20:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ana Cristina Costa Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Fortuna Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Gama Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A publicação de Poema Deitado no seu Peito, de Ana Cristina Costa Siqueira, pela Scortecci Editora (São Paulo, 2012), soa postumamente aos meus ouvidos, como se o seu livro pertencesse a uma poeta que morreu inédita — ou que estivesse morta em vida ou para a vida, tomada de uma incontrolável melancolia. O que é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-kS3OqeP0hPo/WuTLxCjuI0I/AAAAAAAAS1Q/--ZvbicYwqoMETXThVjVlcpdtdMMCX3EwCEwYBhgL/s1600/CAPA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="1473" data-original-width="990" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/CAPA-3.jpg" class="wp-image-5137" width="268" /></a></div>
<p>A publicação de Poema Deitado no seu Peito, de Ana Cristina Costa Siqueira, pela Scortecci Editora (São Paulo, 2012), soa postumamente aos meus ouvidos, como se o seu livro pertencesse a uma poeta que morreu inédita — ou que estivesse morta em vida ou para a vida, tomada de uma incontrolável melancolia. O que é o caso.</p>
<p>Sinto que se trata de algo parecido com uma tentativa de reparar uma injustiça imperdoável. Talvez seja porque ela, apesar dos 54 anos bem vívidos e bem pesados, tenha algumas semelhanças com Emily Dickinson, cujo espírito de sua arte só se revelou, desencarnando-se, após sua morte, quando finalmente seus versos foram impressos em prol da criação da identidade da alma feminina.</p>
<p>Como Emily, Cristina é uma exilada dentro do seu próprio corpo almado, aprisionada dentro do seu silêncio tímido, e só se liberta momentaneamente quando escreve. Quem, por acaso, ler seus poemas, não acreditará, se vier a conversar com ela, que Cristina os tenha extraído de seu laconismo.&nbsp; Mas é porque tirou as palavras de sua boca para destiná-las apenas ao papel.</p>
<p>Como em Emily, estão presentes o lirismo, o sentimento de comunhão com a natureza, o prazer em cantar o cotidiano e em lidar com ele: a paixão pela poesia como meio-mor de se expressar e de vivenciar o mundo, tudo isso revestido por uma aparência virginal, tímida, ousada e familiar.</p>
<p>Uma das melhores poetas da nova geração capixaba, nasceu em 23 de setembro de 1958 em Juiz de Fora, MG, e veio para o Espírito Santo em 1977.</p>
<p>Amiga de longos silêncios face a face em seu eterno batom vermelho, é também autora de cartas belíssimas reunidas no inédito primeiro romance epistolar capixaba, Cartas Deitadas no seu Peito — Cartas a Oscar Gama Filho (1983 -2006), que pode ser inscrito no Guiness e enriquecê-la ao ganhar o título mundial de cartas de amor sem resposta: são 23 anos sem retorno! A incapacidade de responder à altura da beleza de seu texto me impossibilitou a réplica, tornando-a desnecessária quando ela desenvolveu cartas de uma beleza tão espaçosa que ganhava o espaço por si só e, como um buraco negro, sugava até a luz e as palavras que me permitiriam uma correspondência. Mas guardei todas e as devolvi 30 anos depois.</p>
<p>Cristina era, desde cedo, dona de um corpo de talento e de primor técnico grande o bastante para que ela não o controlasse com a perfeição que o futuro, hoje chegado, lhe forneceria. Por isso só as devolvi 30 anos depois. Estava nova demais para apreciar a beleza cegante dos diamantes de sol.</p>
<p>Dia a dia, ao longo de três décadas, escrevemos e debatemos, e tanto e a tal ponto que uma ponte mágica se construiu entre nós quando criamos, juntos, a sua obra — eu de muso carnavalesco.</p>
<p>Anos de contato pontifício levaram-na a aliar voos condoreiros e imagens grandiosas aos seus pequenos cacos de lirismo e de cotidiano, influenciando na composição de um retrato ao mesmo tempo estranho e arrebatador pela união do lírico ao grandioso e ao ácido que se encontram neste magnífico Poema Deitado no seu Peito — um Jogo de Amarelinha (homenagem a Cortázar), publicado pela Scortecci Editora, de São Paulo, em 2012, com 142 p., lançado na Bienal de Literatura de São Paulo no ano passado.</p>
<p>
[In <i>A Gazeta</i>, Caderno Pensar, 13/04/2013.]</p>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2018&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<div>
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		<title>Excertos do livro Cabotagem, Poesia &#8211; Convivência crítica</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/excertos-do-livro-cabotagem-poetica_20/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jul 2017 20:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hildeberto Barbosa Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Elias Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria e Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cabotagem poética Todo poeta possui uma paisagem. Paisagens também se consolidam como nutrientes temáticos dos poemas, seres de palavras e de sentimentos que intentam expressar a realidade em toda sua poliédrica manifestação. Baudelaire cultiva sua paisagem poética vagando pelas ruas dispersas de Paris; Fernando Pessoa se abeira no cais do rio Tejo para observar Lisboa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://2.bp.blogspot.com/-3YpUFyRERM8/WXEBgJ5L7vI/AAAAAAAARKY/CLzBrXMY0Nkdv7qXb_iJa4-fHa4hDcDDgCLcBGAs/s1600/Cabotagem.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="1600" data-original-width="1014" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Cabotagem.jpg" class="wp-image-5163" width="252" /></a></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p>
<b>Cabotagem poética</b></p>
<p>
Todo poeta possui uma paisagem. Paisagens também se consolidam como nutrientes temáticos dos poemas, seres de palavras e de sentimentos que intentam expressar a realidade em toda sua poliédrica manifestação.</p>
<p>Baudelaire cultiva sua paisagem poética vagando pelas ruas dispersas de Paris; Fernando Pessoa se abeira no cais do rio Tejo para observar Lisboa pelo foco das metáforas; Jorge Luís Borges cadencia o fervor de Buenos Aires nas praças e avenidas de seus versos inimitáveis; Carlos Drummond de Andrade, no iluminado relâmpago de um poema, emoldura para sempre as férreas calçadas de Itabira, e Augusto dos Anjos, na solidão de seus passos taciturnos, caminha, ao ritmo sombrio e macabro, pelas pontes históricas de Recife ou pelos canaviais noctâmbulos do velho engenho Pau d`Arco.</p>
<p>Cada poeta, com a sua voz. Cada voz, com o seu canto. Cada canto, com o timbre particular da verdade e da beleza de uma poesia germinal que convoca a paisagem geográfica de suas experiências vividas para o mágico retábulo do poema.</p>
<p>É dentro desse viés de compreensão que começo a assimilar os versos livres de um poeta como Jorge Elias Neto (1964), capixaba, na coletânea intitulada “Cabotagem”, em edição da Mondrongo, Ilhéus-Itabuna, 2016, sob regência do também poeta Gustavo Felicíssimo.</p>
<p>Digo “coletânea”, se penso cada poema no território isolado de sua autonomia semântica, lido um a um, assim por partes, com direito às paradas táticas para o exercício da reflexão e para a fruição individual do prazer estético.</p>
<p>Considerando, não obstante, o diálogo interno que se opera de texto a texto, e, aqui, tomados pelo critério simbólico da paisagem, nada me impede de afirmar que estou diante um poema único. Um “macrotexto”, para me valer da expressão de Maria Corti, centrado na captura do lugar, o lugar físico, topográfico, mas também o lugar memorável das “imagens amadas”, como diria Gaston Bachelard, disposto em mosaicos especiais que se inscrevem no plano real da recordação, portanto, na substância lírica, mas, sobretudo, na armação configurativa das virtualidades verbais do poema.</p>
<p>Este “Cabotagem” é uma viagem por dentro da paisagem da ilha de Vitória, movida pela corrente emocional e evocativa do eu lírico que, firmado na cadência de seus versos, percorre, texto a texto, os locais da cidade enquanto motivos poéticos, e desse reencontro, que se materializa, a princípio, no terreno concreto e objetivo, brota, na limpidez da linguagem, as imagens estéticas que fazem da paisagem uma experiência subjetiva, particular, única, intransferível, que é exatamente a experiência do poeta, daquele olhar só seu, a criar e recriar, já nos arcabouços da sensibilidade e da imaginação, uma Vitória toda sua, enfim, uma cidade que existe a partir da observação, mas que é mapeada sobretudo por aquela “fantasia ditatorial”, ou seja, fantasia criadora, a que se refere Rimbaud.<br />
Ponta Formosa, ladeira do Sacre Coeuer, a Terceira Ponte, o Convento da Penha, o Manguezal, o Penedo de 136 metros de altura, o Cais do Hidroavião, a Capela do Carmo, o Britz Bar, o Horto, a Catedral, o Iate Clube, o Triângulo das Bermudas, o Status Motel, o Cine São Luís e o Aterro são, entre outros locais, acidentes e monumentos, os elementos que compõem a tessitura dos poemas, numa espécie de roteiro sentimental que, pela natureza mesma de sua força poética, transcende os limites convencionais dos roteiros históricos e turísticos, restritos, não raro, ao mero apelo pragmático.</p>
<p>Na poesia de Jorge Elias Neto, o que poderia ser apenas patrimônio artístico ou valor cultural para visitação, converte-se em sutileza reflexiva, em percepção surpreendente, em qualquer coisa de inaugural e de idiossincrático que tende a desmobilizar o olhar do leitor, redimensionando-o para outras possibilidades de sentido. Observe-se, por exemplo, o pequeno poema “Capela do Carmo”:</p>
<p>“Primeira hóstia<br />
entre tantas roubadas<br />
&nbsp;e um brilhante que não furtei<br />
por temer a Deus”.</p>
<p>Nesta mesma direção, dentro, no entanto, de uma clave mais discursiva, no poema “70 metros”, vejamos alguns versos:</p>
<p>“Bom sentar aqui&#8230;<br />
Gera um desvio do olhar;<br />
um torcicolo súbito<br />
diante da emanação do absurdo.<br />
&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<br />
Minha mãe guardou meus cachos de anjo,<br />
cortados,<br />
abençoados&#8230;<br />
Mas os anjos são lívidos<br />
demais para serem humanos&#8230;<br />
&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<br />
(A eternidade é uma metáfora que já não me ilude.)<br />
&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<br />
Sacia-se a fome de ossos<br />
dos Oceanos.<br />
&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<br />
Mas, por ora,<br />
contenha as lágrimas, leitor.<br />
Não se trata da vida do poeta.<br />
Por mais que insista,<br />
a vida é mais irônica<br />
que as palavras”.</p>
<p>Na verdade, nesta dicção poética, conta mais pensar acerca da paisagem, tentando captar seus meandros ocultos e suas regiões inomináveis, mais que o descrevê-la sob parâmetros de uma linearidade fotográfica. À paisagem se vincula, portanto, a certa temperatura emocional, aderindo, por sua vez, aos comandos invisíveis da memória e da imaginação, evidentemente para que o que preexiste enquanto matéria dispersa, no âmbito do estado poético, possa se transmutar em operação expressiva, em organização especial da linguagem, isto é, no poema.<br />
Com “Cabotagem”, Jorge Elias Neto continua maturando seu ofício poético e acrescenta mais um título a sua obra, depois de “Verdes versos (2007), “Rascunhos do absurdo” (2010), “Os ossos da baleia” (2013) e “Glacial” (2014).</p>
<div style="text-align: center;">
<b><br /></b></div>
<div style="text-align: center;">
<b><a href="https://dl.dropboxusercontent.com/u/38539432/11-ESTA%C3%87%C3%83O%20CAPIXABA_em%20vigor/Blogger/Literatura/Jorge%20Elias/Cabotagem-excertos.pdf" target="_blank" rel="noopener">Clique aqui para abrir mais excertos do livro C<i>abotagem poética</i>, de Jorge Elias Neto.</a></b></div>
<div style="text-align: center;">
</div>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017</span></b> Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação sem prévia autorização dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Hildeberto Barbosa Filho</b>, autor, nasceu em 9/10/1954, na cidade de Aroeiras, Estado da Paraíba. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal da Paraíba licenciando-se também em Letras Clássicas e Vernáculas (UFPB), sendo também mestre em Literatura Brasileira, pela UFPB. Atualmente é professor de &nbsp;Literatura Brasileira na Universidade Federal da Paraíba. Crítico literário, escritor, poeta e jornalista.</p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Laias</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/laias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2017 13:17:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lino Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Ao Brasil Lava-Jato, com afeto. Minha laia terá que se conciliar com as outras e estas com ela – fogo mais água ou água mais terra ou ainda terra mais céu, alfa, beta, gama e o resto. Minha laia será capaz de não cair mais na tentação de entrar em guerra com as demais alas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-RyoUeFQ9ADA/WQDUK7uZhtI/AAAAAAAAMeA/9twyBqovBTAxezvq8pkxRdf5DbK2WFDeQCPcB/s1600/Poesia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="170" data-original-width="342" height="158" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poesia.jpg" class="wp-image-5178" width="320" /></a></div>
<p></p>
<div style="text-align: right;">
<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;">  </span>Ao Brasil Lava-Jato, com afeto.</div>
<p>Minha laia<br />
terá que se conciliar com as outras<br />
e estas com ela<br />
– fogo<br />
mais água ou<br />
água<br />
mais terra ou ainda<br />
terra<br />
mais céu,<br />
alfa, beta, gama e o resto.</p>
<p>Minha laia<br />
será capaz de não cair<br />
mais na tentação<br />
de entrar em guerra<br />
com as demais alas existentes<br />
e mesmo<br />
as que ela apenas imagina<br />
no palco que tem por norte<br />
o sol<br />
quando o sul é a lua?</p>
<p>Minha laia e as restantes<br />
deverão dividir<br />
um piso único<br />
já sem o peso da ira<br />
sobre os seus ombros.</p>
<p>Até lá<br />
(aleluia!) sobrevivam<br />
as alcateias todas.</p>
<div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017 Lino Machado</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos reservados ao autor. A reprodução sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Lino Machado</b>&nbsp;é poeta e professor universitário. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/lino-machado-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
</div>
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		<title>Ode &#038; Brecht 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2017 18:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lino Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Sou de Esquerda” – não disse o Direitista. “Sou Direitista” – o de Esquerda não disse. Sandices? Não de verdade. Fascinante o que não se fala, lado escuríssimo da lua, metade que, em geral, mais do que se consola, se escuda com a outra (escusa por acaso?) metade, quando as duas juntas apesar de separadas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
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<p>
“Sou de Esquerda” –<br />
não disse o Direitista.<br />
“Sou Direitista” –<br />
o de Esquerda não disse.<br />
Sandices?<br />
Não de verdade.</p>
<p>Fascinante<br />
o que não se fala,<br />
lado escuríssimo da lua,<br />
metade<br />
que, em geral,<br />
mais do que se consola,<br />
se escuda<br />
com a outra<br />
(escusa por acaso?)<br />
metade,<br />
quando as duas<br />
juntas apesar de separadas<br />
não se lambuzam.</p>
<p>Mais fascinante ainda<br />
se o de Centro<br />
cala de fato<br />
“Não sou de Centro” –<br />
e assim<br />
vem para a folia também<br />
Sua Excelência<br />
(e Sua Excelentíssima)<br />
a Esquizofrenia.</p>
<p>Em (des)memória,<br />
portanto,<br />
esta penca de versos capengas<br />
não aos três porquinhos<br />
mas aos três portentos<br />
e com justiça<br />
seus capangas variados:<br />
A. H. – J. S. – T. N.</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017 Lino Machado</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos reservados ao autor. A reprodução sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Lino Machado</b>&nbsp;é poeta e professor universitário. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/lino-machado-biografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p></p>
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