<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Sérgio Sampaio &#8902; Estação Capixaba</title>
	<atom:link href="https://estacaocapixaba.com.br/category/sergio-sampaio/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/sergio-sampaio/</link>
	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
	<lastBuildDate>Mon, 22 Nov 2021 20:47:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2019/01/favEC-150x150.png</url>
	<title>Arquivos Sérgio Sampaio &#8902; Estação Capixaba</title>
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/sergio-sampaio/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O dia em que o Rei pirou</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jun 2017 15:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Sampaio]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160;Não vislumbro nenhum empecilho para sonhar que um dia Roberto Carlos, o Rei, cantará em público – ou mesmo gravará em estúdio &#8211; alguma ou até, quem sabe, algumas canções do seu conterrâneo, Sérgio Sampaio. Concedo-me, ainda, o direito de sonhar que isso se dará em um show a céu aberto sob o céu de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/">O dia em que o Rei pirou</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-XhXz0-hUM9g/WU_GwTh_cfI/AAAAAAAAQ9w/3OUvuweSTU8BEfNiDOvZO_VQlfiL7K8mQCLcBGAs/s1600/19054975_509731992751287_2930120244900541296_o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img fetchpriority="high" decoding="async" alt="Autoria: Lucius Kalinc / Produção: João Sampaio. 2017." border="0" data-original-height="458" data-original-width="329" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/06/19054975_509731992751287_2930120244900541296_o.jpg" class="wp-image-5167" title="Autoria: Lucius Kalinc / Produção: João Sampaio. 2017." width="286" /></a></div>
<p>&nbsp;Não vislumbro nenhum empecilho para sonhar que um dia Roberto Carlos, o Rei, cantará em público – ou mesmo gravará em estúdio &#8211; alguma ou até, quem sabe, algumas canções do seu conterrâneo, Sérgio Sampaio.</p>
<p>Concedo-me, ainda, o direito de sonhar que isso se dará em um show a céu aberto sob o céu de Cachoeiro.</p>
<p>E enquanto admito, sem muito esforço, sonhar com essa possibilidade, alimento também – mas lacrado com um selo de, digamos, segredo autoral – o projeto de transformar esse sonho em uma peça de ficção, talvez um conto com cintilações de realismo fantástico. </p>
<p>Isso, claro, se ele, o sonho, não se fizer, antes, realidade.</p>
<p>O nome do conto – ou novela, talvez – será o que tomei emprestado para titular este texto aqui, que deslustra, temo, o sonhado songbook do <i>velho bandido. </i></p>
<p>O conto – como o sonho – se situa na noite de 19 de abril de 2021.<br />
É que para comemorar o seu octogésimo aniversário, Roberto Carlos decidiu soberano e cônscio, fazer um show histórico – e absolutamente inusitado – na sua cidade natal.</p>
<p>Sem o costumeiro alarde publicitário, Sua Majestade convidou alguns instrumentistas, que não compõem seu <i>entourage</i>, para ensaiarem um repertório totalmente estranho ao grande público que acompanha a sua longeva, linear e – mesmo assim – gloriosa carreira.</p>
<p>O sonho não conta, em detalhes, o roteiro desse espetáculo onírico criado pelo Rei. </p>
<p>Mas a ficção permite relatar todas as minudências do show.</p>
<p>Deixemos, então, por inútil, o sonho instalado ali no espaço nenhum que ele (des)ocupa na ilha de Utopia, e entreguemo-nos à ficção, que, como está à mão, vale mais do que qualquer sonho – ainda que seja <i>real</i> – voando.</p>
<p>Aqui, já no ambiente da ficção, enquanto a tarde &#8211; de 19 de abril de 2021, lembro &#8211; projeta a sua derradeira luminosidade outonal sobre as águas do Itapemirim, podemos observar o velho Rei caminhando solitário e em silêncio pelo grande palco montado na Praça Jerônimo Monteiro, no centro de Cachoeiro, para abrigar esta noite de segunda-feira que não poderá ser senão majestosa.</p>
<p>Só ele, o Rei, sabe que daqui a pouco a cidade presenciará um episódio musical que além de inédito, será surpreendente. </p>
<p>Há quem diga, até, que inacreditável.</p>
<p>Aos músicos que compõem a banda montada exclusivamente pra este show – e, talvez, para um disco que pode nascer daí – o Rei sonegou, com a discrição que a nobreza lhe outorga, maiores informações. </p>
<p>Exaustivo, como de hábito, no afã dos ensaios, ele, no entanto, em momento algum se permitiu com os convivas mais que uma interlocução exclusivamente técnica, ainda que cordial.  </p>
<p>A emoção e um ou outro discurso confessional que por certo o assaltarão quando no palco, ele os guardou a sete chaves. </p>
<p>No fundo do seu coração.</p>
<p>Eles, os músicos – alguns ainda circulam pelo palco, neste fim de tarde outoniço, depois da passagem de som – sabem, claro, e com surpresa, do repertório que <i>Zunga</i> reservou para surpreender sua cidade natal, na data em que se completam oito décadas do seu nascimento ali.</p>
<p>Além das canções que ele nunca quis gravar e de outras que deixou de cantar já há algumas dezenas de anos, surpreenderão ainda mais o cenário e os indumentos pessoais que Sua Majestade aprovou para aquela noite. </p>
<p>Ali hoje, ver-se-á cores que vinham sendo proibidas desde que a sua roqueira e – então – transgressora juventude guardiã se findou. </p>
<p>E sabe ele – o Rei que observamos quieto e só ali naquele palco, agora quase vazio – que além de tudo isso, brotarão hoje da sua emoção alguns discursos que ele manteve emudecidos até esta altura do seu reinado vitalício.</p>
<p>Portanto – se a tanto me ajudar meu pouco engenho e minha minguada arte – esse conto (ou um curto romance, ou uma crônica histórica?), que um dia escreverei, terá muito por onde viajar, no labirinto de surpresas desta noite em que o Rei octogenário – segundo o entendimento de alguns – pirou.</p>
<p>Mas aqui, neste espaço songbookiano (que abriga alguns dos mais aguerridos integrantes da sampaiada nacional atual), vou – com o risco de deslustrar o conjunto – só adiantar uma parte – a que mais nos interessa agora – do que a ficção guarda.</p>
<p>Coisa rápida. Alguns <i>takes</i> do show.</p>
<p>Como, por exemplo, a emocionada abertura desse espetáculo improvável.<br />
Com o palco em blecaute total, o Rei, em <i>off</i> e <i>a capella</i>, desenvolve a primeira estrofe de Meu pequeno Cachoeiro diante da praça lotada e muda. Quando chega ao refrão – com o público já cantando, aplaudindo e chorando – Roberto Carlos, iluminado, aparece sustentado pela banda.</p>
<p>Ao final do hino da sua cidade, o Rei dirige-se a um lado do palco, onde está Raul Sampaio Cocco. </p>
<p>Sentado, quieto, absorto. </p>
<p>Roberto o abraça e beija enquanto todo o público, puxado pela banda, canta o refrão da canção.</p>
<p>Quando os aplausos vagarosamente vão ficando mais dispersos e as lágrimas começam a secar, um violão se projeta incisivo e inconfundível sobre o silêncio que vai dominando a praça. Um foco de luz procura a origem desse som e encontra o guitarrista Piau sozinho no centro do palco, incitando as cordas a relembrarem com segura fidelidade a clássica abertura de Cabras pastando.</p>
<p>A luz se amplia até alcançar o Rei, que entra exato, como se chegasse correndo de uma velha tarde de domingo. </p>
<p>A praça explode.</p>
<p><i>Eu tenho um dom de causar consequências<br />
Um ar de criar evidências<br />
Um sapato novo no lixo</p>
<p>Vem cá <br />
Vem me lembrar que eu venho <br />
de um bando de cabras pastando<br />
De um ninho de cobras me olhando <br />
De herói, de poeta e bandido. </i></p>
<p>&#8230;&#8230;.</p>
<p>Ao final Roberto apresenta, agradece e aplaude Piau, e, diante de um público em sua maior parte querendo saber de quem é esse rock sedutor que o Rei, jovial, acabara de interpretar e de um pequeno número de sampaiófilos boquiabertos, ele fala que Eu quero é botar meu bloco na rua, o primeiro elepê de Sérgio Sampaio, foi uma grande surpresa pra ele e pra muita gente naquele momento, 1973, em que foi lançado. Que é um disco que ele ouviu muito e do qual ainda gosta <i>pra caramba</i>. Mas que Tem que acontecer, o segundo álbum de Sérgio – onde está gravada Cabras pastando, a música que ele acabara de cantar – é um dos seus discos preferidos.</p>
<p>Conta ainda, Sua Majestade, que depois disso ele perdeu um pouco o contato com a obra genial do <i>Sampaio teimoso</i>.</p>
<p>Mas em alguns outros momentos do show, que durou um pouco mais de duas horas, Roberto voltou a falar (e cantar) coisas de Sérgio ou da família Sampaio.</p>
<p>Como quando ele falou do maestro Raul Sampaio e de quantas vezes e com que alegria ele, muito criança ainda, acompanhou a Banda 26 de Julho ali mesmo naquela Praça Jerônimo Monteiro.</p>
<p>Que também se lembra de que ouvia algumas pessoas, <i>por aí</i>, cantando Cala a boca Zebedeu e dizendo que aquela música era do maestro Raul Sampaio.</p>
<p>No que ele não acreditava. </p>
<p>Aos seus olhos infantis só cabia ao respeitável maestro compor os dobrados e hinos que a 26 de Julho executava com galhardia marcial. </p>
<p>E que ele, Roberto, ainda infante, embora não entendesse muito bem, achava muito engraçado o Zebedeu e que uma das primeiras coisas que ele aprendeu a cantar foi aquele refrão. </p>
<p>Aí, fazendo uma voz infantil e diante das gargalhadas do público e da banda que arrancava sons divertidos dos seus instrumentos, Sua Majestade cantou e repetiu algumas vezes:</p>
<p><i>Eu vou pro Rio de Janeiro<br />
ver o escrete brasileiro jogar. </i></p>
<p>Chega. </p>
<p>Mais não contarei aqui. </p>
<p>A literatura ficcional (conto, crônica, novela, romance?) que um dia vou escrever cuidará do restante. Acho.</p>
<p>Só direi ainda, por considerar indispensável, é que o Rei, depois de uma sequência de músicas que ele disse que gostaria de ter criado – a sequência se fechou com Qualquer coisa, de Caetano Veloso – falou de novo de Sérgio Sampaio. </p>
<p>Sua Alteza Real contou que acha Meu pobre blues muito divertido, criativo e atraente. Que ele tem ainda aquele compacto &#8211; <i>autografado por Sérgio! </i> &#8211; guardado com todo o carinho. </p>
<p>E disse mais o Rei. </p>
<p>Disse que ele sempre teve muita vontade de fazer o que ia fazer agora ali, naquela noite do seu aniversário, em Cachoeiro de Itapemirim.</p>
<p>Convidou Piau para ficar à frente da banda de feras que ele tinha convocado para aquela data e realizou, com realeza, para deleite do público presente e silente, o seu sonho:</p>
<p><i>Meu amigo,<br />
Um dia eu ouvi maravilhado<br />
No radinho do meu vizinho<br />
Seu rockzinho antigo<br />
Foi como se uma bomba<br />
Tivesse explodido no ar<br />
E todo o povo brasileiro<br />
Nunca mais deixou de cantar<br />
E desde aquele instante<br />
Eu nunca mais parei de tentar<br />
Mostrar meu blues<br />
Pra você cantar</i></p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p>Outra coisa que eu também não posso deixar de registrar aqui é que quase ao final do show – que se encerrou com uma interpretação, digamos, heróica do velho Rei para Quero que vá tudo pro inferno – Roberto convidou ao palco o seu amigo Erasmo Carlos – que mais de uma vez participou do espetáculo de aniversário do parceiro – para juntos cantarem uma música – <i>Um hino nacional! </i> – que cantavam vez ou outra brincando em festinhas da época, em sua casa ou mesmo na de Erasmo.</p>
<p>(Roberto)</p>
<p><i>Há quem diga que eu dormi de touca<br />
Quem eu perdi a boca<br />
Que eu fugi da briga<br />
Que caí do galho e que não vi saída<br />
Que morri de medo quando o pau quebrou</i></p>
<p>(Erasmo)</p>
<p><i>Há quem diga que eu não sou de nada<br />
Que eu não sei de nada<br />
E não peço desculpas<br />
Que eu não tenho culpa<br />
Mas que dei bobeira<br />
E que Durango Kid quase me pegou</i></p>
<p>(Roberto, Erasmo, a banda e toda a Praça Jerônimo Monteiro, uníssono)</p>
<p><i>Eu quero é botar meu bloco na rua<br />
Brincar, botar pra gemer<br />
Eu quero é botar meu bloco na rua<br />
Gingar pra dar e vender&#8230; </i></p>
<p>Enquanto todos cantavam e dançavam ali na praça e nas ruas mais próximas diante dos telões – já quase ao final daquele longo e extraordinário show histórico – Roberto pegou, sobre um banquinho a seu lado, um livro e mostrando-o ao público disse: Foi importante que chegasse às minhas mãos este Songbook de Sérgio Sampaio. Essa obra despertou a minha reaproximação com a criação musical deste grande poeta conterrâneo e contemporâneo. Agradeço à turma que há coisa de uns seis anos realizou este trabalho aqui no estado. Valeu! Só tem um texto aqui que deslustra um pouco esta publicação tão importante. Mas fazer o quê, não é? Deixa pra lá&#8230;</p>
<p>Ninguém, pra sorte minha, sabia ali a que texto o Rei se referia.</p>
<p>Eu, a um canto da praça, nada disse, nem direi.</p>
<p>Afinal, Rei é Rei.</p>
<p>E se errei, ao escrever (ou ao sonhar), ele, do alto da sua majestade, saberá me perdoar. </p>
<p>Espero.</p>
<p>[In KALINK, Lucius. <i>Songbook Sérgio Sampaio</i>. Vitória: Cousa, 2017.]</p>
<p>
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/">O dia em que o Rei pirou</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/o-dia-em-que-o-rei-pirou/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
