<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Tradução &#8902; Estação Capixaba</title>
	<atom:link href="https://estacaocapixaba.com.br/category/traducao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/traducao/</link>
	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Sep 2021 17:38:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2019/01/favEC-150x150.png</url>
	<title>Arquivos Tradução &#8902; Estação Capixaba</title>
	<link>https://estacaocapixaba.com.br/category/traducao/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>&#8220;O barco ébrio&#8221;, de Arthur Rimbaud, tradução de Oscar Gama Filho</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-optou-em-sua-traducao/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-optou-em-sua-traducao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Mar 2001 14:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arthur Rimbaud]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Gama Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Oscar Gama Filho optou, em sua tradução, por respeitar o esquema rímico-métrico de Rimbaud, mantendo os dodecassílabos e as rimas cruzadas do original. Detalhe: seus versos, apesar de homométricos/isométricos, são heterorrítmicos, rompendo, assim, com as regras a que o alexandrino clássico devia obediência. O BARCO ÉBRIO Como eu descia pelos Rios impassíveis, Não me senti [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-optou-em-sua-traducao/">&#8220;O barco ébrio&#8221;, de Arthur Rimbaud, tradução de Oscar Gama Filho</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Oscar Gama Filho optou, em sua tradução, por respeitar o esquema rímico-métrico de Rimbaud, mantendo os dodecassílabos e as rimas cruzadas do original. Detalhe: seus versos, apesar de homométricos/isométricos, são heterorrítmicos, rompendo, assim, com as regras a que o alexandrino clássico devia obediência.</p>
<p>O BARCO ÉBRIO</p>
<p>
Como eu descia pelos Rios impassíveis,<br />
Não me senti mais guiado pelos sirgadores:<br />
Índios gritando os fizeram alvos visíveis,<br />
Tendo-os pregado nus aos seus postes de cores.</p>
<p>Eu me despreocupava das equipagens,<br />
Com algodão inglês e flamengo trigo eu ia.<br />
Quando com os sirgadores findaram as berragens,<br />
Os Rios me deixaram descer onde eu queria.</p>
<p>Nos marulhamentos das marés enraivadas,<br />
No inverno, mais surdo que os cérebros de infantes,<br />
Eu corri! E as Penínsulas desatracadas<br />
Não suportaram confusões mais triunfantes.</p>
<p>O toró benzeu as despertações marítimas.<br />
Mais leve que a rolha sobre as ondas dancei,<br />
Chamando-as roladoras eternas de vítimas,<br />
Dez noites, tolo olho dos faróis não lembrei!</p>
<p>A água verde penetrou meu casco de pinho,<br />
Mais doce do que ácidas maçãs pras crianças,<br />
E de vômitos e de manchas de azuis vinhos<br />
Me lavou, e meu leme e âncora ao mar lança.</p>
<p>Banhei-me no Poema do Mar desde então,<br />
Eu, infundido de astros, o que lactesce,<br />
Comendo os azuis verdes; e, alva flutuação<br />
Encantada, um afogado pensante desce;</p>
<p>Onde, tingindo as azulidades, delira<br />
Um ritmo lento sob o dia em rutilores,<br />
Mais fortes que o álcool, mais vastos do que a lira,<br />
Fermentam ruivores amaros dos amores!</p>
<p>Eu sei céus rompendo em relâmpagos, e as trombas,<br />
Ressacas, correntes: eu sei o entardecer,<br />
A Alba exaltada como uma nação de pombas,<br />
E vi às vezes o que o homem julgou ver!</p>
<p>Vi sol baixo, manchado em místicos horrores,<br />
Coagulações violetas iluminando,<br />
Como de dramas muito antigos os atores,<br />
Ondas seus tremores de postigos rolando!<br />
Sonhei a noite verde em neves deslumbradas,<br />
Beijo em lentidões subindo aos olhos dos mares,<br />
A circulação das seivas inusitadas,<br />
E o acordar louro-azul do fósforo em cantares!</p>
<p>Segui, meses inteiros, como vacarias<br />
Histéricas, onda batendo nos recifes,<br />
Sem sonhar que os pés luminosos das Marias<br />
Dobrassem, de asmáticos mares, os narizes!</p>
<p>Eu choquei-me, sabei vós, com incríveis Floridas<br />
Mesclando flor com olhos de pantera e humanas<br />
Peles! Arco-íris esticados quais bridas<br />
Sob o horizonte do mar, em tropas glaucanas!</p>
<p>Eu vi nassas, grandes pântanos fermentando,<br />
Onde há, nos juncos, Leviatã apodrecendo!<br />
Longes indo pros abismos cataratando,<br />
Água em meio a bonanças, em desabamentos!</p>
<p>Glaciar, sóis de prata, onda em nácar, céu brasante!<br />
Naufrágios no fundo de golfos em negrume<br />
Onde percevejos comem serpes gigantes<br />
Que caem de árvores tortas com negros perfumes!<br />
Queria mostrar às crianças as douradas<br />
Da onda azul, os peixes de ouro, os peixes cantantes.<br />
— Espumas de flores me ninaram largadas,<br />
Ventos inefáveis me alaram por instantes.</p>
<p>O mar soluçante fazia o jogar brando,<br />
E, às vezes, mártir de zona e pólo, cansado,<br />
Me erguia a flor de sombra em ventosas lourando,<br />
E eu ficava, qual uma mulher, ajoelhado&#8230;</p>
<p>Quase ilha, movendo no meu bordo as questões<br />
E as fezes de aves de olhos louros e gritando,<br />
Vogava eu, quando através meus frágeis cordões<br />
Afogados desciam a dormir, recuando!&#8230;</p>
<p>Ora eu, barco perdido sob cabelos de angras,<br />
Pelo furacão no éter sem ave lançado,<br />
De quem os Monitores e os veleiros de Hansas<br />
Não teriam a carcaça ébria d&#8217;água pescado;</p>
<p>Livre, esfumando, montado em brumas violetas,<br />
Eu, que ao céu vermelhado furava qual muro<br />
Que tenha, doce saboroso aos bons poetas,<br />
Líquenes de sol e ranhos de azul puro;<br />
Que corria, lúnula elétrica a manchar,<br />
Prancha louca, escoltada a cavalos-marinhos,<br />
Quando os julhos faziam a golpes desabar,<br />
Nos ardentes funis, os céus ultramarinos;</p>
<p>Que a tremer, sentia a cinqüenta léguas uis<br />
Do cio dos Beemotes e dos Maelstrons densos,<br />
Fiandeiro eterno das fixidezes azuis,<br />
A Europa de antigos parapeitos eu lembro!</p>
<p>Eu vi arquipélagos siderais! E ilhas<br />
Cujos céus delirantes se abrem ao vogador:<br />
— Nestas noites sem fundo é que a dormir te exilas,<br />
Ó milhão de aves de ouro, ó futuro Vigor? —</p>
<p>Verdade, chorei muito! Albas são agoniantes.<br />
Toda lua é atroz, todo sol, de amargar:<br />
O acre amor me encheu de torpores inebriantes.<br />
Ó que a quilha estoure! Ó que eu naufrague no mar!</p>
<p>Se eu desejo uma água de Europa, ela é o charco<br />
Negro e frio onde para o arrebol em desmaio<br />
Uma criança, agachada e triste, solta um barco<br />
Frágil tal como uma borboleta de maio.</p>
<p>Não mais posso, ondas, banhado em vossas canseiras,<br />
Tirar sua esteira ao condutor de algodões,<br />
Nem cruzar o orgulho de flâmulas, bandeiras,<br />
Nem vogar sob o olhar horrível dos pontões.</p>
<p>
[Tradução publicada, originalmente, em <i>Eu Conheci Rimbaud &amp; Sete Poemas para Armar um Possível Rimbaud</i> mesclado com O Barco ébrio/Le Bateu Ivre. Vitória, Departamento Estadual de Cultura/Fundação Ceciliano Abel de Almeida-UFES, 1989, p. 42-8.]</p>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><br /></b><br />
</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Oscar Gama Filho&nbsp;</b>é psicólogo, poeta e crítico literário com diversas obras publicadas.(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-bio-bibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p></p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-optou-em-sua-traducao/">&#8220;O barco ébrio&#8221;, de Arthur Rimbaud, tradução de Oscar Gama Filho</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-optou-em-sua-traducao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
