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	<title>Arquivos Waldo Motta &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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		<title>O país d’el rey &#038; A casa imaginária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Mar 2001 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Almada]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria e Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Waldo Motta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Retornando a &#8220;um tempo alvar, tempo ledo&#8221; pela via da lembrança, toda a aridez da existência se torna fértil para o poeta; e germinar é quanto lhe custa. E à medida que retorna a O país d&#8217;El Rey, a imaginação re-criadora do poeta vai nos desvelando a paisagem de &#8220;contorno insano e vário&#8221; e &#8220;horizonte [&#8230;]</p>
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Retornando a &#8220;um tempo alvar, tempo ledo&#8221; pela via da lembrança, toda a aridez da existência se torna fértil para o poeta; e germinar é quanto lhe custa. E à medida que retorna a <i>O país d&#8217;El Rey</i>, a imaginação re-criadora do poeta vai nos desvelando a paisagem de &#8220;contorno insano e vário&#8221; e &#8220;horizonte sem medida&#8221;, território de que, enfim, o poeta se declara constituído, e tanto que, curando suas feridas com &#8220;terra, verde e salitre&#8221;, pode considerar-se verdadeiramente redivivo.</p>
<p>Utilizando habilmente o tradicional metro septassílabo — que permite ritmos vários — intercalado de metros outros, de igual diversidade rítmica, Roberto Almada consegue obter efeitos de movimento e teatralidade que conferem ao poema um caráter dramático. Pois ultrapassando os limites de uma saga particular, é o drama do homem contemporâneo que aparece em todos os momentos deste livro. Todos esses recursos aliados à subversão da ordem sintática corriqueira conseguem evitar a quase inevitável monotonia do poema longo. E assim este cantor singular que é Roberto Almada consegue dar à sua poesia ressonâncias épicas raramente encontráveis.</p>
<p>Como em <i>O país d&#8217;El Rey</i>, &#8220;são coisas por refazer: / o pão de milho e centeio [&#8230;]&#8221;, a bênção da mãe, animais, objetos, e tudo o mais de cuja falta se ressente o poeta, eis então que, convocados, ou melhor, recriados, vão aparecendo seres e coisas, não faltando nem mesmo &#8220;uma veste de seda, / pulseiras de ouro antigo&#8221; e &#8220;um sorriso esquecido&#8221; na imagem da mãe que é solicitada para companhia, num dos mais belos momentos do livro.</p>
<p>Já procedendo à edificação de <i>A casa imaginária</i>, o poeta nos convida a todos que estamos afundando com os soberbos castelos erguidos sobre o pântano para que edifiquemos nossa própria casa, não importando sobre quais bases, se &#8220;em pó ou argila / em rocha se preciso [&#8230;]&#8221;. &#8220;Edificai que esse é o vosso / exercício e vosso abrigo&#8221;. Aqui, particularmente, a voz de Roberto Almada alcança a plenitude espiritual: ética contida na estética, questão menor para os que acham que a poesia deve acompanhar, abanando o rabinho e ganindo de deslumbramento, os passos da tecnocracia, que nos quer insulados na incomunicação. Os verdadeiros poetas, os profetas, ou seja, os vates, querem ser ouvidos. Se é inútil atirar pérolas aos porcos, mais triste é gritar no deserto. Para os grandes poetas, uma das questões mais difíceis é expressar a verdade revestida de beleza. Os gregos inclusive têm uma palavra <i>tò kalón</i> para designar ao mesmo tempo a beleza e a virtude.</p>
<p>Nestes tempestuosos momentos em que vivemos, arrastados para rumos quase sempre indesejados por correntes que se entrechocam e nos atordoam, é preciso que edifiquemos nossa própria casa. Entretanto, alerta o poeta, &#8220;cuidai de a terdes edificado no amor&#8221;.</p>
<p>Neste livro, a árvore é a metáfora perfeita do homem contemporâneo, uma árvore que não se prende ao chão pois &#8220;se sentiria apenas uma árvore&#8221;, o homem condenado à existência fragmentada, isolada, dentro de uma sociedade dividida em classes antagônicas, o homem como uma colcha de conflitos que não se resolvem senão pela re-ligação com sua essência e sua alteridade. Mas como, se o Estado nos tira todo o tempo de amar, pensar etc., obrigando-nos à luta pela sobrevivência?</p>
<p>Como em toda grande poesia, também esta tem um lugarzinho para a esperança, a esperança justamente de um lugar (sem dúvida, a Utopia de todos os poetas, criaturas impertinentes que, para Platão, não podem ter lugar na República). &#8220;Apenas um lugar. E enquanto o busque / tão perto me apareça quanto um sonho&#8221;. Assim seja, Roberto Almada.</p>
<div style="text-align: right;">
10/11/85</div>
<p>[Orelha do livro <i>O país d&#8217;El Rey &amp; A casa imaginária</i>, de Roberto Almada, Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1986.]</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>Textos com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Waldo Motta</b> (Edivaldo Motta], poeta e ator, nasceu em São Mateus, ES, a 27 de outubro de 1959.</p></blockquote>
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