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C.R.S., preparador de veículos

Bairro onde trabalha: Praia do Canto
Bairro onde mora: Romão
Naturalidade: Vitória
Profissão: preparador de veículos
Idade: 40 anos
Sem filhos ou esposa



O que você acha da cidade de Vitória como ambiente para se viver?

– É legal, mas tem muita discriminação, discriminação geral. Você entra num restaurante, tem discriminação. Porque você não mora aqui, não é da nata, da graduação deles aqui, eles te tratam diferente, tem problema pelo fato do serviço que você faz.

O que acha do aspecto físico da cidade?

– Tá legal, tá bacana, eu frequento a Ilha do Boi, de vez em quando, quando eu vou à praia.

Conhece todos os bairros? Qual gosta mais?

– Conheço todos. Gosto deste daqui que eu vivo e frequento. Tenho muitas atividades aqui. Trabalho aqui de segunda a domingo.

O que acha do capixaba? Como você se relaciona?

– É fácil fazer amigos, é só ter dinheiro. É fácil namorar. Eu sou tranquilo, converso com todo mundo.

O que acha do custo de vida e das oportunidades de trabalho?

– Se você quiser trabalhar, tem espaço pra todo mundo. Eu, por exemplo, tiro uns R$ 2.500,00 por mês, aqui. Mas meu dinheiro não é certo, tenho 1.000 reais na rua, neguinho que não pagou.

O que acha do transporte?

– O transporte é horrível, é zero, o ônibus é caro, final de semana não rola, pros bairros não tem quase nada. É horrível.

Frequenta as tradições mais antigas? E as mais recentes?

– Eu ia antigamente, porque minha família é de Roda d’Água, então meu pai participava de congada, e eu, moleque, ia com ele, mas hoje não vou mais. E não vou no Vital porque é festa de rico, fechada, o povão fica do lado de fora olhando. Só entra se pagar.

Como você se diverte?

– Eu sou caseiro. Chega domingo eu vou para casa fazer um churrasco com os amigos. Vou pra boate, de vez em quando, pro clube.

Quais os grandes problemas de Vitória?

– A polícia abusa muito do pobre, qualquer coisa eles te prendem e te dão pancada. Já passei vergonha em bar, eles te revistam, te encostam na parede, te dão pancada, e você nem tem nada.

O que acha da violência?

– Tá demais. Vejo as coisas acontecerem, crimes banais, discussão em bar, dá em morte por nada. Tá demais mesmo.

Como você vive em Vitória?

– Vivo bem, vivo bem. Um dia tem dinheiro, outro dia não tem, vou levando.

O que acha da justiça?

– Justiça pra quem tem amizade dentro dela, tudo se resolve. Pra quem tem dinheiro, não tem problema. Tem que ter influência. Eu já ganhei uma causa sem nada, aí teve justiça mesmo; não sei, acho que foi sorte também. Mas já fui condenado e saí graças à influência de alguém que eu conhecia, se não, não saía não.

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