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É de Valentim

Que é de Valentim,
Valentim traz, traz?
Que é de Valentim?
É um bom rapaz!
Que é de Valentim?
Valentim sou eu!
Bela moreninha
Que este par é meu!

Cantado em vários pontos do Estado, o “Valentim” é uma das canções de roda mais alegres e maviosas do vasto repertório musical infantil. Recolhemos variantes em Vitória, Santa Leopoldina, Linhares e Vila Velha.

Este brinquedo, que faz parte do grupo de rodas de estribilho, em que se tiram versos e quadrinhas à medida que se entoa a canção — não o vimos referido em nenhum dos cancioneiros aqui citados.

Uma das versões de Santa Leopoldina substitui o “Valentim traz, traz” por “Valentim záz-traz”. Variantes há que dizem: “Quéde Valentim”, “É de Valentim”, “Pedro Valentim”, ou “O que é de Valentinho”. Em lugar de “Bela moreninha”, usam também “Que bela moreninha” ou “ôi que bela moreninha”. Outras versões cantam: “Pego na morena / Que esse par é meu”, ou “Deixe a moreninha / Que esse par é meu”.

Modo de brincar — Forma-se a roda comum e todos entoam a canção, tirando-se versos ou quadras à vontade, mas na mesma toada do “Valentim”, que serve de estribilho.

Há variantes — e as anotamos em Vitória e Santa Leopoldina — em que o versos inicial “É de Valentim” se repete, cantado pelo coro, no final de cada verso das quadrinhas tiradas. Assim:

Coro: |
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Que é de Valentim,
Valentim traz, traz?
Que é de Valentim?
É um bom rapaz!
Que é de Valentim?
Valentim sou eu!
Bela moreninha
Que este par é meu!
   
Solo:
Coro:
Solo:
Coro:
Solo:
Coro:
Solo:
Coro: 
O morro da Fonte Grande

É de Valentim.
Tem descida e tem subida,
É de Valentim.
Também tem um moreninho,
É de Valentim.
Perdição de minha vila!
É de Valentim.
   
Coro: |
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          |
Que é de Valentim,
Valentim traz, traz?

[SANTOS NEVES, Guilherme (pesquisa e texto), COSTA, João Ribas da (notação musical). Cantigas de roda. Vitória:Vida Capichaba, 1948 e 1950. (v. 1 e 2).]

Guilherme Santos Neves foi pesquisador do folclore capixaba com vários livros e artigos publicados. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)

João Ribas da Costa foi professor no interior do Estado do Espírito Santo.

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