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L.M.N., contadora

Bairro onde mora: Praia do Canto
Bairro onde trabalha: Centro da Cidade
Profissão: Contadora
Naturalidade: Brasileira
Idade: 41 anos
Tempo de residência em Vitória: 41 anos
Tempo que trabalha em Vitória: Desde que comecei a trabalhar, aos 18 anos de idade
Estado civil: Solteira
Filhos: Nenhum



O que você acha da cidade de Vitória como ambiente para se viver? Aspecto físico. Você conhece a cidade como um todo? Qual parte da cidade você mais gosta? Qual é o melhor bairro, em sua opinião?

– A cidade de Vitória (e ao longo desta entrevista não falarei em especial da Grande Vitória) é extremamente agradável para se viver, considerando os aspectos sociais e ambientais: não há pobreza absoluta, a violência urbana é compatível com o “porte” da cidade, os serviços de educação e saúde atendem às expectativas da população carente, a poluição do ar é controlada por uma legislação eficaz, embora a gestão ambiental ainda seja deficiente, o sistema de abastecimento de água é funcional e amplo, os morros encontram-se ocupados de maneira ordenada e com infra-estrutura satisfatória, as áreas verdes são notadas pelos turistas que por aqui transitam, a paisagem natural conjugada com o mar e os monumentos naturais agradam aos capixabas. – Deficiência ainda é encontrada nos sistemas de coleta e tratamento de esgotos, o que se reflete na qualidade das praias. – Devo ressaltar que a queda na qualidade da saúde e da educação seguiu a tendência do país, não sendo, aqui, um fato isolado. – Moro no bairro Praia do Canto, local nobre, e não tenho do que me queixar. Minha condição financeira favorável contribuiu para que eu fixasse residência na área que elegi. – Vivo em Vitória desde que nasci e conheço todo o percurso por onde passo. Sou sensível, inclusive, a perceber as mudanças de cenário.



Como você se relaciona em Vitória? É fácil fazer amigos, namorar…? Qual é o perfil do capixaba?

– Sou descendente de uma família que fixou residência nessa cidade em 1918. Os relacionamentos foram herdados ou conquistados com relativa facilidade. Adquirimos naturalmente a simpatia local, consequência do trabalho da “família empresária” que luta até hoje para o progresso do município. Sou pouco qualificada para avaliar o perfil capixaba. Melhor dizendo, sou “suspeita”.

O que você acha do custo de vida?

– O custo de vida local é compatível com os estados nordestinos, hoje, região com a qual comparo Vitória. Está bom, mas longe do ótimo.



Tem algo a dizer sobre o trânsito? Como você se locomove?

– O trânsito viário do município de Vitória é intenso, proveniente também de municípios adjacentes. Não tenho dúvidas de que a médio prazo e diante das boas perspectivas econômicas do estado, já anunciadas nos meios de comunicação, o fluxo de veículos será caótico. A ausência de veículos de massa confortáveis desestimula a opção por transportes coletivos. O congestionamento das avenidas será inevitável. O investimento em novas vias requer planejamento e altos investimentos. O setor público não está disposto hoje a pagar o preço. Utilizo meu veículo próprio e nem passa pela minha cabeça vir a cooperar para o “bem comum”.



Você assiste ou participa das tradições que ainda restam? (procissão dos navegantes, festa da Penha, festa de São Benedito…)

– Tais produções culturais são fruto de um trabalho comunitário que admiro. Entretanto, eventos dessa natureza não me atraem.



E as tradições mais recentes, como o Vital, o carnaval do Centro…?

– O carnaval fora de época e o carnaval local são eventos atraentes, reconheço. O investimento privado foi determinante para torná-los visíveis à população em geral, sem distinção social. Ouço falar bem de ambas as festas, mas nunca fiz parte do contexto. Detesto multidão.



Como você se diverte? Quais lugares que frequenta?

– Minha diversão é trabalhar, frequentar bons restaurantes e os típicos com a culinária regional. “Reverencio” a moqueca capixaba. Receber amigos em minha casa para jogar conversa fora é um hobby antigo.



O que acha do movimento cultural de Vitória?

– O poder público não criou nenhum incentivo à cultura. Os benefícios da Lei Rubem Braga são insuficientes para atender à demanda interna. As produções locais são tímidas e pouco divulgadas. A classe empresarial contribui precariamente para a mudança desse cenário e o governo é omisso.



E a vida noturna? O que se vê na noite de Vitória?

– As opções de lazer noturnas são limitadas. O Centro da cidade de Vitória carece de investimentos capazes de resgatar sua vocação cultural e gastronômica de outrora. Os equipamentos culturais encontram-se em total estado de abandono, com funcionamento precário. Sair à noite é uma lástima.

Como é o turismo em Vitória hoje?

– Não há nada de especial a ser mostrado. As edificações históricas encontram-se deterioradas e não atraem ninguém. As praias impróprias para banho, tampouco. A infra-estrutura turística é deficiente. A divulgação nacional da cidade pelo poder público é pouco agressiva. Os pacotes turísticos estaduais como “Rota do Sol e da Moqueca” e a “Rota do Mar e da Montanha” não seduzem os brasileiros que optam com frequência pelo turismo carioca e nordestino. – Cabe agora homenagear meu pai, homem empreendedor e de visão. Homem que “fez e faz”. Alavancou há 12 anos e de maneira surpreendente o turismo de negócios local, com a construção do primeiro centro de eventos e feiras de Vitória: o Centro de Convenções de Vitória, palco de congressos e feiras de portes nacional e internacional.



Tem algo a dizer sobre a educação, a saúde, o governo, o comércio e o petróleo?

– O Espírito Santo é um estado inexpressivo no contexto nacional, apesar da presença de indústrias de porte aqui fixadas e do benefício às importações provenientes do Fundo de Desenvolvimento de Atividades Portuárias (FUNDAP). Os escândalos administrativos de governos sucessivos afastaram investidores que, precavidos, optaram por aplicar seus recursos nos estados onde a máquina governamental apresentava uma política econômica mais estável. O estado ainda hoje paga o preço pela irresponsabilidade passada. – A indústria de petróleo, que está chegando, mudará inevitavelmente esse panorama. O Espírito Santo é hoje o segundo estado no ranking nacional em reservas de petróleo. A instalação da Petrobrás e de multinacionais aqui, no ano retrasado e passado, é a prova cabal de que nossa economia dará um salto. Percebe-se, entretanto, o despreparo tecnológico das micro e pequenas empresas locais. É fato que nossa mão-de-obra não está preparada para integrar a cadeia produtiva. Os grupos familiares empreendedores que tanto lutaram pelo desenvolvimento local serão engolidos pelas grandes corporações.  Não há ensino mágico que possa adequar o mercado, em curto prazo, à demanda externa voraz. O Plano Diretor Urbano do município – PDU está sendo reformulado para tentar conter a explosão demográfica e o crescimento desordenado da cidade. Não acredito na correta aplicação dos recursos advindos da riqueza proporcionada pela indústria petrolífera e muito menos em ética governamental. O governo, com sede de apresentar resultados econômicos imediatos, certamente fará concessões que refletirão futuramente na qualidade de vida da população. Nossas reservas têm prazo de validade e temo o resultado final de todo esse processo. A cidade de Macaé “viveu” a mesma história há duas décadas e hoje se apresenta como uma cidade exaurida e desagradável para se morar.



Quais são os grandes problemas de Vitória?

– Infraestrutura turística inexistente, poluição das águas da baía e de nossas praias, deterioração do Centro da cidade de Vitória e cenário cultural paupérrimo. Ah, e a economia informal estampada nas ruas. Os ambulantes degradam o ambiente, não recolhem impostos, concorrem com a economia formal, revendem produtos possivelmente advindos de contrabando ou produtos alimentícios muitas vezes sem a menor condição de consumo. O poder público, como sempre, “fecha os olhos” e nós, empresários estabelecidos, temos que “engolir” mais essa!



E as grandes vantagens de se morar aqui?

– Vitória é uma capital com fortes características de cidade do interior. Conhecemos o “dono da padaria”, deslocamo-nos com relativa facilidade e rapidez e somos privilegiados por temperaturas agradáveis sem mudanças repentinas como ocorre no estado de São Paulo, por exemplo.



Como você definiria a sua vida em Vitória?

– Ótima, principalmente por poder ter minha família e meus amigos presentes em meu cotidiano.

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