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	<title>Arquivos História / Sociologia &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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	<title>Arquivos História / Sociologia &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; V</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Sep 2017 18:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentos Capixabas]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Clara Medeiros Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro de Vasconcellos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Carta compilada, 28/08/1726. Acervo Arquivo Nacional. Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo Manuel Corrêa de Lemos, para entregar o Governo da mesma Capitania a João de Velasco [e] Molina. El Rei meu Senhor, que Deus guarde, foi servido prover a João de Velasco e Molina, no posto de Capitão-mor dessa [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do_8/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; V</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-pud8MwnEe0E/WZi999Zz95I/AAAAAAAARSA/U_AU9zmhTc0_9h_-Slj9UwGRzgrbLIC6ACLcBGAs/s1600/3_2_5-241.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img fetchpriority="high" decoding="async" alt="Carta compilada, 28/08/1726. Acervo Arquivo Nacional." border="0" data-original-height="1000" data-original-width="627" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/09/3_2_5-241.jpg" class="wp-image-5086" title="Carta compilada, 28/08/1726. Acervo Arquivo Nacional." width="400"></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Carta compilada, 28/08/1726. Acervo Arquivo Nacional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b><br />
</b><br />
<b>Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo Manuel Corrêa de Lemos, para entregar o Governo da mesma Capitania a João de Velasco [e] Molina.</b></p>
<p>El Rei meu Senhor, que Deus guarde, foi servido prover a João de Velasco e Molina, no posto de Capitão-mor dessa Capitania do Espírito Santo, da qual fez preito, e homenagem em suas Reais mãos, como consta do termo que o Secretário de Estado fez nas costas da Patente, que o dito Senhor lhe fez mercê mandar passar do tal posto. Assim que V.M. receber esta lhe entregará logo o Governo dessa Capitania, que dela o hei por desobrigado da homenagem que V.M. tem dado. Bahia Agosto 28 de 1726. Marquês de Angeja.</p>
<p><b>Observação:&nbsp;</b><br />
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.</p>
<div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves&nbsp;</b>[transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.)</p></blockquote>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do_8/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; V</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; IV</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Sep 2017 18:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentos Capixabas]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Clara Medeiros Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro de Vasconcellos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional. Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo tomar logo posse dela para a Coroa. S. Majestade que Deus guarde se serviu ordenar-me por carta de 19 de Maio deste Ano (cuja Cópia com esta remeto) mandasse logo tomar posse dessa Capitania do Espírito Santo, que ficou devoluta[ [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; IV</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-DuTmmVf_Sn8/WZi3RzFc9JI/AAAAAAAARRw/tdidR9GPZ242jmQxm_CzjS0v5TlMXh58ACLcBGAs/s1600/Sem%2BT%25C3%25ADtulo-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional." border="0" data-original-height="1000" data-original-width="1250" height="512" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Sem2BT25C325ADtulo-1.jpg" class="wp-image-5101" title="Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b>Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo tomar logo posse dela para a Coroa.</b></p>
<p>S. Majestade que Deus guarde se serviu ordenar-me por carta de 19 de Maio deste Ano (cuja Cópia com esta remeto) mandasse logo tomar posse dessa Capitania do Espírito Santo, que ficou devoluta<span id="CDCN_RP10V"></span><sup><b><a href="https://www.estacaocapixaba.com.br/2017/09/compilacoes-de-diversas-cartas-do/#CDCN_RP10" title="Adquirida por devolução. No caso do texto, a Capitania retorna à posse do rei por morte do donatário.">[ 10 ]</a></b></sup> por morte do Donatário Manuel Garcia Pimentel. (Tanto que V.M. receber esta, junto com a Câmara, a quem também escrevo) E o ouvidor tome posse da dita Capitania do Espírito Santo, para a Real Coroa de Majestade, de que me remeterá V.M. logo o traslado do termo da dita posse, por duas vias, para com ele dar conta ao dito Senhor.</p>
<p>V.M. me remeterá também, uma lista das peças de Artilharia, Armas de fogo, e munições com que se acha, e de tudo o que for necessário à defensa da mesma Capitania, em que espero que V.M. se haja com a cautela, e vigilância que convém; e também me enviará uma memória das fortalezas que há, o estado em que se acham, e se necessitam de algum conserto, para se lhes fazer prontamente. Deus guarde a V.M. Bahia Outubro 19 de 1722. / Pedro de Vasconcellos / Para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo.</p>
<p>
<b>Carta para os oficiais da Câmara da Vila da Vitória Capitania do Espírito Santo, tomarem posse dela para a Coroa.</b></p>
<p>S. Majestade que Deus guarde se serviu ordenar-me por Carta de 19 de Maio deste ano (Cuja Cópia com esta remeto) mandasse logo tomar posse dessa Capitania do Espírito Santo, que ficou devoluta por morte de Manuel Garcia Pimentel Donatário dela. (Tanto que V.Ms. receberem esta, junto com o Capitão-mor, a quem também escrevo) e o ouvidor, tomem posse da dita Capitania do Espírito Santo para a Real Coroa de S. Majestade. Deus guarde a V.Ms. Bahia Outubro 19 de 1722. / Pedro de Vasconcellos / Para os oficiais da Câmara da Vila da Vitória da Capitania do Espírito Santo.</p>
<div>
<br />
<b>Observação:&nbsp;</b><br />
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.</p>
<div>
<p>_____________________________</p>
<h4>
<span style="font-size: 90%;"><br />
NOTAS</span></h4>
<p></p>
<div id="CDCN_RP10">
<a href="https://www.estacaocapixaba.com.br/2017/09/compilacoes-de-diversas-cartas-do/#CDCN_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Tributo real pago do rendimento da fazenda de cada súdito; normalmente se impõe para obra pública. Por ocasião de guerra também as Câmaras são tributadas com licença do Rei.</p>
<p></div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves&nbsp;</b>[transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
</div>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; IV</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; III</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do_25/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Aug 2017 18:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentos Capixabas]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Clara Medeiros Santos Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional. Ordem para os oficiais da Câmara da Capitania do Espírito Santo tomarem a homenagem para Manuel Corrêa de Lemos que tem patente de S. Majestade de Capitão-mor da dita Capitania no caso que faleça o que estava exercendo. Porquanto tenho notícia de que o Capitão-mor da Capitania do Espírito [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do_25/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; III</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-zpibegouPmc/WZiuEDvwCBI/AAAAAAAARRg/149cG2gd_IwVm66HVc2CohiwO80v7MdMACLcBGAs/s1600/3_2_5-46.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional." border="0" data-original-height="1000" data-original-width="622" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/3_2_5-46.jpg" class="wp-image-5110" title="Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional." width="398" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Cartas compiladas, 19/10/1722. Acervo Arquivo Nacional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b><br /></b><br />
<b>Ordem para os oficiais da Câmara da Capitania do Espírito Santo tomarem a homenagem para Manuel Corrêa de Lemos que tem patente de S. Majestade de Capitão-mor da dita Capitania no caso que faleça o que estava exercendo.</b></p>
<p>Porquanto tenho notícia de que o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo Francisco de Albuquerque Telles se acha gravemente enfermo e com perigo evidente de vida: e convém ao serviço de S. Majestade, que Deus o guarde, que no caso que ele morra, lhe suceda logo no dito posto Manuel Corrêa de Lemos (que nele está provido, por patente do dito Senhor) e não ser justo que no tempo presente haja a menor dilação em &nbsp;estar aquela Capitania sem pessoa que a governe. Ordeno aos oficiais da Câmara da Capitania do Espírito Santo, que falecendo o Capitão-mor Francisco de Albuquerque Telles, ou sendo já falecido, tomem logo a homenagem a Manuel Corrêa de Lemos, e o metam de posse do Governo da dita Capitania do Espírito Santo, em observância da patente de S. Majestade, que lhe há de apresentar com o cumpra-se que nela tenho posto: e de o haver assim executado me darão logo conta. Bahia Maio 20 de 1721. Rubrica.<br />
<b><br /></b><br />
<b><br /></b><br />
<b>Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo Manuel Corrêa de Lemos.</b></p>
<p>[Recebi] quatro cartas de V.M. todas de cinco de Junho deste ano, a que V.M. responde sobre todos os particulares que lhe havia ordenado me informasse: e vista a conta que deles me dá, executará V.M. prontamente tudo o que por esta lhe ordeno. Tanto que V.M. a receber mandará logo logo acabar as fortalezas dessa praça, e para pagamento dos materiais, e oficiais se cobrará executivamente tudo o que nela se estiver devendo ao Donatário que foi dessa Capitania Manoel Garcia Pimentel, visto tocar-lhe a despesa das ditas fortalezas: e os moradores concorrerão com as madeiras necessárias para as carretas e o feitio delas se pagará por conta da fazenda Real, na mesma forma que V.M. me avisa.</p>
<p>Fará V.M. logo reencher a Companhia de Infantaria paga&#8230; [incompleto]</p>
<p>
<b>Observação:&nbsp;</b><br />
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.</p>
<div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves&nbsp;</b>[transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do_25/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; III</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; II</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Aug 2017 22:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[D. Lourenço de Almada]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos Capixabas]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Clara Medeiros Santos Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cartas compiladas, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional. Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, Francisco de Albuquerque Telles, sobre A notícia que agora se me deu, de que V.M. tinha mandado fazer novamente o descobrimento das minas de ouro, que dizem haver nos distritos dessa Capitania, contra as ordens de Majestade que Deus guarde, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do-2/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; II</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-PRRuuoQ3lUA/WZiZNfoueOI/AAAAAAAARRU/9WRCwFtN6_olIp3NMXEsj0xO-fK64XC6gCPcBGAYYCw/s1600/3_2_5-38.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Cartas compiladas, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional." border="0" data-original-height="1001" data-original-width="1265" height="504" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/3_2_5-38.jpg" class="wp-image-5114" title="Cartas compiladas, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Cartas compiladas, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b>Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, Francisco de Albuquerque Telles, sobre</b></p>
<p>A notícia que agora se me deu, de que V.M. tinha mandado fazer novamente o descobrimento das minas de ouro, que dizem haver nos distritos dessa Capitania, contra as ordens de Majestade que Deus guarde, e os que em observância delas, mandou-se que Dom [Rodrigo?] da Costa, governador e Capitão geral que foi deste Estado, Francisco Ribeiro, Capitão-mor que então era da dita Capitania, para que inviolavelmente se executassem. É lastimosa coisa, que quando V.M. se devia só empregar em solicitar por todos os meios possíveis a defensa dessa Praça, pela<span id="CDCM_RP8V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCM_RP8" title="Seria na verdade 'por a'.">[ 8 ]</a></b></sup>&nbsp;estar governando, só prouve os da Sua Conveniência, sem a menor atenção a outro algum respeito, não reparando nas danosas consequências que se podem seguir a essa Capitania, e a seus moradores, não só em o demitir com o tal descobrimento, senão também em os ocupar, no que intenta fazer do novo Caminho para as minas gerais, V.M. indo-se com Pedro Bueno para esse fim; de um, e outro intento se despersuade V.M. de maneira, que nem pela memória lhe passe: e logo que receber esta Carta, mandará lançar o Bando, que com ela vai, o qual hão inviolavelmente executar, ficando advertido [sic], que hei de mandar desta Praça, quem examine os procedimentos com que V.M. se tem havido, tanto em dano do serviço de Majestade, e que achando ser, ao que geralmente me tem segurado muitas pessoas de toda a Suposição, o hei de mandar vir preso e remeter da mesma sorte para disciplina com as culpas que tiver, para que se lhe dê o castigo que elas merecerem, e fique servindo de Exemplo aos mais Capitães-mores das Capitanias deste Estado. Deus guarde a V.M.. Bahia Novembro, 20 de 1720. / D. Lourenço de Almada.<br />
<b><br /></b><b><br /></b><b>Carta que se escreveu a Manuel Corrêa de Lemos, Provedor da Fazenda da Capitania do Espírito Santo.</b></p>
<p>São tantas e tão repetidas as más informações que tenho dos Procedimentos do Capitão-mor Francisco de Albuquerque Telles que por não serem dignos da mais leve dissimulação me obrigam a dizer a V.M., me informe com a verdade que fio dou-lho a satisfação com que V.M. serve a S. Majestade do estado em que se acha o dito Capitão-mor, da suficiência que tem e do como se há com as preparações da defensa dessa Praça, e tudo o mais que toca ao Governo dela; e se é certo que tem mandado prosseguir no descobrimento das minas de ouro que dizem haver nos distritos dessa Capitania, as quais estão totalmente impedidas, por ordem de S. Majestade, que Deus guarde, em cuja observância ordenou também este Governo Geral a Francisco Ribeiro, que aí serviu de Capitão-mor mandasse logo recolher todas, e quaisquer pessoas que andassem nos tais descobrimentos, como V.M. verá das Cópias das cartas que se escreveram e que com esta remeto a V.M. Também me seguram que o dito Capitão-mor unido com Pedro Bueno tem dado princípio a abrir um novo caminho dessa Capitania para as minas Gerais, o que convém atalhar Logo Logo, por todos os meios possíveis, para evitar as danosas, e irremediáveis consequências, que pruizamente<span id="CDCM_RP9V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCM_RP9" title="Não localizamos o significado da palavra em nenhum dicionário. Acreditamos que a grafia esteja incorreta.">[ 9 ]</a></b></sup>&nbsp;se hão de seguir contra o serviço de S. Majestade, e consumação da dita Capitania; motivos que me obrigaram a mandar ao Capitão-mor faça logo publicar, o bando que lhe remeto para que ele se abstenha de continuar em semelhantes absurdos. V.M. pela parte que lhe toca o fará executar inviolavelmente, sem a menor atenção a outro algum respeito.</p>
<p>Também ordeno a V.M. me informe da suficiência ou incapacidade do Capitão de Infantaria paga dessa Vila para poder dar a execução à ordem que tenho de S. Majestade sobre a informação que se lhe deu deste sujeito. E peço que V.M. em tudo o que lhe recomendo se haja com igual satisfação a confiança que faço de sua pessoa para estes informes.</p>
<p>O resto da Artilharia, e mais petrechos vai nesta, e em outra Sumaca, como V.M. verá das cartas que nela lhe escrevo: e a resposta desta, remeterá V.M. com toda a brevidade. Deus guarde a V.M. Bahia Novembro, 20 de 1720. Dom Lourenço de Almada.</p>
<p>
<b>Observação:&nbsp;</b><br />
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.</p>
<div>
<br />
_____________________________</p>
<h4>
<span style="font-size: 14.4px;">NOTAS</span></h4>
<p></p>
<div id="CDCM_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCM_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Seria na verdade &#8220;por a&#8221;.</div>
<div id="CDCM_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCM_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Não localizamos o significado da palavra em nenhum dicionário. Acreditamos que a grafia esteja incorreta.</div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves&nbsp;</b>[transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/compilacoes-de-diversas-cartas-do-2/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; II</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; I</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2017 21:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentos Capixabas]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Cezar de Menezes]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Clara Medeiros Santos Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>CARTAS diversas &#160;compiladas, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional. Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo sobre as fintas.[ 1 ] Aos oficiais da Câmara dessa vila ordeno, cobrem prontamente dois contos quatrocentos, e vinte mil réis que essa Capitania está devendo das fintas pertencentes ao Donatário do Dote [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; I</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-kuc3zEBSxNk/WZCwVOpFIpI/AAAAAAAARQk/OOJKhvXdUqI6iNMnm0vQDOAbOhhFC5eZwCLcBGAs/s1600/Compila%25C3%25A7%25C3%25B5es-s%25C3%25A9c.XVIII.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="CARTAS diversas  compiladas, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional." border="0" data-original-height="1008" data-original-width="1300" height="496" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Compila25C325A725C325B5es-s25C325A9c.XVIII_.jpg" class="wp-image-5120" title="CARTAS diversas  compiladas, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">CARTAS diversas &nbsp;compiladas, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
<b>Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo sobre as fintas.</b><span id="CDCL_RP1V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP1" title="Tributo real pago do rendimento da fazenda de cada súdito; normalmente se impõe para obra pública. Por ocasião de guerra também as Câmaras são tributadas com licença do Rei.">[ 1 ]</a></b></sup></p>
<p>Aos oficiais da Câmara dessa vila ordeno, cobrem prontamente dois contos quatrocentos, e vinte mil réis que essa Capitania está devendo das fintas pertencentes ao Donatário do Dote de Inglaterra, e paz de Holanda, e que dentro em três meses, mandem a cotalidade à pessoa que susti-lo ajustar as dadas fintas. E porque sê muito conveniente ao serviço de Majestade, que Deus guarde, não haver a mínima dilação<span id="CDCL_RP2V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP2" title="Demora, detença.">[ 2 ]</a></b></sup> na cobrança, e ajuste das ditas fintas: ordeno a V.M.,<span id="CDCL_RP3V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP3" title="Vossa Mercê, simplificado posteriormente para você.">[ 3 ]</a></b></sup> que na parte que lhe tocar dê logo todo o calor que lhe for possível, para que esta execução se assine e feito no tempo que é término; e do zelo com que V.M. servir ao dito senhor fio, obrará de sorte neste particular, que me &nbsp;não seja necessário recomendar-lhe segunda vez. Deus guarde a S.M.. Bahia Setembro, 24 de 1705. Luís Cezar de Menezes.</p>
<p><b><br /></b><br />
<b>Carta que se escreveu ao Capitão-mor do Espírito Santo, para entregar o Governo daquela Capitania a Francisco de Albuquerque Telles.</b></p>
<p>Sua Majestade, que Deus guarde, foi servido prover a Francisco de Albuquerque Telles, no posto de Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, da qual fez preito, e homenagem<span id="CDCL_RP4V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP4" title="Juramento de fidelidade que se presta pelo recebimento de uma praça, um governo ou terras.">[ 4 ]</a></b></sup> em minhas mãos, como consta do termo,<span id="CDCL_RP5V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP5" title="Obrigação por escrito.">[ 5 ]</a></b></sup> que o Secretário deste Estado fez nas costas da patente,<span id="CDCL_RP6V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP6" title="Carta pública de posto militar.">[ 6 ]</a></b></sup> que o dito Senhor lhe fez mercê mandar passar do dito posto. Assim que V.M. receber esta, lhe entregue logo o Governo dessa Capitania, que dela o hei por desobrigado da homenagem que V.M. tem dado. Deus guarde a V.M.. Bahia Março, 2 de 1709. Luís Cezar de Menezes.</p>
<div>
</div>
<p><b><br /></b><br />
<b>Carta para o Capitão-mor do Espírito Santo sobre se não abrir Caminho para as minas.</b></p>
<p>Tenho notícia, que várias pessoas intentam abrir Caminho, pelos sertões dessa Capitania, para por eles passarem às minas: e como S. Majestade que Deus guarde tem mandado por repetidas, e apertadas ordens, se não consinta abrir-se semelhantes caminhos: ordeno a V.M., que em recebendo esta, faça toda a diligência por saber se se deu princípio ao tal Caminho, e quando assim tenham sucedido, o mandará V.M. logo fechar, e prender as pessoas compreendidas nessa Culpa, as quais remeterá V.M. a este Governo Geral; para se Castigarem, como S. Majestade manda; e sucedendo não ter-se aberto o tal Caminho, V.M. impida [sic] se não abra, e ponha nisso toda a Vigilância, e Cuidado, para que a sua omissão, não seja Causa de incorrer também, nas penas das ordens de S. Majestade, por não dar Cumprimento a elas. Deus guarde a V.M. Bahia Abril 1º de 1710. / Luiz Cezar de Meneses.</p>
<p><b><br /></b><br />
<b>Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, sobre o Mocambo de negros fugidos que há naquela Capitania.</b></p>
<p>Na [lacuna] [deste] Estado, achei uma carta que V.M. lhe havia escrito em 3 de Maio deste ano, em que lhe daria conta de um Mocambo que havia de negros fugidos, nos limites do Rio Jacuhú<span id="CDCL_RP5V"></span><sup><b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP5" title="Provavelmente se trata do rio Jucu.">[ 7 ]</a></b></sup> e dos estragos que faziam nas roças e gados desses moradores e da forma em que se iam fortificando.</p>
<p>Não posso deixar de estranhar a V.M., dar esta conta a um Tribunal que só conhece por apelações e agravos, sabendo que tem na Bahia um Governador Geral do Estado, a quem unicamente tocam; e como esse ordeno a V.M. que tanto que receber esta junto com a Câmara&#8230; [texto incompleto]</p>
<p>
<b>Observação:&nbsp;</b><br />
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.</p>
<div>
<br />
_____________________________</p>
<h4>
<span style="font-size: 90%;"><br />
NOTAS</span></h4>
<p></p>
<div id="CDCL_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Tributo real pago do rendimento da fazenda de cada súdito; normalmente se impõe para obra pública. Por ocasião de guerra também as Câmaras são tributadas com licença do Rei.</div>
<div id="CDCL_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Demora, detença.</div>
<div id="CDCL_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Vossa Mercê, simplificado posteriormente para você.</div>
<div id="CDCL_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Juramento de fidelidade que se presta pelo recebimento de uma praça, um governo ou terras.</div>
<div id="CDCL_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Obrigação por escrito.</div>
<div id="CDCL_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Carta pública de posto militar.</div>
<div id="CDCL_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/#CDCL_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Provavelmente se trata do rio Jucu.</div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves </b>[transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
</div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/cartas-diversas-compiladas-por-luis/">Compilações de diversas cartas do século XVIII relativas à Capitania do Espírito Santo &#8211; I</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Amostra do acervo do Arquivo Histórico do Exército (RJ) relativo ao Espírito Santo</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/amostra-do-acervo-do-arquivo-historico_25/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/amostra-do-acervo-do-arquivo-historico_25/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jul 2017 16:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Galeria de acervos]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Transcrição e tratamento de imagem:&#160; Maria Clara Medeiros Santos Neves Planta e fachada do Forte de São Francisco Xavier da Barra, na Capitania do Espírito Santo, fabricado sobre a marinha no lugar Piratininga. Inclui explicação da planta. Bahia, 4 de janeiro de 1766. Explicação da planta: Este forte está da parte do sul ao entrar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: right;">
</div>
<div style="text-align: right;">
Transcrição e tratamento de imagem:&nbsp;</div>
<div style="text-align: right;">
Maria Clara Medeiros Santos Neves</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-uA_43FHDzRo/WXdeAWTd3_I/AAAAAAAARMY/6C5HJcjcBkIo33L39kxKuoU_sWHttE2IQCLcBGAs/s1600/Planta%2BForte%2BS.Francisco.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Planta e fachada do Forte de São Francisco Xavier da Barra, na Capitania do Espírito Santo, fabricado sobre a marinha no lugar Piratininga, em Vila Velha, ES. Inclui explicação da planta. Bahia, 4 de janeiro de 1766." border="0" data-original-height="879" data-original-width="1600" height="350" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Planta2BForte2BS.Francisco.jpg" class="wp-image-5150" title="Planta e fachada do Forte de São Francisco Xavier da Barra, na Capitania do Espírito Santo, fabricado sobre a marinha no lugar Piratininga, em Vila Velha, ES. Inclui explicação da planta. Bahia, 4 de janeiro de 1766." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>Planta e fachada do Forte de São Francisco Xavier da Barra, na Capitania do Espírito Santo, fabricado sobre a marinha no lugar Piratininga. Inclui explicação da planta. Bahia, 4 de janeiro de 1766.</b></p>
<p>Explicação da planta:</p>
<p>Este forte está da parte do sul ao entrar pelo rio. Senta sobre rocha viva, e as marés não chegam à sua muralha. É o que defende a barra do rio da Capitania do Espírito Santo e fica afastado da Vila da Vitória, capital dela, uma légua. Pela espalda dele fica a Vila do Espírito Santo que deu nome a toda a Capitania. É circular como mostra a Fig. 1ª na qual se vê a sua planta em que <b>A</b> é a rampa que sobe para ele. <b>B</b> ponte dormente. <b>C</b> trânsito em que está o corpo da guarda com cabido de armas e banco. <b>D</b> quartel para a guarnição, que se fez de novo. <b>E</b> casa da palamenta. <b>F</b> calabouço, com sua porta chapeada de ferro e por cima destas duas casas tem sobrado que serve para a residência do seu capitão. <b>G</b> casa de pólvora. <b>H</b> explanada sobre que se acham montadas 11 peças de canhão de ferro e uma fora da fortaleza no lugar <b>I</b> que é porto por onde se chega a ela. Sobre a sya porta tem a seguinte inscrição: &#8220;Reinando o Muito Alto e Muito Poderoso Rei de Portugal D. Pedro 2º Nosso Senhor mandou fazer esta fortaleza D. Rodrigo da Costa, Governador e Capitão General deste Estado do Brasil, ano de 1702.&#8221; A Fig. 2ª&nbsp;mostra a fachada que faz a dita fortaleza da parte da marinha para onde tem seu exercício. Mostra esta planta e fachada o estado em que se acha esta fortaleza, muito diferente do em que estava, arruinada com buracos a sua muralha, parapeitos e tudo o mais. Não tinha corpo de guarda nem quartel capaz: apenas um telheiro descoberto pelos lados na sua entrada, que servia de corpo de guarda, e outro onde se guardava alguma palamenta e se recolhiam juntamente os soldados, Hoje tem casa de sobrado para a residência dos comandantes e tudo o mais que se faz preciso em uma fortaleza, principalmente nesta que é a da barra. Feito tudo com assistência do Capitão Engenheiro Lente da Aula Régia das Fortificações da Bahia, José Antônio Caldas, que foi mandado pelos governadores interinos dela a cuidar das fortificações e artilharia desta Capitania. Ele tirou esta planta e copiou José Ramos de Souza, do partido da dita Aula, que o acompanhou nesta diligência. Bahia, 4 de Janeiro de 1766.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://3.bp.blogspot.com/-d1o2BIlIGS4/WXdfeNJRjZI/AAAAAAAARMk/7thcGwWEmxgFYEzWnQQ7_uoUvpEHrNf3QCLcBGAs/s1600/Projeto%2BForte%2BN.S.%2BMonte%2BCarmo.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Planta e fachada do Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo, Vitória, ES. 04/01/1766." border="0" data-original-height="1500" data-original-width="981" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Projeto2BForte2BN.S.2BMonte2BCarmo.jpg" class="wp-image-5151" title="Planta e fachada do Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo, Vitória, ES. 04/01/1766." width="418" /></a></div>
<p>
<b>Planta e fachada do Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo, uma das que defende a marinha e vila da Vitória, capital da Capitania do Espírito Santo. Ela está no coração da vila, à margem do rio, pela maior parte é banhada das marés e se descobre na baixa-mar.</b></p>
<p>A Fig. 1ª mostra a sua planta , na qual se vê ser: <b>A</b>, o seu trânsito, em que está o corpo-da-guarda com seu cabido de armas e banco; <b>B</b>, quartel para recolher a guarnição com sua tarimba; <b>C</b>, calabouço ou casa de prisão; <b>D</b>, casa de palamenta; <b>E</b>, casa da pólvora. O outro lanço mostra a casa em que reside o seu capitão com o seu repartimento. Por cima da sala que é forrada fica um [sótão?] com sua [trepeiza?], com se vê no prospecto. As letras <b>FF</b> mostram a explanada. Nela se acham montadas dez peças, a saber 7 do gênero de canhão de ferro, e 3 canhões pedreiros de bronze. Sobre a sua porta acha-se esta negligente inscrição: &#8220;Este Forte mandou aperfeiçoar o Exmo. Sr. Conde Vice-Rei no ano de 1730.&#8221; A Fig. 2ª mostra a fachada que faz parte da marinha, para onde tem o seu exercício. Esta planta e fachada mostra o estado em que se acha presentemente esta fortaleza, muito diferente do em que a achou o Capitão Engenheiro José Antônio Caldas, toda cheia de buracos; as bocas das canhoneiras todas demolidas e arruinadas nos ângulos que formam com os merlões, e até os mesmos planos das canhoneiras em socavões e buracos, como também todo o alto do parapeito, sem casas próprias onde se guarda-se a pólvora e palamenta, e mais casas militares de que necessariamente carece uma fortaleza, apenas tinha um telheiro tão baixo e aberto pela parte da explanada, que de altura não tinha mais que 8 palmos, e não havia onde se recolher a guarda, que para ela ia; deixando-a deserta, como pretexto de não ter onde dormir: oje se acha em bom estado tudo feito pelo Capitão Engenheiro Lente da Aula Régia das Fortificações da Bahia, José Antônio Caldas, que foi mandado pelos governadores interinos dela a cuidar &nbsp;das fortificações e artilharia desta Capitania. Também tirou esta planta, que a copiou José Ramos de Souza, do partido da dita Aula, que acompanhou nesta diligência. Bahia, 4 de janeiro de 1766.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://2.bp.blogspot.com/-kpW9Rv6_f-Q/WXdg1RJD0KI/AAAAAAAARMw/fPP6v9t6cwYQMCvbSEzVqbzAVD-g_ZBFgCLcBGAs/s1600/Projeto%2Bde%2BForte-Ilha%2Bdo%2BBoi.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Planta, perfil e fachada que mostra em projeto a fortaleza que se pretende edificar na cabeça da Ilha do Boi, Vitória, ES. 1767." border="0" data-original-height="986" data-original-width="1500" height="420" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Projeto2Bde2BForte-Ilha2Bdo2BBoi.jpg" class="wp-image-5152" title="Planta, perfil e fachada que mostra em projeto a fortaleza que se pretende edificar na cabeça da Ilha do Boi, Vitória, ES. 1767." width="640" /></a></div>
<p>
<b>Planta, perfil e fachada que mostra em projeto a fortaleza que se pretende edificar na cabeça da Ilha do Boi para defender a barra do rio do Espírito Santo, que está em altura de 20 graus e 16 minutos de latitude ao sul.&nbsp;</b></p>
<p>A iconográfica <b>A B C D E F</b> mostra o plano da dita fortaleza em que <b>G</b> é a rampa que sobe para ela; <b>H</b>, trânsito; <b>I</b>, rampa que sobe para o terrapleno; <b>L</b>, casa de prisão; <b>M</b>, quartel em que se hão de sentar tarimbas para acomodação da guarnição; <b>N</b>, cloacas de despejo; <b>O</b>, casa onde se há de guardar a palamenta e petrechos da fortaleza; <b>P</b>, casa destinada para se guardar a pólvora necessária, todas estas casas ficam subterrâneas pela espalda, e as duas, <b>L</b> e <b>P</b>, também pelos lados; porque a cabeçada Ilha neste lugar tem 50 palmos de altura; e aqui corta quase o plumo a dita altura para uma baixa que fica no lugar em que se senta a frente da dita Fortaleza. A F. por isso a entrada para ela fica na altura de 20 palmos sobre o plano horizontal como se &nbsp;mostra no perfil.</p>
<p>Todo este plano inferior é feito de abóbada para a sua segurança e resistir mais ao terrapleno que se encosta a este lado. Sobre este plano inferior anda o plano Nobre que se nota com as notas <b>a b c d</b>, o qual está repartido para nele se acomodarem os oficiais e comandantes que servirem na dita Fortaleza: <b>Q</b>, cozinha dos oficiais; <b>R</b>, cozinha da guarnição; <b>S</b>, cisterna com seus canos de despejo para lavar as cloacas que mostra a linha de pontinhos y y.</p>
<p>A respeito das grossuras, alturas, escarpas e o mais pertencente às muralhas, parapeitos, banquetas, explanadas, abóbadas etc. Segui em tudo as proporções devidas caculando as terras que se hão de encostar as muralhas para lhes dar a sua devida grossura, atendendo também as que se removem e encostam assim removidas as muralhas; e as que são cortadas sem serem remidas, e se encostam a elas as muralhas como são os lados <b>EF</b>, <b>AB</b>. O espagado ou perfil mostra o corte na linha <b>ZY</b> para se verem as aturas e grossuras das muralhas, e a linha vermelha de pontinhos mostra a declividade do terreno, e o triângulo <b>TVX</b> é o que se há de entulhar de terra para formar o terrapleno da Fortaleza o qual se há de tirar da cabeça onde senta o lado <b>AG</b>, e as casas para serventia dela. O mais tudo se conhece pelo desenho, ainda que o ponto é bastantemente pequeno. Não pude dispensar-me de fazer um cálculo d que poderá importar toda esta Fortaleza feita e acabada na sua última perfeição, pelo que respeita alvenaria, cantariam abóbadas, formigões, dos parapeitos, esplanadas, entulhos, madeiras, ferragens e tudo o mais segundo os preços comuns nesta Capitania, e por ele achei que se gastaram 65 a 70 mil cruzados, se esta obra se houver de fazer por rematação na conformidade do Alvará de 7 de fevereiro de 1752. Porém como naquela Capitania não há quem a possa rematar, e nesta cidade que houvesse de o fazer seria por preços muito exorbitantes, e se não concluiria esta obra em muitos anos, fora prudência fazer-se ela a jornal por conta de Sua Majestade porque desta forma custaria muito menos, e eu julgo que não passaria de 40 mil cruzados atendendo ao que naquela Capitania os jornais são muito cômodos e não passam de 200 até 300 r. por dia os oficiais, e os materiais de pedra e areia há com muita abundância na mesma ilha, e com muito pouca despesa se conduzam por estarem ao pé da obra, e havendo quem bem saiba dirigir os trabalhos, e regular o serviço para muito menos despesa. Aqui se faz preciso lembrar que naquela Capitania tem, Sua Majestade, três fazendas que foram dos regulares jesuítas expulsos que se chamam Araçatiba, Itapoca e Moribeca, as quais hão de compreender pouco menos de 800 escravos de serviço se estes se aplicarem ao da dita Fortaleza não dispenderá Sua Majestade estes jornais ainda que a administração destas fazendas competem ao governo do Rio de Janeiro, e o ouvidor e provedor da Capitania pelo que pertence à Ouvidoria; e não a Provedoria que é o que está debaixo do governo de Sua Excelência, mas ainda no caso de se não [ilegível], assim sempre interessa Sua Majestade, porque os jornais que se pagarem pela Provedoria aos serventes, podem se embolsar pela Ouvidoria, embolsando assim à Fazenda de Sua Majestade aquilo mesmo que dispende nas suas fortificações, porque estes negros não têm em que se ocupem, e o tempo consomem em algumas tênues lavouras que nada lucram, e seria melhor que o empregassem neste serviço onde de uma ou de outra sorte utiliza Sua Majestade. Isto é o que devo pôr na presença de Sua Excelência. Bahia, 8 de outubro de 1767. Bahia, 1767. José Antônio Caldas.</p>
<p>Esta planta foi feita e projetada pelo capitão engenheiro José Antônio Caldas, lente da Aula Régia das fortificações da Bahia, que foi mandado à Capitania do Espírito Santo a fazer esta diligência pelo Ilmo. Exmo. Sr.Conde da Azambuja, governador e capitão-general desta Capitania, e copiada por Manoel Gomes Viana, acadêmico compartido na dita Aula.</p>
<p></p>
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<a href="https://2.bp.blogspot.com/-Sl45CwFavHE/WXekT9tZ4zI/AAAAAAAARN0/Ddm7zuYCWoQMxunY6mDoHWKuV5wiloezQCLcBGAs/s1600/Projeto%2Bquartel%2BEsc.Aprend.Marin..JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Plano de um quartel para a Companhia de Aprendizes Marinheiros, 1871. C. Cintra, 14/05/1871. Copiado pelo Major G. João Nepomuceno de Medeiros M." border="0" data-original-height="1224" data-original-width="1600" height="488" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Projeto2Bquartel2BEsc.Aprend.Marin_..jpg" class="wp-image-5153" title="Plano de um quartel para a Companhia de Aprendizes Marinheiros, 1871. C. Cintra, 14/05/1871. Copiado pelo Major G. João Nepomuceno de Medeiros M." width="640" /></a></div>
<p>
<b>Plano de um quartel para a Companhia de Aprendizes Marinheiros, 1871. C. Cintra, 14/05/1871. Copiado pelo Major G. João Nepomuceno de Medeiros M.</b><br />
<b><br /></b><br />
<b><br /></b><br />
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<a href="https://1.bp.blogspot.com/-svw2tUhfg6g/WXek8UASt0I/AAAAAAAARN4/h6hIzpwDjtkFEKgh5zffPpdVTI7wxgLvwCLcBGAs/s1600/Planta%2Bdo%2BQuartel.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Planta do Quartel e Enfermaria da Companhia de Infantaria na cidade da vitória na Província do Espírito Santo, pelo engenheiro civil C. de Rainville, em 6 de fevereiro de 1878. Copiado pelo Bacharel Antônio Américo Pereira da Silva, Capitão do Estado-Maior de 1a. Classe." border="0" data-original-height="1103" data-original-width="1500" height="470" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Planta2Bdo2BQuartel.jpg" class="wp-image-5154" title="Planta do Quartel e Enfermaria da Companhia de Infantaria na cidade da vitória na Província do Espírito Santo, pelo engenheiro civil C. de Rainville, em 6 de fevereiro de 1878. Copiado pelo Bacharel Antônio Américo Pereira da Silva, Capitão do Estado-Maior de 1a. Classe." width="640" /></a></div>
<p><b><br /></b><br />
<b>Planta do Quartel e Enfermaria da Companhia de Infantaria na cidade da vitória na Província do Espírito Santo, pelo engenheiro civil C. de Rainville, em 6 de fevereiro de 1878. Copiado pelo Bacharel Antônio Américo Pereira da Silva, Capitão do Estado-Maior de 1a. Classe.</b></p>
<p></p>
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<a href="https://1.bp.blogspot.com/-wF1LMHKCQe0/WXelY9gMYyI/AAAAAAAARN8/ujFOw9v8YigmKmAEp11RJiuO-ud448pQwCLcBGAs/s1600/Planta%2Bdo%2BQuartel-2.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Planta do Quartel da Companhia de Infantaria da Província do Espírito Santo, 1887. Copiada no Arquivo Militar do Rio de Janeiro por Antônio Gomes da Silva Chaves, Capitão do Corpo de Engenheiros. Rio de Janeiro, 26 de abril de 1887." border="0" data-original-height="1600" data-original-width="1277" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Planta2Bdo2BQuartel-2.jpg" class="wp-image-5155" title="Planta do Quartel da Companhia de Infantaria da Província do Espírito Santo, 1887. Copiada no Arquivo Militar do Rio de Janeiro por Antônio Gomes da Silva Chaves, Capitão do Corpo de Engenheiros. Rio de Janeiro, 26 de abril de 1887." width="510" /></a></div>
<p>
<b>Planta do Quartel da Companhia de Infantaria da Província do Espírito Santo, 1887. Copiada no Arquivo Militar do Rio de Janeiro por Antônio Gomes da Silva Chaves, Capitão do Corpo de Engenheiros. Rio de Janeiro, 26 de abril de 1887.</b></p>
<p></p>
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<a href="https://4.bp.blogspot.com/-65TXai2818w/WXebGwXGlBI/AAAAAAAARNE/RJ1a30nwbMIBYGmJLS1gMVivoOhzINZwgCLcBGAs/s1600/Topografia%2BBarra%2Be%2Brio%2BES.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Topografia da Barra e rio do Espírito Santo o qual dá nome a toda esta Capitania. Bahia, 10/10//1767." border="0" data-original-height="1262" data-original-width="1600" height="504" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Topografia2BBarra2Be2Brio2BES.jpg" class="wp-image-5156" title="Topografia da Barra e rio do Espírito Santo o qual dá nome a toda esta Capitania. Bahia, 10/10//1767." width="640" /></a></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p>
<b>Topografia da Barra e rio do Espírito Santo o qual dá nome a toda esta Capitania para se verem com distinção todas as vilas, fortalezas, portos e ilhas que desde a sua foz até além da vila da Vitória, capital dela, com o rio Maruípe, que separa em ilha o terreno em que se assenta a dita vila e seus arrebaldes, esta e quase todas as terras e ilhas que estão dentro deste rio se elevam em altíssimos montes e muitos deles inacessíveis; ainda que na planta estão [co]tados continuamente pela marinha, contudo eles têm suas voltas e quebradas que dão lugar a algumas pequenas baixas que entram para o interior.</b></p>
<p>Todos estes montes são, pela maior parte, de pedra viva e alguma terra que se descobre por entre eles e toda lavrada; os mesmos montes são, sem embargo disso, cobertos de arvoredo rústico e só o Pão-de-açúcar é uma pedra viva que sobe a prumo da marinha em grande altura e inacessíveis: os algarismos mostram as braças ordinárias de dez palmos da craveira comum; e eles denotam o fundo que vem pela direção do canal, com que se procura montar a barra, que é ao Sudoeste; e depois vai voltando a Oeste. A. Ilha do Manguinho de terra; a de Tinquara, toda a extensão que fica entre a vala e o rio Maruípe são terras de mangue, que é uma espécie de arvoredo, que se cria na lama à margem dos rios até onde lhe chega a maré, e todas elas são lavadas das enchentes das marés, descobrem-se na vazante delas. O mais se vê pela explicação ao pé de cada uma das coisas que se notam e tão bem pela explicação ao pé desta notada com letras do alfabeto. A foz deste rio do Espírito Santo demanda aos 20º-15&#8242; de latitude para o Sul e 344º e 45&#8242; de longitude. Esta planta foi tirada por José Antônio Caldas, Capitão de Infantaria com exercício de engenheiro e lente da Aula Régia das Fortificações da Bahia, que foi mandado a esta diligência pelo Ilmo. e Exmo. Sr. Conde da Azambuja, Governador e Capitão General desta Capitania e copiada por João da Fonseca Bitencourt, praticante com partido na mesma Aula, o qual acompanhou o dito lente nesta diligência. Bahia, 10 de outubro de 1767.</p>
<p>Esta escala é de braças que contêm palmos da craveira ordinária e com esta medida vem ficar a légua mais pequena porque 5.000 braças <i>brasiliens</i>, que é uma légua, são maiores que 5.000 braças desta escala.</p>
<p>[representação da escala]</p>
<p>Copiada e corrigida na parte ortográfica e configuração elevada das montanhas pelo Capitão Luís Pedro Lecor.</p>
<p>A &#8211; Praia do Suá. Esta praia se divide pelo meio com o monte Itapebuçu;<br />
B &#8211; Restinga de areia que, na baixa-mar, se passa em seco;<br />
C &#8211; Restinga de areia que se passa com 5 palmos de água;<br />
D &#8211; Canal do Sudoeste por onde se vem montar a barra;<br />
E &#8211; Canal de Oeste;<br />
F &#8211; Ponta do Tagano;<br />
G &#8211; Rio Piratininga com a restinga de areia que se vê;<br />
H &#8211; Forte de São Francisco Xavier;<br />
I &#8211; Ponta do Ucharia;<br />
K &#8211; Morro e convento de Nossa Senhora da Penha dos religiosos antoninos;<br />
L &#8211; Vila do Espírito Santo;<br />
M &#8211; Grande monte de pedra chamado de Nossa Senhora;<br />
N &#8211; Ilha da Forca;<br />
O &#8211; Pedra chamada Rato;<br />
P &#8211; Pequena ilha de pedras chamada Maré Caturé;<br />
Q &#8211; Ponta do Vale das Águas;<br />
R &#8211; Praia das Formosas;<br />
S &#8211; Praia de Maria Lemos;<br />
T &#8211; Ponta da Cruz das Almas;<br />
V &#8211; Mostra os lugares que se alagam com a maré cheia e são cobertas de mangues;<br />
X &#8211; Ponta de Bento Ferreira;<br />
Y &#8211; Morro Moreno;<br />
Z &#8211; Morro de Santa Luzia.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://2.bp.blogspot.com/-3RqKaTNZnvc/WXed8juH8PI/AAAAAAAARNQ/cnnJ48Yap-kaB3QfvedZKsG4AL6XJmDiACLcBGAs/s1600/Mapa%2Bdo%2BRio%2BDoce.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Mapa do Rio Doce, organizado pelo engenheiro Carlos Krauss, sobre os trabalhos de A. Pires de Silva Ponte, Arlincourte e outros, publicado por ordem de S.Exmo. o Sr. Antônio Francisco de Paula Souza, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Rio de Janeiro, 1866." border="0" data-original-height="1308" data-original-width="1600" height="522" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa2Bdo2BRio2BDoce.jpg" class="wp-image-5157" title="Mapa do Rio Doce, organizado pelo engenheiro Carlos Krauss, sobre os trabalhos de A. Pires de Silva Ponte, Arlincourte e outros, publicado por ordem de S.Exmo. o Sr. Antônio Francisco de Paula Souza, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Rio de Janeiro, 1866.Mapa do Rio Doce, organizado pelo engenheiro Carlos Krauss, sobre os trabalhos de A. Pires de Silva Ponte, Arlincourte e outros, publicado por ordem de S.Exmo. o Sr. Antônio Francisco de Paula Souza, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Rio de Janeiro, 1866" width="640" /></a></div>
<p>
<b>Mapa do Rio Doce, organizado pelo engenheiro Carlos Krauss, sobre os trabalhos de A. Pires de Silva Ponte, Arlincourt e outros, publicado por ordem de S.Exmo. o Sr. Antônio Francisco de Paula Souza, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Rio de Janeiro, 1866. Acervo Museu Histórico do Exército (RJ).</b><br />
<b><br /></b><br />
[Texto traduzido em português, francês, alemão e inglês]:</p>
<p><i>Favores à emigração</i> &#8211; Os navios que trouxerem emigrantes para o Império terão direito à dedução do imposto de ancoragem na razão 21/2 toneladas por colono que desembarcar.</p>
<p>São isentos de pagamentos de direitos os sobressalentes de víveres destinados à viagem, e bem assim os instrumentos de agricultura e de qualquer arte liberal ou mecânica que os colonos e artistas que vierem residir no Império trouxerem com sua bagagem.</p>
<p>No Rio de Janeiro encontrarão os emigrantes por preço módico hospedagem cômoda na Hospedaria [do] Governo. Ali receberão do agente do governo, que irá a bordo dos navios de imigrantes todas as informações que desejarem.</p>
<p><i>Venda de terras</i> &#8211; O governo venderá terras em algumas de suas colônias ou nas localidades que os emigrantes preferirem e lhes dará transporte gratuito do Rio de Janeiro ao porto marítimo a que se destinarem. Feita a escolha das terras e a respectiva medição ser-lhes-á entregue o título definitivo de propriedade mediante o pagamento do preço da venda, que será de 1 a 2 reais a braça quadrada.</p>
<p>Os possuidores de terras compradas ao Estado ficam sujeitos aos seguintes ônus: 1º Ceder terreno para estradas públicas; 2º Dar servidão aos vizinhos para comunicarem com a estrada pública, povoação ou porto de embarque; 3º Consentir na tirada de águas desaproveitadas; 4º Sujeitar à legislação vigente a descoberta de quaisquer minas.</p>
<p><i>Naturalização </i>&#8211; Emigrantes que comprarem terras e se estabelecerem no Império poderão naturalizar-se cidadãos brasileiros depois de dois anos de residência. Requerendo porém ao Corpo Legislativo poderão obter dispensa deste lapso de tempo e naturalizar-se logo depois de sua chegada. A declaração feita perante a Câmara Municipal [ilegível] de Paz de querer fixar domicílio no Império, fazendo menção de seu país natal, religião e estado são as formalidades exigidas para que os solicitantes possam obter gratuitamente o título de naturalização uma vez que tenham prestado juramento [ilegível] Constituição e Leis do Império.</p>
<p>Os naturalizados são isentos do serviço militar, mas estão sujeitos ao da Guarda Nacional [ilegível]. Gozam de todos os direitos políticos consagrados na Constituição, menos o de ser [ilegível] do Império.</p>
<p><i>Direitos aos estrangeiros</i> &#8211; Os estrangeiros gozam no Brasil de todos [os direitos&#8230;ilegível] aos nacionais. Assim têm eles ampla liberdade no exercício de qualquer indústria, salvo prejuízo [ilegível] em sua casa, garantia de direitos de sua propriedade material e intelectual; tolerância completa [ilegível] inviolabilidade da correspondência postal e ensino gratuito.</p>
<p>O Governo do Brasil é estável, suas autoridades e leis protegem a todos [ilegível] distribuição da justiça civil e criminal é feita com igualdade.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://2.bp.blogspot.com/-f4Vn8J3RXyU/WXegXGpgpZI/AAAAAAAARNY/7nRd9bi-R9U9ilmP49_LXtfJQ5-QRL7ZgCLcBGAs/s1600/Mapa%2BProv.%2BES-1854.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Carta da Província do Espírito Santo organizada segundo os trabalhos de Freycinet, Spix e Martius, Silva Pontes. Oferecido ao Ilmo. Exmo. Sr. Brigadeiro Fermino Herculano de Moraes Âncora, Diretor do Arquivo Militar, por Pedro Torcato Xavier de Brito, Capitão dos Engenheiros, em 1854." border="0" data-original-height="1500" data-original-width="1442" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa2BProv.2BES-1854.jpg" class="wp-image-5158" title="Carta da Província do Espírito Santo organizada segundo os trabalhos de Freycinet, Spix e Martius, Silva Pontes. Oferecido ao Ilmo. Exmo. Sr. Brigadeiro Fermino Herculano de Moraes Âncora, Diretor do Arquivo Militar, por Pedro Torcato Xavier de Brito, Capitão dos Engenheiros, em 1854." width="614" /></a></div>
<p>
<b>Carta da Província do Espírito Santo organizada segundo os trabalhos de Freycinet, Spix e Martius, Silva Pontes. Oferecido ao Ilmo. Exmo. Sr. Brigadeiro Fermino Herculano de Moraes Âncora, Diretor do Arquivo Militar, por Pedro Torcato Xavier de Brito, Capitão dos Engenheiros, em 1854.</b><br />
<b><br /></b><br />
</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-PsldNM6Fvlg/WXeg1ZQ-DoI/AAAAAAAARNc/cLoWwfEdj6s8gABNPJJ6E-TQ9KGoea_SwCLcBGAs/s1600/Mapa%2BProv.%2BES-187406-01-1156.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Projeto de nova divisão do Império pelo deputado Cruz Machado e mandado litografar pelo Ilmo. Exmo. Sr. Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, Ministro do Império. Desenhado por José Ribeiro da Fonseca Silvares, 1873." border="0" data-original-height="1500" data-original-width="1140" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa2BProv.2BES-187406-01-1156.jpg" class="wp-image-5159" title="Projeto de nova divisão do Império pelo deputado Cruz Machado e mandado litografar pelo Ilmo. Exmo. Sr. Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, Ministro do Império. Desenhado por José Ribeiro da Fonseca Silvares, 1873." width="486" /></a></div>
<p>
<b>Projeto de nova divisão do Império pelo deputado Cruz Machado e mandado litografar pelo Ilmo. Exmo. Sr. Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, Ministro do Império. Desenhado por José Ribeiro da Fonseca Silvares, 1873.</b></p>
<p></p>
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<a href="https://4.bp.blogspot.com/-n9K5ffqBKug/WXejaMt2WUI/AAAAAAAARNs/0yDlCgfOnjcnI8R4-fufNShrtVG1TlgVwCLcBGAs/s1600/Mapa%2BES.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Capitania do Espírito Santo pertencente à Capitania da Bahia pelo Governo Militar. Anastácio Santa Ana, 1807 / Copiada pelo Capitão do Corpo do Estado de Primeira Classe A. F. C. de Oliveira Soares." border="0" data-original-height="1310" data-original-width="1600" height="522" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa2BES.jpg" class="wp-image-5160" title="Capitania do Espírito Santo pertencente à Capitania da Bahia pelo Governo Militar. Anastácio Santa Ana, 1807 / Copiada pelo Capitão do Corpo do Estado de Primeira Classe A. F. C. de Oliveira Soares." width="640" /></a></div>
<p>
<b>Capitania do Espírito Santo pertencente à Capitania da Bahia pelo Governo Militar. Anastácio Santa Ana, 1807 / Copiada pelo Capitão do Corpo do Estado de Primeira Classe A. F. C. de Oliveira Soares.</b></p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-sYLalFz0mwY/WXehapv2-UI/AAAAAAAARNk/Sw930AXzE18lOkuJeSFQtjCYR8H4_azYwCLcBGAs/s1600/Mapa%2BRodov.%2BES.JPG" imageanchor="1"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Mapa Rodoviário do Estado do Espírito Santo. Organizado de ordem do Sr. Secretário da Agricultura Dr. Carlos Lindenberg, no governo do Exmo. Sr. Capitão João Punaro Bley. Vitória, dezembro de 1935." border="0" data-original-height="1500" data-original-width="1048" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa2BRodov.2BES.jpg" class="wp-image-5161" title="Mapa Rodoviário do Estado do Espírito Santo. Organizado de ordem do Sr. Secretário da Agricultura Dr. Carlos Lindenberg, no governo do Exmo. Sr. Capitão João Punaro Bley. Vitória, dezembro de 1935." width="446" /></a></div>
<p><b><br /></b><br />
<b>Mapa Rodoviário do Estado do Espírito Santo. Organizado de ordem do Sr. Secretário da Agricultura Dr. Carlos Lindenberg, no governo do Exmo. Sr. Capitão João Punaro Bley. Vitória, dezembro de 1935.</b></p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves</b>, coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/amostra-do-acervo-do-arquivo-historico_25/">Amostra do acervo do Arquivo Histórico do Exército (RJ) relativo ao Espírito Santo</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://estacaocapixaba.com.br/amostra-do-acervo-do-arquivo-historico_25/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Vida comercial em Vitória, ES</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/vida-comercial-em-vitoria-es/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jun 2017 13:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Acervo]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Loja Maçônica União e Progresso]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Multimídia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alfaiataria Resimini – Resimini &#38; Leone. Casa especial de roupas sob medida, importadores de casemiras e mais artigos para alfaiates. Correspondentes dos Srs. Carlo Pareto &#38; Cia, agentes do Banco de Nápoles. [Indicador Ilustrado, 1912]. Retratamos nesta exposição um pouco da antiga vida comercial no centro da cidade de Vitória, ES, tendo como ponto de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-_lNCk3M5Lmk/WTlJhiMOn4I/AAAAAAAAQqQ/k6Zf4lmRR2MoYWG1jfJgI-gMmAk2Fh_AwCLcB/s1600/V-07%2B%25E2%2580%2593%2BAlfaiataria%2BResimini%2B.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Alfaiataria Resimini – Resimini &amp; Leone. Casa especial de roupas sob medida, importadores de casemiras e mais artigos para alfaiates. Correspondentes dos Srs. Carlo Pareto &amp; Cia, agentes do Banco de Nápoles. [Indicador Ilustrado, 1912]." border="0" data-original-height="696" data-original-width="1000" height="444" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/06/V-072B25E2258025932BAlfaiataria2BResimini2B.jpg" class="wp-image-5171" title="Alfaiataria Resimini – Resimini &amp; Leone. Casa especial de roupas sob medida, importadores de casemiras e mais artigos para alfaiates. Correspondentes dos Srs. Carlo Pareto &amp; Cia, agentes do Banco de Nápoles. [Indicador Ilustrado, 1912]." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 80%;">Alfaiataria Resimini – Resimini &amp; Leone. Casa especial de roupas sob medida, importadores de casemiras e mais artigos para alfaiates. Correspondentes dos Srs. Carlo Pareto &amp; Cia, agentes do Banco de Nápoles. [Indicador Ilustrado, 1912].</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p>
Retratamos nesta exposição um pouco da antiga vida comercial no centro da cidade de Vitória, ES, tendo como ponto de partida conjunto de notas fiscais que integram o acervo da Loja Maçônica <i>União e Progresso</i>, mais&nbsp;precisamente notas fiscais datadas da década de 1870 até a década de 1910, e fotografias, boa parte delas impressas no <i>Indicador Ilustrado</i>&nbsp;e datadas de 1912. Outras fotografias avulsas também foram incluídas considerando a proximidade no tempo.&nbsp;No que diz respeito ao acervo da Loja Maçônica, os itens foram identificados e reproduzidos em 2002 como parte de projeto para implantação do Museu Maçônico. Tanto um como outro, esses documentos nos permitem reconstituir um pouco da vida comercial no centro da cidade de Vitória naquele período.</p>
<p>Como em outras cidades, os nomes e o traçado de vários logradouros foram sofrendo modificações, sendo que alguns deles já não mais existem. Exemplo disso é um trecho da avenida Jerônimo Monteiro, antes denominado rua Conde d’Eu e, mais tarde, da Alfândega; a antiga rua do Ouvidor tornou-se Duque de Caxias; a do Comércio, que se estendia da rua General Osório até o cais Schmidt, recebeu em 1962 o nome de Florentino Avidos, alcançando a escadaria do palácio. No caso da rua Dois de Dezembro, esta acabou por desaparecer com as obras realizadas na década de 1920.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>
<a href="https://goo.gl/photos/A7ojQoDf3rBC885p7" target="_blank" rel="noopener">Rua da Alfândega, anteriormente Conde D&#8217;Eu, trecho da atual avenida Jerônimo Monteiro</a><br />
<a href="https://goo.gl/photos/A7ojQoDf3rBC885p7" target="_blank" rel="noopener">Rua Primeiro de Março, trecho da atual avenida Jerônimo Monteiro</a><br />
<a href="https://goo.gl/photos/8o9cW4wmMLuESnYn9" target="_blank" rel="noopener">Rua do Comércio, atual avenida Florentino Avidos</a><br />
<a href="https://goo.gl/photos/FNakooZDkGp4yyKJ7" target="_blank" rel="noopener">Rua Duque de Caxias</a><br />
<a href="https://goo.gl/photos/SEGTY9WUxs7qxGod7" target="_blank" rel="noopener">Rua General Osório</a><br />
<a href="https://goo.gl/photos/U2Cg6LbAKPNWAZxFA" target="_blank" rel="noopener">Rua Pereira Pinto</a><br />
<a href="https://goo.gl/photos/T1PgTmuEY7ME9VWn9" target="_blank" rel="noopener">Outros</a></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves</b>, coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale, do projeto do Museu Maçônico e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)&nbsp;</p></blockquote>
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		<title>Cenas e paisagens do Espírito Santo</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/cenas-e-paisagens-do-espirito-santo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2017 17:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Júlia Lopes de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória. Acervo Biblioteca Central da Ufes. Observações sobre o texto e a autora A autora, em visita ao Estado do Espírito Santo durante o governo Jerônimo Monteiro (1908-1912), parece ter ficado impressionada com a modernização de Vitória empreendida naquele período, produzindo um artigo que é uma verdadeira propaganda da cidade e da administração de então. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-ukyd5m5SpKY/WJzHcbgvh7I/AAAAAAAALmg/oB8G2sm2TZEDNsEDHIS7DweHeRSCNQVwgCLcB/s1600/Vit%25C3%25B3ria-Biblioteca%2BCentral%2Bda%2BUfes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Vitória. Acervo Biblioteca Central da Ufes." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Vit25C325B3ria-Biblioteca2BCentral2Bda2BUfes.jpg" class="wp-image-5173" title="Vitória. Acervo Biblioteca Central da Ufes." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Vitória. Acervo Biblioteca Central da Ufes.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
<b>Observações sobre o texto e a autora</b><br />
<b><br /></b><br />
<br />
A autora, em visita ao Estado do Espírito Santo durante o governo Jerônimo Monteiro (1908-1912), parece ter ficado impressionada com a modernização de Vitória empreendida naquele período, produzindo um artigo que é uma verdadeira propaganda da cidade e da administração de então. Esse artigo foi publicado na <i>Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro</i> do ano de 1912.</p>
<p>Em junho de de 1994 a Revista <i>Você</i>, n.23, da Secretaria de Produção e Difusão Cultural/Ufes, também utilizando o mesmo material que possuímos, publicou as três primeiras partes desse texto.</p>
<div style="text-align: center;">
***</div>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
<b>I</b></div>
<p>
<span style="font-size: 85%;">Propaganda do Brasil – o que se dizia do Estado do Espírito Santo – viagem – Os trens da Leopoldina – Jornais de Campos – Itabapoana – Paisagens espírito-santenses – O Saturno – Habitações camponesas – O destino das terras marginais da linha férrea – A construção dessa linha e a iniciativa do Governo espírito-santense – A estação terminal de Argolas – A luz – a travessia do canal em lanchas – As senhoras de Vitória – Cais de embarque, etc.</span></p>
<p>
Estou convencida, agora mais do que nunca, de que precisamos fazer a propaganda do Brasil—não só na Europa, onde ela deve ser feita com extrema habilidade, como no próprio Brasil. Porque a verdade é esta: nós conhecemos muito imperfeitamente o nosso país. Acabo eu própria de obter uma prova disto, observando num estado vizinho coisas, que estava bem longe de imaginar.</p>
<p>Deliberei por esse motivo expô-las a quem tinha delas a mesma ignorância que eu tinha. Escrevo com inteira e absoluta isenção, por não ser presa à política por nenhum vínculo quer de família, quer de simpatia pessoal.</p>
<p>Comecemos:</p>
<p>Quando constou que eu arrumava minhas malas para uma excursão à Vitória, alguém, que não há muitos anos viveu por algum tempo nessa cidade, correu a avisar-me que as suas ruas eram fétidas, verdadeiros depósitos de lixo, não devendo eu esquecer-me de carregar comigo frascos de desinfetante e perfumarias. Obedeci sem hesitação, pondo um vidro de Feno, em cada canto da mala e enchendo de frascos de essências a bolsinha de mão. Além dessa calamidade, avisava-me o meu informante, há a da falta d&#8217;água. Um chafariz pinga uma lágrima hipócrita de cinco em cinco minutos, ainda assim espremida com inaudito esforço e esperada pela população com enorme anseio. Em frente do chafariz há sempre uma multidão de carregadores, homens, mulheres e crianças, com bilhas e latas vazias de querosene, fazendo cauda, à espera do momento feliz de ir aparar o choro da fonte quase exaurida.</p>
<p>Só esse espetáculo basta para demonstrar a apatia daquela gente. Quem quiser, após as agruras de uma longa viagem, refrescar-se, ao chegar ao hotel, com um banho geral, terá de avisar o hoteleiro com certo tempo de antecedência por carta ou por telegrama, para que ele possa dar para isso as suas providências.</p>
<p>Ouvindo tais palavras eu não sabia se havia de sorrir, se de tremer, tanto elas me pareciam mentirosas ou apavorantes! Logo a onda das informações engrossou. Toda a gente que dizia conhecer o Espírito Santo me descrevia com pena o seu atraso material. Além do mais afirmava-se que o fanatismo do seu atual presidente criara por todo o estado uma atmosfera opressiva de desconfiança e de terror. Ninguém dobrava uma esquina sem se benzer. Falava-se em funcionários exonerados de cargos vitalícios por não assistirem à missa (!); em ruas coalhadas de batinas e de gente escorrida, de olhos postos no chão ou espreitando pelas frinchas a vida alheia para fazer ressuscitar na terra brasileira a alma terrível da Inquisição.</p>
<p>Procuro orientar-me pela leitura dos jornais. Mas o jornais não me orientam. Ao contrário, agravam-se a expectativa, comentando com acrimônia um contrato de madeiras firmado pelo governo do Espírito Santo com uma firma estrangeira, em que, segundo dizem, as florestas famosas desse estado serão devastadas, pondo a nu a terra e amesquinhando os mananciais dos rios. Eu, que sou uma defensora das florestas, toda me sinto arrepiar a esses comentários. Diante de tantas informações desagradáveis, não será muito mais prudente deixar-me ficar quietinha em casa? Voltando-me, entretanto, a falar da beleza da baía de Vitória, Afonso Celso, alma de artista e de poeta, recomenda-me que não deixe de navegar em horas de vária luz por entre as sua penedias e as suas ilhas maravilhosas. Há qualquer coisa que me chama, que atrai o meu coração e o meu pensamento para essas terras tão nossas vizinhas e tão nossas desconhecidas; tomo uma resolução e invisto para o trem.</p>
<div style="text-align: center;">
***</div>
<p>
Às nove horas de uma sexta-feira parti da estação de Santana, em Niterói, para a Vitória num confortável vagão-leito da Leopoldina. O quarto, iluminado a luz elétrica, fornecida ao trem pelo movimento das rodas e nunca interrompida, porque ele dispõe de acumuladores, permite que, mesmo deitada, eu continue a leitura de um livro que me interessa. A cama é boa, de alvos lençóis de linho e cobertor branco, de lã. Para início da viagem não estou mal; de resto, o movimento de tangage (dos pés para a cabeça) imprimido ao corpo por esse leitos transversais parece-me menos enjoativo que os colocados no sentido longitudinal, como os da Central. Com pequenas interrupções, durmo até a vizinha cidade de Campos, onde se passa ao carro-salão, e onde há uns tantos minutos de demora para o café. Percorro a gare — olho para todos os lados, a ver se lobrigo algo da cidade: pontas de torre ou dorsos de telhados. Mas a cidade deve ficar longe; não vejo nada e verifico com alegria que, se nada posso julgar, embora furtivamente, da sua grandeza material, tenho do seu desenvolvimento intelectual uma prova ao alcance das minhas mãos: os jornais. Nada menos de cinco. Compro-os com avidez e atiro-me para o trem, que partiu logo.</p>
<p>Da minha travessia pelo estado do Rio tinha-me ficado um desgosto: não ter visto a estação, já que não podia ser mais, da velha cidade de Macaé, a que sou afeiçoada por tradições de família e que não conheço. Mas agora, à luz da manhã toda azul e ouro, eu não tinha tempo para lamentar coisa nenhuma e só para ver.</p>
<p>A região descampada que percorríamos respondia à nossa curiosidade amiga com uma nuvem de pó, e foi só transposto o rio da divisa, o claro e manso Itabapoana, que essa nuvem loura e importuna se dissipou, como que por encanto.</p>
<p>Por maior que seja a simplicidade com que procuro escrever estas linhas, desornando-as de todo o luxo de uma adjetivação embaraçosa, tornando-as, tanto quanto possível, numa espécie de fotografia intelectual, em que se veja mais a nudez da verdade do que a atmosfera que a envolve, é bem possível que me fuja da pena uma ou outra expressão, que possa parecer ao leitor demasiada em relação à beleza dessa estrada que sobe em voltas de valsa de longas elipses até a uma altura de setecentos e dezesseis metros, e que desce do mesmo modo até quase ao nível do mar.</p>
<p>Os cortes das montanhas desenham pórticos de roxo antigo no fundo verde da vegetação. A estrada, evitando a perfuração de túneis, como se tivesse medo ao escuro, coleia pelo dorso das montanhas, quase na grimpa, ora aproximando-se, ora fugindo de águas que se despenham ou que deslizam. Aqui ondeia o Muqui, de leito tachonado como uma pele de tigre, e de alma sossegada como uma pomba juriti. Apertado entre colinas e penedias, acompanha por algum tempo a estrada, dando lugar depois a outros rios mais fortes e cachoeirosos.</p>
<p>Há, porém, um trecho nesta belíssima estrada da Leopoldina, de que jamais se esquecerá quem o tenha percorrido com a cabeça fora da portinhola do trem: é o &#8220;Soturno&#8221; ou Garganta do Inferno. O trem corta o flanco da penedia imensa, cosendo o seu corpo de réptil negro e fumegante ao corpo duro e frio de pedra branca. O precipício é terrível. Não tem mistérios. É a ribanceira enorme, íngreme, alvadia, em que se despedaçaria, implacavelmente, carne humana ou ferro bruto, que nele fosse despenhado.</p>
<p>Vista de cima, do caminho estreito em que parece haver apenas espaço para os trilhos, cortado parte na rocha, parte suspenso sobre um viaduto, a pedreira do Soturno, na sua nudez e austera simplicidade, acorda fatalmente em quem a veja a idéia da morte. Vista de fora, de uma curva da estrada, tem o aspecto de uma obra de arte monumental, escultura da nossa natureza posta ali pela mão formidável de um ignoto Miguel Ângelo.</p>
<p>A par de belezas imponentes há doçuras de paisagens, que atraem a imaginação para outras idéias.</p>
<p>Não me sinto nunca afagada pela sombra fria de florestas densas. As regiões que atravesso devem ser antes propícias a campos de criação, embora todas ondeadas pelos dorsos dos morros sucessivos. Há de longe em longe restos de cafezais e um ou outro canavial sem importância.</p>
<p>O destino daquelas terras deve estar realmente preso ao gado. Entre montes de vegetação rasteira e clara aparecem aqui e além grandes tufos de árvores. São os bosques de mataria, em que sobressaem as umbaúbas e imbaíbas com os seus troncos altos, esguios, muito brancos, como ossos descarnados ou grossos traços verticais de giz sobre o fundo verde-negro da vegetação.</p>
<p>Sempre que viajo pelo interior dos nossos estados procuro, embora de passagem, observar o tipo de habitação dos nossos camponeses. Estes, do Espírito Santo, parece terem certos instintos de gosto. As casa, se ainda têm telhados de palha, esta é subjugada por linhas paralelas de trançados de embiras aparadas com maior ou menor perfeição. Entretanto, entre estes telhados são freqüentes outras cobertas de escamas de madeira com a sua cor natural. As casa são em geral bem caiadas, resplandecendo de alvura no meio dos prados, e tanto os seus umbrais como as suas portas vêm-se ao longe pela violenta tinta azul anil com que são pintadas. O aspecto é agradável e dá, francamente, a quem o vê, uma impressão saudável de alegria e de asseio. Uma outra nota que afina com essa é a de fazerem paredes divisórias de terrenos com pés de laranjeiras, plantadas tão perto umas das outras que os seus ramos se embaralham e confundem, a ponto que elas mesmas, interrogadas, não poderiam dizer quais seriam os seus galhos, quais os das suas vizinhas.</p>
<p>Isto, que parece coisa nenhuma, é já, aos meus olhos, um magnífico sintoma. Passam-se, todavia, largos trechos sem que veja nenhuma habitação. A terra está à espera do trabalhador que a fecunde, do rebanho que a anime. Ao longe, a famosa pedra Itabira aponta silenciosamente o azul limpo do céu, entre os grandes rochedos — o Frade e a Freira. Por mais curvas que o trem faça, vejo-a sempre ao longe como uma sentinela sonhadora, coberta pelo véu azul da idealidade.</p>
<p>Eis-me, porém, sobre o raso Itapemirim, largo e cantante, em frente à cidade do Cachoeiro, que, a julgar pelo movimento da gare, deve ser animada.</p>
<p>Tendo almoçado no próprio trem, no seu bem organizado salão-restaurante, eu não tinha, desde a véspera à noite, posto o pé em terra senão na curta estadia em Campos, para o café matinal. Não me sentia, contudo, enfadada pela viagem; ao contrário, tinha a convicção de que, só por si, ela justificaria interesse de uma excursão à Vitória.</p>
<p>Essa estrada, inaugurada pelo Dr. Nilo Peçanha, creio que no último mês da sua administração, é um verdadeiro desafogo para o estado do Espírito Santo . Ela é tanto uma estrada estratégica como um traço de união entre o progresso da capital da República e a Vitória, e representa um golpe de alto tino administrativo do homem que, como depois observei, à energia silenciosa de um esforço incansável, alia a habilidade de um fino diplomata: o Dr. Jerônimo Monteiro.</p>
<p>Quando esse senhor assumiu a presidência do Espírito Santo, encontrou feito um trecho dessa estrada, entre a cidade da Vitória e a do Cachoeiro, tendo, portanto, princípio e fim em terras do mesmo estado, numa zona de insignificante produção agrícola e pequeno movimento comercial. O custo desse trecho da estrada tinha sido excessivamente caro e sua manutenção era incompensada, mesmo onerosa. À vista desse embaraço econômico, o governo do estado tomou a resolução progressista de o vender por preço reduzidíssimo à Leopoldina, impondo-lhe a obrigação de, em prazo determinado, inaugurar a viação férrea entre Vitória e Niterói e exigindo ainda dessa Companhia outras obrigações entre as quais figura a construção de uma grande ponte movediça que ligue a cidade da Vitória ao continente. Houve naturalmente quem pusessem as mãos na cabeça, clamando contra o desperdício de ver vender por quase nada o que tanto dinheiro tinha custado ao estado; mas tudo leva a crer que essas mesmas pessoas estejam hoje convencidas de que, mesmo que o governo tivesse feito presente desse trecho de caminho de ferro à Leopoldina, ainda assim teria lucrado com a transação. Graças a esse rasgo administrativo, nem as pessoas nem os progressos da Capital Federal precisam esperam, com oito dias de intervalo, o enjoativo transporte marítimo, a fim de seguirem para a terra capixaba.</p>
<p>Estas primeiras informações foram-me fornecidas no próprio trem por um viajante português, que eu conheci há anos no rio de Janeiro e que é atualmente morador na Vitória. Nenhum laço o prende à política nem às pessoas da representação oficial. É, pois, uma voz insuspeita, a primeira voz que me revela alguma coisa sobre a organização administrativa do Espírito Santo.</p>
<p>É ainda esse viajante quem me aponta, na vertiginosa corrida do trem, uma grande represa de águas e uma usina fornecedora de eletricidade.</p>
<p>— Então a cidade da Vitória&#8230;</p>
<p>— É iluminada a luz elétrica. Devemos também esse melhoramento ao governo atual. E vai ver que boa luz!</p>
<p>— Antes, havia gás?</p>
<p>— Não; havia lampiões de querosene e lanternas. Quem se aventurasse a sair à noite teria de levar luz consigo&#8230; Passar-se do petróleo e da vela à lâmpada elétrica é caminhar aos saltos!</p>
<p>Era já noite quando o trem parou na sua estação terminal, em Argolas, em face da cidade da Vitória. A gare estava coberta de povo, sendo grande parte dele constituído por senhoras, elegantemente trajadas. A estação tem o caráter provisório; é feia e de madeira. Espera naturalmente o lançamento da ponte para se mudar definitivamente para a outra margem. Mas não há tempo de olhar para isso, já as lanchas estão atracadas à espera dos passageiros, e temos todos de saltar para elas sem perda de um minuto.</p>
<p>Ainda não rompeu o luar, mas no céu de veludo azul ferrete brilham os astros com um esplendor diamantino. Nas águas escuras tremeluzem reflexos de ouro e de escarlate de várias luzes, as lanchas partem, e em poucos minutos pisávamos o solo da Vitória, desembarcando no Éden-parque. A cidade tinha uma feição alegre e tumultuosa, a que não me referirei por ser anormal; somente posso assegurar que ao adormecer, tarde, nessas noite no hotel, eu me sentia abalada pela doce impressão de uma agradável surpresa.</p>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
<b>II</b></div>
<p>
<span style="font-size: 85%;">Cidade de granito e de mangue – O estilo da cidade – Maria Ortiz e os Holandeses – Casas comerciais – Uma esperança – Uma crisálide que rompe o casulo abandonado – Vila Moscoso – Um parque e duas avenidas – O quartel de Polícia – Lodaçais e mangues que desaparecem – O hospital novo – Habitações populares -A cidade acorda de um letargo – O Bairro do Rubim ou a cidade de palha – Os telhados – A água – Os filtros – Elementos de salubridade – O astro saudoso encarregado do policiamento da cidade – A luz elétrica – Águas servidas – Os esgotos – Quando as famílias dos oposicionistas devem discordar dos seus chefes – O futuro Mercado – O futuro hotel – O papel desempenhado pelos frascos de Fenol e de essências -Serviço de limpeza pública e domiciliária – Em duas horas de passeio – O Suá – A capela do Rosário – O palácio presidencial; o cais do imperador; o jardim da Esplanada – Velhos conventos – Maravilhosa transparência da atmosfera – Os astros – Partida para Vila Velha.</span></p>
<p>
Vitória, se não é, como a Lisboa cantada pelo poeta, uma cidade de mármore e de granito, é uma cidade de granito e de mangue.</p>
<p>A casaria apertada, no estilo das velhas cidades minhotas, encarrapita-se pelo morro acima formando ladeiras e vielas que fazem, a quem as veja pela primeira vez, pensar nas aventuras dos romances de capa e espada.</p>
<p>Aqui na rua estreita descendo em sucessivos lances de escadas entre prédios altos, de janelas à antiga, de uma das quais Maria Ortiz despejou água a ferver sobre os holandeses invasores; acolá a sinuosidade de um caminho beirando as paredes de um convento ou de um colégio fundados pelos jesuítas nos tempos coloniais e, de repente, um corte de terreno, de onde se descortina o azul do mar ou o dorso verde das colinas da outra banda, isto é, do continente.</p>
<p>Na linha plana, em baixo, as ruas comerciais têm muito maior movimento do que eu poderia supor, à vista do que me diziam no Rio da apatia do povo e do atraso do lugar. Nessa parte da cidade as casas, já com fachada à moderna, infundem, muitas delas, a idéia da abastança e da prosperidade.</p>
<p>Há coisas que não se vêem nem se explicam — sentem-se. O ambiente de um lugar tem a sua voz que, embora intraduzível, nos assegura se nele se vive com esperança ou desespero. E tudo, neste torrãozinho pitoresco que é a velha cidade de Vitória, me fala do futuro, porque, todo ele é uma esperança que lateja, uma crisálide que rompe o tosco casulo abandonado para espanejar à luz as asas multicores.</p>
<p>Basta olhar, de qualquer ponto em que se descortine uma área considerável, para se observar o seu esforço de transformação. Os mangues, a que aludi, começam a desaparecer sob as camadas do aterro. Na parte baixa da cidade, em uma planície conquistada a um antigo e extenso lodaçal, Vila Moscoso, vi o debuxo de duas avenidas e um parque já com o leito do seu lago pronto e já combinadas as suas futuras sombras pelo agrupamento das plantas, indicadas nos relvados nascentes.</p>
<p>Em frente a esse campo, agora todo drenado e enxuto, onde em vez de caranguejos patinhando em lama correrão em breve as crianças por sob a galharia das árvores benéficas, o Quartel de Polícia, livre agora das umidades geradoras do béri-béri, que se infiltravam nas suas paredes precipitando a ruína do edifício e a morte dos soldados, firma-se em terra seca e mostra internamente condições de higiene, que não sei se serão comuns em outros quartéis. No alojamento das praças, por exemplo, vi camas com lastros de arame revestido de sola. Essas camas são móveis, ficando durante o dia suspensas, para que toda a sala livre e nua possa ser lavada sem estorvo. O ofício rude do soldado é adoçado assim na sua hora de repouso. Não tive tempo de visitar as aulas de leitura e de música no curso policial, porque a minha visita a esse estabelecimento foi apenas uma visita de passagem, matinal e apressada.</p>
<p>Não longe desse lodaçal desaparecido, está desaparecendo também um mangue, engolido pelo aterro do hospital novo. Esse hospital é edificado em pavilhões separados, quase concluídos, olhando do alto de uma colina para a cidade e para o mar. Se bem entendi o meu cicerone, para construírem esses pavilhões em terreno nivelado fizeram um platô no alto da colina, e é com a terra tirada para esse efeito que aterram o mangue próximo, saneando o local e prolongando uma das ruas mais bonitas de Vitória, que é a avenida Schmidt.</p>
<p>Foi um curto passeio matinal que tive ocasião de observar estas coisa, que desejaria descrever com absoluta clareza, porque tenho a convicção que serviriam de estímulo a muitas atividades ainda adormecidas&#8230;</p>
<p>Realmente a impressão, que tive naquele curto passeio, foi uma alegre impressão de trabalho.</p>
<p>Enquanto as carroças cobriam o lodo salgado com a terra seca do morro; enquanto os trolhas e os pintores davam a última demão a uma grande série de habitações populares higiênicas e baratas, feitas por iniciativa do governo de acordo com um poderoso capitalista do lugar, com quem contratou a edificação de duzentas casas sob várias condições de preço, de tipo e de tamanho, prestando com isso grande benefício à população crescente da Vitória, enquanto as paredes do hospital novo cresciam para refúgio de futuros padecimentos, cá em baixo na estrada os engenheiros eletricistas se apressavam mandando a turma dos seus empregados abrir covas no chão para os postes dos bondes elétricos.</p>
<p>A cidade acorda de um letargo de séculos e quer ganhar tempo aos saltos.</p>
<p>Foi no bairro Rubim, antigamente Cidade de Palha, que eu vi as obras, que acabo de citar. Essa visita não figurava no programa estabelecido para os seis dias da minha demora na Vitória.</p>
<p>Para ver a Cidade de Palha não roubei nada ao meu programa, mas roubei ao meu sono algumas horas, que só no Rio recuperei. Pelo menos isto indica que a Vitória tem que ver!</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-hL5NSpXqupM/WJzIzICichI/AAAAAAAALms/XxtyG9zEj5kxrEEl7HvbsoR0RPgM6iO2wCLcB/s1600/Vila%2BRubim%252C%2B1910.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Vila Rubim, 1908. Acervo Biblioteca Central da Ufes." border="0" height="170" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Vila2BRubim252C2B1910.jpg" class="wp-image-5174" title="Vila Rubim, 1908. Acervo Biblioteca Central da Ufes." width="320" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Vila Rubim, 1908. Acervo Biblioteca Central da Ufes.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Que é a cidade de palha? Uma vila de operários, uma espécie do nosso Morro de Santo Antônio, mas sem lixo, com alegria, com asseio, com água. Até ao alto do mais alto barranco, onde se aninha um casebre, ali vereis uma torneira jorrando água em abundância.</p>
<p>Antigamente todas as cobertas das habitações desse bairro eram trançadas com folhas de palmeira ou com sapé.</p>
<p>Era o canto da pobreza, bem significativo e bem pitoresco, entretanto.</p>
<p>Numa colina, em frente ao canal que divide a ilha do continente, esse bairro policromo e modesto dá a impressão de um quadro curioso, uma grande tela coberta de borrõezinhos de tintas disseminadas sem ordem, ao salpicar dos pincéis, pela mão fantasiosa de um paisagista risonho.</p>
<p>Hoje as casas têm paredes caiadas, e a maioria delas é coberta de telhas. Pode-se ainda assim, conforme observou o ilustre médico que me acompanhava, presidente do Congresso espírito-santense sr. dr. Júlio Leite, a cujo espírito e a cuja amabilidade seria ingratidão muito feia não fazer eu aqui uma referência, estudar nesses telhados da Vila Rubim, alinhados em vários planos como nas camadas geológicas, as diferentes épocas da sua história.</p>
<p>Ao lado de um ou outro teto de palha ainda refratário, vê-se um de zinco com a sua cor natural, para logo adiante aparecerem outros também de zinco, mas já pintados de vermelhão ou verde, até aos outros, de telha comum. Não será preciso esperar muito para surgirem entre eles alguns de terraço, com as competentes balaustradas e tinas para flores&#8230;</p>
<p>Mas a principal alegria para os habitantes do Rubim, como para os de toda a cidade, é a água. Se para os ricos e os remediados a água era ainda há três anos na Vitória um líquido quase tão precioso como o Champagne, imagine-se o que seria para os operários, que a não podiam comprar com a mesma facilidade, porque na estação estival cada lata (das de querosene) cheia de água custava 200 réis, 500 réis e, quando a seca apertava, dez tostões e por muito favor! Então ela era colhida dos mananciais escassos da ilha, distribuída em quatro chafarizes da cidade, fora alguns poços para serventia pública. Parece impossível que um tal estado de coisas pudesse durar perto de um século, para só agora ser remediado, mas felizmente remediado de um modo absoluto e definitivo. Disseram-me haver na Vitória água pura para uma cidade de dez vezes maior população, e que haverá em breve para uma cidade de cem vezes maior população, porque está sendo atacada com vigor uma nova obra para abastecimento de água aos arrabaldes do continente, bem como outra muito importante — que é a construção dos filtros. A água sairá já filtrada das torneiras, e não em pranto gotejado como outrora, mas em torrentes copiosas.</p>
<p>Tanto este elemento de alegria e de salubridade como o da luz elétrica, que substituiu as lâmpadas belgas a querosene que alumiavam as ruas, com exceção das noites de luar, em quem de boa ou de má vontade, o astro saudoso ficava encarregado do policiamento da cidade; tanto esses dois melhoramentos como ainda o dos esgotos, inaugurado no ano passado, deram tamanha popularidade na Vitória ao atual governo do Espírito Santo, que não se pode deixar de falar num, e com justo louvor, sempre que se tenha de falar da outra.</p>
<p>Até há bem pouco tempo era um problema saber-se nessa cidade, em que a maioria das casas não tem quintais, onde atirar-se um pouco de água servida, visto que nem sempre pode ser considerada obra meritória vazar-se de uma varanda qualquer tachada de barrela a ferver sobre a cabeça de quem passe, seja holandesa ou cabocla, pacífica ou belicosa.</p>
<p>Mas foi sobretudo o abastecimento da água, primeira comodidade estabelecida pelo sr. Jerônimo Monteiro na capital do Espírito Santo, que lhe granjeou a simpatia da cidade, e muito especialmente a de todas as donas de casa. As próprias famílias dos oposicionistas discordam com certeza dos seus chefes sempre que abrem as torneiras dos seus banheiros ou das suas cozinhas.</p>
<p>A par das obras que observei nessa excursão matinal, citam-me outras já contratadas e com proteção do governo, como por exemplo o mercado. O de agora será substituído por um outro de ferro e de vidro, com aquário para peixes e câmaras frigoríficas para carnes e frutas. Falam-se também da construção de um hotel com cerca de oitenta quartos e todos os rigores da higiene e do conforto moderno, preocupação que não pode ser adiada, porque já é considerável o número de forasteiros nessa cidade. E esse número crescerá em pouco tempo enormemente, sem a menor dúvida.</p>
<p>Volto para o meu hotel com a cabeça cheia de surpresas. Realmente, será esta a gente apática, de que me falavam, e esta a cidade fétida atapetada de lixo? Para certificar-me ainda, chego à janela do meu quarto. Em frente, a ladeira da Matriz sobe apertada entre casaria de paredes brancas; em baixo, ondeia outra rua edificada em estilo mais moderno. Olhei: tanto uma como outra estavam limpas. Inclinei-me da sacada, dilatei as narinas no esforço de perceber a qualidade do cheiro dessa cidade marítima. Não senti nada. Se nas varandas não havia rosas, também nas portas não havia lixo. Lembrei-me então dos meus vidros de fenol e de essências, ainda arrolhados, e não pude deixar de sorrir.</p>
<p>Contando eu isto a algumas pessoas nesse mesmo dia, retrucaram-me que na verdade até pouco tempo o leito das ruas da Vitória permanecia por longas horas enfeitado por pequenos montículos de retalhos e de detritos de toda a espécie. O atual governo estabeleceu o serviço de limpeza e de higiene pública e domiciliária, de modo a fazer cessar por completo essa vergonhosa exibição de imundícies.</p>
<p>Em duas horas de passeio, feito ora de bonde, ora a pé, tive assim nessa manhã ensejo de observar, colhendo-a a bem dizer, em flagrante, a ânsia de progresso que se está desenvolvendo na capital do Espírito Santo, essa pequena cidade, hoje de tão originais aspectos e tão alegres coloridos e destinada a ser em futuro não remoto um grande empório marítimo; assim lhe sucedam a este atual outros governos igualmente patrióticos e ativos.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-uWUFjtzgco0/WJzKVV-ItmI/AAAAAAAALm4/OG1x07uMJ6wD6wUH6rHU3RVeetyaPbhQACLcB/s1600/Praia%2Bdo%2BSu%25C3%25A1-1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Praia de banhos do Suá." border="0" height="131" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Praia2Bdo2BSu25C325A1-1.jpg" class="wp-image-5175" title="Praia de banhos do Suá." width="200" /></a></div>
<p>Em contraposição ao bairro dos operários, a antiga Cidade de Palha, há o bairro elegante da Praia do Suá, preferido por toda a gente que pode hoje na Vitória construir um chalé ou um palacete, Fica um pouco distante do centro. Corresponde em ponto muito mais pequeno e em relação à cidade à nossa Copacabana. Demais a mais, é a melhor, se não única praia de banhos da Vitória, e parece que muito concorrida, pela facilidade de condução, indo o bonde até à praia em viagens amiudadas. O bonde atravessa grandes extensões ainda por edificar, ora em linhas retas, ora em estradas curvas marginando golfos e mangues. Mas esses mangues estarão em breve cobertos de bosques de eucaliptos e essas colinas alegradas pelos talhões das hortas e dos jardins.</p>
<p>O seu destino está escrito pelo progresso da cidade que desperta, guardada à vista pelo penhasco majestoso do Penedo, que desempenha na baía da Vitória, com mais austeridade, o mesmo papel ornamental do nosso Pão de Açúcar.</p>
<p>Conquanto a cidade seja constituída num terreno rochoso, há nela em vários pontos alguns tufos de vegetação forte de um verde intenso, como um, do qual se destaca o palacete do coronel Guaraná, e o outro que serve de fundo à capela do Rosário, que se vê de longe com a sua branca escadaria de pedra e o seu adro cingido de pilastras e de grades.</p>
<p>Como em toda a parte do mundo por onde andem, os jesuítas souberam escolher na Vitória os pontos mais culminantes e melhores para suas edificações. Dá disso testemunho o próprio palácio presidencial, que é um antigo convento construído na parte alta da cidade, e dominando por uma das suas faces laterais uma larga escadaria de pedra que vai até a baixo, o cais do Imperador. Em frente à sua fachada principal há um novo jardim, de esplanada, sustentado por muralhas, e onde duas vezes por semana tocam as bandas locais para alegrar o povo. Junto ao palácio, tem a igreja de S. Tiago, que não visitei, como não visitei também o velho convento de S. Francisco, o que lamento, porque deve haver dentro deles algum assunto antigo e artístico digno de atenção. Nem ousei falar nisso, porque havia um programa a cumprir, e eu começava a perceber que a pequena e tão singular cidade de Vitória não se mostrava toda em poucos dias a ninguém.</p>
<p>O que notei ali desde o primeiro dia até ao último, foi uma admirável transparência na atmosfera, uma claridade puríssima que envolvia as coisas, fazendo-as realçar com todos os seus detalhes.</p>
<p>Essa nitidez que deleitava os meus olhos deve fazer o desespero dos pintores que tentem passar para a tela as encantadoras paisagens espírito-santenses. Águas, troncos, pedras, galharias de árvores, telhados de casas ou barrancos de estradas, não se dissimulam nem se fazem adivinhar sob nenhum véu de névoa que os idealize; mostram-se cruamente, nuamente, em todas as minúcias da sua cor e da sua contextura. O céu tem por isso tintas de um fulgor delicioso, manhãs de turquesa líquida, crepúsculos cor de rosa que tingem de vermelho as águas fundas do mar. Mas é sobretudo à noite, que na sua transparência e profundidade o firmamento mais se embeleza pelo clarão lucilante dos seus astros.</p>
<p>
Mas não nos detenhamos a olhar para as estrelas feiticeiras, porque é tempo de tomar a lancha e partirmos para Vila Velha.</p>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
<b>III</b></div>
<p>
<span style="font-size: 85%;">A baía da Vitória – Um canteiro ambulante de papoulas – Vila Velha – O fim destes artigos – Um período de transformação – A sociedade – Pedro Palácios – O Convento da Penha – Um quadro de Velasquez – Efeitos da fé – A construção do Convento no alto da Penha – Rivalidade de Vila Velha e da Vitória – A Diamantina e seus prodígios futuros – Ladeira mais fácil de subir que descer – Promessas – Hospedagem fidalga – Escolas – Governo Municipal de Vila Velha – Fortaleza de Piratininga – Beleza do local – Ordem do estabelecimento – Ginástica sueca – &#8220;Five o&#8217;clock tea&#8221; – Doçura ambiente – Volta à Vitória.</span></p>
<p>
Eram oito horas da manhã, quando &#8220;Santa Cruz&#8221; zarpou da Vitória com rumo à cidade do Espírito Santo.</p>
<p>Ora, até que enfim, ia eu ver essa poética baía tão recomendada pelos poetas e pelos navegantes. Propensa às contemplações da natureza, desviei a atenção das pessoas que me rodeavam, o que posso garantir não ser coisa fácil, visto que a sociedade da Vitória tem na singeleza do seu trato seduções imperiosas, e abri bem os olhos para as maravilhas dessa porção de mar em que a &#8220;Santa Cruz&#8221; ia estendendo o lençol do seu rasto escumoso.</p>
<p>A quem já conhece a baía Guanabara parece impossível poder encontrar motivo de admiração em outra baía, de mais a mais do mesmo país, o que quer dizer da mesma natureza e a pequena distância, relativamente. E, todavia, encontra-o. A da Vitória tem surpresas. Toda ela é feiticeira, toda ela é um misto de poema e de graça, de transparências lúcidas e de recortes airosos. Porque eu levasse talvez nos olhos a impressão majestosa da baía do Rio, tudo nessa do Espírito Santo me parecia de proporções reduzidas e tendo nisso mesmo um encanto muito peculiar e muito interessante. As montanhas que a rodeiam não assombram ninguém; guardam proporções perfeitamente compreensíveis e de uma normalidade de formas quase inquietante.</p>
<p>Em certos pontos, quem está dentro dela pode julgar-se em um lago, tanto a conformação das terras que a cingem parece isolá-la do grande Atlântico.</p>
<p>Alguém, dentro da lancha, chama a minha atenção para os pontos mais pitorescos: aqui uma ilhota; acolá uma linha branca de praia, ou a habitação de um inglês, de bom gosto, numa colina solitária e verde, ou um bosque à beira da água. No cimo de tal montanha azul, cujo nome a minha triste memória esqueceu, descrevem-me uma cavidade natural, para onde os índios atiravam os seus mortos.</p>
<p>Ficava assim o seu alto cemitério de fácil comunicação com o céu.</p>
<p>Reconheço de longe a graciosa Praia do Suá com as suas barracas brancas ainda armadas para os banhistas; e perto o forte de S. João, Penedo, e o contorno de terras vistas na véspera. O mar está de um azul veemente. Cruzamos com outra lancha, em que escolares de vestidos escarlates, uniforme dos colégios, fazem lembrar a floração de papoulas num canteiro ambulante.</p>
<p>Sacodem-se lenços, mas já alguém me faz voltar a cabeça para a Pedra dos Ovos, ilhota que lembra as da vizinhança de Paquetá.</p>
<p>Seria estultice tentar sequer descrever com esta minha pena rombuda e trôpega o encanto das terras, que circundam a baía da Vitória. De resto, o fim destes artigos não é fazer literatura, mas dar, com a possível clareza, idéia do movimento de um dos nossos estados de menores recursos e em um período que é para ele, positivamente, de transformação.</p>
<p>Foi a verificação deste fato que me impulsionou a escrever estas linhas, com a esperança de que elas possam servir de alento a outros estados de mais frouxa iniciativa.</p>
<p>Fique, pois, entendido que a baía da Vitória não desmentiu, antes confirmou absolutamente todo o bem, que dela me tinham dito, e que foi com os olhos cheios da sua beleza que aportei a Vila Velha, primeiro pouso desse desventurado boêmio Vasco Fernandes Coutinho, a quem por mercê de D. João III foi doada a capitania do Espírito Santo.</p>
<p>Rodeada, ali como na Vitória, por uma sociedade fina e carinhosa, empreendi corajosamente a subida do convento da Penha, proeza de que me sinto ainda agora um pouquinho espantada. Não sei a quantos metros de altura fica esse templo, mas posso assegurar que jamais pisei rampas mais resvaladiças nem mais íngremes do que as da Penha, em que ele está assente.</p>
<p>Antes de subir, para que eu tomasse fôlego, levaram-me a ver, perto do portão da entrada, uma pequena gruta natural, onde um frade, frei Pedro Palácios, salvo de um naufrágio, se acolheu, ou antes se escondeu, talvez com medo dos índios, guardando consigo um registo a óleo da Senhora da Penha, que atribuem a Velasquez, não sei por quê, e que também não sei como pode escapar são e perfeito do naufrágio aludido. Mas lendas não são assuntos de comentário neste gênero de artigos meramente descritivos, não se podendo gastar com eles senão o tempo da referência. Não sei quantos dias viveu frei Palácios agachado no seu obscuro buraco, sob uma lapa suspensa e úmida.</p>
<p>O caso espantoso não é esse; o caso espantoso é que todas as noites o quadro a óleo da Senhora da Penha, com o seu bendito filho nos braços, via na gruta da planície adormecer o frade em santa paz, para, ao romper da aurora, aparecer bem do alto da alta penha, em que vive agora definitivamente! O poder do milagre fez os seus efeitos. índios e colonos, tocados por ele, consentiram em carregar à cabeça as pedras, as madeiras, todos os materiais, enfim, com que lá em cima se construiu o grande convento, com a sua torre quadrangular, a sua capela, em que a obra de talha conserva a cor natural da madeira em que é feita, as suas grandes cisternas, porque não havendo fontes no morro seria preciso prevenirem-se para conservar as águas da chuva; as suas celas e corredores e as suas escadarias e terraços. Bem como as pedras, foi carregada à cabeça a água com que se argamassou o barro e a areia para edificação de tantas e tão grossas paredes!</p>
<p>O caso espanta o touriste, mesmo o menos impressionável, e que ainda arquejante dá por bem empregado o esfalfamento da subida, quando lá em cima espalha a vista pelo panorama em redor e vê de um lado o mar, de que emergem aqui e além dorsos de rochas ou pontas de serras de vários cambiantes, estendendo-se depois azul e largo até ao infinito horizonte. Em baixo, a grande planície de Vila Velha, verde-clara e branca, toda ela coberta de gramíneas curtas e de areais, com os seus grupos de casas aqui e além, ruas bem alinhadas e campos cortados de esteiros, que lampejam ao sol e que ali estão à espera da futura cidade, que os há de aproveitar como elemento de graça, margeando-os de árvores, cobrindo-os de longe em longe por pontes elegantes.</p>
<p>Parece-me perceber uma certa rivalidade entre Vila Velha e Vitória, mas essa rabugice ingênua desaparecerá logo que as duas cidades formem uma só, ligada que seja a ilha ao continente pela ponte móvel da Leopoldina. Se as distâncias hoje são grandes entre si, também grande será o incremento dado à capital do Espírito Santo pela Estrada de Ferro da Leopoldina, destinada a transformar o porto da Vitória num dos portos mais ativos do Brasil.</p>
<p>Calculam-se já as toneladas de ferro bruto, que os comboios dessa estrada trarão diariamente de Minas e dos confins do próprio estado do Espírito Santo, para despejarem nos porões dos transatlânticos estrangeiros à sua espera na Vitória, e o número dessas toneladas atinge a uma soma enorme. Mas, voltemos a falar do convento.</p>
<p>Como a ladeira do fado português, que é mais fácil de subir que de descer, porque ao subi-Ia levava o namorado a esperança de ver lá em cima a sua amada, e descendo-a já vinha carregado de saudades suas — assim, mas por outras razões, está claro, é a do convento da Penha de Vila Velha.</p>
<p>Para cima, o peito arfa, mas os pés não escorregam; para baixo, é necessário vir-se executando prodígios de equilíbrio para não se cair redondamente sobre os duros calhaus denegridos e lustrosos, que revestem o solo. E ao pisá-los pensa a gente com espanto na resistência de certas criaturas, que sobem aquelas rampas de rastos por promessa, chegando a cima quase exânimes, ensangüentadas, mas, enfim, ainda vivas!</p>
<p>Parece que hoje não são permitidos tais excessos e que mesmo as ofertas de cera, de cabelos, de trabalhos a miçanga e de quadrinhos ingênuos e grotescos, que ali, como em todos os templos milagrosos, cobrem as paredes das sacristias, vão ser pouco a pouco substituídas por pequenas placas de mármore com o voto do ofertante.</p>
<p>Creio bem que a imaginação do povo relute em aceitar essa substituição, não encontrando na pedra fria o símbolo correspondente ao ardor da sua fé.</p>
<p>Chegamos a baixo com os joelhos trêmulos, mas com os pulmões revigorados por um grande hausto de ar puro e livre, e trazendo para sempre refletida nos olhos a visão maravilhosa dessas terras e rochedos, desse imenso mar, e desse imenso céu todo azul e ouro.</p>
<p>Depois de algumas horas de repouso numa hospedagem fidalga, de uma visita ao governo municipal de Vila Velha e outras visitas aos colégios públicos do lugar, cujas aulas estavam repletas de crianças robustas e alegres, seguimos por uma linda estrada para a Fortaleza de Piratininga, Escola de Aprendizes Marinheiros.</p>
<p>Tinha de notável essa estrada, perfeitamente construída, ter sido feita pelos aprendizes da Escola, sob a direção de um dos seus oficiais. E eis aí uma iniciativa, que deve ter lisonjeado a municipalidade de Vila Velha, por facilitar a comunicação do povo da terra com a pitoresca e velha fortaleza. Aí, ao transpor o portão da entrada, não tive a impressão de penetrar numa praça militar, mas num belo e vasto parque de castelo europeu, com as suas largas alfombras veludosas e as suas aleias de belas perspectivas.</p>
<p>O local é amplo, todo numa curva de terra beijada pelo mar. No pátio do edifício, de forma convexa, tocava a banda dos aprendizes com muito garbo e afinação, embora constituída havia poucos meses.</p>
<p>O diretor da Escola, comandante Maurício Pirajá, oficial distinto e que alia às suas qualidades de militar severo as de um perfeito gentleman, teve a delicadeza de percorrer conosco todo o estabelecimento: enfermaria, farmácia, alojamentos, aulas, refeitório, cozinha, lavanderia e paiol, fazendo notar em tudo o maior asseio e a ordem mais absoluta.</p>
<p>Sobre uma das portas da fortaleza, hoje remoçada e até florida, vê-se ainda, como documento histórico, uma pedra gravada com dizeres no português do tempo relativos à sua fundação.</p>
<p>Depois de ter percorrido todo o interior do edifício saí, a ver no parque os exercícios de ginástica sueca executados com precisão admirável pelos menores.</p>
<p>De cima de um terraço eu dominava o grande tapete relvado onde os aprendizes, dirigidos por um companheiro, faziam ao mesmo tempo que ele todos os movimentos disciplinares, do mais suave ao mais torturado, como se os músculos de todos eles obedecessem a um só maquinismo e a uma só vontade.</p>
<p>A tarde estava de um encanto inesquecível. Numa parte do jardim lateral do edifício, uma grande quantidade de pequeninas mesas brancas e floridas para o <i>five o&#8217;clock</i>, e dispostas com arte de modo a poderem os que estavam em uma delas ver os que estavam em outras, traziam à lembrança naquele cenário de macias relvas, de praias claras, em que o murmúrio das ondas se casava ao ramalhar das árvores e ao som dá música ao ar livre, cenas de outros lugares distantes, talvez Nice, talvez Cannes&#8230;</p>
<p>E até sol-posto foi um rumor alegre de vozes naquele jardim, e um correr de meninos pelos gramados, tachonando-os com as cores alegres dos seus vestidos e dos seus chapéus floridos.</p>
<p>E se o mar não prometesse mau embarque, ali ficaríamos até o romper do luar, para navegarmos depois em mar de prata e gozarmos por mais tempo as doçuras daquele ambiente delicioso&#8230;</p>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
<b>IV</b></div>
<p>
Ora, pois, abro um parêntese na série destes artigos descritivos, para me referir a um fato, que nos impressionou a todos no Rio de Janeiro, porque teve na imprensa carioca uma horrível repercussão. Não é preciso uma extraordinária perspicácia para se adivinhar qual ele seja; já o leitor percebeu que aludo ao contrato feito pelo Governo do Estado do Espírito Santo com a firma Lichtenfels &amp; Cª para exploração de matas do Estado e desenvolvimento da sua imigração.</p>
<p>Quando parti para a cidade da Vitória levava o espírito apoquentado por esse assunto e vou dizer por quê, para que não pareça exagerada a minha sensibilidade. É o caso que desde que peguei na pena, resolvida a escrever para o público, me arvorei, por minha conta própria, em advogada das nossas árvores urbanas e florestais.</p>
<p>Corajosamente, sem medo de criar com a minha insistência fama de monótona a propósito de tudo, e manda a boa verdade dizer que muitas vezes fora de propósito, procurei sempre fazer entre nós a propaganda da árvore e da flor, e, se a minha vaidade, ou veleidade, já se tem consolado com alguns triunfos nesse sentido, confesso que ainda estou bem longe de ver confirmados todos os meus propósitos. Tendo em artigos de jornais, em conferências, em livros, clamado sempre contra a devastação inútil das nossas matas e a favor do plantio e replantio do arvoredo benéfico, é fácil de imaginar qual seria a minha opinião em face desse famoso contrato, destinado, segundo diziam, a desnudar por uma miséria a linda terra espírito-santense!</p>
<p>E, por isso mesmo, porque esse assunto me interessasse vivamente, ardia em curiosidade de indagar de alguém bem informado todos os seus detalhes e circunstâncias, não ousando fazê-lo, com receio de ferir susceptibilidades e melindres, tanto o caso me parecia monstruoso.</p>
<p>Em face, porém, dos progressos que via realizados na Vitória e que me atestavam a boa orientação do Governo do Espírito Santo, comecei a duvidar do meu critério anterior, e, sem poder sopitar curiosidades, pedi a alguém, cujo espírito me pareceu Imparcial e justo, que me demonstrasse o verdadeiro espírito da questão. A nossa palestra, no pacato recanto do velho salão do hotel, foi rápida e concisa. O meu ilustre informante afirmou, com espanto para mim, considerar o contrato, em volta do qual se levantou tanta celeuma, de magníficos resultados para o Estado, acrescentando:</p>
<p>&#8220;Minha senhora, não se podem abrir estradas em matarias; fazer vilas em pontos disseminados dos sertões para colônias agrárias; cultivar terras até hoje inexploradas, sem que muitas árvores das florestas gemam sob os golpes do machado derrubador. O progresso também faz as suas vítimas, e parece-me de boa política aproveitar-lhes os corpos inermes, não para aquecer locomotivas das estradas de ferro, como se faz em alguns lugares, mas para convertê-Ias em dinheiro para os magros cofres do Estado. Já que se interessa pelo assunto, eu lhe arranjarei algumas notas positivas a seu respeito. Os meus vagares de aposentado permitem-me esse trabalho.&#8221;</p>
<p>A palavra foi cumprida. As notas vieram, e é sobre elas que ou escrevo estas linhas.</p>
<p>Entre os problemas nacionais, que mais nos preocupam, existe um que no conceito geral merece a primazia:</p>
<p>&#8220;Atrair imigrantes o localizá-los definitivamente no país.&#8221;</p>
<p>Não há sacrifícios a que não nos tenhamos submetido para conseguir semelhante resultado, e ainda a esta hora até humilhações recebemos mesmo das nações de 2a. ordem em troca deste triste papel de mendigos de colonos que representarmos, batendo às portas de quem abertamente nos repele e injuria.</p>
<p>Espalhar agentes pelo mundo civilizado, subvencionar a imprensa, banquetear autoridades, derramar folhetos e mapas em todas as línguas, pagar passagens em linhas terrestres e marítimas, fazer gastos com alojamentos, alimentação, assistência de toda ordem, despender com transportes, salários, adiantamentos, ferramentas, sementes, casas e até com caprichos, eis o que nos custa o agenciamento de meia dúzia de colonos, que, não raro, meses depois nos abandonam em busca da Argentina, ou se transformam em mascates drenadores de nossas economias para o Oriente.</p>
<p>Mas não é tudo: — Os núcleos exigem direção, fiscais, intérpretes, instrutores, escolas, boas estradas, cercados seguros, mercados garantidos, centros industriais e outros complementos, representando no conjunto avultado dispêndio, arriscado e aleatório. Tomemos no Brasil os últimos quatro anos; somemos as quantias todas empregadas com a introdução e manutenção de imigrantes, computadas as despesas acima enumeradas, o dividamo-las pelo número de famílias realmente localizadas.</p>
<p>— Qual o resultado? Nem com dois contos de réis conseguiremos representar a quota de cada uma!</p>
<p>A colônia Afonso Pena custara ao Estado do Espírito Santo mais de 120 contos de réis ao ser transferida à União e, no entanto, não recebera ainda um só colono. Rios de dinheiro tem custado ao Governo o núcleo Itatiaia; e quais as suas atuais condições? Que produz? Que importância representa para atrair imigrantes?</p>
<p>De agora em diante a imigração vai-se tornar cada vez mais difícil e dispendiosa, porque pouco a pouco nos estão fechando os portos as nações, onde nos habituáramos a abastecer-nos. Mas não levemos em conta essa circunstância e digamos que cada família introduzida e localizada em nosso país, de bons imigrantes, vale somente por dois contos de réis. É essa quantia que em plena consciência e acertadamente está buscando aplicar a União para povoar alguns dos nossos Estados, entre outros o Paraná, Minas e mesmo (em escala reduzida) o Espírito Santo.</p>
<p>Este Estado que, todo ele com uma superfície superior várias vezes à da Bélgica, não conta senão duzentos mil habitantes, isto é a quinta parte, tão somente, da população do Rio de Janeiro, precisa antes de tudo cuidar de povoar o seu território, coberto em grande parte de matas e montanhas.</p>
<p>Preocupação constante de alguns dos seus governos, não tardou que se lhes apresentasse como insolúvel o problema, em face da renda exígua do Tesouro, dificilmente mantida, ainda assim, por uma população pobre e desaparelhada.</p>
<p>Foi em uma situação de tal ordem que, ao atual presidente do Estado, se apresentou a casa Lichtenfels &amp; Cª pretendendo extrair madeiras do Estado, alegando dispor de facilidades excepcionais para lhe colonizar o território. Era a solução que se oferecia, afinal, tão ansiosamente buscada, por isso, após acurado estudo, tendente a harmonizar os recíprocos interesses, o acordo se estabeleceu, traduzido em um contrato que é uma glória para o Governo, a despeito dos repetidos mais infundados ataques, de que tem sido alvo até por quem confessa nunca ter lido as cláusulas que firmaram na transação.</p>
<p>A casa contratante viu diante de si terras abundantes, cobertas de cerradas matas virgens, e muito naturalmente acreditou que mediante um bem estudado plano de exploração, apoiado em um conjunto de medidas que mutuamente se auxiliassem, poderia gerar para os capitais, com que contava, uma razoável fonte de renda. Sabia onde encontrar colonos, que acudissem ao seu chamado e viessem ocupar as terras oferecidas, não somente sem lhe exigir as despesas, a que jamais se podem furtar os governos no pagamento e colocação de imigrantes, como dos mesmos colonos recebendo até, e muito justamente, uma certa soma pelo patrimônio recém-adquirido.</p>
<p>Para tornar acessíveis os núcleos projetados seria necessário construir centenas de quilômetros de estradas de rodagem, mediante uma despesa inevitável e sem duvida no valor de muitas centenas de contos de réis, mas era possível atenuá-la utilizando essas novas vias de comunicação com o transporte de madeiras até os rios navegáveis ou as linhas férreas em tráfego.</p>
<p>Esse plano inteligente, governo algum poderia utilizá-lo, porque se existe trabalho fora do alcance dos meios oficiais, esse trabalho é sem dúvida o de explorar madeiras. Assim, aquilo que seria ruinoso e inexequível para o Governo, tornava-se nas mãos de um particular arguto uma medida complementar de alto valor econômico.</p>
<p>Cumpre acentuar que a exploração de madeiras, no Brasil, somente pode ser lucrativa se aquele que as quiser extrair dispuser de abundantes capitais e estiver seguro dê lhe não faltarem avultadas reservas de matas que assegurem compensações pelas despesas a fazer com a abertura de estradas e com a indispensável e dispendiosa organização comercial, que o abrigue contra o ruinoso monopólio exercido por meia dúzia de casas da praça do Rio. Não fora a necessidade de tais reservas e certamente a casa contratante preferiria comprar madeiras em matas particulares à razão de um ou dois mil réis o metro cúbico — como é corrente no interior do Estado — a pagá-las a 5$000 em regiões desprovidas de meios de transporte e de população. Só os que não conhecem o assunto acreditarão que 800.000 metros cúbicos de madeiras nas brenhas de um Estado despovoado podem fornecer 20 a 30 mil contos de lucros aos que se abalançaram a extraí-las. Basta refletir que é 9$000 a diferença apontada entre os ônus fiscais que gravam os atuais possuidores de matas e os que vão pesar sobre o novo contratante, para, feitos os cálculos, verificar-se que o lucro, se o houvesse, seria no máximo de 9$000 vezes 800.000, isto é, 7.200 contos, tão-somente.</p>
<p>Esse lucro, conforme deixamos dito, só se verificaria se o contratante não fosse onerado de outros encargos e se obtivesse as suas madeiras ao longo das estradas ou dos rios navegáveis, como acontece com os terrenos particulares. No entanto, nada disso acontece; muito ao contrário. Assim, pois, o contratante só poderá ter lucros (e é muito justo que os tenha), nas seguintes condições:</p>
<p>1º, se dispuser de grandes capitais;</p>
<p>2º, se puder, sem despesas, atrair colonos para o Estado, colonos que tenham recursos e sejam realmente agricultores;</p>
<p>3º, se tiver tino comercial para bem colocar as madeiras que extrair;</p>
<p>4º, se desenvolver qualidades administrativas para, de modo econômico, extrair e transportar as madeiras contidas nas matas devolutas, que lhe forem concedidas.</p>
<p>Aceitando ele o contrato, é de presumir que possua esses requisitos: será para o Espírito Santo uma felicidade, que assim seja!</p>
<p>E o Governo sob que móveis agiu?</p>
<p>O seu pensamento fundamental foi colonizar o Estado. Como consegui-lo? Sendo dispendioso e difícil realizar tão legítima aspiração, um caminho somente se oferecia a quem não dispunha de dinheiro: ceder terras e o que nelas se contivesse, em troca dos braços que deverão cultivá-las, para enriquecimento do Estado. Ceder gratuitamente terras devolutas a colonos. Que é que fazem os Estados, às claras, doando-as ou, veladamente, vendendo-as a preços irrisórios, sem juros, a prazos que sempre se prorrogam e mediante pagamento proveniente do salários elevados, pagos por compromissos formais o expressos pelos cofres oficiais? Milhares de hectares recebeu do Estado a União a título gratuito, quando lhe foi transferido a Colônia Afonso Pena, mediante menos ainda da quantia, que em benfeitorias despendera o Governo que a fundara. Por que motivo não investiram contra ambos? O complemento da paga ao contratante forneceu-o o Governo dispensando de impostos a madeira das terras cedidas. Examinemos, para fulminá-lo, o ato perdulário. A madeira em causa é das terras devolutas. Esta, se não fosse dispensada do imposto, não seria evidentemente exportada, porque outras, ao longo das linhas de transporte, existem que se vendem por menos de cinco mil réis, preço cobrado pelo Governo no contrato. E nesse caso, que sorte teriam tais madeiras?</p>
<p>Seriam queimadas sem proveito para ninguém.</p>
<p>Com efeito, sendo impossível colonizar terras sem lhes derrubar as matas e transformá-las em culturas, claro é que em breve estariam reduzidas a cinzas as suas madeiras. E é Isso mesmo que se tem feito em toda a parte, a despeito de estéreis clamores da imprensa e das vãs promessas interventoras das administrações. Assim, o Governo dispensou de impostos aquilo que jamais poderia ser taxado, porque estava condenado a ser devorado nas queimadas.</p>
<p>Vendendo árvores por 4 mil contos, o Governo salvou para o Estado essa grande soma. Foi hábil e tornou-se um benemérito.</p>
<p>Cem contos, que as matas produzissem, já seria uma bela conquista ao incêndio. Quando, porém, não militassem tão justos motivos para a transação, é fácil demonstrar que o preço de 5$000 por metro cúbico de madeira em pé, nos sertões do Espírito Santo, não é um preço baixo. Informem-se dos preços vigentes em regiões mais acessíveis, e verão que ninguém vende por mais, nem por tanto. Próximo à linha da Leopoldina, na Serra do Frade, em Macaé, as madeiras escolhidas podem ser e são compradas a 2 e 3 mil réis o metro, se não menos. E ainda mais perto, à margem da Central, a 3 léguas apenas de distância, paga-se 3 a 4 mil réis, somente, pela mesma unidade de madeira de 1a classe em árvore. Se levantam os preços, afastam-se os compradores o não tarda então que o fogo realize a sua obra&#8230;</p>
<p>Eis aí os fatos esmagadores, que não receiam contestação.</p>
<p>Mas, na realidade, por quanto foram vendidos os 80.000 metros cúbicos de madeira que figuram no contrato? Vejamos:</p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 80%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle" width="80%">1º Em dinheiro </td>
<td align="right" valign="bottom" width="20%">4.000</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle" width="80%">2º Como renda dessa quantia, por ter sido fornecia adiantada. Sendo de 10 anos o prazo concedido, tomemos metade desse prazo para média do tempo, em que devem ser contados os juros, que suporemos de 7,5% ao ano, teremos: 4.000 contos, a 7,5% ao ano, em 5 anos</td>
<td align="right" valign="bottom" width="20%">1.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle" width="80%">3º Custo de introdução e localização de 3.500 famílias a 1 conto de réis somente (em lugar de 2 contos)</td>
<td align="right" valign="bottom" width="20%">3.500</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="middle" width="80%">
<div style="text-align: right;">
Total</div>
</td>
<td align="right" valign="middle">9.000</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Eis o que diretamente vai receber o Estado pelos 800.000 metros cúbicos de madeira, em árvore, nos sertões do Espírito Santo.</p>
<p>Em árvores disputadas ao fogo! Mas de modo menos expresso, mas não menos categórico, são bem maiores os serviços e vantagens auferidos pelo Estado no contrato. Em primeiro lugar há a obrigação de introduzir mais 300 famílias para a lavoura, e isso não vale menos de 200 a 300 contos de réis. Em segundo lugar, em virtude da cláusula 35a. combinada com a cláusula 3a., obrigou-se o contratante a introduzir mais 1400 famílias, sob pena de reverterem ao domínio do Governo os lotes a elas destinados. Eis aí mais uma verba de mil contos, pelo menos. Em resumo: as vantagens do Governo, traduzidas em dinheiro, não somam menos de 10 a 11 mil contos de réis.</p>
<p>As conseqüências de outra ordem são extraordinárias para o Estado:</p>
<p>1º – O número de imigrantes, que nele se deverão localizar, será de cerca de 20.000. Ora, sendo de 200.000 apenas o número total de habitantes do Estado, conclui-se que a sua população vai ser de pronto aumentada em 10%.</p>
<p>E esse colossal resultado se fará sem ônus ou incômodos de qualquer natureza para o Governo Federal.</p>
<p>2º – Sendo, no presente momento, de cerca de 40.000 contos de réis o valor da produção do Estado, é lícito admitir que essa produção será em breve elevada de 10%, isto é, a 44.000 contos, só por influência do contrato.</p>
<p>3º – A renda fiscal do Estado, avaliada no corrente ano em cinco mil contos, poderá em breve, sob aquela mesma influência, elevar-se a 5.500 contos.</p>
<p>Se se quisesse aprofundar o estudo dos resultados da introdução e localização de 3.500 famílias nas terras devolutas do Estado do Espírito Santo, a abertura de estradas, daí decorrentes, a movimentação do interior atualmente despovoado, a repercussão no país de origem dos colonos, e inúmeros outros efeitos evidentes, não haveria louvores bastantes para galardoar o ato de quem assinou o novo contrato. Se este se realizar, como tudo faz prever, acontecerá com este caso o mesmo que se passou com outros na apreciação dos atos administrativos do atual Governo: as mais acerbas criticas e os mais sombrios vaticínios seguidos dos mais retumbantes sucessos. Arguiu-se de ruinosa loucura a execução das obras que deram água, luz e esgotos à Capital. — &#8220;Despender 3.000 contos era empobrecer o Estado, porque, se a obra se fizesse, não daria senão prejuízos&#8221; — eis o que de todos os lados se ouvia.</p>
<p>Pois bem! Fizeram-se as obras. Não são passados senão meses, e aquilo que custou 2.500 contos está vendido por mais de 5.000. O Governo fez construir casas na Capital, e não faltou quem condenasse a resolução. Resultado: as casas estão sendo disputadas e não bastam para as necessidades da população acrescida. O mesmo acontecerá ao contrato das madeiras e a quantos atos administrativos praticar o Governo, inspirado pela confiança nas condições naturais daquele solo privilegiado, na energia de seus filhos e no futuro brilhante, que aguarda o Estado do Espírito Santo.</p>
<div style="text-align: center;">
***</div>
<p>
A estas informações, que aqui ficam expostas, vieram juntar-se ainda, a meu pedido: um esquema representativo da superfície do Estado do Espírito Santo, contendo os terrenos ocupados, os devolutos e a área suficiente para a extração de 800.000 metros cúbicos de madeiras, e mais as seguintes ponderações sobre o mesmo assunto:</p>
<p>Se considerarmos um hectare de terras cobertas por mata virgem, podemos representar esta área por um quadrado que tem 100 metros de lado.</p>
<p>Se supusermos que haja apenas uma árvore de 20 em 20 metros, teremos, que em um hectare existirão 5&#215;5, ou 25 árvores. Tendo cada uma dessas árvores, em média, três metros cúbicos, teremos 75 metros cúbicos de madeira em um hectare, e, portanto, em 10.667 hectares encontraremos 800.025 metros cúbicos de madeira.</p>
<p>A área 10.667 hectares é equivalente à de um retângulo cujos lados são: 10.667 e 10.000 metros. Neste retângulo não há lado que atinja sequer a duas léguas, pois o maior lado tem uma légua, três quartos e uma pequena fração, e o menor tem exatamente uma légua e três quartos.</p>
<p>O Estado tem cerca de 6.000.000 de hectares de terras devolutas, e há proprietários no Espírito Santo de duas e meia sesmarias cobertas de matas virgens ou de 2.222,5 alqueires, área esta que representa 1/282 aproximados dos 3.000.000 de hectares. Esses proprietários poderiam, pois, extrair e exportar os 800.000 metros cúbicos de madeiras.</p>
<p>O contrato para extração dos 800.000 metros cúbicos de madeira estabelece a obrigação da fundação de sete núcleos coloniais por parte da firma concessionária. Será feita para cada uma das &#8220;500 famílias&#8221; de colonos, que compõem cada núcleo, uma derribada de 5 hectares.</p>
<p>Já vimos acima que cada hectare contém 75 metros cúbicos de madeira e, portanto, cada lote colonial fornecerá na derribada dos 5 hectares 375 metros, e cada núcleo 187.500 metros cúbicos. Fundados os 7 núcleos coloniais, a firma concessionária terá feito a derribada de árvores, cujo volume é de 1.312.500 metros.</p>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
ESQUEMA</div>
<p>
representativo da superfície do Estado do Espírito Santo, contendo os terrenos ocupados, os devolutos e nestes a área suficiente para a extração de 800.000 metros cúbicos de madeiras, representada pelo quadrado que tem o sinal A.</p>
<p>
Superfície do Estado&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 44.800 km<br />
Superfície das terras devolutas&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;30.000 km<br />
Área para a extração dos 800.000 metros cúbicos de madeira&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.106.67 km</p>
<div style="text-align: center;">
Escala: 0ms,01=20k².</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-P2wx9i2Plfs/WJy3FwYKl2I/AAAAAAAALmQ/4fWc41_A5GUFAtgRuekitxptjW-7CJGAACLcB/s1600/julia.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" height="171" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/julia.gif" class="wp-image-5176" width="320" /></a></div>
<p>
E depois deste eloquente quadro, que mostra de modo prático e evidente quão exígua é a área, não já do Estado, mas das &#8220;terras devolutas&#8221;, bárbaras e incultas do Estado, comprometidas no malsinado contrato, o que deu azo à acusação fantasiosa e mirabolante, de que o presidente do Espírito Santo vendera o seu Estado ao concessionário, só me resta esperar a publicação deste artigo para entregar ao Jornal o 5º e último das &#8220;Cenas e paisagens do Espírito Santo&#8221;.</p>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
<b>V</b></div>
<p>
<span style="font-size: 85%;">Comparação de aspectos — Partida pela Diamantina — O que será dentro em pouco tempo essa via férrea — Fazenda Modelo da Sapucaia — Terras do Sul e terras do Norte — Pastor e arado — Primeira condição de agrado da Fazenda Modelo; exemplos admiráveis que devem ser seguidos pelos governos de intenções sinceras — A segunda condição de agrado; simplicidade, rusticidade; como se deve ensinar os pobres; a casa; a hospedagem; passes gratuitos — Prêmios; seu estímulo — Máquinas — Ceifadeira de arroz ; quadro de José Malhôa; as moças no arrozal; os discípulos; o mestre; cereais; produções; diversas instalações; substituição de jacarés por feijão; capitães que hão de correr por seus pés — Vias de comunicação; construções de estradas; colônias; fábricas e ainda mais núcleos coloniais e ainda fábricas — O maior benefício prestado pelo senhor Jerônymo Monteiro — O ensino público — A alma da Vitória — O entusiasmo do estudo — Instituto de Pintura — As crianças do Espírito Santo — A freqüência dos colégios — Asilo do Coração de Jesus — Nem uma batina nas ruas nem hábitos de frade — A impressão da viagem — Saudade e agradecimento.</span></p>
<p></p>
<div style="text-align: right;">
<i>Só os fatos louvam sem mentira</i></div>
<div style="text-align: right;">
Ruy Barbosa.</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<p>
Porque o aspecto da capital do Espírito Santo me tivesse impressionado, não só pela sua feição original e pitoresca, como pelo seu frêmito de progresso, desejei conhecer também o de seus campos de lavoura.</p>
<p>Para isso, partimos por uma lindíssima manhã pelo trem da Diamantina, estrada que será muito breve a grande artéria propulsora de progresso e de fortuna desse esperançoso Estado, para a Fazenda Modelo da Sapucaia, a poucos quilômetros da Vitória.</p>
<p>As terras cortadas pela Diamantina fazem já promessas diferentes das outras atravessadas pela Leopoldina. Deram-me estas a impressão de terem nascido para a fartura dos rebanhos e as lidas do pastor; e aquelas, mais coloridas, mais exuberantes, para os sulcos do arado e a glória das sementeiras.</p>
<p>A primeira condição de agrado que me proporcionou a &#8220;Fazenda Modelo Sapucaia&#8221;, criada pelo doutor Jerônymo Monteiro, e inaugurada em 4 de dezembro do ano passado, foi a de ser organizada mesmo às margens da estrada de ferro, que a corta pelo meio. Assim, e há nisso uma tática muito inteligente, quem passar no trem, verá forçosamente por qualquer dos lados do comboio por que olhe, os talhões das diferentes culturas da fazenda estendendo-se, como mostradores em exposição permanente, pelos campos e alegrando a paisagem aqui com um tapete dourado de trigo maduro ou de arroz seco, ali com um azul, de linho em flor; acolá com um outro verde de um feijoal novo ou de um canavial. O exemplo oferecido assim a prevenidos e desprevenidos é de conseqüências admiráveis e deve ser seguido, sempre que for possível, pelos organizadores de escolas dessa natureza; porque enterrar tais estabelecimentos em lugares de condução difícil e longe da vista das populações, quase sempre preguiçosas e indiferentes, é gastar dinheiro sem pena e perder grande parte de trabalhos e de exemplos, que ficam desaproveitados.</p>
<p>Há coisas que parecem insignificantes e que têm, entretanto, um grande alcance administrativo. Esta pareceu-me uma delas. Na realidade, a um povo sem educação é preciso meter-lhe pelos olhos dentro tudo que possa cooperar para a sua felicidade e que a sua inércia não descobrirá de outro modo. Um apeadeiro na própria fazenda facilita a visita dos curiosos.</p>
<p>A segunda condição de agrado, que me proporcionou aquela propriedade agrícola, criada para educar agricultores pobres, foi a sua simplicidade, mais do que simplicidade: a sua rusticidade.</p>
<p>Ali, tudo o que pôde ser feito com materiais fornecidos pela própria fazenda: madeira, barro ou pedra bruta, é — o de preferência a ser executado em metais mais ou menos caros, madeiras envernizadas ou pedras britadas a capricho. Em face daquele exemplo o lavrador pobre não levantará os ombros desdenhosamente com a convicção de que objetos de preço só podem servir nas propriedades dos ricos, ou do Governo, e nunca nas suas propriedades modestíssimas. Ao contrário, observando os processos postos ali em prática, aprenderá a fazer obras de utilidade agrícola aproveitando com acerto em seu beneficio os elementos naturais oferecidos pela terra em que trabalha.</p>
<p>O muxoxo, com que o caipira olha sempre para tudo que está fora da sua compreensão ou das suas posses, é assim substituído por um olhar de curiosidade, de surpresa e de estudo. Porque o que ele vê diante de si é iam modelo que não lhe será impossível imitar. Certamente que aquela fazenda não foi feita para ser mostrada à gente pomposa das cidades, mas só para servir de escola a populações pobres e sem engenho.</p>
<p>Quantos infelizes desesperam por não saber tirar partido de recursos que tem muitas vezes mesmo embaixo das mãos! É essa facilidade e essa independência, que a &#8220;Fazenda Modelo Sapucaia&#8221; estimula e sugere com o seu exemplo, visando facilitar assim a aplicação das teorias que difunde.</p>
<p>A casa, no mesmo estilo singelo, verdadeiramente roceiro, tem acomodações para hospedagem gratuita, até o prazo de trinta dias, para os agricultores que desejarem demorar-se nela, estudando os processos agronômicos modernos. Para facilitar tanto quanto possível a freqüência dessas visitas, o Estado fornece, também gratuitamente, passes da Estrada de Ferro a todos os agricultores que os solicitarem. Procura desse modo animar a lavoura, que vinha de longe arrastando uma crise pesada, de desesperança.</p>
<p>Foi também com o intuito de fazer vibrar os ânimos dos lavradores que o mesmo Governo estabeleceu uma lei, em 1908, criando 241 prêmios em dinheiro para os agricultores, que mais se distinguissem em produção, qualidade e exportação de culturas agrícolas, além de outros prêmios, representados por um reprodutor de raça, já aclimado no país, para o criador que no Estado criasse mais de duzentas cabeças de gado lanígero, vacum, muar ou cavalar.</p>
<p>Essa lei, traduzida em alemão e em italiano, que são os idiomas da maioria dos colonos do Espírito Santo, foi publicada, assim como em português, em folhetos, largamente distribuídos pelos principais centros agrícolas do Estado.</p>
<p>O fruto dessa sementeira não tardou a aparecer. Tanto o nosso povo rural carece de estímulo! Já no ano seguinte foram distribuídos vários prêmios e, desde então, a roda nunca mais parou, fazendo, na sua rotação, salpicar prêmios para um lado ou para outro, sob vários pretextos: a este industrial, porque mantém uma usina; àquele criador, porque exportou tantos mil quilos de toucinho, de truta em conserva, ou uma quantidade considerável de sacos de arroz beneficiado, etc.</p>
<p>Não é nada? É como um punhado de milho louro, espalhado para o alvoroço e alegria de pintos, que, já na contenda de apanharem os grãos mais gordos, encontram meio de satisfação e de atividade. Eu aprecio essas coisas, achando nelas assunto de interesse especial, porque representam gestos independentes, livres de peias, com que a política costuma embaraçar os Governos dos Estados, e, muito, principalmente os Estados de poucos recursos.</p>
<p>Assim, ora acoroçoando lavradores e industriais agrícolas com certas somas de dinheiro, ora criadores com exemplares de reprodutores de raça, o Governo do Espírito Santo tratou pari-passu de combater os processos rotineiros, ainda empregados na lavoura do Estado, estabelecendo um campo de demonstração (fazenda-modelo da Sapucaia), onde o lavrador pode fazer praticamente a sua aprendizagem, manejando instrumentos agrários que o estabelecimento lhe fornece pelo preço do custo, mediante pagamento em prestações, previamente combinadas.</p>
<p>Quando o lavrador não se quiser sujeitar a isso, o Governo mandará, a seu requerimento, montar as máquinas e ensinar a manejá-las, gratuitamente, à sua propriedade. Tudo isso me pareceu muito bem determinado e muito digno de divulgação.</p>
<p>Na manhã em que visitei a &#8220;Fazenda&#8221; fazia-se nela a experiência de uma nova máquina de ceifar e de enfeixar arroz. E a essa experiência cabiam perfeitamente as palavras da chapa: estava sendo coroada de magnifico êxito. O arrozal maduro lourejava ao sol. Lembrava um quadro pintado por José Malhôa, e várias vezes as alegres tonalidades desse artista exuberante e rural me acudiram à memória naquela transparente a luminosa manhã de maio.</p>
<p>A Ceifadeira mergulhava na onda loura o seu pesado corpo de ferro, atirando o arroz, já em feixes atados rapidamente por ela mesma com um solido nó, de embira para o campo devastado, onde ficavam apenas pequenas touceiras do arrozal, rentes ao chão. Aos lavradores que dirigiam a máquina e a outros lavradores que acompanhavam para observá-la de perto, reuniu-se um grupo de senhoras, curiosas, cujas toilettes claras e sombrinhas de cor juntaram ao bucolismo do quadro uma nota risonha, que o completava. Dentro de poucos minutos não havia ali chapéu nem cinto que não estivesse enfeitado com um penacho de arroz.</p>
<p>Do lado oposto da estrada, em outros campos da mesma propriedade, empregavam-se alguns discípulos na aprendizagem dos processos aratórios, preparando o terreno para novas plantações. Surpreendi assim, a fazenda numa hora de atividade, e de aplicação dos modernos processos de trabalho. O mestre de culturas, senhor Agostinho de Oliveira, que se me afigurou sinceramente apaixonado pela sua profissão, informou-me, mostrando-me uma vitrina, em que estavam vários punhados de cereais, que já se têm feito ali experiência de 57 variedades de plantas forraginosas, alimentícias, têxteis, oleaginosas, etc. Dando a aveia na razão de 46 hectolitros por hectare; alfafa, 10 cortes por ano; trigo, 12 hectolitros por hectare; linho, 80 centímetros de altura; algodão, 0,m60 de extensão de fibra; sorgo, 700 alqueires por alqueire de semente, etc.</p>
<p>Embora as terras em que está organizada a fazenda, não sejam das melhores do Estado, tendo sido escolhidas pela sua situação, a cujas vantagens aludi, e pela sua facilidade de comunicação, ainda assim o quadro comparativo da sua produção de trigo, por exemplo, com a de outros países, é-lhes extremamente lisonjeiro.</p>
<p>Enquanto Portugal colheu 9 hectolitros por hectare, a Argentina 11, a Austrália 40, os Estados Unidos 7, — o Espírito Santo colheu 12, o que já constitui uma diferença razoável, guardando as mesmas proporções nas diferentes qualidades de trigo que cultivou como experiência e demonstração, tendo igualmente obtido magníficos resultados de plantas estrangeiras, ainda não conhecidas no Brasil, ao mesmo tempo que, provado as vantagens das plantas conhecidas quando tratadas pelos processos mecânicos que aumentam, melhoram e barateiam a sua produção.</p>
<p>As instalações da fazenda para os seus animais estão ainda de acordo com o seu tipo modesto. São modelos de fácil imitação e em que, na sua rudeza, estão previstas todas as condições de higiene.</p>
<p>Entretanto, falava-se na construção de novas baias, de um posto zootécnico e não me lembra mais o quê. Em todo caso, os carneiros Lincoln, os touros Gersey, ou as galinhas Plymouth encontram condições de vida farta nos campos da fazenda da Sapucaia, para onde têm sido remetidos alguns exemplares deles, e que sempre serão mais proveitosos que os terríveis jacarés que ali habitavam um charco, hoje transformado, pelo aterro, num vistoso e fértil feijoal!</p>
<p>Ainda com o sentido de animar a lavoura, tendo sido fundado o Banco de Crédito Agrícola e Hipotecário, o jornal oficial da Vitória começou a imprimir uma seção diária, de tipo gordo e entrelinhado, com explicações e conselhos sobre agricultura. Este ardil facilita a leitura, pelo menos desse trecho do jornal, às pessoas de vista cansada, ou que saibam apenas soletrar.</p>
<p>É alguma coisa: é o interesse levado a toda gente, em doses de fácil assimilação, pelo mais portentoso assunto do país.</p>
<p>Observando esses pequenos nadas, penso com alegria que o nosso vício de politicagem começa a transformar-se em séria atividade administrativa&#8230; Mas quem me dirá se nos outros Estados se faz o mesmo?</p>
<p>Nós os brasileiros gostamos pouco de viajar em nosso país; desde que se não possa ir para o estrangeiro proferimos a tudo ficar em casa; daí a ignorância de muitos aspectos curiosos e de muitos fatos interessantes de nossa terra e da nossa gente. Quando porém, por qualquer circunstância inesperada, visitamos um ou outro dos nossos Estados, dizemos não trazer deles impressões que valham a pena de ser comunicadas a ninguém! É um mal e um erro, porque da nossa crítica ou do nosso louvor podem resultar benefícios imprevistos para o país.</p>
<p>Por minha parte confesso que tive intenso prazer surpreendendo no Estado do Espírito Santo, tão acoimado de pobre e de rotineiro, um tão grande movimento de progresso e de transformação, e que julgo cumprir um dever de patriotismo afirmando a convicção que nutro de que essas terras, dentro em pouco tempo, atrairão só por si capitais importantes que para elas irão espontaneamente, na certeza de ótimas recompensas. Já não é um Estado rotineiro; é um Estado progressista. Ao mesmo tempo que o Governo dava à cidade principal água, luz, esgotos, serviço de higiene publica e domiciliaria, escolas, habitações populares e um novo e moderno hospital; ao mesmo tempo transformava os seus lodaçais em parques secos e drenados, contratava diversas vias de comunicação: linhas de bondes elétricos, construções de estradas para carros e automóveis; navegação a vapor pelos rios Doce e Itapemirim, construções de estradas de ferro que atravessam regiões feracíssimas; e tudo em vários pontos do Estado, simultaneamente. Não contente com isso, o Governo põe outros serviços em execução, contratando com particulares construções de outras estradas e a fundação de colônias, de fábricas, de serrarias, de usinas, do plantio do cacau, de exploração de matas e desenvolvimento da imigração com a fundação de 7 núcleos coloniais de 500 famílias cada um; e ainda de mais estradas e ainda de mais imigrantes, e ainda de mais fábricas e de mais usinas elétricas!</p>
<p>Mas sobrepujando a todos, o grande beneficio prestado pelo doutor Jerônimo Monteiro ao seu Estado natal está na reforma do seu ensino publico. Hoje a alma da Vitória é a colegial. Ela dá à cidade, provinciana e sossegada, uma nota de alegria vibrante pelo seu ar decidido e entusiasmado e pelo seu traje encarnado ou azul, segundo o grupo escolar a que pertence. A certas horas, quem chegar às janelas ou andar pelas ruas, verá surgir em vários pontos essas manchas luminosas, e inconfundíveis, que fazem pensar que também as hortênsias e as papoulas andam!</p>
<p>Não são só as pequenas, também as mocinhas vestem com orgulho os seus uniformes de normalistas. Toda a mocidade da Vitória estuda e fá-lo com um entusiasmo como jamais observei em parte alguma; o seu Instituto de pintura é frequentado com imenso interesse por muitos moços e moças da sua melhor sociedade.</p>
<p>Mas o seu maior encanto está sobretudo nas escolas publicas refundidas pelo modelo das de São Paulo, que são as mais afamadas do país. Em geral as crianças no Espírito Santo são fortes e desembaraçadas, o que duplica o encanto das salas escolares, que estão bem organizadas, com aparelhos e mobílias modernas. A prova do grande interesse que há na Vitória pelo estudo está bem expressa pelas suas estatísticas escolares.</p>
<p>No mês de maio, em que visitei essa cidade, foram as suas escolas públicas freqüentadas por mil e oitenta e sete crianças, o que representa uma soma respeitável numa cidade de pequena população, tanto mais quanto nela não há só escolas publicas, mas também particulares de grande freqüência. Eu mesmo visitei uma, o &#8220;Asilo Coração de Jesus&#8221;, em que era muito grande o numero de discípulas, aparte as órfãs pobres do Estado, ali recolhidas, se me não engano, em número de 200, e por cuja manutenção o Governo subvenciona esse estabelecimento com uma determinada quantia.</p>
<p>E o engraçado é que foi preciso entrar num edifício religioso para eu ver a primeira touca de religiosa no católico Estado do Espírito Santo! Foi só então que ma ocorreu à lembrança o que me tinham afirmado no Rio, isto é, que eu iria esbarrar com batinas de padres e hábitos de monges por todos os ângulos e curvas da Vitória, quando a verdade é que, em cinco dias, eu ainda não vira nem uma só batina, nem um só habito de freira ou de frade, nas ruas da Vitória nem nas estações do caminho de ferro do Estado do Espírito Santo!</p>
<p>Isso não acontece em São Paulo nem em Minas, nem aqui, verdadeiro refúgio de religiosos exilados da Europa.</p>
<p>Ora pois, até nisso aquela terra era diferente do que me tinham afirmado antes da minha partida.</p>
<p>De fato, em vez de uma sociedade fanática, tristonha, desconfiada, achei-me no centro de uma sociedade carinhosa, risonha, desembaraçada e vivaz, de que guardarei sempre saudades.</p>
<p>E porque de tudo trouxe uma impressão de agrado, de esperança, ou de surpresa, quis fixá-la nestas linhas, em que escondi quanto pude a gratidão pelo excepcional acolhimento que devo a esse Estado, para só deixar transparecer a verdade nua dos fatos que nele observei, sem véus de fantasia, nem parcialidade de sentimento.</p>
<p>E, também, para isso, não escrevi precipitadamente. Esperei; dei tempo a que as minhas idéias amadurecessem antes de rever as notas feitas no tropel das horas movimentadas, que passei na Vitória e que tão imperfeitamente descrevi. Sinto-me, porém, satisfeita de poder afirmar a todos os brasileiros, mesmo aos mais indiferentes, que esse pedaço da Pátria achou quem o despertasse do sono letárgico que ha tanto tempo o entorpecia e que, agora, despertado e fortalecido, caminhará ativamente, alegremente, para um futuro nobre e feliz.</p>
<p>
<span style="font-weight: normal;">[ALMEIDA, Júlia Lopes de. Cenas e paisagens do Espírito Santo.&nbsp;<i>Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil</i>, 75 (126), 1912, p.175-217.]</span></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2000 Estação Capixaba</span></b>.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Júlia Lopes de Almeida</b> (Rio, 1862; Rio, 1934), romancista e contista, tem sido injustamente omitida pelos historiadores e críticos da literatura brasileira, o que se explica, aliás, por lhe faltarem características nitidamente próprias. Pertenceu a um período que vai de 1895, isto é, do declínio do romance naturalista, a 1902, data do <i>Canaã</i> de Graça Aranha. A esse período pertenceu, como figura de primeira grandeza, Coelho Neto — o que basta para definir como fase em que o gosto pela expressão literária em si fatalmente prejudicaria a obra novelesca. Apesar disso, alguns romances de Júlia Lopes de Almeida merecem ser lidos e talvez perdurem como retratos da sociedade brasileira do seu tempo, em especial <i>A Família Medeiros</i>, de 1894. Ficcionista de grande facilidade de inventiva e expressão, e regular poder de análise, retrata em suas obras a evolução material, social, intelectual e moral do Rio de Janeiro do seu tempo. Sob o ponto de vista estilístico procurou aliar a técnica do romance naturalista de Zola a uma constante preocupação de linguagem artística. Publicou, além do romance citado: <i>A viúva Simões&nbsp;</i>(1897); <i>A falência&nbsp;</i>(1901); <i>Ânsia eterna&nbsp;</i>(1903); <i>A intrusa&nbsp;</i>(1908); <i>A herança&nbsp;</i>(1908); <i>Eles e elas&nbsp;</i>(1910); <i>Cruel amor&nbsp;</i>(1911); <i>Correio da roça&nbsp;</i>(1913); <i>A Silveirinha&nbsp;</i>(1914). (Dados extraídos do <i>Dicionário de Literatura Portuguesa e Brasileira</i>, de Celso Pedro Luft)</p></blockquote>
<p></p>
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		<item>
		<title>Projeto e construção do bairro Ibes, Vila Velha, ES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 May 2017 14:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bairro Ibes]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Jones dos Santos Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>» Introdução » Lei n° 627: de criação do Instituto de Bem Estar Social Espírito-Santense » Imagens &#160; &#160; &#160;Antes da construção do núcleo residencial &#160; &#160; &#160;Construção &#160; &#160; &#160;Visitas oficiais e inauguração &#160; &#160; &#160;Casas habitadas &#160; &#160; &#160;Imagens de satélite &#8211; 2010 e 2017 » CAMPOS JÚNIOR, Carlos Teixeira de. A experiência [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-IMsXq8pS9As/WQt63T_YP-I/AAAAAAAAOzw/m_hhtpcWE0ImlvKtq8ObNVsgS35Xc9cIgCLcB/s1600/18_casa%2Bnova-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Casa em construção no Bairro Ibes, Vila Velha, ES." border="0" height="499" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/18_casa2Bnova-p.jpg" class="wp-image-5189" title="Casa em construção no Bairro Ibes, Vila Velha, ES." width="640" /></a></div>
<p>» <a href="https://estacaocapixaba.com.br/introducao/" target="_blank" rel="noopener"><b>Introdução</b></a></p>
<p>» <a href="https://www.estacaocapixaba.com.br/2011/05/lei-n-627-de-criacao-do-instituto-de/" target="_blank" rel="noopener"><b>Lei </b>n° 627: de criação do Instituto de Bem Estar Social Espírito-Santense</a></p>
<p>» <b>Imagens</b><br />
<b><br /></b><br />
&nbsp; &nbsp; &nbsp;<a href="https://goo.gl/photos/idbYWQzzahXrgqYP9" target="_blank" rel="noopener">Antes da construção do núcleo residencial</a><br />
&nbsp; &nbsp; &nbsp;<a href="https://goo.gl/photos/n19dYd3Wr7srBens8" target="_blank" rel="noopener">Construção</a><br />
&nbsp; &nbsp; &nbsp;<a href="https://goo.gl/photos/okkxgTTSp8GvHWnN6" target="_blank" rel="noopener">Visitas oficiais e inauguração</a><br />
&nbsp; &nbsp; &nbsp;<a href="https://goo.gl/photos/BXNYZzsqmGdgeQQc6" target="_blank" rel="noopener">Casas habitadas</a><br />
&nbsp; &nbsp; &nbsp;<a href="https://goo.gl/photos/b32dDSFB1wMqEB7v8" target="_blank" rel="noopener">Imagens de satélite &#8211; 2010 e 2017</a></p>
<p>» <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-experiencia-de-construcao/" target="_blank" rel="noopener"><b>CAMPOS JÚNIOR, Carlos Teixeira de. A experiência de construção habitacional do Ibes</b>.</a> In <i>Revista do IHGES</i>, Vitória, ES, n. 54, 2000, p. 81-100.</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2011&nbsp;</span></b>Textos e imagens com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves</b>, coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<div>
</div>
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		<title>Ingleses na costa – Impressões de um aspirante de marinha sobre o Espírito Santo em 1851</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Mar 2017 19:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Edward Wilberforce]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Guilherme Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Corveta de guerra &#8220;Driver&#8221;, irmã da &#8220;Geyser&#8221;. James Cowan &#8211; &#8220;The New Zealand Wars&#8221;. Pelo menos dois marinheiros ingleses, documentadamente, navegaram, em diferentes épocas, o litoral do Espírito Santo, deixando registros de viagem. O primeiro foi Anthony Knivet, grumete na expedição que o célebre corsário Thomas Cavendish empreendeu ao Brasil no começo da última década [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-t45bAiuo1d8/WLWyNm7okaI/AAAAAAAAMJ4/jp86PuYhn0M8nd5JpmrVm67QziTspxNjgCLcB/s1600/1024px-HMS_Driver-Wilberforce.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Corveta de guerra &quot;Driver&quot;, irmã da &quot;Geyser&quot;. James Cowan - &quot;The New Zealand Wars&quot;." border="0" height="281" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/03/1024px-HMS_Driver-Wilberforce.jpg" class="wp-image-5233" title="Corveta de guerra &quot;Driver&quot;, irmã da &quot;Geyser&quot;. James Cowan - &quot;The New Zealand Wars&quot;." width="400" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Corveta de guerra &#8220;Driver&#8221;, irmã da &#8220;Geyser&#8221;. James Cowan &#8211; &#8220;The New Zealand Wars&#8221;.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b><br /></b><br />
<b><br /></b><br />
Pelo menos dois marinheiros ingleses, documentadamente, navegaram, em diferentes épocas, o litoral do Espírito Santo, deixando registros de viagem. O primeiro foi Anthony Knivet, grumete na expedição que o célebre corsário Thomas Cavendish empreendeu ao Brasil no começo da última década do século XVI; o outro, o aspirante a oficial de marinha Edward Wilberforce, integrante da oficialidade da corveta de guerra&nbsp;<i>Geyser</i>&nbsp;que esteve no Espírito Santo na primavera de 1851 sob o comando do capitão de fragata Edward Tatham, em missão repressiva ao contrabando de africanos.</p>
<p>Distanciados entre si cerca de dois séculos e meio, súditos, respectivamente, das notáveis rainhas Elizabeth II e Vitória, da Inglaterra, Knivet e Wilberforce deixaram-se tomar por idêntico impulso narrativo pondo no papel as principais impressões que colheram de suas passagens pelo litoral brasileiro. Contribuíram, desta forma, para que seus apontamentos e registros se tornassem documentos de valor para a historiografia como fontes de informação de nossa história.</p>
<p>No relato de Knivet, que cobre a navegação de corso que Cavendish empreendeu, em 1591, nos mares da costa sul brasileira, a parte relativa ao Espírito Santo é bastante sucinta. Nela o marujo limita-se a narrar, como testemunha participante, a frustrada tentativa de saque ensaiada pelos ingleses contra a vila de Vitória. Seu depoimento foi editado sob o título &#8220;Vária fortuna e estranhos fados&#8221; pela Editora Brasiliense Limitada (São Paulo, 1947) em versão do original inglês feita por Guiomar de Carvalho Franco, da qual se transcreve o trecho que trata da investida contra Vitória:</p>
<p>&#8220;No nosso navio havia um português que recolhêramos da embarcação apreendida, em Cabo Frio; este português, que fora conosco ao estreito de Magalhães, e aí testemunhara a nossa falência, falou-nos duma vila chamada Espírito Santo, dizendo-nos que poderíamos chegar à frente da mesma com os nossos navios, e aí, sem perigo, lograríamos tomar muitos engenhos de açúcar e boa quantidade de gado.</p>
<p>As palavras deste português fizeram-nos renunciar ao projeto de ida a São Sebastião, tomando o rumo do Espírito Santo; em oito dias chegamos à embocadura do porto, acabando por lançar âncora na baía e mandar nossos botes sondar o canal; não encontrando estes nem a metade da profundidade que o português nos dissera que encontraríamos, supôs o general que o luso nos havia traído e, sem nenhuma comprovação, fê-lo enforcar de imediato. Neste local, todos os fidalgos que restavam a bordo manifestaram desejo de ir à terra tomar a povoação. O general não o queria de modo nenhum, objetando-lhes diversos inconvenientes; nenhum argumento porém os convenceu, e foram os moços tão insistentes que o general, escolhendo cento e vinte homens dentre os melhores que possuía em ambos os navios, enviou ao capitão Morgan, praça de terra singularmente boa, e ao tenente Royden, como comandantes neste empreendimento. Desembarcaram, pois, diante dum pequeno forte, com um dos seus botes e dele expulsaram os portugueses; o outro bote seguiu mais além, onde houve uma escaramuça muito violenta, e a vida desses moços depressa se abreviou, pois apearam num rochedo fronteiro ao forte e à medida que saltavam fora do bote, escorregavam com suas armas para dentro do mar; assim a grande maioria deles pereceu afogada. Em conclusão, perdemos oitenta homens neste lugar, e dos quarenta que se salvaram, nem um só voltou sem uma flechada em seu corpo, chegando alguns a ter cinco e seis ferimentos.&#8221;</p>
<p>O depoimento de Wilberforce sobre o Espírito Santo é bem mais extenso e informativo do que o de Anthony Knivet. o marinheiro vitoriano levou, sobre seu compatriota e antecessor, a vantagem de contacto mais demorado com a costa capixaba ao sul de Vitória, tanto com o litoral em si, por onde navegou em patrulhamento vigilante, quanto com algumas localidades que conheceu, inclusive a própria sede da então Província. Aliás, é a partir da cidade de Vitória que Wilberforce começa seus informes sobre o Espírito Santo.</p>
<p>Fica-se sabendo, assim, que os ingleses tiveram oportunidade de visitar a cidade, acanhada e sem conforto, renitentemente colonial embora aprazível em suas condições naturais. Aproveitando folgas e criando momentos de lazer, a oficialidade da&nbsp;<i>Geyser&nbsp;</i>percorreu os arredores de Vitória, enfiou-se por florestas e rios cujos nomes Wilberforce não registrou, enfrentou chuvas torrenciais, adquiriu peças de rendas e redes de dormir, viu como se fabricavam as redes de algodão cru. No palácio do governo os oficiais britânicos foram recebidos pelo presidente da Província, o bacharel José Bonifácio Nascente de Azambuja.</p>
<p>Impedido, por motivo de saúde e por proibição médica, de ir ao Convento da Penha, dele Wilberforce recebeu singela descrição feita por seus companheiros de bordo que não convenceu ao cronista, tendo-a atribuído ao espírito herético dos informantes.</p>
<p>Vê-se, por aí, que o escritor marinheiro entremeia informações de sua observação pessoal com outras, resultantes do testemunho de terceiros, chegando até a transcrever notícia de jornal brasileiro, cujo nome não cita, sobre a recepção que houve a bordo da&nbsp;<i>Geyser&nbsp;</i>reunindo personalidades da Província e que terminou sob o clarão de rojões.</p>
<p>Junto com os registros sobre a terra e seus habitantes, seus costumes e produção, Wilberforce, dando mostra de sua formação de oficial de marinha, anota referências, com valor de orientação náutica, sobre localidades do litoral espírito-santense para uso dos navegantes da época nas quais as indicações utilizadas são prosaicos identificadores da costa.</p>
<p>Olhos postos nos escravos contrabandeados, a eles faz diversas menções inclusive acerca dos locais em que se davam desembarques clandestinos, como em Guarapari e Piúma, por exemplo.</p>
<p>Como convinha a observador crítico dotado ainda de pendores literários, Wilberforce incluiu em sua narrativa pitadas de ironia e humor bem mais interessantes do que os extravasamentos líricos a que dá vazão ante a beleza natural da baía de Vitória que ele verteu em marolas poéticas de discutível qualidade literária.</p>
<p>Depois do regresso à Inglaterra, o texto de Wilberforce foi editado pela primeira vez, em Londres, em 1856, sob o título <i>Brazil viewed through a naval glass with notes on slavery and the slavetrade</i> (Brasil visto através de uma luneta com notas sobre escravidão e tráfico de escravos). A esta edição fez referência o escritor Norbertino Bahiense na obra <i>O Convento da Penha</i> (Vitória, Escola Técnica de Vitória, 1952), reportando-se ao ensaio crítico publicado por Afonso de E. Taunay no <i>Jornal do Comércio</i>, de 26 de agosto de 1945, denominado &#8220;Impressões de Vitória e seus arredores&#8221;.</p>
<p>Impressões do Espírito Santo de 1851 foi bem o que captou Wilberforce através de sua esquadrinhadora luneta de oficial de marinha, e que se contêm nos capítulos XV e XVI do texto original, ora publicados em separata, visando-se a colocar ao alcance do público interessado mais um relato de um viajante estrangeiro que esteve em terras e mares capixabas no século XIX.</p>
<div style="text-align: right;">
Luiz Guilherme Santos Neves</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<p></p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p><b><br /></b><br />
<span id="INCI_RP1V"><b>PREFÁCIO</b></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP1" title="É o prefácio geral da obra."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></p>
<p>
Este volume contém um simples relato do que vi na costa do Brasil. É forçosamente incompleto e fragmentado; a condição de um aspirante de marinha não lhe permite absorver muitos conhecimentos sobre os lugares que visita. Mas, seja como for, é todo de minha autoria, à exceção de duas ou três passagens, pelas quais tenho que agradecer a um cavalheiro, cujo nome não publico, uma vez que os oficiais do Serviço a que Pertence são avessos a qualquer publicação por parte de seus subordinados. Enquanto me empenhava em contar minha história de maneira divertida, entremeei diversas informações práticas relativas a ancoradouros e baías da costa, que poderão ser úteis a capitães que naveguem por aquelas bandas.</p>
<div style="text-align: right;">
Edward Wilberforce.</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<div style="text-align: right;">
28, Old Burlington street</div>
<div style="text-align: right;">
2 de outubro de 1855.</div>
<div style="text-align: right;">
</div>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p><b><br /></b><br />
<span id="INCI_RP2V"><b>CAPÍTULO 1</b></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP2" title="É o capítulo XV do texto original."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a></p>
<p>
Rio e cidade do Espírito Santo. Lenda. Fortificações. A vila velha. O que é a verdade? No campo. Redes de algodão. Vendedores. Festividades. Excelsior! Pássaros de várias plumagens. Navios negreiros.</p>
<p>A cidade mais importante entre Rio de Janeiro e Bahia é a do Espírito Santo, que era o limite norte de nossa área de patrulha. O verdadeiro nome dessa cidade é Vitória, mas estando situada às margens do rio Espírito Santo, assumiu o nome deste, de acordo com o costume do país. Localiza-se a cerca de 250 milhas do Rio de Janeiro. Esse rio deságua na baía do Espírito Santo, onde ancoramos à espera de um piloto. A entrada do rio é estreita, ladeada por duas altas montanhas, das quais o Morro do Moreno é a mais notável. Permanecemos ali um dia até que algum piloto viesse, obedecendo ao nosso sinal. Finalmente um bote encostou, trazendo um homem vestido com uma espécie de uniforme naval, que melhor seria chamado multiforme, pela ausência de regularidade e ordem. A pessoa apresentou-se como piloto e afirmou que poderíamos atravessar a barra na preamar, quando haveria três braças de profundidade na parte mais rasa. Medimos duas braças e um quarto, de modo que era necessário certa precaução ao subirmos a corrente. Avançamos a passo de caracol, descendo os prumos constantemente, com capitão, arrais e piloto sobre a caixa das pás.</p>
<p>A paisagem em torno era tão extraordinária que um piloto poeta teria certamente deixado o navio encalhar, pela constante admiração das margens. O lado esquerdo era montanhoso, o direito, um volume de água salpicado de ilhas cobertas de cactus, embora não houvesse terra alguma sobre elas, não sobrando espaço nem para duas pessoas em pé. A água entre as ilhas era calma e bonita, como se não conhecesse outra forma. No cume de uma das montanhas do lado esquerdo, entre rochas fantasticamente empilhadas uma sobre a outra, como se tivessem sido petecas de gigantes, erguia-se altiva o que pensamos ser uma fortaleza e que, no entanto, revelou-se um convento<span id="INCI_RP3V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP3" title="Trata-se do convento da Penha."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> Às vezes abria-se uma bela enseada, mostrando praias cobertas com folhagem verde-escura, e algumas casinhas brancas ao fundo, repousando tranqüilas e à vontade num oceano de beleza. Pequenas rochas saltavam da água em ambos os lados, enquanto a vegetação derramava-se das montanhas mais altas. Era o lugar para poesia, e o viajante exausto poderia ser perdoado por dar vazão a seus sentimentos em verso e encher uma página, <i>more majorum</i><span id="INCI_RP4V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP4" title="À maneira dos antigos. Em latim no original."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a></p>
<p>
Levemente desliza o nosso navio<br />
Como uma ave marinha de asas abertas<br />
Através de estreitas correntes onde a fragrância insufla<br />
Fecundantes sopros primaveris.<br />
Altas, em uma das margens, às grimpas das montanhas<br />
Enrugam rochas, amontoadas sobre rochas,<br />
De onde muitos ribeiros se precipitam<br />
Claros como fios de prata.</p>
<p>Ali, no cume, entre rochedos eretos<br />
Ergue-se velho edifício<br />
Que deve ter desafiado os mais violentos embates da tempestade<br />
Ou as mãos presunçosas do inimigo.</p>
<p>Do outro lado ilhas baixas se avistam<br />
Onde os verdes cactos vicejam<br />
E onde por baixo de ramalhenda cortina<br />
Descansam os beija-flores.</p>
<p>E o enrugado oceano brandamente sorri<br />
Onde, em suave quietude, repousam<br />
Os espessos cachos de pequenas ilhas<br />
Em seu seio <span id="INCI_RP5V">enganadora</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP5" title="Essa é a tradução que Taunay fez dos versos de Wilberforce, incluindo-os em seu ensaio 'Impressões de Vitória e seus arredores', publicado no Jornal do Comércio, em 1945. (Apud Norbertino Bahiense, O convento da Penha, Vitória, 1 95 I.)"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>
Uma rocha à entrada de uma dessas enseadas tinha uma pequena cruz branca de pedra erguida sobre ela. Ao inquirirmos sobre o significado daquilo, a tradição, falando pela boca do piloto, nos informou que, toda vez que os escravos de Vitória têm uma folga se dirigem a uma pequena vila a meio-caminho rio abaixo para festejar. Não era coisa rara os escravos se embriagarem e discutirem — na verdade, era o habitual. Não era menos comum sacarem-se facas e alguém do grupo ser morto. Se, nesse trágico desfecho da festa, o assassino conseguisse embarcar em sua canoa e alcançar a pedra da cruz antes de ser capturado, estava salvo; todavia, se apanhado antes, pagava com a vida o seu crime. Este certamente é um costume curioso, e nos lembra as cidades de refúgio de que nos fala o Velho Testamento.</p>
<p>As únicas fortificações que observei foram dois pequenos fortins de barro, contendo, a imaginar pelo seu tamanho, seis ou oito canhões cada. Estes não pareciam prometer grande segurança, uma vez que uma bala de 68 libras, bem arremessada, lançaria forte, paredes e tudo aos quintos dos infernos. Passávamos exatamente agora sob a sombra do imponente Pão de Açúcar<span id="INCI_RP6V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP6" title="Atualmente morro do Penedo. Era assim chamado pelos portugueses, como a outros morros de mesma configuração e talhe arredondado, numa alusão aos torrões de açúcar para exportação."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> através de um estreito canal, os cutelos da embarcação quase roçando as rochas de cada lado. No minuto seguinte, defrontamos a cidade e o porto, no qual ancoramos em quatro braças. Apesar de haver alguns belos prédios nesta cidade, entre os quais o palácio do governador <span id="INCI_RP7V">(?)</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP7" title="É o palácio Anchieta. A interrogação entre parênteses está no texto original."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> é o mais visível, sua aparência geral é tudo, menos florescente. A maioria das casas é pequena, suja e insignificante, enquanto as construções maiores rapidamente se vão deteriorando.</p>
<p>A meio-caminho rio abaixo fica uma vila, chamada vila velha, na qual os principais artigos aí produzidos, isto é, redes de algodão, são vendidos a preço mais barato que em qualquer outro lugar. A gentileza de um de meus <span id="INCI_RP8V">companheiros</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP8" title="O primeiro-tenente Jonh H. Crang que, juntamente com o capitão Edward Tatham, visitou o convento da Penha em 3 de setembro de 1851 (cf. Norbertino Babiense, op. cit., p. 8."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> me permite dar a seguinte descrição da fábrica, que a indelicadeza do médico me impediu de visitar:</p>
<p>Alguns de nós descemos à vila velha, situada na margem direita do rio, a cerca de uma milha da foz; abaixo do convento e no fundo de uma linda enseada. Há aí muitas fábricas de redes de algodão, e nós entramos em várias casas à sua procura. Um estoque era logo apresentado, com preços variando de seis a oito mil réis. Como o grupo estava ansioso por passear, não pude fazer muitas observações a respeito da fabricação; mas, pelo visto, o processo parecia muito simples. As armações tinham sete pés de comprimento por três de largura; e o material era algodão sul-americano cru, muito resistente.<br />
Tendo finalmente concluído as compras a contento, partimos para o convento que se elevava sobre nós. Da vila, a estrada prosseguia em ziguezague através de uma pequena floresta, e pelos vestígios de calçamento mostrava sinais evidentes de que outrora muito mais cuidado lhe fora dispensado do que agora. A posição do convento é muito conspícua, e como está situado no pináculo de uma alta montanha, dali se vê uma longa extensão da costa de norte a sul. A face da montanha voltada para o rio é quase perpendicular, mas a outra descai suavemente até uma imensa planície coberta de mata, que a sudeste se estende por milhas ao longo da, costa e, a oeste, até encontrar uma cadeia de montes férteis.</p>
<p>O convento em si tinha pouca coisa digna de registro<span id="INCI_RP9V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP9" title="Wilberforce interpelou no texto de Crang, entre parênteses, a seguinte observação: 'Estou envergonhado de você, herético colega, por dar vazão a semelhante sentimento'."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> A capela era pequena, embora possuísse um órgão, e o convento era usado por freiras mestiças, nenhuma das quais foi vista por nós, hereges.</p>
<p>Apesar de meu colega não ter visto nenhuma dessas internas, os grumetes, que desembarcaram sob o comando do mestre de armas, afirmaram que viram algumas delas vestidas do modo mais primitivo. Deve-se lembrar, porém, que esses jovens eram protestantes, e os protestantes nunca conseguem dizer a verdade, mesmo quando não têm motivo para agir de outra maneira. Esses jovens provavelmente aprenderam a mentir desde o berço, e poderiam não saber que todos os santos são virtuosos, ou então poderiam pretender lançar um estigma sobre a santidade de &#8220;Sua Santidade&#8221;.</p>
<p>Quando desembarquei pela primeira vez em Vitória, encontrei-a invadida por um grupo de marinheiros bêbados, cujos rostos facilmente reconheci. Tinha sido concedida folga a nossos homens, e as conseqüências disso podem ser facilmente imaginadas. Alguns estavam vagueando desvairados pela cidade, outros sentavam-se nas esquinas, como lamentadores queixando-se das loucuras e vícios da época, e produzindo surpreendentes textos para suas próprias meditações. Depois de espiar em algumas lojas, e deparar uma lamentável escassez de sólidos de todo tipo, e uma igualmente lamentável abundância de líquidos, partimos para o campo, emergindo das ruas imundas como borboletas de seus casulos, trocando toda a miséria de uma cidade brasileira pelo frescor de um campo brasileiro. A brisa afagava suavemente o prado perfumado e sussurrava musicalmente por entre a floresta, beijando as tranças das árvores, trazendo em suas asas os mais puros deleites. Passamos por uma colina coberta de grama, e seguimos caminho através de uma floresta. Estávamos em tal labirinto de beleza que mal podíamos parar para contemplar as largas folhagens, firmes e rígidas como espadas, as partes inferiores tingidas do mais delicado vermelho, que se erguiam a cada lado da trilha. Além desse bosque, Paramos em uma campina, no cume de um monte, e observamos então o rio, serpenteando em curvas graciosas pelo vale, as marolas incontáveis refletindo os raios do sol, enquanto casas agrupavam-se ao longo das margens, destacadas por arbustos verdejantes em viçosa exuberância.</p>
<p>
Tais coisas enchem o coração de silêncio<br />
profundo, porque, supõe-se, seja esse o seu papel<span id="INCI_RP10V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP10" title="Não foi possível localizar o autor desses versos, em inglês no original."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a></p>
<p>
Nessa campina havia uma casa, onde paramos para conseguir algo de beber. Uma mulher, um menino e um cachorro eram os únicos moradores. Este último, depois de latir e me morder, desapareceu pelos fundos; os dois primeiros foram mais corteses. O garoto apanhou para nós um coco de um coqueiro perto da casa, derrubando-o com uma vara comprida. Ao pé da árvore havia uma pedra, na qual se refletia minuciosa e cuidadosamente o delicado rendilhado das folhas do coqueiro. Em outra pedra, várias espigas de milho estavam secando ao sol. A palha das espigas é usada pelos brasileiros para o preparo de cigarros, sendo o tabaco enrolado nela tal como se faz na Turquia com finas folhas de papel.</p>
<p>Tendo apreciado suficientemente o interior, estávamos melhor preparados para explorar a cidade. Fomos até a residência do governador, e encontramos aquele autêntico potentado, um pequeno e robusto cavalheiro, vestindo casaco azul com botões de latão. Caminhamos pela praça coberta de capim, que tinha evidentemente produzido sementes, e visitamos algumas lojas em busca de redes e renda brasileira. Consegui adquirir uma rede certamente menor e mais cara do que teria sido na fábrica, mas nem por isso de se desprezar.</p>
<p>Contavam-se histórias a respeito dessas rendas. Um tenente comprara algumas de finíssima qualidade, que se comprazia em considerar uma pechincha, e que agradariam uma certa pessoa na Inglaterra. Se a referida pessoa fosse tão perita em renda como era de se esperar de alguém do belo sexo, logo perceberia que o artigo brasileiro havia sido feito na Inglaterra, e exportado para os Brasis. Ela então perguntaria o preço, e informaria a seu viajado amigo que a mesma renda poderia ser comprada no estabelecimento dos Senhores Bobbins por um quarto do que fora pago por ela no Espírito Santo. Às vezes aprendemos mais em casa sobre os lugares que visitamos do que nos próprios lugares, com os olhos bem abertos e os ouvidos bem atentos. Achamos a renda brasileira extremamente grosseira, e de boa qualidade só a que vinha da Inglaterra. Os vendedores, não tendo motivos para ocultar esses pormenores informavam-nos francamente a sua procedência.</p>
<p>Pode parecer curioso para uma nação de comerciantes, mas o fato é que os brasileiros têm certa aversão ao trabalho de vender. Nenhum John Gilpin brasileiro teria apeado de seu cavalo à vista de dois fregueses. Na Inglaterra, se alguém perguntar por alguma coisa que o vendedor não tenha em estoque, este insistirá em vender outra coisa que considere um substituto à altura. No Brasil, se alguém perguntar por alguma coisa que o vendedor tenha em estoque, este insistirá em que o freguês peça outra coisa de que ele não disponha, para poupar-se o trabalho de atendê-lo.</p>
<p>Graças a alguns meninos maltrapilhos, cujos corações foram abertos com o presente de um vintém cada, conseguimos algumas galinhas e ovos, retomando a bordo, onde encontramos um grupo de convidados reunidos. Um acontecimento tão elegante não poderia prescindir o seu <span id="INCI_RP11V"><i>vates sacer</i></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP11" title="Poeta sagrado, ou eleito pelos deuses. Em latim no original."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>, que adequadamente, assinando-se &#8220;nosso correspondente&#8221;, fez o seguinte relato da cerimônia, que apareceu em algum jornal.</p>
<p>
<b>FESTIVIDADFS NO ESPÍRITO SANTO</b><span id="INCI_RP12V"></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP12" title="Trata-se de um texto de autoria de um capixaba anônimo e publicado em jornal do Rio (como o atesta a indicação 'de nosso correspondente'), cuja tradução Wilberforce incluiu em seu relato."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a><br />
(de nosso correspondente)</p>
<p>
Ontem um grupo, consistindo de alguns membros da elite desta cidade, foi a bordo do vapor de guerra inglês, a convite do capitão. Depois de compartilhar uma refeição, servida com grande esplendor no camarote do nobre milorde, o grupo passou ao convés superior, onde um toldo decorado com bandeiras cobria suas cabeças. A música começou a tocar, e os convidados entregaram-se à nobre diversão da dança. O galante capitão instou um dos jovens oficiais do navio a tomar parte da dança, tomando a mão de uma jovem; mas este convite o indelicado oficial recusou, desculpando-se polidamente, e sem empregar a exclamação nacional inglesa. Evidentemente os britânicos assumiram seus melhores modos para nos recepcionar a bordo, pois nem sequer uma vez durante minha visita escutei a praga nacional <i>God dam</i>! É de uso tão freqüente que um erudito inglês publicou um livro mostrando que ela é proferida a cada cinco minutos por todo homem, mulher ou criança da Grã-Bretanha. Isso é certamente espantoso. Observei um grupo de aspirantes em pé, afastados dos que dançavam, conversando com um pequeno pajem moreno, cujo traje era elegante, consistindo em um chapéu lustroso com uma fita dourada, jaqueta azul com botões amarelos e um par de botas de cano alto. Uma senhora idosa era observada com especial atenção por esses aspirantes, e percebi que circulavam alguns rumores a respeito de sua idade, alguns assegurando que ela tinha trinta e dois anos, outros, apenas dezoito. Por informação de determinada pessoa, fui capaz de confirmar que esta conjectura estava correta; mas como nossas mulheres envelhecem quando ainda muito novas, comparativamente falando, e essa senhora tinha um filho de quatro anos, e um outro de idade mais tenra, a primeira opinião não deveria ser considerada infundada.</p>
<p>Terminada a dança, os marinheiros no castelo de proa entretiveram os visitantes com algumas canções, uma das quais era o pedido de um negro a uma moça chamada Susana para que não chorasse por ele, pois estava vindo vê-Ia, causando efeito impressionante, já que todos os marinheiros cantavam o refrão em coro<span id="INCI_RP13V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP13" title="Canção folclórica norte-americana."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> O cantor principal teve uma vida extraordinária, tendo até se apresentado uma vez no palco. Em minha próxima carta, pretendo iniciar uma biografia desse homem notável.</p>
<p>Retornando os convidados à terra, o cordial e alegre capitão ordenou que luzes azuis fossem acesas e rojões disparados, para iluminar o retorno deles. Os fogos de artifício clareavam os prédios próximos à beira-mar, e iluminavam os moradores atônitos, que se juntavam nas ruas, boquiabertos e maravilhados. Quando subi atrás da carruagem de minha esposa, não pude deixar de lançar um olhar de despedida ao navio, em prejuízo de minhas meias de seda, que foram salpicadas de lama.</p>
<p>Hoje o vapor brasileiro Maria chegou aqui, e esteve ocupado carregando madeira, geralmente usada por vapores brasileiros em lugar de carvão, que ficaria muito caro. Não eram boas as relações entre o capitão e o governador do Espírito Santo, o que explica a ausência do governador em nossas festividades.</p>
<p>Na manhã seguinte, desembarquei cedo com alguns de meus companheiros para uma excursão rio acima. Eram então cerca de cinco da manhã, e chovia intensamente.</p>
<p>Enquanto os outros foram procurar uma canoa, subi, com uma arma e uma cesta de provisões, até uma casa em ruínas, ficando com um cômodo só para mim. O resto da casa parecia fechado e abandonado; o quarto que eu ocupava estava aberto de um lado por falta de parede e tinha vários buracos no chão. A chuva, entretanto, não penetrava. Vi meus colegas vagueando desconsoladamente pelas ruas, que brilhavam com a chuva, e logo um brasileiro veio preparar uma canoa, onde nos alojamos com as provisões, quando o tempo melhorou um pouco. Partimos então rio acima, cinco pessoas com quatro remos. O brasileiro tomou lugar na popa como piloto, e desviou a canoa uma milha de seu rumo, dirigindo-se ao lado oposto de uma ilha, de modo que pudesse nos conduzir a uma venda onde esperava passar bem. Quando a canoa se aproximou da pequena casa branca à margem de um córrego, ele apontou para ela e exclamou: &#8220;<i>Bono venda la!</i><span id="INCI_RP14V">&#8220;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP14" title="Como no original.Como no original."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a> Atentos às suas artimanhas, recusamo-nos a saltar. <i>Excelsior</i>!<span id="INCI_RP15V"></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP15" title="Para o alto! Em latim no original."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a> foi nosso grito. A canoa prosseguiu deslizando rio acima, os ocupantes levantando-se e remando valentemente. Em nossa ânsia por segurança e firmeza, havíamos conseguido uma canoa pesada e não podíamos impeli-Ia tão rápido como desejávamos. Isso, entretanto, não era uma falta grave, pois uma canoa mais leve teria provavelmente virado, provocando a perda de nossas armas e outros valores. Finalmente, colhidos por um aguaceiro, seguimos para a margem e nos refugiamos em uma cabana, colocando a cesta de provisões num depósito contíguo.</p>
<p>Como nosso desjejum fora de carne fria, começamos a preparar um rápido almoço de presunto e ovos. O dono da cabana foi indenizado de qualquer incômodo com um copo de rum, que engoliu com uma expressão de divertido êxtase, pulando e assobiando de alegria. O fogo na cabana era muito forte, e a fumaça penetrava-nos nos olhos, picando como miríades de mosquitos. Em tais circunstâncias, não pudemos lograr nenhuma excelência culinária; mas há sempre algo de mais especial no que se prepara do que nas mais finas iguarias de um <i>cordon bleu</i><span id="INCI_RP16V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP16" title="Cozinheiro exímio. Em francês no original."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a> Não que esse prazer pudesse durar sempre; mas a mesma inspiração que preside ao primeiro poema preside também ao primeiro prato que se prepara. Tínhamos terminado nossa refeição e a chuva cessara, quando se aproximaram alguns senhores mais respeitáveis, que andavam ocupados na construção de uma casa na praia. Todos usavam facões nos cintos, e haviam talvez feito uso deles para propósitos menos inocentes que cortar madeira. As árvores e trilhas estavam ainda cintilando com a chuva, e pérolas espalhavam-se abundantes sobre cada arbusto. Dois de nosso grupo seguiram por uma trilha com o propósito de caçar, mas logo retornaram, de modo que embarcamos e seguimos corrente acima. Enquanto avançávamos, íamos atirando nos pássaros que nos apareciam; para caçar um fugitivo de plumas, metíamo-nos por algum córrego de água estagnada, com arbustos baixos crescendo na lama fértil, ou então descíamos nas margens pedregosas para atirar num bem-te-vi que nos fugia de galho em galho.</p>
<p>Desembarcamos logo depois em outra ilha, e subimos até uma casa grande, que encontramos habitada por negros, de quem compramos ovos e bananas. Muitas galinhas perambulavam por ali, mas não estavam à venda, pois não se encontrou o dono. Os ovos e as bananas foram colocados em nossa frigideira com um pouco de presunto, e acendendo-se o fogo, o cômodo logo se encheu de fumaça. De repente, o vento marinho irrompeu quarto adentro, batendo as janelas umas contra as outras, saindo com fúria por um lado para entrar de novo pelo outro. A fumaça, desnorteada e incapaz de sair pela janela, impedida pelos batentes, retornava ao quarto, refugiando-se em nossos olhos. As árvores envergavam e agitavam-se sob a rajada de vento, e o rio arrebentava furiosamente contra as pedras abaixo da casa. Em meio a essa ventania, tendo deixado nossa canoa em segurança, prosseguimos calmamente o jantar. O piloto nos informou, com a boca cheia, que aqueles negros eram &#8220;contrabanda<span id="INCI_RP17V">&#8220;,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP17" title="Como no original."><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a> em que sentido ele não explicou.</p>
<p>Quando descíamos para a praia para o reembarque, uma grande canoa passou a todo pano, correndo rio acima com incrível velocidade. Com o vento e a maré contra nós, e ambos muito fortes, não pudemos seguir rio abaixo, mas fizemos um desvio para a margem oposta, a canoa jogando sobre as ondas como um navio de três conveses na baía de Biscaia. Ao alcançarmos o outro lado, encontramo-nos entre mangues, com árvores cobertas de ostras, largadas ali pela maré. Ali percebemos de relance alguns cisnes, mas muito arredios para permitir aproximação.</p>
<p>Perseguimos outra canoa que estava entrando no córrego e, chegando perto, os ocupantes ficaram tão assustados com nossa aproximação que encalharam. A água aqui era escura e barrenta, e os galhos compridos das <span id="INCI_RP18V">siriúbas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP18" title="Siriúba (Avicennia nitida) e mangue (Rhizophora mangles), duas árvores tropicais típicas da vegetação dos mangues, ambas frequentemente traduzidas pelo vocábulo mangrove, usado pelo autor no original."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a> se juntavam sobre nossas cabeças num arco triunfante. Metemo-nos por um córrego e abicamos a canoa numa praia onde algumas pranchas nos livraram de um abismo de lama negra. Subindo um morro, chegamos a uma fábrica, donde se avistava a cidade e o rio sinuoso . Ali foram abatidas algumas viúvas<span id="INCI_RP19V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP19" title="Ave passeriforme de cor negra (Pipraeidae m. melanonota)."><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a> e também um pequeno bem-te-vi, marrom e de modesta aparência, mas possuidor de variegado topete de plumas vermelhas e amarelas, que podia eriçar à vontade. Quando o sol brilhava sobre ele, e seu topete cintilava e dançava na luz, esquecia-se seu corpo marrom e feio, e dava-se a ele justa admiração. As viúvas atraíram a atenção de nossos caçadores de uma longa distância devido à sua lustrosa plumagem negra, possuindo em algum grau o mesmo poder de fascinação de suas homônimas da raça humana.</p>
<p>Um ou dois dias depois, partimos da cidade do Espírito Santo. Uma ressaca estava começando, e as pequenas ilhas cuja paisagem comentei tão poeticamente ao chegarmos, ficavam visíveis agora só por um instante, quando o mar recuava ou quando as ondas quebravam sobre elas. Um pequeno navio costeiro estava ancorado a meio caminho rio abaixo, jogando muito, enquanto seu convés era uma cena de verdadeira confusão de mercadorias.</p>
<p>Uma vez fora do rio, desembarcamos e pagamos ao piloto, navegando então para sudoeste. As autoridades do Espírito Santo parecem ser contrárias ao tráfico de escravos. Fora da cidade estavam parados dois navios, recentemente capturados com escravos a bordo. Um deles era um barco de <span id="INCI_RP20V">Cabinda</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP20" title="Atual Angola, região de origem de boa parte dos escravos brasileiros."><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a> improvisado, cuja capacidade certamente não excedia a trinta toneladas, mas que havia trazido em seu porão cento e oitenta escravos da costa da África!</p>
<p>
<span id="INCI_RP21V"><b>CAPÍTULO II</b></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP21" title="É o capítulo XVI do texto original."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a></p>
<p>
<span style="font-size: x-small;">Guarapari. Mulheres do campo. Nec vox hominem sonat. A cana. Benevente. Linha da costa. Piúma. Itabapoama. Itapemirim. Assassinato.</span><br />
<span style="font-size: x-small;"><br /></span><br />
<br />
Entre Espírito Santo e Rio de Janeiro, Guarapari é a vila de maior importância. Está situada às margens de um rio que desemboca numa baía, e o mesmo nome designa baía, rio e cidade. A ancoragem ali é difícil, devido à ressaca permanente, que sempre começa e nunca termina. Essa vila era famosa até recentemente devido ao patrocínio que dava ao tráfico de escravos. Os barcos do Harpy conseguiram apresar um navio negreiro rio acima, a despeito da vigorosa resistência dos cidadãos e da tripulação do navio. Nenhuma parte da vila é visível da baía, e mesmo próximo à foz do rio apenas algumas poucas cabanas aparecem. Sinais de decadência mostram-se por todos os lados. A igreja e o convento erguem-se sobre um alto promontório à entrada do rio, e estão ambos muito dilapidados. O convento especialmente está coberto de ervas daninhas e arbustos, que alcançam grande altura dentro de suas paredes. Não há flores aí, atualmente. Ao lado desses dois edifícios ergue-se uma altíssima palmeira que, sendo a única no promontório, é visível a longa distância, servindo para indicar a posição de Guarapari a navios com destino àquele porto.</p>
<p>Tão logo se cruza a barra do rio, na qual a profundidade é de cerca de três braças, descortina-se subitamente a vila, no lado leste ou na direção do mar, e o porto com um estaleiro, onde pequenos barcos costeiros estão geralmente em fase de construção. O rio, que não tem mais de trezentos pés de largura, estende-se ao sul, paralelamente à costa, e a povoação está situada no istmo entre o rio e o mar.</p>
<p>Em nossa primeira visita a Guarapari, uma canoa comprida e estreita, manejada por dois remadores, veio em nossa direção por sobre os vagalhões. As canoas nessas regiões são muito mais estreitas e compridas do que as de Ilha Grande, sendo sua proa mais pontuda, enquanto a proa das canoas do sul é larga e plana. Quando essa canoa veio encostando, os homens tiveram muita dificuldade em mantê-la a salvo junto à escada, enquanto o navio estava em movimento. Gritos e berros vinham da popa para a proa, e retornavam com juros da proa para a popa.</p>
<p>
<i>Pueri nautis, pueris convitia nauta</i><br />
<span id="INCI_RP22V"><i>Ingerere.</i></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP22" title="Os meninos lançavam impropérios aos marinheiros, os marinheiros aos meninos. Não foi possível identificar o autor latino."><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a></p>
<p>
Amarrado firmemente o barco, um homem subiu com duas caixas de ovos e algumas pobres galinhas subnutridas. Foram comprados imediatamente, mas depois que a canoa retornou à praia os ovos revelaram-se todos podres e velhos, duas qualidades quase sinônimas. Não posso culpar o homem por nos vender tais coisas. Ele deve ter sido informado de que na Inglaterra só honramos o que é velho e inútil.</p>
<p>Mais tarde naquele dia, quando alguns oficiais desembarcaram, depararam com esse homem, que imediatamente fugiu, com todos os terrores de uma consciência pesada, acreditando sem dúvida que uma delegação do navio viera prendê-lo, a fim de enforcá-lo, sendo a forca na Inglaterra a punição mais comum para qualquer crime.</p>
<p>Em nossa visita seguinte a Guarapari, continuamos a explorar as curiosidades do lugar sozinhos<span id="INCI_RP23V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP23" title="É de suspeitar que Wilberforce estivesse sozinho nessa ocasião, narrando suas aventuras em plural majestático."><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a> já que o único cicerone, o presidente da Câmara, estava atendendo ao capitão. Numa pequena rua secundária, chegamos diante de uma porta aberta sobre a qual não havia nenhuma tabuleta pendurada para avisar-nos de que a entrada era proibida exceto a negócios. Espiamos lá dentro, o que era muito natural de nossa parte. Se as pessoas deixam as portas abertas, o que podem esperar? Não vimos nada além de algumas crianças brincando no chão, e uma magnífica rede pendurada do teto, desocupada. Afastamo-nos imediatamente, mas não sem atrair sobre nós as mais terríveis conseqüências.</p>
<p>Quando saíamos do recinto, encontramos uma velha que começou a matraquear contra nós tão implacavelmente como se fosse dotada do fôlego de trinta perus. Felizmente ela era parcialmente humana, não totalmente diabólica, e o pouco de humanidade que tinha transparecia na falta de ar depois de longo palavrório. Mas tão logo se calou, seu discurso foi retomado por um velho que parecia digno de ser seu marido, e a quem não desejo destino pior do que esse. Em tal discurso, porém, só eles é que falavam e só nós que ouvíamos, o que era a parte mais difícil. O marido seguiu o mesmo estilo da esposa, mas logo mostrou a inferioridade natural do homem em relação à mulher. Antes que tivesse terminado, ela começou de novo, puxando um coro de mulheres de várias idades, as vozes variando em cadência desde o grito estridente das jovens até o berro rascante das velhas. Inconscientes de nosso crime, batemos em retirada, com o coro atrás, mantendo sempre a cantoria melodiosa. Por último veio um homem ofegante que se pôs a dar pulos frenéticos e socos em nossa direção, praguejando e gritando feito um louco. Naturalmente, nosso único recurso foi praguejar e gritar em resposta, o que fizemos com toda honra até o inimigo se retirar.</p>
<p>Em seguida travamos conhecimento com um personagem sorridente e gracioso, que nos acenou para chegarmos à sua casa. Foi muito cordial conosco e falava com amável franqueza; contudo, seu rosto parecia insincero e assemelhava-se exatamente ao de Simon Renard, nas ilustrações da Torre de Londres feitas por G.C<span id="INCI_RP24V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP24" title="Provavelmente George Cruikshank (1792-1878), famoso caricaturista inglês."><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a> Mas essa insinceridade se explica facilmente pela referência ao seu cargo. Ele era, na verdade, o mestre-escola, um daqueles ilustres cavalheiros de quem freqüentemente ouvimos falar — os mestres-escola do estrangeiro. Mostrou-nos todos os seus instrumentos de ensino, a <span id="INCI_RP25V">tabuada</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP25" title="Termo obscuro. Poderia referir-se também ao quadro-negro."><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a> e a palmatória, execrável instrumento do qual nem o Brasil está livre. Os brasileiros, portanto, podem alegar afinidade com o resto do mundo, citando o verso de Juvenal, que deveria funcionar como um sinal de maçonaria e unir num laço indissolúvel todos aqueles que pudessem afirmar</p>
<p>
<i>Et nos ergo manum ferulae subduximus</i><span id="INCI_RP26V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP26" title="E nós que subtraímos a mão à palmatória."><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a></p>
<p>
O mestre-escola falava um pouco de inglês e tinha um dicionário de inglês-português e uma gramática, que nos mostrou e que lhe serviram de ajuda para traduzir algumas frases. Lendo uma frase literalmente, com o sentido de &#8220;Minha esposa está aqui&#8221;, ele traduziu desta maneira: &#8220;<i>May wumman ees he-ar</i><span id="INCI_RP27V">&#8220;.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP27" title="Transcrição fonética da pronúncia do mestre-escola. A tradução literal é 'Minha mulher está aqui'."><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a></p>
<p>Numa loja que tinha persianas de cana e vime servindo de janelas, eu estava comprando algumas laranjas quando entrou uma velha querendo aguardente. Suponho que ela tivesse por volta de quarenta anos, contudo seu rosto era o mais enrugado e medonho que já vira. Uma mulher de oitenta anos na Inglaterra seria bonita em comparação com essa bruxa. Mas o clima tropical, que desenvolve as mulheres aos quatorze anos, as faz envelhecer muito prematuramente.</p>
<p>Em outra loja havia um carola mal-encarado, parecido com um pregador, ou com o imortal Mr. Stiggins dos Documentos de Mr. Pickwick, do saudoso Mr. Boz<span id="INCI_RP28V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP28" title="Pseudônimo de Charles Dickens (1812-1870), autor do livro citado. De estranhar o adjetivo empregado por Wilberforce (no original, late lamented), visto que, nessa época, Dickens ainda estava vivo."><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a> que vigiava a linda esposa enquanto ela cuidava dos negócios da venda. Comprei um peru, e outros perus foram comprados em outras lojas. Estavam todos tão calados que concluímos, recordando a aventura da manhã, que os perus de Guarapari haviam transferido suas vozes às mulheres dessa vila, recebendo a beleza delas em troca.</p>
<p>Prosseguiremos agora fornecendo uma descrição de outras partes notáveis dessa costa no estilo guia de viagem.</p>
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<b>Benevente</b><br />
<b><br /></b><br />
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<b><br /></b><br />
A baía de <span id="INCI_RP29V">Benevente</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP29" title="Atual cidade de Anchieta."><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a> é larga, rasa e aberta. Navios de mais de dez pés de calado não podem chegar a uma milha da praia, mas podem ancorar a alguma distância fora dela, em quatro braças e meia, orientando-se pela última quarta lessueste e pela casa mais visível do lugar, norte por nordeste.</p>
<p>A povoação está situada no lado direito da foz de um rio que deságua no mar. Fica, em sua maior parte, em terreno baixo, com exceção da igreja e de um prédio junto a ela, que aparentemente foi um mosteiro, apesar da parte mais baixa estar agora transformada em prisão. Ficando a outra parte da vila quase no mesmo nível do rio, as ruas, que antes devem ter sido parcialmente calçadas, são hoje uma sucessão de poças de algo que deve ter sido água um dia. As casas estão, em grande número, em triste estado de decadência, sendo algumas restos de belos edifícios, com cortinas, persianas e entalhes de madeira.</p>
<p>Vários pequenos navios estão no estaleiro, e muitos barcos costeiros comerciam os produtos das fazendas situadas rio acima. O suprimento é abundante e de fácil obtenção; mas como é trazido do interior, é preciso uma antecedência mínima de um dia no pedido. O rio é navegável por canoa até duas milhas além da vila, encontrando-se boa caça em suas margens. No ponto extremo da baía existe um recife chamado Ponta do Cormorant, por ter o vapor <span id="INCI_RP30V"><i>Cormorant</i><span id="INCI_RP30V"></span><a href="https://www.blogger.com/null" span=""></a><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP30" title="Com esse mesmo cruzador inglês, também ocupado na repressão ao tráfico de escravos na costa brasileira, deu-se incidente na baía de Paranaguá, em julho de 1850, conforme relata Helio Vianna em sua História do Brasil (Melhoramentos, São Paulo, 9 ed., 1972): 'Tendo este navio aí realizado o apresamento de uma galera e dois brigues, foi hostilizado com tiros partidos da Fortaleza da Barra, disso resultando a morte de um tripulante e ferimentos em dois'. (p. 151 da segunda parte)."><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a> encalhado ali.</p>
<p>O relevo da costa entre o cabo São Tomé e Guarapari é baixo; mas quarenta milhas para o interior se ergue uma cadeia de montanhas de talhe o mais rebuscado. Entre esses montes e a costa há extensas florestas de madeira de boa qualidade, principalmente pau-rosa<span id="INCI_RP31V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP31" title="Aniba rosaeodora. Árvore que contém um óleo composto fundamentalmente de linalol, de grande emprego em perfumaria."><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a> habitadas por índios vivendo em estado de barbárie. Diz-se que eles ocasionalmente se casam com colonos e que em certas estações do ano visitam as fazendas a fim de trabalhar, sendo pagos sobretudo com cachaça, bebida alcoólica local, semelhante à <i>aqua ardente</i>. Poderíamos deduzir, entretanto, que esses selvagens nem sempre visitam a civilização com tão amistosos motivos, mas são freqüentemente seduzidos pela esperança de saque. Os habitantes do litoral vivem principalmente da pesca, e quando nossos navios de guerra navegavam nessas águas para reprimir o tráfico de escravos, as pessoas entravam em aflição, impedidas de fazer-se ao mar em suas canoas devido à proximidade dos navios. Laranjas e bananas, entretanto, são encontradas aí em abundância, e com elas os brasileiros conseguem sobreviver, à falta de outro alimento.</p>
<p><b><br /></b><br />
<b>Piúma</b></p>
<p>
Trata-se de um vilarejo próximo a Benevente, às margens de pequeno rio, e notável pela farta produção de pau-rosa, que pode ser adquirido a baixo custo.</p>
<p>Em frente à foz do rio de Piúma encontra-se a pequena ilha dos Franceses<span id="INCI_RP32V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP32" title="Franceza, no original."><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a> a leste da qual se estende uma linha de recifes rochosos, que servem de abrigo às embarcações. Aí se pode obter areia, tendo os navios de guerra descoberto que é um lugar propício para treinamento de tiro ao alvo com seus canhões. Outro bom ancoradouro fica ao largo dos Três Rochedos Vermelhos, que formam uma visível interrupção na cor parda que predomina à direita e à esquerda. Ao pé desses rochedos, no fundo da praia arenosa, há uma pequena floresta, discernindo-se cabanas entre as árvores. Há também um baixio com duas braças e meia na parte mais rasa em frente a esses rochedos, cujas orientações são as seguintes:</p>
<p>Grande Casa Branca no topo dos Rochedos Vermelhos, sudoeste por oeste quatro milhas.</p>
<p>Dois montes impressionantes (representados no diário de bordo por um rabisco indeciso, com um borrão em cada ponta), noroeste por norte.</p>
<p>
<b>Itabapoana</b></p>
<p>
Vila também às margens de um rio, com uma casa grande perto da barra. O ancoradouro está em latitude 21° 23&#8242; sul e longitude 40° 51&#8242; oeste. Posições, casa grande sudoeste, por sul duas milhas. Recifes a sueste por leste duas milhas.</p>
<p>Ponta dos Rochedos Vermelhos nordeste por norte. Os baixios ficam a cerca de seis milhas a oeste da casa grande. Dentro desse rio estava uma escuna de velas latinas. Ela havia desembarcado cento e sessenta escravos na véspera e foi apreendida imediatamente pelas autoridades governamentais, que ocupam a casa grande da barra. Era pouco maior que muitos navios negreiros, em proporção ao número de escravos que transportava.</p>
<p>
<b>Itapemirim</b><br />
<b><br /></b><br />
<br />
Vila de certo tamanho, situada uma milha ou duas rio acima. É notável sobretudo devido ao seu estágio de civilização, que mostra que a simplicidade de um refúgio rural nem sempre assegura paz e boa-vontade. Enquanto passeávamos com o presidente da Câmara, o capitão viu uma casa inacabada. Imediatamente parou para examiná-la com um sobressalto melodramático. Ela parecia sombria e desolada, como se cada tijolo soubesse do crime que retardara seu progresso, e que nem todas as lamentações e uivos angustiados de um vento forte em sua chaminé poderiam jamais revelar. Havia algo de sinistro e terrível na mera contemplação de suas obras inacabadas. O vento soprava suavemente? Era somente por comiseração pelo infeliz construtor; era apenas um lamento plangente pelo seu súbito, fim. O vento estava silencioso? Ele ainda parecia remoer serenamente aquele lugar e embalar-se naquele monte de argamassa que se deteriorava a um canto. A tempestade caía, o relâmpago brilhava; o trovão bramia, a chuva despejava suas grossas gotas? Tudo isso caía sobre a casa por motivos que nenhum mortal pode descrever. As desoladas súplicas de seus tijolos mudos, os gemidos e assobios da chaminé, tudo mostrava que ali se fizera algo que poderia ferir os ouvidos e sufocar a fala.</p>
<p>Por que a casa estava inacabada? Ah, sim! — disse serenamente o presidente da Câmara — ela pertence a um homem que foi apunhalado outro dia.</p>
<p>— Apunhalado! Por que razão?</p>
<p>— Realmente não sei; nada pessoal, eu acho. Uma simples provocação, ou coisa assim. Há indivíduos terríveis por aqui; sem exceção, os mais sanguinários que já vi.</p>
<p>Depois de tal exemplo, o depoimento do presidente da Câmara não era difícil de acreditar.</p>
<p>_____________________________<br />
</span></p>
<h4>
<span id="INCI_RP30V"><br />
<span style="font-size: 90%;"><br />
NOTAS</span></span></h4>
<p><span id="INCI_RP30V"><br />
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<div id="INCI_RP1">
<span id="INCI_RP30V"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;É o prefácio geral da obra.</span></div>
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<div id="INCI_RP2">
<span id="INCI_RP30V"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;É o capítulo XV do texto original.</span></div>
<p><span id="INCI_RP30V"><br />
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<div id="INCI_RP3">
<span id="INCI_RP30V"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Trata-se do convento da Penha.</span></div>
<p><span id="INCI_RP30V"><br />
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<div id="INCI_RP4">
<span id="INCI_RP30V"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;À maneira dos antigos. Em latim no original.</span></div>
<p><span id="INCI_RP30V"><br />
</span></p>
<div id="INCI_RP5">
<span id="INCI_RP30V"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Essa é a tradução que Taunay fez dos versos de Wilberforce, incluindo-os em seu ensaio &#8220;Impressões de Vitória e seus arredores&#8221;, publicado no<i> Jornal do Comércio</i>, em 1945. (Apud Norbertino Bahiense, <i>O convento da Penha</i>, Vitória, 1 95 I.).</span></div>
<p><span id="INCI_RP30V"></p>
<div id="INCI_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Atualmente morro do Penedo. Era assim chamado pelos portugueses, como a outros morros de mesma configuração e talhe arredondado, numa alusão aos torrões de açúcar para exportação.</div>
<div id="INCI_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;É o palácio Anchieta. A interrogação entre parênteses está no texto original.</div>
<div id="INCI_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;O primeiro-tenente Jonh H. Crang que, juntamente com o capitão Edward Tatham, visitou o convento da Penha em 3 de setembro de 1851 (cf. Norbertino Babiense, op. cit., p. 8.</div>
<div id="INCI_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Wilberforce interpelou no texto de Crang, entre parênteses, a seguinte observação: &#8220;Estou envergonhado de você, herético colega, por dar vazão a semelhante sentimento&#8221;.</div>
<div id="INCI_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Não foi possível localizar o autor desses versos, em inglês no original.</div>
<div id="INCI_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Poeta sagrado, ou eleito pelos deuses. Em latim no original.</div>
<div id="INCI_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Trata-se de um texto de autoria de um capixaba anônimo e publicado em jornal do Rio (como o atesta a indicação &#8220;de nosso correspondente&#8221;), cuja tradução Wilberforce incluiu em seu relato.</div>
<div id="INCI_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;Canção folclórica norte-americana.</div>
<div id="INCI_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;Como no original.</div>
<div id="INCI_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp;Para o alto! Em latim no original.</div>
<div id="INCI_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;ozinheiro exímio. Em francês no original.</div>
<div id="INCI_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;Como no original.</div>
<div id="INCI_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp;Siriúba (<i>Avicennia nitida</i>) e mangue (<i>Rhizophora mangles</i>), duas árvores tropicais típicas da vegetação dos mangues, ambas frequentemente traduzidas pelo vocábulo mangrove, usado pelo autor no original.</div>
<div id="INCI_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp;Ave passeriforme de cor negra (<i>Pipraeidae m. melanonota</i>).</div>
<div id="INCI_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&nbsp;Atual Angola, região de origem de boa parte dos escravos brasileiros.</div>
<div id="INCI_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp;É o capítulo XVI do texto original.</div>
<div id="INCI_RP22">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP22V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a>&nbsp;Os meninos lançavam impropérios aos marinheiros, os marinheiros aos meninos. Não foi possível identificar o autor latino.</div>
<div id="INCI_RP23">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP23V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a>&nbsp;É de suspeitar que Wilberforce estivesse sozinho nessa ocasião, narrando suas aventuras em plural majestático.</div>
<div id="INCI_RP24">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP24V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a>&nbsp;Provavelmente George Cruikshank (1792-1878), famoso caricaturista inglês.</div>
<div id="INCI_RP25">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP25V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a>&nbsp;Termo obscuro. Poderia referir-se também ao quadro-negro.</div>
<div id="INCI_RP26">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP26V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a>&nbsp;E nós que subtraímos a mão à palmatória.</div>
<div id="INCI_RP27">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP27V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a>&nbsp;Transcrição fonética da pronúncia do mestre-escola. A tradução literal é &#8220;Minha mulher está aqui&#8221;.</div>
<div id="INCI_RP28">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP28V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a>&nbsp;Pseudônimo de Charles Dickens (1812-1870), autor do livro citado. De estranhar o adjetivo empregado por Wilberforce (no original, <i>late lamented</i>), visto que, nessa época, Dickens ainda estava vivo.</div>
<div id="INCI_RP29">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP29V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a>&nbsp;Atual cidade de Anchieta.</div>
<div id="INCI_RP30">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP30V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a>&nbsp;Com esse mesmo cruzador inglês, também ocupado na repressão ao tráfico de escravos na costa brasileira, deu-se incidente na baía de Paranaguá, em julho de 1850, conforme relata Helio Vianna em sua <i>História do Brasil </i>(Melhoramentos, São Paulo, 9 ed., 1972): &#8220;Tendo este navio aí realizado o apresamento de uma galera e dois brigues, foi hostilizado com tiros partidos da Fortaleza da Barra, disso resultando a morte de um tripulante e ferimentos em dois&#8221;. (p. 151 da segunda parte).</div>
<div id="INCI_RP31">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP31V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a>&nbsp;<i>Aniba rosaeodora</i>. Árvore que contém um óleo composto fundamentalmente de linalol, de grande emprego em perfumaria.</div>
<div id="INCI_RP32">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/ingleses-na-costa-impressoes-de-um/#INCI_RP32V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a>&nbsp;<i>Franceza</i>, no original.</div>
<p>[WILBERFORCE, Edward.&nbsp;<i>Ingleses na costa – Impressões de um aspirante de marinha sobre o Espírito Santo em 1851</i>. (Tradução de Eliziane Andrade Paiva) Vitória: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo; Academia Espírito-santense de Letras, Cultural-ES; 1989. 37p.]<br />
</span></p>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<div>
<span id="INCI_RP30V"><br /></span><br />
</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Edward Wilberforce</b>, integrante da oficialidade da corveta de guerra&nbsp;<i>Geyser</i>&nbsp;que esteve no Espírito Santo na primavera de 1851 sob o comando do capitão de fragata Edward Tatham, em missão repressiva ao contrabando de africanos.</p></blockquote>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Luiz Guilherme Santos Neves&nbsp;</b>(autor) nasceu em Vitória, ES, em 24 de setembro de 1933, é filho de Guilherme Santos Neves e Marília de Almeida Neves. Professor, historiador, escritor, folclorista, membro do Instituto Histórico e da Cultural Espírito Santo, é também autor de várias obras de ficção, além de obras didáticas e paradidáticas sobre a História do Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/luiz-guilherme-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)&nbsp;</p></blockquote>
<p></div>
<p><span id="INCI_RP30V"><br />
</span></p>
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