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	<title>Arquivos Francisco Antunes de Siqueira (Pe.) &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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	<title>Arquivos Francisco Antunes de Siqueira (Pe.) &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Oct 2016 19:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fernando Achiamé]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autor: Padre Francisco Antunes de Siqueira&#160; Edição de texto, estudo e notas: Fernando Achiamé &#160; Introdução O culpado pela elaboração deste trabalho é Reinaldo Santos Neves. Há mais de dez anos me entregou uma transcrição de artigos publicados de forma anônima no jornal A Província do Espírito Santo em 1885. Pediu que fizesse um breve [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://3.bp.blogspot.com/-7vg5h6921t8/V_fmrW5RtAI/AAAAAAAAKZg/WItEM0cAF5QeU21P5Y9xuSyDtvNVLcPyQCLcB/s1600/capa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img fetchpriority="high" decoding="async" border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/10/capa.jpg" class="wp-image-5292" width="424" /></a></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: right;">
Autor: Padre Francisco Antunes de Siqueira&nbsp;</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: right;">
Edição de texto, estudo e notas: Fernando Achiamé &nbsp;</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<h3 style="clear: both;">
<b>Introdução</b></h3>
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</div>
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O culpado pela elaboração deste trabalho é Reinaldo Santos Neves. Há mais de dez anos me entregou uma transcrição de artigos publicados de forma anônima no jornal <i>A Província do Espírito Santo</i> em 1885. Pediu que fizesse um breve estudo sobre eles, adiantando que faltavam algumas partes que não pudera obter. O estudo e a transcrição seriam publicados pela Fundação Ceciliano Abel de Almeida, em cuja editora Reinaldo trabalhava na época. Fui logo lendo a transcrição. Achei a obra muito interessante e interessado fiquei em localizar as partes faltantes (cinco artigos ao todo) e preencher as poucas lacunas da transcrição. E, é claro, descobrir o autor do escrito.</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
Os artigos que faltavam (de números 14, 15, 16, 24 e 26) foram facilmente obtidos, bem como preencheram-se as lacunas da transcrição, no acervo de microfilmes do Arquivo Público Estadual que por essa época já tinha microfilmado (em conjunto com a Biblioteca Nacional) os jornais mais antigos da nossa terra. Aproveitei para corrigir alguns trechos incorretos da transcrição. Já estava completamente tomado pela obra e comecei a conversar com ela procurando resposta para minha pergunta fundamental: “Quem te escreveu?” Não demorei muito a descobrir o autor da façanha entre os escritores capixabas do século passado. Acredito mesmo que o padre Francisco Antunes de Siqueira (filho) queria encobrir-se, <i>ma non troppo</i>. Levantei passagens significativas da vida do ilustre capixaba em jornais da época e em livros de história espírito-santense. Cotejei a obra em causa com outra do mesmo autor para comprovar a atribuição, esbocei as partes da presente crítica e… larguei o trabalho de lado, embora pensando nele de vez em quando.</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
Tencionava pesquisar no Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro os processos de habilitação de <i>genere e vita et moribus</i>, já que a figura em causa era padre secular. Aliás cheguei a ter em mãos os referidos processos em 1995 em rápida estada naquela cidade, fiquei de voltar no dia seguinte para fazer uma transcrição das suas peças principais, mas encontrei o arquivo fechado, helas. Este negócio de a gente querer sempre fazer um trabalho muito perfeito e completo resulta em que não se faz trabalho algum. Usava a consulta aos citados documentos como uma desculpa para ir adiando a elaboração desta crítica de atribuição.</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
Ano passado tive oportunidade de consultar os referidos processos e perante mim mesmo a desculpa não mais existia. Também ano passado, num lançamento literário, o Reinaldo, após mais de dez anos de cobrança (com a média de duas tentativas anuais para me arrancar o trabalho), lança o repto: “Termine o estudo sobre o texto do padre. Você é um homem ou um pé de alface?” E isto na presença de outras pessoas. Uma conhecida até brincou: “Mais de dez anos? Reinaldo, você é muito paciente!” Gosto de alface, mas não a ponto de querer ser um pé de.</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
Assim, aqui vai o que foi possível fazer. Pela demora e pelos eventuais erros o culpado sou eu, exclusivamente.</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: right;">
Fernando Achiamé.</div>
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</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
<b>&nbsp;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</b></div>
<h3 style="clear: both;">
&nbsp;Sumário</h3>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/publicacao-do-folhetim/" target="_blank" rel="noopener">Publicação do folhetim</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/" target="_blank" rel="noopener">Contexto histórico da produção da obra</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/" target="_blank" rel="noopener">Crítica de atribuição</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">Biografia do autor</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/importancia-da-obra/" target="_blank" rel="noopener">Importância da obra</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/explicacao/" target="_blank" rel="noopener">Explicação</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/anexo-1_1/" target="_blank" rel="noopener">Anexo 1</a></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
&nbsp;<b>Artigos</b></div>
<div class="separator" style="clear: both;">
<b><br /></b></div>
<div align="left">
<table border="0" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit; font-size: 90%;"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/1/">Artigo 1 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/">Artigo 2 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/3/">Artigo 3 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/4/">Artigo 4 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/5/">Artigo 5 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/6/">Artigo 6 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/7/">Artigo 7 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/8/">Artigo 8 </a><br />
</span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit; font-size: 90%;"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-9/">Artigo 9 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/bugiarias-1-da-antiguidade-eram-essas/">Artigo 10 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-11/">Artigo 11 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-12/">Artigo 12 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-13/">Artigo 13 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/pe/">Artigo 14 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-15/">Artigo 15 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-15_1/">Artigo 16 </a></span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit; font-size: 90%;"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-17/">Artigo 17 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-xviii/">Artigo 18 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-19/">Artigo 19 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-20/">Artigo 20 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-21/">Artigo 21 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22/">Artigo 22 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/">Artigo 23 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/">Artigo 24 </a><br />
</span></td>
<td align="left" valign="middle"><span style="color: black; font-family: inherit; font-size: 90%;"><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/">Artigo 25 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-26/">Artigo 26 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-27/">Artigo 27 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-28/">Artigo 28 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-29/">Artigo 29 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-30/">Artigo 30 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-31/">Artigo 31 </a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-31_1/">Artigo 32 </a></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 1999&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Pe. Francisco Antunes de Siqueira</b> nasceu em 1832, em Vitória, ES, e faleceu na mesma cidade, em 1897. Autor de: <i>A Província do Espírito Santo (Poemeto)</i>, <i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>, &nbsp;<i>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</i>. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Fernando (Antônio de Moraes) Achiamé&nbsp;</b>nasceu em Colatina, ES, em 22/02/1950 e fixou-se em Vitória a partir de 1955. Formado em história pela Universidade Federal do Espírito Santo e em língua e literatura francesas pela Universidade de Nancy II (Pela Aliança Francesa do Brasil). Especialista em arquivos pela Ufes. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-fernando/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both;">
</div>
<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Artigo 25</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 19:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faziam ainda os terceiros da venerável ordem terceira da Penitência vias- sacras nas sextas-feiras de quaresma, presididas pelo guardião de São Francisco, seu comissário, às 5 horas da tarde, visitando os passos estacionados nas diversas cruzes, algumas das quais ainda existem nesta cidade. A noite saía uma outra de São Gonçalo com a imagem das [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Faziam ainda os terceiros da venerável ordem terceira da Penitência vias- sacras nas sextas-feiras de quaresma, presididas pelo guardião de São Francisco, seu comissário, às 5 horas da tarde, visitando os passos estacionados nas diversas cruzes, algumas das quais ainda existem nesta cidade. A noite saía uma outra de São Gonçalo com a imagem das Dores. O povo acompanhava com recolhimento e compunção todos esses atos, que preludiavam a celebração da Páscoa.</p>
<p>A irmandade do Rosário dos pardos, no primeiro domingo de cada mês, saía em procissão, cantando-se solenemente o terço, cujos mistérios (15) se contemplavam nas ruas, assentando-se o próprio andor no chão, por entre a relva crescida de nossas calçadas! Como a esse tempo já ia amortecendo a luz da fé, pelos espessos vapores da dissolução de nossos costumes, trazidos por alguns libertinos, filósofos do eu e adoradores da estátua do ouro, o Dr. Alvarenga, arcipreste<span id="MXXV_RP1V">arcipreste</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/#MXXV_RP1" title="Chefe dos padres que compunham o clero de um bispo, ou de uma comunidade rural de clérigos."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> da província, proibiu expressamente, por uma portaria, esses atos que, às vezes, entravam por alta noite, prestando-se para obscenidades que horripilavam o bom senso.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
A ordem terceira do Carmo, que hoje se orgulha de possuir uma capela onde, a par da decência, rivalizam o esmero, o zelo dos cultores da Virgem do Carmelo, no domingo de Ramos oferecia-nos um quadro bem expressivo dos martírios de Cristo.</p>
<p>Aquelas imagens, que ainda hoje se deixam ver ostensivamente naqueles altares laterais, percorriam em ato processional as ruas principais desta cidade. Seguiam na ordem prescrita pelas narrações evangélicas:</p>
<p>1° A imagem do Senhor no monte das Oliveiras, orando ao eterno pai, quando se desenrolava em sua ardente e divina imaginação o quadro do drama sanguinolento e desumano que lhe dava a morte afrontosa no patíbulo da ignomínia. Um anjo lhe oferecia o cálice onde libou as mais acerbas amarguras.</p>
<p>2° Representa-o preso, para ser presente às autoridades da terra, quem mais tarde há de ser o supremo julgador dos juízes injustos!</p>
<p>3° Amarrado em uma coluna, onde, durante uma noite, sofreu os mais bárbaros açoites!<br />
4° Sentado em uma brusca pedra, onde recebe bofetadas, irrisões, doestos ignominiosos e infamantes baldões! Vestido de uma púrpura irrisória, com um cetro da cana agreste, é aclamado por zombaria Rei dos Judeus!</p>
<p>5° Competentemente preparado para o martírio, depois de escarnecido, atrozmente injuriado, Pilatos o apresenta ao povo, a ver se o comovia: Ecce homo.</p>
<p>6°&nbsp;Já <span id="MXXV_RP2V">ajoujado</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/#MXXV_RP2" title="Vergado."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> ao peso enorme de uma cruz, se o figura caminhando para o calvário.</p>
<p>7° Ei-lo pendente do patíbulo, seu trono de glória, sede de sua realeza, cadeira do seu juízo, morto para destruir a morte, e donde ressuscita, para reanimar o homem da vida da culpa para o batismo da graça. Esta imagem tinha a seus pés a lacrimosa Madalena, assistente de seus suplícios.</p>
<p>Levava cada imagem o seu anjo com palmas do triunfo glorioso em que seriam convertidos os seus acerbos tormentos!</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
E na verdade esse acontecimento assinalou os fastos da igreja cristã e santificou essa plêiade inumerável de mártires que ornam as galerias da história, atravessando idades e gerações e vendo tombar em ruinosas hecatombes os monumentos do orgulho humano, que se levantam para atacar a sua supremacia!</p>
<p>Dezenove séculos são passados, e o cristianismo caminha sempre na vanguarda de todas as instituições! Condenando os vícios e os erros, ele abriu uma luta em cujos encontros arriscados sai sempre vitorioso.</p>
<p>Os grandes sistemas, os grandes cometimentos, fazem prosélitos durante a morte dos seus autores e dos seus heróis; a religião, morto o Cristo, perseguidos os defensores da sua lei, ainda persiste, levando a cruz aos mais remotos confins do universo!</p>
<p>Sua propagação rápida, e ainda hoje prodigiosa, é o maior de todos os seus milagres! Sua ascendência sobre os espíritos refletidos, sua influência benéfica sobre os corações ainda eivados dos mais mortíferos venenos, dá-lhes vida pelo bálsamo de suas virtudes!</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Será bom e proveitoso, para se formar uma ideia do que fomos e do que poderemos ainda vir a ser, porquanto tenho, cá para mim só, que tudo se há de reproduzir do mesmo modo na sucessão dos tempos futuros (o homem é sempre o mesmo homem), referir os jogos em que se entretinham os rapazes na hora do seu recreio; os rapazes, digo eu, mais livres, porque outros não tinham licença para tomar neles parte, visto as cautelas dos pais mais vigilantes em prevenir os excessos das travessuras.</p>
<p>Durante o ano, nas noites de luar, reuniam-se eles em chusmas de vinte ou de trinta, nos diversos quarteirões da cidade, para se distraírem dos penosos trabalhos da escola, dentre eles o mais cacete [era] copiar a lição de Simão Mântua ou o mercador de feiras, em cadernos bem riscadinhos e bem limpinhos que, às vezes, o mestre passava, de oito páginas!</p>
<p>Quantas vezes amaldiçoei minha sorte, ouvindo os companheiros darem-me aviso, por assobio, de que iam entrar em luta, quando estava eu no tal — nó da careta — como dizia o caboclo a seu amo! As vezes, ao terminar o trabalho da maçante escrita, todo apressado, ofegante de prazer, em vez de pegar o areeiro<span id="MXXV_RP3V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/#MXXV_RP3" title="Vaso em que se guardava areia fina para secar a escrita."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> segurava o tinteiro, e&#8230; zás, lá derramava eu a tinta pelo papel, inutilizando duas e mais folhas escritas!&#8230; Que frenesi! Batia o pé, arrancava os cabelos, praguejava a mim mesmo: Aí está! O que é lá isso? perguntava minha boa mãe. Acudiam logo duas denunciantes, duas irmãs, dizendo: O nhonhô borrou a escrita! Toma lá&#8230; bem feito&#8230; oh! oh!</p>
<p>Ferramo-nos então e vereis!&#8230; Puxão dali, piparotes dacolá&#8230; eis senão quando, aí vinha a espada de dois gumes decidir a bulha!&#8230; Agora tornai a copiar, menino, é para saberdes que a pressa é inimiga da perfeição&#8230; Devagar se vai ao longe. Mais tarde, e bem tarde, vimos nós a conhecer estas verdades!&#8230;</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<div id="MXXV_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/#MXXV_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Chefe dos padres que compunham o clero de um bispo, ou de uma comunidade rural de clérigos.</div>
<div id="MXXV_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/#MXXV_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Vergado.</div>
<div id="MXXV_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/#MXXV_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Vaso em que se guardava areia fina para secar a escrita.</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Pe. Francisco Antunes de Siqueira</b>&nbsp;nasceu em 1832, em Vitória, ES, e faleceu na mesma cidade, em 1897. Autor de:&nbsp;<i>A Província do Espírito Santo (Poemeto)</i>,&nbsp;<i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>, &nbsp;<i>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</i>. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-25/">Artigo 25</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Biografia do Pe. Francisco Antunes de Siqueira</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 19:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Achiamé]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para estes apontamentos biográficos utilizei-me largamente do artigo de Amâncio Pinto Pereira[ 12 ] publicado no jornal Comércio do Espírito Santo poucos dias depois do falecimento do sacerdote, e escrito por um amigo seu, conhecedor de sua vida e obra. Afonso Cláudio[ 13 ] também se serviu muito desse artigo. Com base no processo de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/">Biografia do Pe. Francisco Antunes de Siqueira</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para estes apontamentos biográficos utilizei-me largamente do artigo de Amâncio Pinto <span id="BIOG_RP12V">Pereira</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP12" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> publicado no jornal <i>Comércio do Espírito Santo </i>poucos dias depois do falecimento do sacerdote, e escrito por um amigo seu, conhecedor de sua vida e obra. Afonso <span id="BIOG_RP13V">Cláudio</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP13" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 214."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> também se serviu muito desse artigo.</p>
<p>Com base no processo de habilitação de <i>vita et moribus</i> pude confirmar que o padre Francisco Antunes de Sequeira (essa era a grafia original do seu sobrenome, atualizada para Siqueira por reformas ortográficas mais recentes) nasceu em Vitória a 3 de fevereiro de 1832. No requerimento em que solicita sua habilitação de <i>vita et moribus</i> aparece ele como filho natural de Maria Luíza do Rosário e mais adiante comprova-se seu batismo em 10 de março de 1832 na matriz de Nossa Senhora da Vitória celebrado pelo vigário Manoel Alves de Souza (por sinal o documento é transcrito por seu pai, que se assina como “o coadjutor padre Francisco Antunes de Siqueira”), constando como padrinhos o vigário Domingos Leal e D. Ana Maria da Penha de Jesus. Em documentos desse processo constata-se também que sua mãe “vive de costurar” e que seus avós maternos, Francisco Gomes Rodrigues e Vitória Maria da Conceição, eram oriundos de Cabo Frio, onde ele “vivia da pescaria do alto mar”<span id="BIOG_RP14V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP14" title="ARQUIVO DA CÚRIA METROPOLITANA, Rio de Janeiro. Processos de genere e vita et moribus em nome de Francisco Antunes de Sequeira."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a></p>
<p>Em artigo (de uma série publicada com o título de “Padre Antunes de Siqueira”) Antônio Tinoco informa ter lido as dedicatórias impressas na obra <i>A Província do Espírito Santo</i> <i>(Poemeto)</i> do padre Antunes localizada na Biblioteca Nacional nos seguintes termos: “À memória de meu pai, Cônego Arcipreste Francisco A. de Siqueira, — Uma lágrima da mais pungente saudade. A minha prezada mãe D. Maria Luíza do Rosário, — Tributo de veneração e <span id="BIOG_RP15V">respeito</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP15" title="TINOCO, Antônio. Padre Antunes de Siqueira. A Gazeta, Vitória, 26 jan. 1951."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a></p>
<p><b>Primeiros estudos</b></p>
<p>A infância e adolescência do padre Antunes estão relativamente bem descritas no decorrer da obra ora estudada, e é interessante o depoimento do padre sobre as brincadeiras e costumes da época de sua infância, um testemunho vivo e de primeira mão. Através destes escritos sabemos que ele tinha duas irmãs, conforme nos diz na seguinte passagem no final do artigo número 25:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>[…] zás, lá derramava eu a tinta pelo papel, inutilizando duas e mais folhas escritas… Que frenesi! Batia o pé, arrancava os cabelos, praguejava a mim mesmo: Aí está! O que e lá isso? perguntava minha boa mãe. Acudiam logo duas denunciantes, duas irmãs, dizendo: o nhonhô borrou a escrita! Toma lá… bem feito… oh! oh!</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O jornal <i>O Estado do Espírito Santo</i> de 3 e 4 de dezembro de 1897, impresso em Vitória, estampa convite para a missa de sétimo dia por alma do padre Antunes de Siqueira assinado por Antônio da Silva Pádua e Adelaide Antunes de Siqueira Pádua, sendo moradores em Viana e que se identificam como cunhado e irmã do falecido.</p>
<p>Podemos avaliar até em que local de Vitória Antunes de Siqueira habitava na juventude, “ali junto da ponte do Reguinho, que dá passagem para a rua da Várzea” (nas imediações das atuais ruas Graciano Neves e Sete de Setembro) pela descrição que no artigo 3 o autor das <i>Memórias do passado</i> faz de uns vizinhos seus que de noite, comendo caranguejos e falando alto, não o deixavam dormir.</p>
<p>Sobre os primeiros estudos do jovem Francisco Antunes de Siqueira nos dá notícia Amâncio Pereira em seu artigo acima referido:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>A primeira aula que frequentou e para a qual entrou a 7 de janeiro de 1839 foi a do finado major Inácio dos Santos Pinto. Criada uma 2a cadeira em 1842 e nela provida o professor Manoel Ferreira das Neves que iniciou o seu ensinamento com o Método Valdetaro — passou o nosso biografado a frequentar esta cadeira, na qual fez rápidos progressos, preparando-se nas matérias do ensino primário no fim do ano de 1845. Com este professor estudou ele a língua francesa no ano seguinte, frequentando ao mesmo tempo a aula de latim do padre mestre Inácio Félix de Alvarenga Sales. Aprovado em ambos os preparatórios em exame público, realizado no Palácio do Governo, quando presidente o Dr. Luís Pedreira do Couto Ferraz (Visconde do Bom Retiro), isto em 1848 […]<span id="BIOG_RP16V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP16" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O autor das <i>Memórias do passado</i> nos artigos 16 e 17 descreve o mestre major Inácio dos Santos Pinto, o seu método de ensino, como participava das aulas e o que nelas aprendeu. </p>
<p><b>Vida no seminário</b></p>
<p>O ano de 1849 marca a ida do estudante Antunes, já então com dezessete anos, para o Rio de Janeiro a fim de ingressar no Seminário de São José. Recebe a primeira tonsura e os quatro graus de ordens menores no dia 12 de setembro de 1849. Seu pai não só lhe deu o mesmo nome como lhe destinou a mesma carreira eclesiástica, meio seguro de ascensão social, na época. Neste sentido são significativas as seguintes palavras de Maria Stella de Novaes referindo-se a outro padre mas que, em linhas gerais, se podem aplicar à vida do padre Antunes:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Vivia-se no tempo em que devia o mestre de latim alfabetizar os rapazes; dar- lhes a instrução primária, ler, escrever e contar. Ordenado sacerdote, Marcelino Duarte estaria no início do ministério do Altar; mas, possuidor já de uma série de sonetos, nos quais clamava dolorosamente sua desdita: — a vocação forçada, como ocorreu a muitos outros jovens espírito-santenses. Tudo porque o mestre de latim decidia a vocação dos alunos e, de par a essa aula, dava-lhes conhecimentos de filosofia, retórica, história e outras disciplinas, “moldadas na aprendizagem que tinha, por sua vez, feito no Seminário”. De fato, era uma norma do tempo: — moço inteligente, ansioso de ilustração, devia ser padre. Tinha o destino traçado: — o Seminário. Assim, para o Espírito Santo o Seminário São José, na Corte, era a tábua-de-salvação. Os ricos iam para Coimbra<span id="BIOG_RP17V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP17" title="NOVAES, Maria Stella de. História do Espírito Santo. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 122-3. Na mesma obra à p. 171 a autora, noticiando o nascimento do padre Antunes, registra: 'Seguiu o destino de tantos jovens espírito-santenses, conforme escrevemos noutro capítulo.'"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Para complementar o panorama sobre as questões envolvendo as atividades de trabalho e de estudo e a situação social dos padres espírito-santenses do século XIX, convém citar estas palavras de Oscar Gama Filho:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Aliás, as vidas intelectual — arte, direito, política, jornalismo e outras atividades afins — e sacerdotal constituíam, no século passado, duas das poucas formas de ascensão social de que os indivíduos podiam se valer. Alguns se dedicavam a ambas ao mesmo tempo, entre esses, João Clímaco, Marcelino Pinto Ribeiro Duarte, Francisco Antunes de Siqueira, Fraga Loureiro, Eurípedes Pedrinha e Inácio Félix de Alvarenga Sales, todos simultaneamente padres, escritores e políticos<span id="BIOG_RP18V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP18" title="GAMA FILHO, Oscar. Razão do Brasil: em uma sociopsicanálise da literatura capixaba. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. p. 44-5."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
No seminário o jovem Antunes se distingue nas diversas disciplinas e, nos processos de habilitação antes referidos, podem ser conferidas suas notas e os atestados que os professores deram como requisito para sua formação sacerdotal, como este: “Entrou para o Seminário de São José em março de 1849 e nele concluiu os estudos preparatórios em que já vinha adiantado, começou os teológicos que também concluiu no fim deste ano letivo, tendo sempre merecido aprovações honrosas. E pelo que pertence aos seus costumes deu sempre provas de boa morigeração”<span id="BIOG_RP19V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP19" title="Documento datado do Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1851, e assinado por Manoel Joaquim da Silveira, constante dos processos de genere e vita et moribus antes citados."><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a></p>
<p>Recusa em 1851 um convite para secretário interino do bispado do Maranhão “à instância de sua veneranda mãe”<span id="BIOG_RP20V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP20" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a> que já tinha perdido o seu “companheiro”, por sinal.</p>
<p>Antunes de Siqueira entra para a irmandade de São Pedro em 22 de junho de 1853 (neste ano é morador do Colégio de São Pedro de Alcântara), recebe a ordem de subdiácono em 10 de julho de 1853, e a 24 do mesmo mês é ordenado diácono.</p>
<p>Como seminarista “pregou pela primeira vez na capelinha de Nossa Senhora da Conceição em Niterói, com aplauso do grande orador cônego Barbosa França, pelo que s. ex. rvdm. lhe concedeu provisão, sem tempo, para pregar em toda a diocese<span id="BIOG_RP21V">&#8220;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP21" title="Ibidem."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a> &nbsp;e ainda como seminarista pronunciou brilhantes sermões em diversas igrejas do Rio de Janeiro e na capela imperial.</p>
<p>Em setembro de 1854, é dada uma apólice da dívida pública de juro anual de 5% no valor de seiscentos mil réis para estabelecer o patrimônio do futuro sacerdote, ordenado em 5 de novembro de 1854<span id="BIOG_RP22V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP22" title="Informações obtidas nos processos de genere e vita et moribus antes referenciados."><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a> &nbsp;Amâncio Pereira registra que o padre Antunes cantou sua “primeira missa a 21 deste mesmo mês e ano na capela de Santa Efigênia situada à rua da Alfândega no Rio de Janeiro”<span id="BIOG_RP23V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP23" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a> </p>
<p><b>Padre secular</b></p>
<p>Principia sua carreira de padre secular como pároco da freguesia de Carapina em 20 de janeiro de 1855, onde também foi professor efetivo, deixando a mesma freguesia em 8 de novembro de 1856. Em Carapina houve um incidente com o padre, relatado de forma enviesada nos processos existentes no Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro e referido pelo próprio padre em seu <i>Poemeto</i>, conforme citação de Afonso Cláudio<span id="BIOG_RP24V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP24" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 224."><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a></p>
<p>A presença do padre Antunes no Espírito Santo em 1855 coincide com sua participação na festa da Penha, relato constante no artigo 22 das <i>Memórias do passado</i>, onde o autor faz um auto-elogio.</p>
<p>Tomou posse em 16 de fevereiro de 1857 como pároco de Santa Cruz, então sede de município espírito-santense. Logo principia a cobrar do governo provincial verbas para construção de nova matriz e para aquisição de objetos imprescindíveis ao culto religioso. Em ofício de 14 de abril de 1857 ao vice- presidente da província, Antunes de Siqueira afirma:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Depois de haver consultado, o que bem me recomendou V. Exa., a opinião das pessoas mais sensatas desta freguesia acerca do local em que se tem de erigir a nova igreja matriz, deliberei dar princípio à obra, que tanto urge o estado ruinoso da velha; […] e sendo assim a pequena quantia, que me foi dada não satisfaz as despesas da obra, que por ora limita-se ao frontispício, feito com proporções para a nova matriz […]<span id="BIOG_RP25V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP25" title="ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly, livro 311."><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Por meio de outro ofício enviado de Santa Cruz ao Dr. Carlos de Cerqueira Pinto, vice-presidente da província, o padre Antunes presta os seguintes esclarecimentos:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>[…] em abril de 1857 lancei a pedra fundamental de uma nova matriz com regulares proporções sob plano e regras de arquitetura de forma gótica, empregando o escasso produto de 200$000, colhido pelo povo, e mais algumas consignações do cofre provincial, conseguida assim a conclusão de um vistoso frontispício e o levantamento até a altura de 12 palmos das paredes no quadrado da capela-mor. […] Desde 1860 sem mais auxílios […] suspenderam-se os trabalhos, estragando-se a obra hoje exposta à inconstância do tempo<span id="BIOG_RP26V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP26" title="Ibidem."><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Levy Rocha assinala em <i>Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo</i> as seguintes observações, referindo-se à igreja da vila de Santa Cruz: “Aquele templo vinha sendo construído pelo vigário Francisco Antunes de Siqueira, filho do lugar [sic], que morava no alto dum monte, à esquerda da estrada. As obras foram começadas a 9 de maio de 1857 e, decorridos cinco meses, já se achava pronto o frontispício, no estilo gótico-romano<span id="BIOG_RP27V">.&#8221;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP27" title="ROCHA, Levy. Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo. Brasília: Ebrasa, 1971. p. 94. O autor não menciona no texto a fonte de onde teria extraído estas observações. Deve-se assinalar o equívoco cometido pelo criterioso historiador referindo-se a Santa Cruz como o local de nascimento do padre Antunes, equívoco que se repetiu na nota 14 à página 33 da obra Viagem à Província do Espírito Santo de Auguste-François Biard."><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a></p>
<p>No final de 1858 padre Antunes conhece na localidade em que é vigário o pintor e viajante francês Auguste-François Biard, que dele registra as seguintes impressões:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Travei então conhecimento com o padre, um jovem sem preconceito, que não recuava diante de uma garrafa de porto ou de aguardente, nem diante de muitas outras coisas. Mas como, após alguns dias, ele tivesse declarado aos que não davam nada por mim que eu parecia ter alguns conhecimentos a respeito de diversos assuntos, embora francês, restringirei a isso as minhas observações. Esse padre me emprestou um fuzil e, munidos de pólvora e chumbo, partimos um dia bem cedinho numa caçada em que rivalizamos em imperícia<span id="BIOG_RP28V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP28" title="BIARD, Agugust-François. Viagem à província do Espírito Santo. Vitória: Cultural-ES. s/d, p.33."><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Em 12 de agosto de 1859 uma carta imperial o declara vigário colado (isto é, estável) em Santa Cruz, tendo tomado posse no cargo a 23 de outubro do mesmo ano.<span id="BIOG_RP29V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP29" title="Informações colhidas nos processos de habilitação de genere e de vita et moribus do padre Antunes pesquisados no Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro e no livro 311 da série Accioly existente no Arquivo Público Estadual do Espírito Santo."><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a></p>
<p>Sobre a visita de D. Pedro II e comitiva a Vitória, José Teixeira de Oliveira reproduz reportagem publicada no jornal <i>Correio da Vitória</i> de sábado, 28 de janeiro de 1860. Da referida reportagem transcrevo este trecho:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>No colégio [que também abrigava a capela nacional e é o atual palácio Anchieta] SS. MM. sentaram-se debaixo de um rico dossel, e daí assistiram ao Te Deum, mandado cantar pela Câmara Municipal. Orou o vigário de Santa Cruz, padre Francisco Antunes de Siqueira. O discurso foi conciso, brilhante e eloquente. Agradou a todos pela sublimidade de seus pensamentos, elegância e colorido de seu estilo<span id="BIOG_RP30V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP30" title="OLIVEIRA, José Teixeira de. História do Estado do Espírito Santo. 2. ed. ampl. e atual. Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo, 1974-75. p. 382."><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Acerca desse episódio Amâncio Pereira informa: “Pregou com aplausos diante do Imperador e numeroso auditório quando ele viera em visita à então província em 1860, pelo que mereceu ser agraciado com o hábito de Cristo<span id="BIOG_RP31V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP31" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo. Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a> Será? Outros autores consignam que a condecoração foi concedida ao biografado por serviços prestados ao país. Se bem que, na época, pregar perante o imperador poderia ser considerado um serviço prestado ao país. O certo é que D. Pedro registra em seu diário de bolso, conforme nos dá notícia Levy Rocha: “Te Deum na Igreja do Colégio dos Jesuítas; hoje Palácio – lápide da sepultura de Anchieta na Capela-mor perto dos degraus do altar-mor. Sermão sofrível do Vigário de Santa Cruz (Aldeia Velha)<span id="BIOG_RP32V">.&#8221;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP32" title="ROCHA, Levy. Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro. IHGB, 1960. v. 246. Separata. p. 40."><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a></p>
<p>Em Santa Cruz o padre Antunes conheceu Pedro Tabachi, maçom da Loja União e Progresso em Vitória e pioneiro da imigração italiana em nossa terra. Por sinal está relatado no artigo 30 das <i>Memórias do Passado</i> um episódio vivido por ambos. O padre Antunes deixou o vicariato de Santa Cruz em princípios de 1869<span id="BIOG_RP33V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP33" title="ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly – livro n° 311.0 último ofício assinado pelo vigário Francisco Antunes de Siqueira é datado de 24 de fevereiro de 1869."><sup><b>[ 33 ]</b></sup></a></p>
<p>Serve depois como pároco em Conceição da Barra. A sua presença nessa última localidade pode ser confirmada por meio da correspondência que manteve com o presidente da província. Dessa correspondência devem ser destacados o ofício de 9 de janeiro de 1872 (o primeiro no códice com a assinatura do padre Antunes) remetendo “o mapa dos batizados, casamentos e óbitos havidos durante o ano p. passado nesta paróquia”, (sendo que o mapa anexo está assinado pelo padre como pro-pároco) e o ofício de 29 de fevereiro do mesmo ano comunicando que naquela data “tomou posse e entrou no exercício de vigário encomendado [isto é, suscetível de remoção] da Vila da Barra de São Mateus por provisão da Vigararia-geral do bispado.” Outros ofícios firmados pelo mesmo vigário existem no códice até abril de 1872, somente<span id="BIOG_RP34V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP34" title="ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly – livro n° 187."><sup><b>[ 34 ]</b></sup></a> Esta passagem do padre Antunes por Conceição da Barra, apesar de curta, é muito significativa para o presente estudo, de vez que comprova a afirmação do autor das <i>Memórias do passado</i>, antes ressaltada, sobre sua presença em janeiro daquele ano na referida localidade assistindo ao alardo.</p>
<p>Por meio de um recurso interposto ao imperador, datado de 14 de novembro de 1876, o padre Antunes nos cientifica que “requereu e foi nomeado em 9 de setembro de 1872 capelão extranumerário da Armada com exercício de professor” na Companhia de Aprendizes Marinheiros em Vila Velha, sendo elogiado pelos superiores. O interessado no recurso também informa que “em novembro de 1873 na efervescência da questão religiosa foi suspenso das ordens e em consequência dessa censura foi dispensado do ofício de capelão”. Declara que foi ao Rio se defender e obteve novamente o exercício das ordens e a restituição do ofício na Companhia por provisão que tinha validade anual e que foi renovada até 1875. No citado recurso o padre Antunes se julga suspenso de ordens sem sentença jurídica e pede que novamente seja provido como capelão por estar atacado de “elefantíase dos árabes” (motivo que o fez deixar o exercício de pároco em pequenas localidades, ficando sem a correspondente remuneração) e por estar privado dos escassos recursos com que se alimenta e à mãe sexagenária, a quem serve de arrimo<span id="BIOG_RP35V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP35" title="ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly – livro n° 199. O recurso é acompanhado de pública-forma de oito atestados favoráveis ao padre Antunes assinados por diversas autoridades que elogiam o seu comportamento e, em alguns deles, o eximem de participação nos acontecimentos antes referidos de 8 de setembro de 1876 envolvendo a irmandade do SS. Sacramento."><sup><b>[ 35 ]</b></sup></a></p>
<p>Após muitos anos como educador em Vitória, é pároco na matriz do Rosário da Prainha em Vila Velha, onde termina seus dias. </p>
<p><b>Maçonaria e amizades</b></p>
<p><span id="BIOG_RP36V">Afonso Cláudio</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP36" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 226. Cita também “desavenças que teve com o comandante da companhia de aprendizes marinheiros, de que foi capelão, [e] com o capitão do porto."><sup><b>[ 36 ]</b></sup></a> refere-se de passagem a desavenças do padre Antunes com o bispo D. Pedro Maria de Lacerda, “que o suspendeu por diversas vezes do exercício das ordens sacras”. Mesmo sem aprofundar muito a pesquisa sabe-se hoje que essas discórdias estão relacionadas, entre outros aspectos, com o fato de o padre capixaba ter ligações com a maçonaria, instituição que estava sendo combatida por aquele bispo. A Questão Religiosa, apesar de mais exacerbada no Rio de Janeiro, em Recife e Belém com prisão de bispos e outros incidentes, também teve sua presença, em ponto menor, na província do Espírito Santo.</p>
<p>A fundação da Loja Maçônica União e Progresso em Vitória se dá no mesmo ano de 1872 em que a referida questão está no auge. Compulsando o livro <i>Maçonaria no Espírito Santo</i> de Christiano Woelffel Fraga localiza-se a transcrição de documentos da época e relatos de fatos desagradáveis ocorridos entre seguidores das duas instituições, a Igreja e a Maçonaria. Por exemplo, a proibição dos maçons de servirem como padrinhos de crisma, e a sua represália em não mais ajudarem no custeio dos cultos católicos, destinando as ofertas a obras de caridade.</p>
<p>Mas, para o que interessa na biografia do padre Antunes, existe uma referência na obra acima citada de que na sessão de 24 de setembro de 1876 foi aprovada sua admissão na Loja União e Progresso, a mais antiga até hoje em funcionamento em nosso Estado. Na ocasião o venerável Tito da Silva Machado recomenda completo sigilo a respeito, “visto como sofrendo a nossa instituição encarniçada guerra do jesuitismo, necessariamente este profano proposto, quando iniciado, sofrerá grande perseguição, por ser Padre”. O professor Christiano Woelffel Fraga acrescenta que nos arquivos maçônicos “não consta sua iniciação”<span id="BIOG_RP37V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP37" title="FRAGA, Christiano Woelffel. A Maçonaria no Espírito Santo. Vitória: s.n., 1995. p. 129."><sup><b>[ 37 ]</b></sup></a> Muitos amigos do padre e de seu pai pertenciam ao quadro da Loja União e Progresso. Dois maçons nela muito atuantes, Cleto Nunes Pereira e José de Melo Carvalho Muniz Freire, são os redatores do jornal <i>A Província do Espírito Santo</i> no qual estão estampados os artigos que compõem as <i>Memórias do passado</i>. Inclusive no início do artigo 24 o autor afirma que “A influência afável, ao estímulo poderoso de um espírito cultivado devo o fazer este quadro mais completo. Tinha-o reduzido muito, desconfiado da sorte que aguarda minhas pobres composições; como porém animam-me o afago e a benevolência do endossante desta letra, penhor de amizade, lá vai mais alguma curiosidade que me sugere a memória.”</p>
<p>Note-se que no final da obra <i>Esboço histórico</i> o padre Francisco Antunes de Siqueira faz rasgados elogios a Muniz Freire. Afons<span id="BIOG_RP38V">o Cláudio</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP38" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 214."><sup><b>[ 38 ]</b></sup></a> refere-se ao <i>Poemeto </i>do padre Antunes como impresso nas oficinas de <i>A Província do Espírito Santo</i> em 1884. Aliás, no canto inferior direito da primeira página na edição do dia 22 de março de 1885 (que iniciou a publicação do folhetim <i>Memórias do passado</i>) lê-se no anúncio de obras literárias: “A Província do Espírito Santo – poema do padre Antunes de Sequeira – 1 vol. – 2$000”. <br />
<b><br /></b><br />
<b>A família do padre</b></p>
<p>Sobre a família do padre Antunes de Siqueira algumas luzes são lançadas a partir de referências provenientes de fontes diversas.</p>
<p>No artigo do jornalista Antônio Tinoco antes <span id="BIOG_RP39V">referido</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP39" title="TINOCO, Antônio. Padre Antunes de Siqueira. A Gazela, Vitória, 26 jan. 1951."><sup><b>[ 39 ]</b></sup></a> está registrado também o final da dedicatória impressa do padre Antunes no seu <i>Poemeto</i>: “[…] Às minhas queridas filhas – D. Dalmácia Antunes de Siqueira e D. Petronilha Antunes de Siqueira – Momentos de recreação e da mais viva lembrança.”</p>
<p>Elmo Elton nos oferece uma visão da vida do padre Antunes:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Os padres, em sua quase total maioria, escandalizavam a população pela negligência ou até desprezo com que tratavam os assuntos pertinentes a seu ofício, enquanto o povo, em decorrência disso, deixava de frequentar as igrejas e os sacramentos, comparecendo apenas às festas de cunho mais folclórico que religioso, como o eram as de São Benedito, celebradas tanto aqui como em outras localidades do interior do Estado. Diga-se, de passagem, que alguns sacerdotes, em Vitória, mantinham, às vezes, mais de uma concubina, com as quais pernoitavam diariamente, tendo filhos com elas, não escondendo aos fieis tal situação. O padre Francisco Antunes de Siqueira (1832-1897), que gozava fama de homem culto, teve, por exemplo, mais de uma companheira, viveu, anos seguidos, com uma filha [sic] do poeta Virgílio Vidigal (1866- 1891), com quem teve duas ou três filhas, disso não fazendo o menor segredo, conforme se constata na dedicatória, impressa, que apôs num de seus livros. Sabe-se que, quando da chegada da notícia do fim da Guerra do Paraguai, em Vitória, o povo, eufórico, o procurou, a fim de que ele se manifestasse sobre tão auspicioso acontecimento. Foi encontrado, às primeiras horas do dia, na casa da companheira, tendo, da sacada, ainda de camisolão de dormir, pronunciado um soneto alusivo à vitória dos brasileiros contra os paraguaios, soneto naturalmente adrede preparado, mas que o povo aplaudiu como coisa dita de improviso. Antunes de Sequeira gostava de se passar por poeta repentista, embora não o fosse, já que suas produções poéticas, de fragilíssima inspiração, eram sempre forçadas, de métrica e ritmo imperfeitos, portanto, de pouco ou nenhum valor como peças de arte<span id="BIOG_RP40V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP40" title="ELTON, Elmo. Velhos templos de Vitória &amp; outros temas capixabas. Vitória: Conselho Estadual de Cultura, 1987. p. 89."><sup><b>[ 40 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Afonso Cláudio refere-se a uma filha do padre como sendo casada com o poeta Virgílio Vidigal, dando para este poeta os anos de 1866 e 1907 como extremos de sua vida e nos oferece visão diferente daquela acima apresentada sobre a vida e obra do padre Antunes<span id="BIOG_RP41V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP41" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 329 e 232."><sup><b>[ 41 ]</b></sup></a></p>
<p>O padre Antunes confessa publicamente o seu estado de “pecador” em carta estampada, junto com outros documentos, no jornal <i>A Província do Espírito Santo</i> de 30 de março de 1885, poucos dias depois do início da publicação das <i>Memórias do Passado</i>. A boataria é inusitada (sobre o rapto de uma donzela por sacerdote de Vitória) e pode ter sido lançada por inimigos do padre Antunes, (cf. Anexo 1). <br />
<b><br /></b><br />
<b>O abolicionista</b></p>
<p>Maria Stella de Novaes registra a presença em julho de 1884 das “senhoras Dalmácia e Petronilha Antunes de Siqueira” numa quermesse em benefício da Libertadora Domingos Martins, ocasião em que elas ofereceram um adorno de mesa em forma de serpente para ser vendido e o dinheiro apurado a favor da libertação de escravos. O presente vinha acompanhado de uma poesia (lavra do pai?):</p>
<p>O. D. C.</p>
<p>De nossas livres florestas<br />
Volve também a serpente,<br />
Para assistir nossas festas,<br />
De um povo independente.</p>
<p>Ao altar da Pátria amada,<br />
Ela vem se devotar,<br />
Querendo com o seu produto<br />
Os escravos libertar<span id="BIOG_RP42V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP42" title="NOVAES, Maria Stella de. História do Espírito Santo. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 294. (O. D. C. significa Oferece, Dedica e Consagra, segundo fórmula da época.)."><sup><b>[ 42 ]</b></sup></a></p>
<p>Na Sociedade Abolicionista Domingos Martins o padre Antunes proferiu palestras contra a escravidão. Sobre este assunto Amâncio Pereira informa que “o Dr. Afonso Cláudio ocupou também o cargo de orador da sociedade [Libertadora Domingos Martins] enquanto ela existiu; e, com o Dr. Antônio Ataíde, padre Antunes de Siqueira e outros, no paço da Câmara Municipal da Capital, fez diversas conferências em noites de dias santificados, concorrendo a elas escravos e o que a sociedade tinha de escolhido em artes, ciências e filantropia”<span id="BIOG_RP43V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP43" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Homens e Cousas Espírito-Santenses. Vitória: Artes Gráficas, 1914. Io livro, p. 129."><sup><b>[ 43 ]</b></sup></a></p>
<p>Também são coerentes na vida do padre Antunes suas ideias liberais com sua pregação contra a escravatura, posição enunciada de forma veemente no último artigo das <i>Memórias do Passado</i>. Na sua biografia é famoso e muito referido por historiadores o discurso que proferiu por ocasião do término da escravidão em nosso país. <br />
<b><br /></b><br />
<b>O educador</b></p>
<p>O padre Antunes teve atuação destacada como educador desde os tempos de seminário e em diversas localidades do Espírito Santo, como ressaltam muitos biógrafos e comentaristas de sua obra. Nos apêndices números dois e três do <i>Esboço Histórico</i> ele inclui seu próprio nome como pertencendo aos seguintes estabelecimentos de ensino como professor:</p>
<p>a) de retórica e, depois da reforma, de latim e geografia no Colégio Espírito Santo;<br />
b) de latim e filosofia no Ateneu Provincial (regulamento de 1862);<br />
c) de português nas Escolas Normais Masculina e Feminina;<br />
d) professor público primário em Vitória<span id="BIOG_RP44V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP44" title="SIQUEIRA, Francisco Antunes de. Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense. 2. ed. Vitória: Imprensa Oficial, 1944. p. 137 a 144."><sup><b>[ 44 ]</b></sup></a></p>
<p>Estes registros são complementados e enriquecidos com as informações sobre o mesmo assunto prestadas por Amâncio <span id="BIOG_RP45V">Pereira</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP45" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 45 ]</b></sup></a> no artigo de jornal antes referido:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Em 1868 abriu um internato e externato nesta capital com o qual prestou um bom serviço à terra de seu nascimento. Em 1870 foi nomeado lente de geografia e história do colégio Espírito Santo. Em 1875 passou a lecionar geografia, história do Brasil e sagrada no colégio N. Sa. da Penha, e em 1877 foi nomeado para reger a cadeira de latim do Ateneu Provincial, cargo que exerceu com assiduidade até a extinção deste instituto pela criação das escolas normais em 1892, sendo o nosso biografado aproveitado na cadeira de português. Cremos que em 1878 ou 1879 organizou em sua casa um curso particular de preparatórios, o qual foi bastante concorrido pela mocidade que frequentava o Ateneu Provincial. Desempenhou as funções de capelão da extinta companhia de aprendizes marinheiros desta cidade e da qual foi também professor primário.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Terezinha Tristão <span id="BIOG_RP46V">Bichara</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP46" title="BICHARA, Terezinha Tristão. História do Poder Legislativo do Espírito Santo 1835-1889. Vitória: Leoprint, 1984. v. 1.1. 1. p. 199."><sup><b>[ 46 ]</b></sup></a> refere-se ao padre Antunes de Siqueira como vigário de Santa Cruz em 1867 e diretor naquela vila da “única escola particular [com 18 alunos] que conseguiu permanecer em funcionamento na Província”. Também registra que “em 1886, o Chefe da Administração Provincial, nomeou uma comissão, formada pelos educadores […] e padre Antunes de Sequeira para criar um novo regulamento de ensino com a pretensão de introduzir no sistema educacional um novo método — o experimental — considerado o mais eficiente por provocar a curiosidade da criança, educar a memória, prender a atenção e exercitar a inteligência<span id="BIOG_RP47V">.&#8221;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP47" title="Op. cit. p. 328."><sup><b>[ 47 ]</b></sup></a></p>
<p>A erudição demonstrada pelo padre Antunes era um costume da época, e não devemos julgá-la com as lentes de hoje, sem dar os devidos descontos. Em sendo professor de filosofia, de retórica, de história, de português, tinha que assegurar, reiterar e eventualmente exibir aos conterrâneos e contemporâneos seu cabedal de conhecimentos, citando Horácios e Virgílios. Nesse sentido, o primeiro artigo das <i>Memórias do passado</i> lista temas, depois desenvolvidos no <i>Esboço histórico</i>, como a história dos gregos, romanos, judeus, a história sacra, e outros. </p>
<p><b>As ideias e práticas do padre</b></p>
<p>O padre Antunes foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Provincial para o biênio de 1862-63, tendo ocupado o cargo de segundo secretário da mesa daquela Casa de Leis. O seu partido devia ser o conservador (apesar de muitos de seus amigos serem simpatizantes do partido liberal — inclusive os redatores de <i>A Província do Espírito Santo</i>), mas não logramos documentar essa opção partidária. Devia pertencer ao partido conservador porque o padre Antunes, no artigo 13 das<i> Memórias do passado</i>, demonstra de forma apaixonada ser um caramuru, partidário da cor verde, ligado ao convento de São Francisco. Chega a descrever no artigo 12 de forma desfavorável e até sarcástica a festa dos peroás do Rosário. E segundo Adelpho Poli Monjardim “[…] o povo dividiu-se e do campo religioso passou ao político, como não poderia deixar de acontecer […] Em Vitória não houve neutros. Os conservadores apoiaram os Caramurus e os liberais se filiaram aos Peroás, da igreja do Rosário”<span id="BIOG_RP48V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP48" title="MONJARDIM, Adelpho Poli. O Espírito Santa na história, na lenda e no folclore. Vitória, s.n., 1983. p. 97. Nesta obra o ilustre historiador reproduz trechos sobre o mesmo assunto existentes às páginas 116-117 do livro Biografia de Uma Ilha de Luiz Serafim Derenzi. 2 ed. Vitória: PMV, 1995, editado originalmente em 1965."><sup><b>[ 48 ]</b></sup></a> Liberal ou conservador, o padre Antunes (que pode ter variado de agremiação política ou se constituído numa exceção no panorama das facções locais) viveu numa época em que os partidos possuíam pouca consistência ideológica e os políticos não cultivavam a coerência partidária.</p>
<p>Alguns historiadores referem-se ao mesmo padre Antunes como deputado também no período de 1849-50, evidentemente confundindo-o com seu pai (que realmente foi deputado em tal legislatura), pois naqueles anos, além de estudar no Rio de Janeiro, o jovem Antunes só contava com 17 para 18 anos de idade.</p>
<p>No texto das <i>Memórias do passado</i>, o autor faz referência ao seu pioneirismo em propugnar pela educação feminina quando no artigo de número 17 diz: “Não condeno a instrução da mulher, tanto que fui eu o primeiro a levantar minha humilde voz em 1863 para que se criassem cadeiras em todas as vilas da província.” No mesmo ano foi aprovado pela Assembleia Legislativa Provincial do Espírito Santo um projeto instituindo aulas femininas em Santa Cruz, onde o padre e deputado era pároco.</p>
<p>A Lei n.° 3 de 26 de novembro de 1863<span id="BIOG_RP49V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP49" title="BICHARA, Terezinha Tristão. História do Poder Legislativo do Espírito Santo 1835-1889. Vitória: Leoprint, 1984. v. 1.1. 1. p. 197."><sup><b>[ 49 ]</b></sup></a> projeto do deputado Francisco Antunes de Siqueira, determina que a inspeção escolar passe a ser executada pelas câmaras municipais.</p>
<p>Segundo informações registradas pela historiadora Terezinha Tristão Bichara, o padre Antunes propôs um projeto à Assembleia Legislativa Provincial autorizando a venda em hasta pública da casa que, em Cariacica, servia de residência ao vigário, empregando o produto da venda no reparo do relógio público de Vitória; “apesar de aprovada, a lei não foi sancionada, mas a 15 de dezembro de 1863 voltou ao Executivo pois, por unanimidade de votos, não foram aceitas as razões da recusa presidencial”<span id="BIOG_RP50V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP50" title="Op. cit. p. 188."><sup><b>[ 50 ]</b></sup></a></p>
<p>O já muito citado Amâncio Pereira registra que o padre Antunes “exerceu também a advocacia, sendo patrono de alguns clientes perante o tribunal do júri desta comarca”<span id="BIOG_RP51V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP51" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 51 ]</b></sup></a></p>
<p>As ideias expostas nos escritos do professor de filosofia e padre Antunes indicam que era partidário de correntes filosóficas anteriores ao positivismo, sendo dele simpatizante, provavelmente.</p>
<p>De qualquer sorte, o jornal em que publica seus artigos era francamente positivista. Ivan Lins em sua <i>História do Positivismo no Brasil</i> refere-se a Muniz Freire como “a figura mais eminente do Positivismo capixaba”<span id="BIOG_RP52V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP52" title="LINS, Ivan. História do Positivismo no Brasil. São Paulo: Nacional, 1964. p. 227."><sup><b>[ 52 ]</b></sup></a> Antes afirmou ser “tal o entusiasmo despertado pela atuação de Silva Jardim que ‘A Província do Espírito Santo’, fundado em 1882, e de que eram redatores Muni/. Freire e Cleto Nunes, passou a adotar o calendário positivista, acerca do qual deu uma notícia em seu número de 9 de agosto de 1882<span id="BIOG_RP53V">.&#8221;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP53" title="Op. cit. p. 221."><sup><b>[ 53 ]</b></sup></a> De fato, as edições consultadas do referido periódico trazem as datas de acordo com os calendários gregoriano e positivista. Por exemplo, o dia 22 de março de 1885, quando começa a publicação das <i>Memórias do passado</i>, também está registrado como 96 (anos contados a partir da grande crise ou Revolução Francesa), mês de Aristóteles (A filosofia antiga).</p>
<p>O certo é que o padre Antunes tinha livre acesso ao periódico aqui tratado. Para exemplificar mencione-se a série de artigos do padre, agora publicados com o nome do seu autor, que começa a ser estampada no periódico sob o título de<i> A educação do povo</i> dois dias depois (9 de maio de 1885) de se encerrar a publicação das <i>Memórias do Passado</i>. Afonso Cláudio julgou identificar as ideias do autor com base no canto IV do <i>Poemeto</i>: “[…] o padre cantor diz a direção filosófica a que obedece o seu espirito. […] A sua filosofia à Cousin, sente-se bem glosando os motes da imortalidade e da separação da alma do respectivo invólucro<span id="BIOG_RP54V">.&#8221;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP54" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 227."><sup><b>[ 54 ]</b></sup></a></p>
<p>Victor Cousin (1792-1867) era um filósofo francês “chefe da escola eclética”. Registre-se que um exemplar de livro dele (o tomo IV das <i>Oeuvres de Victor Cousin</i>, impresso em Bruxelas em 1845 e com o carimbo da Biblioteca Pública Provincial) ainda existe no acervo da Biblioteca Pública Estadual. Cousin “esforçou-se por combinar as ideias de Descartes, da escola escocesa, de Kant, num espiritualismo pouco coerente mas brilhantemente expresso<span id="BIOG_RP55V">.&#8221;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP55" title="Grande Enciclopédia Delta Larousse. Rio de Janeiro: Editora Delta, 1972. v. 5."><sup><b>[ 55 ]</b></sup></a></p>
<p>O padre Antunes cita por duas vezes, às paginas 26 e 57 da 2a edição do <i>Esboço histórico</i>, as ideias de Emílio Castelar (1832-1899), escritor e político espanhol, republicano e o maior orador parlamentar da Espanha na segunda metade do século XIX<span id="BIOG_RP56V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP56" title="Ibidem. v. 4."><sup><b>[ 56 ]</b></sup></a> Vemo-lo citando também Eugène Sue (1808-1857), romancista francês que fez enorme sucesso com romances em folhetim descrevendo o submundo <span id="BIOG_RP57V">parisiense</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP57" title="Ibidem. v. 14."><sup><b>[ 57 ]</b></sup></a> e Cesare Cantu (1804-1895), escritor e historiador italiano, que escreveu de 1838 a 1846 a <i>História Universal</i> em 35 volumes inspirada pelos ideais de um catolicismo liberal e obra muito lida, inclusive no Brasil<span id="BIOG_RP58V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP58" title="Ibidem. v. 5."><sup><b>[ 58 ]</b></sup></a></p>
<p>Um perfil do padre Antunes de Siqueira pode ser elaborado a partir de palavras registradas por diversas pessoas.</p>
<p>Amâncio <span id="BIOG_RP59V">Pereira</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP59" title="PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2."><sup><b>[ 59 ]</b></sup></a> fala com o coração da amizade: “Espírito esclarecido, talentoso e excelente orador sacro. […] Era ilustrado, de um gênio expansivo e possuía invejável memória. Teve amigos que o apreciavam e que jamais olvidarão sua memória!”</p>
<p>Afonso <span id="BIOG_RP60V">Cláudio</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP60" title="CLÁUDIO, Afonso. História da Literatura Espírito-santense. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 223-6."><sup><b>[ 60 ]</b></sup></a> faz uma análise maios para o lado psicológico:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Antunes de Siqueira fazia parte da legião de brincalhões inteligentes que se foram e da qual é hoje o único documento autêntico. […] Regressando a sua terra […] foi então quando começou a experimentar o efeito das amargas desilusões; de um lado o seu temperamento facilmente impressionável e de outro o meio deletério em que tinha de atuar […] mas o padre não tinha a couraça que forra as energias aos lutadores seletos; sua sensibilidade não lhe permitia prolongado dispêndio de forças em repelir ultrajes […] Sitiado pelas paixões, ora iracundo, ora compassivo, volúvel nos atos e nos gestos, distendendo-lhe a veia irônica e o poeta surge como um complemento do folgazão. É de vê-lo tomar à incultura do populacho os dictérios da moda, os ridículos e sarcasmos com que revida as agressões.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O próprio padre se analisa: “Tenho um gênio sôfrego; por isso a pressa faz imperfeito o meu trabalho e, na associação de ideias, corro longas digressões […] Ambição de escrever, desejos de agradar, glória de corresponder à confiança, tudo isso me exalta, a ponto de esquentar-se a cabeça pela ebulição de ideias que, às vezes, chegam a engurgitar o pensamento!” (final do artigo 32 das <i>Memórias do passado</i>).</p>
<p>Hoje podemos falar que sua vida, principalmente intelectual, foi como a fachada em relação ao corpo da igreja de Santa Cruz: maior na aparência do que é na realidade. Mas isso não tira de modo algum o seu valor como pessoa ou artista.</p>
<p>Como provado antes, foi o padre Antunes, na qualidade de pároco local, quem principiou a construção da matriz na vila de Santa Cruz por sua fachada principal e nisto ele acompanhou iniciativas semelhantes daquele período. Diversos fatores contribuíram para a interrupção da obra, que ficou incompleta e, por isso mesmo, constituindo-se em valioso e interessante documento para a história e a arte.</p>
<p>Também o padre Antunes se formou visando muito a aparência, a eloquência, a erudição. Tendo-se dispersado nos caminhos da vida não pôde erigir em toda sua plenitude e acabamento o edifício de sua personalidade. E esse ente intelectual restou com uma grande e imponente fachada, mas sem toda a substância correspondente por detrás. De qualquer forma, até estes contrastes bizarros são válidos e esclarecedores, tanto na vida de uma pessoa, quanto na existência de um edifício.</p>
<p>O padre Francisco Antunes de Siqueira morreu “vitimado por uma congestão cerebral<span id="BIOG_RP61V">&#8220;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP61" title="Estado do Espírito Santo, Vitória, 30 nov. 1897. p."><sup><b>[ 61 ]</b></sup></a> às 8 horas da noite do dia 29 de novembro de 1897 em Vila Velha, onde era pároco, cargo de que tinha solicitado exoneração dois dias antes. O enterro do seu corpo deu-se no dia seguinte na então matriz de Vila Velha, atual igreja do Rosário na Prainha, com “presença de muitas autoridades e numeroso povo”<span id="BIOG_RP62V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP62" title="Ibidem. 1o dez. 1897."><sup><b>[ 62 ]</b></sup></a> falando na ocasião o bispo d. João <span id="BIOG_RP63V">Néry</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP63" title="PEREIRA. Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. Comércio do Espírito Santo, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2. Na relação que Amâncio Pereira faz das obras impressas do padre Antunes está a 'Alocução Congratulatória ao exmo. sr. bispo diocesano d. João Batista Corrêa Néry, em homenagem a sua visita pastoral à cidade do Espírito Santo [atual Vila Velha] no dia 21 de novembro de 1897'."><sup><b>[ 63 ]</b></sup></a> e “a talentosa aluna da Escola Normal, d. Alice Corrêa<span id="BIOG_RP64V">&#8220;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP64" title="Ibidem."><sup><b>[ 64 ]</b></sup></a></p>
<p>É patrono da cadeira n° 16 da Academia Espírito-santense de Letras.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="BIOG_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira.<i> Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 214.</div>
<div id="BIOG_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;ARQUIVO DA CÚRIA METROPOLITANA, Rio de Janeiro. Processos de <i>genere e vita et moribus</i> em nome de Francisco Antunes de Sequeira.</div>
<div id="BIOG_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp;TINOCO, Antônio. Padre Antunes de Siqueira. <i>A Gazeta</i>, Vitória, 26 jan. 1951.</div>
<div id="BIOG_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;NOVAES, Maria Stella de. <i>História do Espírito Santo</i>. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 122-3. Na mesma obra à p. 171 a autora, noticiando o nascimento do padre Antunes, registra: “Seguiu o destino de tantos jovens espírito-santenses, conforme escrevemos noutro capítulo.”</div>
<div id="BIOG_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp;GAMA FILHO, Oscar. <i>Razão do Brasil: em uma sociopsicanálise da literatura capixaba</i>. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. p. 44-5.</div>
<div id="BIOG_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp;Documento datado do Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1851, e assinado por Manoel Joaquim da Silveira, constante dos processos de <i>genere e vita et moribus</i> antes citados.</div>
<div id="BIOG_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem.</div>
<div id="BIOG_RP22">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP22V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a>&nbsp;Informações obtidas nos processos de <i>genere e vita et moribus</i> antes referenciados.</div>
<div id="BIOG_RP23">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP23V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP24">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP24V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 224.</div>
<div id="BIOG_RP25">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP25V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a>&nbsp;ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly, livro 311.</div>
<div id="BIOG_RP26">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP26V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem.</div>
<div id="BIOG_RP27">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP27V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a>&nbsp;ROCHA, Levy. <i>Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo</i>. Brasília: EBRASA, 1971. p. 94. O autor não menciona no texto a fonte de onde teria extraído estas observações. Deve-se assinalar o equívoco cometido pelo criterioso historiador referindo-se a Santa Cruz como o local de nascimento do padre Antunes, equívoco que se repetiu na nota 14 à página 33 da obra <i>Viagem à Província do Espírito Santo</i> de Auguste-François Biard.</div>
<div id="BIOG_RP28">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP28V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a>&nbsp;BIARD, Agugust-François. <i>Viagem à província do Espírito Santo</i>. Vitória: Cultural-ES. s/d, p.33.</div>
<div id="BIOG_RP29">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP29V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a>&nbsp;Informações colhidas nos processos de habilitação de <i>genere e de vita et moribus</i> do padre Antunes pesquisados no Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro e no livro 311 da série Accioly existente no Arquivo Público Estadual do Espírito Santo.</div>
<div id="BIOG_RP30">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP30V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a>&nbsp;OLIVEIRA, José Teixeira de. <i>História do Estado do Espírito Santo</i>. 2. ed. ampl. e atual. Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo, 1974-75. p. 382.</div>
<div id="BIOG_RP31">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP31V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>. Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP32">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP32V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a>&nbsp;ROCHA, Levy. Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. <i>Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro</i>. Rio de Janeiro. IHGB, 1960. v. 246. Separata. p. 40.</div>
<div id="BIOG_RP33">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP33V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 33 ]</b></sup></a>&nbsp;ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly – livro n° 311.0 último ofício assinado pelo vigário Francisco Antunes de Siqueira é datado de 24 de fevereiro de 1869.</div>
<div id="BIOG_RP34">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP34V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 34 ]</b></sup></a>&nbsp;ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly – livro n° 187.</div>
<div id="BIOG_RP35">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP35V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 35 ]</b></sup></a>&nbsp;ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DO ESPÍRITO SANTO. Vitória. Série Accioly – livro n° 199. O recurso é acompanhado de pública-forma de oito atestados favoráveis ao padre Antunes assinados por diversas autoridades que elogiam o seu comportamento e, em alguns deles, o eximem de participação nos acontecimentos antes referidos de 8 de setembro de 1876 envolvendo a irmandade do SS. Sacramento.</div>
<div id="BIOG_RP36">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP36V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 36 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 226. Cita também “desavenças que teve com o comandante da companhia de aprendizes marinheiros, de que foi capelão, [e] com o capitão do porto.”</div>
<div id="BIOG_RP37">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP37V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 37 ]</b></sup></a>&nbsp;FRAGA, Christiano Woelffel. <i>A Maçonaria no Espírito Santo</i>. Vitória: s.n., 1995. p. 129.</div>
<div id="BIOG_RP38">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP38V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 38 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 214.</div>
<div id="BIOG_RP39">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP39V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 39 ]</b></sup></a>&nbsp;TINOCO, Antônio. Padre Antunes de Siqueira. <i>A Gazeta</i>, Vitória, 26 jan. 1951.</div>
<div id="BIOG_RP40">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP40V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 40 ]</b></sup></a>&nbsp;ELTON, Elmo. <i>Velhos templos de Vitória &amp; outros temas capixabas</i>. Vitória: Conselho Estadual de Cultura, 1987. p. 89.</div>
<div id="BIOG_RP41">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP41V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 41 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 329 e 232.</div>
<div id="BIOG_RP42">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP42V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 42 ]</b></sup></a>&nbsp;NOVAES, Maria Stella de. <i>História do Espírito Santo</i>. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 294. (O. D. C. significa Oferece, Dedica e Consagra, segundo fórmula da época.).</div>
<div id="BIOG_RP43">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP43V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 43 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. <i>Homens e Cousas Espírito-Santenses</i>. Vitória: Artes Gráficas, 1914. 1o. livro, p. 129.</div>
<div id="BIOG_RP44">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP44V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 44 ]</b></sup></a>&nbsp;SIQUEIRA, Francisco Antunes de. <i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>. 2. ed. Vitória: Imprensa Oficial, 1944. p. 137 a 144.</div>
<div id="BIOG_RP45">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP45V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 45 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP46">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP46V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 46 ]</b></sup></a>&nbsp;BICHARA, Terezinha Tristão. <i>História do Poder Legislativo do Espírito Santo &#8211; 1835-1889</i>. Vitória: Leoprint, 1984. v. 1.1. 1. p. 199.</div>
<div id="BIOG_RP47">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP47V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 47 ]</b></sup></a>&nbsp;Op. cit. p. 328.</div>
<div id="BIOG_RP48">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP48V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 48 ]</b></sup></a>&nbsp;MONJARDIM, Adelpho Poli. <i>O Espírito Santa na história, na lenda e no folclore</i>. Vitória, s.n., 1983. p. 97. Nesta obra o ilustre historiador reproduz trechos sobre o mesmo assunto existentes às páginas 116-117 do livro <i>Biografia de Uma Ilha</i> de Luiz Serafim Derenzi. 2 ed. Vitória: PMV, 1995, editado originalmente em 1965.</div>
<div id="BIOG_RP49">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP49V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 49 ]</b></sup></a>&nbsp;BICHARA, Terezinha Tristão. <i>História do Poder Legislativo do Espírito Santo &#8211; 1835-1889</i>. Vitória: Leoprint, 1984. v. 1.1. 1. p. 197.</div>
<div id="BIOG_RP50">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP50V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 50 ]</b></sup></a>&nbsp;Op. cit. p. 188.</div>
<div id="BIOG_RP51">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP51V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 51 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP52">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP52V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 52 ]</b></sup></a>&nbsp;LINS, Ivan. <i>História do Positivismo no Brasil</i>. São Paulo: Nacional, 1964. p. 227.</div>
<div id="BIOG_RP53">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP53V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 53 ]</b></sup></a>&nbsp;Op. cit. p. 221.</div>
<div id="BIOG_RP54">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP54V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 54 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 227.</div>
<div id="BIOG_RP55">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP55V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 55 ]</b></sup></a>&nbsp;<i>Grande Enciclopédia Delta Larousse</i>. Rio de Janeiro: Editora Delta, 1972. v. 5.</div>
<div id="BIOG_RP56">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP56V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 56 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem. v. 4.</div>
<div id="BIOG_RP57">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP57V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 57 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem. v. 14.</div>
<div id="BIOG_RP58">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP58V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 58 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem. v. 5.</div>
<div id="BIOG_RP59">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP59V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 59 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA, Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2.</div>
<div id="BIOG_RP60">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP60V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 60 ]</b></sup></a>&nbsp;CLÁUDIO, Afonso. <i>História da Literatura Espírito-santense</i>. Porto: Comércio do Porto, 1912. p. 223-6.</div>
<div id="BIOG_RP61">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP61V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 61 ]</b></sup></a>&nbsp;Estado do Espírito Santo, Vitória, 30 nov. 1897. p.</div>
<div id="BIOG_RP62">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP62V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 62 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem. 1o dez. 1897.</div>
<div id="BIOG_RP63">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP63V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 63 ]</b></sup></a>&nbsp;PEREIRA. Amâncio Pinto. Antunes de Siqueira. <i>Comércio do Espírito Santo</i>, Vitória, 2 dez. 1897, p. 2. Na relação que Amâncio Pereira faz das obras impressas do padre Antunes está a “Alocução Congratulatória ao exmo. sr. bispo diocesano d. João Batista Corrêa Néry, em homenagem a sua visita pastoral à cidade do Espírito Santo [atual Vila Velha] no dia 21 de novembro de 1897″.</div>
<div id="BIOG_RP64">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/#BIOG_RP64V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 64 ]</b></sup></a>&nbsp;Ibidem.</div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 1999&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Fernando Achiamé&nbsp;</b>nasceu em Colatina, ES, em 22/02/1950 e fixou-se em Vitória a partir de 1955. Formado em história pela Universidade Federal do Espírito Santo e em língua e literatura francesas pela Universidade de Nancy II (Pela Aliança Francesa do Brasil). Especialista em arquivos pela Ufes. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-fernando/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/">Biografia do Pe. Francisco Antunes de Siqueira</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<title>Artigo 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 19:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim, pelo nascimento e coroação de um príncipe, como foi o de Pedro II, erguia-se, no plano que termina a ladeira do palácio, residência dos antigos governadores e hoje dos presidentes da província,[ 1 ] junto à velha casinha em que habita a família do Major Paula, prestimoso cidadão, antigo mestre de música profana e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Assim, pelo nascimento e coroação de um príncipe, como foi o de Pedro II, erguia-se, no plano que termina a ladeira do palácio, residência dos antigos governadores e hoje dos presidentes da província<span id="MDII_RP1V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP1" title="Atual palácio Anchieta."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> junto à velha casinha em que habita a família do Major Paula, prestimoso cidadão, antigo mestre de música profana e religiosa, uma grande barraca coberta com o velame de embarcações, elevada do solo dois metros, assoalhada, e ali se montava um teatro com aqueles bastidores antigos, próprios para os quadros dos dramas e comédias da velha escola que tantas lágrimas faziam derramar às pessoas sentimentais e outros tantos risos provocavam aos galhofeiros.</p>
<p>De um e outro lado, em toda extensão da ladeira, viam-se camarotes, adornados de cortinas e bambinelas<span id="MDII_RP2V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP2" title="Cortina, dividida em duas partes, usada para adornar janelas e portas."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> de variegadas cores, que protegiam do sereno as famílias e os cavalheiros mais distintos da nossa sociedade. O resto do povo sentava-se em bancos, cadeiras, tamboretes e até esteiras!</p>
<p>Conforme as posses de cada um, iluminavam esses camarotes com globos de vidro, com lanternas de duas faces, tendo as frentes ornadas de festões e grinaldas, que lhes davam um aparatoso realce!</p>
<p>À frente do teatro grimpavam gigantes palmeiras, entrelaçadas de heras e parasitas. Os ramos de murta, consagrados a Vênus pela Mitologia, enfeitavam as colunas e capitéis que formavam a boca do teatro.</p>
<p>O grande pano que protegia o cenário tinha pintado o quadro histórico de Sansão, escancarando as fauces do leão que o acometera. Era obra do pincel do amador e talentoso Gomes Neto.</p>
<p>A frente do pano estavam em ordem, bem dispostas, tigelinhas de barro que foram mais tarde substituídas por copinhos, cheias de azeite de peixe<span id="MDII_RP3V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP3" title="Óleo de baleia."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> que, umedecendo <span id="MDII_RP4V">capulhos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP4" title="Cápsulas dentro das quais se forma o algodão. "><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> de algodão, ateavam com o fogo chamas que derramavam a luz por todo o espaço exterior e interior do palco.</p>
<p>Pela instrução que nos deu o mestre de cena<span id="MDII_RP5V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP5" title="Diretor de teatro."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> ensaiador e contra-regra Souza Ribeiro, natural da Bahia, onde era profissional na matéria, ali havia entrada alta e baixa, direita e esquerda, distribuindo-se os papéis conforme o caráter de cada um.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Representaram-se ali Inês de Castro, Dom José I, O Poeta e a Inquisição, Os Salteadores de Mongrève, Zulmira, O Juiz de Paz da Roça, Zanguizarra, O Aprendiz de Ladrão, O Doutor Sovina, Quem Casa Quer Casa, O Irmão das Almas, Judas em Sábado de Aleluia, precedendo-as monólogos em verso heróico, adequados aos assuntos da festa, obras do talentoso padre Marcelino, padre Fraga e padre Sales.<br />
Odes, sonetos, décimas, sextilhas eram recitadas dos camarotes e até do próprio palácio dos presidentes!</p>
<p>A ouverture tocava a singela música, composta de um violoncelo, uma rabeca<span id="MDII_RP6V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP6" title="Designação antiquada do violino."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> dois violões e, às vezes, uma guitarra, executando polcas e contradanças do antigo ramerrão! Assim se prosseguia em todos os intervalos da ópera.</p>
<p>Nestas festas por motivos profanos, principiava o espetáculo por um quadro simbólico, figurando personagens históricas, emblemas e brasões nacionais. Estandartes, armas, destroços<span id="MDII_RP7V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP7" title="Possivelmente troféus ou apetrechos militares."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> regimentos, parques<span id="MDII_RP8V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP8" title="Munições de guerra ou material de artilharia."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> tambores, montículos de balas, eram os monumentos que apregoavam as glórias da pátria.</p>
<p>Que promiscuidade de sentimentos! Que entusiasmo!</p>
<p>Que risos! O povo desprendia-se de todos os seus cuidados e lazeres e cada qual queria ser o primeiro a rivalizar para a grandeza da festa! Era uma febre delirante, que extasiava a gente.</p>
<p>Não havia, como hoje, o egoísmo, a indiferença, a tibieza, a excentricidade que tem amortecido o entusiasmo do povo!</p>
<p>Que indiferença não se nota hoje para a exaltação dos brios nacionais e pátrios!&#8230;</p>
<p>Eram atores nos dramas: Bastos, Ladislau, Manoel Simões, Torquato Simões, Bernardino, o escrivão, major Leitão, Paiva, Lima; nas comédias: Gomes Neto, Manoel Tomás, Ferreira, Feijó, Miranda, Antunes, Teodoro, Batista, Luís Paiva, Teixeira, Goulart, pai — que faziam rir a bandeiras despregadas!&#8230;.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
A <span id="MDII_RP9V">troça</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP9" title="Grupo de meninos que se reuniam para iniciação de vida social, jogos, folguedos, pequenos bailes."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> dos estudantes do padre Sales, de propósito, confundia-se com o povo para pôr em prática suas travessuras e maroteiras!</p>
<p>Assim é que, nos intervalos, <span id="MDII_RP10V">barulhados</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP10" title="Misturados desordenadamente."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> por aquelas imensas ondas de povo, não podendo delas safar-se, ali comiam roscas, pastéis, bananas, jogando os resíduos nas velhas que cochilavam!</p>
<p>E quando acontecia despregar-se do céu copiosa chuva, que confusão! Amparado pelas esteiras de Jucutuquara, único abrigo, eis esse inúmero povo a acotovelar-se, a escorregar, a cair em trambolhões, pelas ladeiras <span id="MDII_RP11V">tapizadas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP11" title="Atapetadas."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> de capim e muxinga<span id="MDII_RP12V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP12" title="Vassourinha, erva da família das escrofulariáceas."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> sob as trevas de uma noite tempestuosa, apenas clareada pelos relâmpagos e pela cambiante luz dos poucos lampiões de quatro bicos, cheios de nojento azeite de peixe — clássica iluminação daquele tempo tão simples e feliz.<br />
Mesmo assim, com todos esses transtornos, retiravam-se contentes e diziam os grupos pelas ruas: — Nhá mãe (uma mais espevitada), que peça! Que cena! Que toques de musga<span id="MDII_RP13V">!</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP13" title="Possível corruptela de música."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a></p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="MDII_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Atual palácio Anchieta.</div>
<div id="MDII_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Cortina, dividida em duas partes, usada para adornar janelas e portas.</div>
<div id="MDII_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Óleo de baleia</div>
<div id="MDII_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Cápsulas dentro das quais se forma o algodão.</div>
<div id="MDII_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Diretor de teatro.</div>
<div id="MDII_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Designação antiquada do violino.</div>
<div id="MDII_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Possivelmente troféus ou apetrechos militares.</div>
<div id="MDII_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Munições de guerra ou material de artilharia.</div>
<div id="MDII_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Grupo de meninos que se reuniam para iniciação de vida social, jogos, folguedos, pequenos bailes.</div>
<div id="MDII_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Misturados desordenadamente.</div>
<div id="MDII_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Atapetadas.</div>
<div id="MDII_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Vassourinha, erva da família das escrofulariáceas.</div>
<div id="MDII_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/2/#MDII_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;Possível corruptela de música.</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Pe. Francisco Antunes de Siqueira</b>&nbsp;nasceu em 1832, em Vitória, ES, e faleceu na mesma cidade, em 1897. Autor de:&nbsp;<i>A Província do Espírito Santo (Poemeto)</i>,&nbsp;<i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>, &nbsp;<i>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</i>. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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			</item>
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		<title>Anexo 1</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/anexo-1_1/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Achiamé]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Documento estampado à página 8 do jornal A Província do Espírito Santo de 30 de março de 1885: Às autoridades civis e eclesiásticas de meu país. Declaro sob a fé, e palavra de sacerdote, que em minha vida, pública e particular, nunca tentei contra a honra das famílias, nem lesei a fortuna do meu próximo. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>
Documento estampado à página 8 do jornal <i>A Província do Espírito Santo</i> de 30 de março de 1885:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Às autoridades civis e eclesiásticas de meu país.</p>
<p>Declaro sob a fé, e palavra de sacerdote, que em minha vida, pública e particular, nunca tentei contra a honra das famílias, nem lesei a fortuna do meu próximo. Apelo para o testemunho de todas as pessoas, inda mesmo desafetas, com quem tenho tratado, e para os paroquianos de Carapina, Santa Cruz e Barra de São Mateus, onde exerci o parocato, além dos habitantes desta cidade. Provoco a quem se julgar ofendido que me denuncie, para receber o justo castigo, em desafronta da moral, da sociedade, e do pudor da família.<br />
No mais delicado exercício de minhas penosas funções de sacerdote, embora pecador, pela fragilidade humana, nunca aliciei, nem solicitei pessoa alguma “ad inhonesta”.</p>
<p>Vitória, 30 de março de 1885.<br />
&nbsp;Padre Francisco Antunes de Siqueira.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Na mesma página do jornal estão publicados, mais adiante, dois outros documentos:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Ilmo. Sr. Redator d’A Folha da Vitória &#8211; Aparecendo em seu jornal de ontem uma denúncia do rapto de uma donzela, feito por um sacerdote que existe entre nós; peço-lhe queira sob sua palavra de honra declarar se é com o abaixo assinado que se pode entender; permitindo-me fazer de sua resposta o uso que me convier. De V. S. at. v.or. &#8211; padre Manoel Rodrigues Bermude de Oliveira &#8211; Vitória, 30 de março de 1885.</p>
<p>Ilmo. Sr. &#8211; O fato criminoso, que o boato tem dado corpo, e posto em atividade o delegado de polícia deste termo, não tem por ora autor conhecido; entretanto não tenho escrúpulo em julgar V. Rev. fora de tão infamante reputação. Brevemente chegará o público ao conhecimento da verdade, e Deus queira que não passe semelhante boato de uma invenção torpe. Pode S. Rev. fazer desta resposta o uso que lhe convier. De V. rev. at. V. or. &#8211; Aristides B. de B. Freire.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Artigo 24</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Falemos ainda de atos religiosos que esta cidade presenciou nos tempos que saudosos nos deixaram. A influência afável, ao estímulo poderoso de um espírito cultivado devo o fazer este quadro mais completo. Tinha-o reduzido muito, desconfiado da sorte que aguarda minhas pobres composições; como porem animam-me o afago e a benevolência do endossante desta letra, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Falemos ainda de atos religiosos que esta cidade presenciou nos tempos que saudosos nos deixaram.</p>
<p>A influência afável, ao estímulo poderoso de um espírito cultivado devo o fazer este quadro mais completo. Tinha-o reduzido muito, desconfiado da sorte que aguarda minhas pobres composições; como porem animam-me o afago e a benevolência do endossante desta letra, penhor de amizade, lá vai mais alguma curiosidade que me sugere a memória.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Na quarta-feira de cinzas, primeiro dia da Quaresma, festa da liberdade cristã, salva dos grilhões da culpa como os hebreus da opressão do faraó, depois da bênção e distribuição das cinzas, cerimônia assistida por todos os terceiros da ordem da Penitência ereta no franciscano convento, pelas 4 horas da tarde, saía uma procissão pomposa de todos os santos que haviam militado sob os estandartes da penitência e que modelaram pela prática perseverante das virtudes cristãs os prosélitos da religião de Francisco de Assis.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Eis as figuras que, em ricos andores, eram conduzidas pelos irmãos terceiros, precedidos de uma grande cruz, com o abraço do Cristo e Francisco, símbolo da união, tendo no alto a seguinte inscrição: <i>Agite poenitentiam</i><span id="XXIV_RP1V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP1" title="Fazei penitência."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></p>
<p>1º andor — Nossa Senhora da Conceição, ao qual acompanhava um anjo com uma tarja onde se lia a seguinte estrofe: <i>In conceptione tua, virgo, immaculata fuisti</i><span id="XXIV_RP2V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP2" title="Na tua concepção, ó virgem, foste imaculada."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> Pertencia aos noviços.</p>
<p>2º andor — O Salvador do mundo, figura de pé tendo encostada a si uma cruz com esta legenda: <i>Tollat crucetn suam</i><span id="XXIV_RP3V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP3" title="Carregue a sua cruz."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> Um anjo caminhava adiante com a seguinte inscrição: <i>Factus obediens usque ad mortem</i><span id="XXIV_RP4V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP4" title="Feito obediente até a morte."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> O encarregado desta figura era o irmão José Cláudio de Freitas.</p>
<p>3º andor — O padre São Francisco de Assis, de pé com uma cruz encostada a si, tendo esta legenda: <i>Imitatores mei stote, sicut et ego Christi</i><span id="XXIV_RP5V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP5" title="Sede meus imitadores, como o sou de Cristo."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> O anjo que o precedia levava esta inscrição: <i>Quicumque hanc regulam secuti fuerint, pax super illos</i><span id="XXIV_RP6V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP6" title="Os que seguirem esta regra terão paz."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> Era o encarregado Francisco Mendes da Silva.</p>
<p>4º andor — São Lúcio e Santa Bona, sua companheira, terceiros, com seus rosários e <span id="XXIV_RP7V">disciplinas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP7" title="Correias com que frades e devotos se açoitam por penitência ou castigo."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> de penitência e mortificação da carne. Eram eles o símbolo da união conjugal. O anjo que precedia-os tinha a seguinte inscrição: <i>Quod Deus conjunxit, homo non separeit</i><span id="XXIV_RP8V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP8" title="O que Deus uniu, o homem não separe, ou não desligue o homem aquilo que Deus ajuntou, como está à p. 110 do Esboço Histórico."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a></p>
<p>5º andor — São Guálter, vestido de murça roxa, com báculo, mitra branca e pluvial branco. O anjo levava a seguinte inscrição: <i>Consummatus in brevi, explevit têmpora multa</i><span id="XXIV_RP9V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP9" title="Em pouco tempo de vida, realizou muitas coisas."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> Era seu encarregado Veríssimo Manoel de Aguiar.</p>
<p>6º andor — Santa Rosa de Viterbo, titular da capela da Ordem, tendo na mão uma cruz e no regaço do hábito um ramo de rosas. O anjo levava esta inscrição: <i>Quasi rosa, plantatio inJericho</i><span id="XXIV_RP10V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP10" title="Qual rosa plantada em Jericó."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a></p>
<p>7º andor — São Ivo, doutor, de batina, banda, sobrepeliz e capelo. Levava na mão esquerda um livro e na direita uma pena. O anjo tinha esta inscrição: <i>Bonum certamen certavi, fidem servavi</i><span id="XXIV_RP11V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP11" title="Combati o bom combate, guardei a fé."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> Era do mesmo irmão Aguiar.</p>
<p>8º andor — Santa Margarida de Cortona, modelo da mais acrisolada penitência. Cingida com cilício<span id="XXIV_RP12V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP12" title="Pequena túnica ou cinto ou cordão, de crina, de lã áspera, às vezes com farpas de madeira, que, por penitência, se vestia diretamente sobre a pele."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> cabelo desgrenhado. Tinha na mão esquerda um crucifixo e na direita uma disciplina; ia de joelhos. O anjo tinha esta inscrição: <i>Mulier timens Dominum, ipsa laudabitur</i><span id="XXIV_RP13V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP13" title="A mulher temente a Deus será louvada."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a></p>
<p>9º andor — São Luís, rei de França, que trocara a púrpura pelo grosseiro <span id="XXIV_RP14V">saial</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP14" title="Antiga vestidura grosseira, para homem ou mulher."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a> da penitência. Na mão direita empunhava o cetro e na esquerda uma coroa de espinhos. O anjo tinha esta inscrição: <i>Initium sapientiae est timor Domini</i><span id="XXIV_RP15V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP15" title="O princípio da sabedoria é o temor de Deus."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a> Não tinham estes pessoas designadas.</p>
<p>10° andor — O beato Antônio de Noto, de cor preta. Na mão direita levava uma pedra e na esquerda um crucifixo. O anjo que o precedia levava esta inscrição: <i>Niger in facie, sed formosus in corde</i><span id="XXIV_RP16V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP16" title="Negro na face (ou preto no rosto, como está no Esboço histórico, p. 110), mas formoso no coração."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a></p>
<p>11º andor — Santa Isabel, rainha de Portugal. Na mão direita levava uma muleta; no regaço do manto rosas e aos pés a coroa. O anjo tinha esta inscrição: <i>Mulierem fartem quis inveniet<span id="XXIV_RP16V">?</span></i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP17" title="Uma mulher virtuosa quem a encontrará?"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a></p>
<p>O décimo andor era do irmão Antônio Francisco de Sales e o décimo-primeiro, de João Carvalho de Abreu.</p>
<p>12° andor — Nossa Senhora do Rosário. O anjo tinha esta inscrição:<i> Hoc rozarium utile est hominibus</i><span id="XXIV_RP18V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP18" title="Este rosário é útil a todos."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a></p>
<p>13° — O grande crucificado no alto do Alverne, e São Francisco recebendo as chagas. O anjo precursor tinha esta inscrição: <i>Mihi absit gloriari nisi in cruce Domini N. J. C</i><span id="XXIV_RP19V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP19" title="Estou longe de me vangloriar, a não ser na cruz de Cristo."><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a></p>
<p>Ao sair de cada imagem vibrava o sino de São Francisco os seus plangentes sons.</p>
<p>Era um espetáculo que animava a lembrança dos tempos em que se abnegava o terreno, para inebriar-se nas vistas da salvação!</p>
<p>Depois deste séquito imenso, fazendo-lhe alas grande número de terceiros, via-se o anjo tutelar da Ordem, de espada em punho, com seu escudo de cruz vermelha, com coturnos escarlates, armado de largas asas, coberto com capacete de guerreiro, tendo na frente três plumas ou penachos encarnados que se agitavam ufanos pelo movimento compassado do corpo.</p>
<p>O peito do anjo era enfeitado com jóias e pedras preciosas.</p>
<p>Junto do pálio ia um coro de anjos que serviam de <span id="XXIV_RP20V">navieulários</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP20" title=" Portadores da naveta (vaso pequeno, com o feitio dum barco, em que, nas festas de igreja, se guarda o incenso)."><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a> e turiferários<span id="XXIV_RP21V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP21" title="Os que levam o turíbulo (vaso onde se queima o incenso nos templos)."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a> incensando o santo lenho.</p>
<p>Estas cenas não falavam tanto ao coração humano? Não despertavam ideias grandes acerca da religião que tanto policiou os nossos costumes? Esta falange de bem-aventurados não era vivo e eloquente modelo da conduta do povo, hoje tão indisciplinado e corrompido?&#8230; Digam os grandes pensadores&#8230;</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<div id="XXIV_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Fazei penitência.</div>
<div id="XXIV_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Na tua concepção, ó virgem, foste imaculada.</div>
<div id="XXIV_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Carregue a sua cruz.</div>
<div id="XXIV_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Feito obediente até a morte.</div>
<div id="XXIV_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Sede meus imitadores, como o sou de Cristo.</div>
<div id="XXIV_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Os que seguirem esta regra terão paz.</div>
<div id="XXIV_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Correias com que frades e devotos se açoitam por penitência ou castigo.</div>
<div id="XXIV_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;O que Deus uniu, o homem não separe, ou não desligue o homem aquilo que Deus ajuntou, como está à p. 110 do <i>Esboço Histórico</i>.</div>
<div id="XXIV_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Em pouco tempo de vida, realizou muitas coisas.</div>
<div id="XXIV_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Qual rosa plantada em Jericó.</div>
<div id="XXIV_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Combati o bom combate, guardei a fé.</div>
<div id="XXIV_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Pequena túnica ou cinto ou cordão, de crina, de lã áspera, às vezes com farpas de madeira, que, por penitência, se vestia diretamente sobre a pele.</div>
<div id="XXIV_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;A mulher temente a Deus será louvada.</div>
<div id="XXIV_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga vestidura grosseira, para homem ou mulher.</div>
<div id="XXIV_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp;O princípio da sabedoria é o temor de Deus.</div>
<div id="XXIV_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;Negro na face (ou preto no rosto, como está no <i>Esboço histórico</i>, p. 110), mas formoso no coração.</div>
<div id="XXIV_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;Uma mulher virtuosa quem a encontrará?</div>
<div id="XXIV_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp;Este rosário é útil a todos.</div>
<div id="XXIV_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp;Estou longe de me vangloriar, a não ser na cruz de Cristo.</div>
<div id="XXIV_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&nbsp;Portadores da naveta (vaso pequeno, com o feitio dum barco, em que, nas festas de igreja, se guarda o incenso).</div>
<div id="XXIV_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-24/#XXIV_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp;Os que levam o turíbulo (vaso onde se queima o incenso nos templos).</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Pe. Francisco Antunes de Siqueira</b>&nbsp;nasceu em 1832, em Vitória, ES, e faleceu na mesma cidade, em 1897. Autor de:&nbsp;<i>A Província do Espírito Santo (Poemeto)</i>,&nbsp;<i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>, &nbsp;<i>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</i>. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<title>Crítica de atribuição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Achiamé]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Existem evidências no texto ora criticado que levaram a estabelecer, entre os possíveis autores, aquele que foi o verdadeiro criador do trabalho. Neste passo não se pode perder de vista uma frase do próprio padre Antunes: “Todo excesso é vicioso, e até, segundo os lógicos, o muito provar é nada provar…&#8220;[ 5 ] De início, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Existem evidências no texto ora criticado que levaram a estabelecer, entre os possíveis autores, aquele que foi o verdadeiro criador do trabalho. Neste passo não se pode perder de vista uma frase do próprio padre Antunes: “Todo excesso é vicioso, e até, segundo os lógicos, o muito provar é nada provar…<span id="CRAT_RP5V">&#8220;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP5" title="SIQUEIRA, Francisco Antunes de. Esboça Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense. 2. ed. Vitória: Imprensa Oficial, 1944. p. 116."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>De início, foi eliminada a possibilidade de a obra ter sido elaborada por mais de uma pessoa, já que nela seu autor faz alusões a si mesmo na primeira pessoa do singular, todas dando testemunho de fatos que vivenciou ou dos quais ouviu falar por conhecidos e parentes. Estas são, na realidade, memórias elaboradas por um só indivíduo.</p>
<p>Mas não um indivíduo qualquer. Como diz a supra-mencionada nota jornalística que apresenta as <i>Memórias do Passado</i> elas são “oriundas de uma habilíssima e aplaudida pena”. A primeira evidência sobre a autoria dos artigos se relaciona com a cultura, o grau de instrução, ou seja, com a capacidade que o autor possuía para escrever o texto. No que se refere àquela época, o perfil de um padre intelectual é o que melhor se enquadra como criador de obras como a presente. Ressalta clara em todo o texto uma erudição que, naquele tempo, era própria de sacerdotes, ou seja, um tipo de erudição com citações em latim, referências detalhadas ao culto religioso católico e opiniões que indicam uma nítida formação em seminário. E como se o próprio texto fosse repetindo: “Fui escrito por um padre.” Mas isto é uma pista e, isoladamente, nada significa. Há necessidade de juntar a esta evidência outras que se encaixem entre si, como num <i>puzzle</i>.</p>
<p>Das evidências que me orientaram para estabelecer a autoria do texto, a que logo chamou atenção refere-se à idade do autor, quando no início do artigo 14 ele afirma: “A este período, que abrange o longo espaço de meio século, que marca a minha existência, tão pesada pelas contrariedades da vida e inconstâncias da sorte, que cegamente dá e cegamente tira, como lhe apraz, em seu rápido redemoinho, […]”. E quando declara quase no final do último artigo: “Terminei a tarefa cujo temerário empreendimento, inspirado por um afetuoso patrício, arriscou-me a grande indiscrição! […] Tenho um gênio sôfrego; […] defeito que ainda não pude corrigir, apesar de meio século de vida.”</p>
<p>Assim, o autor afirma e reafirma que tinha cinquenta anos quando da elaboração do texto, tempo que também coincide com o meio século de que trata seu relato. Tais pistas constituíram-se para mim em autêntico fio da meada a ser puxado: estamos frente a um padre erudito, de seus cinquenta anos e vaidoso pelo que tinha escrito, por deixar estas pistas sobre sua idade e, quem sabe, outras mais… Foi necessário confrontá-las com as vidas de padres e escritores do século passado para saber qual delas melhor se coadunaria com a idade citada no texto. O grande achado foi o tempo de vida do autor coincidir, grosso modo, com aquele que na época possuía o padre Francisco Antunes de Siqueira, já que nascido em 1832. Outros prováveis candidatos ou já tinham morrido ou eram muito jovens. A partir desta constatação, as demais evidências buscadas foram contribuindo para solidificar e corroborar minhas convicções sobre a autoria do texto.</p>
<p>Outra evidência relaciona-se com o local de nascimento e de início de vida do autor. Estas referências estão no final do primeiro artigo:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Desde os primeiros anos de minha juventude, distraído por tantos entusiasmos populares, nas horas de meu recreio, a curiosidade, tão própria desse tempo […] me levou com a onda do povo, mas de um modo diverso e com vistas mais elevadas pela instrução que me proporcionavam meus pais e mestres, a presenciar e mais tarde a partilhar, em papéis adequados, das festas que punham em movimento a folgazã população da cidade de Vitória, meu berço natal.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O padre Antunes nasceu em Vitória, e aqui morou toda sua infância e boa parte da adolescência e, depois, na idade adulta, também aqui viveu muito tempo, fato que juntou mais uma peça ao quebra-cabeça acima referido. Bastante significativa é outra evidência relacionada com o fato de o autor se referir a seu apelido de infância como sendo Chiquinho, conforme o texto no início do artigo 26:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Quando não se dava este incidente, então a coisa mudava de face, estava eu em mar de rosas no meu parreiral! Reunido à <i>magna concumitante caterva</i> desempenhava eu meu papel, pois era um bom cabo de guerra. Sem o tal Chiquinho nada se fazia no meu quarteirão, onde era ele o <i>pater conscriptus</i>; pudera não!… Tinha venda, oratório, teatro e sineira com bons sinos representados por alavancas ou pés de cabra, e um grande tacho, que nos cedera o velho Quadros. É isso pouca coisa para meninos?! […] Além daqueles chamarizes, ainda tinha eu um tambor, uma rabeca e foles!</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Ora, Chiquinho no Brasil é apelido de Francisco, em especial de Francisco que tem um pai ou parente próximo com mesmo nome, como forma de fazer a diferenciação nas referências familiares. O autor das Memórias do passado quase sempre se refere ao seu pai como cônego Francisco Antunes de Siqueira, e a si próprio como padre Antunes já que, homônimo do pai, não possuía este título da hierarquia católica.</p>
<p>Ainda uma evidência circunstancial, que corrobora a autoria da obra, está na detalhada descrição, que o autor faz no artigo 28, da doença, morte e enterro (ocorridos em 1850) do cônego Francisco Antunes de Siqueira, em tom de desvelo e cuidado que só cabe a um filho (na ocasião dos fatos jovem seminarista de 18 anos) cultuador da memória de seu pai. Outro elogio ao pai está no artigo 23, quando descreve os ofícios de trevas na quarta e quinta- feira da semana santa (de 1848) como “[…] os mais solenes, imponentes e grandiosos de todos quantos presenciei aqui na capital” e que tiveram o cônego Antunes como celebrante principal.</p>
<p>Existem outros indícios na obra que contribuem, de modo importante, para atribuir sua autoria ao padre Francisco Antunes de Siqueira.</p>
<p>O autor do texto demonstra conhecimento das paróquias (inclusive citando fatos nelas ocorridos) que coincidem com os lugares e datas em que o padre Antunes ali serviu como pároco, no caso, Carapina (a descrição feita nos artigos 28 e 29 da epidemia de cólera-morbo que grassou naquele lugar em 1856), Santa Cruz (descrição no artigo 31 de episódio vivido com o índio Luís Ludovico) e Barra de São Mateus (atual Conceição da Barra, onde presenciou em 1872 a festa do alardo narrada no artigo 19<span id="CRAT_RP6V">)</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP6" title="Alguns biógrafos falam em São Mateus, mas podem ter confundido com Barra de São Mateus, antigo nome de Conceição da Barra. De qualquer forma, baseei-me na carta do padre Antunes constante no Anexo 1 e em documentos do Arquivo Público Estadual do Espírito Santo."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a></p>
<p>Outro indício significativo é a grande identificação do autor do trabalho com manifestações teatrais e peças de dramaturgia, expressa em diversas passagens das Memórias do passado, o que também confere com a biografia do padre Antunes<span id="CRAT_RP7V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP7" title="É sempre referida pelos biógrafos como de autoria do padre Antunes a farsa D. Minhoca, considerada uma das primeiras da sua espécie elaborada por autor capixaba."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> Oscar Gama Filho, por exemplo, cita como sendo do padre Antunes uma farsa teatral de 1874 denominada As Astúcias de um Seminarista<span id="CRAT_RP8V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP8" title="GAMA FILHO, Oscar. História do Teatro Capixaba: 395 anos. Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1981. p. 73."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a></p>
<p>As semelhanças estilísticas e coincidências temáticas de trechos das Memórias do passado com obras comprovadas do padre, em especial o <i>Esboço histórico</i>, servem como mais um argumento fundamental a favor da autoria que atribuo neste estudo.</p>
<p>Referidas semelhanças entre as duas obras são evidentes, seja no uso de expressões em português ou latim, seja no emprego excessivo de parágrafos, entre outros detalhes da criação literária.</p>
<p>De bom grado deixo de lado as semelhanças estilísticas (que em casos mais difíceis poderiam ser um fator decisivo para o estabelecimento de autoria), a fim de ressaltar as coincidências temáticas. Diversos assuntos abordados nas <i>Memórias do passado</i>, publicadas em 1885, são tratados de forma mais resumida em passagens do <i>Esboço histórico</i>, livro editado pela primeira vez oito anos depois, ou seja, em 1893. Tudo leva a crer que, algum tempo após sua publicação, o padre Antunes de Siqueira se utilizou de trechos destes artigos para elaborar a segunda parte do <i>Esboço histórico</i>, com isto desprezando-os, ou não tendo oportunidade de publicá-los em separado. Daí ser compreensível que os biógrafos do padre e escritor não se tenham referido ao folhetim.</p>
<p>Este cotejo entre as duas obras não é exaustivo, servindo somente para exemplificação. Servi-me da segunda edição do <i>Esboço <span id="CRAT_RP9V">Histórico</span></i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP9" title="SIQUEIRA, Francisco Antunes de. Esboço histórico dos costumes do povo espírito-santense. 2ª ed. Vitória: Imprensa Oficial, 1944. Passim."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> e acrescento entre parênteses exemplos de expressões semelhantes empregadas nos dois textos.</p>
<p>1) Existe uma descrição da fábula de Perseu e Andrômeda no início do artigo 3 e no artigo 6 das <i>Memórias do Passado</i> (“Aquela cena da intecro e pralaméco”) também presente às páginas 79-80 do Esboço Histórico (“Senhor Sena impracado! Intécro! Paframéco!”).<br />
2) O artigo 19 das <i>Memórias do Passado</i> traz uma exposição da festa do alardo em Conceição da Barra (“e são batizados, aspergindo-os o pároco com água benta”), também existente às páginas 83-5 do Esboço histórico (“e são batizados, aspergindo-os o padre com água benta”).<br />
3) Temas ligados às modas masculina e feminina são abordados no começo do artigo 4 e nos artigos 14 e 15 das <i>Memórias do Passado</i> (“O juiz ordinário […] mandava por oficiais ou meirinhos castigar os crimes de sua alçada! Exprimia bem essa brutal jurisdição trazendo dependurada em uma das pestanas da casaca uma rodinha de cipó de rego”,) e também nas páginas 88 a 92 do <i>Esboço Histórico</i> (“O que achei curioso foi ver o juiz ordinário neste gosto, trazendo por distintivo de sua jurisdição uma rodinha de cipó de rego, presa a uma das pestanas de sua rotunda casaca”).<br />
4) A educação feminina é referenciada no artigo 17 das <i>Memórias do Passado</i> e nas páginas 97 e 98 do <i>Esboço histórico</i>.<br />
5) Referências são feitas à tecelagem em Vitória na página 98 do <i>Esboço Histórico</i> (“Tivemos até um sirgueiro chamado Eustórgio”) e no artigo 18 das <i>Memórias do Passado</i> (“Tivemos até um sirgueiro — o sexagenário Eustórgio”).<br />
6) A procissão das cinzas, com os dizeres em latim que acompanham os andores, é descrita nas páginas 108 a 111 do <i>Esboço Histórico</i> e no artigo 24 das <i>Memórias do Passado</i> e, embora estes dizeres só coincidam num caso ou noutro, pressupomos que isto se deva a uma variação no tempo desta manifestação religiosa.<br />
7) Magos e embusteiros constituem título de tema abordado às páginas 116 a 120 do <i>Esboço Histórico</i> (“Um pobre homem, dado ao vício da embriaguez, arvorou-se em padre e […] começou por batizar, casar e até celebrar, o que fazia deitando aguardente em um copo, o qual cobria com um livrinho de Santa Bárbara, pondo sobre este um ramo de alecrim.”) e também presente no artigo 30 das <i>Memórias do Passado</i> (“…um indivíduo […] arvorou-se em padre e […]. Sentado em uma poltrona, sempre alcoolizado, tendo na frente de um oratório um copo cheio de aguardente, coberto com um livrinho de Santa Bárbara, sobreposto um ramo de alecrim,…”).<br />
8) Outros temas comuns existem, como a festa de São Benedito em Vitória e a rivalidade entre caramurus e peroás.</p>
<p>Assim, estaria caracterizada a existência de um aproveitamento pelo autor, em nova versão ou roupagem, de passagens de obra sua já publicada. E se esta última é anônima, presume-se que o autor comum fique mais à vontade para realizai’ tais resumos e adaptações. O que fica claro também é que nas <i>Memórias do Passado</i> os temas são abordados de forma mais livre, mais desenvolvida, com maior riqueza de detalhes. No <i>Esboço Histórico</i> eles são apresentados de maneira mais contida, mais erudita e resumida. De qualquer maneira é mais do que coincidência a presença, em ambos os trabalhos, de frases e expressões semelhantes, além da temática comum, abordando assuntos particulares, diferentes e mesmo inusitados.</p>
<p>Maria Stella de Novaes faz o seguinte registro que convém consignar aqui:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>A 31 de julho [de 1881], Múcio Scévola Lopes Teixeira foi nomeado Chefe da Secretaria do Governo. Tomou posse a 10 de agosto. Escreveu diversas poesias, que reanimaram a vida literária, na Capital da Província. Publicou, na Vitória, alguns livros de poesias e ‘Memórias do Passado’, no qual declarava: ‘Este livro e a história de minha vida’<span id="CRAT_RP10V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP10" title="NOVAES, Maria Stella de. História do Espírita Santa. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 280."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
Apesar de não ter conseguido localizar maiores informações sobre o autor acima referido, acredito que o título de seu livro, que coincide com o mesmo título publicado na seção “Folhetim” de <i>A Província do Espírito Santo</i>, não autoriza que seja a ele atribuída a autoria da obra ora analisada.</p>
<p>O escritor Elmo Elton atribui a autoria da presente obra a Muniz Freire, quando, após contar histórias ligadas à antiga rua da Assembleia, atual rua Muniz Freire, fala sobre a vida e a obra do patrono desse logradouro: “Publicou: <i>A Vitória através de meio século</i>, 1885<span id="CRAT_RP11V">;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP11" title="ELTON, Elmo. Logradouros antigos de Vitória. Vitória: Instituto Jones dos Santos Neves, 1986. p. 35."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> Não logrei localizar de que fonte foi retirada esta atribuição. Acredito que o equívoco possa advir do fato de o folhetim original ter saído no periódico <i>A Província do Espírito Santo</i> de que Muniz Freire era fundador e redator.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="CRAT_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;SIQUEIRA, Francisco Antunes de. <i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense.</i> 2. ed. Vitória: Imprensa Oficial, 1944. p. 116.</div>
<div id="CRAT_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Alguns biógrafos falam em São Mateus, mas podem ter confundido com Barra de São Mateus, antigo nome de Conceição da Barra. De qualquer forma, baseei-me na carta do padre Antunes constante no Anexo 1 e em documentos do Arquivo Público Estadual do Espírito Santo.</div>
<div id="CRAT_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;É sempre referida pelos biógrafos como de autoria do padre Antunes a farsa D. Minhoca, considerada uma das primeiras da sua espécie elaborada por autor capixaba.</div>
<div id="CRAT_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;GAMA FILHO, Oscar. <i>História do Teatro Capixaba: 395 anos</i>. Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1981. p. 73.</div>
<div id="CRAT_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;SIQUEIRA, Francisco Antunes de. <i>Esboço histórico dos costumes do povo espírito-santense.</i> 2ª ed. Vitória: Imprensa Oficial, 1944. Passim.</div>
<div id="CRAT_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;NOVAES, Maria Stella de. <i>História do Espírito Santa</i>. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 280.</div>
<div id="CRAT_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/critica-de-atribuicao/#CRAT_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;ELTON, Elmo. <i>Logradouros antigos de Vitória.</i> Vitória: Instituto Jones dos Santos Neves, 1986. p. 35.</p>
</div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 1999&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Fernando Achiamé&nbsp;</b>nasceu em Colatina, ES, em 22/02/1950 e fixou-se em Vitória a partir de 1955. Formado em história pela Universidade Federal do Espírito Santo e em língua e literatura francesas pela Universidade de Nancy II (Pela Aliança Francesa do Brasil). Especialista em arquivos pela Ufes. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-fernando/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<title>Contexto histórico da produção da obra</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Achiamé]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A sociedade provincial espírito-santense era herdeira direta do antigo sistema colonial da época mercantilista, sistema que se baseava num tripé: a dominação da metrópole sobre a colônia, o “exclusivo” comercial, e o escravismo colonial. Aquela sociedade possuía grandes contradições, sendo a maior delas a sobrevivência do escravismo após o fim do período colonial, em tudo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A sociedade provincial espírito-santense era herdeira direta do antigo sistema colonial da época mercantilista, sistema que se baseava num tripé: a dominação da metrópole sobre a colônia, o “exclusivo” comercial, e o escravismo colonial. Aquela sociedade possuía grandes contradições, sendo a maior delas a sobrevivência do escravismo após o fim do período colonial, em tudo limitando as relações sociais. O povo não era cidadão, mas súdito, e a maior parcela da população nem isso era.</p>
<p>Economia pré-industrial, dependente de mercados externos, que se limitava a exportar cada vez mais café e cada vez menos açúcar. Também produzia artigos de sustentação como algodão, milho, farinha de mandioca, cachaça, amendoim, pescado, feijão e outros para seu próprio consumo, com alguma sobra a ser vendida fora do território espírito-santense.</p>
<p>Pequena e pobre província que iniciou sua existência ainda restrita às matas desconhecidas e inexploradas do interior e aos povoados e vilas do litoral.</p>
<p>O porto de Vitória em meados do século passado começa a ter certo movimento com a entrada de imigrantes e a exportação de café, mas, a rigor, nem porto existia, os navios fundeando ao largo da baía e sendo carregados e descarregados por alvarengas ou batelões. O mar e os rios, verdadeiras estradas líquidas, ajudavam na comunicação com os povoados ribeirinhos do litoral e do interior. Poucas estradas e todas péssimas, sendo mais trilhas para tropas. Ferrovias só em sonhos e projetos.</p>
<p>Em tudo o atraso a que fomos condenados pela pujança do ouro das Gerais que, durante longos anos, nos destinou a ser reserva natural de defesa, com matas, onças e índios. Matas com proibição de serem penetradas, já que “onde há muitos caminhos, há muitos descaminhos”. Descontar tal atraso ainda iria demorar muito e, em certo sentido, os resultados de tal estagnação ainda não foram superados inteiramente.</p>
<p>E em meio a essa situação vivia a pequena cidade <i>da </i>Vitória (modo de falar que antigamente os moradores usavam para se referir a sua cidade e que cheguei a ouvir sendo empregado por dona Stelinha de Novaes, talvez influenciada pelos textos antigos que lia) com uma grande quantidade de festas religiosas, a Igreja comandando toda a vida das pessoas, do acordar ao adormecer (por exemplo na hora do <i>angelus</i>), do berço ao túmulo.</p>
<p>Em tal contexto social pontificava a figura, para nós hoje estranha, do padroado. Essa ligação da Igreja com o Estado resultava em que os padres fossem também servidores públicos. Na pressuposição de que todos os habitantes de Vitória eram católicos (e, oficialmente, de fato o eram), deveriam ser batizados, casados na igreja e terem seus corpos encomendados, ações que correspondiam, respectivamente, aos atuais registros civis de nascimento, casamento e óbito. Os corpos eram enterrados nas igrejas ou em cemitérios anexos, sendo os mais famosos o do convento de São Francisco (verdadeiro cemitério da cidade) e o da igreja do Rosário. Cemitério público afastado do centro de Vitória só vai existir nos começos do século XX, no bairro de Santo Antônio.</p>
<p>A infraestrutura urbana pouco diferia daquela herdada do período colonial. Nada de água encanada nem, portanto, de esgoto. Os chafarizes atendiam precariamente às necessidades de água. Os dejetos dos penicos eram esvaziados em tigres (denominação certamente relacionada com o seu fedor, como na expressão bafo de onça) e o conteúdo dos barris era atirado na maré vazante. Na iluminação pública empregavam-se os óleos de baga (semente de mamona), de peixe (como também se chamava o óleo de baleia) e depois o gás e o querosene. Presume-se que as noites de lua cheia, com tempo bom, é que iluminavam de fato os logradouros. Vitória era uma cidade ainda com casario colonial, com ruas e ladeiras calçadas a pé-de-moleque; enfim, uma Ouro Preto à beira-mar plantada.</p>
<p>Mas apesar das diferenças sociais, das doenças e da pobreza o povo brincava. Vejam no texto do padre Antunes as descrições da marujada, das festas e procissões, onde os ricos, remediados e pobres desfilavam suas vaidades e diferenças, uns e outros irmanados até certo ponto na igualdade da alegria. Mas até certo ponto. O que para nós hoje é simbólico e resquício de outras épocas, revelava-se antigamente como muito significativo e objeto de grandes controvérsias. O seguinte relato, extraído da obra de Elmo Elton, nos esclarece a respeito:</p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 95%;">
<tbody>
<tr>
<td>Quando da realização de uma dessas procissões, isto e a 8 de setembro de 1876, surgiu uma desavença entre o vigário Mieceslau Ferreira Lopes Wanzeler e o povo, já que o padre queria fossem a naveta e o turíbulo conduzidos por um seu escravo. A Irmandade do Santíssimo Sacramento, constituída das pessoas mais gradas da cidade, protestou contra tal deferência, sob a alegação de que escravo não podia acompanhar aquela procissão, e, caso o vigário insistisse em mantê-lo ali, o andor da padroeira não sairia da igreja. A Irmandade de São Benedito, diante disso, retirou-se do templo, enquanto a da Boa Morte faz coro aos protestos dos irmãos do SS. Sacramento, todos revoltados com a atitude “impensada” do vigário, visto que o mesmo, repetiam eles, não sabia distinguir brancos de pretos, tratando-os, arbitrariamente, em pé de igualdade. O vigário, contudo, não se deu por vencido, e, deixando a custódia que trazia nas mãos, sob o pálio, declara, em rápidas e contundentes palavras, que, a partir daquele momento, estava alforriado o escravo sendo que, em decorrência dessa declaração, pôde o mesmo acompanhar o préstito, assim como o queria o padre, ainda que muito a contragosto dos demais acompanhantes<span id="CHPO_RP2V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/#CHPO_RP2" title="ELTON, Elmo. Velhos templos de Vitória &amp; outros temas capixabas. Vitória: Conselho Estadual de Cultura, 1987. p. 24-5."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
A História guardou o nome desse ex-escravo: Antônio Wanzeler, também chamado de Antônio da Catedral e Antônio Sacristão.</p>
<p>As irmandades em Vitória, como de resto em muitos outros lugares do Brasil colonial e imperial, representavam uma proteção para as pessoas, tanto na vida como na morte. A sociedade desse tempo era muito estratificada em estamentos de negros (livres e escravos — na verdade os primeiros sem-terra seguridade social, os irmãos ajudavam os doentes, velhos, órfãos e viúvas, além de garantir enterro cristão e as rezas e missas de obrigação para seus componentes defuntos e familiares. No que se relaciona a ritos e costumes da vida, a festas e congraçamentos, tão próprios da condição humana, eram em grande parte proporcionados pelas irmandades e realizados sob sua direta supervisão. Tais instituições exerciam um papel de controle social e de reprodução das condições, iníquas para nós, em que se conformava toda a sociedade de então. Sem contar os reconhecimentos de <i>status </i>social, pelos indivíduos pertencerem a esta ou aquela irmandade e nelas ocuparem cargos, honoríficos ou não.</p>
<p>Era comum nessa época padres terem filhos. Citem-se os exemplos do padre Marcelino Pinto Ribeiro Duarte, filho do padre Manoel Pinto Ribeiro como registrado por Maria Stella de Novaes<span id="CHPO_RP3V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/#CHPO_RP3" title="NOVAES, Maria Stella de. História do Espírito Santo. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 122."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> e do padre Francisco Antunes de Siqueira, filho do cônego do mesmo nome. No dizer do escritor Oscar Gama Filho “[…] Antunes de Siqueira foi professor de latim, político, padre, filho de padre e pai — era sua filha a esposa do poeta Virgílio Vidigal […]”<span id="CHPO_RP4V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/#CHPO_RP4" title="GAMA FILHO, Oscar. Razão do Brasil: em uma sociopsicanálise da literatura capixaba. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. p. 89."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> Inclusive as crenças e brincadeiras de que “mulher de padre vira mula sem cabeça”, ou de que “o último a chegar é mulher de padre” não passam de sobrevivências de urna condenação social. Acredito mesmo que a Igreja Católica fazia vista grossa para esses fatos, já que o importante era manter a centralização do edifício eclesiástico e essas “famílias de padre” que ficavam no limbo da legalidade não podiam contestar a abrangência da obra sagrada no plano material e terreno.</p>
<p>Mas na Vitória dos anos 80 do século passado, que aparentava tranquilidade, garantia de continuidade das diferenças sociais e estabilidade institucional, transformações estavam sendo gestadas. O povo já não aceitava mais a escravidão. A mão-de-obra estrangeira estava aumentando sua presença na sociedade vitoriense. As instituições públicas e privadas procuravam se modernizar, mesmo que tal modernização não implicasse grandes rupturas, como ocorre no episódio da proclamação da República.</p>
<p>Em certo sentido pode-se dizer que estas <i>Memórias do passado</i> retratavam uma realidade que já não mais existia, ou que se estava transformando. Daí a oportunidade, enxergada pelos positivistas de <i>A Província</i>, de veicular “usos e costumes da geração que nos precedeu”, com certa ponta de saudosismo, mas também mostrando aos contemporâneos como as práticas do povo já se tinham alterado e poderiam alterar-se ainda mais.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="CHPO_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/#CHPO_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;ELTON, Elmo. <i>Velhos templos de Vitória &amp; outros temas capixabas</i>. Vitória: Conselho Estadual de Cultura, 1987. p. 24-5.</div>
<div id="CHPO_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/#CHPO_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;NOVAES, Maria Stella de. <i>História do Espírito Santo</i>. Vitória: Fundo Editorial do Espírito Santo, s. d., p. 122.</div>
<div id="CHPO_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/#CHPO_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;GAMA FILHO, Oscar. <i>Razão do Brasil: em uma sociopsicanálise da literatura capixaba</i>. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. p. 89.</div>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 1999&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Fernando Achiamé&nbsp;</b>nasceu em Colatina, ES, em 22/02/1950 e fixou-se em Vitória a partir de 1955. Formado em história pela Universidade Federal do Espírito Santo e em língua e literatura francesas pela Universidade de Nancy II (Pela Aliança Francesa do Brasil). Especialista em arquivos pela Ufes. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-fernando/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/contexto-historico-da-producao-da-obra/">Contexto histórico da produção da obra</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Artigo 23</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relevem os leitores, a quem já tenho tanto fatigado pela monotonia de minhas longas descrições, que eu confesse urbi et orbi que sou entusiasta pelos homens, varões e coisas desta minha terra. É uma fraqueza, muito natural, e até da própria idade, quando já estão perdidas as esperanças de se poder a gente inspirar em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Relevem os leitores, a quem já tenho tanto fatigado pela monotonia de minhas longas descrições, que eu confesse <i>urbi et orbi</i> que sou entusiasta pelos homens, varões e coisas desta minha terra. É uma fraqueza, muito natural, e até da própria idade, quando já estão perdidas as esperanças de se poder a gente inspirar em outros climas, escrevendo impressões de viagem que dilatam o coração e elevam o espírito! Tenho sido um tanto difuso, faltando à regra do mestre Horácio — <i>Esto brevis, etplacebis</i><span id="PXXI_RP1V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP1" title="Sê breve e agradarás."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></p>
<p>A delonga é vicio dos velhos&#8230;</p>
<p><i>Multa senem circumveniunt incommoda&#8230;</i><br />
<i>Dilator, spes longas, iners, pavidus que futuri&nbsp;</i><br />
<i>Difficillis querulus laudator temporis acti&nbsp;</i><br />
<i>Se puero, censor castigator que minorum&#8230;</i></p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.Ao velho cercam<br />
Mil cuidados, ou seja porque ansioso;<br />
Tímido e sem ardor; irresoluto<br />
Nos negócios tardo, para tudo inerte<br />
De viver enfadonho e sempre pronto<br />
A queixar-se; só louva o tempo antigo!<br />
&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; (Horácio, Arte poética)</p>
<p>Eis um novo preâmbulo, rodeio, prólogo, exórdio, e até cavaco, segundo as diversas matérias ou assuntos em operações&#8230;</p>
<p>É ainda história sobre coisas antigas, sob outro aspecto tão curiosas como as que tenho referido. Antigualhas de muita doutrina, de muita essência, de muito espírito, e que acentuavam mais do que as fantasias do tempo presente; — <i>Facta non <span id="PXXI_RP2V">verba</span></i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP2" title="Fatos e não palavras."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> — com palavras não se adubam sopas, com gritos não se afinam rabecas&#8230; Tinham razão aqueles velhuscos, tão condenados pela moderna<span id="PXXI_RP3V">!</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP3" title="Modernidade."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> Falavam por sentenças que embasbacavam a gente!</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
As nossas igrejas, onde as devoções primavam, possuíam órgãos cujos acentos melodiosos de uma música grave e religiosa acompanhavam a celebração dos ofícios divinos. Nas capelas de São Gonçalo, da ordem <span id="PXXI_RP4V">terceira</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP4" title="Ou terceiros — irmandade de leigos vinculados a uma ordem religiosa (franciscanos, carmelitas)."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> da Penitência, do Carmo, Matriz, e São Francisco, as missas principais de seus oragos eram acompanhadas por variações daquele instrumento, quando a música entre nós não se tinha tanto aperfeiçoado! O mestre Adriano, irmão do Couto, famoso marceneiro, ex-escravo do convento da Penha, adestrado por frei José do Patrocínio, hábil organista, era chamado para todos os atos dessas capelas e igrejas.<br />
Lembra-me bem das emoções que produziam as notas plangentes, abafadas por ocasião do <span id="PXXI_RP5V"><i>sanctus</i></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP5" title="Parte da missa que se inicia com a repetição tríplice dessa palavra, recitada ou cantada, em aclamação ao Senhor."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> quando se principiava o <span id="PXXI_RP6V">cânon</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP6" title="Parte central da missa católica."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> da missa. Elas traduziam viva e perfeitamente o segredo dos grandes mistérios que se comemoravam no novo sacrifício da lei da graça.</p>
<p>Depois da <span id="PXXI_RP7V">consumação</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP7" title="Comunhão."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> desabafavam-se as notas tristes e comovedoras, e um alegro prestíssimo desencadeava umas semifusas que desprendiam a alma daquele abismo em que se mergulhara durante a contemplação da Paixão e Morte do Cristo. Eram os sons alegres e festivos de sua Ressurreição gloriosa!</p>
<p>O próprio cantochão figurado, da missa dos anjos, acompanhado pelo órgão, produzia mais efeito do que todas as novas músicas, cheias de solos, duetos, tirados de Bellini, de Verdi, e das composições profanas de outros autores. O <span id="PXXI_RP8V"><i>miserere</i></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP8" title="A primeira palavra do 51° salmo e esse salmo."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> e o Te Deum tinham magias que arroubavam, retemperando os corações como o fogo o ouro nos cadinhos de sua perfeição. Os pensamentos dos poetas que compuseram aqueles hinos sublimavam-se nas transposições acordes daquele teclado que se movia nas oitavas baixas e altas, como as ideias predominantes daquelas divinas inspirações; ora, querendo alcançar os páramos do céu, ora, baixando para descobrir os segredos nas entranhas da terra.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Em 1848, a grande custo, desceu o órgão da matriz do coro da igreja para o espaço entre a grade da nave e a da capela-mor, para acompanhar o ofício de trevas na quarta e quinta-feira da semana santa.</p>
<p>Esses ofícios foram os mais solenes, imponentes e grandiosos de todos quantos presenciei aqui na capital.</p>
<p>Funcionaram, como capitulante<span id="PXXI_RP9V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP9" title="Oficiante principal."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> o cônego Antunes, regentes, frei Vicentc e padre Alvarenga, e cantores, padre Fraga, padre Sales, padre Duarte, frei Valadares, Irei José Soares, padre Quadros, frei Antônio, e o sacristão Pinto Homem. Foi um coro cheio, uma colegiada completa!</p>
<p>Em frente à capela-mor colocou-se o candeeiro das trevas, com suas treze velas acesas, em forma triangular, representando a Trindade, centro de luz e vida. As doze velas representavam os doze apóstolos e a do centro, a décima- tcrceira, a figura de Cristo. Iam-se apagando no final dos noturnos<span id="PXXI_RP10V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP10" title="Uma das partes do ofício divino."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> até que, restando esta, já no fim de <span id="PXXI_RP11V">laudes</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP11" title="Uma das horas canônicas."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> o sacristão, descendo o triângulo, tirava-a e, levando-a acesa, ocultava-se por trás do altar-mor, quando rompiam as trevas, sinal de confusão, ao prender-se o Cristo!</p>
<p>As lamentações de Jeremias, esses <span id="PXXI_RP12V">trenos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP12" title="Cantos plangentes, elegias."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> do profeta, pressagiando as desgraças de Jerusalém, eram cantadas ao som dos graves acentos do órgão, inspirando a mais profunda tristeza! A música do major Paula com seu único baixo cantava os responsórios<span id="PXXI_RP13V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP13" title="Série de responsos, versículos rezados ou cantados alternativamente pelos dois coros, ou pelo coro e por um solista."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> e cada um dos sacerdotes feria a <span id="PXXI_RP14V">antífona</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP14" title="Curto versículo recitado ou cantado pelo celebrante."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a> que precede os salmos.</p>
<p>Que acompanhamento soberbo do órgão nas lições e salmos!</p>
<p>O frei Vicente dedilhava com uma rapidez harmoniosa aquele imenso teclado, e supria vozes para o pleno canto. Como eram arrebatadoras aquelas variações, intercaladas ao correr da cantoria! Eram umas engenhosas digressões que se destacavam do assunto principal, deixando um elo na última nota, desprendida, para reuni-la de novo à cadeia, ou ao enlace do canto! Que trinados! Que arpejos! Que transportes! Nada faltava ao valor das notas nem ao tempo dos compassos!<br />
Tudo significava bem a altura e a grandeza dos mistérios cristãos!</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<div id="PXXI_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Sê breve e agradarás.</div>
<div id="PXXI_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Fatos e não palavras.</div>
<div id="PXXI_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Modernidade.</div>
<div id="PXXI_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Ou terceiros — irmandade de leigos vinculados a uma ordem religiosa (franciscanos, carmelitas).</div>
<div id="PXXI_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Parte da missa que se inicia com a repetição tríplice dessa palavra, recitada ou cantada, em aclamação ao Senhor.</div>
<div id="PXXI_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Parte central da missa católica.</div>
<div id="PXXI_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Comunhão.</div>
<div id="PXXI_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;A primeira palavra do 51° salmo e esse salmo.</div>
<div id="PXXI_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Oficiante principal.</div>
<div id="PXXI_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Uma das partes do ofício divino.</div>
<div id="PXXI_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Uma das horas canônicas.</div>
<div id="PXXI_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Cantos plangentes, elegias.</div>
<div id="PXXI_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;Série de responsos, versículos rezados ou cantados alternativamente pelos dois coros, ou pelo coro e por um solista.</div>
<div id="PXXI_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/artigo-22_1/#PXXI_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;Curto versículo recitado ou cantado pelo celebrante.</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Pe. Francisco Antunes de Siqueira</b>&nbsp;nasceu em 1832, em Vitória, ES, e faleceu na mesma cidade, em 1897. Autor de:&nbsp;<i>A Província do Espírito Santo (Poemeto)</i>,&nbsp;<i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>, &nbsp;<i>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</i>. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<title>Artigo 1</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/1/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 18:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Antunes de Siqueira (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vista de Vitória, 1867. Acervo Biblioteca Nacional. A antiga vila da Vitória, hoje capital do Espírito Santo pela nova divisão política, traçada pelo plano do direito das gentes, que constituiu, moveu e consolidou nossa independência, caracterizando-nos como um povo livre da direção da metrópole portuguesa, situada na ilha Duarte de Lemos, desde sua fundação recebeu, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-iem1ADyjm8k/V_lJwrurf1I/AAAAAAAAKag/la4guWmlavsVdT2kQsotLhYu83VHRBqiACLcB/s1600/Vista%2Bde%2BVit%25C3%25B3ria%2Ba%2Bpartir%2Ba%2BSanta%2BCasa%252C%2B1867.%2BAcervo%2BBiblioteca%2BNacional..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Vista de Vitória, 1867. Acervo Biblioteca Nacional." border="0" height="243" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Vista2Bde2BVit25C325B3ria2Ba2Bpartir2Ba2BSanta2BCasa252C2B1867.2BAcervo2BBiblioteca2BNacional..jpg" class="wp-image-5953" title="Vista de Vitória, 1867. Acervo Biblioteca Nacional." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Vista de Vitória, 1867. Acervo Biblioteca Nacional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
A antiga vila da Vitória, hoje capital do Espírito Santo pela nova divisão política, traçada pelo plano do direito das gentes, que constituiu, moveu e consolidou nossa independência, caracterizando-nos como um povo livre da direção da metrópole portuguesa, situada na ilha Duarte de Lemos, desde sua fundação recebeu, pelo costume de nossos avoengos e seus sentimentos políticos e religiosos, as tradições festivas que vamos descrever com a mais fiel imparcialidade, para conhecermos e avaliarmos a marcha progressiva dos acontecimentos que determinam o nosso presente e o nosso passado. Os hábitos são o resultado da educação e nos predispõem para os futuros cometimentos. Dando-nos triunfos ou derrotas, ativam e desenvolvem o espírito para as reformas que só a prática sugere nos longos períodos de decadência e vida de todos os povos. Os diversos termos dos sucessos na carreira da vida servem de comparação para acharmos a conveniência ou desconveniência dos meios que resolvem o problema da felicidade humana. Às vezes falham os cálculos desse jogo, ainda o mais bem combinado, ou por um acaso imprevisto, revoluções na ordem física e moral, ou porque uma razão desvairada pelos caprichos das paixões, congênitas à natureza humana, ultrapassa as raias do seu ser finito. Os diversos períodos da decadência e progresso dos povos são a consequência inevitável da tibieza e excessos do espírito humano. Essas fases mostram a escassez e a plenitude da luz que raiou em seus horizontes.</p>
<p>As guerras entre Esparta e Atenas, entre Cartago e Roma, e as revoluções intestinas da realeza e democracia, prepararam a idade de ouro, que Virgílio vaticinara nas Églogas, seu poema lírico.</p>
<p>E estudando o passado, corrigindo os erros da infância dos povos, que a filosofia e a legislação avigoraram a sua virilidade e cercaram de garantias e prestígio a sua senectude, embalando-a no regaço da paz da consciência pela segurança pública e particular de seus direitos e seus deveres.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Fidalgos portugueses, a quem coube em partilha a província pelos serviços prestados em antigas conquistas de Málaca, de Diu e do Ceilão, empórios do comércio ávido de Portugal, cheios de prejuízos e preconceitos de raça, ditaram-nos os seus costumes, e estatuíram entre nós os jogos e espetáculos de sua vida pública e familiar.</p>
<p>Brasileiros e portugueses, ligados pelos laços de sangue, sociedade e família, como os albanos e romanos, deviam insinuar e trocar entre si essa íntima familiaridade que coloriu o quadro que vamos descrever, aos traços de nossas grosseiras cores. Sentimos que não seja nossa palheta variada e que a tela não possua a firmeza e finura para fazê-los bem sobressair.</p>
<p>Os jesuítas, por sua parte, que para a propagação dos elementos da fé cristã se apoderavam dos povos, imprimindo em corações novos, ardentes de curiosidade, e inclinados ao maravilhoso, diante de uma natureza rica de encantos, implantaram em sua seiva prodigiosa as primeiras noções que deveriam abrilhantar o teatro de suas glórias e conquistas!</p>
<p>Uns e outros, de mãos dadas, fidalgos e padres, portugueses e espanhóis, a monarquia e a teocracia, irmãs de um pensamento político-religioso que sustentava o cetro e a tiara, engolfados num pélago insondável de ambições que lhes sorriam o futuro, rico de esperanças para o governo do povo, curvando aos degraus de seu trono, subserviente ao mando de seu poderio, estabeleceram as festas em honra da pátria e da religião, ocultando nelas os fins de seus altos projetos.</p>
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É necessário que falemos com esse espírito filosófico que descobre nos fatos e circunstâncias da vida política e religiosa dos povos os planos de suas doutrinas, por onde se encaminham os raios, tirados de um centro comum, e os quais tendem todos a tocar os pontos da esfera que um dedo de mestre traçou, para circunscrever os voos do pensamento, desejoso de esvoaçar regiões desconhecidas que hoje a ciência descortina.</p>
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Desde os primeiros anos de minha juventude, distraído por tantos entusiasmos populares, nas horas de meu recreio, a curiosidade, tão própria desse tempo em que o espírito se entreabre às primeiras impressões, que falam ora aos sentimentos, ora às sensações, conforme a índole e a tendência do indivíduo, elevando o seu talento ou subjugando os sentidos, me levou com a onda do povo, mas de um modo diverso e com vistas mais elevadas, pela instrução que me proporcionavam meus pais e mestres, a presenciar e mais tarde a partilhar, em papeis adequados, das festas que punham em movimento a folgazã população da cidade da Vitória, meu berço natal, fidalgos e plebeus, ricos e pobres, vilões<span id="MDPI_RP1V"></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/1/#MDPI_RP1" title=""><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> e campônios, senhores e escravos, militares e paisanos, e até os sacerdotes, cotizavam-se entre si, reunindo-os um só pensamento, para festejar as solenidades da pátria, que se associava, com justa razão, aos sentimentos nacionais.</p>
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NOTAS</h4>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/1/#MDPI_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Nesse contexto, habitante de vila.</p>
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<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Pe. Francisco Antunes de Siqueira</b>&nbsp;nasceu em 1832, em Vitória, ES, e faleceu na mesma cidade, em 1897. Autor de:&nbsp;<i>A Província do Espírito Santo (Poemeto)</i>,&nbsp;<i>Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense</i>, &nbsp;<i>Memórias do passado: A Vitória através de meio século</i>. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/biografia-do-autor/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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