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	<title>Arquivos Espírito Santo &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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	<title>Arquivos Espírito Santo &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>Oscar Gama Filho &#8211; Biobibliografia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jan 2017 12:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biobibliografia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>OSCAR GAMA FILHO, escritor capixaba, nascido em 1958, busca captar a essência dos momentos estéticos justapostos, passados e presentes. Por meio da soma de seus diversos pontos de vista, tenta atingir a completude da arte. Eis um esboço da equação passada: Esforçou-se por alcançar a essência do poema em De Amor à Política (Vitória: edição [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://1.bp.blogspot.com/-5XeMa3ssvWM/WOu8CfZGmEI/AAAAAAAAMYc/GFq2Ed2ZOtMUGwtH6LaNwvMaWiH7mb5UQCLcB/s1600/cypriano041-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img fetchpriority="high" decoding="async" border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/01/cypriano041-p.jpg" class="wp-image-5270" width="266" /></a></div>
<p>
OSCAR GAMA FILHO, escritor capixaba, nascido em 1958, busca captar a essência dos momentos estéticos justapostos, passados e presentes. Por meio da soma de seus diversos pontos de vista, tenta atingir a completude da arte. Eis um esboço da equação passada:</p>
<p>Esforçou-se por alcançar a essência do poema em <i>De Amor à Política </i>(Vitória: edição marginal mimeografada, 1979, obra dividida meio a meio com Miguel Marvilla); em <i>Congregação do Desencontro</i> (Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo, 1980); em <i>O Despedaçado ao Espelho</i> (Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida/UFES, 1988); &nbsp;em <i>O Relógio Marítimo</i> (Rio de Janeiro: Imago, 2001) e em <i>Ovo Alquímico</i>, escrito com seu filho Alexandre Herkenhoff Gama (São Paulo: Escrituras Editora, 2016).</p>
<p>Procurou o tempo perdido em obras como <i>História do Teatro Capixaba: 395 Anos</i> (Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo/Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1981) e <i>Teatro Romântico Capixaba</i> (Rio de Janeiro-Vitória: Instituto Nacional de Artes Cênicas/Ministério da Cultura, Departamento Estadual de Cultura, Secretaria de Estado da Educação e Cultura, Governo do Estado do Espírito Santo, 1987).</p>
<p>Precisando de outras línguas para auxiliá-lo em sua tarefa, traduziu-se para Rimbaud em <i>Eu Conheci Rimbaud &amp; Sete Poemas para Armar um Possível Rimbaud</i> mesclado com <i>O Barco Ébrio/Le Bateau Ivre</i> (ensaio-tradução-conto-poema, Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento Estadual de Cultura, 1989).</p>
<p>Acrescentou sabedoria à sua equação graças à <i>Razão do Brasil em uma sociopsicanálise da literatura capixaba</i> (Rio de Janeiro: José Olympio Editora; Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1991).</p>
<p>Percebendo a insuficiência da ótica literária, realizou a exposição de arte ambiental poético-plástica Varais de Edifícios, em 1978, a partir do conceito criado por Hélio Oiticica.</p>
<p>Gravou o disco <i>Samblues</i>, em 1992 — incluído no selo histórico Série Fonográfica do Espírito Santo, da Fundação Cultural do Espírito Santo. Em 2005, lançou o CD <i>Antes do Fim-Depois do Começo</i>, que contém &nbsp;músicas em parceria com Mario Ruy e em que aparece pela primeira vez o invariante eidético universal absoluto: o <i>Ovo Alquímico</i>. As músicas foram executadas pela Ovo Alquímico Samblues Band.</p>
<p>&nbsp;Mas era pouco: dirigiu suas peças <i>A Mãe Provisória</i>, em 1978, e <i>Estação Treblinka Garden</i>, em 1979. Miguel Marvilla encenou &nbsp;seu poema dramático <i>Onaniana</i>, em 1990.</p>
<p>Foi escolhido por Afrânio Coutinho para escrever o verbete “Literatura do Espírito Santo” em sua <i>Enciclopédia de Literatura Brasileira</i> (Oficina Literária Afrânio Coutinho/Fundação de Assistência ao Estudante,1990 ), na qual mereceu inclusão como escritor.</p>
<p>Citado como escritor e crítico na <i>História da Literatura Brasileira</i>, de Carlos Nejar (São Paulo: Leya, 2011), honra que se repetiu na 3ª edição da mesma obra, pela Editora Unisul, em 2014.<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"> </span></p>
<p>Assis Brasil também lhe concedeu verbete em <i>A Poesia Espírito-santense no século XX</i> (Rio de Janeiro, Imago; Vitória, Secretaria de Estado de Cultura e Esportes, 1998).</p>
<p>Colaborou em diversos jornais brasileiros, entre eles <i>Folha de São Paulo</i>, <i>Zero Hora</i>, &nbsp;<i>Suplemento Literário de Minas Gerais</i>, <i>A Gazeta</i> e <i>A Tribuna</i>.</p>
<p>Orgulha-se, especialmente, de A Essência da Poesia, publicado na <i>Revista Brasileira</i>, da Academia Brasileira de Letras (Rio de Janeiro: Fase VII, outubro-novembro-dezembro de 1996, Ano III, nº 9, p.48). Assim como de As Metamorfoses do Homem, também estampado na <i>Revista Brasileira</i>, da Academia Brasileira de Letras (Rio de Janeiro: Fase VIII, abril-maio-junho de 2015, Ano IV, nº 83, p.191).<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"> </span></p>
<p>Pertence à Academia Espírito-santense de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Profissionalmente, é psicólogo clínico.</p>
<p>Sua excursão argonáutica mereceu os seguintes comentários:</p>
<p>Assis Brasil (<i>A Poesia Espírito-santense no século XX</i>, p. 210): “a poesia de Oscar Gama Filho, em especial seu quarto livro, de 1988, <i>O Despedaçado ao espelho</i>, é de feição original, recursos técnicos e de linguagem personalíssimos, num momento em que voltamos ao academicismo das fórmulas, das costumeiras metáforas e&#8230; do soneto. Nada contra a coinvenção de Petrarca, mas é raro um poeta, hoje, época algo sincretista — como o foi o começo do século — criar os seus próprios recursos de expressão.”</p>
<p>Afrânio Coutinho (orelha de <i>Razão do Brasil</i>): “A obra de Anchieta é analisada com a maior penetração, como jamais fora feito antes. Livro original e destinado a ser um marco na historiografia brasileira e capixaba.”</p>
<div style="text-align: center;">
Visite o <b><a href="https://estacaocapixaba.com.br/oscar-gama-filho-repertorio-literario/" target="_blank" rel="noopener">Repertório Literário</a></b> deste autor.</div>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
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		<title>UM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Mar 2016 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Folclore]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Romero de Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Música Folclórica]]></category>
		<category><![CDATA[Reinaldo Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Som]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução Um não é promessa de outro, mas também não se quer único (não é uma negação plena do Dois). Não é uma Unidade tampouco (não se presta a universal). Um é a união de ritmos relidos e reescritos por Fabiano e Wanderson (os arranjadores). Transcriação do Folclore, e só. Um é fruto do desafio [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://3.bp.blogspot.com/-Dc3tJPOaugQ/VtTMrZV3AmI/AAAAAAAAFQE/8fhB5pGkU8o/s1600/capa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img decoding="async" border="0" height="638" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/03/capa.jpg" class="wp-image-5376" width="640" /></a></div>
<h3>
</h3>
<h3>
<br /></h3>
<h3>
Introdução</h3>
<p>
Um não é promessa de outro, mas também não se quer único (não é uma negação plena do Dois). Não é uma Unidade tampouco (não se presta a universal).</p>
<p>Um é a união de ritmos relidos e reescritos por Fabiano e Wanderson (os arranjadores). Transcriação do Folclore, e só.</p>
<p>Um é fruto do desafio feito por Reinaldo Santos Neves para que eu tentasse fazer jazz com os temas folclóricos que o seu pai havia gravado há várias décadas. Acho que perdi. De jazz, no sentido estrito do termo, o disco não é. Deixei- me levar pela força inerente aos temas. Creio que ganhei musicalmente.</p>
<p>Agradeço a Kátia Moreira e toda a equipe da Comunicação Interativa, ao grande talento Solé, aos músicos que participaram da longa e recordista jornada, à paciência (quase perdida) da rapaziada da Lei Rubem Braga, às empresas que apoiaram o projeto, e a Reinaldo Santos Neves (que concebeu o projeto).</p>
<div style="text-align: right;">
Luiz Romero de Oliveira</div>
<h3>
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<h4>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/um-apresentacao/" target="_blank" rel="noopener">Apresentação</a>&nbsp;<span style="font-weight: normal;">&#8211; Reinaldo Santos Neves</span></h4>
<h4>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/um-faixas/" target="_blank" rel="noopener">Faixas</a></h4>
<h4>
<a href="https://picasaweb.google.com/113886180969444208463/MusicasFolcloricas_Salsa_200402#slideshow" target="_blank" rel="noopener">Ilustrações</a></h4>
<p>
[Reprodução no site Estação Capixaba autorizada por Luiz Romero de Oliveira (Salsa)]</p>
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<p></p>
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<p></p>
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		<title>Preservação e divulgação de registros do Folclore capixaba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2016 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Acervo]]></category>
		<category><![CDATA[Colégio do Carmo]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Folclore]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Professor Guilherme Santos Neves entre suas alunas do Colégio do Carmo durante trabalho de pesquisa folclórica. Anos 1950. Projeto aprovado na Lei Rubem Braga no ano de 2014, foi realizado com a participação do INSTITUTO PHOENIX CULTURA, recursos da PREFEITURA DE VITÓRIA / LEI RUBEM BRAGA e apoio da SPASSU TECNOLOGIA, e apresenta ao público [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-_R5uVaqXH4I/Vp0mxgUztsI/AAAAAAAAAZg/7rFa2Z91sjA/s1600/Alunas%2Bdo%2BCol%25C3%25A9gio%2Bdo%2BCarmo%2Bem%2Bpesquisa%2B-com%2BGSN-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Professor Guilherme Santos Neves entre suas alunas do Colégio do Carmo durante trabalho de pesquisa folclórica. Anos 1950." border="0" height="420" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Alunas2Bdo2BCol25C325A9gio2Bdo2BCarmo2Bem2Bpesquisa2B-com2BGSN-p.jpg" class="wp-image-5504" title="Professor Guilherme Santos Neves entre suas alunas do Colégio do Carmo durante trabalho de pesquisa folclórica. Anos 1950." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Professor Guilherme Santos Neves entre suas alunas do Colégio do Carmo durante trabalho de pesquisa folclórica. Anos 1950.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p>Projeto aprovado na Lei Rubem Braga no ano de 2014, foi realizado com a participação do INSTITUTO PHOENIX CULTURA, recursos da PREFEITURA DE VITÓRIA / LEI RUBEM BRAGA e apoio da SPASSU TECNOLOGIA, e apresenta ao público parte do acervo da família Santos Neves, composto de apontamentos que iniciam no ano de 1943 e vão até 1959 feitos por alunas que cursavam o Ginásio e o Normal (formação para professoras) do antigo Colégio do Carmo, de Vitória, ES.</p>
<p>Esses apontamentos integraram as atividades da disciplina de Português, ministradas pelo professor e também folclorista Guilherme Santos Neves, o mesmo que a 23 de agosto de 1952 criaria o Centro de Pesquisas Folclóricas do Colégio do <span id="PPF_RP1V">Carmo</span><sup><a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_6/#PPF_RP1" title="Ver Revista Excelsior, dez. 1952.">[ 1 ]</a></sup> inspirado por Renato de Almeida, outro grande folclorista brasileiro ao qual o professor Guilherme esteve ligado pelo interesse comum.</p>
<p>O trabalho consistiu de várias etapas. A primeira delas foi o inventário detalhado, com indicações de assuntos, autorias, locais de ocorrência e data. Passou-se então à etapa seguinte, de preparação dos documentos, amenizando-se vincos de dobras e realizando-se pequenos reparos com utilização de Document Repair Tape.<span id="PPF_RP2V">Carmo</span><sup><a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_6/#PPF_RP2" title="Fita apropriada para preservação de documentos.">[ 2 ]</a></sup> &nbsp;Em seguida procedeu-se à digitalização completa de todos os documentos (1.650 itens), perfazendo o total de 3.934 páginas / arquivos JPG coloridos e em alta resolução (300ppi), matrizes para preservação. Posteriormente os arquivos foram tratados para publicação na internet com acertos de bordas, redução de tamanho e resolução, incorporação de contraste e nitidez, salvando-se separadamente em JPG de 100ppi. O trabalho com as imagens foi finalizado pela integração das páginas de cada documento e criação de arquivos PDF para publicação no site. Após todas estas etapas foram então criadas as páginas de internet e publicadas em nosso site.</p>
<h3 style="text-align: center;">
Equipe técnica:</h3>
<div>
</div>
<div style="text-align: center;">
<b>Concepção do Projeto</b><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">Maria Clara Medeiros Santos Neves</a></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<b>Inventário, digitalização, tratamento de imagens&nbsp;</b><br />
<b>e preparação de páginas para internet</b></div>
<div style="text-align: center;">
Maria Clara Medeiros Santos Neves</div>
<div style="text-align: center;">
<b><br /></b></div>
<div style="text-align: center;">
<b>Estudo Introdutório</b></div>
<div style="text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/luiz-guilherme-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">Luiz Guilherme Santos Neves</a></div>
<div style="text-align: center;">
<b><br /></b></div>
<div style="text-align: center;">
<b>Preparação dos documentos para digitalização</b></div>
<div style="text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/vanessa-brasiliense-bio-bibliografia/" target="_blank" rel="noopener">Vanessa Brasiliense</a></div>
<div style="text-align: center;">
</div>
<div style="text-align: center;">
</div>
<p>______________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="PPF_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_6/#PPF_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup>[ 1 ]</sup></a>&nbsp;Ver Revista Excelsior, dez. 1952.</div>
<div id="PPF_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_6/#PPF_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup>[ 2 ]</sup></a>&nbsp;Fita apropriada para preservação de documentos.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<h4>
SUMÁRIO</h4>
<p>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_6/" target="_blank" rel="noopener">Introdução</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_23/" target="_blank" rel="noopener">Um filão farto de folclore capixaba: o Colégio do Carmo (Luiz Guilherme Santos Neves)</a></p>
<p><b><a href="https://drive.google.com/open?id=0B9YZkbO4qyDVSzhGakh0Z3V1OXM" target="_blank" rel="noopener">Inventário do acervo</a></b><br />
<b><br /></b><br />
<b><a href="https://drive.google.com/open?id=0B9YZkbO4qyDVVGNNX0xOYlZVNUE" target="_blank" rel="noopener">Arquivos PDF dos documentos</a></b><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_15/" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: black;"><br /></span></a><a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_89/" target="_blank" rel="noopener">Imagens da pesquisa de campo</a></p>
<p><a href="https://drive.google.com/open?id=0B9YZkbO4qyDVbEF2T3dVcExiZnc" target="_blank" rel="noopener">Revista Excelsior, dez. 1952</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/projeto-preservacao-e-divulgacao-de/" target="_blank" rel="noopener"><i>A Gazeta, C</i>aderno Pensar, 23/01/2016</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/um-inventario-de-registros-folcloricos/" target="_blank" rel="noopener">Um inventário de registros folclóricos&nbsp;[Texto de Luiz Guilherme Santos Neves lido no evento de lançamento do Projeto PRESERVAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE REGISTROS DO FOLCLORE CAPIXABA, ocorrido no dia 28 de janeiro de 2016, no auditório da Biblioteca Pública do Espírito Santo]</a></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">[Publicado originalmente no site Estação Capixaba em 28/01/2016]</span><br />
<span style="font-size: xx-small;"><br /></span><br />
<span style="font-size: xx-small;"><br /></span><br />
<span style="font-size: xx-small;">© 2016 Estação Capixaba &#8211; Todos os direitos de reprodução a partir das imagens digitalizadas e tratadas, assim como estudos e demais textos produzidos especialmente para esta publicação online estão reservados exclusivamente para o site ESTAÇÃO CAPIXABA (www.estacaocapixaba.com.br).</span></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://2.bp.blogspot.com/-7KATEOHHik0/VplCv6eztbI/AAAAAAAAAYo/xWUEgzFa8FY/s1600/conjunto%2Bde%2Bmarcas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" height="194" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/conjunto2Bde2Bmarcas.jpg" class="wp-image-5505" width="640" /></a></div>
<p></div>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/preservacao-e-divulgacao-de-registros_19/">Preservação e divulgação de registros do Folclore capixaba</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Revista ÍMÃ: 30 anos (1985 &#8211; 2015)</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/revista-ima-30-anos-19852015/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2016 03:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Imã]]></category>
		<category><![CDATA[Sandra Medeiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Revista ÍMÃ, n.1, 1985, capa de Burle Marx. 30 anos depois e a Revista ÍMÃ ainda é uma referência. Estampada numa das páginas do Catálogo da Coleção de Periódicos de Plínio Doyle, ela está disponível ao público na Casa de Rui Barbosa. Catalogada na Biblioteca da Universidade de Austin, no Texas, Estados Unidos, ela pode [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-etQDieWtKV4/Vqi6V75rJyI/AAAAAAAAAik/LShbN_jdEuA/s1600/CAPA%2B1%2Bleve.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ, n.1, 1985, capa de Burle Marx." border="0" height="900" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/CAPA2B12Bleve.jpg" class="wp-image-5507" title="Revista ÍMÃ, n.1, 1985, capa de Burle Marx." width="522" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ, n.1, 1985, capa de Burle Marx.</span></td>
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30 anos depois e a Revista ÍMÃ ainda é uma referência. Estampada numa das páginas do <i>Catálogo da Coleção de Periódicos</i> de Plínio Doyle, ela está disponível ao público na Casa de Rui Barbosa. Catalogada na Biblioteca da Universidade de Austin, no Texas, Estados Unidos, ela pode ser lida por estudantes interessados em literatura contemporânea brasileira.</p>
<p>Arquivada na Biblioteca da Universidade da Flórida [onde foi motivo de seminários nos anos 90]; na Biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil; na Biblioteca Nacional, e na Biblioteca Mindlin, entre outras casas de expressão, ela também está disponível nas duas principais bibliotecas públicas capixabas: a Biblioteca Estadual e a Biblioteca da Ufes.</p>
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<td style="text-align: center;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/-dpLu8WP-P6s/Vqi0kIulr-I/AAAAAAAAAhw/E86wHFzS4rM/s1600/IMA%2B1%2Bhelio%2Boiticica%2BLEVE.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ, n.1, 1985." border="0" height="342" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/IMA2B12Bhelio2Boiticica2BLEVE.jpg" class="wp-image-5508" title="Revista ÍMÃ, n.1, 1985." width="400" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ, n.1, 1985.</span></td>
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<p>A ÍMÃ foi motivo de estudos na Uerj e em outras universidades. Foi levada em mãos – não por mim, embora tenham me encantado e envaidecido os gestos, espontâneos – a Octavio Paz, Manoel de Barros, e a muitos outros. Chegaram cartas de Portugal, da Bélgica, dos Estados Unidos, de muitas cidades brasileiras: de cidades pequenas e de cidades grandes. De academias e de presídios. De José Paulo Paes, Olga Savary, José Salles Neto, Manoel de Barros, José Mindlin&#8230; de admiradores, autores e pessoas que desejavam ser publicados ou que apenas queriam cumprimentar e desejar vida longa à ÍMÃ. Os votos se concretizaram: 30 anos depois, esta publicação ainda é motivo de comentários, debates, estudos e congratulações.</p>
<p>A história da Revista ÍMÃ começa com um descontentamento. Trabalhava na Fundação Ceciliano Abel de Almeida, para onde fui a convite de Enyldo Carvalhinho, e via, com freqüência, uma boa quantidade de publicações voltadas à literatura, editadas em diferentes universidades brasileiras. Todas aquelas revistas literárias me pareciam livros sem graça e de poucas páginas. Invariavelmente o acabamento era o grampo lateral, que não permite a abertura total do impresso, grampo que naquela época nem era de alumínio e que, portanto, enferrujava.</p>
<p>Às vezes ilustradas, outras não, melhor seria que nenhuma fosse ilustrada. Se já não eram interessantes, em função do conteúdo, mais difícil ainda se tornava a leitura porque a forma não convidava. Via muitos enigmas na edição das revistas literárias. Aquelas independentes, quase sempre experimentais, eram feias. E as acadêmicas, se eram produzidas e consumidas num meio encarregado de fazer circular o conhecimento formal e até erudito, por que não eram as de melhor conteúdo e de melhor forma? Uma incógnita e uma incongruência.</p>
<p>Enquanto isso, nas bancas, até as revistas em quadrinhos se esforçavam para ser mais convidativas. Revistas, ao longo do tempo, adquiriram forma e acabamento muito característicos, impressas em papel mais bonito e mais durável, melhor que o papel-jornal, grampeadas ao meio, com muitas fotos, às vezes desenhos, com texto interessante. De <i>Pais &amp; Filhos</i> a <i>Playboy</i>; de <i>Fantasma</i> a <i>Luluzinha</i>, toda revista tinha um apelo irresistível para o seu leitor. A revista literária, não! Isto pesou quando decidi fazer a Revista Ímã.</p>
<p>Presunção à parte, estava certa de que não queria fazer uma revista para ficar acumulando poeira, mas para ser lida. A essa altura já havia editado – e ilustrado – um livro infantil com certo requinte gráfico, o que foi um impulso para fazer uma revista. O livro reproduzia um conto, &#8220;Pulacacá&#8221;, premiado em concurso do DEC. Impresso em monocromia [tinta verde] sobre papel vergé marfim, tinha ilustrações de página inteira e era acondicionado em um envelope, também em vergé, com acabamento manual: até os ilhoses que prendiam o fecho onde se enrolava o fio-urso foram cuidadosa e meticulosamente pintados de verde, o mesmo da impressão. O impressor foi João de Biasi, operando uma offset meia-folha numa pequena gráfica da Ilha de Santa Maria. Este livro me reconfirmou o afeto pelas artes gráficas e a tendência a buscar a singularidade naquilo que faço.</p>
<p>Decidida a fazer a revista, conversei com Ivan Alves – diagramador, autor de um projeto gráfico para o jornal <i>A Tribuna</i>, onde trabalhava, e uma quantidade significativa de livros – e o convidei a fazer comigo a revista. Ele aceitou na hora. Estava certa de que iríamos fazer uma revista bonita, de grande impacto. Fugir do padrão seria o primeiro diferencial: ela seria fora de formato, mais estreita, vertical. E o nome? Deveria ser de poucas sílabas e definitivo, que marcasse, impressionasse, cativasse.</p>
<p>ÍMÃ surgiu quase intuitivamente e não poderia ser mais preciso e adequado: de alta sonoridade, traduziu sempre a essência e a capacidade da revista, como ouvi do requintado editor Aníbal Bragança, português radicado no Brasil e criador da Pasárgada, editora de breve existência.</p>
<p>Iniciada a parceria com Ivan, comecei a pensar nos colaboradores, nos textos e ilustrações para o primeiro número. Falei com Marco Antônio Neffa [que ilustrou uma página de Luiz Melodia e foi o maestro das duas antológicas festas na Ilha da Fumaça], Reinaldo Santos Neves&#8230; Falei com Hilal, Atíllio Colnago, Joyce, Lando&#8230;</p>
<p>Vitória não é uma cidade cosmopolita, e uma característica local me aborrecia: a circunscrição do autor local – salvo raríssimas exceções – ao seu espaço geográfico. Foi assim que apresentei aos colaboradores a outra característica fundamental da revista: tirar de dentro de Vitória o autor de Vitória. Como fazer isto senão colocando-o ao lado do escritor de fora, já consagrado, preferencialmente do Rio e São Paulo? Lembro aqui comentário de Arnaldo Antunes, feito quando de seu primeiro lançamento de livro, na capital carioca: “O Rio de Janeiro é a caixa de ressonância brasileira”. Em 1985 era exatamente assim. Talvez ainda seja.</p>
<p>Fui ao Rio. Na Livraria Taurus, folheando jornais, li uma notícia em que Waly Salomão falava sobre música popular. Há um bom tempo não via Waly nos jornais. Li e conclui que o compositor de <i>Vapor Barato</i> e <i>Mal Secreto</i> era o nome certo para a primeira entrevista da ÍMÃ. Morando quatro ou cinco quadras acima da Taurus, logo depois do canal do Leblon, ele estava bem perto. Liguei e pouco mais tarde traçávamos planos na varanda do Guanabara. Verborrágico, prolixo, entusiasmado, cheio de amigos, exigente e seletivo, uma máquina de atrair holofotes, era o parceiro certo para o que havia idealizado: literariamente, unir a alta cultura e a cultura de massa. A primeira coisa que ele fez – e que marcou o nosso primeiro encontro – foi uma galanteria: pediu dois conhaques flambados. Não sou muito afeita a álcool, mas não tive tempo de avisar, a ordem já fora dada. Pior: naquele momento passa pela calçada um capixaba (Atílio) que me vê, para na calçada para um cumprimento. Rouba-me a atenção justo quando o garçom inicia o espetáculo pirotécnico com a taça de conhaque. Waly reclama, gargalha (uma de suas marcas), deixa claro que ficara enciumado com o que lhe parecera descortesia, e pede para o garçom repetir o feito e selamos nossa – infelizmente breve – amizade.</p>
<p>Antes mesmo de ser convidado para o posto de co-editor Waly já arregimentava Cícero – como ele chamava Antônio Cícero Lima – seu inseparável parceiro poético; me falava de quem achava indispensável na revista: Hélio Oiticica, de quem tinha inéditos, Arnaldo Antunes, Torquato Netto&#8230; Enfim, de todas as suas preferências, quase todas minhas também. Seu entusiasmo crescente e sua vontade de participar foram fundamentais à abrangência e qualidade de conteúdo que a revista alcançou.</p>
<p>Um desenho inédito de Burle Marx foi a capa da ÍMÃ número 1. Foi a primeira demonstração de força e qualidade da revista, lançada com Júlio Bressane, Waly Salomão, Paulo Leminski, Antônio Cícero, Hélio Oiticica, Luiz Melodia, Alice Ruiz, Jamil Snege, Bernardo e Sandro Medeiros, Reinaldo Santos Neves, Luiz Busatto, Ivan Alves, Leo, Renato Pacheco, Bernadeth Lyra, Tatagiba, Flávio Sarlo, Marcos Tavares, Gelson Penha e Valdo Motta. O time de ilustradores: Hilal Sami Hilal, Attílio Colnago, Joyce Brandão, Marco Antônio Neffa e Lando. Oito autores de fora, capixabas, mais os nossos artistas da ilustração. Graficamente, o diferencial da revista estava no formato, no papel e no desenho. Cortada no 18 x 31cm, vertical, já denotava sóbria elegância na forma. Diagramada com mais contragrafismos que grafismos na maioria das páginas e impressa no papel couché brilho, configurava uma edição de luxo, confirmada na entrevista – com Waly Salomão – encartada nas páginas centrais, impressa em papel vergé.</p>
<p>Ignorei possíveis restrições, inclusive as orçamentárias, e usei as possibilidades do mercado local. Usei o papel couché para miolo e capa, e tanto nesse primeiro número quanto nos demais, papel diferenciado para os encartes. Na impressão, a revista usou, desde o início, cor chapada, que é uma coisa que exige bastante de quem opera as máquinas. Usaria, na número 4, o verniz para formar uma segunda cor. Quer dizer, além de reunir textos de autores consagrados aos textos de iniciantes, daqui e de outros lugares, numa política de abrir mercado, a forma sempre teve o mesmo peso dado ao conteúdo. O design da revista era de fato singular, de impacto. Bom de ver e de comentar. Impressionada que ficara quando conheci o trabalho de Herb Lubalin e Mo Lebowitz, fiz um pedido ao Ivan: os nomes dos autores, mais que os títulos, teriam que ser o grande destaque: muita caixa-alta e corpos gigantes. Mudança de escala e de paradigmas. Ninguém, senão Ivan, ele próprio um grande designer e também admirador dos mestres das artes gráficas, conseguiria materializar o meu pensamento. Bem mais que isso: Ivan produziu, para a revista, um trabalho maravilhoso, autoral, que não poderia ser feito para um jornal diário, comercial. Passou horas na prancheta, usando o projetor, desenhando. Foram inúmeras as minhas idas a Jucutuquara, ao seu estúdio, que se transformaria – junto com a minha sala de visitas – na redação da ÍMÃ. Ficávamos tardes ali, trabalhando, às vezes olhando o pátio da Escola Técnica. Algumas vezes na companhia de Marco Antônio Neffa, um dos primeiros entusiastas do projeto, convidado a ser o primeiro co-editor. Ivan se distraía colorindo, cada uma de uma cor, as tampas de bueiro da sua rua. No primeiro número, fazer a revista foi ainda um jeito novo de superar os tediosos dias de Carnaval, quando você não consegue fazer nada, quando praticamente tudo fica parado.</p>
<p>Desde o primeiro número a revista encontrou alta receptividade. O lançamento em Vitória, na Ilha da Fumaça, é antológico. O lançamento no Rio, na Livraria Dazibao, foi um acontecimento. A livraria ficou tomada. A calçada também. A pequena nota na coluna Informe JB, no <i>Jornal do Brasil</i>, foi a primeira notícia fora do circuito capixaba.</p>
<p>Em São Paulo, o lançamento foi na Escola de Comunicação da Faap. José Simão, Gigante Brasil, Renó, José Miguel Wisnick, artistas plásticos, jornalistas e muita gente mais que fazia ou ouvia poesia estava lá.</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-ptQ8IdTDBUg/Vqi0cwzTXrI/AAAAAAAAAhc/5kSqtjN2czs/s1600/CAPA%2B2-Cesar-Cola.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.2, 1986, capa de César Cola." border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/CAPA2B2-Cesar-Cola.jpg" class="wp-image-5509" title="Revista ÍMÃ n.2, 1986, capa de César Cola." width="370" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ n.2, 1986, capa de César Cola.</span></td>
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<p>&nbsp;A revista número 2 repetiu e ampliou o sucesso do primeiro número. Manteve o formato, e os títulos e nomes de autores em escala característica dos velhos títulos em madeira, dos jornais pré-off set. Na capa, desta vez, a ilustração foi de um capixaba, César Cola. No miolo, o sofisticado poeta Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, Carlos Renó, Maurício Stycer, Matinas Suzuki, Ademir Assunção, Paulo Leminski, Léo Ferreira, Chacal, Roberto Piva, Jorge Salomão, Waly Salomão, Luciano Figueiredo, Alice Ruiz. E Huidobro, Juó Bananeri, Oliverio Girondo. Capixabas, Amylton de Almeida, Roberto Almada, Bernadeth Lyra, Adilson Vilaça, Valdo Motta, Iran Caetano e Elisa Lucinda.</p>
<p>O miolo manteve o couché brilho. As duas entrevistas, de Caetano Veloso e do cineasta Julio Bressane, repetem o vergé. Mas a entrevista de Caetano Veloso ganha destaque, prolongando-se em um encarte separado, em papel jornal, em formato pouco menor que o do tablóide da época.</p>
<p>O lançamento capixaba volta a acontecer na Ilha da Fumaça; o lançamento no Rio ganhou o Mistura Fina, sofisticado bar que unia apresentações, ao vivo, de jazz e de jovens cantores, como os estreantes Vítor Ramil e Adriana Calcanhoto. O mestre de cerimônia foi Jorge Salomão. Foi marcado um lançamento em São Paulo, no Singapura Slink, organizado à distância por Waly Salomão e Patrícia Casé.</p>
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<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-lqz0zppH3to/Vqi1kR2kJ9I/AAAAAAAAAh8/07VY6_J1TtI/s1600/IMA%2BII%2Broda%2BB%2BLEVE.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.2, 1986." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/IMA2BII2Broda2BB2BLEVE.jpg" class="wp-image-5510" title="Revista ÍMÃ n.2, 1986." width="227" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ n.2, 1986.</span></td>
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<p>Desta vez a festa carioca foi tão grande que nem mesmo as páginas da Revista de Domingo, do JB, foi capaz de sintetizar a capacidade de atração exercida pela revista. Casa superlotada, da mesma forma que a calçada e a rua em frente. Quem não chegou muito cedo não conseguiu entrar. De Fernando Gabeira a Luiz Moulin; de Fausto Fawcet a Regina Casé, todos estavam lá. Leo Jaime, Paulo Coelho, Hans Donner, jornalistas [entre eles Helena Carone, Míriam Leitão e Zuenir Ventura], os cineastas Júlio Bressane e Sílvio Lanna. Helô Amado e outras socialites, Jorge Barrão e Sandra Kogut. Sem falar em quem não conseguiu entrar. Caetano Veloso não conseguiu sequer estacionar seu carro, irradiou Jorge Salomão: nas imediações tudo estava tomado.</p>
<p>Fausto Fawcet fez ali sua primeira apresentação pública. E ali recebi um surpreendente e emblemático presente: o CD <i>Bruhahá Babélico</i>. Entregue no momento certo. Idealizando a Revista ÍMÃ número 3, convidei Leminski para fazer a co-edição. Achei que poderia iniciar uma série de dupla nacionalidade e não foi difícil decidir que este número contemplaria autores brasileiros e japoneses, porque Leminski, além de praticante de judô sempre teve uma curiosidade muito grande pela literatura japonesa, tanto é assim que boa parte de sua poesia foi produzida na forma de hai-kai. Na capa o samurai – um show à parte – de Bruno Liberati empunha um pincel que escreve ÍMÃ, em ideogramas: gentileza de um professor de japonês do Centro de Estudos Nipônicos de Vitória, que inclusive escreveu a palavra nas suas duas acepções.</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/-v27lRiw1LQ0/Vqi0cY-ejfI/AAAAAAAAAhQ/q_AfulTLKrM/s1600/Capa%2B3_Liberatti.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.3, 1986, capa de Liberati." border="0" height="550" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Capa2B3_Liberatti.jpg" class="wp-image-5511" title="Revista ÍMÃ n.3, 1986, capa de Liberati." width="640" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Revista ÍMÃ n.3, 1986, capa de Liberati.</td>
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</table>
<p>A número 3 manteve o formato e trouxe dois encartes muito especiais: um cartazete e uma revista dentro da revista. O cartazete trouxe o pitoresco e saboroso texto Conhecimento dos Japões, extraído da <i>História da Vida do Padre Francisco Xavier</i>, escrita, em 1600, pelo jesuíta português João de Lucena. A mini-revista veio grampeada no centro da revista. Manteve a altura de 31 centímetros, mas teve a largura reduzida à metade. Intitulada Estrelas de Outro Céu, reproduziu hai-kais de autoras japonesas. O original, em ideogramas, foi impresso em vermelho, sobre papel semelhante ao papel-arroz, largamente utilizado no Japão. As traduções em inglês e português foram impressas em preto, sobre papel couchê brilho, como o restante da revista.</p>
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<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/-EZTCptaiJKc/Vqi1lPVgIAI/AAAAAAAAAiI/pPXqWYZe02s/s1600/IMA%2B3%2B-%2BSHAN%2B-%2BWEB.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.3, 1986, poema de Shan." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/IMA2B32B-2BSHAN2B-2BWEB.jpg" class="wp-image-5512" title="Revista ÍMÃ n.3, 1986, poema de Shan." width="231" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Revista ÍMÃ n.3, 1986, poema de Shan.</td>
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<p>O lançamento capixaba desta vez foi na Galeria Usina que movimentava o mundo das artes em Vitória e que promoveu importantes exposições, além de ceder ateliê para alguns promissores artistas locais. No Rio a revista chega ao público em lançamento na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema: nova apoteose, marcada por música e performance. Em Brasília, na Fundação Cultural, carinhosamente preparada por Reinaldo Jardim, jornalista e poeta, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, integrante da equipe responsável pela reformulação do <i>Jornal do Brasil</i> no final dos anos 50, equipe que teve também o diagramador, gravurista e escultor mineiro Amílcar de Castro. Uma honra o apoio de Reinaldo Jardim, criador do Caderno B e do Suplemento Dominical e a sua simpatia à causa. Lástima não tê-lo publicado&#8230; resultado das dificuldades financeiras para um projeto da envergadura da ÍMÃ que oscilou um pouco e tende a voltar. Existe expectativa em torno da ideia e material inédito.</p>
<p>Chegamos ao número 4 com a decisão de manter a edição de dupla nacionalidade. Desta vez, Brasil e Portugal. Quando anunciei a opção por Portugal, Leminski foi cético. Mas uma sua pergunta – “Quantas pessoas no mundo falarão português?” – só reafirma a minha decisão, afinal, muita gente, mesmo, fala português. Se a ÍMÃ fosse internacionalmente distribuída iria para Macao, para Portugal, para o Timor Leste, para Goa&#8230; Sem falar em pequenas ilhas aqui e ali, como brazilianistas, poetas e professores norte-americanos&#8230; Não. A revista não se restringiria – como não se restringiu – ao Brasil, apenas, se houvesse uma distribuição abrangente.</p>
<p>E começa então a seleção de autores. Os portugueses Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Gastão Cruz, Vergílio Alberto Vieira e José Carlos Soares somaram-se aos capixabas Reinaldo Santos Neves [mais uma vez ilustrado por Attilio Colnago], Silvio Barbieri, Adílson Vilaça, Gilson Soares, Valdo Motta, Marcos Tavares. E aos nomes nacionais: Bombom, Chacal, Alex Varela, Arnaldo Antunes, Torquato Neto, Luiz Melodia e, claro, Paulo Leminski. Um cavalheiro, e docemente surpreendente, envia dois inéditos. Foi decepcionante a ÍMÃ não ter podido ficar pronta no prazo previsto: Leminski se foi antes.</p>
<p>A essa altura a redação já estava no Rio de Janeiro, mas a seleção dos autores, a diagramação e parte da composição saíram prontas de Vitória. O sistema usado tanto em Vitória quanto no Rio, a fotocomposição, é um sistema que garante matrizes de altíssima resolução, o que assegura uma impressão de qualidade. Esta viria a ser feita na Gráfica Riachuelo, no centro velho da cidade. No Rio também seria impresso o número seguinte, que foi rodado na CBAG, instalada em São Cristóvão. A número 1 fora impressa, em Vitória, na Artgraf, de José Carlos, onde também se imprimiu o segundo número. A número 3, na Espírito Santo, de Darinho Cruz.</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/-OQKpXKSL7V8/Vqi0jBmtFDI/AAAAAAAAAhk/xtNzDhW8apU/s1600/CAPA%2B4-Lando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.4, 1990, capa de Lando." border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/CAPA2B4-Lando.jpg" class="wp-image-5513" title="Revista ÍMÃ n.4, 1990, capa de Lando." width="370" /></a></td>
</tr>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ n.4, 1990, capa de Lando.</span></td>
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<p>Graficamente, a revista número 4 está mais sofisticada ainda. Na capa, de grande impacto, Lando. Uma Magdalena Tagliaferro? Talvez. As três zonas óticas formadas pelas massas de cor, branco, preto e vermelho, fizeram desta uma das capas de mais impacto da ÍMÃ. No miolo o preto se sobrepõe ao preto. O brilho se sobrepõe ao opaco, o cinza toma muitas páginas, e as ilustrações de Liberati fazem uma sutil ligação com a edição anterior.</p>
<p>De novo dois encartes. O primeiro, em formato tablóide e em papel jornal, com uma singela, poética e envolvente entrevista de Luiz Melodia, registrada pelo fotógrafo carioca Sérgio Cardoso que captou, sensivelmente, o clima do encontro: um belo presente à revista e aos leitores.</p>
<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;">
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<td style="text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-s8By54FU3sk/VqimBLWCNtI/AAAAAAAAAgY/YKiZa_y3JWY/s1600/IMA%2B4%2B-%2BMELODIA.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.4, 1990." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/IMA2B42B-2BMELODIA.jpg" class="wp-image-5514" title="Revista ÍMÃ n.4, 1990." width="231" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ n.4, 1990.</span></td>
</tr>
</tbody>
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<p>O segundo encarte da ÍMÃ número 4, sanfonado, é uma ode à revista. Cristina Salgado, Shan, Grupo 6 Mãos, Fausto Fawcet, Alex Hamburger &amp; Márcia Pinheiro, Maria Moreira, Bruno Liberati, Freddy Ribeiro, Intrépida Trupe, esta numa foto colorizada pelo grande Édio Xavier, o mago do retoque e da cor do Departamento de Arte do <i>Jornal do Brasil</i>. Todos repetindo sua admiração, apoiando a revista.</p>
<p>Em Vitória o lançamento acontece na Capela Santa Luzia, junto com a abertura de uma exposição de Lando, o autor da pintura reproduzida na capa. Novamente um acontecimento de alta repercussão, inesquecível. O lançamento no Galpão do Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, foi algo à parte. Glória Pires, Jorge Salomão, uma equipe inteira da Cope [centro de excelência cibernética da Universidade Federal do Rio de Janeiro], performances, Paulo Muniz, o fotógrafo de Juscelino Kubitschek e João Goulart&#8230; Impossível lembrar tanta gente na constelação de grandes nomes que estiveram lá, pela revista.</p>
<p>O número 5 foi todo produzido no Rio de Janeiro. Uma das surpresas: Trimano, o grande ilustrador argentino que se radicou no Brasil ainda nos anos 60 (e pode ser conferido na foto histórica da carta de apresentação do número 1 da <i>Veja</i>), numa visita, me diz que gostaria de ilustrar a ÍMÃ. Custei a crer, ele que tantas exigências costumava fazer em relação ao trabalho, e que já me dissera, quase como uma reprimenda, que a revista era caríssima&#8230; Logo, elitista. Sendo ele argentino, achei que deveria ficar com as páginas de Jorge Luís Borges e de Juan Gelman. Imaginei uma afinidade natural, um afeto pela gente do próprio país&#8230;</p>
<p>Mais surpresas: eu havia conhecido a produção de Gelman na redação de <i>O Globo</i>, onde trabalhava da Editoria de Economia. Um redator da Internacional me mostra um livro, eu me surpreendo com a beleza e força dos poemas e não tive dúvidas: era um nome indispensável à revista número 5 que, mais que dupla cidadania, trazia uma sintética tripla cidadania, ao incorporar o surpreendente Leo Masliah, reconhecido pianista, músico e poeta uruguaio.</p>
<p>Pois bem: o jornalista Gelman e o desenhista Trimano haviam trabalhado junto antes de deixarem a Argentina, ainda num período de extrema dificuldade como costuma ser o início da carreira de jornalistas, poetas e ilustradores. Ambos estavam na mesma redação e chegaram a dividir a mesma kitchenette. E Trimano o reencontra justamente através da ÍMÃ.</p>
<p>Apaixonada pelos poemas de Gelman, faço, num impulso, a tradução de todo o seu livro, e depois de muitas ligações para Buenos Aires, para o Jornal Página Um, vou localizá-lo na cidade de Novo México. Enviei a tradução, ele me respondeu com as suas ponderações e custo a crer que os contratempos de mudanças fizeram desaparecer tradução e carta. Muito pior! Mais uma vez, dolorosamente: Gelman, <i>Prêmio Cervantes de Literatura</i> em 2007, nos deixou no início do ano passado, sem que o visse, o abraçasse. Permanece a vontade e a certeza de que o livro vai sair um dia.</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-AeJpQeoY7Kc/Vqi0kb_JBHI/AAAAAAAAAh0/uQRjSGV_yT0/s1600/CAPA%2B5-Fernando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.5, 1992, capa de Lula Palomanes." border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/CAPA2B5-Fernando.jpg" class="wp-image-5515" title="Revista ÍMÃ n.5, 1992, capa de Lula Palomanes." width="370" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ n.5, 1992, capa de Lula Palomanes.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A ÍMÃ número 5 apresenta uma unidade gráfica muito clara. A mesma fonte e apenas dois ilustradores ao longo de toda ela, que mostra ainda unidade nas cores escolhidas para esta edição. Os autores publicados formavam um time de respeito: José Paulo Paes, Maria do Carmo Ferreira, Vítor Ramil, Carlito Azevedo, Haroldo de Campos, Kátia Bento, Guilherme Mansur, Alexandre Brito, Thyrtheu Rocha Viana, Ricardo Silvestrim, Marcos Tavares, Sérgio Alcides.</p>
<p>Em Vitória o lançamento deste número acontece na Fafi. Um momento inesquecível. Foi a última vez em que estive com o amigo Amylton de Almeida, jornalista e documentarista premiado, que filmava&nbsp;<i>O Amor está no Ar</i>. Saíra das locações para levar-me um abraço e a&nbsp;<i>Autobiografia de Hermínia Maria</i>. Acompanhei a redação do livro, no entanto saí de Vitória bem antes de ele ser editado. A Fafi é um espaço bem grande, e estava cheia. Era uma noite de alegria que se rompe tristemente com a notícia de que acabara de ser assassinado o biólogo José Carlos Vinha. Amylton morreria pouco mais de dois anos depois, deixando inacabado seu longa-metragem.</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-hRtn16h4f04/Vqi1nI2aK1I/AAAAAAAAAiY/N_MgayIP9dg/s1600/IMA%2BV%2Bborges%2BLEVE.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Revista ÍMÃ n.5, 1992." border="0" height="355" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/IMA2BV2Bborges2BLEVE.jpg" class="wp-image-5516" title="Revista ÍMÃ n.5, 1992." width="400" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12.8px;">Revista ÍMÃ n.5, 1992.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
No Rio o lançamento foi no Museu da República, na varanda interna que dá para o grande jardim. Muita gente, mas muita mesmo, estava lá. A Livraria da República, a varanda e o jardim foram tomados. Tanta gente que nem consigo enumerar, mas não posso deixar de falar de Kátia Bento, Trimano e Aníbal Bragança. A repercussão, imensa, manteve a tradição. Saiu matéria grande na <i>Folha de São Paulo</i>, no <i>Globo</i>. <i>Jornal do Brasil</i> e <i>Estadão </i>registraram. <i>O Estadão</i> se enganou ao dizer que a revista era capixaba: não mais. Desde o número 4 estava sendo feita no Rio, mas o jornalista autor da notícia, paulista que havia morado em Vitória, onde estivera no lançamento da ÍMÃ 3 [e entrou na fila dos pedidos de publicação], foi perdoado. Afinal, tudo que pretendeu foi enaltecer um trabalho de alta qualidade surgido fora do Rio e de São Paulo.</p>
<p>O encarte desta vez é um adesivo no formato da revista, com mini-poemas de autores brasileiros, entre eles os capixabas – e amigos queridos – Carlos Chenier e Tércio Moraes. Mantinha-se, desta forma, a singularidade da edição.</p>
<p>Ainda hoje não sei dizer o motivo exato porque não segui a recomendação feita por carta pelo bibliófilo, grande leitor e autor Plínio Doyle: “Peço licença para uma lembrança: não é aconselhável incluir “encartes” em cada número, que soltos facilmente se extraviam, prejudicando a coleção”.</p>
<p>Ele repetiria a recomendação por telefone. E tinha toda razão. Eu mesma não tenho mais que um exemplar do tablóide-encarte do número 4, com a entrevista de Melodia e o outro belo e disputadíssimo encarte sanfonado. Com o número 5 aconteceu a mesma coisa: na minha coleção, dos dois exemplares, só um está com o adesivo. Um deles se perdeu. Especialmente a folha de adesivos foi muito cobiçada. E, contra a minha vontade, extraviada.</p>
<p>Escrever, editar, projetar, desenhar e diagramar são atividades que arrebatam. Fazer um livro, um jornal, uma revista, é trabalhar apaixonadamente ainda que existam dificuldades práticas, como superar as limitações financeiras.</p>
<p>A paixão com que fizemos a ÍMÃ, e os cuidados que tivemos não foram suficientes para evitar erros de revisão e outros percalços, como situações delicadas vividas no momento em que foi preciso recusar um poema. Situação mais difícil ainda quando a edição de texto é dividida. Sobre a revista preciso dizer que renego o design de algumas páginas, em duas de suas edições. Páginas de responsabilidade minha e não do Ivan, é preciso que fique claro. Mas a ÍMÃ atraiu leitores! Lida por pessoas comuns e eruditas, alcançou repercussão internacional e integra importantes coleções no Brasil e em outros países. É mais que um projeto gráfico arrojado, a mistura de erudição e simplicidade popular, a reunião de autores consagrados e iniciantes: é uma publicação importante, que fez história e contribuiu para a renovação editorial.</p>
<p>
<span style="font-size: 90%;"><a href="http://www.tertuliacapixaba.com.br/arquivo/revista_ima.htm" target="_blank" rel="noopener">[Veja também entrevista com a autora publicada no site Tertúlia]</a></span><br />
<span style="font-size: x-small;"><br /></span><br />
</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Sandra Medeiros&nbsp;</b>Sandra Medeiros é jornalista, designer e escritora. (Para obter mais informações sobre o autor&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/Sandra%20Medeiros">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/revista-ima-30-anos-19852015/">Revista ÍMÃ: 30 anos (1985 &#8211; 2015)</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<item>
		<title>A colonização alemã no Espírito Santo &#8211; Sumário</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2016 22:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alemães]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Ernst Wagemann]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.] SUMÁRIO PREFÁCIO INTRODUÇÃO&#160;&#8211; Posição atual do problema de aclimatação PRIMEIRA PARTE – A TERRA E A GENTE CAPÍTULO I &#8211; O Espírito Santo O Espírito Santo: A terra; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/-1sqi0ZzRBng/Vp_8d_sfGTI/AAAAAAAAAa4/elsVuQj82HE/s1600/Santa%2BMaria%2BJetib%25C3%25A1-p.107.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]" border="0" height="408" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Santa2BMaria2BJetib25C325A1-p.107.jpg" class="wp-image-5518" title="Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Venda de Karl Bullerjahn, em Santa Maria de Jetibá. [In WERNICKE, Hugo. Viagem pelas colônias alemãs do Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Espírito Santo, 2013, p.107.]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
<b>SUMÁRIO</b></p>
<p>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo/" target="_blank" rel="noopener">PREFÁCIO</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_16/" target="_blank" rel="noopener">INTRODUÇÃO</a>&nbsp;&#8211; Posição atual do problema de aclimatação</p>
<p><b><br />
PRIMEIRA PARTE – A TERRA E A GENTE</b></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/colonizacao/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO I &#8211; O Espírito Santo</a><br />
O Espírito Santo: A terra; o povoamento; produção e comércio; política e finanças; generalidades.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_48/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO II &#8211; As colônias alemães</a><br />
As colônias de alemães: O território; o clima da região; o clima da região baixa; a fundação da colônia de Santa Isabel; a fundação da colônia de Santa Leopoldina; a expansão do povoamento; a formação das comunidades; a topografia das áreas onde se situam as comunidades; lugarejos e sítios.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_17/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO III &#8211; Número de colonos; crescimento demográfico</a><br />
Número de colonos; crescimento demográfico: Número de colonos alemães; nascimentos e óbitos (números absolutos e números relativos).</p>
<p><b>SEGUNDA PARTE – O TRABALHO</b></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO IV&nbsp;&#8211;&nbsp;</a><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_19/" target="_blank" rel="noopener">Os métodos de produção dos sitiantes alemães</a><br />
Os métodos de produção dos sitiantes alemães: superfície, em média, cultivada; a derrubada; o café: plantação, trato cultural e colheita; o beneficiamento do café; o milho e a abóbora; os tubérculos; as outras culturas; a criação; a construção; o ano agrícola.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_0/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO V – O labor agrícola e seus aspectos gerais</a><br />
O labor agrícola e seus aspectos gerais: A cultura exaustiva; a monocultura; a pequena empresa; o mutirão; a capacidade de trabalho; a divisão de trabalho entre o homem e a mulher; o Comitê Econômico.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_44/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO VI &#8211; A circulação</a><br />
A circulação: Generalidades; venda e preços da terra; dívidas; a venda e o vendeiro; o comércio ambulante; a tropa; as casas comerciais de Vitória e Porto do Cachoeiro; o comércio do café; os artesãos; observações finais.</p>
<p><b><br />
TERCEIRA PARTE – O MODO DE VIDA</b></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_20/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO VII &#8211; O nível de vida</a><br />
O nível de vida: Orçamento doméstico; moradia; o vestuário; a alimentação; a boda; o enterro.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_73/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO VIII &#8211; A salubridade</a><br />
A salubridade: a situação sanitária, outrora e atualmente; a mortalidade segundo períodos de vida; as doenças; a higiene; a influência do clima; sexualidade e casamento.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_39/" target="_blank" rel="noopener">CAPÍTULO IX &#8211; Educação e caráter</a><br />
Educação e caráter: Generalidades; a igreja; a escola; o linguajar dos colonos; o inventário; a índole étnica, sua aclimatação.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-colonizacao-alema-no-espirito-santo_59/" style="font-weight: bold;" target="_blank" rel="noopener">BIBLIOGRAFIA</a></p>
<p><span style="font-size: 80%;"><br /></span><br />
<span style="font-size: 80%;">[Do original alemão <i>Die deutschen kolonisten im brasilianischen staate Espírito Santo</i>, Verlag von Duncker &amp; Humblot — München und Leipzig, 1915. Tradução de Reginaldo Sant&#8217;Ana publicada em Separata dos nºs 68-70 do <i>Boletim Geográfico</i>, IBGE, correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 1948 e janeiro de 1949, Rio de Janeiro, Serviço Gráfico do IBGE, 1949.]</span><br />
<span style="font-size: 80%;"><br /></span><br />
<span style="font-size: 80%;"><br /></span><br />
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001&nbsp;</span></b>A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia autorização&nbsp;</b>representa desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<span style="font-size: 80%;"></span><br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ernst Wagemann</b> (autor) nasceu em 18 de Fevereiro de 1884, em Chañarcillo, Chile, faleceu em 20 de Março de 1956, em Bad Godesberg, Alemanha. Foi economista político e estatístico muito atuante na Alemanha a partir dos anos de 1920. Para mais informações, <a href="https://estacaocapixaba.com.br/Ernest%20Wagemann" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>.</p></blockquote>
<p><b><br />
<br />
</b></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Viagem pelos trópicos brasileiros: Província do Espírito Santo</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/viagem-pelos-tropicos-brasileiros/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2016 15:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Teresa Carlota Mariana Augusta]]></category>
		<category><![CDATA[Teresa da Baviera]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dos apontamentos feitos pela princesa Teresa da Baviera durante sua visita ao Brasil entre os meses de janeiro e outubro de 1888 nasceu o livro Meine Reisein den Brasilianischen Tropen. Sua passagem de três semanas pelo Espírito Santo, ocorrida entre agosto e setembro e registrada nos Capítulos XVI, XVII e XVIII da edição de 1897 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="http://4.bp.blogspot.com/-h3c9AonacKY/Vqd83bTCtVI/AAAAAAAAAdI/hKKCePJlqCU/s1600/A%2Bprincesa%2Bem%2Bsua%2Btenda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="A Princesa em sua tenda." border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/01/A2Bprincesa2Bem2Bsua2Btenda.jpg" class="wp-image-5520" title="A Princesa em sua tenda." width="604" /></a></div>
<p>Dos apontamentos feitos pela princesa Teresa da Baviera durante sua visita ao Brasil entre os meses de janeiro e outubro de 1888 nasceu o livro <i>Meine Reisein den Brasilianischen Tropen</i>.</p>
<p>Sua passagem de três semanas pelo Espírito Santo, ocorrida entre agosto e setembro e registrada nos Capítulos XVI, XVII e XVIII da edição de 1897 (única existente), é aqui reproduzida com o objetivo de incorporar à bibliografia capixaba um relato único e muito rico em detalhes, que registra não só informações de caráter científico sobre a flora, a fauna, a topografia e os indígenas da província (objetivos principais da viagem), mas também diversos aspectos</p>
<p>relevantes da vida local.</p>
<p>Antes desta edição tínhamos apenas um resumo da viagem, acompanhado de comentários pertinentes, no livro Viajantes estrangeiros no Espírito Santo, do historiador Levy Rocha, a que remetemos o leitor interessado.</p>
<p>A presente publicação contém não só a tradução integral dos capítulos da parte relativa ao Espírito Santo e a reprodução de todas as respectivas ilustrações como também, em fac-símile, as páginas correspondentes da edição alemã. Além disso, foram aqui também incorporadas as imagens de capa e folha de rosto da edição original, a fotografia do imperador Pedro II que consta do frontispício, e a tradução para o português do prefácio geral da autora e da dedicatória.</p>
<p>Por fim, foi preparado um conjunto de textos especialmente para complementar esta edição, que compreendem um prefácio e notas explicativas do tradutor, Ivan Seibel, uma apresentação do historiador Luiz Guilherme Santos Neves, e uma breve notícia biobibliográfica sobre a autora.</p>
<p>Em termos gráfico-editoriais manteve-se praticamente intacto o plano da obra original.</p>
<p>A tradução de Ivan Seibel data de 2010 e o livro é resultado de projeto aprovado em 2012 na Lei Vila Velha Cultura e Arte da Prefeitura de Vila Velha, e foi editado pela Phoenix Cultura, tendo como organizadora Maria Clara Medeiros Santos Neves.<br />
<a href="http://issuu.com/werls/docs/princesa_miolo_final_issuu_mc" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
</p>
<div style="text-align: center;">
<a href="http://issuu.com/werls/docs/princesa_miolo_final_issuu_mc" target="_blank" rel="noopener"><b>CLIQUE  AQUI  PARA  VISUALIZAR  A  OBRA  COMPLETA</b></a></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Teresa Carlota Mariana Augusta da Baviera</b>, autora do texto,&nbsp;nasceu em Munique em 12 de novembro de 1850, e morreu solteira em 19 de dezembro de 1925. Era filha de Leopoldo Carlos José Guilherme Luís de Wurtzburgo (1821-1912) e da arquiduquesa Augusta Fernanda de Áustria-Toscana. Foram seus irmãos Luís III (que viria a se tornar rei da Baviera em 1912), Leopoldo e Arnulfo. (Para obter mais informações sobre o autor neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/Teresa%20Carlota%20Mariana%20Augusta">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Luiz Guilherme Santos Neves &#8211; Referências</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/luiz-guilherme-santos-neves-referencias/</link>
					<comments>https://estacaocapixaba.com.br/luiz-guilherme-santos-neves-referencias/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2016 20:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Guilherme Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Referências]]></category>
		<guid isPermaLink="false"></guid>

					<description><![CDATA[<p>A obra do escritor Luiz Guilherme Santos Neves foi estudada por vários autores, entre os quais: 1 – MARIA THEREZA COELHO CEOTTO História, carnavalização e neobarroco:&#160;Leitura do romance contemporâneo produzido no Espírito Santo. CEG Publicações/Editora da Ufes, 1999. Texto da orelha, pelo Prof. Dr. Francisco Aurelio Ribeiro Este livro da Profa. Maria Thereza Lindenberg Coelho [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A obra do escritor Luiz Guilherme Santos Neves foi estudada por vários autores, entre os quais:</p>
<p>
1 – MARIA THEREZA COELHO CEOTTO</p>
<p><i>História, carnavalização e neobarroco:&nbsp;</i><i>Leitura do romance contemporâneo produzido no Espírito Santo.</i> CEG Publicações/Editora da Ufes, 1999.</p>
<p>Texto da orelha, pelo Prof. Dr. Francisco Aurelio Ribeiro</p>
<p>Este livro da Profa. Maria Thereza Lindenberg Coelho Ceotto originou-se de sua dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Letras, em dezembro de 1997, intitulada <i>História, carnavalização e neobarroco: leitura do romance contemporâneo produzido no Espírito Santo</i>.</p>
<p>Por várias razões, este livro ficará registrado na historiografia literária feita no Espírito Santo: em primeiro lugar, por ter sido a primeira dissertação defendida no PPGL, da Ufes; em segundo, por enfocar a Literatura do Espírito Santo e sua inserção no contexto nacional e internacional, uma de nossas linhas de pesquisa; em terceiro, por ter sido escrito por uma das mais brilhantes professoras que atuaram no Departamento de Línguas e Letras da Ufes, ensinando Literatura Brasileira, por mais de 30 anos.</p>
<p>Neste trabalho, a Prof. Maria Thereza dá um &#8220;banho&#8221; de erudição, de adequação formal da linguagem, de correção no tratamento do tema, de capacidade de síntese e de associação de obras, autores, temas sob um enfoque teórico atualizado e pertinente.</p>
<p>No primeiro capítulo, discute &#8220;os caminhos da história e da ficção&#8221;, buscando analisar esse percurso sob a luz do enfoque contemporâneo da &#8220;Nova História&#8221; e das correntes filosófico-literárias do pós-estruturalismo; no segundo, analisa os romances <i>As chamas na missa</i>, de Luiz Guilherme Santos Neves, <i>A panelinha de breu</i>, de Bernadette Lyra, e <i>Albergue dos querubins</i>, de Adilson Vilaça, sob a perspectiva bakhtiniana da teoria da carnavalização; no terceiro, retoma o conceito de neobarroco, de Omar Calabrese e Severo Sarduy, para situar os romances escolhidos para análise e contrapô-los ao tempo histórico da contemporaneidade.</p>
<p>Como orientador que fui da dissertação, sou suspeitíssimo para falar do texto da Profa. Maria Thereza, mas tenho certeza de que todos os amantes da Literatura, da Teoria Literária e do Espírito Santo ficarão tão orgulhosos como eu de ver este trabalho virar livro e ficar à disposição de muitos mais leitores.</p>
<p>Parabéns à Edufes por estar publicando este livro; à Maria Thereza por tê-lo escrito; ao PPGL, por estar produzindo trabalho de tal nível e a você, prezado leitor, pelo prazer que certamente irá ter ao lê-lo.</p>
<p>E <i>la nave va</i>.</p>
<p>Vitória, primavera chuvosa de 1999, às portas do terceiro milênio.<br />
Prof. Dr. Francisco Aurelio Ribeiro<br />
Presidente da Academia Espírito-santense de Letras.</p>
<p>
SUMÁRIO DA OBRA</p>
<p>Introdução<br />
1 Os caminhos da história e da ficção<br />
2 A carnavalização da história<br />
2.1 O Tribunal do Santo Ofício como metáfora da repressão<br />
2.1.1 As chamas na missa, o romance do medo e do riso<br />
2.1.2 A caravela Santa Catarina: a História possível<br />
2.1.3 As invasões francesas: a face cômica da História<br />
2.1.4 O riso do narrador<br />
2.2 Maria Ortiz e a desmitificação da mulher<br />
2.3 A formação do Espírito Santo em Albergue dos querubins<br />
3 Do barroco ao neobarroco<br />
3.1 O diálogo dos tempos<br />
3.1.1 O neobarroco<br />
3.2 Uma estrutura barroca/neobarroca<br />
3.2.1 A polifonia neobarroca de As chamas na missa<br />
3.2.2 Labirinto e metamorfose em A panelinha de breu<br />
3.2.3 Repetição e fragmento<br />
3.2.4 A panelinha de breu, um mosaico de citações<br />
3.2.5 As engrenagens do tempo em Albergue dos querubins<br />
Conclusão: Atando fios, desatando nós<br />
Referências bibliográficas</p>
<p>
2 – FRANCISCO AURELIO RIBEIRO</p>
<p>Literatura: uma releitura da história (Análise de A nau decapitada, romance de Luiz Guilherme Santos Neves). In <i>Estudos críticos de literatura capixaba</i>, Vitória, 1990.</p>
<p>
3 – ADRIANNA M. MENEGUELLI</p>
<p>Rapunzel pós-moderna. In <i>Você,&nbsp;</i>n. 12, junho de 1993. SPDC/Ufes.</p>
<p>
4 – DENEVAL SIQUEIRA DE AZEVEDO FILHO</p>
<p>A nau e o rapto: perversão a bordo. In <i>Desarraigados. Ensaios</i>. SPDC/Ufes, 1995.</p>
<p>
5 – MIGUEL DEPES TALLON</p>
<p>O intertexto em Torre do delírio. In <i>Cadernos de Pesquisa</i>. Ano I, n. 1, agosto de 1997. Mestrado em Letras, Departamento de Línguas e Letras, Universidade Federal do Espírito Santo.</p>
<p>
6 – ESTER ABREU VIEIRA DE OLIVEIRA</p>
<p>Luiz Guilherme, trilhando os caminhos de Rubén Darío e Borges. In <i>Cadernos de Pesquisa</i>. Ano I, n. 2, julho de 1998. Mestrado em Letras, Departamento de Línguas e Letras, Universidade Federal do Espírito Santo.</p>
<p>
7 – MARIA THEREZA COELHO CEOTTO</p>
<p>As chamas na missa: a história possível. In <i>Cadernos de Pesquisa</i>. Ano I, n. 2, julho de 1998. Mestrado em Letras, Departamento de Línguas e Letras, Universidade Federal do Espírito Santo.</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Luiz Guilherme Santos Neves </b>(autor) nasceu em Vitória, ES, em 24 de setembro de 1933, é filho de Guilherme Santos Neves e Marília de Almeida Neves. Professor, historiador, escritor, folclorista, membro do Instituto Histórico e da Cultural Espírito Santo, é também autor de várias obras de ficção, além de obras didáticas e paradidáticas sobre a História do Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/Luiz%20Guilherme%20Santos%20Neves" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<title>Depoimento de Luiz Guilherme Santos Neves ao Neples</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2016 20:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Guilherme Santos Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RETRATO DO ARTISTA QUANDO VIVO Ai de mim, ai de mim, querem que falem de mim. Diante da pretensão, dou-me por encurralado, num beco sem saída, à mira de um 38. É como se ele me dissesse, &#8220;Mãos ao alto e não vai dizer que não&#8221;. A ordem me faz recuar até à letra da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>RETRATO DO ARTISTA QUANDO VIVO</b><br />
<b><br /></b><br />
<br />
Ai de mim, ai de mim, querem que falem de mim. Diante da pretensão, dou-me por encurralado, num beco sem saída, à mira de um 38. É como se ele me dissesse, &#8220;Mãos ao alto e não vai dizer que não&#8221;.</p>
<p>A ordem me faz recuar até à letra da marchinha da década de 40 (ou será de antes ainda?):</p>
<p>Quando monto em meu cavalo,<br />
Jogo o laço,<br />
Jogo o laço, jogo o laço para trás&#8230;<br />
Sou caubói e gosto muito de um abraço,<br />
Mãos ao alto e não vai dizer que não.</p>
<p>No laço que atiro para trás — tarrafa aberta sobre os tempos do artista quando jovem — pego o que posso de lembranças: a rua José Bonifácio, no Parque Moscoso, casa n° 1, onde vim à luz primaveril, em 24 de setembro de 1933, recebido pelos braços da parteira Dona Augusta; a escola de Dona Mariazinha, onde fiz o curso primário e recitava, coração saltitante em trampolim de orgulho, &#8220;brasileiro, onde está tua pátria?&#8221;, de Ronald de Carvalho, para concluir que &#8220;tua pátria não está somente no torrão em que nasceste&#8221;, mas &#8220;está em ti, minha mãe!&#8221;, que me trouxe ao mundo sob o lábaro estrelado (eram quase vinte e quatro horas da noite) de uma terra que tem por divisa um lema de bandeira que até hoje não vi cumprido honestamente; a rua Vasco Coutinho, das peladas vespertinas, jogadas em frente à casa do Dr. Eurípedes Queiroz do Valle ou em frente ao fundo da casa de Anísio Fernandes Coelho, onde eu ralava nos paralelepípedos os dedos dos meus pés chatos; o curso ginasial, feito no São Vicente de Paulo, de Aristóbulo (Tobinha) Barbosa Leão, onde entrei prestando exame de admissão e escrevendo admissão com ç; o Colégio Estadual do Espírito Santo, em que fui aluno de meu pai, Guilherme Santos Neves, que passava, para Clóvis Rabelo corrigir, as minhas redações de português; a velha faculdade de Direito, em frente ao Palácio Anchieta, onde entrei decorando em latim o &#8220;até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência&#8221;; a Fafi, em que me bacharelei em História para poder fazer, com diploma debaixo do sovaco, o que já vinha fazendo sem diploma debaixo do sovaco — dar aulas nos colégios de Vitória; o 3° BC, em Vila Velha, onde, cidadão que começava a ser, me fiz milico para servir o Exército e cantar, puto da vida, a Canção do Infante, de Olavo Bilac, &#8220;onde vais tu, esbelto infante, com o teu fuzil lesto a marchar. Pra longe vou, a pátria ordena, sigo contente o meu tambor, cheio de ardor, cheio de ardor&#8230;&#8221; (Esse Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac&#8230;)</p>
<p>— Como começou sua atividade literária? — torna a me inquirir o 38, roçando-me as fuças com seu cano metálico e assustador.</p>
<p>— Dando asas à imaginação, porque desde que me entendi como menino, eu sonho. (Não achei outra resposta menos burra.)</p>
<p>— Quais foram suas primeiras produções literárias?</p>
<p>— Como? Produções literárias?! Bem, vá lá: foram umas croniquetas metidas a besta mas que, graças a Deus, não sobreviveram para entrar no meu caixão.</p>
<p>— Quais os principais temas abordados em sua obra? — volta a me assustar o 38.</p>
<p>— São os que nela estão, se é que tenho uma obra. (Tive a impressão de ver um tique nervoso vibrar na boca de 38.)</p>
<p>— Sente-se mais à vontade numa narrativa na primeira ou na terceira pessoa?</p>
<p>— Para ser franco&#8230; na quarta pessoa.</p>
<p>38 me encarou com seu olho soturno.</p>
<p>— Quer brincar comigo?</p>
<p>— Não, falo sério. Para mim, a quarta pessoa — que tanto pode ser do singular, como do plural — é a ideal para elaborar uma narrativa.</p>
<p>E apresso-me a explicar, querendo ser convincente:</p>
<p>— Olha, 38, eu chamo de quarta pessoa aquela que não sou eu, mas que, também não deixando de ser, é um eu partido ao meio, um eu esquizofrênico, que se multiplica por 2. Donde, pelo menos matematicamente, 2 x 2 = 4. (CQD, ou seja, como queríamos demonstrar.)</p>
<p>— Qual a sua relação, como escritor, com a língua portuguesa? — volta a me imprensar meu atacante.</p>
<p>Agora sou eu que pergunto:</p>
<p>— Quer brincar comigo, 38?</p>
<p>— Não, falo sério.</p>
<p>Percebo que fala mesmo porque ouço o estalido do gatilho se armando.</p>
<p>— Está bem, 38, não se exalte que vou responder à sua pergunta: minha relação com a língua portuguesa não tem nada de obsceno. Nada de bilingüismo, cunilingüismo, essas coisas mal-sãs. É uma relação de afeto e respeito. Mas sem catolicismos exagerados. Aliás, meu caro 38 (estou querendo conquistar-lhe a simpatia), você sabia que já fui devoto de Santo Antônio e da Marilyn Monroe? Tinha um quadro de cada um deles sobre a cabeceira da minha cama.</p>
<p>38 não demonstrou o menor sinal de cordialidade diante da informação confessional. (Será que ele não conheceu Marilyn Monroe, pensei com meus pobres botões literários.)</p>
<p>— Que acha da função da crítica literária?</p>
<p>— À crítica, a crítica literária. É o que ela deve saber fazer.</p>
<p>— Qual a sua opinião sobre o futuro do romance, da poesia e do teatro? — volta à carga meu inquisidor.</p>
<p>— No Brasil?</p>
<p>— Pode ser&#8230;</p>
<p>— Tem o futuro de um país do futuro&#8230; Ou seja&#8230;</p>
<p>— O que você tem a dizer sobre os autores do Espírito Santo?</p>
<p>— Todos são bons, muito bons&#8230;</p>
<p>— É possível estabelecer uma identidade literária capixaba? (Noto que 38 está se tornando exigente.)</p>
<p>— Com carteirinha e CPF?</p>
<p>Devo ter esgotado a sua paciência, porque senti um frio agudo no umbigo e ouvi o estampido de um tiro.</p>
<p>[Agosto de 2000]</p>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Luiz Guilherme Santos Neves </b>(autor) nasceu em Vitória, ES, em 24 de setembro de 1933, é filho de Guilherme Santos Neves e Marília de Almeida Neves. Professor, historiador, escritor, folclorista, membro do Instituto Histórico e da Cultural Espírito Santo, é também autor de várias obras de ficção, além de obras didáticas e paradidáticas sobre a História do Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/Luiz%20Guilherme%20Santos%20Neves" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<title>Rapunzel pós-moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2016 20:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adriana M. Meneguelli]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Fortuna Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria e Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Espectros de mulheres escapam-me da mente — estranhos seres de signos imaginários. Eu as recebo na minha torre sem janela, da qual sou prisioneiro e onde cabem minha loucura e minha solidão. Com essas palavras inicia-se o livro de contos eróticos e fantásticos de Luiz Guilherme Santos Neves: A torre do delírio. E nesse pequeno [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<table border="0" cellpadding="10" style="width: 100%px;">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="40%"></td>
<td valign="top" width="60%">
<div style="font-size: 80%; padding: 10px;">
Espectros de mulheres escapam-me da mente — estranhos seres de signos imaginários. Eu as recebo na minha torre sem janela, da qual sou prisioneiro e onde cabem minha loucura e minha solidão.
</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Com essas palavras inicia-se o livro de contos eróticos e fantásticos de Luiz Guilherme Santos Neves: A torre do delírio. E nesse pequeno excerto podem ser percebidos alguns tópicos que conduzem a um percurso cujo sentido está imerso na estética pós-moderna.</p>
<p>O signo torre remete à história de Rapunzel, a donzela que, aprisionada na torre, é resgatada por um príncipe, quando se concretiza o amor de ambos. Em A torre do delírio há uma torre, mas não é mais a donzela fragilizada; é o homem fragilizado que não concretiza o encontro com o outro, nem mesmo na imaginação, que é o que ele tem em mãos, e estando com todos os desejos aprisionados, surge o erotismo, tão marcante nas imagens. Afinal, nem mesmo janelas tem a torre, restando ao voyeur apenas os olhos da mente.</p>
<p>A torre é a própria situação do homem atual, assim como loucura e solidão são estados de um homem fadado ao isolamento. &#8220;É uma torre ensimesmada, recolhida na própria sombra&#8221;, continua na mesma página o narrador.</p>
<p>Ora, no homem pós-moderno há a tentativa de afirmação da identidade, só que é uma tentativa frustrada, e o homem sabe disso, ou mesmo já espera tal desfecho. Essa &#8220;torre ensimesmada&#8221; é o homem ensimesmado que perde na pós-modernidade até mesmo a noção de sujeito. É aí que entra o delírio, que acaba sendo o que resta.</p>
<p>O narrador recebe em sua torre mulheres, estranhos seres de signos imaginários que escapam de sua mente. São apenas fantasmas, seres oníricos que entram e saem, deixando marcas ou não, mas sempre efêmeras. Vale também ressaltar que, apesar de todas essas personagens que entram na torre serem personagens eróticas, praticamente não há a concretização do ato, restando apenas a frustração e, ainda, o delírio.</p>
<p>Não há no homem pós-moderno a identificação com o outro; não é à toa que a questão da alteridade tem sido amplamente debatida. Repensá-la acaba por conduzir ao problema da própria identidade. E o interessante nesse processo é que o outro, que no livro são pessoas imaginárias, traz o erotismo impregnado. Ora, é o próprio narrador então que o tem inundando a sua mente.</p>
<p>Tal percepção acaba por recair na ausência do outro no que diz respeito à questão do amor a dois. Não há o par. Isso é comprovado no decorrer de cada conto que se refere a cada uma das visitantes. Diria Jean Baudrillard que &#8220;o outro é o hóspede&#8221;. Ora, no livro em questão não há hóspedes, não há quem permaneça. Há, então, relações incompletas e não concretizadas. Tal é o erotismo presente no livro, aquele que se dá de forma imagética simplesmente, da mesma forma que quase não há na atual sociedade o amor; fala-se muito em paixão. Não é à toa que os jovens atuais só falam em ficar com alguém, isto é, momentos fugazes de relação a dois: a própria efemeridade.</p>
<p>Só que, como é a efemeridade que dita as normas, não basta Ter percorrido o ciclo — o zodíaco é o próprio ciclo — e além disso outros mitos, ou intersignos, ou simplesmente outros nomes. O &#8220;eterno retorno&#8221; não se dá nessa vertigem que em determinado momento acaba, juntamente com a narrativa, quando o autor admite: &#8220;hora de tocar um réquiem para um sonhador&#8221;.</p>
<p>É nesse ponto que deverá então o narrador chegar ao cimo da escada em caracol, e atingir, quem sabe, o infinito? O que equivale a concluir também, a partir da afirmativa de Baudrillard, que a repetição ao infinito é a ausência do outro, que seria então a ausência da própria identidade.</p>
<p>Cabe então questionar: seria isso a morte do homem atual?</p>
<p>[In Revista <i>Você </i>n. 12, de junho de 1993. Reprodução autorizada pelo autor.]</p>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001 </span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Adrianna M. Meneguelli </b>possui graduação em Letras-Português pela Universidade Federal do Espírito Santo (1989), graduação em Gastronomia pela Universidade Vila Velha (2013), mestrado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (2003) e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008). Atualmente é professora do Instituto Federal do Espírito Santo. Tem experiência na área de Letras com ênfase em Literaturas Brasileira e Comparada, atuando principalmente nos seguintes temas: tradução, literatura contemporânea, literaturas de língua portuguesa, produção textual e ensino, estudos culturais, antropologia e gastronomia (informações coletadas do Lattes em 28/11/2015).</p></blockquote>
<p></p>
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		<title>Excertos do livro A nau decapitada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2016 20:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Guilherme Santos Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>XVIII &#8211; Possidônia, o que tens? A vila de Nova Almeida dista de Vitória sete léguas. Nela moram pescadores e agricultores que vivem em palhoças formando um casario sem grandeza alinhado perto da praia que é suja e estreita. Por detrás dessas casas fica o morro onde sobressai o imponente colégio que foi dos extintos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b>XVIII &#8211; Possidônia, o que tens?</b></p>
<p>A vila de Nova Almeida dista de Vitória sete léguas. Nela moram pescadores e agricultores que vivem em palhoças formando um casario sem grandeza alinhado perto da praia que é suja e estreita.</p>
<p>Por detrás dessas casas fica o morro onde sobressai o imponente colégio que foi dos extintos jesuítas e é da invocação dos Reis Magos o qual antigamente dava o nome ao lugar.</p>
<p>Defronte da vila, escorre o rio de turvas águas cor de mate com barra de pouco fundo. O rio admite embarcações de oito palmos de calado, sendo contudo necessário ir um prático dar-lhes entrada por causa dos bancos de areia movediços que tem na enseada onde se acha um bom ancoradouro bastante abrigado.</p>
<p>Enquanto me aproximava da vila onde o comércio é nenhum, crescia nos meus ouvidos o aceso batuque de um baile de congo. O som nascia de casacas, que são reco-recos com cabeças entalhadas, e de tambores tocados por um magote de gente, reunindo negros e mulatos. Os tocadores ora ficavam parados, ora andavam de um lado para o outro, sempre juntos, arrastando atrás deles uma porção de pessoas que cabriolavam levantando a poeira do chão. À medida que assim tocavam emitiam seu canto repetido e monótono que parecia não ter fim.</p>
<p>Com demasiado esforço pude entender, e apenas pela metade, aquele cântico gritado e fanhoso que o vento levava e que consistia para mim numa intrigante pergunta: &#8220;Possidônia, o que tens?&#8221; Não me foi possível, porém, atinar com o restante da frase que se espichava no ar.</p>
<p>O meu advento inesperado em trajes milicianos diante daquelas ingênuas criaturas fez calar-lhes a cantoria e o silêncio subitamente pesado e respeitoso só era rompido pelo marulhar leve das águas na prainha próxima.</p>
<p>Disse ao que vinha e prontamente estava na presença do subdelegado, alcunhado Chico Felisberto, indivíduo solícito, de cor amarela, trazendo na enorme boca rasgada fortes dentes pregados nela.</p>
<p>Sua pessoa não me conquistou a benevolência. Aquela criatura subserviente teve o Dom de me irritar sem aparente razão senão sua própria aparência. Confiei-lhe, sem perda de tempo, o propósito de ir ter com o mestre-escola do lugar, no que fui atendido pelo subdelegado que me levou à morada do professor Antunes, que essa era sua graça.</p>
<p>Não foi difícil chegar ao lugar, embora tivéssemos de galgar primeiramente uma encosta de duro chão argiloso escavado por profundos sulcos causados pelas chuvas.</p>
<p>Dita encosta, bastante íngreme em certos trechos, ficava por trás do casario miserável fronteiro à prainha por onde antes eu havia passado e onde o enfadonho batuque do congo tinha recomeçado.</p>
<p>Ao escutar novamente aquele baticum e cantoria, perguntei ao subdelegado sobre o preciso significado do que estavam cantando.</p>
<p>Abrindo num sorriso sarcástico sua boca de grandalhos dentes, explicou-me que na véspera da minha chegada uma mulher, moradora do lugar, de nome Possidônia, dera pelo sumiço de um grande peru que trazia na engorda, tendo em vão procurado a ave de casa em casa, muito se lamuriando do seu desaparecimento.</p>
<p>E depois dessa busca infrutífera, aos que indagavam o motivo de sua consternação, vendo-a pesarosa e triste, acotovelada à janela de sua casa na vigília paciente da ave sumida, dava como explicação a dó que sentia pela falta do peru.</p>
<p>Foi o quanto bastou para que a banda de congo improvisasse a toada, interminavelmente repetida, cujo completo significado me escapava e que, no entanto, era o seguinte: &#8220;Possidônia, o que tens? É dó do peru.&#8221;</p>
<p>Enquanto me narrava esse episódio, continuávamos subindo a ladeira que servia também de acesso para o extinto convento dos jesuítas, construído numa situação sobranceira, donde era possível, dilatando a vista, divisar o magnífico panorama daquele território.</p>
<p>A casa do mestre-escola era a derradeira das poucas naquele tabuleiro de morro, &#8220;rente a uma lavoura de abacaxizes&#8221; no dizer do subdelegado Chico Felisberto.</p>
<p>À medida que dela nos aproximávamos o subdelegado confidenciou-me particularidades da vida reclusa do professor Antunes, devotada aos livros e à leitura.</p>
<p>Tratava-se de pessoa de larga sabença, habituada a ler e declamar os poetas latinos com assaz desembaraço, embora seu mister consistisse apenasmente em dar as aulas régias. Como no lugar reinava a mais crassa ignorância e completa estultice, o professor era tido como criatura extravagante e arredia.</p>
<p>Em sua companhia viveu uma gentia bastarda, manceba e serviçal, de jeito maneiro, e que atendia pelo esquisito nome de Esmeraldina Especiosa.</p>
<p>Essa mulher, que depois vim a conhecer, possuía incríveis olhos verdes e demonstrava grande submissão ao professor que contudo a destratava de forma rude, abusando da mansidão daquele ser ingênuo e primitivo.</p>
<p><b><br /></b><br />
<b>XIX &#8211; uma preciosa coleção de autores franceses</b></p>
<p>O mestre-escola recebeu-nos com circunspecta hospitalidade. Mandou que entrássemos e nos indicou um comprido banco de peroba escura onde nos assentamos no cômodo dianteiro da casa. Na parede fronteira ao banco havia abundante quantidade de livros enfiados sobre tábuas sobrepostas, apoiadas em tijolos cozidos, formando prateleiras.</p>
<p>No centro dessa sala apertada e diminuta, ma mesa rústica, à qual se assentou o professor, exibia outros tantos livros e mui velhos opúsculos. Uma pena de cobre de escrever descansava dentro do tinteiro.</p>
<p>O professor, de natural esguio, tinha feições com maçãs proeminentes; embora não tivesse os cabelos grisalhos representava já ser entrado em anos. Suas mãos revelavam o descostume das fainas pesadas malgrado as unhas encardidas e longas.</p>
<p>Como se colocasse à nossa disposição dizendo &#8220;sou todo ouvidos&#8221;, o subdelegado pigarrreou para tomar a palavra. Atalhei antes que o fizesse e me antecipei dizendo do objeto de nossa visita que consistia em conhecer os motivos que teriam levado os marinheiros do brigue Vinte e Nove de Maio a ir procurá-lo, consoante notícia de todos sabida na vila. &#8220;Isso deveras sucedeu?&#8221; perguntei.</p>
<p>Depois de ouvir minhas palavras o professor respondeu em tom grava e a resposta dele foi a seguinte: &#8220;Efetivamente, senhor Major, vieram-me cá à casa dois desses a quem vosmecê mencionou, sem que eu os conhecesse ou lhes mandasse aviso; um deles não passava de neófito grumete; o outro, todavia, era grandalhão e solerte e deu a graça de Simão. Movia-os o propósito de me alienar uma preciosa coleção de autores franceses que disseram trazer o Rio de Janeiro. Como eram clássicos do meu gosto, efetivei a compra.&#8221;</p>
<p>E, apontando-me para as obras de Rousseau e Voltaire que havia por essa forma adquirido, que não eram outras senão a perdida coleção de clássicos do Presidente Machado d&#8217;Oliveira, disse: &#8220;Preciosidades literárias, meu caro Major, cujo inexcedível valor ignoro se vosmecê alcança.&#8221;</p>
<p>Infelizmente, para o professor, eu alcançava o inexcedível valor daquelas preciosidades. E foi sobre isso que passei a lhe falar para seu incontido desespero, conforme podeis prever.</p>
<p>
<b>XX &#8211; um enérgico desabafo</b></p>
<p>É assaz embaraçoso exprimir o estado d&#8217;alma com que retornei da vila de Nova Almeida para Vitória, fundamente vexado com o que acontecera.</p>
<p>Nutria imensa piedade pelo professor Antunes o qual por tanto desejar, tanto perdeu ao adquirir obras de má procedência; e o que foi pior, furtadas à posse da suprema autoridade provincial. Mas não podia sufocar também o forte sentimento de indignação que me acometia ao lembrar das condições funestas do contrato de compra e venda realizado pelo professor: estando com o pagamento dos subsídios literários atrasado de quase um ano e não dispondo de fundos suficientes em sua jejuna bolsa para quitar o ganancioso preço cobrado por Simão Boncarneiro (que soube despertar no coração do velho professor a cobiça pelos livros franceses), não hesitou ele em completar a paga com a pessoa de Esmeraldina Especiosa.</p>
<p>Que negro impulso teria motivado tão imenso desatino nunca hei de compreender. Seja como for, o castigo veio a cavalo quando lhe dei a saber toda a crua verdade sobre o vero proprietário das obras e sobre o condenável modo como Simão Boncarneiro delas havia se apoderado.</p>
<p>Derreado debaixo de completo aniquilamento com o que de minha boca ouviu, o mestre-escola não pôde conter um enérgico desabafo: &#8220;Corja de larápios! Fui roubado e traído ao mesmo tempo. Desgraçado Rousseau, desgraçado Voltaire!&#8221;</p>
<p>Tão lamentáveis sucessos acenderam em meu espírito o desejo de voltar para a Capital com a maior brevidade. Contudo, para engrandecer meu desconforto, esse retorno era estorvado pela andadura lenta da animália a reboque da minha que levava, em dois balaios de fibra de coqueiro indaiá, a malsinada coleção dos livros por mim despojados ao professor. Tal circunstância agravava o estranho e descabido sentimento de culpa que inexplicavelmente me invadia. &#8220;Desgraçado Rousseau, desgraçado Voltaire&#8221;, repeti as palavras do velho e desalentado professor Antunes.</p>
<div style="font-size: 80%;">
[<i>A nau decapitada</i>: manuscrito de Itapemirim, Fundação Ceciliano Abel de Almeida/Ufes, Vitória, 1982, p. 50-55.]</div>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Luiz Guilherme Santos Neves </b>(autor) nasceu em Vitória, ES, em 24 de setembro de 1933, é filho de Guilherme Santos Neves e Marília de Almeida Neves. Professor, historiador, escritor, folclorista, membro do Instituto Histórico e da Cultural Espírito Santo, é também autor de várias obras de ficção, além de obras didáticas e paradidáticas sobre a História do Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/luiz-guilherme-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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