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	<title>Arquivos Com a magrela na estrada &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<title>Arquivos Com a magrela na estrada &#8902; Estação Capixaba</title>
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		<title>Com a Magrela na Estrada: Circuito São Francisco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Sep 2017 15:18:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedalar margeando o Velho Chico da nascente até o mar.&#160; Clique no link abaixo para saber como participar do Projeto!</p>
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<a href="https://2.bp.blogspot.com/-XchZ8JVDFaY/WbABzXOg83I/AAAAAAAARTc/dlt5OyhNSxIK0laURgVyAvPCCWVTxF2jQCLcBGAs/s1600/Logo%2Bcircular%2Bbranca.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img fetchpriority="high" decoding="async" border="0" data-original-height="1600" data-original-width="1529" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Logo2Bcircular2Bbranca.png" class="wp-image-5090" width="380" /></a></div>
<h3 style="clear: both; text-align: center;">
Pedalar margeando o Velho Chico da nascente até o mar.&nbsp;</h3>
<h4 style="clear: both; text-align: center;">
Clique no link abaixo para saber como participar do Projeto!</h4>
<p></p>
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<iframe frameborder="0" height="500px" scrolling="no" src="https://www.catarse.me/pt/projects/61282/embed" width="500px"></iframe></div>
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		<title>A dor de São Domingos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:51:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foto Gilson Soares, 2014. A prazerosa manhã de chuva em nada alterou o planejamento que eu tinha feito para aquela quinta-feira, 12 de junho de 2014. Para aquele dia, eu reservara um roteiro curto e fácil. Nada mais do que um breve pedal matinal. Sairia de Barra de São Francisco com o propósito de chegar [&#8230;]</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-tY8pVAoPobg/WXi2fwwedUI/AAAAAAAARPI/SYW36NBGSuoBza7KV21Q-ZGZlkgSmD1-gCPcBGAYYCw/s1600/Giro%2Bpelo%2BArco%2BNorte%2B-%2Btodas%2Bas%2Bfotos%2B468-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Foto Gilson Soares, 2014." border="0" data-original-height="848" data-original-width="1200" height="452" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Giro2Bpelo2BArco2BNorte2B-2Btodas2Bas2Bfotos2B468-p.jpg" class="wp-image-5143" title="Foto Gilson Soares, 2014." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
A prazerosa manhã de chuva em nada alterou o planejamento que eu tinha feito para aquela quinta-feira, 12 de junho de 2014.</p>
<p>Para aquele dia, eu reservara um roteiro curto e fácil. </p>
<p>Nada mais do que um breve <i>pedal</i> matinal. </p>
<p>Sairia de Barra de São Francisco com o propósito de chegar a São Domingos do Norte ao meio do dia. </p>
<p>Só isso. </p>
<p>Ali, já daria por encerrada aquela jornada ciclística. </p>
<p>Depois disso eu ia relaxar e esperar o jogo de abertura da Copa do Mundo de Futebol. </p>
<p>Assim se fez. </p>
<p>No meio do percurso ainda dei uma paradinha em Águia Branca, cidade cujo topônimo, fiquei sabendo, foi recortado – com cuidado – do Brasão de Armas da Polônia e trazido de lá por um grupo de imigrantes que aqui chegou pra fundar a vila. </p>
<p>Sob chuva, entreguei um ou dois exemplares de Minério à biblioteca da EEEFM Águia Branca e, já saindo da cidade, me permiti uma pequena cerveja – uma <i>latinha</i> silenciosa e contemplativa – no já festivo bar do posto de combustível que limita ao sul aquele diminuto ajuntamento urbano. </p>
<p>Num aparelho de televisão, instalado ali, vi que já se iniciavam as transmissões preliminares da cerimônia de abertura da Copa. </p>
<p>Uma <i>galera</i> – a maioria deles, jovens – que encerrara as suas jornadas de trabalho mais cedo, jogava sinuca, bebia, comia e, principalmente, farreava, ali no barzinho do posto, onde certamente ficariam pra ver o jogo. </p>
<p>Transitando ao largo da estridente televisão e da festiva bagunça daqueles aguiabranquenses que ali digladiavam sua divertida loquacidade, fiquei por um tempo observando um canário intensamente amarelo que circulava entre os carros e motos estacionados em torno do barzinho. </p>
<p>O <i>canarinho</i> – que já foi símbolo de seleções brasileiras mais marcantes (e menos mercantes) do que aquela que se apresentaria daqui a pouco – voava de um pra outro veículo, dialogando, em melodioso trinado, com sua imagem na superfície molhada dos coloridos (e reflexivos) automóveis em que pousava (e posava). </p>
<p>Inquieto, ele se esforçava, com o seu canto solitário, pra expressar o deslumbre – e o espanto! – que aquela sucessiva ilusão visual lhe provocava. </p>
<p>Saltava então de um carro pra outro, dando bicadinhas no seu <i>sósia</i> e cantando alto pra ninguém, senão eu, escutar. </p>
<p>&#8211; Perdoem-me, pedi amistoso à águia polaca e ao canário da terra – não aos loquazes rapazes –, mas tenho que ir. </p>
<p>E fui. </p>
<p>Isso pra chegar, como cheguei, a São Domingos ainda cedo. </p>
<p>O que tinha planejado, era me hospedar, tomar um banho, acomodar a <i>magrela</i>, dar uma voltinha a pé pela cidade – pra sentir o clima – e depois, retornando ao hotelzinho, assistir, quieto e só, ao primeiro confronto daquele <i>Mundial de Futebol</i> – Brasil x Croácia – que aconteceria <i>daqui a pouco</i>. </p>
<p>Percebi, ao caminhar pelas poucas ruas de São Domingos, que não se repetia ali a alegre expectativa que eu tinha presenciado em Águia Branca.<br />
Nem rapazes loquazes, nem canários canoros encontrei passeando pela urbe <i>dominicana</i>. Isso naquela quinta-feira em que – imaginei – o Brasil inteiro exibiria um comportamento dominical. </p>
<p>Pelo que estava vendo, não seria bem assim. </p>
<p>São Domingos estava turva, vazia, úmida e silenciosa. </p>
<p>Talvez até constrangida, me pareceu. </p>
<p>O que teria se dado entre a minha festiva saída de Águia Branca e aquela chegada chué a São Domingos do Norte? </p>
<p>Foi com esta interrogação que encerrei o silencioso passeio pedestre e subi pro meu abrigo no hotelzinho. </p>
<p>Antes do jogo – enquanto eu me servia uma cerveja e buscava uma confortável acomodação – a televisão mostrava imagens e comentários da cerimônia de abertura da Copa. </p>
<p>Só aí fiquei sabendo do que tinha se dado naquele evento oficial. </p>
<p>Uma tragédia nacional.<br />
Isso, enquanto eu, desinformado, viajava sob a chuva, entre <i>úmidas</i> montanhas de granito e esbeltas cachoeiras pluviais. </p>
<p>Entendi, então, solidário, o constrangimento de São Domingos. </p>
<p>A cerveja ficou choca, diante de uma partida chocha. </p>
<p>Para uma abertura de Copa do Mundo, em casa, contra um selecionado de muito pouca expressão na história do futebol, o que se via no gramado era, com certeza, muito aquém do esperado. </p>
<p>Além disso, guardo a impressão de que pesava sobre todos nós um sentimento de vergonha (e dor). </p>
<p>Vergonha porque um grupo de brasileiros tinha transmitido para o mundo, durante a cerimônia de abertura, uma expressão, uma atitude, que não era – não é – a representação do sentimento – e do comportamento – nacional. </p>
<p>O xingamento que aquela minoria – habitantes do <i>hemisfério norte</i> do mapa social brasileiro – estava ali esganiçando aos olhos e ouvidos do mundo, não é usual no nosso convívio. </p>
<p>Nós não somos assim. </p>
<p>A maioria da população brasileira – como eu, como você civilizado leitor – não expressaria a infamante frase que a aquele grupo vociferava para espanto do mundo. </p>
<p>Por isso, assisti envergonhado àquele jogo. </p>
<p>E o que eu sentia depois da partida, andando silente pela cidade que continuava cabisbaixa, era uma sensação de angústia sem pouso, sem abrigo, sem abraço. </p>
<p>Sentia em algum lugar de mim – talvez na alma –, como também na cidade – que me parecia estupefata – uma dor sombria, intensa e extensa. </p>
<p>Uma dor imensa. </p>
<p>A dor da Pátria. </p>
<p>Envergonhada. </p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4.jpg" class="wp-image-5144" /></a></div>
<p></p>
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<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
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</blockquote>
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		<title>As cachoeiras pluviais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014. Quando a barra do dia despontou sobre Barra de São Francisco na manhã daquela quinta-feira, trouxe estampada na lapela uma evidente – e urgente – promessa de toró. Eu – bem como a cordata magrela – transitava risonho e despreocupado, a caminho da saída da cidade, na primeira hora [&#8230;]</p>
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<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-_rqPJlPepC4/WXiycYCioXI/AAAAAAAARO4/mYnqIUdJkig1G8FSMvm9wZWmEtAoGEbjwCLcBGAs/s1600/Giro%2Bpelo%2BArco%2BNorte%2B-%2Btodas%2Bas%2Bfotos%2B486-p.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" data-original-height="900" data-original-width="1200" height="480" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Giro2Bpelo2BArco2BNorte2B-2Btodas2Bas2Bfotos2B486-p.jpg" class="wp-image-5146" title="Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Cachoeira pluvial. Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Quando a barra do dia despontou sobre Barra de São Francisco na manhã daquela quinta-feira, trouxe estampada na lapela uma evidente – e urgente – promessa de toró.</p>
<p>Eu – bem como a cordata <i>magrela</i> – transitava risonho e despreocupado, a caminho da saída da cidade, na primeira hora daquela manhã turva.</p>
<p>Mais de um motivo contribuíam para que eu – como se desdenhasse do pé-d’água que o dia anunciava – exibisse, ali, aquele semblante sereno.<br />
O primeiro é que acabara de concluir, em Barra de São Francisco, o percurso do desenho cartográfico do <i>Torreão Noroeste</i> do Espírito Santo.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-64WDZDmN3yk/WX9MerO_6-I/AAAAAAAARPg/uh86zHgBCoAq7MGWd5QETguazXKnEsmpQCLcBGAs/s1600/Mapa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" data-original-height="576" data-original-width="958" height="384" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Mapa.jpg" class="wp-image-5147" width="640" /></a></div>
<p>E isso, pra minha alegria, tinha se dado com razoável proximidade do que fora previsto no meu esforçado – coitado – projeto de viagem.</p>
<p>No dia anterior, eu tinha chegado a <i>São Chico</i> – depois de romper as últimas fraldas desgrenhadas dos Aimorés – a tempo de deixar exemplares de Minério na Biblioteca Pública Municipal e na biblioteca da Escola Estadual de EEEFM João XXIII.</p>
<p>Além dessa tarefa, digamos, protocolar, tive tempo, ainda, de fazer um solitário passeio noturno por esta cidade que esconde, nos recônditos da sua conformação urbana, um remoto – pueril, mesmo – sentimento de admiração.</p>
<p>Eu, quando criança, gostava de passar por aqui e apreciar esta bela <i>catedral</i> de São Francisco de Assis, pousada num pequeno outeiro no centro da cidade.</p>
<p>Gostava também de ver a praça ajardinada que sempre exibia pequenas árvores <i>torneadas</i>, em diferentes formas geométricas, por algum jardineiro misterioso – e engenhoso – que eu nunca via em ação, nas minhas fugazes passagens pela cidade.</p>
<p>Este passeio noturno ao passado, ofertado por <i>São Chico</i> agora, brindava, então, o desfecho do contorno do <i>Torreão</i>.<br />
O arremate do passeio se deu, claro, na companhia providencial de uma silenciosa (e saborosa) cerveja num botequim francisquense.</p>
<p>Já o outro motivo para o meu cenho sorridente nesta manhã chuvosa é que eu gosto, mesmo, de chuva.</p>
<p>De chuvas.</p>
<p>E como eu já tinha, por precaução, agasalhado com impermeável segurança na garupa da <i>magrela</i> a rotunda bagagem – roupas, livros e utensílios de viagem –, estava, agora, livre para o belo banho ambulante que se me apresentava matinal e gracioso.</p>
<p>Por tudo isso eu, franciscano, ia, ali, sereno – lírico! – deixando pra trás <i>São Francisco</i>.</p>
<p>E olha que, àquela hora, nem me passava pela cabeça o que estava à minha espera: a profusão de cachoeiras altaneiras que iriam saltar aos meus olhos durante toda aquela manhã.</p>
<p>Coisa que há muito tempo eu não via.</p>
<p>Essas quedas d’água, feitas de enxurradas altas que despencam ziguezagueando dos cocurutos das montanhas de pedra, eu as conheço desde outros temporais.</p>
<p>Eram elas que ilustravam com frequência – no anfiteatro que compõe Ecoporanga – minhas sonoras e iluminadas tormentas infantis.</p>
<p>Entre estrondos e relâmpagos, as enxurradas deslizavam pelas montanhas de granito que circundam, ali, o vale do <i>rio Dois</i>.</p>
<p>E depois se jogavam por despenhadeiros escuros, feito efêmeras cachoeiras brancas e esguias.</p>
<p>Como estas que agora, pedalando pela manhã de uma quinta-feira invernosa, eu via.</p>
<p>Que dia!</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/vinheta2B4-1.jpg" class="wp-image-5148" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
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		<title>Com a magrela na estrada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2017 14:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gilson Soares adotou a magrela como seu principal meio de transporte urbano, explorando, também com ela, o interior do Espírito Santo. Até o ano de 2016 ele realizou três viagens: à primeira delas, parte do Projeto 2013, chamou Viagem pelo litoral sul e montanhas do Espírito Santo, à segunda, do Projeto 2014, Giro pelo arco [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://3.bp.blogspot.com/-9LLBFKUDhUk/V__YXj_TSgI/AAAAAAAAKb4/BhZZ2SBvYAQy9Hzm5S9g9H2ISy-ZTAXLQCLcB/s1600/vinheta%2B3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" height="434" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/05/vinheta2B3.jpg" class="wp-image-5193" width="640" /></a></div>
<p>
Gilson Soares adotou a magrela como seu principal meio de transporte urbano, explorando, também com ela, o interior do Espírito Santo. Até o ano de 2016 ele realizou três viagens: à primeira delas, parte do Projeto 2013, chamou <b>Viagem pelo litoral sul e montanhas do Espírito Santo</b>, à segunda, do Projeto 2014, <b>Giro pelo arco norte do Espírito Santo</b>, e à terceira, do Projeto 2016, <b>Circuito Rio Doce</b>.</p>
<p>Ele começou a produzir crônicas a partir do <b>Giro pelo Arco Norte do Espírito Santo</b> e pretende fazer o mesmo com as demais viagens.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>
<b>I &#8211; Giro pelo Arco Norte do Espírito Santo</b><br />
<b><br /></b><br />
<br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/arco-norte-capixaba-num-giro-ciclistico/" style="font-weight: normal;" target="_blank" rel="noopener"><i>Arco Norte Capixaba</i> – Num giro ciclístico</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/carregando-minerio-na-bagagem_1/" target="_blank" rel="noopener">Carregando <i>Minério </i>na bagagem</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/coqueiral-de-aracruz-e-regencia/" target="_blank" rel="noopener">Coqueiral de Aracruz e Regência</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/regentes-com-mao-na-massa/" target="_blank" rel="noopener"><i>Regentes </i>com a mão na massa</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/atravessando-o-vale-do-suruaca/" target="_blank" rel="noopener">Atravessando o Vale do Suruaca</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/hieroglifos-em-petrobres/" target="_blank" rel="noopener">Hieróglifos em <i>petrobrês</i></a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/rumo-as-dunas-de-itaunas/" target="_blank" rel="noopener">Rumo às dunas de Itaúnas</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/um-arco-em-linha-reta/" target="_blank" rel="noopener">Um <i>arco </i>em linha reta</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/espirito-ciclistico/" target="_blank" rel="noopener"><i>Espírito </i>ciclístico</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/vinha-elisa-recorde/" target="_blank" rel="noopener">Vinha, Elisa, recorde</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/canario-e-canarinhos/" target="_blank" rel="noopener">Canário e <i>canarinhos</i></a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/taquaras-e-taquarinha/" target="_blank" rel="noopener">Taquaras e Taquarinha</a></p>
<p><a href="https://www.estacaocapixaba.com.br/2015/01/dormi-mal-na-capital/" target="_blank" rel="noopener">Dormi mal na &#8220;Capital&#8221;</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/encontro-marcado/" target="_blank" rel="noopener">Encontro Marcado</a></p>
<p><i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/de-menesguei/" target="_blank" rel="noopener">De menesguei</a></i></p>
<p><i><a href="https://estacaocapixaba.com.br/suite-gargalhadas/" target="_blank" rel="noopener">Suíte gargalhadas</a></i></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/torre-re/" target="_blank" rel="noopener">Torre a ré</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/cidade-vazia/" target="_blank" rel="noopener">Cidade vazia</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-deusa-de-ponto-belo/" target="_blank" rel="noopener">A deusa de Ponto Belo</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-dedo-mindinho/" target="_blank" rel="noopener">O dedo mindinho</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/passando-por-cotaxe/" target="_blank" rel="noopener">Passando por Cotaxé</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ecoporanga/" target="_blank" rel="noopener">Ecoporanga</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/to/" target="_blank" rel="noopener">Tô</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/saudades-de-ecoporanga-cancao/" target="_blank" rel="noopener">Saudades de Ecoporanga (canção)</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/o-caso-do-ocaso/" target="_blank" rel="noopener">O caso do ocaso</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/na-estrada-proximo-agua-doce-do-norte/" target="_blank" rel="noopener">Homem do campo</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/" target="_blank" rel="noopener">Ariranha</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/" target="_blank" rel="noopener">As cristas dos Aimorés</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/as-cachoeiras-pluviais/" target="_blank" rel="noopener">As cachoeiras pluviais</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-dor-de-sao-domingos/" target="_blank" rel="noopener">A dor de São Domingos</a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/da-psicologia-canina/" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/da-psicologia-canina/" target="_blank" rel="noopener">Da psicologia canina</a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/br-101-fim/" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/br-101-fim/" target="_blank" rel="noopener">BR-101, fim</a></p>
<p>
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2016&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<p></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/com-magrela-na-estrada/">Com a magrela na estrada</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<title>Ariranha</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/ariranha/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2017 12:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foto Gilson Soares, 2014. Ariranha é, pra mim, uma dessas palavras muito bonitas com que nos deparamos na língua brasileira. &#8211; Outras há de igual ou superior beleza. É isso que você está afirmando, não é, lépido leitor? &#8211; Sim, sem dúvida. É o que te respondo, também de pronto. E acrescento: poderia, eu mesmo, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-BZQrNs5VHrE/WQnXj9DR-WI/AAAAAAAAN-Q/RksGzogu-3MOOD3SXobDS4CXEe9f4efgACLcB/s1600/Arco%2B%2528um%2Bgiro%2529%2B-%2BMarco%2Bda%2Bdivisa%2BES-MG%252C%2Bentre%2BBarra%2Bde%2BS%25C3%25A3o%2BFrancisco%2Be%2BMantena-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Arco2B2528um2Bgiro25292B-2BMarco2Bda2Bdivisa2BES-MG252C2Bentre2BBarra2Bde2BS25C325A3o2BFrancisco2Be2BMantena-2.jpg" class="wp-image-5260" title="Foto Gilson Soares, 2014." width="298" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Ariranha</p>
<p>é, pra mim, uma dessas palavras muito bonitas com que nos deparamos na língua brasileira. </p>
<p>&#8211; Outras há de igual ou superior beleza. </p>
<p>É isso que você está afirmando, não é, lépido leitor? </p>
<p>&#8211; Sim, sem dúvida. É o que te respondo, também de pronto. </p>
<p>E acrescento: poderia, eu mesmo, enumerar aqui muitas dessas – belas! – palavras. </p>
<p>Mas não vou fazer isso. </p>
<p>Vou é propor uma consulta em que cada um envia aqui pra Estação Capixaba uma palavra que, pra seu gosto, esteja entre as mais bonitas da Língua. </p>
<p>Combinado?<br />
Vai ser divertido e proveitoso. </p>
<p>Pode enviar a sua palavra – só uma – ali no espaço de comentários. </p>
<p>Depois vamos divulgar o resultado da enquete. </p>
<p>Vai ser um conjunto de palavras com forte sotaque de poesia, não tenho dúvida. </p>
<p>Posso adiantar pra você, filólogo leitor, que a maioria das palavras que compõem a minha lista é proveniente das línguas nativas – e extintas – de Pindorama. </p>
<p>Acho até que essa lista pessoal – se eu fosse fazê-la. Não vou – receberia a chancela radical de Policarpo Quaresma. </p>
<p>Mas vamos aguardar as palavras que virão de você, plural leitor. </p>
<p>Enquanto isso – confirmando o que declarei na primeira linha ali em cima – repito que gosto de ariranha. </p>
<p>Primeiro, pelo raro – e agreste – prazer auditivo que esta palavra traz. </p>
<p>Depois, é que ao dar de cara com uma dessas onças-d’água, passeando e caçando no regaço de um regato como este, eu, ainda que nunca tivesse ouvido esta palavra, acho que não exclamaria outra coisa que não fosse ariranha. </p>
<p>Mais provavelmente até, ariranha! Assim, acompanhada dessa exclamação de espanto (e alegria!). </p>
<p>Por isso – e por aquilo – gosto desta palavra. </p>
<p>E tive a sorte de tê-la incorporada ao meu vocabulário ainda na infância. </p>
<p>Sim: é que os meus avós maternos moravam na vila – logo ali! – de Barra do Ariranha. </p>
<p>Ali, meus pais – ele mineiro, ela capixaba – se conheceram e – indiferentes a todas as contestações limitantes que pipocavam então – se casaram. </p>
<p>E foi ali, também, que deliciei as minhas primeiras – as primeirinhas, mesmo – férias escolares. </p>
<p>Naquele conjunto de estranhezas, surpresas e novidades que era a – pra mim – monumental casa dos meus avós, passei, com as minhas irmãs, dias amplos, abarrotados de brincadeiras vadias, banhos de rio, apresentação de ave-marias no serviço de alto-falante da vila – que era dos meus avós – e algumas pueris aventuras noturnas. </p>
<p>Tudo isso ali na Barra do Ariranha. </p>
<p>O nome da vila, informo pro leitor, relata a atraente ocorrência natural que distingue aquele lugar: o córrego Ariranha, que vem descendo miúdo e sonoro por uma das encostas da Serra dos Aimorés, entrega, ali, a sua contribuição líquida ao já meio imponente (mas não ainda indolente, como será mais abaixo) rio São Mateus. Quer dizer, a seu braço sul. </p>
<p>E, foi ali, agora, descendo por aquelas escarpas que compõem o leito acidentado do córrego Ariranha, que tive que fazer o que muito poucas vezes fiz na minha história ciclística: <i>pedi arrego</i> a uma descida. </p>
<p>Sim, nas subidas é mais ou menos comum o ciclista não dar conta da escalada e se ver flagrado empurrando – às vezes um pouco, às vezes muito – o seu veículo movido a – enquanto há – energia humana. </p>
<p>Mas pra baixo, com a proverbial contribuição gravitacional de todos os santos do calendário religioso, não existe, geralmente, dificuldade de trânsito. </p>
<p>Por isso é pouco comum um ciclista optar por empurrar seu <i>camelo</i> quando está descendo um morro. Como era o caso. </p>
<p>Mas ali não teve jeito: quando o íngreme se assemelha ao perpendicular e o chão além de movediço é retalhado por uma profusão de sulcos escavados por enxurradas, é melhor apear da bicicleta e transitar a pé. E contendo, com mão firme, a <i>magrela</i> – e a rechonchuda bagagem – na sua ânsia irracional de desembestar pelo despenhadeiro abaixo.<br />
Ali, então, pela primeira vez naquele meu giro pelo <i>Arco Norte</i>, confesso, <i>pedi arrego</i>.</p>
<p>Mas fazer o quê, né? </p>
<p>Isso acontece, num belo dia, com qualquer um. </p>
<p>Seja atleta, seja poeta.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4.jpg" class="wp-image-5261" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
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		<title>As cristas dos Aimorés</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/as-cristas-dos-aimores/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2017 11:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Água Doce do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mapa da Província do ES, 1856 &#8211; Biblioteca Digital Luso-brasileira O que os primeiros cartógrafos a serviço da Coroa informaram – com suas linhas de fácil leitura e com seus desenhos que descrevem topografias e hidrografias evidentes – é que os cocurutos dos montes alinhados ao longo desta serrania, por onde passo, é que estabeleciam [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-dzLLWmiACh0/WQnSYzNoFPI/AAAAAAAAN-A/b7Ijn3VpKh8Jy1Go7gbP26U8eHfUjFUhQCLcB/s1600/Arco%2B%2528um%2Bgiro%2Bpelo%2529%2B-%2BMapa%2Bda%2BProv%25C3%25ADncia%2Bdo%2BES%252C%2B1856%2B-%2BBiblioteca%2BDigital%2BLuso-brasileira.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Mapa da Província do ES, 1856 - Biblioteca Digital Luso-brasileira" border="0" height="574" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Arco2B2528um2Bgiro2Bpelo25292B-2BMapa2Bda2BProv25C325ADncia2Bdo2BES252C2B18562B-2BBiblioteca2BDigital2BLuso-brasileira.jpg" class="wp-image-5263" title="Mapa da Província do ES, 1856 - Biblioteca Digital Luso-brasileira" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Mapa da Província do ES, 1856 &#8211; Biblioteca Digital Luso-brasileira</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O que os primeiros cartógrafos a serviço da Coroa informaram – com suas linhas de fácil leitura e com seus desenhos que descrevem topografias e hidrografias evidentes – é que os cocurutos dos montes alinhados ao longo desta serrania, por onde passo, é que estabeleciam os limites a oeste do território do <i>Spirito Sancto</i>.</p>
<p>Isto é: a linha demarcatória da divisa entre esta província e a das <i>Minas Geraes</i> teria que ser desenhada pegando, de crista em crista, a sucessão de montanhas que compõem a Serra dos Aimorés.</p>
<p>Assim, todas as águas que vertem para leste seriam águas capixabas. Bem como as terras que compõem os seus respectivos vales, desde as cumeeiras desta cordilheira fronteiriça. </p>
<p>O desenho esfrangalhado com que o <i>Torreão Noroeste</i> é retratado agora é resultado de disputas que se resolveram, ao longo da história, ao sabor da força política nacional dos contendores e das, por algum tempo, recorrentes escaramuças locais.</p>
<p>Nosso estado que, sempre teve pouca representação no conjunto que se constituiria federativamente, foi estrepado amiúde. </p>
<p>É o caso, por exemplo, do que aconteceu quando a riqueza que era arrancada das minas gerais começou a se esgotar. Os mineiros, em <i>diáspora</i>, vieram se bandeando pra este lado de cá, até acharem anchos nacos devolutos deste <i>vilão farto</i>, na virada da Serra.</p>
<p>Aí, ali, as fronteiras se moveram.</p>
<p>Os geógrafos e historiadores – disponíveis numa superficial navegação inquiridora pela rede – acabam de ensinar pra este ciclista aprendiz que as fronteiras – econômicas, políticas, culturais – são móveis, sim.</p>
<p>E por conta do movimento delas, os limites, as divisas – geográficas – também se deslocam. </p>
<p>No realinhamento, geralmente, há tensão. </p>
<p>Neste confronto quem sai – quem saiu, aqui – perdendo é o nativo que sempre esteve ali ou o agricultor que chegou, plantou suas raízes e dali colhia o seu sustento.</p>
<p>O nativo, a sua cultura e a sua língua foram dizimados, extintos. </p>
<p>O homem do campo foi expulso pra uma nova fronteira agrícola ou pra periferia de uma grande cidade.</p>
<p>Os donos do poder se abraçaram num pomposo encontro oficial, assinaram papéis e brindaram ao final. </p>
<p>Os novos donos oficiais das terras – os de sempre, confortavelmente instalados – aplaudiram. </p>
<p>Agora era só revisar os mapas e o seu desenho informativo.</p>
<p>Ao fim das contas, incontestável leitor, o que a cartografia de agora tem para nos oferecer é este <i>Torreão</i> escalafobético.</p>
<p>Não há o que discutir.</p>
<p>Assim, obedecendo ao que está escrito ali, ao descer esta Serra margeando o Ariranha, já estamos – eu e a indiferente <i>magrela</i> – entrando, de novo, em território mineiro.</p>
<p>Depois de uma jornada ao meu passado mais remoto – e de um almoço frugal – em Barra do Ariranha, cheguei no meio da tarde a Mantena. </p>
<p>A cidade, sonora e colorida, me recebeu numa atitude festiva.</p>
<p>O que não era de se esperar.</p>
<p>Naquela tarde de quarta-feira, 11 de junho de 2014, em que eu vinha ainda buscando chão para retornar de uma visita à infância, o comportamento da fronteiriça cidade me surpreendeu.</p>
<p>Mantena, capital não só do município, mas de todo o grupo de pequenas cidades que estão no território deste visível enclave mineiro que entorta, ali, o <i>Torreão</i>, também abriga algumas das minhas lembranças infantis. </p>
<p>Mas o que me chamou mesmo a atenção e merece registro foi o brado festivo com que a cidade veio ao meu encontro.</p>
<p>Por conta das cores, do ritmo e da retumbante sonoridade com que me deparei, atribuí logo aquela ambientação à expectativa para a Copa das Copas, no Brasil, que começaria no dia seguinte, 12 de junho.</p>
<p>Por isso elegi, imediatamente, Mantena como A cidade mais Festiva daquela Copa brasileira.</p>
<p>Claro que eu tinha que considerar que chegava ali no dia que antecedia a tão esperada data de abertura dos jogos. Mas mesmo assim, aquela festa exuberante e com visível chancela oficial, superava em muito, tudo o que eu vinha vendo até então.</p>
<p>Assim, já tinha destinado a Mantena o título – e o prêmio! – pela sua distinção entre os municípios que compunham o roteiro daquele meu <i>Giro pelo Arco Norte Capixaba</i>.</p>
<p>Afinal, considerar que Mantena possa estar num terreno invadido, não podia ser motivo para negar sua superioridade no quesito alegoria pra Copa das Copas.</p>
<p>Só depois de anunciar o resultado – pra mim mesmo, o único sabedor do concurso – é que fui informado de que, embora paramentada no estilo <i>torcida organizada</i>, o que a cidade estava comemorando mesmo era o seu aniversário de fundação, que acontece no dia 13 de junho, <i>depois de amanhã</i> pra quem, como eu, passava por ali naquele dia 11. </p>
<p>Os mantenenses, deduzi então, vibravam naquela tarde de quarta-feira rotineira é com a divertida – e rara – oportunidade de antecipar a festividade natalícia da sua cidade.</p>
<p>Informado disso, retirei educadamente a medalha que acabara de lhe outorgar; fiquei por ali um pouco tentando, em vão, identificar por baixo da sua roupa festiva algum aspecto da cidade esquecida na infância; assisti, bem abrigados – eu e a <i>pretinha</i> –, à passagem de uma rápida e volumosa chuva que chegara das brumas do inusitado; e, finalmente, <i>piquei a mula</i> – quer dizer, o <i>camelo</i> para o território oficial do Espírito Santo, no caso, Barra de São Francisco.</p>
<p>É lá que eu tinha combinado com a <i>pretinha</i> que íamos, sossegados e pacíficos, dormir.</p>
<p>E foi lá que dormimos.</p>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2017/02/vinheta2B4-1.jpg" class="wp-image-5264" /></a></div>
<p></p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2017&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
</div>
</blockquote>
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		<title>Homem do campo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Feb 2016 17:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Água Doce do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Com a magrela na estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Passeio ciclístico]]></category>
		<category><![CDATA[Relato de viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na estrada, próximo a Água Doce do Norte. Foto Gilson Soares, 2014. Saí de Ecoporanga, na primeira hora da manhã da terça-feira, 10 de junho de 2014. Qualquer viajante normalmente rumaria, dali, diretamente para Barra de São Francisco. É o caminho mais curto, lógico e funcional. Mas não foi o que fiz. Não que eu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-pVzBhKYrbEc/WLcUJd5AOPI/AAAAAAAAMKY/lMpOuVgTSdo75r29IzOXz6hwxiKaoScggCLcB/s1600/Na%2Bestrada%252C%2Bpr%25C3%25B3ximo%2Ba%2B%25C3%2581gua%2BDoce%2Bdo%2BNorte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Na estrada, próximo a Água Doce do Norte. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="480" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Na2Bestrada252C2Bpr25C325B3ximo2Ba2B25C32581gua2BDoce2Bdo2BNorte.jpg" class="wp-image-5438" title="Na estrada, próximo a Água Doce do Norte. Foto Gilson Soares, 2014." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Na estrada, próximo a Água Doce do Norte. Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Saí de Ecoporanga, na primeira hora da manhã da terça-feira, 10 de junho de 2014. </p>
<p>Qualquer viajante normalmente rumaria, dali, diretamente para Barra de São Francisco. </p>
<p>É o caminho mais curto, lógico e funcional. </p>
<p>Mas não foi o que fiz. </p>
<p>Não que eu queira ser ou seja, mesmo, anormal. Não. </p>
<p>Essa minha, aparentemente obtusa, decisão se deu por um motivo que o costumeiro leitor já deve estar cansado de saber: o meu empenho em seguir margeando a linha que faz o desenho cartográfico do <i>Torreão</i>.<br />
Por conta daquela admoestação que me foi feita pelo <i>Costura</i> de Ponto Belo – naquela noite amena de domingo (você se lembra, leitor?) em que por lá, dubitativo, vadiava e bebia –, tive que me afastar, um pouco, da borda e transpor o coração do <i>Torreão</i> (e da minha história): a cidade de Ecoporanga. </p>
<p>Pra retomar a marginalidade do percurso eu decidi, então – na transparente manhã de outono tropical – descambar pros lados de Água Doce do Norte, onde me propunha a dormir naquela terça-feira. </p>
<p>Na manhã seguinte transporia os costados da fronteiriça Serra dos Aimorés, passaria por Mantena – um dos contestados enclaves mineiros em solo historicamente capixaba – e só então retornaria ao Espírito Santo, em Barra de São Francisco. </p>
<p>Assim fiz. </p>
<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-inTS_Z0M5wg/WLcUN9Asj7I/AAAAAAAAMKw/GqE6PMeoaWMoPV5QVcILHOyh7YmmzAfRACPcB/s1600/Na%2Bestrada%2Bentre%2BEcoporanga%2Be%2B%25C3%2581gua%2BDoce.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Na estrada entre Ecoporanga e Água Doce. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="320" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Na2Bestrada2Bentre2BEcoporanga2Be2B25C32581gua2BDoce.jpg" class="wp-image-5439" title="Na estrada entre Ecoporanga e Água Doce. Foto Gilson Soares, 2014." width="240" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Na estrada entre Ecoporanga e Água Doce. <br />
Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ciente eu estava – quando elaborei o planejamento do dia – de que chegaria a Água Doce ainda muito cedo, mesmo parando com frequência para apreciar – e fotografar – as montanhas de granito vizinhas daquelas estradinhas que circulam – descalças, algumas – por ali. </p>
<p>A extensão do tempo que me foi oferecido para permanecer em Água Doce permitiu que eu realizasse com folga as três importantes tarefas que eu tinha pra cumprir ali. </p>
<p>Primeiro localizei a Biblioteca Pública Municipal da cidade e ofereci um exemplar de Minério para o seu acervo. </p>
<p>Depois procurei (e achei com facilidade) uma oficina de bicicletas. </p>
<p>É que a <i>pretinha</i> já pedia há algum tempo uma atenciosa revisão. Deixei-a aos cuidados do cara da oficina por toda a tarde. </p>
<p>Ele trabalhou muito bem e, o que é melhor, por um preço aquém do que eu supunha que iria gastar. </p>
<p>E por fim – talvez o mais importante –: fui procurar saber como sair de Água Doce do Norte, na manhã seguinte, transpondo as bordas da Serra dos Aimorés, passando por Mantena e retornando ao Espírito Santo, em Barra de São Francisco. </p>
<p>Que é o que eu queria fazer. </p>
<p>E fiz. </p>
<p>Se entre Ecoporanga e Água Doce do Norte eu transitei entre o conjunto de montanhas de pedra que mais me chamou a atenção durante toda esta viagem, agora, nesta manhã de quarta-feira, 11 de junho de 2014, logo depois de sair de Água Doce, eu subi (e desci) a mais extensa e íngreme serra que me foi imposta no decorrer deste <i>pedal</i> pelo <i>Arco Norte</i> capixaba. </p>
<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-X8utjPg24ks/WLcUNQCmf2I/AAAAAAAAMKw/x7YCZJHUTUQ1fF1TghzYsCFbBVCU7_s_ACPcB/s1600/Transpondo%2Ba%2BSerra%2Bdos%2BAimor%25C3%25A9s%2Bno%2Bextremo%2BNoroeste%2Bdo%2BES.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Transpondo a Serra dos Aimorés no extremo Noroeste do Espírito Santo. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="240" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Transpondo2Ba2BSerra2Bdos2BAimor25C325A9s2Bno2Bextremo2BNoroeste2Bdo2BES.jpg" class="wp-image-5440" title="Transpondo a Serra dos Aimorés no extremo Noroeste do Espírito Santo. Foto Gilson Soares, 2014." width="320" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Transpondo a Serra dos Aimorés no extremo Noroeste do <br />
Espírito Santo. Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Naquela <i>estradinha de chão</i> solitária e acobertada, em boa parte do percurso, por uma mata fechada e sonora, caminhei mais do que pedalei – tanto subindo, quanto descendo – um sopé tanto longo, quanto acentuado da Serra dos Aimorés. </p>
<p>E assim, caminhando de mãos dadas com a <i>magrela</i> por aquelas escarpas pude ouvir toda a sonoridade da mata e ver cores, flores, árvores e pássaros que nunca vira. </p>
<p>E se não fosse assim, eu não teria visto, também, um recado – de alguém, pra não sei quem – colado ao mourão de madeira de uma cerca lateral. </p>
<p>– Vamos tentar ser homem do campo? Eu disse homem do campo. Campo. </p>
<p>Numa folha arrancada de uma agenda, um pai ou um amigo – ou um desafeto? – deixou ali uma carta aberta (tanto que eu pude ler) estrategicamente postada para o seu destinatário. </p>
<p>Eu, que não tinha nada com isso, li, entendi o recado, fiz o registro fotográfico seduzido pelo inusitado daquele sistema de comunicação e prossegui o trajeto anormal de percurso que escolhi para aquele dia.</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-CmXwCo9CbTM/WLcUNoFjHYI/AAAAAAAAMKg/Ii-LJ8rcFfsxkyIZjyiN4yzqNGo2-J8iACLcB/s1600/Carta%2Baberta%2Bpostada%2B%25C3%25A0%2Bbeira%2Bda%2Bestrada..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Carta aberta postada à beira da estrada. Foto Gilson Soares, 2014." border="0" height="300" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Carta2Baberta2Bpostada2B25C325A02Bbeira2Bda2Bestrada..jpg" class="wp-image-5441" title="Carta aberta postada à beira da estrada. Foto Gilson Soares, 2014." width="400" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Carta aberta postada à beira da estrada. Foto Gilson Soares, 2014.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/vinheta2B4-3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="102" border="0" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/02/vinheta2B4-3.jpg" class="wp-image-5442" /></a></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p><b>&#8212;&#8212;&#8212;</b><br />
<b><span style="color: #660000;">© 2016&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
<b>&#8212;&#8212;&#8212;</b></p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Gilson Soares</b>&nbsp;é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-gilson/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p>
<div>
</div>
<div>
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</blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/na-estrada-proximo-agua-doce-do-norte/">Homem do campo</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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